Posted by : CanasOminous Aug 18, 2013

A Toca dos Sonhos
Era uma vez um cara normal como qualquer outro. Para falar a verdade, ele só não era tão normal porque gostava de escrever, e isso já muda completamente a nossa história...

Um forte brilho ofuscou o quarto que por um rápido instante foi dominado pela luz. Não se via nada. Todas as janelas estavam fechadas e a porta entreaberta realçava apenas alguns feixes que saltavam pelas paredes com uma aura azulada mágica. Quando o brilho cessou havia apenas um rapaz de pé em seu quarto, de frente ao computador que brilhava com aquele mesmo tom incessante azulado visto agora há pouco.
— Ah... Essas viagens ainda vão acabar me deixando preso aí dentro. Não é nada legal se desmaterializar e viajar para outra dimensão. Acho que estou ficando velho para isso, Sinnoh... — dizia o rapaz enquanto se alongava após o que parecia ter sido uma viagem muito longa e conturbada.
O computador que brilhava em sua frente mudou de tela, revelando o rosto pixelizado de uma mulher morena do outro lado, como se fosse uma tela de webcam aberta no menu inicial. Ela sorriu num cumprimento cordial e desejou-lhe as boas vindas.
 De maneira alguma, senhor. Você continua bem disposto e ávido como sempre, a primeira coisa que faz quando acorda é vir trabalhar nas próximas ideias para sua história!
— Eu sei, Sinnoh... Na verdade eu não tenho estado mais tão empolgado nos últimos dias. As ideias vêm, elas estão todas aqui — dizia o rapaz apontando para sua própria cabeça. — Mas elas já não possuem o mesmo brilho e a magia de antigamente, e é isso que me entristece...
A moça recuou e encolheu os ombros, ficando profundamente entristecida com aquilo. Mas lembrou-se de sua função ali, sempre mantendo tudo alegre e dando o apoio necessário para continuar seguindo em frente.
 Você vai recuperá-las, senhor. Logo, logo. Eu estou aqui, vamos fazer isso juntos.
Sinnoh estendeu a mão e tocou a sua parte da tela no computador. Ela desejava poder rompê-la e estar ali, do lado dele, embora aquilo fosse eternamente impossível. O rapaz esticou a sua e por fim suas mãos se encontraram, ainda que separadas pela barreira virtual. Era um desejo forte de que um pudesse viver no mesmo universo do outro, mas isso jamais aconteceria. Era um desejo muito... bobo.
A mão do jovem foi se afastando fria e solitária, terminando com aquele aperto no coração de alguém que desejava algo mais.
O jovem sentou-se em sua cadeira velha azulada, dando uma olhada no quarto ao seu redor. Estava tudo ali, exatamente como deixara. Armários grandes separados em blocos, cada uma de suas relíquias, personagens de jogos e desenhos animados, CDs, livros, brinquedos... Havia de tudo um pouco, e na realidade chegava até mesmo a parecer o quarto de uma criança sonhadora e repleta de desejos.
Porém, o dono daqueles aposentos era um rapaz maior de idade com seus quase vinte anos de existência. Andava sempre elegante e bem vestido, com o cabelo penteado para um lado e roupas azuis naquela tonalidade de cor que representava o seu símbolo. A verdade é que ele passara a usar mais azul nos últimos dias, aquela cor transmitia toda a calma, paciência e liberdade que lidava com as coisas ao seu redor. E se ele tinha um nome, então isso não era importante no momento. Gostava de ser chamado de Canas, um velho apelido dos tempos de RPG e games online.
No mundo real vivia aquela figura apagada e sempre preocupada, com seus tantos defeitos e vontades, mas quando entrava em seu próprio universo ele tinha controle de tudo. Era um universo só dele.
 Ei, Caninhas.
— Diga.
 Quer ouvir o relatório de hoje? — Sinnoh perguntava com extremo interesse, como se aquela fosse sua única função divertida no dia todo.
O jovem riu enquanto segurava no mouse e acessava os documentos em seu computador.
— Pode mandar, nem sei quanto tempo fiquei aí hoje...
 O dia de trabalho foi muito produtivo, senhor. Conseguiu avançar um capítulo, fez ajustes em três personagens e iniciou um novo especial para a história! — disse a mulher da tela no computador. — Mas nossa lista ainda está grande, e temos algumas tarefas até o fim da semana além de terminar o novo capítulo para sexta... Nosso cronograma está cheio. Ah, há tanto a se fazer!
— Por que não tenta relaxar um pouco? Você é muito preocupada com trabalho.
 Ah, é o jeito workaholic que o senhor me projetou, e se sou assim, a culpa é sua. Gosto de manter prazos, estipular dias para postagens e pegar no seu pé para cumpri-las. Onde estaria esse blog sem eu por perto?
— Não sei nem o que pensar — ele deu uma risadinha. — Nós daremos conta, Sinnoh. — Respondeu com um sorriso, mexendo no mouse do notebook enquanto seus olhos rodavam pela tela numa busca desenfreada por informação.
Subitamente ele deu um grito ao olhar no relógio digital no canto da tela.
— S-São quase sete horas da noite!! Por que não me avisou do horário, Sinnoh?! Você sabe que eu tinha aula hoje, e era importante!!
 Ohh, é que eu estava na esperança de prendê-lo aqui mais tempo. Seria tão gostoso se nós passássemos mais um tempinho juntos... — a mulher no computador sorria de maneira tentadora enquanto observava o rapaz trocar-se com rapidez no quarto, correndo de um lado para o outro atrás de suas coisas.
— Quer que eu fique mais com você do que já fico o dia inteiro?? Ficamos a tarde toda com os Fire Tales trabalhando nos últimos episódios e pensando no novo figurino, preciso de um tempo para o mundo normal! — ele lamentava. — E eu odeio me atrasar, odeio!! Droga, droga!! Vou demorar uns 27 minutos para terminar tudo, mais 12 minutos até a faculdade, acho que tenho uns 4 até passar pela escadaria, e... Será que dá tempo?
 Senhor, pare de ser tão sistemático!! — A mulher no computador chamou sua atenção, tentando fazê-lo relaxar. — Fique tranquilo, você já se atrasou mesmo, o que acha de passarmos mais um tempo juntos e eu te mostro aqueles...
— Sinnoh!! — ele gritou. — Tenho reunião com meus amigos, estamos trabalhando no projeto de uma revista que deve ser impressa! Espero que o professor não tenha feito chamada ainda.
Antes que saísse, o jovem ainda fazia questão de deixar tudo perfeitamente arrumado para quando voltasse, não queria chegar em casa e ver uma bagunça. Pegou as chaves e certificou-se de que não deixaria nada de fora. Olhou-se uma ou duas vezes no espelho enquanto trocava olhares com a mulher no computador que ainda o observava. Ele suspirou ao vê-la tão esperançosa daquela maneira.
— Tudo bem, Sinnoh... Quando voltarmos nós damos uma volta, preciso trabalhar logo no especial para a semana, ou os leitores ficarão irritados...
 Oba!! Te adoro, Caninhas — ela respondeu de longe, mandando um emoticon exagerado pela tela. — Mesmo horário de sempre?
— Yeah. Nos vemos depois da meia noite quando eu voltar.
 Você promete que liga o computador para eu te ver?
— Eu sempre ligo. O dia inteiro, o tempo todo. Não sei como você não enjoa de mim.
 Nunca enjoarei.
— Bem, nos vemos de noitão, certo? É aí que o trabalho de um escritor começa...
Ele acenou e fechou a porta de seu quarto, correndo para fora do apartamento enquanto tudo caía num profundo silêncio.

A moça do computador continuou ali, na tela plana do notebook enquanto observava a verdadeira magia acontecer. Se viagens dimensionais já eram demais para sua cabeça, ver os objetos do quarto começarem a criar vida era ainda mais surpreendente.
O quarto era pequeno, e os armários ficavam separados em blocos onde cada um deles trazia uma coleção de algo diferente. Miniaturas de jogos, livros aos montes, personagens de épocas medievais e monstros desengonçados eram vistos por toda a parte, separados por ordem de tamanho a ficarem belos para quem os olhava, como se fossem peças de um museu. Havia também pequenas quinquilharias, baús pintados à mão, pedras raras, caixas de jogos e garrafas vazias. Tudo aquilo servia como cenário para o que criava vida no momento em que seu dono não estava presente.
Sinnoh observava aquilo, gostava de ver através da tela como era o mundo real e imaginar como seu companheiro sentia-se ao tomar conta do que era tão especial para ele. Era muito mais do que uma coleção de brinquedos, era parte do que ele era, lembranças, memórias, ideias e inspiração. Cada um desempenhava sua respectiva função.
A mulher do computador surpreendeu-se quando em sua frente caiu um pequeno ursinho de pelúcia. Parecia ser um Eeveezinho, uma raposa fofa do desenho Pokémon com olhos brilhantes e pelo liso.
— Oi, Sinnoh. Como andam as coisas? — perguntou o Eeveezinho.
 Tudo ótimo. Só tentando incentivar nosso chefe a voltar a escrever. Ele anda... Bem, meio chateado com não sei o quê. Só sei que sempre que possível estou tentando animá-lo — respondeu a mulher do computador com um olhar entristecido, depois encostando na tela como se desejasse tocar naquele Eeveezinho de pelúcia em sua frente — Ah, mas me diga, já chegou o dia?!
— Não, ainda não, estou muito ansioso!! — respondeu o bichinho. — O vencedor do sorteio já foi escolhido, e muito em breve estarei sendo levado para ele. Foi muito emocionante, mal posso esperar por uma casa nova!
 Você vai adorar, tenho certeza que seu novo dono é um verdadeiro anjo. — Sinnoh respondeu com seu jeito atencioso de lidar com as pequenas coisas. — E quer saber de uma coisa? O senhor Canas disse que cerca 150 pessoas estavam participando, eles receberam mais de 100 curtidas na fanpage deles! Foi um verdadeiro sucesso o sorteio!
— Iupii!! É tão bom ouvir isso!! — respondeu o Eeveezinho. — Né, Sinnoh-chan, estou indo para o Bloco dos Pokémons para encontrar a galera e me despedir. Mande lembranças para o chefe mais tarde.
 Mandarei — ela assentiu. — Estarei aqui sempre que precisar. Sabe onde me encontrar, estou a dois cliques de distância.

