Posted by : CanasOminous Aug 20, 2013

Support Conversation (Yoshiki x Atros)
Gênero e Disclaimers: Ação, Drama;
Tema: Yoshiki possui um discreto problema ao lidar com sangue...
No fim das contas parece que é ele quem precisa de um psicólogo!;
Sugestão dos leitores: Moacyr e Mira.

Era naquele horário tão distante e perdido que todos os integrantes da Fire Tales dormiam ou mantinham seus hábitos noturnos. Poucos membros permaneciam ativos até de madrugada, o próprio Al Capone havia conseguido dormir e derrotar a sua insônia por pelo menos uma noite. Um silêncio profundo cobria a região, a base permanecia tão nefasta que chegava a trazer um ar mal assombrado. Era improvável encontrar alguém por ali.
Por volta das quatro da manhã o sereno cobria o teto das construções com uma fina camada gélida. Yoshiki e Jade preparavam-se para chegar ao seu consultório e abri-lo para mais um dia monótono de atendimentos. A moça estava vestida com roupas que a aquecessem do frio, seu cachecol cobria seu pescoço enquanto a trança caía de maneira delicada sobre seus ombros. Yoshiki foi até a porta de entrada, o calor do hálito quente saía da boca de Jade que apenas aguardava pacientemente que a porta fosse aberta e ela saísse logo daquele frio, mas antes que entrassem no consultório, o psicólogo virou-se para sua assistente e sugeriu:
— Não estou a fim de ficar trancado aqui dentro hoje. Quer dar uma volta?
— Que legal, poderemos encontrar mais vítimas se nós formos atrás delas! Pense bem, é mais fácil correr atrás de sua presa do que esperar que ela caia em sua armadilha! — respondeu Jade com um sorriso.
— Exatamente. Você é muito sábia, minha cara assistente. Venha, vamos nos divertir.
Jade e Yoshiki se afastaram dos limites da guilda até irem para fora das fronteiras, na floresta. Eles fizeram todo o caminho em silêncio, hora ou outra Jade tropeçava em algo, mas o Toxicroak a ajudava a não cair antes que ela se esborrachasse no chão. Jade tropeçou em um galho novamente, e quase veio a machucar-se se não fosse pelos braços do homem que a puxou para mais perto de si. Quando seus rostos chegaram bem perto, era possível sentir o cheiro doce soprar em sua direção, o hálito quente, um olhar intenso.
Jade desviou-se com um sorriso e falou:
— Já percebeu que mesmo quando não quer ajudar as pessoas, você acaba ajudando-as?
— Não é essa a minha intenção — respondeu Yoshiki. — Eu gosto de vê-las sofrer, sinto uma sensação incrível quando pratico o mal. Keh, heh, heh...
— Eu sei, e eu adoro isso. Estamos sempre aí, vivendo acontecimentos novos e compartilhando gostos parecidos. Mas quando nós praticamos o bem juntos, eu também me sinto bem. Consegue entender?
Yoshiki permaneceu sério, caminhando mais adentro da floresta. De repente, ele notou que o joelho da moça sangrava um pouco após o tropeço. E Jade sabia que quando o homem via sangue, seus pensamentos tornavam-se turvados.
— Eu não quero ser o bonzinho da história, e não vou ser. — disse Yoshiki com uma mudança repentina em sua voz. — Vou provar para você com o primeiro azarado que cair em minha teia, Jade.
— N-Não, Yoshiki, não foi isso que eu quis dizer! Espere!!
Foi muito de repente que uma gratificante caminhada pela manhã começaria a transformar-se em um verdadeiro pesadelo.
A moça seguiu os rastros do companheiro até um local que revelou-se uma bela e suntuosa mansão. Yoshiki estava escondido sobre alguns arbustos, encarando de longe a figura de uma sombra, de pé sobre o portão de entrada. Assim que Jade o alcançou ela veio a tropeçar. O psicólogo pediu silêncio, mantendo um sorriso sinistro no rosto.
— Lá está a minha vítima.
— O que você pretende fazer? Não pode simplesmente sair por aí desejando fazer o mal aos outros!
— Prefere que seja com você então? — sorriu ele, apontando a faca em direção da moça.
Jade segurou na ponta da faca com ódio e raiva. O objeto cortou um pouco da pele da moça antes que Yoshiki se assustasse com aquilo e recuasse a arma.
— Por mim não há problema. Você deve controlar esses seus desejos por causar dor aos outros, Yoshiki. Nossos companheiros da Fire Tales não ficarão nem um pouco felizes se você causar um mal proposital a qualquer membro da equipe. Imagine como será no campo de batalha de verdade? Você nunca participou de uma guerra realmente grande, e esse seu fascínio por sangue ainda irá matá-lo algum dia.
— Não tenho medo de morrer — ele respondeu, e saiu da moita para atacar sua primeira presa.
Jade abaixou os olhos entristecida, vendo seu melhor amigo distanciar-se.
— Você ainda colocará pessoas que ama em perigo, Yoshi-kun...
Yoshiki corria em direção daquela mansão de altas muralhas, sussurrando bem baixinho para si mesmo.
— E-Eu preciso causar dor, é uma necessidade. Compreenda, Jade. Não tente me impedir.
Yoshiki corria pelas sombras enquanto Jade tentava acompanhá-lo, mas a neblina ainda era muito espessa e o frio impedia que ela se movesse depressa. De repente, houve um estalo. Duas espadas se encontraram e o barulho de lâminas e metal percorreu toda a floresta. Ela só parou quando pôde ver Yoshiki em sua frente, encarando um homem imenso, velho e de aparência robusta.
Era o senhor Atros que mantinha a vigília da mansão de Milady, e ele percebera eu naquele instante mesmo que encarasse um parceiro de equipe, tinha em sua frente um inimigo. As vestes do velho Atros não eram apropriadas para o frio, e mesmo assim ele parecia manter uma pose rígida e centrada. Ora ou outro ele tossia, mas era claro que o homem tentava abafar o som para que ninguém o ouvisse o reclamasse. Jade encolheu-se atrás de Yoshiki quando viu o defensor, pois raramente eles tinham se visto na base. A moça sempre tivera medo dele.
Para o oriental, ele tinha acabado de encontrar sua vítima naquele instante.
— Ora essa, o que um senhor velho e debilitado faz na rua a esta hora da manhã? — caçoou Yoshiki.
— O senhor velho e debilitado mantém a proteção de sua guilda e de suas vidas, garoto. Não precisa agradecer — respondeu Atros de maneira irônica, o que fez Yoshiki interessar-se ainda mais naquela conversa.
— Interessante. E o que obriga o senhor a permanecer de pé neste frio todas as manhãs? Você é pago por isso? Recebe alguma contribuição?
O velho Atros permaneceu quieto e de braços cruzados. Tossiu duas vezes antes de limpar o nariz com um dos braços gélidos. Estava bem frio, e nem mesmo o grandioso Atros poderia enfrentar a natureza. Yoshiki continuava a interrogá-lo, o que parecia não agradá-lo.
— Por que o senhor não foge? Por que continua aqui defendendo a guilda de pessoas que mal têm conhecimento do que você faz? Juro que até este exato instante eu nem sabia de sua existência! Pense comigo, meu caro senhor, sua presença é tão desnecessária que nem mesmo nós o conhecíamos.
— Crianças... — o velho tossiu, o que mais parecia ser uma risada. — Vocês acham que o mundo gira em torno apenas dessa cabecinha minúscula que possuem. Há muitas outras forças na ativa, forças que cooperam para a existência e para o fim dela, dando uma continuidade necessária no ciclo sem fim da vida.
O velho tossia, mas tentava manter-se em silêncio apenas por ignorá-lo. Atros, que percebeu que permanecer quieto não o manteria afastado, resolveu falar:
— Não preciso receber um agradecimento por tudo que faço. Eu simplesmente faço, essa é minha função, é a minha funcionalidade nesse mundo. Eu protejo as pessoas porque gosto — respondeu o guarda. — E você, meu caro? O que está procurando? Quer magoar alguém? Por que não procura alguma criança da sua idade para brincar?
— Então você quer brincar comigo, senhor? — respondeu Yoshiki, sacando um de seus canivetes e erguendo-o em direção do homem.
Os reflexos de Atros eram tão rápidos que antes mesmo da luta começar ele notou o fato do oriental estar armado. O grandioso Lairon o imobilizou com um soco, mas Yoshiki ainda foi capaz de fazer um corte profundo no braço esquerdo do guerreiro antes de cair. Atros afastou a faca para longe e prensou o Toxicroak contra o chão, prendendo o pescoço de Yoshiki com mãos de ferro que o sufocavam. Jade soltou um grito de preocupação enquanto o oriental se movia, impossibilitado de se defender.
— Este velho aqui não gosta de brincadeiras, garoto. Muito menos de crianças que tentam agir como adultos.
— Keh, heh, heh, heh!! — gemeu Yoshiki em voz alta, diminuindo seu tom de pouco a pouco. — Keh, heh, heh... Acho que agora encontrei um adversário a minha altura... Diga-me, velhote, o quanto de dor você consegue suportar?
Yoshiki foi capaz de abrir seu kimono e retirar dois facões de dentro dele, e com movimentos ágeis Atros teve de soltá-lo para não ser atingido. A testa do rapaz pingava sangue, escorrendo até a boca e dando-lhe uma sensação prazerosa de dor. Jade segurou em umdos braços de seu amigo e gritou:
— Yoshiki, pare!! Você está indo longe demais!!
— E-Eu preciso... Eu quero... Matar.
Ele avançou com velocidade, e em meio aos seus movimentos ágeis e pulos Yoshiki tentava golpear o grande Lairon com seus facões. Atros defendia-se com sua armadura pesada, e apenas com as próprias mãos ele conseguia quebrar um canivete. Ele já sabia como lidar com a dor há muito tempo, mas era humano, e aquilo o enfraquecia. Num pulo ágil, o Toxicroak partiu em sua direção, pretendendo cortar-lhe a cabeça, mas Atros interceptou o facão com um dos braços e encarou os olhos enlouquecidos do psicólogo.
— Você sabe que isto não é um brinquedo, não? Eu acredito que as armas brancas são as piores de todas. Elas podem cair nas mãos de qualquer um, seja um assassino ou um jovem. Para mim não há diferença diante daqueles que tentam provocar ou, de fato, provocam a morte. Todos eles são assassinos, incondicionalmente — disse Atros.
Yoshiki afastou-se num pulo, ainda segurando seu facão enquanto o velho Atros permanecia sério em sua frente. O homem parecia muito cansado por conta da idade, tanto que ele já não era capaz de acompanhar o ritmo dos mais jovens. Mas se dependesse de seu orgulho por proteger aqueles que amava, Atros parecia ser capaz de continuar ali sem descanso por mais incontáveis anos.
Jade caiu de joelhos em frente de seu amigo e lamentou:
— Pare com isso! Ele é um senhor, não o machuque!
Atros parou, e por um momento ficou ofegante. Yoshiki percebeu que seu oponente abria uma brecha em sua defesa, mas sequer precisou ataáa-lo. O velho homem estava apoiou os braços sobre seu joelho, parecendo ficar tonto. Yoshiki ergueu o rosto e perguntou:
— Algum problema? Ainda não terminamos nossa luta, eu só vou parar quando sentir seu sangue escorrer.
O mal estar de Atros pareceu continuar, e dessa vez ele tossiu com mais intensidade, cuspindo sangue no chão. Yoshiki assustou-se com aquilo, e Jade se surpreendeu ainda mais.
— O que você fez?! — gritou ela.
— E-Eu não fiz nada, eu mal consegui acertá-lo!
Atros continuava tossindo e cada vez mais sua tosse parecia vir das profundezas de sua garganta. Yoshiki guardou sua espada e foi em sua direção, preocupado. O frio parecia ter afetado a saúde do velho que já não estava em seus melhores dias de vida. Jade apoiou nos ombros de Atros e perguntou:
— Senhor, senhor!! Você está bem?
— Sim, eu estou... Vamos ter que acabar com a brincadeira por hora, eu preciso... eu preciso... Continuar a minha vigilância.
Atros ergueu o rosto, procurando manter a posição de honra e respeito que sempre impunha. Yoshiki coçou a cabeça, um pouco confuso.
— O senhor certamente não está bem. Eu sou psicólogo, e não sei nada de medicamentos, mas acho que tem alguém nessa guilda que saiba fazer alguma coisa. Não acha que seria melhor o senhor dar uma olhada nesse seu temperamento e essa sua saúde? De repente faz mal ficar aqui fora nesse frio todos os d...
— Não preciso tratar de minha saúde — respondeu Atros com a voz grossa, voltando a tossir com intensidade o que assustava Jade cada vez mais. — Um guerreiro como eu não precisa de ajuda. Vão embora, por favor.
— Deixamos nossa batalha para depois? — perguntou Yoshiki.
— Vai ter que ficar para depois, sim. Bem para depois... Bem para... depois.
A pele de Atros começou a perder cor, e encostando a cabeça no portão logo atrás o corpo do segurança despencou na parede, caindo inconsciente no chão como uma estátua de mármore. Ele havia acabado de desmaiar, o que fez Jade e Yoshiki entrarem em pânico. Nem mesmo todo aquele sangue teria feito Yoshiki enlouquecer, pela primeira vez ele sentia-se preocupado com alguém. Jade estava em desespero.
— O que devemos fazer, Yoshi-kun?!!
— Eu não sou médico! Como espera que eu o ajude?
— Dê um jeito, você sempre dá um jeito! Por favor, nós causamos isso, precisamos ajudá-lo!
Yoshiki olhou atentamente para o corpo de Atros despencado no chão, e unindo todas as forças em seus músculos tentou levá-lo para seu consultório que não era tão longe dali. Até mesmo Jade fizera questão de ajudá-lo, os dois conseguiram erguer o corpo do soldado e depositá-lo sobre uma maca enquanto tentavam reanimá-lo e protegê-lo do frio que fazia lá fora.
Jade ajudou seu parceiro com o que fosse possível, ela não era uma mulher de sentar e apenas gritar quando a dificuldade se aproximava. Juntos eles faziam o possível para deixar a situação sobre controle.
— Ele bateu a cabeça quando caiu, isso não é bom... — alertou Jade.
— E perdeu muito sangue aquela hora, com a tosse. Verifique a respiração e pulsação... Eleve as pernas da vítima a uns vinte ou trinta centímetros. Essas medidas facilitarão o fluxo de sangue para a cabeça.
— Certo — correspondeu a menina. — Vou afrouxar as roupas também. Precisamos mantê-lo aquecido, o frio deve ter piorado o estado de saúde do senhor Atros!
— E presumo que ele já estivesse doente há um bom tempo... O que esse velho tem na cabeça em não procurar ajuda?  Olha só pelo que estamos passando agora...
Uma hora se passou até que o velho Atros desse sinais de melhora.
O homem notou imediatamente que estava longe de seus equipamentos e armaduras. Era raro vê-lo sem seu elmo de ferro, ele tinha uma expressão cansada e envelhecida, seus músculos ainda eram resistentes embora sua pele fosse toda coberta por cicatrizes de batalha. O homem virou o rosto, vendo que Jade estava sentada sobre o tatame no chão do consultório, observando-o com atenção, e agora, mais aliviada.
— Onde eu estou? — perguntou Atros com a voz cansada.
— Em nosso consultório. Não se preocupe, o atendimento aqui vai ser de graça. Nós não pudemos levá-lo para as Casas de Cura porque era muito longe, então tentamos tratá-lo aqui mesmo.
— Vocês me tiraram de minha vigília... A senhorita Milady está desprotegida... Eu preciso voltar.
Ao terminar de falar, Atros voltou a tossir. Jade trouxe-lhe um copo d’água antes de voltar e sentar-se.
— Se eu fosse o senhor, tentaria descansar... Há quanto tempo você não tira uma folga? Sua saúde está péssima, o senhor não se importa com seu próprio estado de espírito?
— Eu preciso proteger os outros... — respondeu Atros.
— Mas antes deve proteger a si mesmo — ela respondeu com a voz preocupada, o que finalmente fez com que o guerreiro repensasse em suas ações nos últimos dias.
Yoshiki acabara de chegar com mais algumas bandagens e remédios em mãos. Por mais que ele fosse um psicólogo, cuidar de um velho teimoso como Atros já deveria ser uma verdadeira terapia para ele. Yoshiki sentou-se junto de Jade antes de falar:
— Procurei falar com a Milady e o Isaac, avisei para eles de seu estado de saúde.  Eles estão na sala logo aqui ao lado, e muito preocupados... O senhor não está nada bem... Digo isso porque acho que a idade finalmente lhe alcançou.
— Já não tenho o mesmo corpo de antigamente... — respondeu Atros um pouco magoado, olhando para sua aparência nos reflexos de um vidro ali perto. Estava velho, mais do que tinha notado.
Yoshiki acenou compreensivamente.
— Sim, infelizmente nosso corpo envelhece sem o nosso consentimento. É melhor o senhor começar a tomar alguns cuidados daqui para frente.
— Por minha causa minha senhora teve de levantar-se cedo da cama... Ela odeia acordar cedo, ainda não é hora da senhorita Milady acordar... Por minha causa a senhorita vai...
— Ei!! — gritou Jade de maneira séria, segurando no rosto do homem.  — Pare de preocupar-se com o que os outros vão pensar! Você está doente, e não estava se cuidando! Tivemos sorte de encontrá-lo essa amanhã, já pensou o que teria acontecido se você desmaiasse enquanto defendia nossa guilda? Você poderia estar morto se ninguém o visse!
Atros abaixou a cabeça, um pouco pensativo. Quando ele se recuperou, Yoshiki permitiu que Isaac e Milady entrassem no consultório. Milady realmente estava frustrada com o ocorrido.
— Senhor Atros, o senhor têm conhecimento de que graças à sua saúde debilitada eu fui despertada de meu sono?!
Miladu parecia realmente não importar-se com aquilo, e por um instante Jade e Yoshiki perceberam por que ele era um guerreiro tão devotado e preocupado com a mulher, a única herdeira da família pela qual dedicou toda sua vida. Tudo que o velho podia fazer era acenar a cabeça e desculpar-se.
— Me desculpe, minha senhora...
Mas nesse instante, Milady ajoelhou-se ao lado de Atros e abraçou-o, o que causou certo espanto em todos. Ela chorava, o que foi bem inesperado para todos, até mesmo para seu marido. Milady podia sempre ser uma mulher mandona e autoritária, mas ninguém estava com ela há tanto tempo quando velho Atros. Ele a conhecia melhor do que ninguém, e era parte de sua família.
— ...E já pensou o que poderia ter acontecido com o senhor? Não me preocupe desse jeito, senhor Atros, não há sono ou bem material nesse mundo que seja mais importante do que sua saúde... Por favor, nunca mais me assuste desse jeito.
O velho Atros pareceu corar, e quando ergueu as mãos para abraça-la, Milady afastou-se com a língua de fora.
— Blergh, agora chega dessa cena romântica, daqui há pouco você vai me passar essa sua gripe! Só tente não morrer de novo, tudo bem?
Isaac sorriu, agradecendo a ajuda de Jade e Yoshiki com tudo aquilo.
— Vamos cuidar do senhor Atros, agora. Muito obrigado, meus amigos... Vocês cuidaram de um membro de nossa família, terão nossa eterna gratidão. Sintam-se bem vindos para visitar-nos quando bem desejarem.
— Ei, velhote. Não vai levar ao extremo essa sua vigilância, hein — Yoshiki riu.
— Eu continuarei protegendo minha senhora, não posso deixar a mansão desprotegida. Ao menos, garanto que irei me cuidar... Obrigado pela batalha, garoto.
Atros levantou-se e saiu do consultório do psicólogo para retornar aos seus deveres. Pelo menos Isaac e Milady agora ficariam mais atentos à saúde do velho, que por ser teimoso com toda certeza continuaria no frio do lado de fora em sua vigília incessante. Quando eles se distanciaram, Jade voltou-se para seu companheiro e lhe falou:
— Espero que ele fique bem...
— Aquele velhote deve proteger essa família há pelo menos uns 40 anos... Não duvido que ele passe os próximos 50 no mesmo estado. Keh, heh, heh...
— E, sabe de uma coisa... Eu sei que você perde o controle quando vê sangue, mas no fim das contas, nossas consultas sempre trazem um bem para os outros. É aquela velha história, mesmo não querendo ajudar, nós acabamos ajudando...
— É... Acho que essa é a minha maior dor... De tanto que eu desejo causar dor aos outros, acabo não conseguindo. E a consequência é vê-los... felizes... Quer algo pior? Eu odeio esse trabalho.
Na noite seguinte, lá estava o velho Atros, robusto e revigorado. Sua doença não parecia ter melhorado, ele ainda tossia, e a lição que tivera na manhã passada não havia lhe adiantado muito. Porém, ao escurecer, ele pôde ouvir alguém aproximar-se. Era Isaac, que trazia consigo um violino, uma manta e uma cadeira.
— O que seria isso, meu senhor? — indagou Atros.
— Já é o suficiente. Deixe que eu assumo a vigilância esta noite. Por hora, descanse. O senhor merece esse descanso há muito, muito tempo...
Isaac colocou a cadeira ao lado de Atros, colocando-o para sentar-se, cobrindo-o, e começando a tocar uma doce melodia tranquilizante.
Era possível ouvir o barulho de alguma lâmina sendo afiada ali perto, e logo acima, em uma árvore, Jade estava junto de Yoshiki que afiava sua faca. Todos ali se deleitavam com a melodia de Isaac naquela bela noite.
— Essa música é tão linda... Ela me dá sono — disse Jade ao bocejar.
— Ei, Jade. Viemos aqui para ficar de olho no velho, mas parece que nossa missão terminou. E agora? — perguntou Yoshiki.
— Podemos dormir aqui juntinhos? Só um pouco... Estou tão confortável aqui em cima de você...
— Mas se nós dois dormirmos, iremos cair em cima da árvore. E pode apostar, isso vai machucar bastante.
— Não tem problema, só não quero perder esse momento por nada.
Jade deitou-se no colo de Yoshiki enquanto lentamente os dois adormeceram e a faca foi escorregando pelas mãos do rapaz. O velho Atros tinha a cabeça baixa, mas era impossível dizer se ele ouvia a música ou já adormecera debaixo de seu elmo de ferro. Mas, dessa vez, com o sentimento de que teria alguém para acompanhá-lo.

{ 2 comments... read them below or Comment }

  1. Num é que se alguém der um ctrl+F na página vão achar meu nome (sem ser pelo fato de que, chato como sou, comento em praticamente tudo kkk)? Provavelmente eu não devia, mas estou me sentindo O fodástico agora! kkkk!
    Nó, o Atros, aquela máquina de destruição gigantesca e poderosíssima, atrás de seu elmo de ferro (forjado pelo melhor ferro celestial), há um velhote cabeçudo. Who would have gessed? kkk!
    Mas adorei. Há tanto lado bom no químico (não esqueci do prof. de quim) destruidor sanguinário Yoshike, quanto no homem de ferro que destrói tudo com um simples sopro. kkk!
    E será que teriam mais lutas entre Atros e Yoshi-kun? Talvez uma batalha entre Dawn e Luke? Sei lá por que eles batalhariam entre si, talvez por DRs. Who knows? kkk!
    É, me despeço todo felizão de meu nome estar em algum lugar (não exite em fazer isso mais, Nicolete! kkk) e ansiando por sexta fodástica. Que será que vai acontecer? E vai ser sexta mesmo? Custa nada perguntar, né? kkk!
    Então, adieu,
    Moacyr.

    ReplyDelete
  2. Rapaz, e você lembra quando me fez esse pedido? Foi em um comentário normal em Janeiro de 2013, no primeiro episódio do Doctor Knife. Você sugeriu que seria interessante ver um com o Atros, e veja só o resultado! Demorou só 8 meses, mas veio kkkk Essa é a graça de ser leitor e escritor. Leitor por nunca saber quando você será surpreendido, e escritor por levar em conta cada pequeno detalhe que as pessoas comentam. É triste quando a pessoa que pediu acaba esquecendo ou ignorando aquilo que fizemos para ela, mas mesmo essas pequenas participações é divertido de se trabalhar, é uma pontinha de cada um que fica presente aqui no blog.

    E o pior é que esse enredo será bem importante cara. Pode parecer só um Support comum, mas abrimos espaço para algo que nunca tinha sido visto envolvendo o senhor Atros: Uma parte frágil. Ele é como qualquer outro velho de idade, e o tempo não está sendo nada gentil com ele... O que foi só uma gripe agora pode se tornar algo pior, muito pior, e posso apostar que quando tudo terminar vocês se lembrarão bem dessa pequena doença que veio de mansinho, mas no fim das contas sempre resulta em algo complicado... Vou juntando pequenas sugestões e encaixando cada coisa em algo que será importante no futuro. Os Supports parecem ser desnecessários, mas eles constroem muito bem a personalidade dos Pokémons, e faltar com eles é como pular um pedaço da história, aquela parte dos Extras que é a mais legal kkkk

    Mas enfim, fico feliz que tenha gostado cara, e principalmente por ter tido a paciência de aguardar kk Acho que nessa sexta ainda consigo lançar o Volkner, isso se meu Pikmin 3 deixar, porque agora que comecei a jogar pra valer meu Wii U até me desconectei de Sinnoh kkk Qual é, a gente também precisa de um tempinho para ter novas ideias! E sinto que voltarei com um monte delas kk See ya.

    ReplyDelete

- Copyright © 2011-2017 Aventuras em Sinnoh - Escrito por Canas Ominous (Nícolas Eroles) - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -