Posted by : CanasOminous Jun 21, 2014

Support Conversation (Vista x Mikau)
Gênero: Cotidiano familiar;
Tema: Wiki e Marco encontram um bebê e ficam desesperados para cuidar dele enquanto não acham a mãe, e para piorar; parece que o culpado é Vista e mais uma de suas invenções!
Sugestão da leitora: Bruna.
Notas: Este é um dos melhores capítulos que escrevi recentemente, aproveitem a leitura!


Um dos Supports mais bem votados
no The Omascar da Saga Platina!

Por mais que ainda fosse tarde, o céu começara a escurecer com mais pressa do que o normal. Após um dia cheio de trabalhos e tarefas no laboratório de Vista, o sempre revolucionário Metagross, tudo que Marco desejava era deitar-se em sua cama e deparar-se com uma Wiki que adorava andar pelos corredores só de moletom e roupas de baixo, mas acabou deparando-se é com um saco de lixo que já estava ali há dias.
O Mothim levava tranquilamente o saco preto para fora, assobiando tranquilo e sem nenhuma preocupação. Mesmo que aquela não fosse a sua obrigação, geralmente sobrava para o pobre Duke realizar tal tarefa, mas Marco estava de bom humor naquela noite tão agradável e tomou qualquer atitude antes mesmo que alguém o obrigasse.
♪ ♪ ♪
As proximidades do dormitório eram sempre movimentadas, especialmente quando Aerus aparecia para criar alguma festa ou então quando Karl e Lyndis passavam correndo por ali gritando feito loucos, mas não naquela hora. Não havia ninguém no pátio.
Após descartar os entulhos, Marco teve a nítida impressão de que ouvira um choro. Seria possível? Uma criança na base da Fire Tales?
Preparando-se para partir, ouviu o mesmo som estridente. Um choro bem baixinho, tremido. Seria o de uma criança? Voltou e observou tudo com mais atenção, deparando-se com um pequeno berço azulado e de lençóis finos feito seda. Desconfiado, Marco surpreendeu-se ao ver que ali havia um pequeno bebê de olhos claros que tremia de frio. Ao colocar os olhos no Mothim, por obra do destino, a criança parou de chorar.
O rapaz imediatamente levou a mão até sua boca num sinal de surpresa.
Como isso é possível? Quem deixou este pequeno anjo aqui?
Não desconfiaria de ninguém na guilda, afinal, nenhum de seus companheiros faria uma atrocidade de abandonar um bebê naquelas condições. Com tantas guerras e batalhas se aproximando, será que alguém realmente teria interesse em... ter um filho?
O frio vinha aumentando nos últimos dias, e o rapaz jamais poderia deixar aquela criança ali. Tomou o bercinho improvisado nos braços e levou-o em direção de seu dormitório para dar a notícia a Wiki e Vista. Eles saberiam o que fazer.
Antes que ele subisse as escadas, Sophie, a recepcionista, notou que Marco carregava algo.
O que está levando escondido aí, mocinho? indagou a Gardevoir num ar gentil. Marco começou a suar frio, mas ela logo emendou: Espero que não sejam os biscoitos que deixei em cima do balcão lá no bar.
Fica tranquila, S-Sophie. São só... alguns aperitivos.
Ela acenou com a cabeça e logo voltou a ler seu jornal. Por sorte, o bebê permanecia calmo e silencioso, como se fosse levado para dar um passeio.
Entrando em seu quarto, Marco procurou por Wiki desesperadamente, mas não havia sinal da mulher. Abriu espaço na mesa e ligou o aquecedor para que o ambiente ficasse mais confortável. Começou a encarar aquele jovem com atenção, mas sua mente girava a milhão. Como aquilo poderia acontecer justamente com ele, e naquela noite?! Teria sido melhor deixar Duke levar o lixo para fora...
O bebê abriu os olhos sonolentos, e Marco começou a sua suar frio.
O-oi, amigão... Como é que está aí?