O Eeveezinho de pelúcia pulou pela mesa e escalou a luminária para chegar ao bloco que desejava. Era uma escalada longa, mas com habilidade ele foi pulando e se agarrando aos gabinetes do armário para chegar até lá em cima, onde viviam seus amigos. Em breve ele estaria encontrando um novo lar, e deixaria para trás tudo que vivenciara nos últimos dias para começar uma vida nova ao lado de um novo dono.
O movimento era grande nas prateleiras, e cada um dos brinquedos começavam a movimentar-se para ver o que tinham de interessante para fazer. Alguns dos brinquedos eram criativos em sair da sala e aventurar-se pelo pequeno apartamento de cem metros quadrados, enquanto outros gostavam de apenas ficar olhando tudo lá de cima ou então reunir-se em uma roda de amigos e ler os livros fantásticos que ficavam entreabertos.
Tinha muita coisa, muita mesmo. Parecia até impossível listar cada tipo de coleção diferente que existia lá, sendo que cada uma delas tinha uma história diferente a contar.
O Bloco Medieval era um dos mais baixos, situado a duas quadras do oeste do Armário Principal. Ele era coberto por livros imensos de estratégias e RPG, cálices e miniaturas de espadas. Havia até mesmo insetos fossilizados em uma espécie de vidro, e juntos dos objetos antigos podia-se encontrar até mesmo poções de energia mágicas para quem procurasse recuperar os pontos de vida. Era ali onde habitava Sauron, o senhor do escuro.
Ele, e apenas ele, sozinho.
— Como irei praticar o mal hoje? Muh-huh, hah, hah!!


