Posted by : CanasOminous Jan 29, 2014

Por algum motivo, conversar com a Marina me fazia bem... Houve uma vez que tivemos a oportunidade de planejarmos uma parceria entre Sinnoh e Johto utilizando o Volkner e a Jasmine como dois dos líderes mais adorados de nossas regiões, e como tantas outras ideias que temos de interligações na aliança, elas dificilmente acontecem... Todos sabemos que não é nada fácil duas pessoas juntarem suas escritas tão diferentes para trabalharem um especial que requer um carinho em especia de ambas as partes, para sair algo deve realmente existir certa química nessas parcerias, em cada palavra. Uma espécie de carinho pelo outro, uma comunhão. 

Eu estava muito inspirado para trabalhar neste especial, e pela primeira vez senti que poderia sair alguma coisa [e isso foi há uns 8 meses...] Mesmo que hoje a Marina esteja afastada por seus próprios motivos, senti que eu deveria fazer isso para ela. Há tempos eu não a vejo, mas espero que esteja tudo bem. Conversamos apenas uma vez sobre o enredo que este especial deveria tomar, tratamos de conhecer o que cada um preparava com seu personagem uma única vez, e a Marina deixou o restante em minhas mãos. Todavia, ela pediu para que eu colocasse essa frase em especial: Johto não tem belas paisagens como esta.

Bem, o tempo passou. Não sei se ela virá a ler isso ou sequer terá conhecimento desta pequena homenagem, mas que um dia chegue aos seus ouvidos. Com carinho,   Canas Ominous.


A Tourist in a Dream
A Gym Leader's Life

Homenagem à: Marina Bacchini.

A atenção de alguns moradores de Sunyshore foi atraída quando, inesperadamente, o farol da cidade voltou a funcionar. Pessoas espiavam pela janela, observando a luz com atenção e não escondendo um sorriso rasteiro ou um comentário que saía sem querer: Nossa, o farol está funcionando. Fazia tanto tempo que isso não acontecia...
Volkner tinha acabado de fazer os últimos reparos na central elétrica da construção, fazia uso da energia de seu Electivire para gerar toda a eletricidade necessária, enquanto sua Rotom e os demais Pokémons organizavam os móveis tirando aquela velha aparência de um farol assustador e esquecido pelo tempo. Estava abandonado há alguns anos, mas para o líder parecia que não ficara nem uma semana em sua ausência. Quando percebeu o estado daquilo que ele havia ajudado a construir, sentiu até mesmo arrependimento em deixar que a situação chegasse àquele ponto.
O homem levou as mãos até o bolso e encarou a janela principal suja de poeira. Mal dava pra enxergar o mar, teve de subir até o pico somente para sentir a brisa soprar para que a verdadeira beleza daquela cena fosse contemplada.
— Já faz quanto tempo que não subo aqui em cima? — sussurrou Volkner.
Sua Rotom apareceu repentinamente em sua frente, rodeando-o sem parar. O homem sorriu e tocou levemente nela com uma das mãos.
— Você também estava com saudade daqui, não? Muitas histórias, muitas lembranças... — disse Volkner ao apoiar os braços nas grades de ferro. — Por que será que durante um tempo eu deixei de amar essa visão?
Volkner ficou ali encarando o mar, mas sentiu que queria chegar mais perto dele, sentir as ondas, um pedacinho da cidade que já fazia parte dele.

Era fim de semana e não haveriam desafiantes. Em suas horas vagas, o líder vinha fazendo os reparos no ginásio e trabalhar no farol que precisava de uma séria reforma. Fazia tudo aquilo sozinho. A luz já funcionava, tudo estava em seu devido lugar ainda que um pouco empoeirado, mas aquele farol cinzento continuava morto e vazio por algum motivo.
Foi sozinho caminhando pela estradinha de pedras, pisando em conchas destroçadas e ouvindo o som do mar cada vez mais próximo. Tirou os sapatos lentamente, arregaçou a barra da calça e pisou na areia. Não teve nem como esconder um suspiro de alívio, era como se sua alma tivesse sido libertada.
Quis observar os barcos, tentou chegar mais perto da água e ficar olhando o horizonte até onde sua vista alcançasse. O vento salgado, o cheiro da maresia, Volkner tinha esquecido de valorizar cada uma das coisas que o fizeram amar tanto a cidade em que nascera.
Uma onda mais forte chegou a molhar seus tornozelos, fazendo com que o loiro saísse correndo de tão fria que estava a água. Volkner ouviu uma risada, e sem olhar para trás acabou rindo também. Pensava tratar-se de sua pequena Rotom que sempre ria de suas escorregadas, mas surpreendeu-se ao ver uma moça parada numa área mais elevada longe da areia, segurando um elegante chapéu de tempos antigos e com o vestido quase tão delicado quanto seda.
— Johto não tem belas paisagens como essa — disse a mulher segurando alguns equipamentos de pintura embaixo do braço, e aparentemente estando de passagem quando viu o sujeito solitário naquela praia deserta.
Volkner enfiou as mãos no bolso e olhou para os lados.
— Ouvi dizer que é uma das regiões mais lindas do Mundo Pokémon, por que considera Sinnoh melhor?
— Não sei, talvez porque depois de tantos anos vendo a mesma coisa, chega uma hora que nos acostumamos e deixamos de reparar — disse a moça com um sorriso cativante. — Não é verdade?
Volkner acenou brevemente com a cabeça. Ela olhou para os lados, e depois caminhou mais um pouco até achar uma pequena área na restinga, coberta de grama e areia, rodeada de coqueiros que davam sombra fresca.
— Se importa se eu pintar aqui? — perguntou a moça.
— Fique à vontade. — Volkner respondeu quase como se fosse o dono daquela área particular.
Estava bem acostumado a receber visita de desafiantes todos os momentos, mas era raro alguém que ia até seus domínios para pintar ou desenhar um quadro, como acontecia agora. Uma turista na região. Volkner não era do tipo que gostava ou compreendia arte, mas via que ela moça tinha algo de peculiar que chamava sua atenção.
— Percebo que não é de Sinnoh, você tem um sotaque diferente.
— Ahh, as pessoas daqui vivem dizendo isso, mas para ser bem sincera eu nem percebo. É algo natural, sabe? — ela voltou a sorrir enquanto colocava um pouco de tinta em sua palheta e separava seus materiais. — Por que? É um sotaque que te incomoda?
— Não, não. É muito bela para falar a verdade, me lembra o sotaque dos ingleses. Afinal, todos nós falamos a mesma língua, embora algumas vozes soem diferente para os ouvidos de cada um que sabe ouvi-la — respondeu Volkner.
— Hm, percebo que gosta de música — a moça sorriu, virando-se para sua tela de pintura, mas mostrando claro interesse em continuar a conversa.
Volkner ajeitou a calça e sentou-se debaixo de um coqueiro. Viu algumas conchas de Shellders espalhadas pela praia, e podia ver que os Wingulls voavam livremente por todos os lados. Eram pequenas coisas que raramente ele notava em sua rotina, mas agora que recebera a inesperada visita daquela moça vinda das terras de Johto sentia que tudo ao seu redor fazia mais sentido.
— Qual o seu nome? — ela perguntou antes.
— Volkner, líder de ginásio da cidade de Sunyshore — disse o homem não escondendo certo egocentrismo ao dizer o título.
— Hm, líder de ginásio? Que coincidência, eu também sou — respondeu a moça com uma risada, e essa foi a vez de Volkner franzir o cenho.
— Está falando sério?
— Jasmine, líder de ginásio da cidade de Olivine, em Johto.
Volkner ajeitou suas pernas e cruzou os braços.
— Então devo acreditar que todas as mulheres de Johto são assim tão elegantes?
— Nem todas — respondeu Jasmine, pegando um pouco de sua tinta e começando a pintar um céu no quadro. — Seria o mesmo que eu perguntasse se todos os homens de Sinnoh são assim ousados.
Volkner deu uma risada confortante, não escondia aquele seu jeito de quando era jovem e só conseguia pensar em mulheres. Certas coisas nunca mudavam, mesmo para ele. E já fazia tanto tempo que não tinha uma boa conversa com uma garota daquele nível que se esquecera do quão gratificante era ouvir uma voz tranquila e sem preocupações... Já conhecera muitas mulheres de todos os cantos do mundo, e se ainda fosse um jovem cheio de desejos teria considerado a “Garota de Johto” a próxima meta para completar sua coleção.
Mas nem estava pensando muito naquilo. Considerava apenas... Saciar sua curiosidade.
— Líder de quê?
— Steel-type — falou Jasmine, gentilmente.
— Uow, algo bem inesperado para uma moça meiga e tão bonita quanto você.
Volkner esperou que Jasmine fosse ficar invocada com sua cantada oportuna. Porém, Jasmine virou-se e sorriu de uma maneira tão angelical que até mesmo o próprio Volkner se surpreendeu. Pelo visto pequenos elogios e sorrisos eram sempre bem vindos.
— Você só poder ser um líder elétrico então... Observando as vestes, o cabelo loiro, a maneira enérgica com que lida com tudo ao seu redor. Estou certa disso?
— Pelo visto uma das características das pessoas de Johto é serem bem observadoras e sensatas  também — respondeu Volkner. — Mas creio que nunca é possível conhecer alguém tão bem em tão pouco tempo... Você ainda parece um mistério para mim; uma artista, treinadora de tipos metálicos e com voz angelical. O que mais tem de interessante aí?
— Acrescente “generosa” aí no meio, e eu colocarei “atrevidos e charmosos” para a minha lista de Sinnoh.
Os dois riram da brincadeira, mas logo caíram no silêncio. O líder não esperava incomodá-la em seu momento de inspiração, mas sentia grande curiosidade em saber do que se tratava a obra.
— Você é artista?
— Não, não... É apenas um hobbie. Como eu havia dito, estou conhecendo mais do mundo. Vivi muitos anos de minha vida num único lugar, com as mesmas experiências, a mesma rotina de existência. Cansei disso, e experimentei procurar por novas ocasiões.
— É como uma nova fase para sua vida? — indagou Volkner.
— Bem assim.
— Também estou em busca de recomeçar tudo. Fiquei muito tempo parado procurando um sentido para a vida...
— E encontrou?
— Sim. Descobri que o sentido é não ter sentido. Faz algum sentido para você?
— Completamente — Jasmine sorriu de maneira honesta.
Jasmine continuou a trabalhar em seu quadro, e vendo que sua companhia era bem vinda Volkner decidiu deitar-se próximo à beira e ficar ali, descansando um pouco. O tempo passou, e a moça virou-se para Volkner saindo da frente do quadro, mostrando o que tinha feito até agora. Não passavam de rascunhos e outras partes inacabadas, mas parecia que iriam render uma peça muito bonita.
— Gostou? — perguntou ela.
— Sim, está ficando legal — correspondeu Volkner.
— Pois eu estou... odiando. Todos os meus quadros são a mesma coisa, a mesma paisagem, a mesma essência. Não importa o continente que eu viaje, não passa de uma tela branca que vai ganhando cor, mas sem saber o verdadeiro sentido do desenho...
Volkner estranhou aquela autocrítica da moça que ajeitou seus fios cabelo atrás da orelha e ajeitou o chapéu.
— Posso te dar uma sugestão?
Jasmine virou-se para Volkner que lhe lançou um olhar de relance.
— Por que não me desenha como seu modelo?
A moça começou a rir sem parar.
— Está falando sério? Alguém andou assistindo muito filme nos últimos tempos! Não está esperando que eu peça para você me desenhar nua como uma de suas mulheres francesas, não?
— Você também conhece o filme? — Volkner devolveu a risada.
Jasmine pareceu empolgada.
— Como não adorar? É um de meus preferidos!
A viajante de Johto voltou-se para seu quadro e o retirou do apoio. Guardou os equipamentos, limpou as tintas e preparou-se para ir embora enquanto Volkner apenas a perseguia com os olhos de um lado para o outro.
— Onde pretende ir daqui em diante? — indagou Volkner.
— Não sei... Conhecer pessoas, novos mundos, ser feliz. Acha que tenho chance de encontrar mais homens em Sinnoh com as definições que você me deu?
— Atrevidos e charmosos? Acho bem difícil, sou peça rara por essas bandas.
— Acho que vou acrescentar “convencido” para a lista.
Os dois trocaram olhares mais uma vez. Volkner estava encantado com a maneira que aquela moça, que apesar de tão tímida e meiga, ainda tivesse um olhar tão profundo e intenso, como se não tivesse medo de nada. Jasmine não desviou dos olhos dele por nenhum instante,  era como se um pudesse ler os pensamentos do outro.
— Fui atraída até aqui pelo farol, minha cidade também possui um, então acredito que me identifiquei com ele — despediu-se Jasmine. — Bem, mas agora vou indo.
— E a coincidência atua mais uma vez, afinal, este farol é meu.
Volkner gabou-se de ter acertado mais uma vez, e Jasmine falou surpresa:
— Nossa, verdade? Ele está em péssimo estado. Horrível.
— Ahh, eu sei... Estou tentando reformar, ficou abandonado por uns 2 anos por descuido meu... Mas a luz já está funcionando, pelo menos.
— Bem que você poderia fazer uma pintura nova, não? Alguns acabamentos, torná-lo mais convidativo. Meu farol é um dos pontos mais famosos de Johto, ele serve como guia para os desamparados, e, como você mesmo disse, um sentido para que não tem sentido.
Volker sorriu ao ouvir aquilo.
— Quer me ajudar a pintar?
— Eu? Vamos demorar um bom tempo se apenas nós dois formos dar conta de tudo.
— Eu não tenho pressa, — disse Volkner, calmo — e aparentemente você também não, já que estava apenas tirando férias e viajando por aí... Então, por onde devemos começar? Você joga tinta em tudo e eu fico sentado aqui olhando? Já aviso de antemão que não sou o cara mais caprichoso dessas bandas.
— Bom, vamos precisar comprar algumas tintas... Muitas tintas por sinal. Não espera pintar um farol inteira usando meus tubinhos de 200 ml, certo?
— Puxa, acho que agora terei que te apresentar a cidade... — respondeu Volkner, irônico, tentando não parecer interessado com uma risada.
— Que pena mesmo, acho que teremos que passar mais algum tempo nos conhecendo melhor, não? — Jasmine o acompanhou com o mesmo entusiasmo. — Por onde começamos?

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  1. "Draw me like one of your French girls".
    Nossa, se eu falar que sentia falta do Gym Leaders' Life, vc acredita?
    Nossa, esse especial simplesmente juntou minhas regiões favoritas de todos os tempos. Amo Kanto com todas as forças também, porém Sinnoh e Johto são especiais. E jasmine com certeza é papel importante nesse favoritismo. Só o fato de ela ter um steelix já é bem foda. Ela dar tm de iron tail depois de eu custar a matar ela só me faz amar ela mais. Ela trem uma história toda com o Amphy, o que dá um toque ainda mais legal.
    Já o volkner, ah, ele é o volkner. Foda e ainda tem o Tesla. Como superar isso? Kkk
    Mas vc fez o especial de uma forma excepcional, senhorito Canas. O capítulo foi leve. Sim, essa é a palavra certa. Deu um ar tranquilo. O romancezinho foi muitíssimo fofinho e bonitinho, e ficou prefeito.
    Mas vou me ir, provavelmente mais tranquilo após ler esse especial tão, ao mesmo tempo, foda e fofinho.
    Adieu,
    Moacyr

    PS: que se assucedeu a Gardenia? Morreu, casou? Tem coisa que tem que deixar claro! Kkk
    PPS: volta marina!

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  2. Diga ae, Grande Moa! Cara, um dos meus desafios neste episódio foi tentar passar para os leitores a sensação que dava quando eu conversava com alguém como a Marina. Toda aquela serenidade, e principalmente esse ar tranquilo de que você comentou, algumas brincadeiras internas como o fato de que o filme Titanic ser o favorito dela; enfim, é um daqueles episódios que mesmo seguindo sua própria história, ainda fica claro que eles foram feito especialmente para alguém.

    Fazia um tempão mesmo que eu não trabalhava com Gym Leader's Life cara. Este é provavelmente um dos especiais mais incríveis que eu tinha em mãos, e infelizmente eu não soube trabalhá-lo. Quando a fic terminar, pode ser que outras histórias desses líderes de ginásio ainda apareçam por aqui, e como você mesmo citou, seria bacana falar de alguns outros como a Gardenia que eu nunca mais toquei no assunto kkkkkk A galera da Aliança logo estará aí reunida mais uma vez, então quem sabe não conseguimos trazer muito mais? Tenho que fazer pelo menos uma colaboração com cada região, rs. Fico feliz que tenha gostado esse ritmo tranquilo, e agora só nos resta esperar, e quem sabe não temos a Marina de volta com uma região que todos nós tanto adoramos? Eu daria qualquer coisa para ver a Jasmine aparecer mais vez, algum dia, quem sabe... Abraços ae, companheiro!

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