Tinha cabelos roxos e um rostinho bem rechonchudo. Devia ter menos de 1 ano naquelas circunstâncias, e se alguém da guilda o estivesse escondendo, como é que conseguira tal proeza durante 1 ano inteiro? Eram muitas perguntas que rondavam pela mente do jovem, e por mais que ele desejasse que aquilo fosse um sonho que logo terminaria, a criança continuava ali, encarando-o assustada.
Você... Está com fome? Deve estar assustado, não é? Acordar em um lugar novo, deparar-se com alguém que nunca viu na vida... Qual o seu nome?
Suas mãos suavam. Marco começou a limpá-las em suas mangas, olhando de um lado para o outro e desejando que Wiki chegasse logo, ela saberia o que fazer.
Ele logo correu para esquentar um pouco de leite que tinha na geladeira, mas não demorou para ouvir alguns toques sutis vindos do banheiro, seguidos de um chute intenso que quase arrebentou a maçaneta e jogou-a para longe. Wiki estava lá dentro, vestindo apenas um moletom quentinho e as roupas de baixo com rendas bem femininas, mas tinha um olhar que não parecia nem um pouco contente.
Estou esperando você escondida naquele banheiro já faz mais de vinte minutos, por que não veio me ver?! gritou ela.
Shhhhhhh! W-Wiki, não faça barulho! pediu Marco.
Eu faço o barulho que eu quiser! O quarto é seu, as coisas são suas, você é quem paga as contas e compra a comida, mas eu falo do jeito que eu quiseeeer, OUVIU?!
Preparando-se para levar uma bronca daquelas, subitamente Wiki parou de gritar e seus olhos de vidro se arregalaram. A mulher não acreditou quando viu aquela pequena criança sobre a mesa, olhando para ela com a mesma curiosidade compartilhada.
Eu não acredito, Marquinho. Seu filho já tem esse tamanho? perguntou Wiki, perplexa. Ela logo estalou os dedos das mãos. Quem é a vadia?
Não inventa, Wiki. Esse filho jamais poderia ser meu, eu o encontrei hoje lá no pátio enquanto levava o lixo para fora, parece até que alguém esqueceu ali.
Ou tentou se desfazer dele  disse ela, sem palavras para aquela ocasião.
Era difícil ver Wiki ser surpreendida por algo, mas pela primeira vez, Marco notou claramente que ela estava assustada com aquela situação. Por mais que fosse uma mulher tão cheia de experiência, sua vivência com crianças parecia ser extremamente delicada. Marco olhou para o bebê, que olhou para Wiki, que voltou a olhar para Marco. Era difícil dizer quem estava mais boquiaberto naquela situação.
Eu... Posso pegar nele? perguntou Wiki, com uma voz tão calma e gentil que seus amigos teriam duvidado ser dela.
A moça segurou a criança com suavidade, deixando-a perto de seus seios enquanto sorria comovida e especialmente contente.
Que sensação estranha comentou Wiki. Segurar uma criança assim, uma vida.
Não acredito que você nunca tinha cuidado de nenhum bebê, pensei que fosse expert nisso  disse Marco, que logo levou um empurrão, preferindo ter ficado quieto.
Ei, estou ficando mais comportada ultimamente, tudo bem? Tive amigas que tiveram filhos bem cedo, mas eu sempre.... me sentia muito insegura perto de crianças. Nunca deixei de tomar todas as precauções ela sorriu novamente como uma jovem apaixonada, balançando a criança de um lado para o outro como seu pequeno tesouro. Mas se eu tivesse experimentado antes, talvez eu mudasse de ideia mais cedo.
Marco engoliu seco, mas logo o assunto se perdeu.
Qual o nome dele?
            Já disse que não sei, eu o encontrei agora. Pensei em mostrá-lo para a Sophie que é enfermeira, mas achei que seria melhor falar com você antes.
Que bonitinho, você confia mais em mim! respondeu Wiki, acariciando os cabelos do jovem. - Fez bem. Olha só para esse menino, esse cabelinho roxo tão lindo, e esses olhos quase brancos de tão claros que são! Será que um dia terei um filhinho tão lindo assim?
It could be yours.
