Capa Oficial do Meu Livro

Diga aí, povo de Sinnoh! Passei para atualizá-los de como está andando minha jornada em busca da publicação de meu primeiro livro físico. Eu já estou nessa desde meados de 2014 quando postei uma prévia aqui no blog, de lá para cá muita coisa mudou, mas eu nunca tive algo muito concreto para mostrar para os leitores fora um vislumbre dos primeiros capítulos.

A capa foi ilustrada pela Lúcia Lemos, acima vocês conferem um mockup de como ele vai ficar depois de impresso. Terminada essa etapa caminhamos para as ilustrações que estou trabalhando com a Nyx (ela também ilustrou toda a Liga Pokémon da fanfic), depois passamos para a diagramação e finalmente a impressão. Pois é, falta muito pouco, quando eu tiver o livro em mãos volto para atualizá-los!

Não se esqueça que você também pode continuar acompanhando minhas atualizações no Reino de Sellure, onde posto algumas tirinhas, capítulos especiais e mais informações de minha jornada como autor. É só clicar na imagem abaixo. Grande abraço, galera!

Qual a última frase?

Minha saga em busca de conteúdo extra com alto fator nostalgia continua. Em uma dessas madrugadas, me peguei revendo os capítulos finais da Liga (e me emocionando com as mesmas partes), pois no mais recente Capítulo 101 tivemos a despedida do Sr. Atros e sua última aparição  na História Central. Todo mundo sabe que os personagens vão e vêm por essas terras e não demora muito para eles darem as caras de novo, mas com a fic concluída, quando foi a última vez que nossos respectivos treinadores e Pokémon tiveram chance de se pronunciar? Não parece que faz tanto tempo, mas a Liga terminou em Fevereiro de 2015.

Pois bem, eu fiz uma lista contendo a última frase dita por cada personagem. Pesadão, né? Todas elas são tão... típicas deles, rs. Mas algumas também são bem engraçadas. Outras ainda me emocionam.

Tenha em mente que essa postagem não inclui nenhum especial, episódio dos FT ou Supports, contei apenas dos Capítulos 1 ao 100.

TREINADORES
Luke
"É. Saquei."  Capítulo 100.

Lukas
"Quero surpreender pessoas, quero que elas encontrem nessa história um refúgio para os que fugiram da vida, uma aventura a ser vivenciada, um sentido para quem perdeu os motivos de acreditar."  Capítulo 100.

Dawn
"Acho que é por isso que me apaixonei por você. Mas não esquece que eu não sei nadar, hein?"  Capítulo 100.

Vivian
"Ahh, sim. Eu pensei que vocês fossem, tipo, fazer sexo selvagem".  Capítulo 100.

Stanley
"Ihh..."  Capítulo 100.

Paula
"Talvez eu tenha encontrado. Mas vou querer que você descubra sozinho."  Capítulo 93.

Riley
"Vocês nos superaram mais uma vez, souberam trabalhar melhor do que nós dois que nos conhecemos há tanto tempo. E para ser bem sincero, eu já sabia que o Volkner estava meio enferrujado."  Capítulo 90.

Roark
"Obrigado, meu amigo, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado! Este é o melhor presente de minha vida!!"  ao ganhar uma pedra de Luke no Capítulo 73.

Marley
"Mais uma vez essa ruiva volta para a minha lista negra". — Capítulo 77.

Fantina
"Eu aceito o seu pedido, agora vem que a Fan Fan é toodinhaa sua! Vou te mostrar as minhas mãos de fada". — Capítulo 77.

(Zuera, na verdade foi essa aqui, mas não é nem de perto tão legal: "Adoro quando eles transformam uma apresentação em um campo de guerra!" — Capítulo 93.)

Volkner
"Nada de insígnias, apenas a boa e velha rivalidade. Continuem derrubando seus rivais, falta pouco para vocês chegarem lá em cima". — Capítulo 90

FIRE TALES
Titânia
"Me diga, quem os seus olhos estão olhando?" — Capítulo 99.

Aerus
"Eles sempre olharam para você."  — Capítulo 99.

Watt
"Tih?"  — Capítulo 99.

Mikau
"Adoro." — em resposta à frase Chaud: Você gosta de jogos? Capítulo 97 - Parte 4.

Milena
"Mikau... fique comigo." — Capítulo 97 - Parte 4.

Glaciallis
"Permita-me só por um instante derramar estas lágrimas que transbordam. Prometo que logo irei reerguer-me." — Capítulo 96 - Parte 3.

General
"Eu ainda irei te amar." — Capítulo 96 - Parte 3.

Chaud
"Obrigado. Por me carregarem quando eu não encontrei mais forças para me manter de pé."— Capítulo 97 - Parte 4.

Eva
"Eu vou poder senti-lo alguma outra vez? Não sei se conseguirei segurar as minhas lágrimas por muito tempo..." — Capítulo 97 - Parte 4.

Tom Sawyer
"Eva, se você não quiser chorar, então eu vou chorar por você." — Capítulo 97 - Parte 4.

Duke
"Mãe, eu só quero voltar pra casa... Estou cansado. Onde estão os outros? Por que eles ainda não voltaram?" — Capítulo 97 - Parte 4.

Milady
"É claro que sim, querido. E quando ele voltar, todos nós faremos uma festa juntos, e você vai poder pedir o que quiser [...] Com exceção de dinheiro, porque você sabe que nunca dou dinheiro." — Capítulo 97 - Parte 4.

Isaac
"Não estou falando das lágrimas do lamento, e sim, da felicidade. Da felicidade por saber que nossos amigos ainda vivem, por saber que podemos encontrá-los em algum lugar desse vasto mundo, só precisamos começar a procurar. São as lágrimas da esperança." — Capítulo 56.

(Como Isaac não estava presente na Liga, sua última frase foi dita ainda no Arco dos Clones.)

Sophie
"Sei disso, meu querido. E você sempre será." — em resposta à Sonnen: Você era minha única família. Capítulo 95 - Parte 2.

"Fique bem forte, mais do que eu, mais do que qualquer um. Eu também vou treinar para me tornar forte. Para te proteger. Para não perder você. Isso é uma promessa."  Última frase do flashback, Capítulo 95 - Parte 3. 

Al Capone
"Vocês não precisam ver isso." — Capítulo 95 - Parte 2.

Karl
"Ela chama todo mundo de fofo, cara." — Capítulo 95 - Parte 2.

Lyndis
"Pai!" — Capítulo 95 - Parte 2.

Atros
"Sou um soldado, Sir Isaac. Aprendi a deixar as mágoas e a tristeza há muito tempo." — Capítulo 56.

(Como Atros não estava presente na Liga, sua última frase foi dita ainda no Arco dos Clones.)

Sly
"CHOOOOOOOOOOOOP!" — em resposta à Dawn: AHH, POKÉMON HENTAI!

(Sly nunca teve nenhuma fala na História Central. A única vez foi através de um grunhido capítulo de sua captura, no Capítulo 9.5)

Malbora
"Nesse exato momento nunca estive tão feliz por encontrar alguém que nunca vi. Essa Malbora... A verdadeira... Ela é uma mulher de sorte por ter amigos como vocês. Muita... sorte..." — Capítulo 56.

(Como Malbora não estava presente na Liga, sua última frase foi dita ainda no Arco dos Clones. Na verdade quem falou foi seu clone, porque a verdadeira é muda).

Magnum
"Mas... Não desejo matá-lo." — Capítulo 56.

(Como Magnum não estava presente na Liga, sua última frase foi dita ainda no Arco dos Clones.)

Yoshiki
"Jade, com que cara vou encarar a Tashiki agora?" — Capítulo 97 - Parte 2.

Jade
"Então vamos nós dois tomar bronca juntos!" — Capítulo 97 - Parte 2.

Marco
"Fiquem comigo! Eu não quero ficar sozinho de novo!" — Capítulo 98 - Parte 2.

Wiki/Mozilla
"Nós sempre estaremos com você, meu amor. Todos nós, juntinhos. Sempre." — Capítulo 98 - Parte 2.

Vista
"TOGETHER." — Capítulo 98 - Parte 2.

Coffey
"Diga que todos merecem uma segunda chance." — Capítulo 97 - Parte 2.

Beliel
"Seu lugar já está reservado há tempos." — em resposta à Mikau: Então, nos encontramos no inferno? Capítulo 97 - Parte 2.

Seth
"E espera que a Liga termine com um empate? Que tudo que vocês lutaram para conquistar até aqui seja em vão? Vamos lá, guerreiro, seja mais do que sentimentos e emoções mistas no campo de batalha." — Capítulo 99.

Akebia
"Prove de todos os perfumes da vida e use um novo a cada dia." — Capítulo 80.

Panetto
"Viaje o mundo, conheça pessoas novas, prove um pouco de tudo, erre bastante e também ame de montão!"  Capítulo 80.


REMARKABLE FIVE
Atômico
"Moooooooooorram... toooooooodos..." — Capítulo 94 - Parte 2.

Tashiki
"Que droga, tem tanta coisa que eu queria falar, mas no final não sai nada. Tch. Obrigada. Eu fui muito feliz." — Capítulo 94 - Parte 2.

Sonnen
"Game Over." — Capítulo 95 - Parte 3.

Presidente
"Ah, acho que encontrei o caminho." — Capítulo 96 - Parte 3.

Davy Jones
"Espero que não pense que eu tenha sido um mentiroso minha vida inteira, pois de todas as mentiras que contei, a única verdade era que eu a amava. Me perdoe, Bonna." — Capítulo 97 - Parte 2.

Bonna Party
"Elba..." — Capítulo 97 - Parte 4.

iDie
"Let me GO! NOOOO!" — Capítulo 98 - Parte 2.

Aventuras em Sinnoh: the Dreamcast #1



Pra começo de conversa, mesmo isso sendo uma postagem coletiva, quero dizer que eu, StarChan, estou de volta nas terras frias de Sinnoh e meu quarto mofado está sendo reformado, então, comemorem. (ou não,né?)



Agora pra começar essa história de vez. 

Era uma vez uma ideia minha que chegou aos ouvidos do Canas e pronto, virou o que vocês lerão hoje. Sim, meus amigos, mais esperado que o Oscar do Leonardo DiCaprio, apresento a vocês o DREAMCAST de Aventuras em Sinnoh

A verdade é que alguns leitores devem ter imaginado seus personagens favoritos nas telonas do cinema, ou alguma série original da Netflix ( ou da Disney, já que ela ta comprando tudo) , e o Canas, e eu  (que não conta porque eu não fiz nada de Sinnoh) elencamos (palavra bonita) atores para interpretar nossos queridos integrantes da Fire Tales e alguns personagens extras. (não pagamos nenhum ator e nem ao menos fomos pagos para fazer propaganda deles. Hollywood, paga nóis)
Ao todo, foram escolhidos 45 personagens, e resolvemos dividir as postagens de 5 em 5 personagens, dando um total de 9 postagens programadas ( MATEMÁTICA ). 
Sem mais delongas, que comece a festa.


AVENTURAS EM SINNOH, the DREAMCAST



Aerus - Jensen Ackles


Começando do ... começo. 

