Showing posts with label A Gym Leader Life. Show all posts

Random Access Memories

Há muito tempo, um especial que envolvesse o Volkner e a Elesa era um dos planos mais antigos que eu e o Sui tínhamos para interligar Sinnoh e Unova,  essa ideia esteve perambulando nossa mente desde os primeiros dias da Aliança Aventuras, mas infelizmente ela nunca aconteceu. Provavelmente porque trabalhar em parcerias assim e com personagens da franquia seja difícil, já que às vezes os pontos de vista não batem, e tratando de dois personagens tão amados nós sabíamos que tinha que sair algo realmente bom.

Depois que o Sui saiu, o especial caiu no poço do esquecimento... Foi então que surgiu uma leitora, apaixonada por nosso líder elétrico e que esperava uma história que ele não tivesse sempre de fazer par com a Jasmine, afinal, é impossível agradar gregos e troianos, não é mesmo? Aí entramos na parte cômica dessa história: E o que fazer com a promessa que eu tinha feito para a Marina? *risos* Eu posso demorar bastante para cumprir minhas promessas, mas não importa o tempo que demore, eu farei.

Tive que encontrar a resposta para a seguinte questão: Como fazer o Volkner terminar com duas personagens completamente diferentes ao mesmo tempo? Não foi nada fácil, mas acho que eu consegui.

Agradeçam à Luana Crispim, que fez esse especial acontecer, e que, por sinal, está sendo postado justamente hoje por um motivo: 31 de Janeiro é um aniversário dela. Feliz aniversário, querida! Esperamos que curta o presente, e que eu tenha conseguido acertar no roteiro certo para agradá-la. Com estes dois shippings inusitados, Volkner x Jasmine e Volkner x Elesa, eu espero que vocês não misturem as histórias e imaginem ele como um cara que ficaria com várias ao mesmo tempo. Escolham a opção que mais curtirem, e pelo menos dessa maneira todos nós saímos ganhando, não é? Algumas vezes nessa vida não podemos simplesmente escolher um lado preferido, então fazemos o possível para que todo mundo saia feliz! Boa leitura, galera.  Canas Ominous.


Random Access Memories
A Gym Leader's Life

Falar sobre amor é complicado. Alguns não sabem dizer onde erraram, e nem se a oportunidade apareceu em suas vidas. Preferem lamentar o que não tiveram ou esperarem a chegada da pessoa perfeita, aquela cara metade que completa a laranja e a alma. Coisa do destino. Bem, mas nem todos acreditam em destino. Ele vive pregando peças em certas pessoas como o sujeito desta história. Talvez seja ele que tenha levado a vida como uma brincadeira quando era criança, e continuou com essa mania até os dias atuais.
Mas alguns só percebem o que perderam depois de quebrar a cara.
Quando as pessoas dizem que conheceram a mulher perfeita bem ao lado de casa, é difícil acreditar. É comum perdermos essas oportunidades, mas quando voltamos dispostos a correr atrás, certas coisas já passaram.
Quando falo em perfeição não me refiro somente a beleza. Algumas vezes é até mais importante encontrar uma moça do tipo que o faz sentir-se bem, apenas isso. Ela era cheia de seus defeitos. Tinha seus próprios sonhos, suas próprias manias. Falava dos assuntos que ela gostava, e evitava aquilo que não era de seu agrado.
Perfeita por simplesmente ser dessa maneira.

A Tourist in a Dream

Por algum motivo, conversar com a Marina me fazia bem... Houve uma vez que tivemos a oportunidade de planejarmos uma parceria entre Sinnoh e Johto utilizando o Volkner e a Jasmine como dois dos líderes mais adorados de nossas regiões, e como tantas outras ideias que temos de interligações na aliança, elas dificilmente acontecem... Todos sabemos que não é nada fácil duas pessoas juntarem suas escritas tão diferentes para trabalharem um especial que requer um carinho em especia de ambas as partes, para sair algo deve realmente existir certa química nessas parcerias, em cada palavra. Uma espécie de carinho pelo outro, uma comunhão. 

Eu estava muito inspirado para trabalhar neste especial, e pela primeira vez senti que poderia sair alguma coisa [e isso foi há uns 8 meses...] Mesmo que hoje a Marina esteja afastada por seus próprios motivos, senti que eu deveria fazer isso para ela. Há tempos eu não a vejo, mas espero que esteja tudo bem. Conversamos apenas uma vez sobre o enredo que este especial deveria tomar, tratamos de conhecer o que cada um preparava com seu personagem uma única vez, e a Marina deixou o restante em minhas mãos. Todavia, ela pediu para que eu colocasse essa frase em especial: Johto não tem belas paisagens como esta.

Bem, o tempo passou. Não sei se ela virá a ler isso ou sequer terá conhecimento desta pequena homenagem, mas que um dia chegue aos seus ouvidos. Com carinho,   Canas Ominous.


A Tourist in a Dream
A Gym Leader's Life

Homenagem à: Marina Bacchini.

A atenção de alguns moradores de Sunyshore foi atraída quando, inesperadamente, o farol da cidade voltou a funcionar. Pessoas espiavam pela janela, observando a luz com atenção e não escondendo um sorriso rasteiro ou um comentário que saía sem querer: Nossa, o farol está funcionando. Fazia tanto tempo que isso não acontecia...
Volkner tinha acabado de fazer os últimos reparos na central elétrica da construção, fazia uso da energia de seu Electivire para gerar toda a eletricidade necessária, enquanto sua Rotom e os demais Pokémons organizavam os móveis tirando aquela velha aparência de um farol assustador e esquecido pelo tempo. Estava abandonado há alguns anos, mas para o líder parecia que não ficara nem uma semana em sua ausência. Quando percebeu o estado daquilo que ele havia ajudado a construir, sentiu até mesmo arrependimento em deixar que a situação chegasse àquele ponto.
O homem levou as mãos até o bolso e encarou a janela principal suja de poeira. Mal dava pra enxergar o mar, teve de subir até o pico somente para sentir a brisa soprar para que a verdadeira beleza daquela cena fosse contemplada.
— Já faz quanto tempo que não subo aqui em cima? — sussurrou Volkner.
Sua Rotom apareceu repentinamente em sua frente, rodeando-o sem parar. O homem sorriu e tocou levemente nela com uma das mãos.
— Você também estava com saudade daqui, não? Muitas histórias, muitas lembranças... — disse Volkner ao apoiar os braços nas grades de ferro. — Por que será que durante um tempo eu deixei de amar essa visão?
Volkner ficou ali encarando o mar, mas sentiu que queria chegar mais perto dele, sentir as ondas, um pedacinho da cidade que já fazia parte dele.

Endless Dream

Endless Dream
A Gym Leader's Life

Escrito por Leeca.

O vapor que subia da água quente da banheira quase completava o cômodo por inteiro, a pequena e única janela já estava completamente embaçada. O corpo que jazia deitado, relaxado dentro da banheira, era de uma mulher com corpo de sereia, os cabelos loiros estavam completam molhados, portanto, mostravam uma coloração mais escura que o habitual. A mulher lentamente abriu os olhos, havia adormecido, olhou para os lados tentando lembrar onde estava, e o que estava fazendo ali, a memória voltou como um raio.
Cynthia, a nova campeã de Sinnoh.
Desde que o antigo campeão perdera seu posto, Sinnoh sofrera uma época densa de liderança, ninguém permanecia no cargo de campeão  por mais que dois meses, mas ela estava disposta a mudar isso. A batalha fora dificil, pois continuava sendo uma Elite, e mesmo assim não era comparada à dificuldade que era na época da “Muralha de Ferro”, então, o posto foi tomado.
Toda a algazarra, a festa, a gritaria, flashs, entrevistas; desgastaram a mulher muito mais que ela mesma esperava, o que mais queria naquela situação era voltar para casa, tomar um banho e dormir, e foi exatamente isso que fez.
A água já escorria diminuindo seu volume pouco a pouco até sumir por completo, de pouco a pouco o vapor se dissipava dando espaço ao frio intenso de Sinnoh,  a mulher usava um robe branco cobrindo seu corpo escultural, mesmo depois do banho relaxante a tensão ainda estava presente em seu ombro, era uma pressão, uma responsabilidade, andava de um lado ao outro da casa, apenas escutando sua própria respiração e passos silenciosos, estava disposta a acabar com essa Era de instabilidade nos campeões de Sinnoh, mas para isso era necessário muito compromisso.

Um toque agudo assustou a mulher que virou-se com pressa, mas relaxou ao ver que era apenas seu pokégear que anunciava uma ligação. Suspirou desanimada, estava cansada de dar entrevistas e sorrir para uma câmera, mas a partir de agora seria sua obrigação, portanto, sem vontade alguma, atendeu a ligação.
— Sinto muito informar.  disse antes que a figura do outro lado da linha tivesse a chance de se pronunciar.  Mas não pretendo falar mais nada hoje, se puder ligar amanhã.
— E se for falar com um antigo amigo? Você cederia um pouco do seu tempo?  — a voz soou misteriosa e risonha.
Cynthia parou por um momento pasma, processou as palavras uma por uma lentamente, reconhecendo a voz,  parecia até que ela havia desligado o telefone.
— Cynthia? Você ainda está na linha? Alô?
— Por Arceus!  — A mulher deu um riso largo  —  Steven Stone?
— Você acertou rápido. — o homem riu  Pensei que havia me esquecido.
— E como poderia te esquecer?  — Ela sentou-se no sofá mais próximo enrolando as pontas dos fios de cabelos loiros. — Faz um tempo, só isso.
A mulher parecia realmente feliz, a primeira noticia aconchegante do dia. Ela e Steven haviam se conhecido há um tempo em uma expedição sobre pedras raras e a partir daí uma amizade forte os uniu. Steven sempre fora um homem educado e cortez, isso encantava Cynthia.
— Como está Hoenn? Preciso ir passar uns dias por essa região. — Antes de se sentir empolgada se lembrou de que agora seria difícil de sair de Sinnoh, pois tinha responsabilidades agora, obrigações.
— Se você vier me avise antes. Farei questão em hospedá-la em minha casa.
— Pois é. — disse em um desânimo — Mas acho que essa viagem vai demorar mais do que gostaria.
— Aconteceu algo? Parece deprimida?
— Você e seus instintos aguçados. — ela riu do próprio comentário — Não é nada, acho que apenas o cansaço. Estou bem melhor agora que você ligou.
E permaceram assim, conversando, como se o tempo não importasse ou deixasse de passar, ela se sentia bem apenas por ouvir a voz do homem, conversando sobre coisas triviais, bem a maioria dessas coisas envolviam pedras, mas ela não ligava. Seria um daqueles tipicos casos no qual de tanto se pensar em uma pessoa querida ela acaba se tornando mais que um simples amigo, alguém especial e Steven havia se tornado mais que especial.
— Meu Arceus! Olha a hora! — Cynthia disse em um impulso ao deparar o relógio que estava pendurado na sala, o objeto marcava 1:45 da manhã. — Steven, amanhã você não trabalha? Nossa, me perdoe ter te prendido aqui até esse horário! — disse em um pesar, pois não queria desligar o telefone.
— Que isso, Cynthia.  — ele sorriu — Não me importo com o horário, apenas... apenas fale mais um pouco comigo.
Cynthia sorriu, interpretando aquelas palavras dentro de seu coração.
— Sinto sua falta. — sussurrou, de olhos fechados.
— Cynthia?
— Ah! — Abriu os olhos. — Erm... Acho melhor eu realmente ir! — estava sem graça. — Amanhã eu e você temos coisas a fazer, não é mesmo? — andava de um lado ao outro da casa.
— O clima de Sinnoh continua frio, não é? Prefiro o clima de chuva e sol de Hoenn.
— Hã? Steven? Você está falando comigo?
— Estou. — ele riu — Apenas fiz um comentário. Sinnoh realmente é muito frio, não consigo me acostumar com esse clima.
— Do que você está falando? — ela riu não sabendo muito bem o que se tratava a conversa  Eu até que gosto do clima de Sinnoh.
— O frio foi feito para se passar com pessoas queridas, elas podem ficar mais próximas uma das outras.
Cynthia riu.
— Da próxima vez que nevar vou te convidar para passar uns dias em Sinnoh então.
— Mas está nevando.
Cynthia parou para refletir as palavras ditas por Steven, logo em seguida correu até a janela mais próxima abrindo a cortina com força. Pequenos flocos brancos caiam a partir do céu negro, pareciam que estavam dançando, caiam lentamente e depois sumiam quando encontravam seu destino, ela ficou fitando a negritude por poucos minutos, os olhos dela pareciam brilhar mais que a neve.
— Steven! Como você...
— Abra a porta, Cynthia. Está frio aqui fora.
A mulher prendeu a respiração com o comentário, o tempo pareceu ter parado. Saiu correndo, tropeçando em uma coisa ou outra no caminho, chegou a porta e abriu-a o mais rápido que conseguiu, o que viu foi um homem vestindo um pesado casaco e um cachecol, o celular ainda ligado perto da orelha e nas mãos um lindo buquê que flores silvestres.
— Ah, Cynthia. — ela conseguia ouvir a voz do homem a sua frente ainda pelo celular, a mulher estava ofegante pela subita corrida, as bochecas vermelhas e respiração de ambos formava uma fumaça que se dissipava pelo céu devido ao frio. — Esqueci de te dizer uma coisa, antes que desligue o telefone. — Steven esticou o buqué em direção a mulher. – Parabéns por ser a nova campeã de Sinnoh!
Ela estava sem reação, encarava o homem sem saber o que falar, segurou o buqué, mas ainda estava estática, ele sorriu para ela passando a mão gelada no rosto de mulher, colocando o cabelo loiro atrás da orelha.
— Junto com esse buquê virá milhares de responsabilidades, você é a nova campeã, você merece esse cargo, tenho certeza que encontrará uma Elite que fará jus ao seu nome, mesmo tendo mais obrigações nunca esqueça o que você tanto gosta, que é a sua pesquisa de pokémons, e mais importante que isso, nunca se esqueça que se você pensar em desisitir dessa vida eu vou estar aqui por você, para você.
Junto com a emoção forte veio as lágrimas de felicidade que foram limpadas pelas mãos frias de Steven, ela fechou os olhos sentindo o carinho, abriu-os para encarar os olhos esmeraldas cheios de amor. Esticou as mãos até alcançar o pescoço do homem envolvendo-os e puxando-o até que os lábios ficassem colados esquentando o corpo naquele clima frio.

• • •

— ...thia... ynthia... Cynthia!
Ao abrir os olhos duas orbes esmeraldas podiam ser vistas, uma das mãos do homem acariciava o rosto gelado da mulher.
— Você vai pegar um resfriado, minha querida.
Cynthia levantou-se, estava deitada no sofá de sua casa, Steven estava parado a sua frente com duas xícaras que exalavam um aroma delicioso e fumaça que indicavam que a bebida ainda estava quente.
— Dormiu bem? — perguntou o homem — Parecia estar tendo um ótimo sonho — disse sentando-se perto da moça a olhando com carinho.
— Você e seus instintos aguçados.  ela riu, encarando aqueles olhos tão aconchegantes.  Sonhei com você, no dia em que me deu flores.
— Então foi um sonho maravilhoso. — ambos riram e ficaram assim por deliciosos minutos.
— Porque não vai tomar um banho quente? — disse o homem passando a mão nos cabelos loiros. — Vou deixar seu copo aqui. — Levantou-se posicionando as xícaras em um lugar seguro.
Ela concordou, Steven ajudou-a levantar e antes de sair depositou um beijo na bochecha rosada da mulher.
— Bom banho.
Ela sorriu e seguiu até o banheiro, abriu a porta com delicadeza e assustou-se ao deparar-se com um pequeno buqué, olhou para os lados vendo se achava uma explicação para a aparição do pequeno objeto, não chegou a conclusão nenhuma, chegou mais perto sentindo o perfume e pegou uma pequena carta que estava anexada ao buquê.

Para a Campeã de Sinnoh
Parabéns por ter completado 1 ano de liga! 
Você mereceu todas essas conquistas, vou continuar te apoiando!
Com amor,

Cynthia sorriu, segurou a carta e o buquê contra o peito abraçando-os.
— STEVEN!!
E ela correu para abraçar aquele que foi seu porto seguro, seu amigo, seu amante. Lá fora nevava, caia pequenos flocos brancos em uma imensidão negra, do mesmo jeito que aquela noite, um ano atrás, e os lábios se conectaram novamente selando um compromisso mudo.

Stone Flower

A Gym Leader's Life (Roark x Gardenia)

        A biblioteca parecia ser um dos únicos locais silenciosos na turbulenta cidade de Oreburgh. Os longos corredores eram todos feitos por um material especial que impedia a propagação do som no ambiente, eram muito bem iluminados com abajures elegantes que davam um tom rústico ao local que apesar de belo era pouco frequentado. Um rapaz jazia sentado em uma mesa próxima à janela que dava vista para o não tão elegante centro da cidade, mas mesmo assim aquela visão o agradava. Roark fora um dos responsáveis por grandes avanços em Oreburgh, e a visão do progresso era como sua recompensa.
        O céu estava plúmbeo como de costume, o capacete de trabalho do rapaz repousava em cima da mesa depois do cansativo dia de trabalho que tivera. Roark tinha em suas mãos um livro em que usava para pesquisar o significado de flores, algo que não era de costume para ele. Seus olhos estavam fixados nas letras miúdas que embaralhavam sua mente, fazendo com que ele nem mesmo fosse capaz de ouvir os lentos passos que cada vez mais se aproximavam da mesa em que estava sentado. Aparentemente era uma mulher pela leveza de seu andar, mas Roark parecia não fazer questão de saber quem passava ao seu lado. A mulher sentou-se na mesa e cruzou suas pernas, depositando levemente uma mão sobre a outra. Ela olhou para a janela e deu um longo suspiro, falando logo em seguida:
        — Não vai me cumprimentar? — perguntou ela, ainda sem desviar seu olhar da janela.
        — Perdão senhorita, é que eu estava um pouco concentrado lendo meu livro que nem notei sua presença. — respondeu Roark indiferente, ajeitando seus óculos e logo em seguida percebendo quem estava em sua frente — Waaaah!! P-Professora Roxanne??
        A mulher levantou-se de sua cadeira e apontou para Roark que recuou receoso, ele parecia surpreso em ver a mulher em sua frente, e ao mesmo tempo culpado por não ter cumprimentado-a educadamente.
        — Eu vim de Hoenn para visitar meu querido aluno, e é assim que você me recebe?! Vou trazer aqueles exercícios de matemática que você está devendo até hoje, só pra você aprender a ser mais educado!! E tem mais, por quê você não estava em sua casa? Eu tive que investigar a cidade inteira para encontrá-lo, se não fosse minha intuição para dizer que você estaria na biblioteca do museu eu nunca teria encontrado-o!!
        — D-Desculpa! Eu realmente não havia visto que era você Professora, é que eu imaginei que só fosse chegar daqui a uma semana, por isso não preparei nada para recebê-la! — desculpou-se Roark, olhando para a mulher que permanecia emburrada em sua frente — De verdade professora, eu teria preparado algo para recebê-la quando você chegasse...
        Roxanne suspirou e tornou a sentar-se em sua cadeira, apenas observando o rapaz confuso em sua frente.
        — Heh, heh... Eu te perdôo querido, mas não pense que fugiu dos exercícios de matemática que deixou de fazer, eu sei que você continua com dificuldades nessa área. Eu, como sua ex-professora, não posso deixar que continue com dúvidas.
        Roxanne encarou o rapaz que agora começava a suar frio, ela deu um leve sorriso e se retornou a fitar a janela. Enquanto estava irritada ela parecia ser a pessoa mais amedrontante do mundo, mas quando sorria era como uma doce garota delicada, frágil como uma rocha que é lapidada com cuidado. Seu nome era Roxanne, uma líder de ginásio do tipo rocha da longínqua região de Hoenn. Ela parecia ser alguns anos mais velhos que Roark, mas as marcas da idade não eram nem um pouco evidentes em seu rosto delicado. E por sinal, no passado ela fora do garoto professora na escola de treinadores da cidade de Rustboro, e após um convite amigo, ela agora se encontrava em Sinnoh visitando seu pequeno aprendiz.
        — Vejo que você cresceu bastante, como tem passado seus dias aqui em Sinnoh? — perguntou Roxanne.
        — Estou trabalhando na extração de carvão da cidade, além de continuar estudando os pokémons fósseis recentes que encontraram nesse continente. Sinnoh é um local fantástico, é repleto de cavernas e ruínas, e possui um subsolo formidável. Só sinto falta de um deserto, algo que eu costumava apreciar muito em Hoenn... — disse Roark.
        — As pesquisas também estão progredindo muito em Hoenn, mas não tenho tido muito tempo para treinar meus pokémons. Quando você me convidou para vir em Sinnoh achei que seria uma excelente oportunidade de evoluir meu Nosepass, mas ainda estou em dúvidas sobre isso, gosto dele do jeito que é... — comentou Roxanne — Bom, mas qual foi o real motivo pelo qual você me convidou para vir aqui? Faziam anos que você não mandava notícias, fiquei muito feliz ao receber a sua carta.
        Roark sorriu e guardou o livro em sua mochila, em seguida andou em direção de Roxanne e esticou a mão para que ela se levantasse.
        — Vamos para o primeiro andar, é melhor sairmos da biblioteca para não atrapalharmos o estudo dos outros. — disse ele.
        — Heh... Não pense que vai escapar dos exercícios de matemática só por sair da biblioteca, eu tenho tudo necessário guardado em minha bolsa, e não vou te deixar em paz enquanto você não resolvê-los, mocinho.
        Os dois sorriram e então desceram as escadas da biblioteca que levava ao museu localizado no primeiro andar, os dois continuaram seguindo até uma sala que só eram permitidos membros autorizados, mas como Roark era o responsável por todas as pesquisas do museu, os guardas abriram espaço sem hesitar.
        — Professora Roxanne, você se lembra do pokémon lendário que capturamos na rota 111?
        — Faz muito tempo isso... — assentiu ela pensativa — Quanto tempo se passou desde que ele foi transferido para Sinnoh contigo após todo aquele incidente entre os Elites, não? Você descobriu alguma coisa nova sobre o lendário Regirock? — perguntou Roxanne.
        — Não exatamente, mas alguns viajantes afirmam ter encontrado estátuas semelhantes a este pokémon em uma cidade chamada Snowpoint City, então eu estive pensando em tentar levar o Regirock para este local e quem sabe expandir algumas pesquisas novas... — explicou o rapaz.
        — Você lembra muito bem da capacidade de destruição desta criatura. Não tente nada absurdo. — explicou a mulher — Deixe-me vê-lo, fazem muitos anos que não o vejo. Sempre o achei... magnífico.
        Roark guiou sua tutora até um laboratório onde havia uma gigantesca criatura em cima de uma plataforma de metal. O pokémon parecia adormecido, e era mantido por máquinas de aço que estudavam a criatura de rocha. Era o pokémon lendário Regirock, capturado no deserto da região de Hoenn. A criatura mais parecia um golem feito de rocha sólida, no lugar de mãos ele tinha dois grandes martelos capazes de esmagar qualquer coisa. Guardando uma ferida na terra, aquele era um gigante de pedra de idade imemorial que atravessavam todos os limites do tempo, Regirock.



        — Este pokémon é fantástico, como eu desejava ter a capacidade de exercer controle sobre ele para poder estudá-lo melhor... Tenho certeza que ele guarda inúmeros mistérios que ainda não foram desvendados pela ciência humana. — disse Roxanne fascinada.
        — Eu estava pensando em tentar utilizá-lo na tentativa de descobrir o que está acontecendo no Snowpoint Temple, então eu gostaria de saber a sua opinião professora. — disse Roark.
        Roxanne olhou para o rapaz e deu um leve tapa em sua cabeça.
        — É claro que você não pode usá-lo. E se você não conseguir manter controle sobre este Pokémon e ele acabar fugindo? Pior ainda, e se alguma coisa de ruim acontecer com você?
        — D-Desculpa, eu devia ter pensado nisso... É que agora estou mais forte, não sou apenas um estudante novato como naquela época, e... — respondia o rapaz, até levar uma livrada na cabeça.
        — Aluno irresponsável. Agora terá que fazer mais cinquenta exercícios de matemática de lição de casa por ter tido a ideia ridícula de controlar um Pokémon lendário. — riu a mulher — Mas quer saber? Eu estou feliz em poder estar aqui. Você não sabe como senti a sua falta.
        — Hm... Eu pensei que você tinha dado graças a Arceus quando eu sai da Academia e fui para Sinnoh. — respondeu Roark.
        — É claro que não, bobinho, todo professor sente falta de seus alunos quando eles vão embora. E para falar a verdade, sentem orgulho quando sabem que eles se tornam pessoas miraculosas na vida. — retrucou Roxanne, passando a mão no rosto de Roark que continuava observando-a.
        Os dois saíram do museu e foram em direção de uma praça que havia ao lado do Centro Pokémon, no local também estava a mesma floricultura em que Luke comprara as flores para sua amiga, e isso trazia lembranças para Roark do aventureiro que ele conhecera há poucos dias. O rapaz andou até uma das cadeiras que haviam na praça e sentou-se na companhia de sua professora. A praça era um dos poucos lugares com grande vegetação na cidade, e no momento estava quase vazio, deixando os dois líderes de ginásio a sós.
        — O que você estava lendo na biblioteca? Parecia ser um livro de flores, mas acredito estar enganada. Você nunca estaria lendo um livro sobre o significado das flores. Você? Com flores? Não, não, não. — sorriu Roxanne.
        — Pode parecer que não, mas eu realmente estava lendo. — riu ele sem graça, o que fez com que Roxanne despertasse um olhar curioso em seu rosto. Roark agachou e pegou o livro de sua bolsa, em seguida mostrando-o para a mulher — É que eu tenho uma amiga que está doente, então eu queria visitá-la e levar algum presente para ela. Eu pensei em uma pedra, mas acho que não é uma boa ideia dar uma pedra para alguém.
        — Uma... pedra? Eu tenho certeza que ela iria “amar”. — disse Roxanne em um tom irônico — Qual o nome dela?
        — Gardenia. Ela é líder de ginásio de uma cidade nas redondezas. Ela manuseia plantas e coisas do tipo, também é formada em biologia na área de botânica, e por isso veio a ficar doente por trabalhar muito com ervas e algas desconhecidas. Então eu queria levar alguma coisa para ela...
        — Não me diga que ela é uma especialista no tipo... grama? — hesitou Roxanne ao pronunciar cuidadosamente suas palavras.
        — Melhor do que aquático, não é? — brincou ele.
        — Como assim?? Então quer dizer que você está namorando uma usuária de Pokémons do tipo planta?!
        Roark parou no mesmo instante e encarou a mulher que parecia nervosa em sua frente, ele hesitou e falou confuso logo em seguida:
        — N-Nós não namoramos. Somos só amigos...
        Roxanne conteu-se e então sentou no banco novamente. Em seguida ela tirou uma pilha de papéis de sua bolsa e entregou-os para Roark que observou assustado.
        — Estou brava com você. Agora você tem suas amiguinhas e não me conta nada. Para melhorar a minha estima você terá que fazer esses exercícios de vestibulares que eu estive preparando. — disse Roxanne, virando sua cara com desprezo.
        — M-Mas o que eu tenho haver com os seus exercícios de vestibular?? — perguntou ele assustado, até que foi interrompido novamente pela mulher.
        — Faça.
        — Tudo bem, professora...
        Roark parecia concentrado realizando seus afazeres e melhorando seu aprendizado enquanto Roxanne depositava lentamente a sua cabeça sobre o ombro do rapaz.
        — Ela é gentil com você...? — perguntou. Roark pareceu não ter entendido a pergunta no momento, mas em seguida ele deu um leve sorriso e colocou a papelada de lado, parando para pensar um pouco na pergunta de sua amiga.
        — Refere-se à Gardenia? Bom, ela é muito bondosa e carinhosa. Adora os pokémons dela, e por sinal, também adora pokémons pedra, mesmo eles não sendo sua especialidade. Ela é um pouco medrosa, mas acho que isso é normal das mulheres... — riu Roark, olhado para uma pequena flor que estava em sua frente e lembrando-se da mulher.
        — Você gosta dela não é? Seu discípulo desnaturado. — brincou Roxanne.
        — C-Claro que não! Eu já disse que a Gardenia é só uma amiga.
        — Não minta para sua professora, senhor Roark. Senão você terá que fazer mais cinquenta exercícios de Geografia e Effort Values. — disse Roxanne, colocando a ponta de seu dedo indicador no nariz do rapaz — Se quer conquistá-la faça algo bonito; mande flores para ela, eu sou uma das poucas mulheres do mundo que gostaria de receber uma pedra, mas tenho certeza que essa Gardenia iria preferir uma flor.
        — Do que você está falando?
        — Bobinho, se for impressionar uma mulher faça algo direito! A partir de agora eu vou fazer de tudo para que você fique com essa tal garota, e vamos começar mandando uma flor e uma linda carta para ela. Dê-me o livro de significados. — pediu ela, folheando as várias páginas do livro de flores — Vejamos... Você vai mandar uma orquídea cor de rosa. As orquídeas representam a delicadeza e a graciosidade dessa garota, e a cor rosa representará a sua beleza, a saúde e a sensualidade. Ela como uma botânica com certeza deve conhecer o significado dessas flores.
        — Você... Você está falando da Gardenia? — perguntou Roark, recebendo um olhar reprovador da mulher.
        — Ah, venha comigo Roark! Vamos para sua casa para que você possa escrever uma carta linda para essa garota! Depois nós iremos para essa cidade para que eu possa conhecê-la, afinal, eu preciso certificar-me de que ela é a mulher certa para você! — continuou Roxanne, arrastando o rapaz pela praça.
        — Hm... Então tudo bem, professora...

• • •

        Uma linda moça jazia deitada na cama do hospital enquanto observava o céu daquela manhã, alguns Starlys cantarolavam e voavam livremente pela imensidão azul, uma liberdade que a garota já não podia ter uma vez que deveria repousar no hospital por mais algumas semanas. Seus longos cabelos marrons recaiam sobre seu delicado corpo, seus olhos alaranjados eram como a manhã em um vasto campo florido, o quarto todo exalava um doce aroma de flores que aquela garota recebera de suas amigas, mas ainda assim ela sentia-se sozinha, presa naquele cômodo solitário e sombrio. Enquanto ela observava a janela e pensava nas possíveis aventuras que poderia estar tendo, um médico subitamente entrou no quarto com um pequeno presente em suas mãos, ele andou em direção da garota e entregou o embrulho em suas mãos.
        — Senhorita Gardenia, mandaram entregar isto à você. — disse o médico.
        Gardenia pareceu confusa ao deparar-se com o embrulho, suas amigas Candice e Maylene já haviam mandado as mais variadas flores e cartas, logo, não havia mais ninguém que pudesse mandar um presente. Ela parecia curiosa enquanto desamarrava a fita de tonalidade cinza, e ao abrir o pacote deparou-se uma orquídea seca dentro. Gardenia revelou um lindo sorriso ao ver o remetente, e de todas as pessoas que imaginara aquela nem passara por sua mente.

        Oi Gardenia, eu só queria saber se você estava bem. Faz um tempo que eu não vou visitá-la, mas vou para Eterna daqui alguns dias para cuidar de você! Eu mandei uma orquídea cor de rosa para você, acho que você conhece o significado delas, ela são delicadas e bonitas como você, dahora. Espero que goste, e que melhore logo. Beijoscom carinho, até mais.
Roark.”

        Gardenia mantinha um gracioso sorriso em seu rosto enquanto lia atentamente cada palavra da carta. Ao terminar, ela viu uma pequena pedra, um pouco barrenta e sem forma. Ela segurou o objeto sobre suas delicadas mãos e olhou para a janela direcionando seus pensamentos ao rapaz que mandara. De fato, Roark não imaginara que a orquídea fosse secar em tão pouco tempo, mas ainda assim, a pequena pedra fora como o melhor presente para a mulher.
        — Eu adorei a pedra... — disse Gardenia, segurando a rocha contra o seu peito e sorrindo carinhosamente naquele instante.


A Gym Leader's Life



O Líder de Ginásio é o mais alto ranking de um ginásio Pokémon, sua principal tarefa é testar os treinadores e seus pokémons de modo que eles possam adquirir experiência e certificar-se de que são dignos para competir contra a Elite dos 4 na Liga Pokémon. Porém, o que as pessoas muitas vezes não imaginam é que os líderes de ginásio também possuem suas vidas fora de uma batalha, e muitas vezes enfrentam problemas amorosos ou familiares como qualquer outro ser humano.

O Aventuras em Sinnoh trará aqui uma coletânea de histórias de seus líderes favoritos mostrando o dia a dia desses personagens tão adoráveis que muitas vezes não recebem sua devida atenção. A unidade deste extra é tida como um capítulo autônomo, pois é construída por intermédio da utilização das mesmas personagens e da exploração do mesmo cenário em que a história central ocorre. Entrem nessa jornada, e não deixem de marcar a sua batalha!

- Copyright © 2011-2026 Aventuras em Sinnoh - Escrito por Canas Ominous - Powered by Blogger - Designed by CanasOminous -