Subitamente, Vista surgiu no quarto explodindo uma das paredes e fazendo uma barulheira daquelas, só para garantir sua entrada triunfal de sempre. Com o barulho todo e o susto que levara, o bebê começou a chorar de tal maneira que o ciborgue preferiu ter entrado pela porta uma única vez.
Olha só o que você fez, Mecha-boy!!! gritou Wiki. Seu BESTA!!
Ai, caramba!! Aconteceu o que eu não queria!! choramingou Marco. Era ele que quase estava começando a chorar. O que vamos fazer? O que vamos fazer?!!
Shit. I'm sorry, é que nunca lidei... Com essas coisinhas estranhas disse Vista, cutucando a criança bem de longe com uma de suas garras e tomando as devidas precauções, como se ele fosse mordê-lo.
Faz ele parar de chorar agora, antes que alguém ouça! disse Wiki.
Vista pegou o berço inteiro com o bebê e jogou-o dentro de um compartimento secreto no peitoral de sua armadura, mas o eco do choro começou a tornar-se ainda mais alto do que o esperado.
Ai, meu Arceus! E se o Aerus entrar aqui e ver esse bebê? Ele vai dizer que eu sou o pai, e aí acabou minha vida! - Marco corria de um lado para o outro, desesperado. Isso porque eu ainda nem tive a oportunidade de fazer nada com nenhuma garota ainda... Vou morrer viIIIIIISSSH!
Acho que ele molhou as calças  comentou Vista, sombrio.
Wiki pegou a criança de volta e a balançava de um lado para o outro.
Droga, Mecha-boy! Estava tudo perfeitamente bem sem a sua presença, por que você tinha que aparecer?!
Eu vim porque eu sei exatamente porque essa criança esta aqui, e especialmente porque minha máquina do tempo é a culpada por essa catástrofe... admitiu o Metagross.
Quer dizer que foi você quem trouxe esse bebê para cá?! Wiki perguntou, indignada.
Correção: Eu não. Foi a máquina.
Você me tira do sério, Vista! E como pôde ser mal o suficiente para largar uma criancinha tão linda no meio do lixo, como se tentasse descartá-la? Você não tem coração?
DAMN, WOMAN! Eu estava desesperado respondeu o robô, numa rara situação em que parecia perder o controle. Fiz uma viagem no tempo tranquila para um futuro distante, e quando voltei, encontrei-me com essa... coisinha.
Não o chame de coisinha, ele é tão fofo disse Marco.
É uma coisinha que só baba, faz barulhos estridentes e fica com o nariz fungando o tempo inteiro. I HATE CHILDREN.
Não é de se surpreender... Mas eu gostaria de saber exatamente o motivo de você ter viajado no tempo, e o que o senhor fez no futuro para que essa criança acidentalmente aparecesse aqui, bem na sua guilda continuou Wiki.
Vista manteve-se em silêncio, ocultado por seu manto negro. Precisava dar a notícia de algum modo.
Eu não sei de quem é essa criança. Minha máquina do tempo cria vários futuros a cada instante, mas no fim de minhas viagens, a lendária guardiã do espaço, a senhorita Paula, reverte os erros cometidos. Mas sempre ficam falhas, e dessa vez, temo que eu tenha ido longe demais.
Você SEMPRE vai longe demais!! contestou Marco, e a criança ainda chorava.
O rapaz terminou de aquecer a mamadeira e logo deu o leite quente para que a criança adormecesse. Ele logo se aquietou, o que permitiu que os três relaxassem. Por sorte os demais membros da guilda estavam bem acostumados com gritos vindo daquele quarto, então não era nenhuma novidade.
Posso segurá-lo de novo? perguntou Wiki.
Pode sim. E enquanto isso, Vista, arrume a parede que você destruiu. Vamos nos acalmar e pensar seriamente no que fazer nesta situação tão delicada...
O ar dentro do quarto começou a ficar mais tenso. Ninguém falava nada. Wiki, que era sempre tão barulhenta, vestiu algumas calças e decidiu comportar-se enquanto cuidava do menino de cabelos lilás. Vista andava de um lado para o outro, devia estar pensando em equações e possibilidades de levar aquela criança de volta para seu tempo de origem. Marco não se cansava de olhar para o pequeno.
Ele é tão bonitinho, não é?
            É sim. Devíamos dar um nome sugeriu Wiki.
NO. NAMES. Rugiu Vista. Quando se dá nomes, logo vem a afeição, e daqui a pouco teremos um pequeno moleque catarrento correndo nu pelos corredores enquanto vocês tentam dar banho nele. Please, NO.
Wiki fez uma careta, descontente com aquilo. A criança dormia em seu colo, e Marco ainda o olhava com extrema curiosidade. Observou sua companheira, e depois o bebê, revezando olhares. Não podia ser...
Wiki, percebeu como esse menino é...
Parecido comigo? Ela perguntou, como se praticamente soubesse no que Marco estava pensando. Claro que percebi, mas... É estranho. Muito estranho.
Marco chegou mais perto dela para que ciborgue não ouvisse a conversa.
Acha que o Vista tentou saber como seria seu casamento no futuro, e acabou trazendo seu filho acidentalmente?
Em um raro sinal de vergonha, as bochechas de Wiki coraram.
Nossa, isso seria tão... mágico Ela falava com a voz carente e amorosa. Veja só, meu coração está até batendo mais forte.
E que nome você está pensando em dar pro moleque? Google? Faça-me o favor, andrógena, he couldn’t be your son! desdenhou Vista. — Sem contar que não tem nada a ver com você.
Você não se cansa de ouvir a conversa dos outros, não? reclamou ela, enfurecida. Olha só o cabelinho dele, claro que pode ser meu. É só eu encontrar um marido bacana, esperar alguns meses e pimba! Pronto. Tá aí minha criança! Desse jeito, não vou fazer questão de convidá-lo para o meu chá de bebê.
Wait a minute. Estou tentando imaginar como seria você casada murmurou Vista, levando apenas alguns segundos para anunciar com uma voz mecânica. ERROR 404. File not found.
Wiki revirou os olhos.
Você me dá nos nervos.
A noite caiu fria. Marco imaginava como aquele bebê estaria se ainda estivesse abandonado completamente sozinho perto do depósito. Vista acabara de bolar um plano, e enquanto não pudesse mandar o pequeno "Google" de volta para o futuro, teriam de escondê-lo de todos os demais para não arranjar confusão.
Levem-no para o laboratório. Eu que causei tudo isso, eu que irei resolver.
O grupo saiu do dormitório como verdadeiros gatunos. Ninguém os viu, nem mesmo Sophie que estava na entrada da recepção. Eles fizeram seu caminho até o local de trabalho de Vista, mas assim que as luzes foram acesas, algo se moveu lá dentro.
Wiki abraçou a criança com mais força, como se quisesse protegê-lo.
Tem alguém aqui. Será que vieram pegar meu filho?
Wiki, ele não é seu... respondeu Marco.
Silence.
Vista ativou um dos canhões em seu braço e movimentou-se sorrateiramente pelos aposentos. Ferramentas estavam remexidas, e praticamente tudo fora revirado como se alguém estivesse em procura de alguma coisa que não encontrou. Se houvesse um ladrão ali, logo ele seria exterminado. Marco também colocou-se em prontidão. Era difícil fugir dos olhos infra-vermelho do ciborgue. Logo, ele avistou seu alvo.
Vista fez apenas um sinal para que seus amigos ficassem afastados e protegessem as crianças. Ao aproximar-se de um caixote, revirou-o com violência e pôde ver escondido logo ali atrás... outra criança. O Metagross imediatamente afastou-se. Nada o teria deixado mais assustado.
É uma menina disse Marco, já menos tenso com a notícia. É apenas uma menina perdida.
A garotinha estava ajoelhada, protegendo o rosto e o corpinho tão singelo de menina. Devia ter seus 8 anos. Tinha cabelos longos azulados, olhos calmos, ternos e suaves. Ela estava mais amedrontada do que todos os demais. Vista esticou uma de suas enormes mãos em direção dela que apertou-se ainda mais em seu canto.
Se afaste! gritou a menina. Eu não vou deixar vocês me pegarem!
Vista obedeceu e afastou-se. Por mais que fosse rude e violento, em seu coração ainda vivia uma máquina. Podia odiar crianças, mas não se imaginava fazendo mal algum contra elas. Abandonara aquele outro bebê por estar desesperado, mas agora, encontrar mais um? Aquilo estava indo longe demais.
Marco tomou frente e ajoelhou-se em frente da menina, falando de maneira suave e gentil:
Não tenha medo. Nós queremos ajudar.
Não, não! A menina se espremeu ainda mais. Onde está o papai? O que vocês fizeram com ele?
Nós não sabemos quem é o seu pai... desculpou-se Marco. Mas quem é você, e de onde veio?
Wiki também chegou bem perto dela e sorriu de maneira confortante. Ajoelhou-se para ficar na altura da garota e seus olhos brilhavam.
Qual é o seu nome, minha linda?
Sentindo-se mais confortável com os dois, e longe de Vista, a garotinha falou:
Meu nome é Milita... E-Eu não sei como vim parar aqui... Onde estão meus irmãos? E o papai?
Seus irmãos? Wiki perguntou, lembrando-se da criança que encontrara. Está falando dele?
Midas! disse Milita, aliviada por ver um rosto conhecido.
Graças a Arceus o nome dele não vai ser mais Google... comentou Vista, de longe.
Marco ajudou a menina a levantar-se, e após arrumarem a bagunça que estava no escritório, tentaram acalmá-la como pudessem, para extrair o máximo de informações possíveis. Wiki ainda estava maravilhada com todas aquelas crianças na guilda, mas perdera um pouco as esperanças de que pudessem ser filhos seus num futuro distante, afinal, Milita tinha o cabelo azul... Quem mais na guilda tinha cabelo azul?
De onde você vem, little sister indagou Vista tentando manter toda a calma possível, mas amedrontando a menina com seu tamanho assustador.
O robô deu de ombros e logo se virou.
I give up. Não conseguirei extrair nada dessa garotinha!
Milita, você pode nos ajudar? É só dizer de onde vem, quem é o seu pai e como chegou aqui.
A garotinha virou a cara.
O papai disse para eu nunca falar com estranhos... E é pra eu bater neles, se continuarem insistindo.
Papai interessante que você tem comentou Wiki. Ele parece ser um homem de atitude.
Ele é sim, é o meu herói! No começo, a mamãe dizia que ele era muito mal e fez coisas horríveis, mas que no final virou o melhor pai do mundo.  A garotinha sorria de maneira revigorante quando falava nele, e começou a imitá-lo com as mãos, como se carregasse duas pistolas.  Estava sempre atirando em tudo, pshh, pssh!
Um breve silêncio formou-se na sala.
A shooter? Vista e Wiki se entreolharam, captando a ideia no mesmo instante. Marco, vá nos dormitórios e convoque a presença de nosso atirador até aqui.
Ele não vai vir, o senhor sabe muito bem  respondeu o Mothim.
Oblige him.
Vista começou a trabalhar imediatamente nos reparos de sua máquina no tempo enquanto Marco corria em direção dos dormitórios. Tudo começou a fazer sentido. Milita observava o Espectro Mecânico, espantada. Ele trabalhava com pressa, como se sua vida dependesse daquilo. Wiki andava de um lado para o outro, pensativa.
Quem diria que isso aconteceria no futuro, Mecha-boy? O Mikau, com dois filhos lindos como esse?
Wiki, em minhas viagens no tempo aprendi muito, e uma das principais lições é sobre as burradas que fazemos entre as dimensões. Coisas que vemos, destinos que mudamos. Essas duas crianças jamais poderiam ter vindo aqui!
E o que pretende fazer? Jogá-los fora como da primeira vez? gritou Wiki, indignada. Vou me certificar de que você construirá tudo direito, para que eles tenham uma viagem segura e nada saia errado.
A mulher respirou fundo.
Eu irei ajudá-lo.