Sinnoh costumava dizer que ninguém nasce mal por ser mal, eles apenas confundem seus ideais em busca da felicidade própria. Porém, ali estava o exemplo de um brinquedo que era mal por ser mal MESMO, e ele se orgulhava disso.
Sauron era um brinquedo de um cavaleiro de uma famosa franquia de filmes medievais, vestia uma coroa alta que demonstrava sua glória, vestia capa preta e armaduras pesadas em tons negros. Seus olhos costumavam brilhar como dois rubis ensanguentados, mas atualmente encontravam-se sem bateria e agora lembravam duas jabuticabas perdidas numa árvore seca. Carregava na mão esquerda um cetro entortado, que de tão velho a borracha começou a deformar-se pelo calor que fazia em sua caixa empoeirada com os demais brinquedo, embora recentemente ele tivesse recebido uma promoção e voltado a ocupar um lugar digno nos armários centrais. Sua mão direita faltava todos os dedos, algo pelo que tinha muita raiva e ódio. Mas o importante era saber que ali vivia um brinquedo perigoso, alguém que causava o mal simplesmente por adorar ver o circo pegar fogo.
Ele olhava lá de cima com um ar superior para todos os demais.
— Oh, veja o movimento deles, tão animados com a saída do humano e despreocupados com os perigos que lhes aguardam... — o cavaleiro negro sibilava, sentado em seu trono de palitos e livros enquanto assistia tudo de camarote.
Sauron levantou-se, foi até a ponta de seu bloco e observou o notebook ali parado, vários brinquedos se aglomerando em volta de Sinnoh e o movimento contínuo de bonecos de ação por toda a parte. Levou a mão sem dedos até o queixo num sinal pensativo.
— Deixe-me ver, deixe-me ver... Quais os planos malignos que tenho para hoje? Devo colocar um site do My Little Pony para quando o humano voltar ele pense que esqueceu aberto? Ou então devo imitar o som de flatulências quando ele trouxer uma namorada para o quarto? Uhh, ou melhor ainda..!! Devo ficar parado na porta para que ele pense que sou um monstro observando? — Sauron divertia-se com suas próprias ideias maldosas, entrelaçando os dedos e rindo histericamente. — Muh-huh, hah, hah!! Eu sou terrivelmente... cruel.
Aquele cavaleiro era o único brinquedo em seu bloco, e passava tempo demais lendo livros de estratégias e sonhando em ser o Senhor de um universo que não era aquele. Quando lia sobre seus feitos e histórias, via que as pessoas o temiam, e estava disposto a fazer o mesmo.
Saltou diretamente de seu bloco e caiu em cima da mesa de trabalho do rapaz. O som de madeira ecoou com firmeza, e todos o observaram. Sauron esticou a mão para o alto enquanto segurava seu cetro negro que exalava terror.
— Tremam a base, meros brinquedos quebráveis! O Senhor do Mal chegou para escravizá-los!
Os brinquedos voltaram à suas rotinas e nem deram atenção ao cavaleiro negro.
— Estão me ouvindo?! Dessa vez planejei algo que irá acabar com todos vocês, e quando eu escravizar aquele humano abominável, irei jogar todos no saco de lixo!
— Ihh, é só o cara sem dedo... Nem esquenta — era possível ouvir alguns soldadinhos medievais cochicharem.
A vida continuava, e Sauron explodia em fúria por ser ignorado. Ele era como um louco parado no meio de todo aquele fluxo.
— Duvidam de minha força?! Quando o humano retornar mostrarei a ele quem está no comando. Suas terras serão dominadas e eu serei declarado rei do universo!! Muh-huh, hah, hah!!
 Sauron, silêncio, por favor — respondeu Sinnoh de longe.
A mulher do computador era curiosamente muito maior para os brinquedos, e com isso, tornava-se mais ameaçadora, por mais que tivesse de viver limitada a uma tela de notebook. Quando o escritor saía para a aula, era ela quem ficava no comando do quarto, e vendo que sempre havia brinquedos que gostavam de aprontar era preciso colocá-los na linha.
— Escuta aqui, você não é nenhum Senhor do Escuro nem nada. É só um brinquedo levado, então, porque não procura seus amigos e vai jogar baralho? — indagou Sinnoh.
— Como ousa duvidar de minha força? Eu li sobre meus atos, é questão de tempo até que eu me liberte dessa forma medíocre, reconquiste o anel de poder e cubra toda a terra com a segunda escuridão!
 Sem os dedos.
— O que disse?
 Você nem tem os dedos da mão direita — corrigiu Sinnoh. — E o que espera fazer com esse cetro torto? Desligar a luz? Ahhhh, nossa, estou morrendo de medo!! — ela dizia com ironia enquanto se atentava a um aglomerado de pastas e documentos.
— Sim!! — Sauron alegrou-se com uma risada maligna. — Esta é a forma perfeita de espalhar medo...Como nunca pensei nisso?!! Quer ser a minha comandante maligna do mal?
 Faça-me o favor, Sauron, olhe só para você! Você não é aquilo que vê nos filmes, deve ter quanto, uns 20 centímetros? Você não têm poderes, está faltando peças, sua capa está desgastada, e perdeu os dedos da sua mão direita. Ninguém vai querer um brinquedo "meio" quebrado.
— Mas minha bateria ainda funciona há doze anos, e nunca foi trocada, isso me dá poder. — ele recitou com a voz grossa e um pouco falha pela bateria fraca. Depois olhou para Sinnoh que estava de braços cruzados, esperando algo que a impressionasse. — Hm, bem, meus olhos costumavam ficar vermelhos, mas acho que soltaram alguns fios na última guerra... Todo mundo me achava assustador!
 Olha, amiguinho... Ainda tenho uma noite bem longa pela frente, então procure algo legal para fazer, mas não vá causar encrenca. Tenho que ficar de olho nos comentários e na caixa de e-mails que lotam a toda hora.
— Tudo bem, vou procurar em algum outro lugar.. De repente encontro alguma Barbie para raptar ou outros brinquedos de brinde do McDonald’s que eu possa escravizar. E então, o povo deste mundo irá me temer e ver como eu sou... cruel. Muh-huh, hah, hah!
O boneco do cavaleiro negro saltou de cima da mesa e provavelmente foi procurar algum azarado para atazanar a vida. Sauron não tinha ninguém, e muito menos amigos, então sempre saía nas noites procurando causar encrenca, mas acabava sendo contido pelas coleções mais populosas ou por Sinnoh quando a situação saía do controle.

