Artbook - Welcome to the Internet

Autor(a): CanasOminous
Finalizado: 22 de Novembro, 2012
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 1600 x 1200
Tamanho: 222 kb
Descrição: Wiki (Porygon-Z) Pokémon Gijinka.  Sexy Machine. Ecchi Wallpaper. Welcome to the internet! Censored. Imagem ilustrativa do Talk Show das Ilhas Laranja!

Autor(a): CanasOminous
Finalizado: 21 de Novembro, 2012
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 1011 x 1367
Tamanho: 424 kb
Descrição: Wiki Fantasies. Sexy Teacher


Autor(a): CanasOminous
Finalizado: 21 de Novembro, 2012
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 553 x 1311
Tamanho: 108 kb
Descrição: Wiki Fantasies. Student



Autor(a): CanasOminous
Finalizado: 21 de Novembro, 2012
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 773 x 1417
Tamanho: 371 kb
Descrição: Wiki Fantasies. Sexy Nurse


Autor(a): CanasOminous
Finalizado: 13 de Março, 2013
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 1490 x 2253
Tamanho: 997 kb
Descrição: Wiki Fantasies. Sexy Police Officer.

Notas do Autor (Capítulo 59)

Caminhando rumo aos instantes finais deste Arco, temos aqui o penúltimo capítulo de nossa jornada pela Ilha de Ferro! Conforme a semana foi passando tive receio de não terminá-lo há tempo ou então que ele não ficasse a altura dos outros, mas no fim consegui concluir os meus planos e trazer aqui um capítulo emocionante capaz de propôr a melhor das sensações aos leitores. Vamos lá, galera, falta pouco tempo para Dezembro chegar, e se passarmos desse período tenso de provas não há mais nada que possa nos impedir de alcançar o fim da Saga Diamante e conclui-la com a chave de platina, sacou a sacada? *risos*

Começamos pela nossa doce Eleanor, ela é uma personagem que adorei trabalhar, especialmente ao lado de dois integrantes tão esquisitos quanto a Jade e o Yoshiki. Infelizmente teremos de deixar a tão aguardada batalha desses dois para outro dia, mas creio que eles não precisem sair batendo em todo mundo para mostrar que são personagens fascinantes. Iniciamos tudo isso com um pouco de comédia e mensagens subtendidas entre os personagens, mas com o decorrer do episódio vocês puderam ver que o clima mudou drasticamente, e essa transmissão de comédia para ação e drama requereu muito esforço de minha parte, mas senti que o resultado foi esplêndido! Agora vamos ver o resultado dessa enquete reverter por completo.

Os 30 minutos de Destruição
Tudo aconteceu muito rápido nos instantes finais do capítulo, eu cheguei a explicar isso no episódio passado mas vale a pena reforçar. Não há como mostrar vários ocorridos ao mesmo tempo, afinal, se estamos numa determinada sala não podemos estar na outra ao mesmo tempo, certo? Digo isso porque a Ilha de Ferro está para ser destruída e o Rodrigo Reshiram até chegou a comentar comigo: Cuidado para não fazer tudo parecer forçado e se passar em apenas 30 minutos! A questão é que enquanto uma batalha ocorreu aqui, outra também está ocorrendo lá. Praticamente esse Arco inteiro aconteceu ao mesmo tempo e em poucas horas, mas a impressão que temos é de que ela já está durando meses pelo tempo de postagem. Então prestem atenção a esse quesito! A auto-destruição da ilha foi mencionada no Capítulo 58, agora nós vimos como ela foi acionada, mas isso não quer dizer que chegando no Capítulo 60 faltarão apenas alguns segundos para tudo explodir, afinal, agora voltaremos para ver como estava nosso protagonista todo esse tempo.

Planejamento das Férias
Quero agradecer a repercussão de Johto e o empenho da Marina em fazer o fim de semana ser um sucesso!  Ainda nesse sábado teremos a reestreia de Kanto, aí sim a Aliança Aventuras estará completa novamente. Bem, aqui em Sinnoh os comentários andam em baixa, mas logo essa correria acaba e teremos um pouco mais de tempo livre para voltar a planejar nossas coisas. Pretendo trazer um template de natal e reformar todo o layout do site, então fiquem ligados porque o fim de ano será bem movimentado por essas bandas! E por sinal, vocês não podem deixar de aparecer no Talk Show das Ilhas Laranja que entrevistará a Wiki amanhã. Vocês conhecem a moça, ela adora surpreender! *risos*

E aqui, nestas longas notas, nos despedimos dessa adorável tabela que por tanto tempo ajudou a galera a entender como funcionava o Arco mais complexo que já criei. Bem, aqui tenho que dizer uma coisa, eu adorei a experiência, mas isso dá um trabalho que vocês não têm ideia. É como escrever um único episódio de dois meses, pois tudo dependia do próximo episódio para ser compreendido. Isso deu uma sensação inimaginável de algo longo e bem produzido, e aqui vejo que planejar isso desde o meio do ano valeu a pena. Obrigado pela repercussão, por terem adorado os personagens e as batalhas, mas tudo que é bom tem um fim. Aqui deixaremos para trás A Grande Criação, mas quem garante que outros não virão? Estou sempre... surpreendendo!



Capítulo 59

Cerca de uma hora antes da sirene ser ouvida por Aerus e Watt no terraço da Ilha de Ferro, seus companheiros de equipe ainda buscavam por Luke, mas não obtinham muito sucesso. Reinava um profundo silêncio nos arredores do Setor 4, sua quietude era tanta que o vento no corredor passava zunindo sem interferências. Um estranho clima começava a pairar trazendo a sensação de que algo maior estava por vir, era o suspiro antes do mergulho, e muito em breve a onda de sua repercussão seria catastrófica.
Uma moça jazia sentada sobre uma mesa em uma sala destroçada, as paredes caiam aos pedaços e o chão era manchado por pegadas da poeira que fora deixada de uma intensa batalha. Eleanor estava de pernas cruzadas e alguns medicamentos em mãos, tentava segurar com a boca a bandagem sobre uma das queimaduras em seu ombro e na medida que os remédios ardiam ela não escondia um gemido de dor. 
— O-Ouch... — gemeu Eleanor, não escondendo certo prazer ao deparar-se com a dor daquela ferida. A queimadura lhe trazia lembranças de um encontro suave com aquela moça de cabelos curtos. Sua batalha contra Wiki deixou feridas por conta do elemento fogo do Hidden Power, mas era uma dor suportável e com um pouco de cuidado ela esperava levantar-se daquele local e fugir para muito longe, onde nunca mais pudesse ser encontrada.
Ao terminar de limpar os ferimentos deitou-se com os braços esticados no chão de pedra, encarando o teto de sua sala de tortura por um longo tempo. Lentamente Eleanor fechou os olhos e começou a tentar imaginar como seria sua vida fora daquele lugar, mas seus pensamentos foram interrompidos no momento em que passos chegavam cada vez mais próximos de onde ela estava.
A mulher mal pôde se levantar, preferiu ficar em silêncio e aguardar que o destino a levasse fosse quem estivesse para chegar àquela sala, mas surpreendeu-se ao notar um sujeito carregando uma menina amarrada em suas costas. A princípio Eleanor pensou que ele fosse algum tipo de criminoso, mas ele e a garota conversavam calmamente enquanto caminhavam pelos corredores e só pararam quando a menina gritou:
 YOSHIKI, PARA!!! Volta, volta, volta!!!
 Keh, heh, heh... O que foi? Encontrou alguma coisa? — perguntou o rapaz.
O sujeito voltou de ré enquanto a menina em suas costas observava os objetos de tortura na sala de Eleanor. Seus olhos brilharam numa intensidade mágica enquanto ela apontava para aqueles equipamentos e seu parceiro apenas ria. Eleanor forçou para levantar-se e só então aqueles dois notaram sua presença.
 O que estão fazendo aqui? — indagou a Pinsir.
 Ali, Yoshiki! É a dona da loja, fala que vou levar TUDO!! — gritou a menina.
Eleanor arqueou a sobrancelha e não escondeu uma risada ao ver a empolgação da pequena. Era uma Yanma e um Croagunk, os dois pareciam ser mais visitantes do que guerreiros envolvidos em uma terrível batalha contra uma facção criminosa. A Yanma se debatia de alegria nas costas de seu companheiro enquanto ele fitava Eleanor com certa curiosidade. Eleanor estendeu o braço em direção de Jade e comentou com indignação:
 Mas o que você pensa que está fazendo ao deixar essa pobre garotinha amarrada assim?
Ela caminhou em direção do Croagunk e tirou a menina de suas costas, desfazendo os laços com as cordas. Em seguida ela deu dois rápidos nós, suas mãos eram entrelaçadas com precisão demonstrando clara experiência no assunto, ela enrolou a ponta da corda em volta de uma parte já esticada fazendo com que dessa forma a pressão segurasse a ponta no lugar, mas ainda sendo rápido de se soltar. Ao terminar deu um forte puxão que fez Jade gemer.
 Ai...!! 
 É assim que se faz um nó. — respondeu Eleanor com convicção, voltando a colocar a pequena Jade nas costas de seu companheiro. Yoshiki ficou a fita-la com certo interesse e não hesitou ao perguntar:
 Keh, heh heh... Vejo que você conhece do assunto.
 Bem, modéstia a parte, mas sou uma veterana nesse aspecto, mesmo que eu tenha ficado muito tempo sem treinar ainda aprendi alguns truques com cordas quando estou sozinha. É bem interessante, vocês iriam adorar.
 Sério?? Oh, puxa, puxa! Yoshiki, podemos levar ela conosco?! — indagou Jade animada como uma criança em uma loja de animais, pronta a levar um bichinho.
 Vamos com calma, não podemos esquecer de nossos deveres primeiro. Temos de resgatar o humano, e depois voltamos aqui na loja para escolher tudo que você quiser. — respondeu o Croagunk, mas sua amiga ficou muito chateada com a notícia.
 Ahh, e se não der tempo? Eu vou ficar com vontade... — disse Jade.
 Então vamos levá-la agora. Ei, mulher, você vem com a gente.
 Vocês estão achando que sou o que? — retrucou Eleanor apoiando as mãos na cintura.
Yoshiki ergueu a barra de seu kimono e revelou um kit completo de facões perfeitamente afiados. Seu rosto macabro continuava a encarar Eleanor com certa malícia e a mulher mal pôde esconder uma risada rasteira de seus lábios carnudos de cor escarlate.
 Ela pediu. Você vai.
 Ora, ora. Para um homem você é bem interessante. Acho que estou começando a gostar desses dois.
Eleanor não hesitou em juntar suas bagagens para seguir aquela peculiar equipe de viajantes. Mal ela sabia que eles eram companheiros de Wiki, sua grande inimiga, mas a conversa com aqueles dois jovens logo se estendeu tornando-se mais interessante na medida que eles caminhavam pelos corredores do quarto setor. Jade continuava sendo carregada nas costas de Yoshiki enquanto Eleanor vinha logo atrás encarando-a sorrir e divertir-se com suas histórias malucas.
 Então, diga-me uma coisa, desde quando vocês são amigos? — perguntou Eleanor.
 Ahh, eu e o Yoshiki morávamos no Great Marsh ao sul da região. Nos conhecemos num dia em que cai em uma armadilha de um humano e fiquei pendurada nos galhos de uma árvore. Ele me resgatou e preparou-se para ir embora, mas pouco depois cai em outra armadilha e ele me soltou de novo. E foi assim por umas duas semanas até que ele decidiu ser o meu guardião.
 Hm, você deve ter uma queda por ficar pendurada assim. — brincou Eleanor.
 É divertido, mas tudo vem a um preço! Ele pediu a minha orelha em troca, mas eu me neguei a dar para ele e fugi. Já te falei que o Yoshiki não tem o dedo anelar da mão direita?
 Como é? — indagou Eleanor com uma risada.
 É isso mesmo! Ele disse que não precisava dele para nada, então cortou. Acho que foi bom porque isso deu uma maior facilidade em manusear facas, ele tem um equipamento retrátil de facões que só funciona sem esse dedo, ele pode injetar veneno nos inimigos enquanto ativa uma lâmina escondida!  Mas isso é segredo, tudo bem? Então, daí nós começamos uma caçada louca durante um tempão e só parávamos quando eu caía em alguma armadilha de novo, mas no fim nos tornamos grandes amigos e tudo terminou bem quando o mesmo treinador capturou os dois!
 Keh, heh, heh... Claro, depois de você espernear, correr atrás dele, quase enforcar o garoto com seu cachecol e obrigá-lo a te capturar... — respondeu o anfíbio com uma risada sinistra.
Eleanor não pôde conter o riso com a história daqueles dois jovens, ver o sorriso da doce Yanma era contagiante e seu parceiro sádico deveria ser um companheiro muito interessante de se ter ao lado. Jade contou-lhe sobre as guildas, sobre os Fire Tales, chegou inclusive a mencionar que Wiki fazia parte de sua equipe, e ela surpreendeu-se ao ouvir o convite que se prosseguiu:
 Ei, ei! Erina-chan, você não quer entrar em nossa equipe também?
Eleanor levou a mão até o peito, seus olhos cor de mel tomaram um brilho especial e apesar das palavras não saírem seus gestos mostravam que ela estava um pouco acanhada pela oferta.
 Mas, e se não me aceitarem como sou?
 Keh, heh, heh... Moça, estamos falando da Fire Tales.  — assentiu Yoshiki.
 Naquele lugar não importa se você é homem ou mulher, ou até mesmo os dois; se é alto ou magro, covarde ou justiceiro, um monstro ou uma fofura, inteligente ou fracassado, liberal ou acanhado; essa é a nossa família, e nós aceitamos nossos membros como eles são. — respondeu Jade.
Eleanor fitou-os incrivelmente surpresa, sentiu algo que há muito tempo não sentia, suas memórias diziam que ela já tinha vivenciado aquilo, mas ainda não era capaz de se lembrar. Mesmo sendo um clone a moça pôde sentir emoções tão fortes quanto de qualquer outra criatura viva, chegou a desejar aquele convite de todo o coração e faria o possível para fazer parte daquilo que os extravagantes viajantes chamavam de família.
 Mas se desejarmos voltar para nossa equipe temos de encontrar nosso treinador antes, caso contrário corremos o risco de não nos ver novamente... — disse Jade um pouco chateada.
 Treinador?! Está falando do garoto de boina que foi aprisionado pelos humanos? Eu sei exatamente onde ele se encontra, posso levá-los para lá se desejarem!! Venham comigo, não podemos perder mais tempo!
Eleanor agachou e agarrou tanto Croagunk quanto a Yanma em suas costas. Ela imediatamente começou a contornar os sinuosos corredores daquele labirinto e não olhou mais para trás. Jade e Yoshiki haviam encontrado uma parceira em potencial, e para melhorar, que compartilhava de gostos muito parecidos.

Setor Zero

Uma fumaça negra ofuscava o campo de visão, e na medida que Marshall subia os andares um mormaço ardente podia ser sentido nas paredes de aço. O Setor Zero era o mais perigoso da base e fora desativado desde os tempos em que um terrível acidente cobriu os laboratórios dos Rockets. Ele se interligava com todos os outros setores de alguma maneira, era o mais longo de todos e agora servia como a passagem final do policial e sua equipe. Marshall tinha sua arma em mãos, era guiado por seu Honchkrow na medida que Pokémons clonados erguiam-se em seu caminho para atrasar seu progresso. Dawn escondia-se atrás do homem conforme via aquelas criaturas horripilantes sem alma, muitas tinham deformações e aparentavam ser verdadeiras aberrações para os olhos humanos.
— Senhor Marshall, o que aconteceu com este lugar?
— Infelizmente não sou capaz de dar-lhe a resposta, senhorita Manson. Tanto que este lugar não era de conhecimento da Polícia Internacional até nossa atual situação. Creio que os peritos em investigação terão muito para descobrir a respeito destes criminosos, e tenho certeza que dessa vez poderemos colocar um fim definitivo ao legado de terror que os Rockets vêm disseminando há tantos anos.
Marshall foi interrompido no instante que viu uma sombra aproximar-se com velocidade em sua direção. Ele ergueu sua arma contra a criatura, mas imediatamente a abaixou quando avistou um Murkrow ensanguentado voar com dificuldade e cair em sua frente quase inconsciente. Dawn imediatamente o reconheceu, aquele era o Murkrow de Lukas; e Marshall era o homem que havia incumbindo-o de proteger o garoto. Vê-lo naquela situação lastimável dava-lhe o pior dos pressentimentos.
 S-Senhor, este é um dos Pokémons do Lukas, veja o estado dele!! — gritou Dawn apavorada.
Marshall pegou o pequeno corvo em seu colo tentando compreender o que havia acontecido com ele. Al Capone não passava de um mero espião ao lado do grandioso Honchkrow do homem, aquele era o verdadeiro líder de todos os corvos da espécie, mas até mesmo ele surpreendeu-se ao ver um de seus melhores integrantes derrotado daquela maneira. Marshall sabia que aquele não era o melhor lugar para fazer curativos, mas quando tentou dar qualquer medicamento para o Pokémon o Murkrow esperneou e levantou-se até cair no chão.
Marshall tinha sua atenção fixada nos olhos vermelhos da criatura, sua cicatriz ardia como uma queimadura e suas asas manchadas por sangue já não exalavam a glória de seus dias de ascensão.  Al Capone voltou-se para seu velho treinador e o encarou com olhos profundos, tão profundos e centrados que eles pareceram estabelecer uma conexão mental naquele instante.

Eu não desejo mais fugir. Não desejo mais esconder-me nas sombras. Fortaleça-me.”

Marshall soltou um suspiro.
— Você percebeu que não é mais capaz de proteger aqueles que deve, não é? — perguntou Marshall, não esperando uma resposta do Pokémon — Os inimigos daqui para frente são de uma força muito superior, e você também deve chegar ao nível deles.
Al Capone sempre evitou a evolução, desde quando ainda pertencia ao ex-elite. Ele poderia ter sido facilmente cotado como o braço direito do líder se ele bem desejasse, mas preferia uma vida nas sombras à glória de sua evolução. Marshall colocou a mão no bolso retirando assim um artefato raríssimo conhecido como Dusk Stone. O policial olhou atentamente para o corvo que sangrava mal conseguindo manter-se de pé, mas ainda lutava para não perder sua posição e a determinação em recuperar a honra que lhe fora tirada.
Subitamente pôde-se ver uma criatura ao fim do corredor. Dawn caiu no chão ao tentar esquivar-se de uma parede que ruía quando todo o andar começou a estremecer. Do outro lado havia uma legião de  Pokémons clonados, parecia que os Rockets haviam liberado todas as suas criaturas naqueles últimos instantes para que com a confusão eles tivessem alguma chance de escapar, mas a polícia não permitiria que aquilo acontecesse mais uma vez. Uma intensa batalha se aproximava, e para isso os humanos deveriam contar com toda a ajuda possível. Marshall levou a pedra negra em contato ao Pokémon, suas palavras pairaram no ar:
          Fortaleça-me.
O corpo do Murkrow foi coberto por um brilho luminescente e todo o andar foi coberto pelas sombras que o consumiram. Marshall ergueu-se e esticou o braço vendo seu Honchkrow pousar com a suavidade de uma pena. Um Tropius inimigo liderava a manada descontrolada de Pokémons clonados, as criaturas avançavam contra os treinadores numa fúria incontrolável, mas quando duas sombras juntaram-se elas pareceram criar um par de asas negras atrás de Marshall, revelando assim dois Honchkrows de poder surpreendente.
Marshall não precisou dizer nada. Apenas esticou os dois braços para frente e o vento foi criado na medida que as sombras avançavam. O Honchkrow de Marsall voou como uma lança perfurando seu oponente com o Brave Bird, enquanto Al Capone liquidava as criaturas ao redor com o Superpower abrindo uma passagem estreita para seus treinadores.
— Vamos, garota! Não temos muito tempo!
Dawn correu para acompanhar o policial na medida que os dois corvos os protegiam. Eles se aproximaram de uma escadaria, mas os Pokémons que os perseguiam não paravam de surgir. Marshall mandou a menina subir enquanto ele voltou-se para trás e derrubou com um chute as criaturas desprovidas de alma. O homem lançou um rápido olhar para Al Capone e indicou uma saída aos fundos.
— Vá. Está na hora de você cumprir a sua obrigação.
O corvo da máfia passou zunindo como um arco e não importou-se com ninguém que ousava ficar em sua frente. Marshall, por sua vez, comandou que seu Pokémon fosse aos poucos retornando na medida que eles subiam os andares. Ele fechou uma porta com força torcendo para que aquilo impedisse as criaturas de chegarem até eles por um tempo. Jogou alguns móveis velhos no chão e empurrou-os para frente, impedindo a passagem até mesmo da maior das criaturas por alguns minutos. Dawn olhava para aquela sala atentamente, parecia ser um dos locais mais altos da base e tinha uma bela visão para o mar. Uma longa mesa de reuniões estava manchada e empoeirada, e nos cantos armários e documentos pareciam ter sido abandonados há muito tempo. Dawn olhou tudo com velocidade e afirmou:
 Senhor Marshall, achei uma saída!
O homem virou-se ao ouvir a garota e imediatamente correu para checar tal afirmação. Havia, sim, uma saída, mas estava trancada. Retirou a gravata do terno e revelou um clips no bolso começando a tentar abrir a cadeado numa velocidade impressionante, mas foi obrigado a parar quando ouviu uma ameaça vindo de trás:
— Parados!!
Marshall lentamente fechou os olhos e virou a cabeça. Um sujeito estava escondido naquela sala e agora apontava uma arma para os intrusos com enorme apreensão. Marshall olhou para o rapaz e arqueou a sobrancelha. Ele era jovem, mas tremia tanto com aquela arma na mão que era ele quem parecia estar mais assustado, mas em situações como aquela são os descontrolados que podem apresentar o maior perigo. Marshall não tinha como pegar sua arma e foi obrigado a render-se junto de Dawn.
— O que faz aqui? — perguntou Marshall.
— E-Eu sou o novo executivo dos Rockets, meu nome é Wilson!! São vocês que invadiram nossa base e destruíram todos os nossos planos, não permitirei que saiam daqui com vida!!
— Meu jovem, você sabe que isso que está segurando é uma arma, não? — disse o policial não escondendo certo sarcasmo, mas aquilo até fazia sentido. Ele tinha a impressão de que a arma nem estava carregada, e Wilson tremia na medida que o chão estremecia com a chegada de um exército de Pokémons descontrolados — Largue essa arma, meu bom rapaz. Você não quer causar o pior.
Dawn tremia de medo, mas chegou a tranquilizar-se quando viu aquele pobre sujeito largar o perigoso mecanismo e ficar encarando o vazio com seus olhos apavorados. Marshall foi aproximando-se aos poucos, mas notou que algo parecia muito suspeito naquele ambiente. Pôde notar que alguém ainda escondia-se atrás de um balcão, e também estava armado. O policial foi empurrado para o lado quando o misterioso sujeito chegou a disparar três vezes contra Wilson que caiu no chão agoniando de dor. Seu Honchkrow foi capaz de salvar seu treinador, e no mesmo instante ele ordenou que o corvo protegesse Dawn e retirasse a menina daquele salão. O corvo cumpriu as ordens de seu mestre enquanto a voz de Dawn desapareceria no corredor seguinte.
Assim que o policial levantou-se pôde ouvir uma risada do outro lado.
— Ora, ora! Então você veio! Eu estava aguardando ansiosamente a sua chegada!
— Você é Archer, ex-executivo dos Rockets e atual líder da corporação.
— Sim sou eu mesmo, mas se aprecia tanto o uso dessa palavra pode dizer também ex-facção. — respondeu Archer com uma tranquilidade anormal — Acabou. Está feito. O fim chegou.
Marshall arqueou as sobrancelhas de espanto ao ver que Archer jogou sua arma no chão e esticou suas mãos para os lados demonstrando que não queria arrumar encrenca. O criminoso foi lentamente caminhando até uma das janelas empoeiradas, observando assim o mar por alguns instantes e esquecendo estar frente a frente de seu pior inimigo.
— O ser humano está sempre buscando estar no topo, não acha, doutor Marshall? Mas para isso ele precisa derrubar muitas barreiras, passar a perna em muitas pessoas, e se preciso, até mesmo naqueles que confia. — disse Archer.
— Vejo isso claramente em seus atos, miserável. Usou desse sujeito indefeso para tentar uma emboscada, e mesmo assim, falhou, tal como todos os seus outros planos.
— Planos infalíveis! É assim que nós costumávamos chamá-los, e eu ria ao lembrar-me daquelas histórinhas que lia quando criança. Eu me perguntava: Por que eles falhavam se eram infalíveis? É simples,  o tempo me deu a resposta, em algum ponto eles estavam errados, tal como a raça humana está errada em apenas tentar alcançar o topo.
Outro tremor pôde ser sentido no salão fazendo com que todos os vidros trincassem e se espatifassem em milhões de pedaços, mas Archer nem se mexeu. Sua mente estava distante enquanto seu corpo era rasgado pelos estilhaços do vidro, ele parecia estar perdido nos próprios pensamentos sem sentir absolutamente nada.
—  Como o senhor deve ter notado, sou o último membro remanescente da facção. Os outros fugiram ou morreram tentando. Sou o maior terrorista que a polícia procura, e agora, estou logo a sua frente! Mas dessa vez tenho tudo sobre controle. — disse Archer.
— Os Rockets decaíram muito, eles próprios gastaram bilhões com suas pesquisas e passaram de uma das empresas mais lucrativas do mundo para o maior declínio da história. Vocês tinham grandes mentes envolvidas em seus projetos, mas desperdiçaram cada uma delas.
— Tudo está na mais perfeita sincronia. Você não pode me pegar.
— Eu não diria a mesma coisa. — respondeu Marshall, sacando a arma e apontando contra Archer que ficou a encará-lo com uma feição sarcástica de loucura.
O homem estendeu as mãos para os lados e riu ainda mais alto.
— É impossível esse plano dar errado, pois não há plano!! O fim é inevitável, para todos nós, mas não fará nenhuma diferença adiantá-lo por mais alguns dias. Obrigado por tornar este meu show ainda mais fascinante, e espero que possa aproveitar de seu tempo no inferno! Vamos juntos para o abismo.
Para Marshall estava claro que aquele homem estava em seu estado final de loucura. Era possível que aquilo acontecesse para qualquer pessoa que tinha um grande império e o via cair aos poucos até não restasse mais nada. Para Archer, os Rockets era tudo que lhe restara, e o mundo tirara tudo que ele tinha. O homem sacou um pequeno dispositivo do bolso e o apertou, acionando assim uma sirene que soou cinco vezes antes de algumas explosões começarem a serem ouvidas.
 O que você fez, miserável?! — gritou Marshall.
 Estou tirando o que vocês tiraram de mim. São negócios, doutor Marshall. Apenas negócios.
Archer esticou os braços para os lados e olhou para o céu que brilhava anunciando a chegada da aurora. O homem fechou-os e jogou seu corpo para trás mergulhando no abismo sem fim de uma morte evidente. O policial sequer chegou a disparar, não precisou se dar no trabalho, ele suspirou e guardou sua arma, no fim, tudo havia sucumbido à loucura, mas pelo menos aquele ato marcaria o fim definitivo do império de terror espalhado pelos Rockets. A sirene continuou soando, e de trinta em trinta segundos ela retornava a anunciar seu desespero. Marshall estimou que a ilha fosse explodir em trinta minutos, exatamente como Proton previra. Em breve ele seguiria pelos corredores e encontraria Dawn, sua missão agora era evacuar todas as tropas da ilha, mas uma indagação ainda pairava no ar: Onde estavam Luke e Lukas?

Setor 4

Wiki corria com pressa pelos corredores do setor, mas de maneira alguma encontrava a saída. Todas as paredes pareciam iguais, as portas não lhe davam saídas e a moça tinha a impressão de sempre regressar ao mesmo beco. Ela não conseguia encontrar nenhum arquivo de mapa do local, e seus circuitos sofriam interferência impedindo-a de manter contato com qualquer outro companheiro, inclusive com Vista. A moça ofegava de cansaço, mas não desistiria enquanto seu treinador não estivesse a salvo em seus braços. Ela continuou correndo até notar um movimento maior em um dos corredores, e ao descer uma leva de escadarias viu uma figura bem familiar.
 Eleanor? — indagou Wiki surpresa. — Jade? Yoshiki?
 Ohh, é você, minha fofa! Entre no embalo, estamos quase chegando.
Wiki não teve tempo de fazer perguntas, mas estava feliz por ver Jade e Yoshiki nos ombros da mulher e sabia que poderia confiar nela naquele instante. As duas corriam com velocidade, e mesmo com toda a inquietação Eleanor não se conteve em virar para trás e mandar uma piscadela para a garota.
 Ei, gata, você disse que gostaria de me encontrar depois. — disse Eleanor — Já é depois.
Wiki não escondeu uma risada enquanto acompanhava a moça, e certamente estava contente por saber que ela havia passado para seu time. Ao chegarem em uma passagem viram que o portão havia sido destruído e uma enorme pedra estava no caminho.
 Maldição, há alguma outra passagem? — perguntou Jade.
 Existem inúmeros caminhos para o amor, mas eu quero ESSE!
A Pinsir estendeu seus braços e socou a parede de pedra com o Superpower. O impacto do golpe a fez ruir como se tivesse levado o tiro de um canhão descontrolado. Os ossos de Eleanor estremeceram e ela chegou a vacilar caindo nos braços de Wiki que impediu-a de ir ao chão. Os olhos das duas se encontraram, e por um instante foi como se as sirenes parassem de soar e apenas as duas estivessem ali.
 Acho que ainda não me recuperei de nossa batalha... — disse Eleanor ofegante.
 O que está dizendo? Você é uma mulher forte, não vá me fazer pensar que você desistiria no meio do caminho, mostre-me sua força!
 Eu queria ter essa sua determinação...
 Então vamos fazer isso juntas!
As duas se apoiaram uma no ombro da outra na medida que iam correndo e cada vez chegavam mais próximas de alcançar o objetivo. Jade e Yoshiki iam na frente derrubando Pokémons descontrolados, mas os guerreiros criados pelos Rockets haviam sido comandados a não permitirem que mais ninguém escapasse, e por isso, começaram a atacá-los inconscientemente  Eleanor ergueu sua mão e apontou para um portão enferrujado no fim do corredor.
 É ali, o treinador de vocês foi aprisionado naquele local.
Jade e Yoshiki correram na frente no mesmo instante, mas quando eles ultrapassaram as linhas do quarto setor os Pokémons clonados ativaram um botão que fechava aquele portão, e para acrescentar, destruíram o único meio de ativá-lo.
 Era só o que me faltava! — esperneou Jade. — Temos que chegar naquele portão antes que ele se feche!!!
— Keh, heh, heh... Então segure-se, Jade.
No instante seguinte, Yoshiki agarrou a libélula pela cintura e atirou-a com toda a força para frente,  mas o sapo havia se esquecido que prendia sua mão na corda que também prendia a menina, então acabou sendo arremessado junto chegando até o outro lado do portão. Mas Wiki e Eleanor ainda permaneciam para trás.
 Minha nossa!! Wiki, venha logo para cá!! — gritou Jade, recuperando-se do susto.
 Vamos lá, Eleanor, não se faça de difícil! — respondeu Wiki.
Por mais que elas corressem seria um grande desafio alcançar o portão há tempo, e para piorar a situação um imenso Nidoking derrubou-as no chão pronto para atacá-las com suas espadas afiadas e seu veneno mortal, mas Eleanor foi mais rápida ao golpear o guerreiro na rosto com suas botas de couro. Ela levantou-se e abraçou Wiki com intensidade, encarando de perto aqueles olhos tão sedutores da garota, e assim, sorriu.
 O que pensa que está fazendo?! Precisamos correr!! — gritou Wiki.
 Não se esqueça de mim, tudo bem?
Eleanor empurrou Wiki e arremessou-a com toda a força que tinha em direção do portão que aos poucos se fechava. A androide levantou-se e viu de relance o rosto da amiga desaparecer conforme o portão abaixava e uma enorme quantidade de guerreiros clonados se aglomeravam em volta dela anulando qualquer oportunidade de escapar. Eleanor virou-se, retirou os óculos, e balbuciou algumas palavras num tom tranquilo e sedutor.
 Se cuida, gatinha. 
Wiki esticou o braço o máximo que pôde, mas o portão fechou antes. Teve de ser arrastada para fora dali aos berros, sua mente almejava fugir o mais rápido possível, mas seu corpo desejava ter ficado para trás e ajudar uma pessoa que tornou-se tão especial para ela atiçando sentimentos nunca antes imaginados. Yoshiki e Jade a seguraram no braço e a levaram para longe, mas o portão de ferro permaneceu imóvel e nunca mais foi aberto.

Setor Zero

A sirene soava com uma insistência horripilante na mesma sintonia de uma canção à caminho do purgatório. O chão começava a estremecer e as paredes rachavam desmoronando pedras na medida que o teto ruía despencando na frente dos desatentos como uma bomba. A batalha no inferno de Beliel estendia-se por ainda mais tempo, mas Lyndis não se daria por vencido. O cão do inferno encarava o vazio coberto por sua bandagem, mas em questão de segundos avançava contra a garota usando suas garras e queimando sua pele com uma labareda flamejante. A Monferno dava cambalhotas no ar e na medida que conseguia aproximava-se do oponente para dar-lhe golpes rápidos e precisos. Agarrou um dos braços do homem e  o puxou, pressionando-o contra sua virilha e finalizando-o naquele instante.
 Se você não desistir eu irei quebrar o seu braço...! — disse Lyndis ofegante.
Mas Beliel tinha músculos formados e o corpo bem definido. Forçou-os como uma alavanca, em seguida lançando uma bola de fogo no rosto da garota que encontrou-se obrigada a soltá-lo para proteger-se. O monstro permaneceu em silêncio, mas já arfava de cansaço. A sirene soava e naqueles últimos instantes ele se mostrara mais quieto do que o normal. Limpou o sangue que escorria por sua boca, e assim falou:
 Todos nós iremos morrer aqui, e agora.
 Não se eu for capaz de derrotá-lo antes. A essa altura você não pode mais encontrar o meu Mestre, ele já está muito longe daqui. Você não foi capaz de cumprir a sua missão! — respondeu Lyndis num tom agressivo.
 Missão? Não há mais nada para mim aqui, a ilha será destruída e tudo que construí aqui estará debaixo do oceano dentro de alguns minutos. Mas eu não deixarei que você morra dessa maneira... Eu a consumirei antes.
Beliel fez um movimento suave com seu braço direito, em seguida apontou-o para frente e nesse instante uma explosão de fogo saiu de sua mão em direção da garota. Lyndis deu uma cambalhota para esquivar-se e logo em seguida partiu para atacá-lo, acertou três socos em sua mandíbula e o feriu com um chute frontal no peito. Beliel agarrou a perna da menina e lançou para cima das brasas que ardiam em chamas.
Lyndis caiu no fogo, mas por ser uma guerreira treinada para aguentar altas temperaturas aquilo não a matou, ainda que ferisse muito. As chamas que permaneciam acesas no salão iam aos poucos diminuindo, e Beliel já havia sugado tudo que conseguia para continuar de pé. Avançou contra ela e arranhou seu rosto de tal maneira que a dor fez com que algumas lágrimas escorressem do rosto de Lyndis.
 Está doendo muito? Saiba que não haverá ninguém para curá-la no fim de tudo isso.
Beliel não riu de sua maneira sarcástica com aquele ato, mas quando a sirene soou mais alto uma oitava vez teve sua audição interrompida abrindo a brecha para que Lyndis o surpreendesse como um chute e o jogasse no chão de tal maneira que eles fossem lançados para o andar inferior através de um pedaço do chão que despencara.
Os dois foram rolando e batendo no concreto na medida que lutavam. Ao atingirem o chão novamente Beliel caiu com os braços esticados e Lyndis sentada sobre seu corpo. A moça apoiava suas coxas no abdômen do rapaz, os joelhos estavam encostados em seu corpo e um pôde sentir o calor do outro de forma intensa. Beliel ficou em silêncio, se não estivesse respirando era possível dizer que tinha desmaiado, pois estava manso como um cãozinho adestrado. Lyndis ofegava, sentiu uma gota de suor lhe escorrer pelo rosto até cair na bandagem do rapaz, ignorou todos os instantes de fúria que se passaram daquela batalha até então e deitou-se sobre o corpo de Beliel encostando sua cabeça no peito definido do homem.
 Estou exausta. — disse Lyndis, não conseguindo sair daquela posição que lhe dava tanto conforto.
Beliel era uma criatura malévola e violenta, mas ela não conseguia se levantar, estava praticamente derrotada, e se ele desejasse poderia ter matado-a naquele instante. A moça ainda teimava em acreditar que Beliel podia ser apenas um cão perdido aguardando a chegada de seu dono, um animal carente que requer cuidados e que muitas vezes é considerado como uma criatura agressiva por todos ao seu redor.
 Eu poderia ter te matado, sabia disso? — indagou Beliel não mexendo sequer um músculo.
A garota apenas sorriu e fechou os olhos, dizendo com enorme tranquilidade:
 Sabia.
Mas não matou. Eram as palavras que provavelmente teriam saído de sua boca se uma explosão não tivesse feito o teto despencar exatamente onde eles estavam. Beliel abraçou os ombros da menina e a protegeu criando uma roda de fogo que consumiu a pedra até que ela derretesse e virasse apenas cinzas e poeira. De cima do teto surgia uma sombra negra envolta por escuridão, a figura pulou e planou no ar de tal maneira que sua capa simulou as asas de um corvo mergulhando diretamente em sua vítima. Beliel empurrou Lyndis para longe e quando a garota pôde notar estava sendo segurada pelos braços de outro homem. Notou claramente uma cicatriz no olho esquerdo do sujeito que revelou um sorriso ao observar que a garota ainda estava viva. Os olhos de Lyndis quase se apagaram, mas ela ainda teve forças para sibilar algumas palavras.
 V-Você voltou... — disse ela com alegria.
 Eu vim para protegê-la, minha pequena. — respondeu a sombra.
Beliel apenas os observava de longe.
 Por algum motivo não fui capaz de preceder essa visita indesejada, mas agora eu sei de quem se trata. É você, Sombra. Voltou para tentar vingar-se daquele que o derrotou.
 O vento mudou em nosso ambiente. Dessa vez vim aqui para te dar uma carona para o inferno. — respondeu o Honchkrow.
Beliel riu.
 Mas já estamos no inferno.

O corpo de Beliel foi completamente tomado pelo fogo no momento em que tudo ao seu redor aqueceu-se de tal maneira a ponto de derreter. O movimento Overheat utilizava o máximo de seu poder de fogo, e Al Capone não seria capaz de fazer frente ao demônio em seu próprio domínio. O mafioso avançou e de um instante para o outro estava atrás de Beliel. O Houndoom não pôde notar tal movimento e surpreendeu-se ao sentir que seu oponente o acertara de tal maneira que seu ataque fora cancelado. Beliel riu e disparou um Flamethrower contra o corvo, o Honchkrow revidou com um Wing Attack e o fogo apagou voltando-se para quem o lançara. Beliel podia absorver seus golpes, mas de nada adiantava se ele não pudesse ferir seu adversário da mesma maneira.
 Cansei de correr, de fugir, de esconder-me nas sombras. Aquela foi a última vez que deixei um companheiro para trás, e agora estou aqui para finalizar aquele que trouxe tanto sofrimento para minha pequena. — disse Capone.
Beliel correu para seu encontro com seus braços estendidos e as garras prontas a mutilar. O corvo o impediu da mesma maneira de modo que os dois se encarassem de frente numa luta de força física. As chamas da mão do Houndoom queimavam as mãos de seu adversário, mas Al Capone tomou impulso e num poderoso golpe atirou-o para longe numa técnica antiga dada pelo clã mafioso de Marshall:
 Superpower!
Beliel foi arremessado para longe, de modo que uma parede inteira ruísse e caísse sobre ele. Como se já não bastasse Al Capone caminhou até os destroços e o tirou dali segurando-o pela gola, mas Beliel ergueu o braço e o arranhou no rosto com suas garras, mas tudo se tornou fumaça e o corvo reapareceu atrás do Houndoom.
 Você se alimenta do fogo, e eu, da escuridão. Vou deixá-lo surdo para todo o resto que se mova.
Beliel já estava cansado da longa luta com Lyndis, e por isso não tinha mais como retrucar. A sirene agora soava com mais intensidade, enfatizando que faltavam poucos minutos para a destruição da ilha. De repente um terremoto tomou conta do local, mas dessa vez era um tão forte e descontrolado que o andar completo do Setor Zero veio abaixo. Al Capone cobriu-se em seu manto e seus braços formaram asas que o deixaram a salvo. Ele segurou no pescoço de Beliel e o ergueu perante o abismo que se formava abaixo dele.
 Morra com tudo que construiu. — disse Al Capone.
E o largou, mas imediatamente Lyndis deu um salto em sua frente e correu para segurar no braço do Houndoom que caía. A menina era forte e determinada para sua idade, com músculos fortalecidos foi capaz de segurar o peso de um homem com apenas um braço, e assim que Beliel ergueu seu rosto para entender o que acontecia pôde sentir lágrimas caírem do céu como uma chuva fina e melancólica.
 Lyndis, o que pensa que está fazendo? — o Honchkrow parecia não acreditar no que via.
 Al, eu não aguento mais ver luta e sangue! Não quero que mais ninguém morra! Não aguento mais ver Pokémons mortos por todo canto!
 Ele te machucou! Ameaçou o Lukas! Não vou permitir isso!
 Talvez ele não tivesse escolha!! Você mesmo me disse um dia, às vezes fazemos escolhas e ações ruins por falta de opções! Todos merecem uma segunda chance!!
Al manteve-se calado, pensando na frase que lhe fora dita, Lyndis era forte, mais forte do que podia imaginar, no fundo ela estava certa, nenhum do dois sabia o que o cão do inferno passara, talvez, só não lhe fora dado liberdade. O Honckrow concordou com a cabeça, mas manteve-se imóvel e calado.
 O que está fazendo, mulher? — indagou Beliel, surpreso.
 Estou ajudando você! Segure a minha mão, depressa...! — gritou Lyndis ofegante enquanto tudo ruía ao seu redor.
Beliel apenas calou-se, conseguia sentir e ouvir melhor do que ninguém devido a sua falta de visão, sentia o calor que emanava da mão da garota sentia sua respiração entrecortada e conseguia escutar o lugar ruir de pouco a pouco.
 O que está esperando?!! — Lyndis tentava segurar com mais força o homem que caía. — Segure logo!!
Beliel suspirou, mas deu um sorriso logo em seguida.
 Já te disseram que você é muito esquisita?
 O quê? O que pensa que está dizendo?!! Você vai cair!!
 Você acha que mereço uma segunda chance?
 Todos merecem!! Você talvez só não tinha alguém para ensiná-lo o que era certo e o que era errado!
 Devia ter te matado enquanto tive a chance.
— Beliel!!
 Nunca foi me concedido nenhum desejo, mas se pudesse pedir algo... Eu gostaria de ter visto o seu rosto. — respondeu ele numa enorme tranquilidade.
Lyndis respirava com dificuldade na medida que as pedras caíam ao redor e lhe machucavam. Ela gritou mais uma vez, e mais alto do que a sirene.
— Mas ainda dá tempo!!! Por favor, Beliel, segure a minha mão!!!!!
— Meu tempo acabou no momento em que perdi. Obrigado pela oportunidade, menina. Obrigado pela segunda chance.
Lyndis continuou a encará-lo enquanto tudo ao seu redor desmoronava. Al Capone não mexeu sequer um músculo para ajudar, e se dependesse dele deixaria Beliel cair no abismo e morrer como bem desejava. Aquela era uma decisão de Lyndis. Ela continuou a encarar a bandagem do cão das trevas e desejou também poder olhar aqueles olhos tão perdidos, mas viu apenas um sorriso vindo de Beliel seguido de um arranhão tão forte em seu braço que a fez largar. O guardião caiu no abismo sem fim enquanto a menina gritava em sua agonia e desespero. Al Capone colocou-a no colo e partiu imediatamente, não deixando mais nenhum rastro de consolo ou destruição.

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