Burning Love (Capítulo 2)
CAPÍTULO 2
Um Desconhecido em Minha Vida
O sol anunciava a
chegada da manhã na pequena cidade de Littleroot, a tempestade da noite passada
agora se tornava evidente nas diversas folhas caídas em volta das ruas, algumas
poças de água cobriam os buracos naquela pequena cidade do campo. Littleroot
nunca fora muito visitada, seus moradores eram pessoas simples e em sua maioria
apreciavam a vida tranquila, a cidade só tinha seu auge durante a temporada do
início da aventura de novos treinadores. O laboratório tornava-se lotado e
Littleroot parecia nem sequer suportar a demanda de habitantes, mas essa época
do ano já havia passado, e tudo que permanecia naquela manhã era ao silêncio e
a tranquilidade.
Uma pequena casinha
de madeira começava a exalar fumaça de suas chaminés, um canteiro de flores
decorava o ambiente que se tornava simples e gracioso por alguns Pokémons que perambulavam
nas redondezas. Os raios de sol transpassavam pelas persianas da janela que por
algum motivo estavam abertas, de modo que um garoto acordasse ainda sonolento
pela claridade do cômodo.
Havia uma pequena
cama forrada com gravetos e folhagens secas em um canto do quarto, lá jazia um
Mudkip que dormia calmamente de barriga estufada. Era o Pokémon inicial que o
garoto adquirira, embora ainda não tivesse iniciado sua jornada pela região.
Ele preferia ficar mais alguns anos estudando antes de sair em uma aventura, de
modo que seu grande sonho não fosse ser um mestre Pokémon, ou então um Top
Coordenador. Era algo diferente...

Aquele jovem
levantou-se e ficou por um tempo sentado em sua cama enquanto encarava a janela
aberta, aquela maldita claridade o acordara mais cedo do que o normal.
— Eu dormi com a
janela aberta...? — resmungou o garoto, levantando-se da cama e andando em
direção da janela para olhar a paisagem.
Havia uma grandiosa
árvore erguendo seus galhos entortados por cima da pequena casa de madeira,
fornecendo sombra e abrigo para Pokémons e suas famílias. O garoto deu um leve
sorriso enquanto observava aquela cena, podia ouvir ao longe o canto de alguns
Taillows, do mesmo modo que Zigzagoons escondiam frutos em buracos. Em seguida,
o jovem logo se virou para poder trocar de roupa e começar mais uma manhã
cansativa.
No momento em que
passava ao lado de sua cama o garoto pôde ver de relance uma linda moça
deitada, quase que escondida, em meio aos espessos cobertores de cor vermelha.
Ele arregalou os olhos parecendo não acreditar no que via, e nem como não havia
notado a noite inteira que alguém estava deitado ao seu lado. O garoto saiu de
seu quarto e chamou por sua mãe aos berros:
— Mãe?! Por quê tem
uma mulher deitada na minha cama?! — perguntou o garoto assustado.
Ele desceu as
escadas rapidamente, mas ao passar próximo da geladeira pôde ver de relance uma
folha de caderno com a caligrafia de sua mãe:
“Estou na feira,
volto antes das onze!
Beijos querido,
Mamãe.”
O garoto parecia
perplexo ao ver tal comunicado. Subiu as escadas e deparou-se com a moça que
continuava deitada sobre sua cama. Ela parecia muito cansada, não ligava nem
para a forma como estava vestida, de modo que algumas de suas roupas antes
molhadas agora estivessem quase que espalhadas pelo cômodo. O garoto
aproximou-se de Courtney e tocou em seu ombro na tentativa de acordá-la, de
modo que ela se levantasse lentamente como alguém que de tanto dormir
continuava com sono.
— Senhorita,
senhorita... Você está bem? — perguntou o menino.
Courtney abriu seus
olhos e então ficou sentada sobre a cama encarando o garoto. Aquela mulher
vestia roupas muito estranhas que o menino nunca havia visto antes, de modo que
ele logo chegasse à conclusão de que ela poderia estar de ressaca após uma
noite de festas.
— A senhorita está
bem? Por acaso sabe onde está? — perguntou o menino.
— Sei lá, estou com
um pouco de dor de cabeça... — respondeu Courtney.
— Como é que você
entrou aqui? Quero dizer, você estava bêbada ou coisa do tipo? Parece que todas
as suas roupas estavam molhadas, você estava lá fora na chuva de ontem?
— Eu tenho cara de
drogada pra você? — questionou a mulher de forma ignorante quase que assustando
o menino.
— E-Eu só queria
saber como foi que você entrou no meu quarto. Não e normal acordarmos e nos
depararmos com um estranho dormindo do nosso lado. — disse o garoto.
Courtney manteve-se
quieta por um momento, parecendo tentar associar onde estava naquele momento.
Ela podia notar agora que havia dormido no quarto de uma criança, apesar da
noite turbulenta ela deveria continuar seu caminho e completar sua missão para
finalizar aquela tarefa o quanto antes. Brendan colocou-se na frente de
Courtney e sentou-se ao lado dela na cama.
— Posso perguntar o
seu nome?
— Não é da sua
conta. — respondeu Courtney de modo ignorante.
— Bom, eu posso te
indiciar por invasão de propriedade e por ter entrado em minha casa sem minha
permissão vestindo roupas estranhas, depois eu também posso dizer que você
estava bêbada e tentou me assediar, e então você iria direto para a cadeia.
— Que garotinho
esperto. — sorriu Courtney — Mas estou de saída, entrei aqui à procura de uma
pessoa, mas acabei adormecendo. Estou em uma missão importante, então não vou
te contar meu nome, garanto que você nunca mais vai ouvir falar de mim.
— Ahh... Acho que
entendi. — comentou o menino.
Courtney
espreguiçou-se e andou pelo quarto juntando suas roupas até tropeçar no Mudkip
que dormia calmamente. O Pokémon soltou um rápido grito e correu para o colo de
seu dono, Courtney nem parecia ligar. Ela não gostava de Pokémons,
especialmente aquáticos. Mudkip era muito inofensivo e não gostava de batalhar,
mas por sorte seu dono não havia ficado zangado com a intromissão de uma
desconhecida em seu domínio.
— Diga-me, esta é a
casa do Senhor Brendan, não é? — o menino apenas assentiu — Você poderia dizer
onde posso encontrar seu papai?
— Acho que há uma
hora dessas ele deve estar chegando no ginásio em Petalburg, mas para que a
senhorita sem-nome precisaria falar com ele?
— Estou em uma
missão muito importante. É assunto confidencial. — disse ela indiferente — Pode
me dizer a que horas o Senhor Brendan irá voltar?
— Ah... Acho que
você cometeu um engano, meu pai não se chama Brendan. O nome dele é Norman. Eu
sou o Brendan.
Courtney arregalou
seus olhos e pareceu recuar por um momento. Sua missão estava realizada, e
bastava um movimento simples para matar o garoto. Mas deveria haver um engano.
Por que seu líder Maxie ordenaria que a moça matasse uma criança? Uma pessoa
inocente. Aquilo estava completamente longe de tudo que poderia ser
compreendido, mas pudera ela imaginar que acabara deparando-se justamente com o
garoto.
— Algum problema? A
senhorita parece assustada...
— E-Eu não imaginava
que você fosse o Brendan.
— Verdade, né? Esse
nome não combina comigo, parece nome de gente mais velha. Minha mãe falou que
queria que meu nome fosse Ruby, mas daí meu pai falou que era muito feminino e
tudo mais. Então ficou Brendan mesmo. — comentou o garoto com toda sua inocência.
Courtney sentou-se
sobre a cama novamente enquanto encarava o nada.
— Nossa, eu não
esperava por essa...
— Bom, a senhorita
precisa falar algo muito importante com o meu pai, não é? Quer deixar recado?
Courtney olhou para
o rosto de Brendan e por um momento sentiu tristeza. Suas sobrancelhas
estampavam a preocupação evidente, ela simplesmente levantou-se, pegou suas
coisas e pulou a janela sem dizer mais nada. Brendan se pôs a observar a mulher
que corria rapidamente. Aquele encontro fora muito estranho, mas deparar-se com
um acontecido como aquele deixava Brendan ainda mais entusiasmado para
descobrir quem aquela mulher realmente era.
Courtney não parou
de correr até que alcançasse uma distância razoável daquela cidade. Ela então
se sentou sobre uma pequena pedra e se pôs a descansar um pouco, apoiando sua
cabeça sobre suas mãos que não acreditando se seu chefe realmente lhe designara
a tarefa correta.
— Deve haver algum
engano... — suspirou ela, lançando seu Swellow em seguida. A ave Pokémon já
parecia ter descansado o suficiente para tornar a voar.
Courtney teve seu
pássaro em cima de seus ombros e em lhe deu uma nova ordem:
— Eu preciso que
você voe até o Senhor Maxie e peça para ele confirmar o nome do homem que deve
ser morto. Imagino que ele tenha se enganado, não matamos crianças.
Swellow olhou para
sua dona como se por um momento perguntasse: Como você quer que eu peça algo
para seu Mestre se eu sou um Pokémon? Courtney suspirou e então abriu sua bolsa
à procura de papel e caneta.
Revirando suas coisas
ela foi capaz de encontrar um papel de contas rasgado e uma pequena caneta que
já não parecia ser usada há meses. Courtney segurou o papel com frieza pensando
em como iniciar sua carta, uma vez que não sabia nem ler e nem escrever com
certeza.
— Argh, que ódio!!
Como é que eu vou mandar uma carta para meu chefe se eu nem sei como escrever?
Courtney parecia
revoltada, ela jogou tudo para dentro de sua bolsa e deixou Swellow
acompanhá-la lentamente. A moça não parecia determinada a tomar qualquer
providência contra uma simples criança, e por isso demorou muito até decidir
qual caminho levar.
Courtney odiava
chamar atenção, mesmo que Littleroot fosse pouco movimentada suas roupas
chamativas eram o suficiente para atrair a atenção de muitas pessoas, embora nenhum
deles parecesse conhecer quem eram os Magmas. Courtney lançava um olhar mortal
para cada homem que a olhava, não demorou para que ela perdesse o controle e
logo procurasse o local mais longe possível para abrigar-se.
A moça não ligava
para os Pokémons nem para as poucas crianças que passavam por aquela região
próxima de uma escola. Ela apenas deitou embaixo da árvore e permaneceu
mergulhada em seus pensamentos por um tempo. Seu Swellow voava entre os galhos
da árvore para colher berries e poder alimentar-se, a ave tentava ajudar sua
dona, mas ela continuava tampando seu rosto como se não quisesse pensar em mais
nada. Courtney permaneceu sem sequer mexer-se por algumas horas, ela tampava
seu rosto com os braços e permanecia calada.
— Oi. Você é a
mulher de hoje de manhã. — concluiu um garoto.
Courtney abriu seus
olhos ao relembrar daquela voz. Era Brendan quem estava ao seu lado novamente,
mas agora ele usava um par de óculos e tinha uma mochila em suas costas. No
ombro do garoto estava o mesmo Mudkip que mantinha um olhar assustado para
Courtney, aquele Pokémon era realmente muito estranho. Brendan deu um leve
sorriso e ajeitou sua mochila. Parecia que ele estava voltando da escola agora.
— Não é legal para a
imagem de uma mulher delicada como você ficar deitada desse jeito. — comentou
Brendan um pouco sem graça.
— Eu não ligo. E eu
não sou delicada. — respondeu ela rudemente.
Brendan deu um leve
sorriso e logo se sentou ao lado de Courtney que de certo modo pareceu um pouco
incomodada. Ela se mexia a toda hora e tentava evitar olhar nos olhos do
garoto.
— Acho que não nos
apresentamos adequadamente. Meu nome é Brendan Vallentin, e desculpe aquela
hora por ter ficado assustado com a sua presença. É que eu não estou acostumado
a acordar com alguém do meu lado! — disse ele, seguido de uma risada — Posso
sabe ao menos o seu nome, senhorita indelicada?
Courtney olhou para
o garoto por um momento como se não sentisse problema algum em conversar com
sua vítima.
— Meu nome é
Courtney. Acho que só Courtney mesmo, nem sei se tenho sobrenome.
Brendan deu um leve
sorriso.
— Por que hoje de
manhã você saiu correndo sem dizer nada? Eu fiquei preocupado, pensei ter feito
algo ruim que a assustou.
— Eu sou assim, é
coisa de mulher, você deve saber.
— Até hoje eu não
consigo entender as mulheres, e também acho que nunca vou ser capaz de
compreendê-las. — sorriu.
Courtney manteve-se
calada por um momento até que decidiu perguntar:
— Não é por nada
garoto, mas quantos anos você tem?
— Completei quatorze
no início do ano, Senhorita.
— Quer fazer o favor
de parar de me chamar de Senhorita? Eu sou nova, tá bom? Não tenho idade para
ser senhora nem nada.
— E quantos anos a
Senhorita teria?
— Vinte e três. E
essa foi a última vez que eu pedi para você parar de me chamar de Senhorita, na
próxima eu acabo com você, garotinho.
Brendan deu uma leve
risada e logo tirou seus óculos, levantando-se logo em seguida.
— Courtney é um nome
muito bonito. Posso te chamar de Courtty?
— Qual é a sua
garoto? Acha que sou sua amiguinha?
Os dois ficaram
quietos por um momento, mas era evidente que aquele tempo todo Brendan só
tentava ser educado, embora Courtney fosse sempre arrogante e ignorante.
— Tá bom, chama do
que você quiser.
— Você é engraçada.
— brincou Brendan, recebendo um olhar mortal da mulher — Esse Swellow escondida
no árvore é seu?
Courtney levantou
sua cabeça e pôde ver seu Pokémon observando sorrateiramente aquela conversa.
— É meu sim, mas eu
só o uso como transporte. Não batalho muito.
— Onde você mora? Eu
nunca a vi por essas bandas.
— Eu sou de
Lavaridge. Eu estava aqui fazendo umas... coisas do meu trabalho.
— E vai ser uma
longa viagem de volta para sua casa... Você está hospedada no Centro Pokémon? —
perguntou Brendan.
— Não. Eu não tenho
licença para utilizar o centro, não sou uma treinadora oficial.
— Então onde você
está alojada?
— Ahh... Aqui mesmo.
Brendan olhou em
volta e pôde perceber a área gramada em que Courtney estava deitada.
Provavelmente ela pretendia passar a noite dormindo na grama, mas ele não
queria nem imaginar como seria se voltasse a chover.
— Você está falando
sério? — perguntou Brendan.
— Eu tenho cara de
quem está brincando?
— E-Eu só tinha
perguntado. É que se você não tem onde dormir eu poderia falar com a minha mãe
para você ficar lá essa tarde até nós acharmos um lugar melhor. Você não quer
vir?
Courtney refletiu
por um momento, embora a ideia de ficar ao ar livre parecesse completamente
normal, ficar uma noite perto de seu inimigo poderia lhe mostrar se ele
realmente era perigoso. Em seguida, Courtney decidira aceitar a oferta.
— Pode ser, não
tenho mais nada legal para fazer mesmo.
— Ah! Obrigado,
Courtty-chan!
— Eu vou ter que
ficar ouvindo você me chamar desse apelido ridículo até quando? Ah, quer saber,
deixa pra lá...
Brendan acompanhou a
mulher até que ela chegasse à casa do garoto. No caminho de volta ela parecia
ser sua irmã mais velha, outras crianças perguntavam quem era a moça que
acompanhava seu amigo, mas Brendan brincava ao dizer que a moç era na realidade uma espiã
secreta da Liga Pokémon.
A mãe de Brendan já
estava em casa, e ficou surpresa ao receber visitas de uma mulher tão bela e
atraente. Sua mãe vestia um simples vestido e regava as flores do quintal no
momento, havia pequenos Surskits perambulando pelas poças d’água, e ao lado da
mulher um Lotad carregava vasos de flores.
— Olá, querido! Quem
é essa linda moça? É sua professora? — perguntou a mãe do menino que jazia no
jardim.
— Nem, mamãe. É
minha amiga, era essa mulher que estava deitada na minha cama hoje de manhã! —
respondeu Brendan.
— Não quer ser mais
discreto? Aquilo foi um acidente. — resmungou Courtney.
A mãe do garoto logo
se aproximou da mulher e acenou para ela amigavelmente, dando-lhe um abraço na
sequência.
— Meu filho disse
que havia uma linda mulher deitada na cama dele hoje de manhã, ele pensou que
fosse uma princesa desacordada e ficou falando de você a manhã inteira.
— M-Mãe... Não
precisa ficar contando essas coisas. — respondeu ele um pouco encabulado.
Courtney parecia
surpresa. Já havia conquistado o coração do pequeno garoto. Não era a primeira
vez que alguém a chamava de princesa, mas para qualquer mulher um elogio sempre
é bem vindo.
— Que roupas são
essas, querida? Você usou-as antes mesmo de estarem secas? Estão com um cheiro
muito ruim. — disse a mãe de Brendan.
— É que eu só tenho
essa. — respondeu Courtney.
— Oh, eu posso te
emprestar uma! Por favor, não quer entrar? Tome um banho e depois fique para
lanchar. Eu ficaria contente em receber a visita de alguém que meu filho gosta!
Courtney olhou para
Brendan que tinha um grande sorriso em seu rosto, mas em seguida cedeu à
proposta.
— Pode ser então...
— respondeu.
Courtney entrou na
casa de Brendan com certa insegurança. Poderiam eles ser espiões que estavam
corrompendo sua mente para em seguida aplicar-lhe um golpe que tirasse sua
vida? Aquilo era muito complexo para sua imaginação, pois era a primeira vez
que alguém fora tão gentil para com a moça. Courtney aceitara a oferta, de modo
que Brendan parecesse muito feliz em tê-la ao seu lado. Ele se sentia como se
tivesse uma irmã mais velha que nunca tivera, enquanto Courtney se sentia uma
idiota por estar sendo guiada por uma criança e passar por aquele vexame.
Aquele pequeno garoto com toda certeza mudaria sua vida de forma nunca
imaginada.
Bonna Party & Davy Jones [Semana R16]
Yo. Então, acredito que esse desenho tenha sido planejado à princípio para a Semana Ecchi, e eu fiz ele há tempos, faz muito tempo mesmo, tanto que se vocês olharem a data com atenção verão que eladata de Outubro de 2013, logo, já completou um ano que o desenho está aqui abandonado nas minhas pastas sem um uso específico.
A princípio eu queria trazer até vocês um Support Conversation que estrelasse os dois pilares dos Remarkble Five em um momento mais íntimo, ou talvez um especial que contasse mais sobre o passado de Jones e da Bonna. Conforme a Quarta Casa se aproximava, a ideia não vinha ou simplesmente tomava um rumo completamente esquisito e fora de hora. Bonna Party é uma das mulheres mais poderosas de Sinnoh, e arrisco dizer que ela fica atrás somente da própria Titânia. Quando a imagino junto de algum homem, parece que isso demonstra uma necessidade ou fraqueza por parte dela, não sei. Só sei que não rolou. O Support foi cancelado, e o desenho ficou aí. Eu só o postei agora porque estamos no clima dessa batalha, então lhes apresento como uma fanart do próprio autor. Se quiserem imaginar que algo tenha rolado entre esse dois, terei de deixar a imaginação de vocês trabalhar.
Pelo menos, a necessidade de escrever um Support rendeu mais espaço para que eu trabalhasse com a Bonna, e nos próximos capítulos colocarei em cena a relação de mãe e filha sendo apresentada mais intensamente entre a Elba e Bonna. Acho que foi uma das histórias mais bonitas que escrevi nos últimos tempos, vai ser bem legal. Não adianta eu tentar introduzir algo sensual ou até mesmo cômico a essa altura do campeonato, e o Davy Jones é um personagem que gosta de fazer suas gracinhas, mas nessa fase final da história simplesmente não rolou...
Autor(a): Canas Ominous
Finalizado: 18 de Outubro, 2013
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 1600 x 1237
Tamanho: 1,51 mb
Marcadores: Davy Jones, Bonna Party, Tentacruel, Magmortar, Semana Ecchi, Remarkable Five, Pokémon Gijinka, shipping.
Notas: Esta arte teve como referência um dos desenhos de Shunsui e Nanao, da artista kara-lija, usuária do DeviantART.
A princípio eu queria trazer até vocês um Support Conversation que estrelasse os dois pilares dos Remarkble Five em um momento mais íntimo, ou talvez um especial que contasse mais sobre o passado de Jones e da Bonna. Conforme a Quarta Casa se aproximava, a ideia não vinha ou simplesmente tomava um rumo completamente esquisito e fora de hora. Bonna Party é uma das mulheres mais poderosas de Sinnoh, e arrisco dizer que ela fica atrás somente da própria Titânia. Quando a imagino junto de algum homem, parece que isso demonstra uma necessidade ou fraqueza por parte dela, não sei. Só sei que não rolou. O Support foi cancelado, e o desenho ficou aí. Eu só o postei agora porque estamos no clima dessa batalha, então lhes apresento como uma fanart do próprio autor. Se quiserem imaginar que algo tenha rolado entre esse dois, terei de deixar a imaginação de vocês trabalhar.
Pelo menos, a necessidade de escrever um Support rendeu mais espaço para que eu trabalhasse com a Bonna, e nos próximos capítulos colocarei em cena a relação de mãe e filha sendo apresentada mais intensamente entre a Elba e Bonna. Acho que foi uma das histórias mais bonitas que escrevi nos últimos tempos, vai ser bem legal. Não adianta eu tentar introduzir algo sensual ou até mesmo cômico a essa altura do campeonato, e o Davy Jones é um personagem que gosta de fazer suas gracinhas, mas nessa fase final da história simplesmente não rolou...
Autor(a): Canas Ominous
Finalizado: 18 de Outubro, 2013
Técnica: Pintura Digital
Resolução: 1600 x 1237
Tamanho: 1,51 mb
Marcadores: Davy Jones, Bonna Party, Tentacruel, Magmortar, Semana Ecchi, Remarkable Five, Pokémon Gijinka, shipping.
Notas: Esta arte teve como referência um dos desenhos de Shunsui e Nanao, da artista kara-lija, usuária do DeviantART.
Way to the Sea
Support Conversation (Mikau x Milena)
Gênero e Disclaimers: Romance;
Tema: Milena recebe um convite de Mikau para uma praia deserta,
onde ambos relembram alguns momentos marcantes de sua infância e se
redescobrem, como se se conhecessem pela primeira vez;
Notas: Este acontecimento faz referência ao começo da Liga Pokémon,
antes do início da Quarta Casa. Complemento do Capítulo 97.

Os
fins de semana que antes eram tão animados e cheios de energia foram aos poucos
perdendo o brilho e a ansiedade para que logo chegassem. Ao chegar em casa,
Milena se deparava com a cama vazia e arrumada. Não havia nenhum sinal de que
alguém estivera ali nos últimos dias, tudo continuava em seu perfeito lugar.
Ela
não era o maior exemplo de manter seus pertences organizados, mas seu próprio
ambiente não sofrera mais alterações. Passava a maior parte do tempo fora, vinha
andando tão entediada que arranjara tempo para ajudar na limpeza de todos os outros
dormitórios. Preparava os almoços, lavava os pratos, ajudava na manutenção da
guilda e mantinha a mente sempre ocupada. Quando tinha uma folga longe de todas
aquelas tarefas, voltava a ficar desamparada.
Não
tinha muitos anseios de que o fim de semana logo chegasse.
Onde estaria Mikau, afinal de
contas? Deveria estar treinando
em algum lugar desconhecido, ou fazendo o que sempre fazia quando não gostava
de ser perturbado.
As
agitações da Liga Pokémon realmente afastara todos os membros da Fire Tales que
não tinham mais tempo de rir e se divertir como antes, era comum que estivessem
apreensivos. Milena sentou-se sobre uma cadeira que era acompanhada de uma
mesinha de canto simples próxima à varanda, onde tinha vista do horizonte e,
muito distante, o mar que tanto sentia saudade.
Foi
então que a mulher avistou algo caído no chão. Um pequeno papel escrito às
pressas. Devia ter sido empurrado pelo vento, uma vez que a janela estava
aberta. Milena abriu-o depressa e percebeu tratar-se da caligrafia de Mikau:
“Estarei perto da costa leste pela
manhã, se quiser aparecer.
Não estarei treinando. Não estou
ocupado. Traga um lanche, se puder fazer essa gentil bondade para um homem
necessitado Ainda estamos de mal um com o outro?.”
Um
singelo sorriso formou-se no rosto da moça. Afinal
de contas, ele ainda precisava dela.
Milena
imediatamente começou a preparar o lanche que seu amado pedira, providenciando
algumas coisas que fariam daquela experiência um singelo piquenique. Não era
nada planejado ou antecipado, ela simplesmente aproveitou o embalo do fim de
semana para tentar algo novo, como eles costumavam fazer. Nem mesmo se lembrava
de quando fora a última vez que tivera um dia inteiro só com Mikau.
Ajeitou
tudo em sua cesta e logo partiu. A caminhada até a praia não era longa, bastou
alguns minutos tranquilos e lá estava ela, porém, o local parecia vazio. Será que o papel fora deixado ali há mais
tempo do que imaginava? Às vezes aquela poderia ter sido uma mensagem de
semanas, ou até meses atrás. E mesmo assim, iludida como uma criança, para
variar. Por que algumas vezes sentia-se tão decidida e madura, enquanto em outras
parecia que ficara presa no tempo?
Milena
arrumou os óculos de sol no cabelo para enxergar melhor. Tudo que prevalecia
era o som das ondas e a sensação da areia sob seus pés. O vento que batia
trazia aquela sensação refrescante única, a praia não era encoberta por nenhuma
outra parte do continente, ela tinha visão perfeita para a imensidão azul do
mar, e por estar próxima ao domínio dos Fire Tales, eles haviam praticamente a tomado
para si (uma atitude que provavelmente partira do próprio Mikau e sua mania de
desejar ter tudo para ele, e somente ele). Uma belíssima praia particular.
Milena
continuou olhando com atenção para os arredores, até que, para sua surpresa,
pôde avistar Mikau sentado embaixo de alguns coqueiros.
Ele
se refrescava na sombra da árvore com enormes blocos de gelo esculpidos em
formatos de uma cadeira e mesa para apoiar suas coisas. Usava um par de óculos
escuros que lhe eram familiares (era impressão dela, ou os óculos pertenciam à
Aerus?); trazia ao seu redor dezenas de livros abertos e espalhados, devia ter
uns dezessete, todos jogados no chão e cheios de areia com alguns insetinhos
que inclusive passavam por cima deles, curiosos com toda aquela agitação.
A
mulher subiu o pequeno morro em direção do rapaz pelas costas e apoiou-se nos
joelhos, fazendo sombra em sua leitura.
— Te
encontrei.
Mikau abaixou os óculos e encarou-a de baixo para cima,
dando um sorrisinho de canto.
— Gostou?
— ele apontou para os Blackglasses,
que definitivamente eram de Aerus. — Aquele idiota deve estar à procura dos óculos
escuros a tarde inteira, e não vai ficar nem um pouco feliz quando souber que
peguei emprestado sem pedir. Só por um tempinho.
Milena não pôde esconder o riso.
— Só
você mesmo para fazer essas coisas...
— Eu estava querendo passar uma tarde na
praia, e não estava nem um pouco afim de comprar alguns acessórios. Por favor,
sente-se e fique à vontade. Está bem refrescante.
Ela depositou gentilmente a cesta em um canto, mas o
atirador nem se dera conta de que Milena realmente trouxera um pouco de comida,
talvez já tivesse se desacostumado a receber bondades, embora não custasse nada
pedir.
A Milotic sentou-se no chão ao lado dele, pegando um dos
livros que estavam jogados e procurando alguma marcação ou anotação.
— Já
leu tudo isso? Há quanto tempo está aqui?
—
Você sabe que odeio ler — Mikau
respondeu, sem tirar os olhos das páginas finais de um livro de capa vermelha
em suas mãos.
—
Então o que está fazendo com todas essas coisas, exatamente?
—
Lendo o final — ele respondeu,
voltando a colocar seus óculos enquanto jogava mais um livro para longe. — É impressionante como podemos descobrir
tanto sobre uma história só de ler as últimas páginas, não é? Com isso, devo
poupar horas de leitura desnecessária.
—
Ora, mas desse jeito você não se envolve com a trama, com os personagens... Se
for para saber de finais felizes, é só imaginá-los — continuou Milena enquanto pegava dois
sanduíches que preparara para seu piquenique.
Antes que pudesse entregar o lanche para seu companheiro,
Mikau permaneceu sério por alguns instantes. Seu olhar continuava encarando o
mar em movimento, e a brisa que batia continuava a emaranhar todas as folhas do
oceano de livros ao seu redor.
— É
justamente isso que estou procurando.
— O que? Lanches?
— Dos finais felizes, Milena —o atirador continuou
a falar de maneira séria. — Estou vendo quantas histórias têm um final feliz, e
se a minha também tem chances de ter um.
A mulher desviou o olhar, pensando sobre
aquela afirmação. Por mais que Mikau estivesse tentando afastar-se dos treinos
da guilda, era óbvio que ainda pensava neles. E se não fosse o suficiente? E se
não fosse capaz de proteger seus amigos, as pessoas que amava? E se quando a hora chegasse, descobrisse que
na verdade teria precisado treinar muito mais?
Balançou a cabeça, afastando todos
aqueles pensamentos. Milena esticou a mão para ele e entregou-lhe o sanduíche.
— Eu tinha até esquecido que eu havia
pedido para você trazer algo para comer. Estou morto de fome — disse Mikau.
Milena apenas sorriu e ergueu os ombros, encolhendo-se como uma menininha
tímida. Sabia exatamente do que ele gostava.
— Tenho a ligeira impressão de que estou
engordando você — ela riu.
— Vai me comer no final? Que nem a bruxa
da história de João e Maria? — Mikau riu maliciosamente. Pelo menos alguma
coisa ele havia aprendido com as páginas finais daquela porção de livros.
— Vou pensar no assunto — Milena
respondeu, maliciosamente.
O rapaz abocanhou o sanduíche, e por
alguns instantes o silêncio voltou a reinar. Milena ainda ajeitava a toalha no
chão e espalhava ali os sucos e comidas que trouxera a mais. Mikau continuava
sentado em seu trono de gelo, observando-a de cima para baixo, onde tinha uma
bela visão de seus peitos que eram presos pelo biquíni da mulher.
— Por que você veio? — afinal, ele
perguntou.
Milena voltou a olhá-lo com certo ar de
desconfiança.
— Bem, creio que você tenha me convidado.
Eu vi o papel em cima da mesa.
— Eu tenho sido terrível para você nas
últimas semanas. Eu a ignorei, não lhe dei atenção, eu sequer a cumprimentava.
Estávamos bem afastados. Para ser bem sincero, eu até esperava que você fosse
jogar o papel no lixo e continuar fazendo suas tarefas.
— Eu não tinha nada demais a ser feito
hoje — Milena respondeu, ajeitando o cabelo e fingindo querer ignorá-lo. —
Todavia, o que você disse é verdade, fico chateada que tenha tentado me evitar
nos últimos dias. Mas como todos homens, sei que talvez você estivesse
precisando de um tempinho para você. Muita coisa na cabeça, não?
— Definitivamente — Mikau apenas assentiu,
sem conseguir olhá-la nos olhos.
Milena esticou as pernas num gesto
provocativo. Percebeu que o rapaz a encarava de relance, mas Mikau permaneceu
firme em sua cadeira de gelo, talvez ainda não se sentindo à vontade para ficar
ao lado da parceira como costumava ficar.
— Como é que anda a vida? — foi a vez de
Milena puxar assunto.
— Refere-se à guerra em que estou prestes
a entrar, ou aos problemas banais?
— Rotina. O que fez ultimamente, o que
conta de novo, quais as novidades além de ler finais de livro e olhar o mar —
Milena especificou.
— Bem, eu... Treinei. Nada que você fosse
achar muito relevante.
— Conte-me sobre seus treinos.
— O que é isso, um interrogatório? —
Mikau perguntou, confuso.
— Estamos apenas batendo um papo,
querido. Se quiser que eu pare podemos muito bem voltar a ficar no silêncio, ou
eu o deixo em paz com seus livros para que se divirta o quanto quiser com os
finais felizes dos outros.
Mikau balançou a cabeça, resmungado algo
inaudível. Quando pensou que ele realmente fosse parar de falar, o assunto
continuou.
— Quase matei um cara hoje. Ele deu de se
intrometer comigo enquanto eu estava em um bar. Perdi a cabeça, acertei quatro
tiros nele, um em cada braço e perna. Acho que ele não vai conseguir voltar
para casa andando e nem rastejando.
Milena ergueu as sobrancelhas. Por mais
bizarra que fosse aquela confissão, não era nada que não estivesse acostumada a
ouvir do atirador.
— Bem, esperamos que ele ao menos tenha
alguém especial para cuidar dele quando precisar.
— É. Talvez tenha. Algumas pessoas contam
com essa sorte.
Mais uma vez, os assuntos acabaram.
— Ei — Milena chamou —, você também está
se sentindo como quando éramos mais novos?
— Se a boa graça de Arceus permitir,
espero apagar de minha existência os tempos em que fui, e se fui, um Horsea
completamente inútil, desprezível e imprestável.
— Pois eu gostava — ela levantou-se e
ficou de joelhos, onde pôde segurar no braço do rapaz e pedir para ele sair da
cadeira, sentando-se ao seu lado onde os dois pudessem ficar mais juntinhos. —
Quando você era um pequeno Horsea, devo dizer que tinha seus charmes.
— Não quero lembrar da infância — Mikau
admitiu.
— Ah, então quer esquecer de quando nos
conhecemos?
— Praticamente não lembro mais.
Milena piscou, um pouco decepcionada com
a confissão. Ajeitou algumas mechas de seus longos cabelos avermelhados atrás
da orelha e colocou o rosto de Mikau para deitar-se em seu colo enquanto tocava
levemente sobre ele, tentando fazê-lo dormir.
— Vamos fingir que estamos nos
encontrando pela primeira vez.
— Não tem como fingir que não nos
conhecemos. Eu te conheço, sei lá, tipo, desde que me conheço por gente. Sei
tudo sobre você.
— É o que vamos ver — a mulher respondeu,
levando a mão até a garganta como se fosse preparar-se para a atuação de alguma
peça. — Bem, olá, é um prazer conhecê-lo. Meu nome é Milena.
— E aí, Milena. Quer ser minha parceira
sexual?
Ela revirou os olhos, decepcionada com a
resposta. Levantou-se e deixou Mikau bater a cabeça no chão enquanto ele ria
sem parar.
— Ei, calma aí, docinho! Já quer ir
embora?
— Juro por tudo que é sagrado que se você
não fosse meu amigo de infância eu jamais daria uma chance para você,
principalmente com essa sua mentalidade infantil de hoje em dia.
— Bom, mas as pessoas podem mudar, não é?
— E você já mudou, Mikau, mas para pior.
Acha que consegue voltar a ser como era?
O Kingdra não gostou muito do que ouviu.
Estava disposto a consertar o erro. Sentou-se e manteve-se ereto, fez um
cumprimento cortês em direção da moça e pediu gentilmente que ela desse meia
volta e voltasse a se sentar ao seu lado.
— Desculpe-me pela ousadia, moça. Tenho
estado atordoado nos últimos dias, e busco apenas consolo em algum ombro amigo
disposto a compartilhar alguns momentos. Peço desculpas se fui rude — ele a
beijou na mão.
— Melhorou — a Milotic admitiu. — Mas
ainda soa bem falso.
— Estou abrindo meu coração, tá legal? —
Mikau voltou a repetir num gesto cínico. — Poderia falar um pouco de você? Eu
gostaria de conhecer melhor a dona desses lindos olhos azuis que tanto me
encantam.
Milena sentou-se ao lado dele e piscou
sensualmente.
— O que quer saber?
— Você tem algum namorado? Atualmente.
— “Eu sou um patinho feio, ninguém me
quer...” — disse a mulher mais linda que já caminhara por aquela região,
lembrando dos tempos em que costumava pensar daquela maneira. — E também estou
procurando por uma boa amizade para passar meus dias. Quer ser meu amigo?
— Ahhh, então agora topa ser minha
parceira sexual?
Milena levantou-se para ir embora de
novo, mas antes que pudesse sair Mikau voltou a agarrar seu braço enquanto ria
e pensava em mais alguma coisa boba a se falar.
— Onde nasceu?
— Sou de Hoenn, dos arredores da cidade
de Fortree. Eu morava debaixo de uma belíssima cachoeira, e vivia num bairro
onde Carvanhas e gente folgada é o que mais existia.
— Não deve ter sido uma infância muito
legal — presumiu Mikau. — Por sorte, compartilho com você um ódio profundo por
Carvanhas e Sharpedos, então devo dizer que adoro eliminá-los quando me
apresentam essa chance.
— Você me parece um homem perigoso —
Milena agiu misteriosamente atraente ao dizer aquilo.
Quando Mikau estava prestes a fazer
alguma piada fora de hora, foi a vez dela de prosseguir.
— O que costuma fazer quando está
desatarefado? O que gosta de fazer em suas horas livres? Como anda a vida? —
Milena repetiu as várias perguntas.
— Ué, voltamos para o assunto inicial da
nossa conversa?
— Creio que esteja enganado, senhor.
Acabamos de nos conhecer, e ainda não sei o seu nome — ela deu uma risadinha.
Mikau coçou a cabeça.
— Isso está ficando realmente confuso —
logo, sua mente lembrou-se de alguns fatores que nunca soubera sobre a amiga de
criança. — Qual o nome de seus pais?
Eles nunca haviam falado sobre aquilo.
Talvez ambos os lados tivessem evitado, tratando-se de um assunto tão básico
que aparentemente não requeria cuidados, como se apenas o presente lhes fosse
importante até então. Não importava o quanto o passado tivesse sido ruim,
relembrá-lo era uma forma de não repetir muitos dos erros que aconteciam.
— Bom... Meus pais nunca tiveram muito
dinheiro para dar todo o conforto que eu e meus irmãos precisávamos. Tenho
outros cinco, e cada um seguiu para um rumo diferente, principalmente pelo fato
de que humanos consideram a nossa espécie rara e em extinção. Mesmo sendo
jovem, procurei por algum trabalho para ajuda-los nas despesas da casa. Um dia,
eles não estavam mais lá.
— E mais tarde, você acabou vindo para
Sinnoh... Foi aí que encontramos — Mikau comentou, ajeitando-se em seu canto. —
É engraçado como precisamos ter uma história triste no passado para conseguirmos
superar os desafios do futuro.
— E o que espera do futuro, senhor
atirador?
— Como sabe se sou atirador se eu ainda
nem tinha te contado isso? — ele sorriu, usando de sua psicologia para
confundi-la ainda mais.
— Bem, foi só um palpite.
— Respondendo a sua pergunta, sou
atirador profissional de uma guilda cheia de gente esquisita. Eu mato pessoas
também. Sou um mercenário — Mikau arqueou uma das sobrancelhas. Milena estava
começando a gostar do assunto.
— Está tentando parecer intimidador,
senhor atirador?.
— Não sente medo de mim?
— Estou disposta a correr o perigo.
— Então você é do tipo que gosta de se
arriscar.
— Sim. Posso até querer me arriscar para
viver novas experiências, mas... — Milena levou uma das mãos até o rosto do
rapaz. Os dois trocaram olhares apaixonados que simplesmente não havia como
esconder para entrar no clima daquela brincadeira. Ambos os olhos já se
conheciam há tempo demais para serem enganados. — Admito que só fico com
pessoas que me sinto segura.
Mikau levou uma de suas mãos até a coxa
da mulher, massageando-a lentamente enquanto a conversa tomava seu rumo
naturalmente.
— Flor preferida?
— Adoro vitória-régia. A flor de lótus me
encanta.
— Signo? — as perguntas de Mikau
continuaram. Ele realmente não se lembrava de algumas daquelas informações.
— Câncer.
— Pedra preciosa?
— Água-marinha ou lápis lazuli.
— Onde prefere um beijo? — Essa já sabia,
mas queria só se certificar. Milena devolveu um sorrisinho safado ao confirmar.
— Virilha.
— Tamanho exato do busto?
— Acho que já chega de perguntas, senhor
assanhadinho — Milena virou-se para tomar um pouco de suco, e aproveitou o
embalo para esticar as pernas e dar uma volta pela areia —, ou você não vai
aguentar quando eu começar a minha sessão.
Mikau levantou-se para acompanha-la, e os
dois andaram juntos na costa. Não havia movimento algum nas redondezas, pelo
visto a fama do atirador realmente chegara num nível tão elevado que mais
ninguém ousaria chegar nem perto de sua propriedade particular. Ali era onde
ele podia sentir-se bem, relaxar e aproveitar, esquecendo os problemas que o
mundo apresentava.
— Diga-me — começou Milena — a coisa que
mais lhe agrada nesse mundo.
— Hm, essa é difícil. São tantas que nem
consigo lembrar.
— Não sabe nenhuma, não é? — ela deu
outro daqueles sorrisinhos de canto que ele tanto adorava.
— Você.
— Já chega de ser romântico, Mikau. Sua
cota por hoje já se esgotou.
— Não, não. Estou falando sério. Por que
acha que eu a chamei para passarmos um fim de semana juntos aqui? Quero você
junto comigo, quero aproveitar o tempo que tenho ao seu lado, e enquanto tenho.
— E por que não chamou nenhuma de suas outras amigas?
Milena acabara dizendo aquilo sem pensar.
Seu companheiro nem chegara perto de citar nada parecido, não vivia
desaparecendo de noite para procurar mulheres ou diversão, ele vinha treinando
de verdade. Voltava esgotado, cansado, com cicatrizes e marcas profundas, mas,
principalmente, era a sua mente quem sofria. Quando mais precisava de auxílio,
conhecia uma única pessoa que daria o conforto que precisasse.
— Desculpe, eu perdi a cabeça... — Milena
admitiu, inconformada com sua própria atitude grosseira. — Fico um pouco triste
quando vai fazer suas coisas e se esquece de mim.
— Você renova as minhas energias, Milena.
E se eu a mantenho longe, sei que é porque não é seguro. Mas da mesma maneira,
você me dá forças para querer voltar para casa, para querer voltar.
— E quando você não volta?
— Bem, sempre temos alguns imprevistos —
ele deu outro risinho. Mikau envolveu a mão no busto da mulher, usando uma
rasteira rápida para derrubá-la na areia e ser banhada por uma onda que vinha
logo em seguida. Os dois riram, os longos cabelos de Milena estavam todos sujos
e bagunçados agora, e não demorou para que a mulher voltasse a persegui-lo com
um ódio profundo, mas nada comparado à angústia que sentia quando estava longe
dele, e sim, às sensações que só um pequeno Horsea causava nela quando os dois
ainda eram pequenos.
Mikau logo deixou-se ser alcançado. A
mulher jogou-se para cima dele e os dois mais uma vez saíram rolando pela areia
molhada que tomava conta de seus corpos. Milena ficou por cima. Com um gesto
delicado do indicador, o rapaz tirou as mechas vermelhas do rosto da mulher e deu-lhe
um beijo de modo que ela se entregasse completamente aos seus prazeres carnais.
Não importava quanto tempo passasse,
quantos erros fossem cometidos, aquele relacionamento de dois amantes de
infância nunca se apagaria.







