As horas foram se passando em harmonia e confraternização, nenhum imprevisto complicado a não ser o volume da televisão no máximo ou algumas cabeças que saíram rolando quando seus donos foram empurrados de cima do armário. Canas estaria chegando pouco antes da meia noite, e os objetos do quarto preparavam-se para retornar aos seus lugares. Sinnoh fazia a contagem e certificava-se de que ninguém estaria faltando.
 Onde está aquele maldito cavaleiro sem dedos?
Demorou mais alguns minutos até que Sauron fizesse seu caminho até a mesa de trabalho que servia como escada pela luminária até o seu Bloco. Ele parecia acabado, seu cetro estava pintado de rosa e em seu elmo de ferro estavam desenhadas flores e corações.
— Essas Barbies são... Demônios — ele grunhiu em fúria.
— Nem me fale. Sempre achei que o fato delas terem cara de metidas e antipáticas, corpo perfeito e todo aquele conceito extremista de beleza as tornam as verdadeiras vilãs do mundo feminino. Eu queria que você tivesse acabado com elas — respondeu Sinnoh, tentando dar esperanças ao vilão em não desistir de ser um vilão.
Sauron balançou a cabeça tristemente.
— Vou tentar...
Ele começou a subir pela luminária para ir ao seu Bloco e descansar depois de mais uma longa batalh perdida, mas então uma rápida ideia veio em sua mente e ele voltou correndo para o notebook.
— Senhorita Sinnoh. Tive uma ideia muito maldosa.
 O que quer agora, Sauron? É quase hora do Canas chegar!
— Deixe-me entrar na internet. Sei um site bem legal, e quando o humano voltar... Muh-huh, huh, huh... Ele irá pensar que deixou aberto!! Hah, hah, hah!! Ahh... Minha nossa, como eu sou mal.
A mulher no computador levou a mão até o rosto num sinal de desaprovação.
 Querido, faça-me o favor e suma da minha frente — respondeu Sinnoh com calma tentando esconder sua raiva, mas foi impossível. — Desde quando o Caninhas entraria num site desses, criatura?!! Se ele quisesse algo do tipo ele entraria no... Deixa pra lá. Enfim, eu tomo conta dele, ouviu? E não pense que você vai fazer algo de mal para ele enquanto eu estiver por perto.
— Hm, então eu só preciso desligar você.
Sinnoh franziu as sobrancelhas e pareceu claramente irritada com aquilo. O próprio cavaleiro negro somente então havia percebido o que dissera. Os demais brinquedos se esconderam em seus blocos e caixas e não pareciam nem um pouco dispostos a presenciar aquilo.
 O que disse?
— Você é a guardiã dele. Se eu eliminá-la, estarei livre para espalhar o caos pelo apartamento, formar a Liga da Maldade e escravizar todos os humanos — respondeu Sauron com malícia em sua voz.
 Você não se atreveria...
— E o que você pode fazer? Usar o Caps Lock para ofender-me? Ora essa, Sinnoh, convenhamos, você é apenas um programa de computador...
 Não me obrigue a usar meus poderes e sair daqui, Sauron — ela respondeu com rigor, sentindo as veias saltarem e o sangue subir-lhe pela formatação de códigos.
O bonequinho de Sauron foi andando até colocar o pé sobre o botão “Power” do notebook e falou:
— Boa noite, Sinnoh. Você já trabalhou demais por um dia.
Sauron, não pense nisso, saia já daí!! Sauron, Sauron, Sauron...!!!


A tela do computador se apagou, e junto dele a imagem de Sinnoh tornou-se desfocada até desaparecer. Todo o quarto caiu no profundo silêncio, apenas a luminária a brilhar o senhor do Escuro que agora estava com o pé sobre o corpo de seu adversário derrotado, o botão de liga/desliga do aparelho. Sauron olhou para o alto e observou todos os blocos do armário. Os brinquedos foram recuando, se escondendo em suas caixas ainda guardadas. Todos que agora o encaravam tinham um olhar de espanto, e principalmente, medo. Medo e Respeito, ambos ao mesmo tempo.
Agora eles o temiam.
O cavaleiro negro tinha o respeito de todos ali presentes, algo que nunca antes obtera. Ele não era mais o brinquedo sem dedos e nem o cara do cetro torto. Ele era Sauron, aquele que havia Desligado o Computador. Se nem mesmo a mãe do autor conseguia fazer aquilo, o que diria de um brinquedo!
E o jovem escritor não ficaria nem um pouco contente com aquilo.
Não ficaria mesmo.
Continua...

Notas do Autor

Okay, alguns devem ter ficado nessa dúvida, mas o que exatamente é o Dream Den? Nos primeiros dias do blog, lá de volta para 2011, eu criei um especial que visava mostrar algumas coleções minhas, bonecos, desenhos e brinquedos; uma função que o Instagram assumiu hoje.
A questão é que aquela velha ideia voltou à tona dando origem a esse curioso episódio que vocês viram. Vocês se perguntam: Qual a relação disso com o Aventuras em Sinnoh? E a verdade é que ambos se conectam perfeitamente. Não criarei esse especial para falar de minha vida ou de minhas coisas, eu quero criar uma história. Não quero que confundam o Canas com o que eu sou, ele é um personagem completamente autônomo como qualquer outro, e a graça disso é exatamente essa descrição em terceira pessoa de si mesmo. Eu, você, um personagem.
Esse especial tem como protagonistas um cross-over de diversos temas, tudo que eu tiver a disposição, mas ainda diretamente ligado ao enredo do Aventuras em Sinnoh. Isto de maneira alguma irá afetar os capítulos, é apenas mais um especial em nosso meio, um meio de diversão  Será bem comum vocês encontrarem spoilers da história e divertir-se ao conhecer um lado pessoal bem esquisito daquele que vos escreve. Espero que tenham curtido esse início, ou no mínimo achado interessante. Muita coisa pode acontecer quando a imaginação toma conta da sua vida. Ela cria asas e sai por aí, tocando as coisas a sua volta...