Já ouço os gritos distantes dos fãs (principalmente das mulheres) de Sobrenatural (Supernatural), mas a verdade é que o jeitão descontraído, animado, bobo e... sexy do ator se encaixou como peça de Tetris para o Aerus. E, sinceridade, o Aerus foi um dos últimos a ser definido, simplesmente porque não vinha ninguém na mente, então de tanto bater na tecla de achar algum ator que ao mesmo tempo era charmoso e forte, precisávamos de alguém que fosse icônico e engraçado e é aí que o Jensen Ackles apareceu, na verdade, nos lembramos do Dean em si, mas é quase a mesma coisa.

O ator de 40 anos, que é conhecido por seus GIFs e seu papel icônico em Supernatural , participou de séries como Days of our Lives (quem é fã de Friends já deu um grito) e Smallville (SOMEBODY SAAAAAAAVE ME!) 

Não se tem muito o que falar, quem conhece o ator e o próprio Aerus vão notar as semelhanças, bota um óculos escuros no Jensen e BAM!, temos o nosso adorado Garchomp. 


Eu juro por Arceus que foi difícil escolher um GIF dele :v



Titânia - Gal Gadot 

Vocês achavam que a Gal não seria a Tih,né? Meus queridos, vocês assistiram Mulher Maravilha, Batman Vs Superman e Liga da Justiça, a mulher é dotada de uma aura de poder que derruba geral e mesmo assim, quando sorri, encanta geral. E uma atriz tão adorável só poderia ser uma personagem tão amada e idolatrada igual a Titânia. 
A verdade é que tinha uma concorrente em potencial para disputar o cargo de Titânia: Gina Carano. Se você fez seu dever de casa, sabe que a Gina Carano foi elencada para interpretar a linda Auria para o Dreamcast de Matéria lá no Reino de Sellure, projeto atual do autor, e vamos admitir que a Gina daria uma boa Titânia. O desempate? Eu acho que tem algo haver com o sorriso da Gal Gadot, por algum motivo que só o autor sente, o Canas sentiu que preferiria que a Mulher Maravilha interpretasse sua musa, então, fim de discussão.

Gal Gadot Varsano é de Israel e exibe seus 33 anos com orgulho, virou paixão de muitos ao entrar no universo cinematográfico da DC interpretando Diana Prince, nossa Mulher-Maravilha, mas já participou de filmes da série Velozes e Furiosos.

Força? Checado. Charme? Checado. Fica bem de armadura? Checado. Ok, Gal, agora só falta deixar o cabelo crescer e teremos uma Titânia perfeita.


"I don't think you've known a woman like me."





Watt - Asa Butterfield

Se você era um bom aluno que não cabulava as aulas de história provavelmente já viu esse menino ao assistir um filme sobre o Nazismo. Yup, estamos falando do Bruno de O Menino do Pijama Listrado, de 2008. Se sente velho agora?
Eu simplesmente não sabia quem era esse jovem simpático  até pesquisar, e juro que foi o Canas que lembrou dele, queridos, o autor nunca tá errado, Asa é o Watt e Watt é o Asa e ponto final. Sim, se você passa meia hora olhando para a foto dos dois, você nota as semelhanças. Tentem, comigo funcionou.
Asa Bopp Farr Butterfield (nome complicado) tem 21 aninhos com carinha de 17, é britânico e além de ser o Bruno de O Menino do Pijama Listrado, fez o protagonista do filme O Lar das Crianças Peculiares ao lado de Eva Green como o inútil Jacob. Ok, não é tão inútil, mas o personagem dava certa raiva na gente.
Asa, começa a pintar o cabelo, você tá no elenco de Aventuras em Sinnoh: The TV Series, exclusivo da Sinnohflix. (Vai por mim, isso vai fazer sucesso).

Dá like e se inscreve no canal. Não, pera...



Ereon - Jeffrey Dean Morgan

Por onde exatamente eu começo? A falar sobre eles ou recolhendo meu lindo corpo que está estirado no chão, desmaiada ao ver o Jeffrey?
Ok, recomponha-se. Não dá pra mentir, eu (Star) queria, com todas as letras, que o Jeffrey entra-se nessa. Nem que se fosse pra ser um dublê, mas aí, o Canas disse que ele se encaixava no Ereon e eu agradeci a Deus e a todos os astros.
Não tem muito o que discutir, homens maduros, na terceira idade e com muito charme, sem contar ambos são paizões, não tem o que reclamar.
Menção honrosa aqui que o Ereon é 100% inspirado no pai do autor de AES, que convenhamos, é um paizão daqueles também, mas como o pai do Canas não é ator (as audiências estão abertas, Canas pai), o Jeffrey vai assumir esse papel.
Sobre o ator, Jeffrey Dean Morgan, com seus 52 anos tem um amplo currículo, foi o pai dos irmãos Winchester em Supernatural, o inesquecível Denny Duquette em Grey's Anatomy ("Eu nunca vou te perdoar você" "Por morrer?" "Não! Por me fazer amar você") e claro,  o épico, o sem coração, o terror dos zumbis, o cara que fez todo mundo odiar e amar um vilão ao mesmo tempo, Negan, de The Walking Dead. 
Eu já falei que eu sou apaixonada por esse homem? Sério, Gus e a pequena George tem uma sorte danada. 

O sorriso de quem destrói meu coração todos os dias




Renée - Cate Blanchett
Provavelmente vocês vão reparar ao decorrer de todas as postagens sobre o Dreamcast a presença de muitos atores e atrizes que atuaram em algum filme do Senhor dos Anéis, então, se você é um Hobbit que nunca saiu de casa para correr atrás de um anel, eu vou te explicar quem é essa deusa, ou melhor, rainha. Cate Blanchett deu vida a nossa querida rainha dos elfos, Galadriel. 

E se você, assim como o autor Canas, é um fã indiscutível de LOTR, sabe muito bem que Cate se encaixa perfeitamente para o papel da doce, sensual e meiga Renée. Não só pelo olhar ou pelo jeito das duas, mas imaginem a Cate ostentando um belo de um cabelo azul, eu encontro facilmente uma Renée nela.

Catherine Elise Blanchett possui 49 anos e além de dar vida a Galadriel, atuou em filmes como O curioso caso de Benjamin Button, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal e é claro, como esquecer, ela dá a vida para Hela em Thor: Ragnarok.

O sorriso de quem ostenta 49 anos com cara de 39


E é com esses 5 primeiros personagens que encerramos a primeira parte de nove postagens sobre o Dreamcast de Aventuras em Sinnoh. Críticas? Sugestões? Deixem nos comentários a opinião de vocês, e se quiserem falar sobre a perfeição que é o Jeffrey, me liguem.

Agradeço a atenção de vocês e nos encontramos na próxima postagem. 

Capítulo 101

— Ei, pivete. Já faz quanto tempo?
— Três anos, pelos meus cálculos.
— Uau. Pensei que nunca fôssemos voltar.
— Não diga bobagens. Sinnoh sempre será nossa casa.
O cruzeiro deslizava pelas águas gélidas que cercavam o continente, a Battle Tower se erguia tão alta quanto o próprio Mt. Coronet. A chegada estava prevista para as oito da noite e todas as luzes da região estavam acesas como se fossem estrelas cintilantes. Uma névoa fraca cobria o oceano, as chaminés do navio exalavam fumaça como se respirassem com dificuldade.
A enorme embarcação atracou, suas pontes foram estendidas até terra firme. O garoto fechou os olhos, respirou fundo e percebeu a dificuldade por conta da temperatura amena. Seus lábios estavam ressecados, as bochechas coradas e o coração aquecido. Nunca percebera como cheiros remetiam a lugares em que estivera, talvez sua mente estivesse tão associada à ideia de voltar que uma simples pedra poderia lhe despertar as lembranças mais remotas da infância.
Eles viajaram por muito tempo. Mas em algum lugar a saudade de casa foi mais forte.
Seu irmão se aproximou de malas prontas, deixou-as no chão e aproximou-se do gêmeo para arrumar o cachecol branco que estava torto em seu pescoço.
— Pronto. Como se sente? — perguntou Lukas.
— Ansioso. Acho que preciso de uma cama e alguém para me esquentar — respondeu Luke. — E você?
— Senti muita falta de todos. Desse lugar. — O garoto pareceu disperso, tantos pensamentos percorriam sua mente que parecia difícil organizá-los. — Sabe, viajar pelo mundo foi uma experiência e tanto, mas quando penso que estamos de volta sou tomado por um misto de saudade e nostalgia.
— O mundo parecia menor naquela época. — Luke murmurou, pegou sua mala e desceu do convés. — Já estou me sentindo com treze anos de novo.
Era inverno na região e os turistas lotavam os corredores do cruzeiro que atracara na Battle Zone, uma ilha localizada no nordeste de Sinnoh. Os Irmãos Wallers haviam marcado de se encontrar com uma amiga especial na Resort Area, um condomínio luxuoso que servia de morada para celebridades no mundo inteiro.
Ao descerem pela ponte no deck, um casal os aguardava de braços abertos. Lukas disparou na frente e foi acolhido nos braços de sua mãe e Luke enterrou o rosto nos ombros do pai e se segurou para não chorar.
— Minha nossa, como vocês cresceram — disse Melyssa.
— Por que tenho a impressão de que você sempre diz quando nos encontra? — perguntou Luke.
— Deve ser porque vocês ficam tanto tempo longe que, quando retornam, é sempre motivo de comemoração — respondeu Walter. — Estou feliz em tê-los de volta, meus amados filhos.
O ex-campeão de Sinnoh estava com mais fios grisalhos desde a última vez que se viram, sua barba estava quase toda branca e as marcas de expressão no canto dos olhos denunciavam que a idade também chegara para ele. Lukas não pôde deixar de brincar com o fato de que seu pai ganhara um pouco de peso, mas o velho Walter vinha desempenhando um excelente papel na administração de Sinnoh desde que o governo e o cargo de campeão foram separados. Melyssa continuava cheia de ternura e charme, vestia um sobretudo ocre e cada ano que passava só a deixava mais charmosa.
A família Wallers não parou de conversar o caminho todo até o hotel, havia tanto a se falar! Luke e Lukas mal podiam esperar para voltar a Twinleaf, olhar para o Lake Verity onde suas jornadas como treinador e coordenador tivera início e mergulhar em uma viagem no tempo.
— Quando voltarmos, qual será a primeira coisa que vão fazer? — perguntou a mãe dos meninos.
— Eu ia adorar rever nossos amigos — disse Lukas. — Sinto tanta falta deles.
— Quero confirmar se ainda vou caber no beliche de cima — respondeu Luke. — Vocês deixaram as nossas coisas no mesmo lugar ou já venderam tudo e construíram um quarto de hóspedes?
— Sua mãe não me deixava nem tirar pó lá de dentro, quanto menos mexer em seus pertences — disse Walter com um sorriso. — Como vocês disseram que têm um compromisso antes de voltarem para Twinleaf, marquei com os membros da ex-elite para um almoço quando vocês voltarem. Até mesmo Ike Smithsonian disse que iria fazer de tudo para comparecer.
— Pô, que saudade deles! Erick, tio Glenn, tio Marshall — comentou Luke. — Fiquei sabendo que o Ike perdeu o posto de campeão enquanto estivemos fora, é verdade?
— Sim, já faz um tempo, filho. Mas ele também estava querendo sair, esses cargos importantes ocupam tempo e exigem muita dedicação de nós.
— Eu entendo. Descobri que há muitos outros treinadores poderosos por aí. Acho que eu pensava que a história girava em torno de mim, sabe? Em nossa jornada atrás das insígnias para vencer a Liga Pokémon em Sinnoh, eu não fazia ideia de como o mundo era grande.
— O Luke participou de torneios em Hoenn e Kalos. Ganhou muito, mas também apanhou pra caramba. Nós conhecemos muita gente incrível — explicou Lukas.
— Pois é. Aí tiramos esse último ano pra passar umas férias em Alola — disse Luke. — Pegamos sol de quarenta graus por lá, e agora estamos aqui congelando na terra dos Delibirds.
— Que bom que voltaram, porque assim mamãe pode cobri-los de noite e fazer chocolate quente, ou vocês estão velhos demais para isso? — disse Melyssa.
Luke e Lukas se entreolharam. Com sua mãe para mimá-los seria como ter dez anos de novo.
Walter e Melyssa estavam de visita na ilha norte para realizar uma reunião com Palmer Tycoon, o chefe da torre de batalha, para discutir questões financeiras. Palmer era um treinador fenomenal que testava o limite dos desafiantes mais experientes. “Never lose! Keep wining!” era o lema da torre, mas Luke não se sentia no clima de encarar uma centena de desafios em sequência. Se ainda tivesse quinze anos não teria pensado duas vezes para começar, Palmer era pai de Stanley, seu maior rival. O loiro não pôde comparecer no reencontro porque Vivian o levara para sua cidade natal em Johto, ela fez questão de apresentar todas as Primas de Azalea de uma só vez para certificar-se de que sua família aprovaria seu novo namorado, afinal, o requisito básico ele tinha — ser loiro e aguentá-la vinte e quatro horas por dia.
Além do encontro com os pais, Luke e Lukas haviam marcado de rever uma amiga muito querida. Walter e Melyssa mal tiveram tempo de ouvir todos os detalhes sobre a nova jornada dos filhos, mas teriam tempo para isso quando todos voltassem juntos para Twinleaf no fim de mês.
— Quantas blusas vocês trouxeram? Estão levando escova de dentes e toalha? E não se esqueçam de comprar flores para a dona da casa, filho meu não vai visitar ninguém de mãos vazias. — Melyssa os repreendia e os irmãos só conseguiam rir da preocupação dela.
— Qual é, mãe, nós já temos dezoito — disse Luke.
— Eu sei, eu sei, mas... Ah, meus queridos. — Ela os envolveu num abraço forte e lhes deu um beijo na testa. — Vocês sempre serão minhas crianças.
Após se despedirem dos pais, os gêmeos pegaram a balsa até o outro lado da ilha. Quando menores, os dois visitavam a Resort Area com frequência. Lukas fora convidado a participar de um evento na Ribbon Society onde só os melhores coordenadores do mundo tinham acesso. Milena, sua Milotic fora condecorada por uma das apresentações mais belas já feitas. Assim como seu irmão, ele participou de Contests espalhados pelo mundo para aprender novas técnicas e, principalmente, se divertir. Suas aparições eram marcadas por levantar questões humanitárias, ele até fora convidado para duas ou três palestras em escolas.
Os condomínios de luxo da Resort Area eram extraordinários,  só se tinha acesso ao local por meio de uma permissão assinada. Treinadores do mundo inteiro compravam terrenos para construir suas mansões, como a líder de ginásio e modelo Elesa, e Diantha, campeã de Kalos.
O endereço deixado era em uma casa de campo, número 17. Como prometeram a sua mãe, Luke comprou um vaso de lírios brancos. Aquelas flores tinham muita história.
Os Wallers estavam acostumados a ser tratados como reis desde criança. Eles não ligavam para dinheiro e nem gostavam de se gabar por isso. Para uma criança de quinze anos como Luke, ganhar a Liga lhe dera a chance de ser tratado como uma celebridade durante os anos se seguiram, ele fora convidado para fazer comerciais e até mesmo participar de outras Ligas, mas não queria esbanjar-se do sucesso, o jovem treinador manteve uma chama acesa que ansiava por aventura.
Longe de Sinnoh ele era apenas mais um, e isso o agradava.
— Tô bonito? — perguntou Luke em frente à porta antes de tocar a campainha.
— Você está incrível, sublime, acho que é o garoto mais lindo que já vi na minha vida.
— Tá falando isso porque somos gêmeos?
Os dois foram pegos rindo sem parar e, quando a porta foi aberta, uma voz familiar soou do outro lado. Luke esperava uma garota, mas viu uma mulher. Seu cabelo crescera, mas ela ainda os prendia com duas presilhas no canto como sempre fizera quando menina. Ao vê-los parados ali com um vaso de lírios na mão, ela quase começou a chorar.
— Surpresa...? — Luke falou acanhado quando Dawn pulou em seus braços e acolheu os dois rapazes cheios de ternura.
— Por Arceus, eu senti tanto a falta de vocês!
— Como é bom revê-la, Dawn! — disse Lukas cheio de empolgação. — Nosso trio está reunido de novo, nem dá para acreditar.
— E isso são lírios? Ah, só vocês para prepararem uma surpresa dessas! Ainda lembro quando eu e o Luke brigamos e ele comprou essas flores para se redimir, só depois foi descobrir que o significado delas era casamento. Tadinho, ficou tão acanhado!
— Eu ainda sinto vergonha disso.
— Eu amo lírios desde então, tá bem? São minhas flores favoritas.
Dawn os convidou a entrar como se fosse a anfitriã, o interior da casa era ainda mais deslumbrante e requintado do que os jardins e muros do lado de fora. A lareira estava acesa mantendo o ambiente quente e aconchegante, Lukas tropeçou em um par de pantufas cor-de-rosa no caminho, eles se sentiram acomodados na mesma hora, pois a casa era como uma das pousadas de inverno em Snowpoint.
Luke subiu para deixar as malas no quarto, Dawn não parava de falar de tão ansiosa que estava, ela parecia compensar pelos últimos três anos de assuntos.
— Lukinhas, fica à vontade! Não me venham agir como se fossem estranhos, vocês já são de casa!
O rapaz concordou e foi até a sala de jantar. Um cheiro delicioso deixava um rastro até a cozinha. Os pratos estavam postos, mas ele percebeu que havia cinco lugares e perguntou para a amiga quando ela voltou:
— Vai vir mais alguém?
Uma garotinha de cinco anos passou correndo pelo corredor atrás de um Piplup, mas ao ver os estranhos, ela voltou ainda mais depressa para se esconder.
— Duke, traz ela aqui! Quero que conheçam a Verity — disse Dawn, chamando a menina para que ela os cumprimentasse.
A garotinha se escondeu atrás de Dawn toda tímida, Lukas apoiou-se nos joelhos para ficar na altura dela. Ele sempre levara jeito com as crianças, que por sua vez também se encantavam com seu sorriso.
— Oi, Verity, meu nome é Lukas. Eu sou amigo da Dawn faz muito tempo, sabia? Ela foi minha colega de viagem e tomava conta de mim, pode-se dizer que é minha irmã mais velha.
Lukas olhou para um lado e depois para o outro, como se quisesse ter certeza de que ninguém os observava.
— Você gosta de mágicas, Verity? — A menina fez que sim com a cabeça e Lukas se levantou. — Eu vou sair por essa porta e depois reaparecer em outro lugar, tudo bem?
No instante em que Lukas deixou a casa, Luke desceu a escada em um timing perfeito. Verity ficou perplexa e Dawn não escondeu a risada, afinal, a criança não fazia ideia de que os Irmãos Wallers eram gêmeos.
— Opa, e quem é essa menininha linda? — Luke aproximou-se com as mãos no bolso e bagunçou o cabelo dela. — Digo, tem duas aqui, mas qual delas será a mais bonita?
Verity deu risada e encolheu os ombros, acanhada. Luke certificou-se de que seu irmão não estaria por perto antes de perguntar:
— Pode me responder uma coisa? É muito importante. Essa resposta pode definir o rumo da sua vida.
Verity encheu-se de ansiedade.
— Você quer ser treinadora ou coordenadora quando crescer?
— Treinadora, com certeza! — respondeu Verity.
Luke estalou os dedos, estendendo a mão para ela.
— Toca aqui, tu é das minhas!
Verity seguiu perseguindo o pinguinzinho até a cozinha. Depois que Lukas voltou, ele explicou da mágica e os dois combinaram de pregar outra peça nela antes da janta.
— Que menininha adorável — disse o coordenador.
— É minha filha — respondeu Dawn.
— O QUÊ? — Luke berrou mais alto do que gostaria.
— É só por consideração, bobinho! Como eu e a Cynthia assumimos um relacionamento mais sério, ela me contou que tinha uma filha. Tudo bem que a nossa diferença de idade é grande e às vezes eu acabo cuidando dela como se fosse minha irmãzinha, mas ela é tão fofa, não?
— Onde está a Cynthia, por sinal? — perguntou Lukas.
— Na cozinha. Estamos preparando um prato especial para vocês.
Quando Luke e Lukas entraram, eles não puderam esconder a surpresa. Cynthia era a única pessoa no mundo que conseguia agir como uma modelo dentro de casa, vestir um avental sujo e ainda tomar conta de uma criança sem perder a classe e desmanchar a franja. Ela acabara de retirar do forno um delicioso prato de batatas gratinadas, o que os levou em uma viagem no tempo para o começo de suas aventuras.
— Bem na hora! — disse Cynthia. — Sejam bem vindos.
— Não acredito no que estou vendo! Você ajudou ou ficou só olhando? Dessa vez acertaram na receita ou vamos comer batatas marrom glacê pela segunda vez? — Luke brincou com sua amiga.
Dawn foi até Cynthia e lhe deu um beijo na bochecha.
— Eu ajudei, tá bem? Não foi só vocês que evoluíram nesse tempo.
O jantar foi servido em talheres dourados e taças de cristal. Havia também macarronada à bolonhesa, arroz temperado e, no centro, as gloriosas batatas gratinadas no ponto, recheadas com queijo e creme de leite. Verity perguntou se um batalhão iria vir para jantar, isso porque ela ainda não conhecia aqueles dois com fome. Cynthia lhes ofereceu uma garrafa de vinho, afinal, todos ali agora eram maiores de idade, mas Luke se contentou com um refrigerante bem gelado, e Lukas, um pouco de suco de laranja. Verity não ficou decepcionada ao descobrir a verdade por trás do truque de mágica, era a primeira vez que via irmãos gêmeos tão parecidos e divertiu-se muito com as histórias que eles tinham para contar.
— Três anos, quem diria. Onde estiveram esse tempo todo? — perguntou Cynthia.
— Nós começamos nossa viagem por Hoenn, uma terra fantástica, nos sentimos em casa lá apesar do clima e a povo ser tão oposto ao de Sinnoh. Os melhores coordenadores do mundo são de lá. Depois fomos até Kalos para visitar Lumiose e a Prism Tower, conhecemos muita gente bacana. Ano passado fomos a Alola só para aproveitar, nossos Pokémon é que se divertiram. E agora, qual o destino? — Lukas perguntou para seu irmão.
— Unova. Depois Johto, por último não pode faltar Kanto. Quero visitar todos os lugares que puder.
— Vocês estiveram em Dewford também? — perguntou Dawn.
— Sim, sim. Lá tem uma caverna irada conhecida como Granite Cave — disse Luke. — Fiquei tentado a capturar um Pokémon novo para o time.
— A ilha é linda, não? Passei toda minha infância lá com meus pais porque eles estavam sempre envolvidos em pesquisas na região.
Um silêncio ligeiro percorreu a sala.
— E a propósito, Dawn... Meus pêsames por sua perda. — Lukas comentou. — Nós não pudemos vir ao enterro.
— Obrigada. Nós o enterramos aqui fora no jardim, fica tudo tão florido na primavera... Querem ir ver depois da janta? Aposto que seus Pokémon ficariam contentes também.
Durante a janta, Luke teve uma conversa agradável com Cynthia sobre Garchomps e estratégias avançadas. Apesar da ex-campeã nunca mais ter tentado reconquistar seu posto, ela podia dizer que estava vivendo seu auge por ter uma garota incrível como Dawn para compartilhar esses momentos. Dawn inclusive aceitara Verity como sua própria filha, ela era tão amável, sempre levara jeito com crianças. A mais nova amava Duke, dizia que quando completasse 10 anos seu inicial seria um Piplup e ela também não o deixaria evoluir. Luke já não agia mais com ciúmes perante Cynthia, seu relacionamento com Dawn lhe ensinara muitas coisas, ele estava verdadeiramente contente por ver as duas tão felizes.
Terminada a refeição, Luke ficou para lavar as louças, o que pareceu um milagre. Dawn levou Lukas para o jardim da casa, um vento gélido soprou do oceano, era possível enxergar o hálito quente assumindo formas no ar.
Dawn vestiu seu gorro e caminhou o percurso todo com o braço enganchado no seu companheiro para que ficassem quentinhos. Assim que chegaram ao túmulo, o garoto apoiou os joelhos no chão e fez um cumprimento. Ali estava enterrado o Aggron de Dawn, que falecera certa noite por já ser bem velhinho. A conversa sobre Dewford e a Granite Cave a lembrava do dia em que seu pai capturara o pequeno Aron.
— Ei, senhor Atros. Eu trouxe alguém para te ver.
Ele sacou uma pokébola de onde saiu sua Espeon. Dawn também liberou a Glaceon e Leafon, os Pokémon que eram pais da Eevee que hoje viajava o mundo ao seu lado. Milady rodeava Eva como se a enchesse de carícias, Isaac a consolava com um jeito paternal.
A Espeon sentou-se ao lado de seu treinador e ficou encarando o túmulo por infindáveis minutos. Ela encostou o focinho no mármore e começou a chorar baixinho.
O Sr. Atros foi um guerreiro incrível, ele protegeu nossa família como se fosse a dele. Que ele encontre seu descanso merecido”, foram as palavras de Isaac, o Leafeon.
— É. O tempo não espera ninguém... — murmurou Lukas que assustou-se ao perceber que Dawn também chorava. Ele a envolveu num abraço forte, compartilhando de sua tristeza.
— Desculpa — falou Dawn. — Eu sempre acabo chorando... Eu senti tanta falta de vocês.
— Nós estamos aqui agora. Desculpe-nos por tê-la deixado esperando.
Ela limpou o rosto e esforçou-se para sorrir. Dawn sempre fora boa em esconder sentimentos.
— Me diz, como anda a Paula?
— Ela está bem, mas não temos nos visto muito. Não é fácil ser deusa. Acho que tirei esses anos todos para me dedicar ao meu irmão. Nós estamos mais próximos do que nunca e eu fico feliz por isso. Depois que ele ganhou a Liga, morri de medo de que seguíssemos caminhos opostos. É muito egoísmo desejar que alguém fique para sempre com você?
— Claro que não, querido. Às vezes também penso nisso, que Palkia poderia convencer Dialga a voltar no tempo, sabe? Trazer pessoas de volta. Corrigir erros que cometi durante a vida.
— E Dawn Manson já cometeu algum erro?
— Nossa, quer a lista agora ou te mando depois? — Ela riu e deu uma tossida. — Primeiro, eu me certificaria de não ter feito feio na frente dos seus pais quando cozinhei as batatas gratinadas. Depois, eu gostaria de aprender a nadar. Talvez eu também devesse ter me dedicado mais à minha carreira como pesquisadora, depois que fui mandada embora pelo Profº Rowan fiquei meio perdida... Mas será que isso mudaria o futuro? E se eu não tivesse saído naquela jornada com vocês? E se o Luke não tivesse me salvado quando quase me afoguei? E se eu tivesse seguido outro sonho, tipo virar médica? Onde nós estaríamos hoje em dia?
— Se eu tivesse os poderes de Dialga, minha existência seria triste — respondeu Lukas. — Eu detestaria mudar uma fase que foi tão boa para mim.
— Acompanhar os sonhos de vocês foi tudo para mim. Às vezes sinto até uma invejinha, acho que eu queria uma história para contar sobre as minhas conquistas também, mas quando me olho no espelho e vejo essa Dawn de vinte anos, percebo que isso não é nem de perto o que planejei para minha vida. É engraçado que a gente pensa que quando envelhece encontra a resposta para tudo, mas a verdade é que surge um vazio que começa a aumentar na medida que percebemos que não temos o controle de nada.
— Quer dizer que você não está feliz?
— Sim, claro que estou! Céus, eu amo tudo o que tenho hoje. É só que... Nossa, como é difícil dizer adeus para as coisas que amamos, não é? Hábitos, projetos, rotina, pessoas, familiares, Pokémon... Tudo que eu sabia e queria girava em torno de vocês. Eu fui uma boa companheira de viagem?
— Dawn, você foi a melhor companhia que poderíamos pedir. Nós não teríamos chegado tão longe sem você. A nossa aventura foi o maior espetáculo de nossas vidas, e não pense que você foi inútil, seu apoio é o que nos motivava a continuar seguindo em frente. Acho que conforme vamos envelhecendo nós passamos a valorizar mais os pequenos momentos, sabe? Um jantar em família, uma conversa sincera.
— Ah, Lukas... Os meus sonhos sempre foram os de vocês, não é?

Quando eles se deram conta já passava das duas da manhã. Cynthia ficou alta depois de duas garrafas e meia, ela conversava com Luke como se fossem colegas de escola, discutiam por qualquer besteira e terminavam rindo sem parar. ra sempre tão cheia de energia e entusiasmo — cativante, era a palavra —, por isso não se impressionava dela ter conquistado o coração de Dawn.
— É, minha loira favorita... Espero que você esteja cuidando bem dela, ouviu? — afirmou Luke.
— Melhor do que você, com certeza. — Cynthia falou com indelicadeza, mas não pôde segurar a risada.
Ela ficou brincando com a ponta do dedo no contorno de sua taça. Era boa de bebida, mas já estava começando a ficar com sono e não raciocinar bem. Quando isso acontecia, sempre dizia mais do que devia.
— Ela é uma menina de ouro e eu jamais faria algo para feri-la... Estou feliz que vocês estejam aqui. O amor de vocês é lindo.
— Obrigado, isso significa muito. Sabe o que eu não entendo quando as pessoas falam de amor? Pensam que só se ama quando se prende, como se houvesse essa necessidade de colocar um título “ele é meu namorado”, “ela é minha namorada.” Não é preciso beijar ou estar junto pra provar o amor. Você também pode amar se deixar a pessoa ir, entende? Você zela por ela, torce por seu sucesso e guarda no coração tudo que vocês passaram juntos.
— É, Luke Wallers, você amadureceu — Cynthia terminou de beber seu vinho e se levantou. — Qualquer dia desses você podia se juntar a nós duas, o que acha?
— Eita, sério mesmo?
— Não.
— Aww... — Luke fingiu desapontamento e acabou rindo também. — Sou fã de vocês duas, serião! Uma completa a outra. Eu sou abençoado por não precisar sair procurando minha cara metade, porque já nasci com ela.
Dawn auxiliou Cynthia a subir as escadas e colocou Verity para dormir visto que sua mãe não estava em condições. Ela apresentou o quarto para os meninos e saiu para pegar cobertores extras. Lukas se pegou pensando no assunto de antes, como teria sido sua jornada sem Dawn? Era ela quem tinha remédios quando alguém ficava doente, ela se certificava de trazer mantimentos até a próxima parada, ela lavava suas roupas, ela era carinhosa e prestativa. Dawn sempre estivera ali por trás dos bastidores fazendo o que mais ninguém se lembrava de agradecer.
Enquanto dobrava suas roupas, Luke deitou-se de braços esticados ao seu lado, caindo de sono.
— Alguma vez você já teve vontade de recomeçar nossa jornada? Fazer tudo de novo.
— Quer que eu peça para a Paula? — perguntou Lukas.
— Nem a pau, só de pensar em ser sequestrado, enfrentar o Volkner ou perder a Titânia já me dá calafrios! É só uma vontade repentina mesmo. É que nos divertimos muito naquela época e, sei lá... eu não sabia o quanto era feliz até acabar.
— Luke, nós acabamos de completar dezoito anos. Quem pode prever as experiências que vivenciaremos até a velhice? Viver é uma aventura por si só.
— Pode crer — ele murmurou e acabou esbarrando em um punhado de papéis que estavam organizados, derrubando-os no chão. — Ih, foi mal cara, deixa que eu pego... Ei, esses são os manuscritos do seu livro? Aquele que você me disse que iria escrever sobre nossos Pokémon quando ganhei na Liga?
— É, sim. Já terminei, mas estou revisando.
— Que irado, irmão. Mal posso esperar para que você publique logo e o mundo conheça essa história.
— Ah, às vezes bate uma ansiedade, sabe? E se as pessoas não gostarem?
— Bom, mesmo assim eu vou ler. Eu posso não ser o melhor leitor por aí, mas sei que vou gostar, eu sou o seu maior fã! E não digo isso só para puxar saco. Você escreve com o coração, cara. Sua escrita é doce. A Dawn também vai adorar ler, e tem o Stanley, a Vivian, a Marley, acho que até aquele metido do Riley iria querer um, ele sempre estava com um livro na mão. Aposto que o tio Glenn compraria uns dez, e tem o tio Marshall e o Erick, papai e mamãe, a galera da Elite... Cara, público é o que não falta!
— Obrigado, Luke. Prometo não desapontá-los. Eu não vou desistir.
Seu irmão esticou a mão e os dois fizeram um cumprimento que só eles compreendiam.
— Quando saímos para nossa próxima aventura? — perguntou Lukas.
— Amanhã. E vamos levar a Dawn.
A garota logo voltou trazendo dois cobertores quentinhos para eles.
— Estão confortáveis? — ela perguntou, meiga como era.
— Pô! Já tô me sentindo em casa — respondeu Luke com a cabeça no travesseiro e os braços para trás. — Sério, Dawn, você é incrível. Não deixe nunca ninguém dizer o contrário.
Ela apoiou o rosto no batente da porta e sorriu.
— Que bom que vocês não se esqueceram de mim...
— E como poderíamos esquecer a melhor fase de nossas vidas? — disse Lukas.
Dawn sentiu uma sensação estranha no coração, porém muito familiar — um aconchego, um aperto gostoso, uma segurança. Sentia-se como uma menininha aventurando-se por toda Sinnoh ao lado deles. Daqui alguns dias eles iriam embora de novo, e sabe-se lá quando os veria, porque a vida é feita desses pequenos momentos, nascem as asas e precisamos voar. A vida lhe mostrou que quando se envelhece não há tempo para viver como antes, mas quem quer, sempre arranja. E, se pudesse, ela reviveria aquele sentimento repetidas vezes enquanto lhe dessem esse direito.
— Boa noite, meus queridos. Até a nossa próxima aventura.

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