Vista confirmou com a cabeça, afinal, Wiki devia ser uma das mulheres mais inteligentes da guilda. A moça deixou o pequeno Midas sobre uma mesa e correu para buscar as ferramentas, mas logo percebeu que Milita não estava mais em lugar algum.
Mecha-boy, a garotinha sumiu!
Shit. Não deveríamos ter ficado falando alto, era só construir e jogá-los no portal. Fim de assunto. Aposto que encontrariam o caminho de casa.
Nada disso! bradou Wiki. Continue fazendo os reparos na máquina, eu vou atrás dela. E não se esqueça, o Midas estará logo aí. Tome conta dele.
EEEEEEU? NEVER. Mas já era tarde, e Wiki já havia desaparecido nas sombras da noite.
Midas e Vista trocaram olhares. A criança fez uma enorme bolha de baba que estourou, fazendo o enorme ciborgue até largar sua ferramenta no chão.
Vista continuou dando o seu melhor na máquina do tempo, no final de suas viagens sempre acabava destruindo-a, e justamente quando mais precisava estava tudo destroçado! Nem ele imaginava que poderia terminar em tempo recorde, e ao ativar a energia viu que tudo estava conforme o esperado.
Respirou fundo. Olhou para o pequeno Midas ao seu lado e segurou no berço, olhando em direção do portal.
Let's make a trip, little boy.

• • •

Mikau, você precisa vir com a gente! É sério, é muito importante! Importante mesmo!
Dê-me um bom motivo para deixar a Milena aqui e sair com você  disse o atirador, não convencido de toda aquela conversa.
Marco nunca conhecera Mikau muito bem, e sempre sentira-se intimidado por ele. Não via como um homem deixaria uma linda mulher esperando em seu quarto enquanto saía para lugar nenhum com um conhecido. O Mothim não queria correr o risco de falar exatamente o que acontecia, afinal, e se estivesse enganado? E se o filho não fosse de Mikau, ou pior, de Milena? Toda aquela conversa de viagem no tempo estava muito confusa e parecia só piorar.
Milena segurou no ombro do rapaz e sorriu em sua direção.
Vá. Pode ser algo importante, eles precisam de você.
Não estou a fim de ir admitiu o atirador.
P-Por favor...  — rogou Marco uma última vez. Você precisa ver isso.
Após muita insistência, Mikau vestiu uma regata branca e calças largas. Saiu na noite tranquilo sem esperar nenhuma novidade, mas era visível no olhar de Marco o quanto ele estava desesperado.
Mikau, você precisa ver isso! Apresse o passo!
Espero que não seja mais nenhuma experiência ridícula do Vista. Não estou a fim de virar mulher de novo disse o atirador.
Tudo bem, admito que é uma experiência, sim... Mas dessa vez é algo diferente.
Não demorou para que Wiki surgisse correndo em sua direção e trouxesse a notícia consigo.
Marco, a Milita sumiu!
COMO ASSIM?! gritou o Mothim. Ai, meu Arceus!! O Mikau vai matar a gente!!
Quem é Milita? indagou o Kingdra, indiferente, bocejando, e com sono.
Marco, vamos nos separar e procurar por ela agora mesmo! A Milita fugiu quando eu e o Vista começamos a brigar, precisamos encontrá-la para devolvê-la ao seu tempo de origem antes que o fluxo do futuro seja alterado por nossas decisões no passado! explicou Wiki.
Tudo bem. Mikau, ajuda a gente a encontrá-la? pediu Marco. É uma garotinha de cabelos longos azuis, deve ter uns oito anos... Se encontrá-la, vá direto para o laboratório do Vista. Obrigadão!!
Vocês são loucos...

• • •

Vista caminhava tenso em direção de uma pequena cabana a beira mar. No braço direito, um berço com o pequeno Midas adormecido. Não esperava bater na porta da frente, então pensou se simplesmente deixaria o berço ali novamente como fizera antes, mas... E se ninguém viesse?
Engolindo seu orgulho, deu uma volta na cabana até encontrar uma varanda que dava uma visão belíssima para o mar. A areia nos pés, as palmeiras balançando, uma paz que há muito ele não sentia.
Que paraíso você encontrou, hein, meu amigo sussurrou Vista para si mesmo.
Uma das janelas de vidro não estavam trancadas, pois não havia perigo numa região como aquela. O ciborgue deixou o berço gentilmente na sala. Midas já dormia solenemente. Porém, ao virar-se para ir embora, tomou um tiro na cabeça que chegou até a fundar seu elmo de ferro, mas nada preocupante. Irritadíssimo com aquele ultraje, foi surpreendido por mais uma criança.
Who the hell are you? bradou o ciborgue.
Quem invade a casa do meu pai? Vou atirar em você com meu Water Gun gritou a menina de cabelos azulados, presos em um rabo de cavalo.
Quantas crias aquele bastardo espalhou pelo mundo?! rugiu Vista, inconformado com tantas crianças que vira num único dia.
A menina ainda apontava a mão em sua direção, simulando uma arma, uma técnica já bem conhecida do Metagross. Ela o encarava com fogo no olhar. Seus cabelos eram da cor dos mares revoltosos após uma manhã de ventanias e estavam presos em um rabo de cavalo improvisado. Ela não demonstrava hesitação.
Se você não sair da minha casa agora mesmo, vou atirar em você de novo! E dessa vez não vou errar, ou melhor... Será com ainda mais força, porque eu nunca erro!
Onde está seu pai, menina? indagou Vista, acariciando o local que fora perfurado pelo projétil de gelo.
Ele saiu para procurar por meus irmãos que sumiram de repente, e... dizia a menina, ao perceber que Vista trouxera um deles de volta. V-Você encontrou o Midas!
You're welcome respondeu ele já preparando-se para ir embora.
Espere! Quem é você? Algum tipo de anjo da morte?
Vista voltou o olhar sombrio para ela.
Já abandonei esse apelido há muito, muito tempo... Mas talvez o seu pai vá se lembrar. interveio o espectro. — Diga-me seu nome, e eu responderei.
A menina estufou o peito e anunciou:
Eu sou Aysha, a atiradora. Tenho 7 anos, e sou a filha de Mikau, o Kingdra mais poderoso que este continente já viu.
Vista sorriu e acenou com a cabeça.
Então diga ao seu pai, apenas, que... Um velho amigo fez uma visita. Farewell, Aysha. Que o futuro nos reserve um reencontro predestinado!

• • •

Mikau andava sem interesse algum procurando aquela tal de Milita que não fazia ideia de quem era. Nunca fora um bom rastreador, e estava prestes a voltar para o conforto de sua cama quando avistou uma garota andando sozinha no pátio vazio da guilda. Ele franziu o cenho, a menina o vira, mas não disse nada.
Seu nome é Milita? perguntou Mikau, mas sem uma resposta. Se for, me segue logo que tem uma galera estranha te procurando.
Ele voltou a caminhar, mas a menina não o seguiu.
Ei, você é surda? Ou vou ter que ir aí te buscar?
Libertando-se do transe, Milita correu em sua direção com uma obediência que até mesmo Mikau estranhou. Não sabia que se dava tão bem com as crianças.
Os dois caminharam em silêncio, mas o atirador percebia claramente que aquela garotinha não tirava os olhos dele. Virou-se ligeiramente para encará-la, e ela desviou o olhar, envergonhada. Mikau divertiu-se com a cena. Seduzindo até mesmo as mais novas, hm? pensou num tom de deboche.
O homem caminhava com as mãos no bolso, quieto como um túmulo. Foi quando, de repente, sentiu que aquela mesma menina tentava segurar sua mão numa tentativa falha. Ele imediatamente afastou-se.
O que pensa que está fazendo? indagou Mikau. Nem mesmo Milena andava de mãos dadas com ele. Odiava aquilo. Odiava que o tocassem.
D-Desculpa... Eu só pensei que você era...
Mikau balançou a cabeça e voltou a caminhar com as mãos no bolso. A garotinha apreçou o passo para acompanhá-lo ainda sem tirar os olhos dele, até que o atirador decidiu quebrar o gelo.
Você tem um cabelo muito bonito admitiu.
Mamãe sempre diz isso. Sou a cara dela  respondeu a menina, meio tímida.
Então sua mãe deve ser realmente muito atraente.
Milita parou de andar ao ouvir aquilo, e foi logo seguida por Mikau que também parou, olhando para trás.
Então... Você não lembra?  perguntou a pequena.
Lembra de quê?
Da mamãe... De mim.
Mikau franziu o cenho.
Olha, garota.... Essa conversa está ficando bem esquisita.
Seu nome não é Mikau? ela perguntou, como se já soubesse a resposta. Sou eu, a Milita.
Eu... conheço você? Desculpe, não me lembro mesmo. De repente você é filha de algum conhecido meu de Hoenn, não sei... Quem é seu pai?
Os olhos da garota começaram a se encher de lágrimas e ela não resistiu. Mikau assustou-se com a cena, não havia ninguém ao redor. Uma criança perdida em sua frente é o suficiente para que o mais árduo dos guerreiros se derreta. O homem aproximou-se dela sem reação, mas Milita apenas chorava, chorava e chorava...
E-Ei, calma, foi mal. Desculpe por não lembrar, mas eu realmente não sei quem você é... Desculpa de verdade.
Ela continuou chorando, levou as mãozinhas até seu rosto para tentar parar, pois certa vez ouvira seu pai dizer que ela nunca deveria chorar e demonstrar fraqueza diante dos outros. Completamente sem reação, a única alternativa que Mikau encontrou foi a de agachar e cobrir a menina com seus braços, dando-lhe proteção.
Milita abriu os olhos e sentiu-se no conforto de um abraço tão conhecido.
Me desculpe. Não faço ideia de quem você é, mas farei o possível para que você se encontre com seu pai. Eu prometo.
P-Pai... Milita sussurrou, antes que seu corpo começasse a desaparecer. Suas mãos foram perdendo a cor, Mikau afastou-se e viu que ela parou de chorar, e com um último olhar esperançoso, a menina fixou os olhos no rapaz e sorriu:
Obrigada.
Não demorou muito para que Marco, Wiki e Vista fizessem seu caminho até onde Mikau estava. Eles só encontraram o homem agachado no chão, com as mãos a abraçarem nada além de pequenos brilhos que se erguiam em direção do céu vazio.
O que houve? Onde está a Milita? indagou Marco, extremamente preocupado.
Ela foi para o lugar que deve estar. A far, far away future explicou-lhes Vista. Acredito que meu companheiro atirador tenha descoberto algumas coisas a mais do que deveria.
Mikau não demonstrou expressão alguma. Não parecia preocupado ou assustado, apenas confuso. Voltou o olhar para o ciborgue, e por fim falou:
Então, esse era o showzinho que vocês queriam me mostrar?
M-Mikau, perdoe-nos, foi um acidente...  desculpou-se Wiki, mas o rapaz logo sorriu e olhou em direção das estrelas. Era difícil imaginar no que ele pensou naquele instante.
Milita. Adorei esse nome.

Image by: Litos

{ 2 comments... read them below or Comment }

  1. Ao que indica parece que ele ficou com a Akagi :3 ou eh isso que quer que nos pensemos :3 Obrigada por me deixar confusa '-'
    Que filhos KAWAAAIS!!
    WV

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    1. Diga ae, WV! Se olharmos bem para a cara dessa adorável criança, veremos que a Milita também se parecem com a Milena... Bom, vai saber, né? A Litos foi a artista desse desenho, e trabalhamos juntos no Support justamente para criar várias ideias bizarras na mente de vocês! O futuro é sempre muito incerto, e o Vista's Time Machine está cheio de universos paralelos, imaginários, coisas que nunca poderiam acontecer... Ou será que ele só estava prevendo o futuro? Pode ser os dois. (Ou as duas, sacou? kkkkk Ah, deixa pra lá...) Valeu pelo comment, WV. Beijos!

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