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Burning Love (Capítulo 10)


CAPÍTULO 10
Promessas


Brendan se sentia incomodado com a luz do sol que direcionava-se exatamente em direção de seu rosto. Ele abriu seus olhos e notou estar em uma sala inteiramente branca, sua mente parecia embaralhada, pesava até mesmo se havia enlouquecido. Não sabia se ficava louco ou simplesmente sonhava, mas a dor que sentia no braço era muito real, o que o fazia chegar a conclusão de que estava mais vivo do que nunca. Havia soro em seu braço direito, e ao lado da cama um buquê de flores vermelhas de colegas da escola. 
Brendan sentou-se na cama tentando aos poucos raciocinar tudo que havia acontecido. Teve tempo de sentir a leve brisa que costumava sentir em Littleroot, parecia que as lembranças de suas de cidades eram tão distantes quanto seus pensamentos dispersados. Estava em um hospital, sentia-se faminto como alguém que não tinha uma boa refeição há muito tempo, mas teve seus pensamentos cortados no momento em que sua mãe entrou na sala aos berros, abraçando o filho.
— Brendan!! Por Arceus, querido, como eu fiquei preocupada! Por um momento vocês dizem sair para brincar de guerra e na mesma noite eu o recebo desmaiado e com queimaduras e machucados por todo o corpo! Como eu fiquei preocupada, estou aliviada que você esteja bem... — disse a mulher.
— Mãe? O que aconteceu? Onde estou? — questionava o garoto coberto pelas dúvidas.
— Você está no hospital de Rustboro. Seu pai também está aqui, pois ele ficou muito preocupado quando soube da invasão à base dos Magmas e de todos os estragos que haviam acontecido. — explicou a mulher, dando-se conta de que o homem agora estava logo atrás na sala.
Fazia muito tempo que Brendan não via seu pai. Muito tempo mesmo. O homem parecia esquecer-se do fato de ter um filho, deixando-o somente aos cuidados da mãe que permanecia em casa na maioria do tempo. Norman nunca concordou com o fato do garoto não querer seguir carreira de treinador, e decepcionou-se quando teve notícias de que Brendan gostaria de ser um simples escritor. Aquilo sempre fora motivo de desonra para sua família, e talvez por isso Brendan guardava um grande rancor para com o pai.
Norman sentou-se na cama do garoto e tocou em seu ombro.
— Estou orgulhoso de você, filho.
— Obrigado. — respondeu Brendan acanhado, parecendo ter vergonha de chamar aquele estranho sujeito de pai.
— Você e seus amigos conseguiram invadir a base dos Magmas e causar uma grande confusão lá dentro. Não sabemos que fim levou o líder da facção, mas depois dessa podemos ter certeza que esses criminosos vão deixar o continente mais tranquilo por um bom tempo até se reerguerem. — disse ele.
— Eu não fiz isso por Hoenn, fiz isso por meus amigos. — respondeu Brendan, parecendo de certo modo inconformado por ter levado a fama de herói — Onde está a Courtney e os outros?
O pai do garoto parecia confuso ao ouvir o nome dos companheiros, mas logo deixou a sala na companhia de sua ex-esposa para deixar que os amigos de Brendan entrassem na sala. Pierce era o primeiro a aparecer, mas diferentemente dos outros dias ele não pulava de alegria, pois era mobilizado por uma prótese mecânica em seu braço direito. 
O garoto tinha um mesclado de felicidade com decepção, pois era notável que seu amigo sofreria muito com a prótese em seu braço.
— P-Pierce? O que aconteceu com você?! — indagou Brendan perplexo.
— Ahh, tá falando disso aqui? Agora eu estou parecendo aqueles personagens de jogo que nem Mortal Kombat, fala aí. — brincou Pierce, fazendo movimentos lentos com seu braço mecânico — Só não é a mesma coisa, devo admitir que nos games é mais legal.
Era a personalidade comum do homem, mesmo nas piores situações ele não se deixava cair pelos acontecimentos ruins. Brendan podia notar claramente que Pierce escondia sua tristeza por trás de seu sorriso, mas de certo modo ele se sentia bem em ver que o companheiro estava bem. Não demorou para que Donny e Kenji entrassem na sala do hospital, eles só poderiam fazer uma rápida visita, e por isso não pretendiam ficar muito tempo.
— Então o famoso escritor acordou. — disse Kenji com um sorriso singelo.
— Kobayashi! Donny!! Que bom ver que vocês estão bem... — disse o jovem aliviado — Desde quando eu estou adormecido nessa cama?
— Você ficou uns quatro dias, cara. Às vezes você acordava, mas o médico disse que você levou uma pancada muito forte na cabeça e ficou a delirar por um tempo, então por isso decidiram deixá-lo no hospital por pelo menos duas semanas. — explicou Pierce.
— Duas semanas? É sério que vou ter ficar esse tempo todo?
— Zuera, acho que vai ser uns dois meses.
Brendan deitou-se novamente na cama parecendo totalmente arrasado, mas logo Kenji aproximou-se do garoto para consolá-lo.
— Pense bem, pequeno. Aproveite para escrever sua história, peça para sua mãe trazer o Notebook e você vai fazendo o que você gosta, afinal, nós vamos vir te visitar todos os dias. É nossa obrigação cuidar de você. — explicou Kenji.
Aquela frase final parecia ter tido algum efeito no garoto, de modo que aos poucos ele se lembrasse dos últimos momentos no Magma Hideout há quatro dias. Ele se lembrava que Courtney havia pedido para que os três homens cuidassem de Brendan até quando ela não estivesse mais por perto, e para o espanto do jovem, ainda não havia sinal de Courtney no hospital. Ele manteve-se calado por um momento enquanto se divertia entre as risadas e comentários dos companheiros, mas logo hesitou ao perguntar:
— Onde está a Courtney?
Pierce cessou seu riso e fechou a cara no mesmo instante, era evidente que Kenji virava o rosto como se tentasse ocultar alguma coisa, enquanto o grandalhão Donny não conseguia segurar o choro ao deixar a sala às pressas. Brendan começava aos poucos processar o que havia acontecido, mas não teimava em questionar cada vez com mais intensidade:
— Onde está a Courtney?! O que aconteceu com ela?
Kenji fora o segundo a deixar a sala. Agora apenas Pierce encarava o jovem de forma séria como não era comum. Talvez fosse a primeira vez que Brendan via o homem agir com tanta seriedade.
— Por favor, me diga, Pierce! O que aconteceu com a Courtty?
— Nós não e encontramos, Brendan. — respondeu ele em um tom seco.
Brendan deitou-se na cama e passou a fitar o teto. Não queria demonstrar ser uma pessoa fraca, mas não conseguia esconder que estava arrasado. Pierce manteve-se sério, mas não dirigiu muitas palavras ao garoto. Ele apenas caminhou em direção da janela e passou a olhar o céu límpido da bela região de Hoenn. As montanhas distantes, o belo oceano... 

Toda a beleza de uma das regiões mais aclamadas aos estrangeiros e visitantes do mundo. Por um momento do que serviria aquela beleza se não houvesse com quem compartilhar? Para Pierce aquela situação era ainda pior do que para Brendan, pois nunca seria fácil explicar para uma pequena criança o pesar da morte. O pesar de perder alguém que amava.
— Semana passado eu ouvi uma forte explosão vindo do corredor de principal acesso da base quando invadíamos o local. Um forte terremoto já tinha acontecido antes, e isso prometeu o meu braço direito, mas ainda assim, eu não tinha desistido de procurar vocês dois. Eu não estava nem aí de ter morrido, eu só sairia depois que achasse vocês dois.
Pierce fazia uma longa pausa tomando o máximo de cuidado com cada palavra que dizia.
— Quando eu ouvi a explosão eu corri para ver o que era. E então eu o encontrei caído no chão, coberto por muita poeira e pedras. Eu não estava disposto a sair daquela caverna sem a Courtney, mas foi naquele momento que eu me lembrei de tudo que ela havia dito para mim na última noite:

“Eu quero que você cuide do Brendan se as coisas terminarem mal.”

— É óbvio, eu não levei a sério e brinquei com ela como de costume. Mas no fim das contas eu entendi o que ela queria dizer, e por isso eu o salvei com as últimas forças que me restavam.
Brendan agora já estava sentado na cama, ele olhava para o chão como se não quisesse acreditar no fim da história. Mas Pierce não queria prolongar a dor e decidira por falar no final:
— A Courtney morreu.
Brendan não se conteve e passou a chorar como nunca fizera antes. O barulho até mesmo assustava os médicos que não entendiam o motivo daquela decepção, Pierce tocou sobre a cabeça do garoto, pois em seu coração ele também sentia a dor. Já chorara muito pela partida da moça, e para ele, perdê-la era muito pior. O homem sentia como se ele próprio fosse o culpado, a morte de Courtney o atormentara durante todas as noites, pois sabia que a ideia dos explosivos havia sido dele. Sua decepção era muito maior do que qualquer outro integrante.
O garoto passou a ficar em depressão durante todos os dias em que esteve no hospital. Não gostava de receber as visitas de ninguém, nem mesmo de sua mãe, mesmo que ela insistisse para consolá-lo. Pierce, Kenji e Donny também passaram e frequentar o hospital, e até mesmo algumas fãs passaram a surgir depois que o garoto fora aclamado como um herói nas redondezas. Cada dia no hospital passava como uma faca que a cada hora apertava mais o indefeso coração pulsante. Talvez fosse cedo demais para definir a palavra amor, mas o que ele sentia por Courtney não era algo que tornaria a sentir por alguém novamente.
Por alguns meses a vida de Brendan parecia não ter mais sentido. Logo os meses se passaram e ele voltou para sua casa, mas nunca seria a mesma coisa. Ele apenas permanecia deitado em sua cama sem fazer absolutamente nada, não tendo mais paciência até mesmo para os livros. O garoto retornou para sua casa e continuou a receber as visitas do trio que continuavam a ajudar a mãe do garoto e tentar divertir o menino. Certo dia, Pierce aproximou-se do jovem e sentou-se ao seu lado na cama, tocando-o no ombro com força.
— Como posso esquecer alguém que aprendi a amar? Algumas cicatrizes são tão profundas que nem mesmo o tempo pode curar. — indagou Brendan.
— Sofrer não vai trazê-la de volta. Ela ficaria muito pior se soubesse que você está se redimindo tanto só por causa dela. Volte a seguir sua vida, cara. Você tem um grande futuro pela frente. — respondeu Pierce.
Brendan ouviu atentamente as palavras, mas não fez muito nos primeiros dias. Aos poucos ele usava o computador para ver as novidades e fazer tarefas da escola depois de já ter se recuperado. Garotas se interessavam no famoso herói da região, pessoas falsas passaram a aproximar-se por interesse, mas o jovem nunca ligou. O tempo passou, mas sua vida, certamente, parou por completo.
 Enquanto arrumava sua cama, Brendan bruscamente bateu sobre a prateleira de livros que caíram no chão esparramados. Amaldiçoou todas as reencarnações para saciar sua raiva, passou a estressar-se facilmente a ponto de destruir o que estivesse em sua frente. Brendan ajoelhou-se para arrumá-los e pegou um livro vermelho em suas mãos e o lançou para longe. O livro caiu virado para cima, mas a capa especialmente de cor vermelha havia chamado sua atenção. Era intitulado: Capitães da Areia.
O garoto pegou o livro e após sentar-se começou a folheá-lo. Lembrou-se todos os momentos bons que passara ao lado de Courtney. Até mesmo das brigas e de algumas intrigas que aos poucos faziam a diferença. No fim das contas ele nunca tiver a oportunidade de ensinar a moça a ler e escrever, mas sentia-se feliz em poder ter ficado ao lado de Courtney por tantas noites. A voz doce a melodiosa ecoava em sua mente, tantas vezes até mesmo austera e grossa, mas era algo que Brendan havia aprendido a apreciar.

Muito obrigada por compartilhar isso comigo.”

Estava decidido. Não deixaria todos os seus sonhos passarem e no fim das contas desistir de tudo. Brendan empenhou-se em continuar seguindo tudo que sempre desejara, e desse modo sentir-se concretizado por realizar seus maiores sonhos. Brendan sempre quis ser um escritor, até mesmo treinou seus Pokémons por um tempo, veio a ter uma poderosa equipe, mas realmente não era o lado dos treinadores que o agradava para a decepção do pai. 
Seu Mudkip havia evoluído em um grande Swampert, e após ter sido liberado começou a viver nos pântanos próximos de Littleroot. Apesar de não caber mais em sua caminha de palha, ele ainda frequentava a casa do garoto até o dia em que o mesmo veio a se mudar e seguir sua nova vida.
A vida nos obriga a crescer e deixar algumas mordomias para trás. A Mãe do garoto não poderia cuidar de seu pequeno filho para sempre, mas ela sempre fora abençoada em saber que ele havia crescido na vida e se tornado alguém concretizado. 
Mattson Pierce, Kenji Kobayashi e Donald Coffey acompanharam o garoto em sua juventude, cumprindo assim o último desejo que sua chefe havia lhes designado. Donny passou a frequentar uma academia de luta e logo tornou-se um promissor nome na área; Kenji seguiu a área tecnológica como esperado, e por ser extremamente reconhecido por sua formação e pelo ataque aos Magmas não demorou para crescer na vida e tornar-se um grande gênio em sua área.
Pierce havia desaparecido depois de um tempo. Olhos desatentos diziam que ele veio a ser assassinado em uma emboscada dos Magmas, mas Brendan nunca acreditou que o velho Pierce seria morto de maneira tão simplória. Dizem que depois de ver o pequeno amigo completar dezoito anos ele seguiu sua vida e partiu em busca da mulher que realmente amava, enquanto outros apenas dizem que ele seguiu como historiador para descobrir os verdadeiros mistérios dos lendários Pokémons de Hoenn. Brendan nunca mais teve noticias do paradeiro de Mattson Pierce, que passou a tornar-se um herói anônimo esquecido pelas canções e livros.
Cada um havia seguido seus caminhos. Brendan não era mais uma criança para continuar no berço, e da mesma forma, ele seguiu sua vida. Vendera muitos livros com histórias, romances e aventuras imagináveis  de um pequeno garoto de quatorze anos que nunca havia saído de casa. Porém, em toda sua vida ele nunca encontrou uma mulher que realmente amou.

Quatro anos haviam se passado. Brendan subiu até o topo do Mt. Chimney com um belo buquê de rosas vermelhas em sua mão. Não era mais uma criança, mas agora um homem concretizado. Estava muito bem vestido e em seu ombro tinha um Swellow que capturara ainda Taillow na infância. Memórias longínquas de sua infância. Ele tinha uma certa paixão por rosas vermelhas, e de certo modo, o topo daquela montanha lhe trazia lembranças. Ele segurou o buquê com leveza e o lançou ao vento de forma que as pétalas de rosa aos poucos fossem levadas para o infinito, cedadas a vagarem sem rumo até que desaparecessem de vista.
Swellow alçou voo e acompanhou o vento para dar uma volta quando Brendan pôde notar um outro Swellow que agora acompanhava o seu Pokémon. Ele sorriu e lembrou-se da mulher que amava, e por um momento imaginou se a estrela mais brilhante no céu ainda o observava.
Brendan ajeitou seu óculos e se virou, deparando-se com uma moça adulta que estava sentada sobre um banco de madeira em frente àquela linda paisagem. A mulher tinha longos cabelos negros e estava vestida de vermelho como se aguardasse alguém para um encontro. Em suas mãos ela tinha um livro vermelho, o que demonstrava o seu lado culto e formado. Brendan virou-se para ela sério de primeira instância, mas em seguida deu um leve sorriso quando a viu abaixar o livro que tinha em suas mãos e direcionar-se à ele com uma voz já conhecida.
— E não é que o garoto cresceu?



Burning Love (Capítulo 9)


CAPÍTULO 9
Delírio e Loucura

Maxie não ousava dizer nada, como se já suspeitasse de uma possível invasão. O homem sacou uma de suas pokébolas e encarou Courtney de forma severa, lançando um Pokémn que tomou a forma de um grande morcego de quatro asas. As criaturas dos líderes eram sempre as mais fortes, mas isso não assustava Courtney, que tinha seu companheiro Swellow em mãos. Estava um clima tenso na sala, Courtney sabia que tinha um tempo escasso para trocar palavras e estaria satisfeita apenas em derrotar seu líder, embora Maxie não demonstrasse sinal de fraqueza em momento algum.
— Você me parece tão cansada, tão indefesa e incompetente... Diga-me, Garota Flamejante, o que fizeste nas últimas semanas que trouxeram-lhe tamanha situação precária? Lembro-me de seu olhar sedutor do passado, coberto de furia e raiva. Mas o que temos aqui agora? Uma mocinha infantil procurando brigar com os mais velhos. É deprimente... — debochava Maxie.
— O Senhor está velho, arrogante, e principalmente, infeliz. Posso estar mais delicada, mas pelo menos não me tornei um ignorante delirante que tem medo de uma garotinha, não é? — dizia Courtney, causando um ódio ainda maior no antigo chefe.
A moça segurou uma de suas pokébolas enquanto afagava os cabelos de Brendan ao seu lado.
— Vamos deixar essas conversas chatas de lado e partir para a violência? Nunca tive paciência com os velhos. — disse Courtney.
— Serei obrigado a dar-lhe educação, menina. — respondeu Maxie de modo austero.
— Venha tirar à prova, então. Swellow, use o Aerial Ace no oponente!
— Crobat, revide o golpe com o Wing Attack!

Um rápido vento surgiu na sala, de modo que das sombras das paredes de rocha uma criatura ameaçadora surgisse. Dotado de quatro asas e garras afiadas, a própria respiração daquele Pokémon era de se temer. O Crobat de Maxie era muito bem treinado, e era evidente que agora o Swellow de Courtney teria problemas em revidar qualquer investida de seu ligeiro oponente.
O Pokémon morcego era mais rápido do que a ave de Courtney, embora Crobat ainda não fosse capaz de esquivar-se dos golpes precisos de seu oponente e receber fortes danos a cada investida. Brendan sacou sua pokébola e laçou seu Mudkip em combate, que apesar de estar sonolento ainda estava disposto a seguir qualquer comando de seu treinador. Maxie deu um rápido passo para o lado enquanto esquivava-se dos ataques aéreos, encarando seus dois oponentes.
— Veja só, a criança causadora de tantas intrigas agora veio até a nossa rede. Devo dizer que este foi o maior problema interno causado dentro dos Magmas, e você é a responsável, Garota Flamejante. — disse Maxie.
— A loucura dominou sua cabeça, sinto em dizer que já chamei esse lugar de lar, mas hoje percebo como fui tola ao pensar que tudo aquilo podia ser chamado de felicidade. — respondeu Courtney.
Maxie deu uma leve risada.
— Tola, não reconhece suas fraquezas quando se deparo com alguém superior? Esta é a minha hora, e já que eu estou vendo que você não vai voltará atrás... Presumo que esteja disposta a encarar a morte.
Maxia pareceu mexer uma espécie de microfone como se chamasse alguém.
— Tabitha, chame seu batalhão completo e apareça em minha sala de comando. Está me ouvindo?
Courtney assustou-se ao ouvir o recado de reforços. Ela poderia lutar contra Maxie sozinho, mas de forma alguma seria capaz de batalhar contra todos os integrantes de uma corporação inteira. O silêncio prevaleceu por um tempo, mas logo, Courtney pôde ouvir a voz de Pierce através do rádio.
— Vá à merda.
Maxie empurrou o aparelho com força para fora de sua mesa, o objeto se quebrou totalmente ao espatifar-se nas paredes de rocha. Seus cabelos vermelhos que outrora sempre estavam arrumados agora estavam bagunçados e estampavam claramente o fato de que o grande líder estava decepcionado. A raiva era evidente, e Maxie não poupou tempo em ordenar um novo golpe.
— Crobat, use Air Cutter naquele verme azul desprezível!!
—   Mudkip, acumule energia com o Bide!
O pequeno Pokémon recebia os poderosos danos do oponente aguentando cada golpe com perseverança. Courtney conhecia pouco de batalhas, mas o tempo que passara com Brendan fora o suficiente para que ela aprendesse algumas técnicas, e assim, ajudar o garoto na batalha.
— Swellow, proteja o Mudkip na batalha e não deixe que os golpes o acertem! Use o Quick Attack para que o Crobat tenha sua atenção desviada!
O Pokémon morcego não conseguia encontrar uma brecha para qualquer movimento, e quando menos esperava, pôde ver o Mudkip exalar uma forte fumaça de seu corpo e partindo diretamente ao encontro oponente. Aquele golpe armazenava energia para em seguida libertá-la com força total para cima do oponente. O Crobat foi lançado contra a parede e teve uma série de rochas caindo por cima de suas asas, fazendo com Maxie ficasse cada vez mais irado.
— Camerupt, ataque!!
O Pokémon do líder era sem sombra de dúvidas o mais poderoso da espécie, o Camerupt de Courtney era bem treinado, mas não passava de uma simples pedra no caminho da lava exalada por um vulcão incandescente. E ainda assim, a moça tinha esperança da vitória.
— Camerupt, acabe com eles utilizando o Lava Plume! — ordenou Maxie em toda a sua ira.
Aquele golpe trazia lembranças para Courtney, ele acertava todos os oponentes em batalha com um magma muito quente. Swellow não conseguia esquivar-se, e nem mesmo Mudkip que tinha uma pele mais resistente era capaz de aguentar tamanho impacto.
Courtney e Brendan também pareciam sofrer com a nuvem de lava que estava formada. O fogo ardente queimava e derretia a mais pura rocha, e o golpe de fogo havia acertado até mesmo Courtney que se esquivava em vão. A moça aos poucos sentia a dor da queimadura em seu abdômen, Brendan tentava ajudá-la, mas sua concentração estava direcionada a ouvir uma risada sinistra vindo de Maxie que parecia perder o controle.
— Vocês serão derrotados!! Derrotados!! E depois serão mortos para que os vermes comam de sua carne embaixo da terra pela eternidade!
— Vai se cuidar cara, você não bate bem na cabeça! — encarou Brendan lançando uma segunda pokébola — Vou fazer você silenciar-se para sempre depois de ter acabado com você. Milotic, vá!
O Pokémon marítimo causou uma grande surpresa em Maxie no momento em que fora lançada, mas o homem não teimava em cada vez mais ordenar que seu Camerupt golpeasse o oponente que aguentava os golpes com um escudo aquático.
— Milotic, use o Water Pulse!
—   Camerupt, continue com o Lava Plume! Queime tudo à sua volta, derreta a terra para que todos sejam aprisionados no abismo do mundo!
O ataque não surtia muito efeito na serpente, mas ainda assim causava um imenso estrago na sala que aos poucos começava a ficar mais quente pelas correntes de magma que se formavam. Maxie parecia ter perdido a razão, e agora apenas ordenava que seu Pokémon destruísse ainda mais aquilo que ele mesmo havia construído.
— Milotic, use o Water Sport para diminuir o dano!
— Você vai morrer, garoto! E depois vai arrepender-se por ter acabado com todos os meus planos! Mas não pense que esse é o fim dos Magmas, pois nós seguiremos com nossos ideais e logo reconstruiremos tudo novamente!! Camerupt, utilize o Magnitude!!
O Pokémon camelo partiu com suas patas diretamente ao encontro do chão, causando um enorme terremoto na cratera. O Magnitude era um golpe de sorte, e pelo visto causara o impacto mais forte possível. A estrutura da caverna parecia estar caindo quando os jovens puderam ouvir o barulho de uma explosão. As pedras que caiam ativaram algumas bombas que pouco a pouco começavam a explodir na caverna e causar enormes estrondos.
A Milotic de Brendan estava assustada, mas Maxie nem mesmo tinha consciência do que fazia para si mesmo, ele apenas ria enquanto glorificava-se da queda dos Magmas. Brendan retornou seu Pokémon e tentou levantar Courtney que mal conseguia mover-se pela dor que ainda sentia. A mulher tinha uma feição de ódio estampado em seu rosto, ela levantou-se com as últimas forças e partiu para cima de Maxie, segurando-o pela gola e dando um soco em seu rosto, forte o bastante para deixá-lo inconsciente.
— Queime com tudo que você criou, seu desgraçado.
Courtney correu para o lado de Brendan que acompanhava a mulher na maior velocidade possível para deixar a área, embora suas pernas não pudessem se mover muito bem pela queimadura que recebera na batalha contra o Camerupt.
— Vamos Courtty, o tempo está acabando e as bombas estão explodindo por conta do terremoto causado!! Ele danificou a estrutura do lugar, a caverna pode explodir a qualquer momento! — gritou Brendan.
A moça apenas apoiou-se na parede sem conseguir respirar muito bem. O ar abafado dos corredores escuros fazia com que ela se sentisse ainda mais exausta. Courtney caiu no chão de joelhos como se desistisse de tudo por um momento, mas Brendan aproximou-se dela e tocou em seu rosto com os olhos umedecidos.
— Por favor, Courtney!! Precisamos ir logo antes que o local exploda!
A mulher deu um leve sorriso, mas em seu rosto era evidente que ela já não estava muito sã do que acontecia a sua volta. Ela também segurou o rosto do menino da mesma forma e encarou-o nos olhos.
— Importa-se de dizer agora aquilo que você havia dito que contaria quando chegasse em sua casa?
— Não, não!! Eu disse que só contaria quando nós dois chegássemos juntos em casa, e eu não vou contar enquanto você não estiver lá comigo! — respondeu ele de modo eufórico.
— Temo que eu nunca mais vá chegar em casa. Acho que não teremos mais como aproveitar as noites escuras em seu quarto para ler livros, da mesma forma que não nos divertiremos mais ao lado dos idiotas do meu batalhão...
Brendan abraçou a mulher não conseguindo conter o choro, Courtney parecia ser como uma irmã para ele, pois o garoto não passava de uma criança aos seus braços.
— Eu não vou sem você! De forma alguma!!
Courtney procurava uma passagem, mas não tinha nenhuma evidência na caverna. Brendan era pequeno, e por isso não teria tempo de carregar a mulher o caminho todo até escapar da base. Provavelmente Pierce os procurava incondicionalmente, mas na velocidade que as pedras caiam era possível que todas as passagens já tivessem sido cobertas. Não havia escapatória.
— Diga àquele desgraçado do Pierce que eu quero que ele tome conta de você até o dia em que você não aguentar mais aqueles três na sua cola. Ouviu? É a minha última ordem para ele, e se você aparecer com uma ferida de novo e juro que acabo com ele. — respondeu Courtney ofegante, como se já não conseguisse respirar muito bem pela grande quantidade de cinzas e poeira naquele corredor.
— O que está dizendo?! Quer que eu a deixe para trás?? Independente do que as pessoas dizem, você tem de ouvir seu coração! Não existe nenhuma barreira para quem realmente deseja algo!! Lembra do livro?! A garota não conseguiu juntar-se ao grupo que sempre sonhou? E no final ela terminou junto o personagem que gostava!!
— Era só um livro, Brendan... Meu coração já foi consumido pelo fogo há muito tempo, não tem como reconstruir.
— Mas é possível emoldurá-lo. Eu esperaria todas as noites para vê-la como uma estrela no céu, mas eu nunca me contentaria em te ver apenas de longe, quero tê-la ao meu lado como todos esses dias que você fez dos melhores em minha vida.
Courtney manteve-se quieta enquanto encarava as rochas caírem ao seu redor. Não sabia se sentia medo, ou se estava simplesmente aguardando que a sua hora chegasse. Ainda era tão nova, e criança em seus braços era mais ainda. Os dois teriam tanto a aproveitar da vida, e aquela situação a chateava. Brendan olhou para a mulher e segurou seu rosto novamente, não conseguindo conter o que já guardava por muito tempo.
— Courtney, eu te amo! Por favor, você foi a única pessoa que despertou tamanho sentimento em mim, e eu sinto que gostaria de ter você ao meu lado para sempre! Por favor, não me abandone!!
Os olhos de Courtney derramavam lágrimas, mas ela não tinha coragem até aquele momento de dizer como realmente se sentia. Ela virou-se na direção de Brendan e deu um leve sorriso.
— Você esperaria quatro anos? Esperaria o tempo que fosse necessário para ficar ao meu lado? — perguntou ela.
— Quatro anos. — afirmou Brendan.
Courtney sorriu e logo deu um rápido beijo no rosto do garoto. Um simples beijo delicado como alguém que pretendia retornar em breve. Ela levantou-se, em seguida encarando uma parede que estava em sua frente com um explosivo aparentemente inativo.
— Siga sua vida e faça o que te faz feliz.
Courtney em seguida retirou seu Swellow que ainda parecia ter pouca energia, mas o suficiente para seguir sua treinadora até o fim. Ela partiu em direção da bomba, de forma que somente fosse capaz ouvir uma grande explosão. Brendan apagou, sua audição estava atordoada pelo forte barulho da explosão. O menino estava muito machucado pelos estilhaços e pedras lançadas; o garoto não teve tempo de negar, não teve tempo de associar o que acontecera naquele instante, tudo que pôde ouvir foi uma grande explosão, e logo, um intenso clarão surgia em sua frente.
Brendan pôde ver um homem carregando-o no colo para fora da base. Ele também estava muito machucado e tinha a parte direita do corpo toda ensanguentada. O homem corria muito rápido, e no momento em que ele pôde sentir a claridade novamente eis que surgiu uma segunda explosão, mas muito maior e de mais intensidade. Brendan agora estava caído no chão de fora da caverna enquanto delirava, pensando ser aquela a última vez que veria as estrelas no céu. 


Burning Love (Capítulo 8)


CAPÍTULO 8
Queimando Como Fogo

O sol ainda escondia-se por trás das cadeias montanhosas de Hoenn. Era por volta das sete horas da manhã, com o passar da noite esperava-se que todos tivessem um descansado merecido antes de atacar o Team magma, e apesar do grupo ter ficado muito tempo acordado, cada um dos soldados do batalhão pareciam revigorados e prontos para seguir em batalha. Kenji havia preparado um café da manhã reforçado para seus companheiros, e agora eles apenas esperavam que Courtney acordasse.
Brendan preparava-se como se fosse sair em uma jornada Pokémon, mas era uma sensação diferente, era como estar em uma batalha dos vídeo games que sempre apreciou, ou então em seu próprio mundo de escrita e imagináveis aventuras heroicas. Sentia como se estivesse ao lado dos guerreiros mais fortes do mundo, e por isso daria tudo de si.
— Vamos lá Mudkip, hoje nós iremos dar o nosso melhor!
Brendan correu descendo as escadas e deparou-se com seus companheiros com mapas e compassos sobre a mesa. Kenji era um ótimo estrategista, e Pierce tinha acesso à todos os mapas do Magma Hideout, e por isso eles poderiam bolar uma tática adiantada e atacar através do elemento surpresa. Era raro ver Pierce trabalhar sério, mas quando ele vestia seus óculos era evidente que ele estava se muito concentrado em algo. Apesar de não possuir nenhuma formação acadêmica, ele conhecia muito da geografia das áreas, e sua ajuda na equipe seria essencial.
— Poderíamos usar a área de treino de cada batalhão e no caminho de volta implantar bombas em cada corredor de forma estratégica. Teremos cerca de sete minutos para evacuar a área, mas é tempo mais do que suficiente se utilizarmos a passagem do sul. — explicou Pierce com um dos mapas em sua mão.
— Bombas seria algo divertido. Colocar aquele lugar abaixo... — comentou Kenji, servindo um belo prato de comida para seus companheiros enquanto ajudava na cozinha.
Brendan sorriu e cumprimentou os colegas na mesa, sua mãe também estava acordada e já fora informada da invasão que eles realizariam, embora para ela aquilo não passasse de uma simples diversão para seu filho. Como de costume, a última a acordar era sempre Courtney. A moça desceu as escadas e logo chamou a atenção de Brendan que bebia um copo de leite, ela vestia um vestido vermelho e ainda estava com seus cabelos molhados, parecendo ter saído do banho há pouco tempo. Era a primeira vez que Brendan a via tão delicada, parecia ser uma jovem estudante com seu rosto doce e juvenil.
— Acorda garoto, você estava olhando para mim parecendo enfeitiçado. — disse Courtney, dando um leve tapa na cabeça de Brendan que saiu de seu transe.
— N-Não faz isso comigo! Eu só estava pensando... — retrucou, recebendo um doce sorriso por parte da moça.
Courtney espreguiçou-se, e logo colocou um pouco café em uma xícara. Ela esticou suas pernas e direcionou seu olhar para a janela que dava visão para o Mt. Chimney. Por um momento ela pôde sentir a dor do fogo em seu abdômen, colocando a mão por cima da roupa na tentativa de não evidenciar a dor que sentia, embora Brendan percebesse que ela ainda não estava completamente recuperada.
— Já avisou sua mãe que você vai sair em uma missão super importante e pode nunca mais voltar? — perguntou Courtney.
— Falei sim, e ela só disse que era pra mim voltar antes das oito... Acho que ela não entendeu a raiz da questão, mas isso não importa, afinal, eu vou voltar de qualquer maneira. — riu o garoto.
Courtney gostava da perseverança de Brendan, e sabia que os dois seguiriam juntos até o fim. 

A estratégia já estava pronta, Pierce arrumou seus mapas e colocou-os em uma bolsa que guardava em seu cinto, preparando seus companheiros que deveriam agir muito rapidamente naquele instante.  Courtney havia pedido pelo menos cinco minutos para resolver sua situação com Maxie antes que as bombas explodissem, de modo que eles tivessem de aumentar o tempo para que não corresse perigo de ninguém ficar preso dentro da corporação. Courtney ainda esperava o momento de sua vingança contra o homem, e não desistiria enquanto não o encontrasse.
— Ae pivete, você tem certeza que consegue fazer isso mesmo? Eu não duvido do seu potencial, mas é que agora a situação vai ficar bem séria, e os Magmas estão sempre armados com Pokémons fortes. — disse Pierce.
— Não se preocupe, eu tenho a minha arma secreta. — disse Brendan com um sorriso, rodando uma pokébola de aparência diferente em sua mão.
— Está falando do Mudkip?
— Claro que não! — disse Brendan, notando uma triste feição na cara do pequeno Pokémon — Quero dizer, ele também irá me ajudar muito, mas o mais importante é que ontem à noite eu encontrei um presente que eu havia pedido para o meu tio lá de Sootopolis. Dentro desta caixa havia esta pokébola que contém um Pokémon muito poderoso.
Brendan lançou a pokébola no quintal que liberou uma série de brilhos espetaculares que enxiam as redondezas de beleza e graça. A forma de uma serpente marítima foi tomada, revelando assim uma Milotic tão linda quanto qualquer outro Pokémon. Aquela serpente pertencia à um dos tios do garoto, e por evoluir em um nível baixo faria com que Brendan tivesse total controle da criatura. Ela tinha escamas brilhantes e reluzentes, sua cauda balançava como um toque suave e ela tinha um olhar sedutor. Na realidade, aquela Milotic o lembrava muito da própria Courtney, pois para ele era a Pokémon mais linda do mundo.
— Caramba, maluco!! Um Pokémon aquático como esse será o suficiente para a gente acabar com todo mundo lá na base! Se deu bem carinha, esse sim vai ter sucesso no futuro! — brincou Pierce.
— Vamos logo rapazes, não quero demorar nem um instante para chegarmos logo ao Magma Hideout. Sinto o meu sangue fervendo, e não estou disposta a voltar atrás. Afinal, tenho a sensação de que encontrei aquilo que busquei durante toda a minha vida. — sorriu Courtney, lançando um rápido olhar para seus companheiros e lançando uma pokébola na sequência.
Os três soldados possuíam seus Golbats para realizar a viagem área, enquanto Courtney tinha seu fiel Swellow em mãos. Brendan não possuía um Pokémon voador, mas não demorou até que eles vasculhassem a área em busca de um Taillow que pudesse leva-los até o local para em seguida ser solto.

Seria uma viagem longa, e o grupo de Courtney sabia exatamente o que fazer. O Mt. Chimney se aproximava, e ao chegarem eles haviam se infiltrado atrás de algumas rochas onde eles sabiam que os Magmas não realizavam a patrulha. O Taillow de Brendan acabara por decidir continuar seguindo com o jovem, que aos poucos começava a formar uma equipe de Pokémons poderosa.
Donny trazia uma série de bombas em sua mochila gigante, de modo que os três soldados fossem infiltrar-se na base para instalá-las pela amanhã e fossem utilizadas às seis horas em ponto, quando a vigilância era diminuída e grande parte dos soldados saíam para descansar.
— Chefia, nós iremos fazer nosso serviço bem rápido, mas assim que voltarmos nós esperaremos o horário e atacaremos a base causando uma explosão. — explicou Pierce.
— Infelizmente é melhor a Senhorita não ir junto conosco, e nem mesmo o pequeno Brendan, pois os outros iriam facilmente reconhecer uma mulher e uma criança. Nós três, por outro lado, estaremos disfarçados e passaremos a colocar as bombas em lugares estratégicos. — continuou Kenji.
— Por favor, voltem à salvos. — implorou a moça, segurando no ombro de Pierce que lançou um último olhar para ela.
Pierce suspirou e em seguida deu um sorriso.
— Qual é, você acha que a gente ia se meter em encrenca? Somos o esquadrão Fogo Azul, principal do seu batalhão, a gente nunca comete enganos! — brincou ele.
Courtney sorriu e logo se sentou atrás da pedra novamente. Os três soldados saíram em disparada e logo deixaram os dois para trás. A moça confiava em seus companheiros, mas sabia do que os Magmas eram capazes de fazer caso eles fossem pegos.
— Boa sorte. — desejou ela com um suspiro final.

• • •

Pierce, Kenji e Donny estavam disfarçados com coletes negros e vermelhos no mesmo estilo dos Magmas, embora tapassem seus rostos com óculos escuros de modo que os outros não tivessem a oportunidade de examiná-los. Apenas Donny teria mais dificuldade, de modo que ele tivesse que ser coberto quase que por inteiro para que os outros não notassem sua altura e seu tamanho físico que já era bem conhecido na facção.
— Japa, você segue pelo lado oeste. Café, vai pelo lado leste. Eu estarei implantando bombas nos corredores até o norte, mas precisamos estar atentos para que ninguém sequer descubra nosso disfarce. Caso alguém suspeite, não hesite em apagá-lo — explicou Pierce, colocando seu capacete e em seguida segurando uma mochila com explosivos.
O homem fez um rápido sinal para que os três se dividissem, e assim, começassem a implantar as bombas. Pierce sabia muito bem onde posicionar cada uma, e a tática de Kenji era boa o suficiente para que não houvesse enganos. 
Donny tinha dificuldades em colocar as bombas, ele era desengonçado e os explosivos pequenos demais para suas mãos brutas. De repente, um soldado acabou por passar ao seu lado, perguntando o que ele estava fazendo.
— Eae novato, o que faz aqui? — perguntou um integrante dos Magmas.
— Hm, eu sou mecânico. — respondeu Donny sem saber muito bem o que responder.
— Ahh sim, então siga em direção desse corredor até o final e você vai encontrar a televisão quebrada, e se conseguir também aproveita e coloca uma antena sem fio pra gente. — respondeu o soldado, continuando seu caminho, mas logo em seguida retornando — Espera um pouco, você não é o Donald Coffey, do segundo batalh...?
Antes que o homem pudesse terminar ele já tinha levado um soco que o colocra totalmente fora de órbita. Donny fazia gestos estranhos percebendo que havia feito algo errado, mas logo deitou o soldado sobre uma maca que havia nas redondezas e continuou a implantar as bombas.

Pierce tinha uma velocidade absurda, e ele corria muito para finalizar o serviço e logo retornar para colocar o plano em prática. De fato, ele é quem tinha o maior risco ao aproximar-se da sala de Maxie, e ao passar próximo a porta de seu chefe ele não hesitou ao ouvir estranhas conversas vindas da outra sala. Pierce encostou sua orelha sobre o chão de forma que pudesse escutar o movimento dentro da sala, concluindo que haviam duas pessoas no local. Ele aproximou-se da parede de rocha e passou a ouvi-las.
— O seu batalhão falhou em acabar com uma garota? UMA garota? Não sente vergonha, Tabitha? O principal batalhão dos Magmas sendo derrotado por uma garotinha indefesa que nem mesmo conseguia  levantar-se? — indagou Maxie furioso.
— Mas, Senhor, trata-se da Garota Flamejante. Você sabe do que Courtney é capaz, e além disso, ela está na companhia daqueles três soldados que você expulsou da equipe. O plano deles fugirem falhou, e parece que agora eles seguem viagem com a moça. — explicou Tabitha.
Maxie pareceu erguê-lo pela gola a ponto de dar-lhe um soco, mas sua postura de chefe falava mais alto, de modo que ele soltasse o comandante e se virasse para sua mesa.
— Precisamos dessa garota morta. Ela não vai cumprir a missão, e caso isso aconteça é muito provável que ela vá contar nossos planos para a polícia ou para o próprio Norman. Ela é uma ameaça, e deve ser morta o quanto antes. — disse o homem — Está dispensado, Tabitha. Continue seguindo com sua equipe e trate de armar novos soldados para atacar novamente. Na próxima ela não escapa.

O comandante fez um rápido sinal de continência e saiu da sala às pressas, não demorou para que Pierce pegasse uma certa distanciasse e o imobilizasse por completo, de modo que Tabitha não pudesse nem mesmo gritar para chamar por socorro.
— Ei, campeão, lembra de mim? Eu estava concorrendo junto com você ao cargo de sub administrador do primeiro batalhão dos Magmas, mas adivinha? Eu tô fora da facção e vou acabar com todos vocês. — disse Pierce, amarrando a boca do homem e amarrando-o com cordas — Você é desprezível em ter fingido ser amigo da Courtney durante todo esse tempo, e eu não vou hesitar em acabar com esses amigos falsos dela.
Pierce amarrou-o e implantou uma bomba logo na parede em cima de Tabitha, o que causava pânico no homem que não conseguia livrar-se de modo algum.
— Diga, Adeus, companheiro.
Pierce havia finalizado seu serviço, e logo ele já se preparava para deixar a base dos Magmas. Ele não sabia se Kenji e Donny haviam feito conforme o planejado, mas logo seriam seis horas, e eles precisavam correr para retornar ao lugar que sua líder estava e preparar a explosão.

Courtney permanecia séria enquanto encarava o chão de forma preocupada. Ela confiava em sua própria força e na de seus amigos, mas por um momento sentiu medo de perdê-los, principalmente agora que ela havia finalmente encontrado aquilo que sempre buscou, que eram amigos e uma família que se importasse com ela. Brendan suspirava cada vez que direcionava seu olhar à entrada da base e não via ninguém, ele teimava em olhar para o relógio que avançava com pressa, o que causava um certo desconforto no garoto.
Ele olhou para Courtney que parecia muito nervosa, ela mordia seus beiços de ansiedade e parecia muito querer ter alguém ao seu lado. Brendan aproximou-se dela e sorriu.
— Lembra do livro que lemos aquela noite? Por mais que você fosse uma vilã, eu sempre soube você tinha um bom coração. — disse Brendan com um sorriso.
— Eu lembro que a personagem daquele livro morria de uma terrível doença no final. Então, ela virava uma linda estrela que guiava o protagonista em torno de sua vida. — respondeu ela com um sorriso ao lembrar-se do que acontecera.
— Se agora fosse noite eu gostaria de olhar para o céu com você ao meu lado. Deve ter uma estrela lá em cima que te representa.
— Está falando que eu vou morrer?
— C-Claro que não! Eu apenas queria dizer algo especial pra você, mas o problema é que... Ahh, eu me enrolo todo e nunca consigo falar o que sinto!! — resmungou Brendan.
Courtney aproximou-se do garoto que agora estava deitado no chão sem saber como encarar a moça. Ela deitou-se sobre ele e ficou por cima com seu corpo inclinado, encarando-o nos olhos, como se estivesse extremamente curiosa em saber o que ele tinha a dizer. Brendan virava o rosto por não conseguir olhar profundamente nos olhos de Courtney e dizer o que sentia, suava frio enquanto sentia o leve peso da moça sobre seus ombros. Seus olhos eram tao vermelhos quanto as chamas de amor que ardiam em seu coração.
Permaneceu nos devaneios de seus pensamentos, os dois se encararam por alguns segundos que mais pareciam diversas horas de olhares apaixonados, mas logo Courtney tornou a interrompê-lo:
— O que você queria falar?
— Não era nada, só bobeira da minha cabeça.
— Me conta. — implorou ela.
— Eu te conto quando chegarmos em casa.
— Seu maldito! Você sabe que eu sou curiosa, e agora vai me deixar esperando até lá?!
Courtney segurava Brendan que continuava a dar risada com a curiosidade da moça, mas os dois logo foram interrompidos quando Pierce e os outros dois saíam da base às pressas. Pierce correu para trás da pedra e jogou-se no chão para que não fossem vistos. Parecia que alguns Magmas já estavam saindo da base, e aquela seria a hora perfeita para que eles atacassem.
— Missão completa, chefia. — disse Pierce, fazendo um sinal positivo com seu polegar.

O grupo esperou somente mais um pouco, e ao sinal de Courtney, eles adentraram. A intenção da moça era somente tirar satisfação com Maxie, e ter o gosto de derrotá-lo como nunca fizera antes. Kenji e Donny continuariam escondidos atrás da pedra, monitorando o movimento dos companheiros e a explosão das bombas, somente no aguardo da autorização para que a base fosse implodida. E por esse motivo, Courtney não poderia levar muito tempo em sua conversa. 
Brendan e Pierce corriam ao lado da moça que seguia com perseverança. Eles adentraram a base e correram pelos corredores com pressa. Courtney conhecia aquele local muito bem, e por isso rumava diretamente em direção da sala de Maxie. Porém, em um dado momento, Pierce virou seu caminho e disse ainda ter algumas coisas a resolver.
— Te encontro na saída princesa, não vai se meter em apuros também e implorar por seu cavaleiro vir te salvar! — brincou Pierce com sua ironia.
— Obrigada, seu idiota. Agora cumpra seu dever. — respondeu ela com um sorriso, sendo este o seu singelo jeito de demonstrar o quanto estava feliz com alguém.
Brendan agora era o único que corria ao lado de Courtney, ela sabia exatamente para onde gostaria de chegar, e teria cerca de quinze minutos para resolver suas contas com Maxie.
— Garoto, não precisa me seguir se não quiser. — disse ela.
— Você não se livrou de mim na primeira, não vai ser agora que vai se livrar. — respondeu Brendan ofegante enquanto corria.
A mulher não tinha tempo para sorrir, mas estava feliz em ter o garoto ao lado. Ela continuou seu caminho pelos corredores intermináveis da corporação até que finalmente alcançou a sala de seu chefe. Ela não poupava sua educação escassa em dar as boas vindas, chutando a porta com força e encarando o homem que agora parecia surpreso. Ao lado de Courtney estava Brendan, que carregava uma pokébola em sua mão.
— Você brincou com o fogo, agora aguenta se queimar. — disse Courtney com ferocidade.


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