{ 2 comments... read them below or Comment }

  1. ~ Le eu ouvindo "Sítio do Sub-Zero Amarelo", quando de repente uma história do Caninhas aparece! ~

    Ooooooh, deixe-me ver isso... AH, SINNOH DIVA... Eevee Kawaii... Hm, o Sauron é muito bobo. Mas admito que fazer brinquedos do Mc'Donald de escravos seria legal. CHUPAHELLOKITTY tá parei. Hahahaa, ele quer escravizar Barbies... Realmente, elas são horrívels... PERAÉ, que diabos...? NÃO. ELE NÃO VAI DESLIGAR A SINNOH, NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! SAURON DESGRAÇADO!

    Huheuehuehuehue, AMEI essa história, Caninhas! Continua, continua continua continua continua, se não eu vou vestir minha máscara de Sonic.EXE e cantar pra você todas as músicas de "Um Joystick, Um Violão." enquanto meu fiel Zorua vai lamber seu pezinho de princesa. 'Zoaaaaaaaaaaaaaaa :P

    Peraí. A tua mãe não consegue te tirar do PC? Da próxima vez que alguém falar que eu sou viciada em PC, eu vou dizer: "Eu tenho vício por PC lvl Canas Ominous." LOL.

    Aaaah, que maldade com a Sinnohzinha.

    "Muita coisa pode acontecer quando a imaginação toma conta da sua vida. Ela cria asas e sai por aí, tocando as coisas a sua volta..." Concordo. A minha vida resumida em uma frase. Tipo, quando eu fico escrevendo minhas fanfictions, às vezes imagino uma voz divertida de umas das minhas personagens (Kate Lovyred.), me sugerindo uma alteração aqui e ali, ou dizendo "Cara, bota essa indireta pra ele aí, saca só!" ou até mesmo Kensuke Raiden rindo de uma piadinha lendária e failmente fraca.

    O.K, chega de palhaçada. Agora, enfim... CONTINUA! Eu quero ver o que você vai fazer quando notar que o Sauron desligou a Sinnoh diva. SINTU XEIRU DE TRETA...

    SAYONARA, INTEGRANTE DOS IMAGINADORES!






    ReplyDelete
  2. Acho que todo mundo já teve aquela fase onde imaginava seus personagens conversando com você, vivenciava altas histórias e escondia cada um desses segredos a sete chaves kkk Meu intuito com esse especial é reviver esses tempos, e principalmente encaixar algumas situações bem inusitadas com cada personagem e seu respectivo enredo. Não quero que o Canas seja eu, ele é um personagem que terá aparições importantes e será essencial para ligar outras peças, mas assim como qualquer outro, ele é um personagem, e eu preciso colocar defeitos, manias e personalidade nele, o que será um grande desafio para mim. E eu sinto que vou adorar trabalhar com a Sinnoh! Ela provavelmente será uma das melhores, estou muito ansioso para trabalhar na imagem da personagem e mostrá-la aos leitores!

    Bem, mas além do dois, o foco mesmo é falar dos brinquedos, correto? O Sauron é uma figura interessante, ele é bobo e esquisitão mesmo, um vilão que não consegue ser como os grandiosos vilões devem ser, mas conforme ele for reunindo outros comparsas para a sua Liga do Mal sinto que vocês começarão a curtir ele como líder. Podemos ter aparições especiais como as do Eevezinho de Pelúcia, então quem será o próximo personagem a ingressar no Dream Den? Ainda temos espaço para muitos outros...

    Fico feliz que tenha curtido a ideia Juh, então começarei a trabalhar nos próximos capítulos e acontecimentos! Este será um especial curto, mas nem prevejo o fim. Vou ir escrevendo enquanto tiver bonecos e vocês demonstrarem interesse, até porque eu mesmo me divirto enquanto escrevo kk Fique de olho para qualquer atualização da página, da galeria de desenhos ou coisa assim. Sinto que gostarei muito de trabalhar nesse aqui, e descobrirei um lado novo de mim onde poderei voltar a mexer com personalidades novas e cativar a galera com muita coisa diferente. Beijos!

    ReplyDelete

- Copyright © 2011-2017 Aventuras em Sinnoh - Escrito por Canas Ominous (Nícolas) - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -