Burning Love (Capítulo 2)


CAPÍTULO 2
Um Desconhecido em Minha Vida

O sol anunciava a chegada da manhã na pequena cidade de Littleroot, a tempestade da noite passada agora se tornava evidente nas diversas folhas caídas em volta das ruas, algumas poças de água cobriam os buracos naquela pequena cidade do campo. Littleroot nunca fora muito visitada, seus moradores eram pessoas simples e em sua maioria apreciavam a vida tranquila, a cidade só tinha seu auge durante a temporada do início da aventura de novos treinadores. O laboratório tornava-se lotado e Littleroot parecia nem sequer suportar a demanda de habitantes, mas essa época do ano já havia passado, e tudo que permanecia naquela manhã era ao silêncio e a tranquilidade.
Uma pequena casinha de madeira começava a exalar fumaça de suas chaminés, um canteiro de flores decorava o ambiente que se tornava simples e gracioso por alguns Pokémons que perambulavam nas redondezas. Os raios de sol transpassavam pelas persianas da janela que por algum motivo estavam abertas, de modo que um garoto acordasse ainda sonolento pela claridade do cômodo. 
Havia uma pequena cama forrada com gravetos e folhagens secas em um canto do quarto, lá jazia um Mudkip que dormia calmamente de barriga estufada. Era o Pokémon inicial que o garoto adquirira, embora ainda não tivesse iniciado sua jornada pela região. Ele preferia ficar mais alguns anos estudando antes de sair em uma aventura, de modo que seu grande sonho não fosse ser um mestre Pokémon, ou então um Top Coordenador. Era algo diferente...



Aquele jovem levantou-se e ficou por um tempo sentado em sua cama enquanto encarava a janela aberta, aquela maldita claridade o acordara mais cedo do que o normal.
— Eu dormi com a janela aberta...? — resmungou o garoto, levantando-se da cama e andando em direção da janela para olhar a paisagem.
Havia uma grandiosa árvore erguendo seus galhos entortados por cima da pequena casa de madeira, fornecendo sombra e abrigo para Pokémons e suas famílias. O garoto deu um leve sorriso enquanto observava aquela cena, podia ouvir ao longe o canto de alguns Taillows, do mesmo modo que Zigzagoons escondiam frutos em buracos. Em seguida, o jovem logo se virou para poder trocar de roupa e começar mais uma manhã cansativa.
No momento em que passava ao lado de sua cama o garoto pôde ver de relance uma linda moça deitada, quase que escondida, em meio aos espessos cobertores de cor vermelha. Ele arregalou os olhos parecendo não acreditar no que via, e nem como não havia notado a noite inteira que alguém estava deitado ao seu lado. O garoto saiu de seu quarto e chamou por sua mãe aos berros:
— Mãe?! Por quê tem uma mulher deitada na minha cama?! — perguntou o garoto assustado.
Ele desceu as escadas rapidamente, mas ao passar próximo da geladeira pôde ver de relance uma folha de caderno com a caligrafia de sua mãe:

“Estou na feira, volto antes das onze!
Beijos querido, Mamãe.”

O garoto parecia perplexo ao ver tal comunicado. Subiu as escadas e deparou-se com a moça que continuava deitada sobre sua cama. Ela parecia muito cansada, não ligava nem para a forma como estava vestida, de modo que algumas de suas roupas antes molhadas agora estivessem quase que espalhadas pelo cômodo. O garoto aproximou-se de Courtney e tocou em seu ombro na tentativa de acordá-la, de modo que ela se levantasse lentamente como alguém que de tanto dormir continuava com sono.
— Senhorita, senhorita... Você está bem? — perguntou o menino.
Courtney abriu seus olhos e então ficou sentada sobre a cama encarando o garoto. Aquela mulher vestia roupas muito estranhas que o menino nunca havia visto antes, de modo que ele logo chegasse à conclusão de que ela poderia estar de ressaca após uma noite de festas.
— A senhorita está bem? Por acaso sabe onde está? — perguntou o menino.
— Sei lá, estou com um pouco de dor de cabeça... — respondeu Courtney.
— Como é que você entrou aqui? Quero dizer, você estava bêbada ou coisa do tipo? Parece que todas as suas roupas estavam molhadas, você estava lá fora na chuva de ontem?
— Eu tenho cara de drogada pra você? — questionou a mulher de forma ignorante quase que assustando o menino.
— E-Eu só queria saber como foi que você entrou no meu quarto. Não e normal acordarmos e nos depararmos com um estranho dormindo do nosso lado. — disse o garoto.
Courtney manteve-se quieta por um momento, parecendo tentar associar onde estava naquele momento. Ela podia notar agora que havia dormido no quarto de uma criança, apesar da noite turbulenta ela deveria continuar seu caminho e completar sua missão para finalizar aquela tarefa o quanto antes. Brendan colocou-se na frente de Courtney e sentou-se ao lado dela na cama.
— Posso perguntar o seu nome?
— Não é da sua conta. — respondeu Courtney de modo ignorante.
— Bom, eu posso te indiciar por invasão de propriedade e por ter entrado em minha casa sem minha permissão vestindo roupas estranhas, depois eu também posso dizer que você estava bêbada e tentou me assediar, e então você iria direto para a cadeia.
— Que garotinho esperto. — sorriu Courtney — Mas estou de saída, entrei aqui à procura de uma pessoa, mas acabei adormecendo. Estou em uma missão importante, então não vou te contar meu nome, garanto que você nunca mais vai ouvir falar de mim.
— Ahh... Acho que entendi. — comentou o menino.
Courtney espreguiçou-se e andou pelo quarto juntando suas roupas até tropeçar no Mudkip que dormia calmamente. O Pokémon soltou um rápido grito e correu para o colo de seu dono, Courtney nem parecia ligar. Ela não gostava de Pokémons, especialmente aquáticos. Mudkip era muito inofensivo e não gostava de batalhar, mas por sorte seu dono não havia ficado zangado com a intromissão de uma desconhecida em seu domínio.
— Diga-me, esta é a casa do Senhor Brendan, não é? — o menino apenas assentiu — Você poderia dizer onde posso encontrar seu papai?
— Acho que há uma hora dessas ele deve estar chegando no ginásio em Petalburg, mas para que a senhorita sem-nome precisaria falar com ele?
— Estou em uma missão muito importante. É assunto confidencial. — disse ela indiferente — Pode me dizer a que horas o Senhor Brendan irá voltar?
— Ah... Acho que você cometeu um engano, meu pai não se chama Brendan. O nome dele é Norman. Eu sou o Brendan.
Courtney arregalou seus olhos e pareceu recuar por um momento. Sua missão estava realizada, e bastava um movimento simples para matar o garoto. Mas deveria haver um engano. Por que seu líder Maxie ordenaria que a moça matasse uma criança? Uma pessoa inocente. Aquilo estava completamente longe de tudo que poderia ser compreendido, mas pudera ela imaginar que acabara deparando-se justamente com o garoto.
— Algum problema? A senhorita parece assustada...
— E-Eu não imaginava que você fosse o Brendan.
— Verdade, né? Esse nome não combina comigo, parece nome de gente mais velha. Minha mãe falou que queria que meu nome fosse Ruby, mas daí meu pai falou que era muito feminino e tudo mais. Então ficou Brendan mesmo. — comentou o garoto com toda sua inocência.
Courtney sentou-se sobre a cama novamente enquanto encarava o nada.
— Nossa, eu não esperava por essa...
— Bom, a senhorita precisa falar algo muito importante com o meu pai, não é? Quer deixar recado?
Courtney olhou para o rosto de Brendan e por um momento sentiu tristeza. Suas sobrancelhas estampavam a preocupação evidente, ela simplesmente levantou-se, pegou suas coisas e pulou a janela sem dizer mais nada. Brendan se pôs a observar a mulher que corria rapidamente. Aquele encontro fora muito estranho, mas deparar-se com um acontecido como aquele deixava Brendan ainda mais entusiasmado para descobrir quem aquela mulher realmente era.

Courtney não parou de correr até que alcançasse uma distância razoável daquela cidade. Ela então se sentou sobre uma pequena pedra e se pôs a descansar um pouco, apoiando sua cabeça sobre suas mãos que não acreditando se seu chefe realmente lhe designara a tarefa correta.
— Deve haver algum engano... — suspirou ela, lançando seu Swellow em seguida. A ave Pokémon já parecia ter descansado o suficiente para tornar a voar.
Courtney teve seu pássaro em cima de seus ombros e em lhe deu uma nova ordem:
— Eu preciso que você voe até o Senhor Maxie e peça para ele confirmar o nome do homem que deve ser morto. Imagino que ele tenha se enganado, não matamos crianças.
Swellow olhou para sua dona como se por um momento perguntasse: Como você quer que eu peça algo para seu Mestre se eu sou um Pokémon? Courtney suspirou e então abriu sua bolsa à procura de papel e caneta.
Revirando suas coisas ela foi capaz de encontrar um papel de contas rasgado e uma pequena caneta que já não parecia ser usada há meses. Courtney segurou o papel com frieza pensando em como iniciar sua carta, uma vez que não sabia nem ler e nem escrever com certeza.
— Argh, que ódio!! Como é que eu vou mandar uma carta para meu chefe se eu nem sei como escrever?
Courtney parecia revoltada, ela jogou tudo para dentro de sua bolsa e deixou Swellow acompanhá-la lentamente. A moça não parecia determinada a tomar qualquer providência contra uma simples criança, e por isso demorou muito até decidir qual caminho levar.
Courtney odiava chamar atenção, mesmo que Littleroot fosse pouco movimentada suas roupas chamativas eram o suficiente para atrair a atenção de muitas pessoas, embora nenhum deles parecesse conhecer quem eram os Magmas. Courtney lançava um olhar mortal para cada homem que a olhava, não demorou para que ela perdesse o controle e logo procurasse o local mais longe possível para abrigar-se.
A moça não ligava para os Pokémons nem para as poucas crianças que passavam por aquela região próxima de uma escola. Ela apenas deitou embaixo da árvore e permaneceu mergulhada em seus pensamentos por um tempo. Seu Swellow voava entre os galhos da árvore para colher berries e poder alimentar-se, a ave tentava ajudar sua dona, mas ela continuava tampando seu rosto como se não quisesse pensar em mais nada. Courtney permaneceu sem sequer mexer-se por algumas horas, ela tampava seu rosto com os braços e permanecia calada.
— Oi. Você é a mulher de hoje de manhã. — concluiu um garoto.
Courtney abriu seus olhos ao relembrar daquela voz. Era Brendan quem estava ao seu lado novamente, mas agora ele usava um par de óculos e tinha uma mochila em suas costas. No ombro do garoto estava o mesmo Mudkip que mantinha um olhar assustado para Courtney, aquele Pokémon era realmente muito estranho. Brendan deu um leve sorriso e ajeitou sua mochila. Parecia que ele estava voltando da escola agora.
— Não é legal para a imagem de uma mulher delicada como você ficar deitada desse jeito. — comentou Brendan um pouco sem graça.
— Eu não ligo. E eu não sou delicada. — respondeu ela rudemente.
Brendan deu um leve sorriso e logo se sentou ao lado de Courtney que de certo modo pareceu um pouco incomodada. Ela se mexia a toda hora e tentava evitar olhar nos olhos do garoto.
— Acho que não nos apresentamos adequadamente. Meu nome é Brendan Vallentin, e desculpe aquela hora por ter ficado assustado com a sua presença. É que eu não estou acostumado a acordar com alguém do meu lado! — disse ele, seguido de uma risada — Posso sabe ao menos o seu nome, senhorita indelicada?
Courtney olhou para o garoto por um momento como se não sentisse problema algum em conversar com sua vítima.
— Meu nome é Courtney. Acho que só Courtney mesmo, nem sei se tenho sobrenome.
Brendan deu um leve sorriso.
— Por que hoje de manhã você saiu correndo sem dizer nada? Eu fiquei preocupado, pensei ter feito algo ruim que a assustou.
— Eu sou assim, é coisa de mulher, você deve saber.
— Até hoje eu não consigo entender as mulheres, e também acho que nunca vou ser capaz de compreendê-las. — sorriu.
Courtney manteve-se calada por um momento até que decidiu perguntar:
— Não é por nada garoto, mas quantos anos você tem?
— Completei quatorze no início do ano, Senhorita.
— Quer fazer o favor de parar de me chamar de Senhorita? Eu sou nova, tá bom? Não tenho idade para ser senhora nem nada.
— E quantos anos a Senhorita teria?
— Vinte e três. E essa foi a última vez que eu pedi para você parar de me chamar de Senhorita, na próxima eu acabo com você, garotinho.
Brendan deu uma leve risada e logo tirou seus óculos, levantando-se logo em seguida.
— Courtney é um nome muito bonito. Posso te chamar de Courtty?
— Qual é a sua garoto? Acha que sou sua amiguinha?
Os dois ficaram quietos por um momento, mas era evidente que aquele tempo todo Brendan só tentava ser educado, embora Courtney fosse sempre arrogante e ignorante.
— Tá bom, chama do que você quiser.
— Você é engraçada. — brincou Brendan, recebendo um olhar mortal da mulher — Esse Swellow escondida no árvore é seu?
Courtney levantou sua cabeça e pôde ver seu Pokémon observando sorrateiramente aquela conversa.
— É meu sim, mas eu só o uso como transporte. Não batalho muito.
— Onde você mora? Eu nunca a vi por essas bandas.
— Eu sou de Lavaridge. Eu estava aqui fazendo umas... coisas do meu trabalho.
— E vai ser uma longa viagem de volta para sua casa... Você está hospedada no Centro Pokémon? — perguntou Brendan.
— Não. Eu não tenho licença para utilizar o centro, não sou uma treinadora oficial.
— Então onde você está alojada?
— Ahh... Aqui mesmo.
Brendan olhou em volta e pôde perceber a área gramada em que Courtney estava deitada. Provavelmente ela pretendia passar a noite dormindo na grama, mas ele não queria nem imaginar como seria se voltasse a chover.
— Você está falando sério? — perguntou Brendan.
— Eu tenho cara de quem está brincando?
— E-Eu só tinha perguntado. É que se você não tem onde dormir eu poderia falar com a minha mãe para você ficar lá essa tarde até nós acharmos um lugar melhor. Você não quer vir?
Courtney refletiu por um momento, embora a ideia de ficar ao ar livre parecesse completamente normal, ficar uma noite perto de seu inimigo poderia lhe mostrar se ele realmente era perigoso. Em seguida, Courtney decidira aceitar a oferta.
— Pode ser, não tenho mais nada legal para fazer mesmo.
— Ah! Obrigado, Courtty-chan!
— Eu vou ter que ficar ouvindo você me chamar desse apelido ridículo até quando? Ah, quer saber, deixa pra lá...
Brendan acompanhou a mulher até que ela chegasse à casa do garoto. No caminho de volta ela parecia ser sua irmã mais velha, outras crianças perguntavam quem era a moça que acompanhava seu amigo, mas Brendan brincava ao dizer que a moç era na realidade uma espiã secreta da Liga Pokémon.
A mãe de Brendan já estava em casa, e ficou surpresa ao receber visitas de uma mulher tão bela e atraente. Sua mãe vestia um simples vestido e regava as flores do quintal no momento, havia pequenos Surskits perambulando pelas poças d’água, e ao lado da mulher um Lotad carregava vasos de flores.
— Olá, querido! Quem é essa linda moça? É sua professora? — perguntou a mãe do menino que jazia no jardim.
— Nem, mamãe. É minha amiga, era essa mulher que estava deitada na minha cama hoje de manhã! — respondeu Brendan.
— Não quer ser mais discreto? Aquilo foi um acidente. — resmungou Courtney.
A mãe do garoto logo se aproximou da mulher e acenou para ela amigavelmente, dando-lhe um abraço na sequência.
— Meu filho disse que havia uma linda mulher deitada na cama dele hoje de manhã, ele pensou que fosse uma princesa desacordada e ficou falando de você a manhã inteira.
— M-Mãe... Não precisa ficar contando essas coisas. — respondeu ele um pouco encabulado.

Courtney parecia surpresa. Já havia conquistado o coração do pequeno garoto. Não era a primeira vez que alguém a chamava de princesa, mas para qualquer mulher um elogio sempre é bem vindo.
— Que roupas são essas, querida? Você usou-as antes mesmo de estarem secas? Estão com um cheiro muito ruim. — disse a mãe de Brendan.
— É que eu só tenho essa. — respondeu Courtney.
— Oh, eu posso te emprestar uma! Por favor, não quer entrar? Tome um banho e depois fique para lanchar. Eu ficaria contente em receber a visita de alguém que meu filho gosta!
Courtney olhou para Brendan que tinha um grande sorriso em seu rosto, mas em seguida cedeu à proposta.
— Pode ser então... — respondeu.

Courtney entrou na casa de Brendan com certa insegurança. Poderiam eles ser espiões que estavam corrompendo sua mente para em seguida aplicar-lhe um golpe que tirasse sua vida? Aquilo era muito complexo para sua imaginação, pois era a primeira vez que alguém fora tão gentil para com a moça. Courtney aceitara a oferta, de modo que Brendan parecesse muito feliz em tê-la ao seu lado. Ele se sentia como se tivesse uma irmã mais velha que nunca tivera, enquanto Courtney se sentia uma idiota por estar sendo guiada por uma criança e passar por aquele vexame. Aquele pequeno garoto com toda certeza mudaria sua vida de forma nunca imaginada.


Bonna Party & Davy Jones [Semana R16]

Yo. Então, acredito que esse desenho tenha sido planejado à princípio para a Semana Ecchi, e eu fiz ele há tempos, faz muito tempo mesmo, tanto que se vocês olharem a data com atenção verão que eladata de Outubro de 2013, logo, já completou um ano que o desenho está aqui abandonado nas minhas pastas sem um uso específico.

A princípio eu queria trazer até vocês um Support Conversation que estrelasse os dois pilares dos Remarkble Five em um momento mais íntimo, ou talvez um especial que contasse mais sobre o passado de Jones e da Bonna. Conforme a Quarta Casa se aproximava, a ideia não vinha ou simplesmente tomava um rumo completamente esquisito e fora de hora. Bonna Party é uma das mulheres mais poderosas de Sinnoh, e arrisco dizer que ela fica atrás somente da própria Titânia. Quando a imagino junto de algum homem, parece que isso demonstra uma necessidade ou fraqueza por parte dela, não sei. Só sei que não rolou. O Support foi cancelado, e o desenho ficou aí. Eu só o postei agora porque estamos no clima dessa batalha, então lhes apresento como uma fanart do próprio autor. Se quiserem imaginar que algo tenha rolado entre esse dois, terei de deixar a imaginação de vocês trabalhar.

Pelo menos, a necessidade de escrever um Support  rendeu mais espaço para que eu trabalhasse com a Bonna, e nos próximos capítulos colocarei em cena a relação de mãe e filha sendo apresentada mais intensamente entre a Elba e Bonna. Acho que foi uma das histórias mais bonitas que escrevi nos últimos tempos, vai ser bem legal. Não adianta eu tentar introduzir algo sensual ou até mesmo cômico a essa altura do campeonato, e o Davy Jones é um personagem que gosta de fazer suas gracinhas, mas nessa fase final da história simplesmente não rolou...

Autor(a): Canas Ominous
Finalizado: 18 de Outubro, 2013
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 1600 x 1237
Tamanho: 1,51 mb
Marcadores: Davy Jones, Bonna Party, Tentacruel, Magmortar, Semana Ecchi, Remarkable Five, Pokémon Gijinka, shipping.

Notas: Esta arte teve como referência um dos desenhos de Shunsui e Nanao, da artista kara-lija, usuária do DeviantART.


Way to the Sea

Support Conversation (Mikau x Milena)
Gênero e Disclaimers: Romance;
TemaMilena recebe um convite de Mikau para  uma praia deserta,
onde ambos relembram alguns momentos marcantes de sua infância e se
redescobrem, como se se conhecessem pela primeira vez;
Notas: Este acontecimento faz referência ao começo da Liga Pokémon,
antes do início da Quarta Casa. Complemento do Capítulo 97.


Os fins de semana que antes eram tão animados e cheios de energia foram aos poucos perdendo o brilho e a ansiedade para que logo chegassem. Ao chegar em casa, Milena se deparava com a cama vazia e arrumada. Não havia nenhum sinal de que alguém estivera ali nos últimos dias, tudo continuava em seu perfeito lugar.
Ela não era o maior exemplo de manter seus pertences organizados, mas seu próprio ambiente não sofrera mais alterações. Passava a maior parte do tempo fora, vinha andando tão entediada que arranjara tempo para ajudar na limpeza de todos os outros dormitórios. Preparava os almoços, lavava os pratos, ajudava na manutenção da guilda e mantinha a mente sempre ocupada. Quando tinha uma folga longe de todas aquelas tarefas, voltava a ficar desamparada.
Não tinha muitos anseios de que o fim de semana logo chegasse.
Onde estaria Mikau, afinal de contas? Deveria estar treinando em algum lugar desconhecido, ou fazendo o que sempre fazia quando não gostava de ser perturbado.
As agitações da Liga Pokémon realmente afastara todos os membros da Fire Tales que não tinham mais tempo de rir e se divertir como antes, era comum que estivessem apreensivos. Milena sentou-se sobre uma cadeira que era acompanhada de uma mesinha de canto simples próxima à varanda, onde tinha vista do horizonte e, muito distante, o mar que tanto sentia saudade.
Foi então que a mulher avistou algo caído no chão. Um pequeno papel escrito às pressas. Devia ter sido empurrado pelo vento, uma vez que a janela estava aberta. Milena abriu-o depressa e percebeu tratar-se da caligrafia de Mikau:

“Estarei perto da costa leste pela manhã, se quiser aparecer.
Não estarei treinando. Não estou ocupado. Traga um lanche, se puder fazer essa gentil bondade para um homem necessitado Ainda estamos de mal um com o outro?.”

Um singelo sorriso formou-se no rosto da moça. Afinal de contas, ele ainda precisava dela.
Milena imediatamente começou a preparar o lanche que seu amado pedira, providenciando algumas coisas que fariam daquela experiência um singelo piquenique. Não era nada planejado ou antecipado, ela simplesmente aproveitou o embalo do fim de semana para tentar algo novo, como eles costumavam fazer. Nem mesmo se lembrava de quando fora a última vez que tivera um dia inteiro só com Mikau.
Ajeitou tudo em sua cesta e logo partiu. A caminhada até a praia não era longa, bastou alguns minutos tranquilos e lá estava ela, porém, o local parecia vazio. Será que o papel fora deixado ali há mais tempo do que imaginava? Às vezes aquela poderia ter sido uma mensagem de semanas, ou até meses atrás. E mesmo assim, iludida como uma criança, para variar. Por que algumas vezes sentia-se tão decidida e madura, enquanto em outras parecia que ficara presa no tempo?
Milena arrumou os óculos de sol no cabelo para enxergar melhor. Tudo que prevalecia era o som das ondas e a sensação da areia sob seus pés. O vento que batia trazia aquela sensação refrescante única, a praia não era encoberta por nenhuma outra parte do continente, ela tinha visão perfeita para a imensidão azul do mar, e por estar próxima ao domínio dos Fire Tales, eles haviam praticamente a tomado para si (uma atitude que provavelmente partira do próprio Mikau e sua mania de desejar ter tudo para ele, e somente ele). Uma belíssima praia particular.
Milena continuou olhando com atenção para os arredores, até que, para sua surpresa, pôde avistar Mikau sentado embaixo de alguns coqueiros.
Ele se refrescava na sombra da árvore com enormes blocos de gelo esculpidos em formatos de uma cadeira e mesa para apoiar suas coisas. Usava um par de óculos escuros que lhe eram familiares (era impressão dela, ou os óculos pertenciam à Aerus?); trazia ao seu redor dezenas de livros abertos e espalhados, devia ter uns dezessete, todos jogados no chão e cheios de areia com alguns insetinhos que inclusive passavam por cima deles, curiosos com toda aquela agitação.
A mulher subiu o pequeno morro em direção do rapaz pelas costas e apoiou-se nos joelhos, fazendo sombra em sua leitura.
 Te encontrei.
Mikau abaixou os óculos e encarou-a de baixo para cima, dando um sorrisinho de canto.
 Gostou? — ele apontou para os Blackglasses, que definitivamente eram de Aerus. Aquele idiota deve estar à procura dos óculos escuros a tarde inteira, e não vai ficar nem um pouco feliz quando souber que peguei emprestado sem pedir. Só por um tempinho.
Milena não pôde esconder o riso.
 Só você mesmo para fazer essas coisas...
— Eu estava querendo passar uma tarde na praia, e não estava nem um pouco afim de comprar alguns acessórios. Por favor, sente-se e fique à vontade. Está bem refrescante.
Ela depositou gentilmente a cesta em um canto, mas o atirador nem se dera conta de que Milena realmente trouxera um pouco de comida, talvez já tivesse se desacostumado a receber bondades, embora não custasse nada pedir.
A Milotic sentou-se no chão ao lado dele, pegando um dos livros que estavam jogados e procurando alguma marcação ou anotação.
 Já leu tudo isso? Há quanto tempo está aqui?
  Você sabe que odeio ler   Mikau respondeu, sem tirar os olhos das páginas finais de um livro de capa vermelha em suas mãos.
  Então o que está fazendo com todas essas coisas, exatamente?
  Lendo o final  ele respondeu, voltando a colocar seus óculos enquanto jogava mais um livro para longe.   É impressionante como podemos descobrir tanto sobre uma história só de ler as últimas páginas, não é? Com isso, devo poupar horas de leitura desnecessária.
  Ora, mas desse jeito você não se envolve com a trama, com os personagens... Se for para saber de finais felizes, é só imaginá-los   continuou Milena enquanto pegava dois sanduíches que preparara para seu piquenique.
Antes que pudesse entregar o lanche para seu companheiro, Mikau permaneceu sério por alguns instantes. Seu olhar continuava encarando o mar em movimento, e a brisa que batia continuava a emaranhar todas as folhas do oceano de livros ao seu redor.
É justamente isso que estou procurando.
— O que? Lanches?
— Dos finais felizes, Milena —o atirador continuou a falar de maneira séria. — Estou vendo quantas histórias têm um final feliz, e se a minha também tem chances de ter um.
A mulher desviou o olhar, pensando sobre aquela afirmação. Por mais que Mikau estivesse tentando afastar-se dos treinos da guilda, era óbvio que ainda pensava neles. E se não fosse o suficiente? E se não fosse capaz de proteger seus amigos, as pessoas que amava?  E se quando a hora chegasse, descobrisse que na verdade teria precisado treinar muito mais?
Balançou a cabeça, afastando todos aqueles pensamentos. Milena esticou a mão para ele e entregou-lhe o sanduíche.
— Eu tinha até esquecido que eu havia pedido para você trazer algo para comer. Estou morto de fome — disse Mikau. Milena apenas sorriu e ergueu os ombros, encolhendo-se como uma menininha tímida. Sabia exatamente do que ele gostava.
— Tenho a ligeira impressão de que estou engordando você — ela riu.
— Vai me comer no final? Que nem a bruxa da história de João e Maria? — Mikau riu maliciosamente. Pelo menos alguma coisa ele havia aprendido com as páginas finais daquela porção de livros.
— Vou pensar no assunto — Milena respondeu, maliciosamente.
O rapaz abocanhou o sanduíche, e por alguns instantes o silêncio voltou a reinar. Milena ainda ajeitava a toalha no chão e espalhava ali os sucos e comidas que trouxera a mais. Mikau continuava sentado em seu trono de gelo, observando-a de cima para baixo, onde tinha uma bela visão de seus peitos que eram presos pelo biquíni da mulher.
— Por que você veio? — afinal, ele perguntou.
Milena voltou a olhá-lo com certo ar de desconfiança.
— Bem, creio que você tenha me convidado. Eu vi o papel em cima da mesa.
— Eu tenho sido terrível para você nas últimas semanas. Eu a ignorei, não lhe dei atenção, eu sequer a cumprimentava. Estávamos bem afastados. Para ser bem sincero, eu até esperava que você fosse jogar o papel no lixo e continuar fazendo suas tarefas.
— Eu não tinha nada demais a ser feito hoje — Milena respondeu, ajeitando o cabelo e fingindo querer ignorá-lo. — Todavia, o que você disse é verdade, fico chateada que tenha tentado me evitar nos últimos dias. Mas como todos homens, sei que talvez você estivesse precisando de um tempinho para você. Muita coisa na cabeça, não?
— Definitivamente — Mikau apenas assentiu, sem conseguir olhá-la nos olhos.
Milena esticou as pernas num gesto provocativo. Percebeu que o rapaz a encarava de relance, mas Mikau permaneceu firme em sua cadeira de gelo, talvez ainda não se sentindo à vontade para ficar ao lado da parceira como costumava ficar.
— Como é que anda a vida? — foi a vez de Milena puxar assunto.
— Refere-se à guerra em que estou prestes a entrar, ou aos problemas banais?
— Rotina. O que fez ultimamente, o que conta de novo, quais as novidades além de ler finais de livro e olhar o mar — Milena especificou.
— Bem, eu... Treinei. Nada que você fosse achar muito relevante.
— Conte-me sobre seus treinos.
— O que é isso, um interrogatório? — Mikau perguntou, confuso.
— Estamos apenas batendo um papo, querido. Se quiser que eu pare podemos muito bem voltar a ficar no silêncio, ou eu o deixo em paz com seus livros para que se divirta o quanto quiser com os finais felizes dos outros.
Mikau balançou a cabeça, resmungado algo inaudível. Quando pensou que ele realmente fosse parar de falar, o assunto continuou.
— Quase matei um cara hoje. Ele deu de se intrometer comigo enquanto eu estava em um bar. Perdi a cabeça, acertei quatro tiros nele, um em cada braço e perna. Acho que ele não vai conseguir voltar para casa andando e nem rastejando.
Milena ergueu as sobrancelhas. Por mais bizarra que fosse aquela confissão, não era nada que não estivesse acostumada a ouvir do atirador.
— Bem, esperamos que ele ao menos tenha alguém especial para cuidar dele quando precisar.
— É. Talvez tenha. Algumas pessoas contam com essa sorte.
Mais uma vez, os assuntos acabaram.
— Ei — Milena chamou —, você também está se sentindo como quando éramos mais novos?
— Se a boa graça de Arceus permitir, espero apagar de minha existência os tempos em que fui, e se fui, um Horsea completamente inútil, desprezível e imprestável.
— Pois eu gostava — ela levantou-se e ficou de joelhos, onde pôde segurar no braço do rapaz e pedir para ele sair da cadeira, sentando-se ao seu lado onde os dois pudessem ficar mais juntinhos. — Quando você era um pequeno Horsea, devo dizer que tinha seus charmes.
— Não quero lembrar da infância — Mikau admitiu.
— Ah, então quer esquecer de quando nos conhecemos?
— Praticamente não lembro mais.
Milena piscou, um pouco decepcionada com a confissão. Ajeitou algumas mechas de seus longos cabelos avermelhados atrás da orelha e colocou o rosto de Mikau para deitar-se em seu colo enquanto tocava levemente sobre ele, tentando fazê-lo dormir.
— Vamos fingir que estamos nos encontrando pela primeira vez.
— Não tem como fingir que não nos conhecemos. Eu te conheço, sei lá, tipo, desde que me conheço por gente. Sei tudo sobre você.
— É o que vamos ver — a mulher respondeu, levando a mão até a garganta como se fosse preparar-se para a atuação de alguma peça. — Bem, olá, é um prazer conhecê-lo. Meu nome é Milena.
— E aí, Milena. Quer ser minha parceira sexual?
Ela revirou os olhos, decepcionada com a resposta. Levantou-se e deixou Mikau bater a cabeça no chão enquanto ele ria sem parar.
— Ei, calma aí, docinho! Já quer ir embora?
— Juro por tudo que é sagrado que se você não fosse meu amigo de infância eu jamais daria uma chance para você, principalmente com essa sua mentalidade infantil de hoje em dia.
— Bom, mas as pessoas podem mudar, não é?
— E você já mudou, Mikau, mas para pior. Acha que consegue voltar a ser como era?
O Kingdra não gostou muito do que ouviu. Estava disposto a consertar o erro. Sentou-se e manteve-se ereto, fez um cumprimento cortês em direção da moça e pediu gentilmente que ela desse meia volta e voltasse a se sentar ao seu lado.
— Desculpe-me pela ousadia, moça. Tenho estado atordoado nos últimos dias, e busco apenas consolo em algum ombro amigo disposto a compartilhar alguns momentos. Peço desculpas se fui rude — ele a beijou na mão.
— Melhorou — a Milotic admitiu. — Mas ainda soa bem falso.
— Estou abrindo meu coração, tá legal? — Mikau voltou a repetir num gesto cínico. — Poderia falar um pouco de você? Eu gostaria de conhecer melhor a dona desses lindos olhos azuis que tanto me encantam.
Milena sentou-se ao lado dele e piscou sensualmente.
— O que quer saber?
— Você tem algum namorado? Atualmente.
— “Eu sou um patinho feio, ninguém me quer...” — disse a mulher mais linda que já caminhara por aquela região, lembrando dos tempos em que costumava pensar daquela maneira. — E também estou procurando por uma boa amizade para passar meus dias. Quer ser meu amigo?
— Ahhh, então agora topa ser minha parceira sexual?
Milena levantou-se para ir embora de novo, mas antes que pudesse sair Mikau voltou a agarrar seu braço enquanto ria e pensava em mais alguma coisa boba a se falar.
— Onde nasceu?
— Sou de Hoenn, dos arredores da cidade de Fortree. Eu morava debaixo de uma belíssima cachoeira, e vivia num bairro onde Carvanhas e gente folgada é o que mais existia.
— Não deve ter sido uma infância muito legal — presumiu Mikau. — Por sorte, compartilho com você um ódio profundo por Carvanhas e Sharpedos, então devo dizer que adoro eliminá-los quando me apresentam essa chance.
— Você me parece um homem perigoso — Milena agiu misteriosamente atraente ao dizer aquilo.
Quando Mikau estava prestes a fazer alguma piada fora de hora, foi a vez dela de prosseguir.
— O que costuma fazer quando está desatarefado? O que gosta de fazer em suas horas livres? Como anda a vida? — Milena repetiu as várias perguntas.
— Ué, voltamos para o assunto inicial da nossa conversa?
— Creio que esteja enganado, senhor. Acabamos de nos conhecer, e ainda não sei o seu nome — ela deu uma risadinha.
Mikau coçou a cabeça.
— Isso está ficando realmente confuso — logo, sua mente lembrou-se de alguns fatores que nunca soubera sobre a amiga de criança. — Qual o nome de seus pais?
Eles nunca haviam falado sobre aquilo. Talvez ambos os lados tivessem evitado, tratando-se de um assunto tão básico que aparentemente não requeria cuidados, como se apenas o presente lhes fosse importante até então. Não importava o quanto o passado tivesse sido ruim, relembrá-lo era uma forma de não repetir muitos dos erros que aconteciam.
— Bom... Meus pais nunca tiveram muito dinheiro para dar todo o conforto que eu e meus irmãos precisávamos. Tenho outros cinco, e cada um seguiu para um rumo diferente, principalmente pelo fato de que humanos consideram a nossa espécie rara e em extinção. Mesmo sendo jovem, procurei por algum trabalho para ajuda-los nas despesas da casa. Um dia, eles não estavam mais lá.
— E mais tarde, você acabou vindo para Sinnoh... Foi aí que encontramos — Mikau comentou, ajeitando-se em seu canto. — É engraçado como precisamos ter uma história triste no passado para conseguirmos superar os desafios do futuro.
— E o que espera do futuro, senhor atirador?
— Como sabe se sou atirador se eu ainda nem tinha te contado isso? — ele sorriu, usando de sua psicologia para confundi-la ainda mais.
— Bem, foi só um palpite.
— Respondendo a sua pergunta, sou atirador profissional de uma guilda cheia de gente esquisita. Eu mato pessoas também. Sou um mercenário — Mikau arqueou uma das sobrancelhas. Milena estava começando a gostar do assunto.
— Está tentando parecer intimidador, senhor atirador?.
— Não sente medo de mim?
— Estou disposta a correr o perigo.
— Então você é do tipo que gosta de se arriscar.
— Sim. Posso até querer me arriscar para viver novas experiências, mas... — Milena levou uma das mãos até o rosto do rapaz. Os dois trocaram olhares apaixonados que simplesmente não havia como esconder para entrar no clima daquela brincadeira. Ambos os olhos já se conheciam há tempo demais para serem enganados. — Admito que só fico com pessoas que me sinto segura.
Mikau levou uma de suas mãos até a coxa da mulher, massageando-a lentamente enquanto a conversa tomava seu rumo naturalmente.
— Flor preferida?
— Adoro vitória-régia. A flor de lótus me encanta.
— Signo? — as perguntas de Mikau continuaram. Ele realmente não se lembrava de algumas daquelas informações.
— Câncer.
— Pedra preciosa?
— Água-marinha ou lápis lazuli.
— Onde prefere um beijo? — Essa já sabia, mas queria só se certificar. Milena devolveu um sorrisinho safado ao confirmar.
— Virilha.
— Tamanho exato do busto?
— Acho que já chega de perguntas, senhor assanhadinho — Milena virou-se para tomar um pouco de suco, e aproveitou o embalo para esticar as pernas e dar uma volta pela areia —, ou você não vai aguentar quando eu começar a minha sessão.
Mikau levantou-se para acompanha-la, e os dois andaram juntos na costa. Não havia movimento algum nas redondezas, pelo visto a fama do atirador realmente chegara num nível tão elevado que mais ninguém ousaria chegar nem perto de sua propriedade particular. Ali era onde ele podia sentir-se bem, relaxar e aproveitar, esquecendo os problemas que o mundo apresentava.
— Diga-me — começou Milena — a coisa que mais lhe agrada nesse mundo.
— Hm, essa é difícil. São tantas que nem consigo lembrar.
— Não sabe nenhuma, não é? — ela deu outro daqueles sorrisinhos de canto que ele tanto adorava.
— Você.
— Já chega de ser romântico, Mikau. Sua cota por hoje já se esgotou.
— Não, não. Estou falando sério. Por que acha que eu a chamei para passarmos um fim de semana juntos aqui? Quero você junto comigo, quero aproveitar o tempo que tenho ao seu lado, e enquanto tenho.
— E por que não chamou nenhuma de suas outras amigas?
Milena acabara dizendo aquilo sem pensar. Seu companheiro nem chegara perto de citar nada parecido, não vivia desaparecendo de noite para procurar mulheres ou diversão, ele vinha treinando de verdade. Voltava esgotado, cansado, com cicatrizes e marcas profundas, mas, principalmente, era a sua mente quem sofria. Quando mais precisava de auxílio, conhecia uma única pessoa que daria o conforto que precisasse.
— Desculpe, eu perdi a cabeça... — Milena admitiu, inconformada com sua própria atitude grosseira. — Fico um pouco triste quando vai fazer suas coisas e se esquece de mim.
— Você renova as minhas energias, Milena. E se eu a mantenho longe, sei que é porque não é seguro. Mas da mesma maneira, você me dá forças para querer voltar para casa, para querer voltar.
— E quando você não volta?
— Bem, sempre temos alguns imprevistos — ele deu outro risinho. Mikau envolveu a mão no busto da mulher, usando uma rasteira rápida para derrubá-la na areia e ser banhada por uma onda que vinha logo em seguida. Os dois riram, os longos cabelos de Milena estavam todos sujos e bagunçados agora, e não demorou para que a mulher voltasse a persegui-lo com um ódio profundo, mas nada comparado à angústia que sentia quando estava longe dele, e sim, às sensações que só um pequeno Horsea causava nela quando os dois ainda eram pequenos.
Mikau logo deixou-se ser alcançado. A mulher jogou-se para cima dele e os dois mais uma vez saíram rolando pela areia molhada que tomava conta de seus corpos. Milena ficou por cima. Com um gesto delicado do indicador, o rapaz tirou as mechas vermelhas do rosto da mulher e deu-lhe um beijo de modo que ela se entregasse completamente aos seus prazeres carnais.

Não importava quanto tempo passasse, quantos erros fossem cometidos, aquele relacionamento de dois amantes de infância nunca se apagaria.

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