Aventuras no Desconhecido [Capítulo 2]
Capítulo 2 – Beach & Tunnel
— É a
primeira vez de vocês voando? — perguntou a condutora.
Vivian
insinuou que sim com a cabeça, incapaz de se manter sentada no devido assento
do avião por mais de um minuto — só não estava perambulando pelos corredores da
aeronave porque Stanley se certificara de prendê-la com três cintos.
Seu
namorado, por outro lado, mantinha os olhos longe da janela para não se
desesperar. Limpava a testa brilhante com uma toalhinha e suas roupas tinham
marcas de suor, Vivian não fazia piadas com as duas pizzas debaixo do braço
dele porque sabia que ele não gostava; na verdade, pensava que Stanley só
estava ansioso com a ideia de mal ter pisado em Johto e já estar de volta
dentro de um avião em uma viagem rumo ao desconhecido. Ele não gostava muito de
decisões improvisadas, mas seguiria sua ruiva favorita aonde quer que ela o
levasse.
— É a
primeira vez que faço essa rota — disse a mulher que conduzia o bimotor. Ela
olhou para trás de relance e sorriu para os dois únicos passageiros. — O Sr.
Palmer Tycoon é um velho conhecido meu dos tempos da Battle Frontier. Eu não poderia recusar um serviço para o filho
dele, mas... vocês têm certeza de que estamos indo para o lugar certo?
—
Absoluta. Até já consigo ver a ilha — falou Vivian, apoiando-se em Stan para
olhar a janela.
A Ilha
Pokémon era o único espaço terrestre que se tinha visão em um raio de
quilômetros, encoberta por um manto azulado de calmaria que não se via nem
mesmo em Hoenn. Recebera tal nome porque fora descoberta em 1998 e desde então se
tornara uma reserva que não permitia a presença de nenhum treinador; poucos
pesquisadores tinham acesso e muito menos permissão para prosseguir com os
estudos nesse único e excêntrico ecossistema desde que Samuel Carvalho estivera
por lá, a ilha se tornara propriedade do governo. Vivian não fazia ideia de que
o acesso era restrito, mas desde que recebera a carta do misterioso remetente
que assinava pela sigla C acreditava que o destino estava do seu lado.
—
Senhorita Skyla, como faremos para descer? — perguntou Vivian.
— Eu
estava pensando nisso justamente agora — respondeu a condutora enquanto sobrevoava
a região remota. — Não estou vendo nenhuma pista de pouso, mas posso tentar
aterrissar na praia. Vocês escolheram um resort
bem esquisito para passar as férias, hein?
Stanley
estava para mencionar algo, mas sentiu-se muito enjoado para argumentar.
— Faça o
que achar melhor, comandante! — respondeu Vivian, batendo continência.
— Fica
tranquila, mocinha. Temos 98% de chance de que tudo ocorra bem, dado o tempo e
as condições climáticas.
— E os
outros 2%? — perguntou Stanley.
— Talvez
um Pidgey se assuste com o barulho, voe em nossa direção e colida com o motor —
disse Skyla com naturalidade. — Aí o avião explode no ar e todos nós morremos
antes mesmo de alcançarmos o chão.
Stanley
sentiu ânsia de vomito, mas a condutora foi breve em emendar uma risada calorosa
na tentativa de mantê-los tranquilos.
— Eu
estava só brincando, garotão! Sou a melhor que há no ramo em Unova, vocês estão
mais seguros comigo no ar do que andando até a padaria logo cedo. Vocês podem
ser atropelados, assaltados, atacados por um Pokémon descontrolado contaminado
com raiva, se tiver azar, vai que uma árvore cai na sua cabeça! Eu não
confiaria na sorte.
Stanley
agora tremia.
— Tá tudo
bem, meu Skittyzinho fofo? — perguntou Vivian enquanto massageava as costas dele.
Stanley ainda
não se sentia disposto o bastante para contar a Vivian o motivo de ter se
atrasado na noite em que chegara a Johto.
Ela não
precisava saber que se escondera no banheiro do aeroporto e quase perdera o voo
de propósito. Stanley quis desistir daquela ideia ridícula de ir voando até
Johto, devia ter garantido uma passagem de cruzeiro no S.S. Aqua quando teve a
chance, pois detestava alturas.
Não podia
dizer que tinha medo, só não gostava mesmo, sentia vertigem e um embrulho na
barriga quando olhava para baixo e via o chão tão longe de seus pés. Uma
lembrança remota que permeava sua mente sempre voltava à tona — seu pai,
Palmer, sempre divertido e espirituoso, jogava-o para o alto e agarrava o filho
antes de cair. De fato, Stanley se adorava a brincadeira. Até que a mão escapou
e de repente o chão já não parecia mais tão longe. E era duro feito pedra.
Quando
voava, ainda tinha a sensação de estar balançando no ar e, de repente, seu pai
que sempre lhe transmitira confiança e segurança, não era capaz de protegê-lo.
Um trauma bobo de criança, pensou
Stanley. Vivian o acharia um idiota por isso.
— Stan,
Stan! — Vivian o chamou enquanto empurrava para ele uma mochila escura espaçosa
cheia de cintos e retalhos. — Coloca aí, está quase na hora.
— De
aterrissar? — perguntou o rapaz.
— Tipo
isso. Skyla nos sugeriu começar as férias de um jeito mais radical, então ela
ofereceu um par de paraquedas! Não é maneiro?
— Ah —
Stanley abriu a boca, mas já parecia tarde para opor à ideia.
Vivian
adorava esportes radicais, tinha carteirinha para canoagem, mergulho em mar
aberto e skydiving, por isso não
requeria instrutores. O vento estava tão forte que eles precisaram vestir
óculos apropriados e, depois de se aprontarem com a devida vestimenta, Skyla
acenou com o polegar para os passageiros.
A porta
lateral do avião se abriu. Vivian segurou na mão de Stanley que só conseguiu
pensar que não voltaria vivo para continuar seu progresso na Battle Tower rumo ao 100º andar com seu
amigo Luke. Provavelmente morreria ali mesmo, com o coração saindo pela boca e
o chão cada vez mais perto. Vivian, por outro lado, exalava ansiedade e sabia
que seu namorado nunca estaria preparado para uma atividade como aquela, por
isso ajustou suas roupas e as dele para que saltassem juntos, assim não cairiam
em locais tão distantes.
— Vai,
vai, vai! — gritou Skyla.
Eles
saltaram do avião. Stanley fechou os olhos e se deixou levar. A queda pareceu
durar uma eternidade, ouvia sua namorada gritar frases soltas como: “Isso é
radical demais!”, “abra os olhos, mozão!”, “vai perder essa cena linda?”, e “meu
Arceus, o vento tá nos levando pra direção oposta!”
— Stan-
Stan- Pok- ados-!!
— Quê?! —
o rapaz berrou de olhos fechados. — Não dá pra te ouvir!
— Adoooooo--!!
— Viado?!
— ele gritou.
— GYARADOSSSS!
O rapaz
abriu os olhos a tempo de ver que a queda os levava na direção oposta da ilha,
estavam indo para o meio do oceano. Vivian não contara com uma rajada de vento
repentina, e também não se dera conta de que não trouxera nenhum Pokémon
aquático para o time. Sua mão se dirigiu ao cinto num gesto automático, mas a
pokébola escapou-lhe. Se seus Pokémon não fossem treinados o bastante, eles com
certeza não teriam notado a situação extrema em que seus treinadores se
encontravam. A esfera do Gyarados de Stanley planou no ar e liberou a enorme
serpente marinha, pronta para resgatá-los. Os paraquedas se abriram e os dois foram
soprados para o extremo sul da ilha onde pousaram nas costas do Pokémon. Vivian
ainda abraçava Stanley com força, o coração disparado e a adrenalina à mil.
— Uau,
isso não foi demais?! — disse a garota. Ela não havia percebido que seu
namorado estava ajoelhado no chão tentando respirar. — Ai, desculpa, mozão! Eu
devia ter perguntado antes se você topava!
— Bom,
não é como se você pudesse me despachar naquele avião de volta para Sinnoh... —
resmungou Stanley, só então percebendo como sentia falta de casa. — Pelo menos,
agora já estamos perto de terra firme. Cadê nossas coisas?
— A
comandante disse que ia jogá-las lá de cima!
— Você só
pode estar de brincadeira.
Vivian e
Stanley olharam para o alto e viram três paraquedas planando lentamente no ar,
cada um em uma direção. Vivian reconheceu a sua mala que continha roupas,
barracas, sacos de dormir e provisões para um mês vivendo na ilha deserta. Era
uma exímia sobrevivente da mata, pois sempre lidara com Pokémon insetos. Sua
bagagem caiu no meio das águas fundas a uns trezentos metros dali.
— Mozão,
pede pro seu Gyarados pegar pra mim?
Stanley
mal teve tempo de dar a ordem ao seu Pokémon, e um segundo Gyarados emergiu das
profundezas. Tinha quase o dobro do tamanho do seu, que media pouco mais de
seis metros e sete; ele devorou a mala inteira de Vivian com tanta ferocidade
que o Gyarados de Stan se sentiu um Magikarp frágil em uma poça d’água.
Ao
mergulhar, a serpente marinha causou uma onda tão grande que os varreu para
mais perto da ilha. O pobre Gyarados sentiu-se tão pequeno que nem quis mais
ficar na água, não poderia enfrentar um leviatã monstruoso feito aquele. Molhados,
assustados e completamente sem direção, os dois alcançaram a costa onde
deitaram de costas na areia e ficaram observando o céu.
— Minha
calcinha da sorte estava lá — falou Vivian.
— Aquela
com rendinha azul? Droga, eu gostava daquela — respondeu Stanley.
Vivian sentou-se
e começou a tirar a roupa, o que fez seu namorado corar.
— Tá
doida? Aqui?
— Que
foi? Vai dizer que fica com vergonha em me ver de sutiã? Minhas roupas estavam
todas lá e eu é que não vou ficar aqui com as coxas assadas e o pé fedido por
estar toda molhada. “Ah, mas se fosse biquíni não teria problema!” Sério, homem
é um bicho estranho. E você? Deixou tudo nas malas ou tem alguma coisa
importante aí?
O rapaz
levou a mão ao bolso e verificou — alguns trocados, halls sabor tutti-frutti com um Cyndaquil incrustado na embalagem e
seu celular encharcado, sem dar sinais de que algum dia voltaria a funcionar.
Aquela viagem já começara lhes custando caro.
Vivian
desesperou-se à procura do seu, escondido onde mais ninguém conseguiria
alcançar, e suspirou aliviada ao ver que continuava ligado com 83% da bateria
intacta.
— Ufa. Eu
não sei o que faria sem ele... Vou ligar pra vovó e dizer que chegamos bem,
quer avisar sua família também?
— Nem.
Eles devem estar se divertindo sem mim — respondeu Stanley, tirando a água dos
sapatos. — Aposto que nem sentiram minha falta nos últimos dias.
— Ai,
chega de drama. Somos adultos agora.
Vivian
ficou em silêncio com os olhos fixos no aparelho.
— Que
foi? — perguntou o loiro.
— Olha.
Stanley
observou o fundo de tela dela — uma imagem adorável dos dois juntos se beijando
sob o pôr do sol no Hotel Deluxe Heart
em Sinnoh, cortesia das últimas férias que passaram uma semana inteira
aproveitando do bom e do melhor da estadia em Heartome. Stanley sorriu
abobalhado com a imagem quando Vivian interveio:
— TÁ SEM
SINAL, CARA! Sabe o que isso significa? Talvez fiquemos presos nessa ilha PELO
RESTO DE NOSSAS VIDAS! A GENTE VAI MORRER!
— Vivian,
chega de drama, somos adultos agora — respondeu Stan.
—
Devolvendo na mesma moeda, hein? Meu ataque disparou no seu Mirror Coat e voltou com o dobro de
força.
Os dois
riram. O sol brilhava forte e eles se viram sozinhos na praia cercada de
diversos Pokémon nativos da região de Kanto. Os Pidgey voavam tão perto que
pareciam nunca ter visto outro humano, Stan tomou um susto quando um Doduo saltou
de trás de uma rocha e saiu correndo pela costa gritando feito louco.
Vivian
levantou-se também para persegui-lo, saiu correndo descalça para sentir a areia
branca e fofa nos pés. O ar era ainda mais puro do que Azalea, como nunca
vivera em cidades grandes, Vivian preferia o cotidiano e vida tranquila de
cidades mais afastadas, mas era a primeira vez em anos que sentiu-se realmente
imersa no mundo Pokémon — a natureza pura e bela como era.
— Gente,
eu nunca tinha visto o mar assim tão... calmo — falou a garota. — Sinto que se
eu andasse bem devagar, poderia passar por cima dele.
Ela foi
se aproximando-se com a ponta dos pés na água e pulando conchinhas de Shellder
que se aglomeravam nas pedras. Vivian saltou para cima de uma rocha e tomou um
tremendo susto quando ela começou a se mover. Por pouco ela não escorregou,
estava em cima das costas de um Lapras que dormia tranquilo. Aqueles Pokémon
eram extremamente raros no mundo todo, nunca antes sonharia em ver um tão de
perto. O Lapras observou a humana intrigado, como se tentasse identificar que
tipo de Pokémon curioso ela era. Ele se sacudiu e a derrubou no raso, o que
contribuiu para Stanley não parar de rir. O Lapras deslizou pelas águas mais
para o fundo onde outros dois de sua espécie emergiram, percorrendo a rota
marítima a caminho de sua toca.
Stanley
estava com uma Dive Ball nas mãos
quando sua namorada o impediu:
— Não!
Esses Pokémon desconhecem humanos, eles nem entendem o que é ser capturado. Eu
nos trouxe até essa ilha porque quero entender os mistérios da carta que
recebi, mas não podemos destruí-la... sinto que ela pertence ao mundo.
Stanley
concordou, compreensivo.
— Não precisamos capturar um Pokémon para tê-lo conosco —
continuou Vivian, sacando o celular o mais depressa que pôde para fotografar
aquele momento. — Pode ser que aqui não tenha sinal, mas alguma lembrança eu
quero levar para casa. Vem, Stan! Ninguém vai acreditar quando dissermos o quão
perto estávamos desses Lapras!
Vivian
tinha espaço de sobra na memória de seu aparelho, ela pensava como as pessoas
se viravam antigamente quando as câmeras suportavam pouco mais de sessenta
fotografias em um rolo de filmes.
— Cuidado
pra não acabar a bateria, hein — alertou Stanley.
— Ah, fica
tranquilo, eu trouxe uns portáteis que aguentam seis recargas, tá tudo na
mochila de mão. Sorte que não deixei na outra que foi devorada pelo Gyarados. O
problema é que agora não tenho troca de roupa, mas ainda podemos procurar a sua
mala.
— Lembro
de ter visto os dois paraquedas que sobraram sendo soprados pro norte, na
direção daquela ponte. Se continuarmos o percurso, antes do entardecer podemos
encontrá-la. Minha mochila tem mais algumas provisões, mas, na real, estou
mesmo preocupado em como faremos para dormir ao relento...
Stanley
sacou sua pokébola e lançou Drinian, seu Torterra. O Pokémon tartaruga parecia
maior e mais poderoso do que anos atrás quando participara da Liga Pokémon.
Apesar da pata traseira defeituosa, locomovia-se com distinção, sempre
tranquilo e sem preocupações. A árvore em suas costas estava tão grande que
Stanley prendera uma rede nos galhos dela, tinha espaço de sobra para descansar
e construir uma casa móvel. Vivian saltou nas costas da criatura e juntos eles
seguiram caminho pelas praias da Ilha Pokémon.
Vivian
fotografava tudo que encontrava, desde um Snorlax preguiçoso rodeado de
Butterfrees até um Meowth curioso que fazia careta para ela quando via a
câmera, intrigado com o estranho brilho refletido pela tela do aparelho.
Os
Pokémon nativos chegavam tão perto que alguns deles até pegaram carona nas
costas do Torterra — um casal de Pidgey começou a montar ninho na árvore e um filhote
de Pikachu saltou à procura de frutas para comer.
— Mozão,
olha só para aquela pedra de formato estranho!
Vivian
apontou para a formação rochosa coberta de lodo que, dependendo do ângulo em
que era vista, formava a imagem de um Kingler.
— Minhas
priminhas vão ficar loucas quando virem essas fotos — comentou animada.
Havia uma
trilha que percorria a estrada até o pé da montanha, Vivian lembrava-se de ter
ouvido que a ilha fora o foco de pesquisa havia quase duas décadas, mas o
percurso havia sido abandonado e estava destruído em certas partes,
obrigando-os a desviar o curso até que encontrassem onde ele recomeçava.
— Vivi,
surgiu uma dúvida aqui... — perguntou Stanley. — Como é que vamos embora?
— A gente
liga pro — a garota começou, mas logo se lembrou que não havia sinal. — Eu...
na real, não sei. A Skyla disse alguma coisa sobre como iria nos buscar?
— Era uma
viagem só de ida. Ela pensava que estávamos indo para um hotel no pacífico.
— Ah, a
gente tá ferrado então.
Os dois se
entreolharam e, pela primeira vez, sentiram a dimensão do problema em que
haviam se metido.
— Stan,
te amo — falou Vivian. — Desculpa por te trazer para a sua morte.
—
Desculpa nada, eu quero ser recompensado de alguma forma.
— Serve
um carinho gostoso e um sexo selvagem?
— Serve.
— Acho
que nós dois vamos ficar tanto tempo aqui que daqui uns anos nossas roupas vão
se desfazer e teremos que viver pelados, que nem aquele programa da TV.
— Você
gosta desse programa mesmo, hein? Tá sempre falando nele — completou Stanley.
— É que eu
acho tão engraçado! Imagina só conviver com alguém nu o dia todo e não sentir
tesão nem nada? Deve ser bizarro, eu queria experimentar.
— Vivi,
desse jeito você vai deixar o Drinian sem graça...
— Ele não
liga se nós nos divertirmos um pouquinho aqui em cima, não é, Drinian?
O Pokémon
tartaruga sacudiu as costas, indiferente. Vivian deixara suas roupas secando em
um galho enquanto perambulava descalça só com as roupas de baixo e um shortinho
largo. Ela respirou fundo aquele ar límpido que preenchia seus pulmões e falou:
— Agora
sim estou me sentindo selvagem de verdade!
Stanley
riu da cena e cochichou para seu Torterra:
— É a mesma
garota doida de quando a conhecemos, não é, amigão? Isso já faz tanto tempo,
você era só um Turtwig.
“Quem
diria que ela viria a ser a mulher de sua vida”, correspondeu Drinian.
i
Drinian
os guiou pela costa nas horas que se seguiram. Vivian lançara seu Heracross
para vasculhar os arredores das florestas à procura de frutas para
alimentá-los, dessa forma teriam mantimentos para mais um ou dois dias. Começara
a entardecer e eles se aproximavam da montanha onde já era possível avistar uma
construção desativada que devia ter feito parte do centro de pesquisas em 98. Enquanto
seguiam a trilha enferrujada, Stanley avistou um pedaço rasgado de paraquedas e
reconheceu que sua bagagem devia estar próxima. Localizou o malão caído em uma
lagoa, mas tudo dentro continuava intacto. Inclusive, junto dele estava seu
violão, que com certeza teria deixado em casa se soubesse dos apuros que
poderiam passar naquela ilha.
Eles
pararam ao avistar a entrada de um túnel, o teto era preenchido por muitos
Kakunas, o som de asas de Zubat incomodava, era impossível dizer o que mais se
escondia ali, dormir do lado de fora seria mais seguro do que em seu interior. Adentrar
um local escuro e sombrio no anoitecer não parecia ser uma ideia sensata, por
isso os dois montaram uma pequena fogueira na entrada — Drinian não gostava que
acendessem fogo em suas costas, e seu treinador respeitava isso, o que os
obrigou a descer e montar o acampamento.
Os dois descansavam
ao redor da fogueira, Stanley cobrira sua garota com uma jaqueta já que
começara a esfriar um pouco. Vivian nem se certificara de pedir que Primia
mantivesse a vigilância, pois se sentia muito segura; os Pokémon que se
aproximavam apenas queriam um lugar para se aquecer, a ruiva chegou a se
surpreender com um Eevee selvagem que se acomodou em seu colo e adormeceu.
— Stan. —
Vivian o chamou com a voz séria de repente. — Preciso te perguntar uma coisa.
“Fodeu”,
ele pensou. Iam brigar. Algo terrível estava para acontecer, aquela frase nunca
era acompanhada de nada bom e as pessoas que começavam uma conversa daquela
forma eram cruéis e sádicas. Vivian o encarou, seu semblante tranquilo como há
tempos não via e as bochechas levemente coradas devido ao sol forte que havia
tomado o dia inteiro. Então, ela decidiu perguntar, não em tom de maldade ou
acusação, mas de quem realmente queria compreender algo:
— Por que
você nunca me contou que tem medo de altura?
Stanley
suspirou aliviado. Bem que quis ser sincero com ela, mas preferiu dar de ombros
e mostrar sua indiferença.
— Sei lá.
É só um medo bobo.
Vivian se
recusara até então de tirar o Eevee que dormia confortável em seu colo, mas dessa
vez precisava. Ela aproximou-se de Stanley e fixou os olhos no dele de forma
tão intensa que era impossível encará-la de frente.
— Você só
faz isso quando está envergonhado ou quando algo te incomoda. Te conheço bem,
mocinho.
— Eu
sempre fico sem graça quando você chega perto demais — respondeu Stan,
incomodado com a noção de espaço da namorada. — É que você tem olhos tão...
tão...intensos. É como se enxergassem a minha alma. Não é que estou com
vergonha, eu só não consigo. Às vezes parece que você é demais para mim.
— HAH! —
A garota deu um berro que acordou o pobre Eevee. — “Demais pra mim?” Tá doido,
é? Você que é filho de um Cérebro da Fronteira e eu que sou “demais”? Pra sua
informação, Vivi sempre se sentiu como “a garota do campo esquisita”, lembra da
minha reação quando te vi pela primeira vez? Loiro, bonito e com esses olhos
cor de mel, você me atraiu para cima de você como uma Combee atrás do mais doce
mel, mas que chance teria eu, um insetinho insignificante de Azalea? Sou eu que
sempre me senti inferior na sua presença, mas foi justamente a sua simplicidade
que me conquistou. Você nunca quis ser tratado como alguém importante você era...
Stan. — disse enquanto ajeitava o cabelo dele, sua mão escorregando lentamente
até o rosto do rapaz. — Apenas Stan. Meu Stan.
Ele
respirou fundo e encostou a cabeça no peito dela.
—
Desculpa não ter contado. Fiquei com medo de que você achasse que eu era fresco
ou bundão por não querer pegar um avião pra vir te ver.
— Oh,
Stan... Achou que eu fosse ficar fazendo chacota? Pô, isso é sério. Se te
incomoda, me incomoda. Não me esconda mais nada.
O rapaz
concordou, sentia o coração mais leve. Como era difícil para as pessoas
entenderem que o medo dos outros nunca era algo simples. Ninguém tinha o
direito de medir os pavores de alguém — desde criança, Vivian nunca temera
insetos, mas nem por isso caçoava de suas primas que se assustavam com o menor
Spinarak que aparecia no sótão de casa. Ela entendia que traumas e situações
frustradas acompanhavam cada um mesmo depois de adultos. Stanley compartilhou
os detalhes da história de quando seu pai o derrubara, mas Vivian não riu.
Ela
esticou os braços para ele e fez sinal para que chegasse mais perto.
— Vem pro
colinho da mamãe, vem! — Vivian brincou.
— Isso
foi bizarro — respondeu Stanley. — Gostei.
— Eu
queria te abraçar agora mais do que nunca. E dizer que tá tudo bem, não tem
problema ter medo. Você foi muito corajoso em enfrentar tudo isso só pra me
ver, mas da próxima vez me avisa, porque a essa altura podíamos estar no S.S.
Aqua em uma cabine de luxo bebendo uísque com energético.
Vivian
acomodou-se ao lado dele e os dois ficaram ali, abraçados, contemplando o
imenso escuro iluminado por um milhão de estrelas. Ao seu redor, apenas um véu
negro os separava de tantos sons desconhecidos que lhes transmitiam serenidade,
o barulho das ondas distante era bom e acolhedor. O pequeno Eevee sonolento
cambaleou até os pés de Vivian e finalmente encontrou uma posição confortável
para dormir. O rapaz tirou o violão e verificou se estava danificado com a
queda, mas continuava firme e afinado. De olhos fechados, Vivian murmurou
baixinho: “Toca aquela que eu adoro”, e assim ele fez, primeiro uma nota e
depois outra, preenchendo a noite com a trilha sonora de suas vidas capaz de
afastar toda e qualquer preocupação.
— É
engraçado como as coisas funcionam, né? — comentou Stanley, atento ao fogo que
crepitava em sua frente. — Porque, perto de você, eu não sinto medo de nada.
Notas do Autor (AnD 1)
De onde surgiu esse especial, eu não sei dizer. Quando me dei conta, era cinco horas da manhã e eu tinha um capítulo inédito pronto, sem nem saber se eu deveria postá-lo ou não.
Dia desses, tive a oportunidade de ser agraciado com a presença do nosso PresiDento, vindo das distantes terras de Johto. Passamos um fim de semana divertido jogando até os dedos doerem e os olhos cansarem, ouvimos música e discutimos ideias loucas. Com a chegada de Pokémon Let's Go, me senti conectado a esse mundo mais uma vez, e quem me acompanha faz tempo já me conhece, eu gosto de escrever as coisas com a coração.
Recebo um apoio constante de amigos e leitores dizendo para eu escrever Sinnoh 2.0. Vez ou outra lanço algo inesperado só para atiçar nossos corações (vide o Capitulo 101), mas a verdade é que não quero continuar a história de quem já teve um final feliz. Ainda mais quando tenho alguns personagens que não tiveram a mesma conclusão.
Vamos voltar para a Saga Pérola, quando eu ainda estava me descobrindo como ficwriter de Pokémon e lutava para ser um cara maneiro no ensino médio. Vivian Chevalier foi uma de minhas primeiras criações e ela conquistou todo mundo, levando o prêmio Omascar de Personagem Revelação e Miss Simpatia. Mas nas duas próximas temporadas, ela foi completamente jogada para escanteio, dando espaço para seus Pokémon e muitos outros rivais. Desde que Sinnoh terminou, a Vivian ainda deu as caras na história do Haos Cyndaquil em Kalos, e mais recentemente em Johto, no fechamento da temporada Alma de Prata. Isso me fez lembrar porque eu gostava tanto dessa personagem, os outros autores cuidaram dela com tanto carinho (posso dizer que até mais do que eu). Eu nunca dei um final adequado para a Vivian, e ela certamente merece um.
Podemos considerar que esse especial começa no primeiro Support que escrevi para o blog: Blow, Wind of Life. Nele, Vivian relembra seus dias como criança ao lado de suas primas e principalmente de Júlia, uma das antigas protagonistas da extinta região das Ilhas Laranja escrita pelo Thiago. Eu nunca gostei desse buraco deixado no coração da pequena Vivian, as duas eram melhores amigas e de repente, PUF! É como se ela nunca tivesse existido... Bem, chegou a hora de encerrar essa jornada, e as Aventuras no Desconhecido levarão uma galera bem aleatória para explorar a ilha que em 1998 foi palco de uma expedição pelo Profº Oak e Todd Snap em uma aventura repleta de nostalgia e referências para quem é das antigas (tanto da época do Nintendo 64 quanto dos primórdios do Aventuras em Sinnoh).
Um grande abraço ao Dento, por me incentivar tanto a escrever esse especial (SÓ VAI!), e também a todos vocês, leitores, que ainda visitam nossos sites e comentam sempre cheios de entusiasmo. Espero que se divirtam nessa curta aventura que não deve durar mais do que 3 ou 5 capítulos, mas talvez sirva para colocar os pingos no "i" de alguns grandes personagens da nossa Aliança Aventuras que se perderam com o tempo.
PS. Por sinal, quase que passa batido, mas esse é o 1500º post do Aventuras em Sinnoh! Obrigado por compartilharem seu carinho comigo mais de 1500 vezes nesse blog!
PS. Por sinal, quase que passa batido, mas esse é o 1500º post do Aventuras em Sinnoh! Obrigado por compartilharem seu carinho comigo mais de 1500 vezes nesse blog!

Aventuras no Desconhecido [Capítulo 1]
Capítulo 1 – A
Revanche
Violet City.
O ginásio encontrava-se mais vazio do que o habitual —
afinal, nem mesmo Falkner esperava um desafio marcado para as sete e meia da
manhã em um domingo, agendado às vésperas da data. Ela era uma velha conhecida
do Sr. Farias, o zelador local, longos anos se passaram desde que vira aquele
rostinho pela última vez encarando mais uma revanche. Mal tivera tempo de
destrancar o portão de entrada quando uma garota ruiva o interceptou, cheia de
euforia; ela carregava um saco de pães em um braço e com a outra mão uma sacola
de supermercado contendo um pouco de margarina, queijo, mortadela e suco de
laranja.
— Ô, Seu Farias! Adivinha quem voltou? Senti saudades!
— Ô, menina Vivian, é tu mesmo? Quem
diria! — gritou o velho em resposta. — Espera só um minuto que eu vou
chamar o patrão, ele chegou agora a pouquinho.
— Acho que não vai precisar, eu
conseguiria encontrar aquele rostinho bonito a quilômetros daqui.
Falkner devia ser uma das poucas
pessoas na face da terra capazes de acordar e parecer tão atraente, sempre se
preocupando com a aparência e disposto a enfrentar qualquer um que o
desafiasse. O líder de ginásio não escondeu a feição de surpresa ao se deparar
com a garota.
— Veja só, se não é o passarinho que
gostava de acordar cedo... Se você fosse um Pokémon, sua habilidade seria Early Bird. — Falkner sorriu ao fazer a
comparação com a habilidade de suas adoradas criaturas voadoras. — Entre, vou
preparar a arena e você pode se aquecer.
— É hoje que eu acabo com sua raça,
bonitão! — anunciou a menina com tanta exaltação que acabou assustando um casal
de velhinhos que passava na banca mais próxima para comprar o jornal do dia.
O início da batalha não precisou de
cerimônias, quase não havia espectadores e Vivian conhecia bem as regras da
casa. Quando completara dez anos, fora derrotada cinco vezes seguidas para o
líder de ginásio, depois perdeu as contas de quantas vezes mais tentou sucesso
na empreitada nos anos que se seguiram com sua equipe composta apenas por
Pokémon insetos. Desde que retornara de sua longa viagem das longínquas terras
de Sinnoh, tinha certeza de que seu time estava pronto para encarar seu rival
de longa data.
— Presumo que eu não precise me
segurar, você não parece mais a mesma garotinha amadora que vinha me enfrentar —
disse Falkner. — Quantos anos você tem agora?
— E isso lá é pergunta que se faça
para uma dama? Não que eu seja uma, mas se eu disser em voz alta qual a minha
idade vou me sentir uma idosa — Vivian o confrontou. — Eu vou te mostrar porque
todo mundo ama as Primas de Azalea! Nós somos chatas, exigentes e não
desistimos tão facilmente dos nossos sonhos.
Falkner começou a batalha com seu
Pokémon assinatura — o Pidgeot mais velho e experiente da casa. Vivian também
não poupou sua peça principal, Primia, a líder dos Red Fortress e sua famosa Scizor seria a desafiante. Com o tipo
metálico a seu favor, Falkner percebeu que a luta não seria tão rápida quanto
costumava ser quando Vivian tentava enfrentá-lo usando apenas sua Spinarak recém-capturada.
Ele próprio devia ter dezoito anos na época, havia acabado de herdar o ginásio
do pai e ainda estava aprendendo como qualquer outro treinador. Hoje, mesmo
sendo mais maduro e experiente, estava acostumado a se deparar com oponentes
que lhe ofereciam um desafio à altura de suas expectativas, mas a melhor parte
estava em reencontrar velhos rostos que cresceram na mesma medida que ele.
— Pidgeot, aumente a evasiva com o Double Team!
— Não tão cedo — respondeu Vivian. —
Primia, Bullet Punch!
Primia avançou contra o Pokémon pássaro com a
velocidade de um canhão, impedindo que ele começasse a ampliar sua agilidade e
se tornasse um alvo quase impossível de ser alcançado. Falkner mudou a
estratégia e partiu para o ataque direto, mas seus golpes de asa não chegavam a
machucar a armadura de aço da oponente.
— Você pode até ter investido nas
defesas de sua Scizor, mas meus ataques voadores ainda atingem o lado mais
frágil dela — disse Falkner. — Air Slash!
Com sua visão aguçada, o corte
certeiro do Pidgeot acertou Primia onde sua proteção era vulnerável. A Scizor
envergou o corpo e protegeu-se com suas pinças, mas a sucessão de ataques
vindos de todas as direções logo a levaria à exaustão.
— Ele tem vantagem no ar, tente
derrubá-lo, Primia! — ordenou Vivian.
O Pokémon ergueu uma das pinças e
agarrou a asa esquerda do Pidgeot, arremessando-o contra o chão de pedra com
impacto o bastante para machucar. Antes que a ave pudesse revidar com uma
bicada, Primia o acertou no peito como um martelo e o prensou com mais força.
— Agora Superpower!
A Scizor agarrou seu oponente e o
arremessou para fora da arena, onde o Pidgeot colidiu contra uma parede e caiu nocauteado.
Seu Farias, que atuava como o juiz, anunciou o fim da batalha.
Vivian esboçou um sorriso frágil que
logo desapareceu, pois a comemoração não foi nem de perto tão intensa quanto
esperava que seria ao superar uma rivalidade de mais de oito anos. Estava contente
com a vitória, mas se pegou comparando a si mesma com sua versão criança, a
jovem Vivian sonhadora de dez anos teria explodido de alegria e corrido para
contar a novidade para os amigos e sua família. Estaria ficando velha e
mal-humorada feito sua avó?
Seus pensamentos se interromperam
quando notou Falkner caminhar em sua direção.
— Pegue a Zephyr Badge, você a mereceu. Mal posso acreditar que aquela mesma ruivinha
que me enfrentou anos atrás se tornou uma treinadora tão formidável. Agora você
poderá finalmente começar a sua jornada e competir pela Liga Pokémon.
— Liga? Ih, amigo, eu já passei dessa
fase, já é meio tarde para sonhar em enfrentar a Liga. É que tenho esse rostinho de treze — respondeu Vivian com uma risada, piscando várias vezes numa falha tentativa de seduzir.
— Você é uma figura! E tem o mesmo
sorriso radiante de anos atrás.
Vivian corou tanto com o elogio que
começou a remexer os braços na tentativa de desviar a atenção dele para
qualquer coisa que não fosse ela, nunca soubera como encarar elogios, por isso
abriu o colete e revelou a fita de finalista do Grande Festival de Sinnoh.
— Mas eu não fiquei parada todo esse
tempo, não. Tá vendo isso aqui? Não é para meros mortais!
— Uau. É um prêmio para coordenadores
de nível avançado, não? — admirou-se Falkner, que não entendia muito de
apresentações, mas adorava ver a empolgação no rosto de alguém que falava sobre
o que o fazia feliz. — Mas então por que você batalhou tanto pela minha
insígnia se não quer mais ser treinadora?
— Ah, eu diria que foi para recuperar
a minha dignidade (ou o pouquinho que me restava). Na real, te desafiei tantas
vezes só porque queria uma desculpa para te ver. Nunca liguei para essa
insígnia, mas senti que precisava fechar algumas pontas na minha vida, entende?
Falkner sorriu com a resposta.
— Você deve ter passado por muita
coisa nesses últimos anos, já não é mais o filhotinho que tentava
desesperadamente fugir do ninho — comentou, estendendo-lhe o braço. — Foi um
prazer revê-la, Vivian Chevalier. Torço para que consiga dar o devido
fechamento a todos os pontos de sua vida.
Vivian corou ainda mais dessa vez, seu
coração ansiava por soltar um berro e contar que o líder de ginásio fora seu crush durante toda a infância. Antes que
Falkner pudesse se retirar, ela lembrou-se do porque de ter chegado ao ginásio
repleta de sacolas.
— Ei, ei! — Vivian o chamou. — Eu te
fiz acordar cedo num fim de semana, então pensei... quer tomar café da manhã
comigo? Eu faço um pão na chapa que é uma delícia.
Falker coçou a cabeça meio sem reação,
mas adorou a ideia.
— Acho que vou adorar sua companhia.
i
O misto quente transbordava recheio no prato,
preenchendo o local com seu aroma delicioso. Vivian beliscava batatas fritas
repletas de cheddar e bacon ao lado do crush
de infância que mexia no seu cappuccino
com uma colher e admirava o parque ao lado pela janela.
— Então, conte-me sobre sua família,
Vivian — pediu Falkner.
— Ah, sabe como é, eu era dessas
caipiras que nascem em cidade pequena. Queria de todas as formas deixar a casa
dos meus pais, mas ao mesmo tempo morria de medo — disse a garota. — Teve um
tempo que meu sonho era assumir o cargo do meu avô Pryce e me tornar líder de
ginásio, mas nunca fui muito boa em batalhas; depois teve um tempo que pensei
em me tornar pesquisadora, porque assim poderia ajudar com o estudo de Pokémon
insetos nas florestas de Johto. Já cheguei até a auxiliar o velho Kurt como
assistente, mas eu era um desastre fabricando pokébolas! É um trabalho tão
artesanal, requer muito cuidado com as mãos...
— Você é uma garota cheia de sonhos e
vontades mesmo — falou Falkner, tomando um gole de sua xícara e mordiscando um donut de doce de leite.
— Acho que sou só uma garota meio
louca e perdida nesse mundo — Vivian espreguiçou-se na cadeira. — Existe certa
emoção em explorar o desconhecido, não sirvo para viver uma vida comum em um
escritório ou me contentar com um trabalho que me ofereça uma aposentadoria
segura, sem grandes expectativas para mais nada.
Enquanto falava, Vivian retirou o
celular da bolsa e fotografou seu prato. Falkner ficou observando-a de braços
cruzados, até que ela percebeu a gafe que cometera.
— Desculpa, tô com essa mania de
registrar tudo.
— Não esquenta, é bom deixar marcado —
respondeu o líder.
— É que eu gosto de lembrar das coisas
que me fazem feliz. Bate uma saudade quando paramos para olhar, não é?
— Pois é — disse Falkner, imerso em
seus pensamentos, enquanto a garota em sua frente abocanhava um pedaço enorme
de seu misto quente que despejou queijo para todos os lados.
Ela encolheu os ombros, acanhada, mas
Falkner soltou uma risada graciosa e ajustou a franja. Vivian se sentia uma
idiota por agir daquela maneira na frente do rapaz que gostara durante toda a
infância, porque na maioria das vezes os meninos morriam de medo dela por ser
exagerada e intensa em tudo que fazia. Um sentimento estranho a fez sentir
saudade de seu Lukinhas, que agora namorava uma deusa em algum lugar distante
das galáxias (aquela Palkia desgraçada, tinha o universo inteiro para procurar
e acabou justo na terra).
— Bom, preciso ir trabalhar, tenho
outra batalha marcada agora às dez. — Falkner levantou-se da mesa e fez um
aceno cortês. — Só uma pena que uma vez que você tenha conseguido a minha insígnia, talvez não voltemos
a nos ver tão cedo.
— Oxi, posso devolver sua insígnia então? Ou dizer que perdi, seria uma boa
desculpa para te ver mais — disse Vivian com uma risada.
Falkner sorriu, pegou um pedaço de
guardanapo e anotou uma sequência numérica, como na moda antiga. O coração de
Vivian começou a palpitar. Guardaria aquele pedaço sujo de papel como se fosse
o mel precioso das abelhas.
— Depois te mando uma mensagem no
zap-zapdos pra confirmar, belê?
— Você é mesmo uma figura —
respondeu Falkner, dando uma piscadela para ela. — Até mais, garota do campo.
Vivian deixou a padaria com o coração transbordando,
mas sua cabeça martelava uma preocupação ainda maior — nem em seus planos mais
surreais teria imaginado que a recompensa pela batalha seria não apenas uma
insígnia, mas o número de telefone mais cobiçado do que loteria; quantas
garotas não dariam um dos rins para passar uma tarde com Falkner?
Quando menina,
Vivian pensava que jamais faria grandes feitos quanto suas primas. A
oportunidade de viajar por Sinnoh e aprender tanto mudara sua vida, não
imaginava conhecer pessoas tão maravilhosas, quem diria até que arranjaria um
namorado loiro para chamar de seu? Vivian sentiu uma pontinha de arrependimento
ao pensar em Stanley, que treinara os últimos meses sem descanso para enfrentar
seu pai, Palmer, na Battle Tower, lutando ao lado de seu melhor amigo e rival,
Luke Wallers.
Seu cérebro martelava a lembrança de
que Stanley estaria chegando de avião em Johto ainda naquela tarde.
“Ah, mas é só um número, não é como se
isso fosse colocar um par de Tauros na cabeça do coitado”, pensou a garota.
Afinal, Stanley era muito tranquilo quanto a assuntos amorosos, não se
surpreenderia se ele chegasse trazendo um buquê de flores e uma caixa de
bombons do seu sabor favorito.
A verdade é que sentia muita falta do seu loirinho predileto. Os dois haviam começado como amigos e companheiros de
viagem, e anos mais tarde estariam cruzando um continente para encontrarem um
ao outro. Falkner teria o cargo de eterno crush
para o resto de sua vida, mas ninguém mais roubava seu coração — sem contar que
Primia, sua Scizor, jamais perdoaria sua mestra se ela fizesse algum mal ao
treinador de Drinian, o Torterra de Stanley.
Assim que Vivian chegou a sua casa,
ela jogou a bolsa para um canto e esticou os braços, como se esperasse um
ataque inevitável. Duas garotinhas saíram correndo de trás do sofá e pularam
nela, outras três se aglomeraram ao seu redor — eram as mais novas primas de
Azalea que um dia viajariam pelo mundo cumprindo seu papel como personagem
secundária na aventura de outra pessoa, espalhando amor e risadas por onde quer
que passassem.
— Tia Vivi, tia Vivi! — disse a
pequena Ariel contente.
— Como foi a batalha? Você conseguiu
ganhar? — perguntou Bela.
— Tia Vivi, a Aurora arrancou a cabeça
da minha boneca, posso fazer o mesmo com ela? — retrucou Merida irritada.
Vivian respirou fundo, jamais se
acostumaria ao título de “tia”, ainda mais ela que sempre fora a mais nova da
família e, de repente, se tornara a adulta responsável que cuida das crianças;
Vivian era a mandante da nova geração.
Incapaz de conter a ansiedade das
pequenas, Vivian abriu o colete e revelou a Zephyr
Badge, sua plateia empolgou-se mais do que o esperado. Suas primas se
encheram de admiração e pularam de alegria, todas queriam ser como Vivian
quando crescessem.
— Bem vinda de volta, minha neta —
disse uma senhora que se aproximava da cozinha. — Por que demorou tanto? A
batalha foi melhor do que esperava?
— Ô, se foi — respondeu Vivian, que já
se despira de sua blusa e rumava para o banheiro ao ar livre que era uma
tradição de sua família. — E então, suas pirralhas, quem é que quer tomar um
banho comigo? A última a chegar é mulher do Bugsy!
As meninas gritaram em uníssono e
seguiram sua líder, seu exemplo.
Vivian divertiu-se a tarde toda ao
lado de sua família, um domingo agradável e aconchegante como todos os outros
em Azalea.
Pegou-se
relaxando sozinha na banheira quando suas primas menores saíram de calor e cansaço;
lembrava-se de quando era ela a menina que se espelhava nos mais velhos,
sentia-se sortuda por ter crescido em um lar onde ouvia com frequência: “Você
pode ser o que quiser!” Não precisava ser uma treinadora e garantir presença na
Liga só porque era o que a maioria fazia ao completar dez anos, nem tinha
obrigação de tornar-se líder de ginásio para manter a tradição de seu avô
Pryce. Sua primeira grande inspiração foi sua prima Júlia, que partiu para as
Ilhas Laranja havia anos e vivenciara inúmeras aventuras que eram relatadas em
cartas todos os meses. Sentindo que também podia experimentar coisas novas, Vivian
tentou carreira de coordenadora e acabou encerrando a temporada como finalista
no Grande Festival de Sinnoh, levando para casa uma belíssima medalha prateada
com o símbolo de uma Roserade incrustado e um buquê maravilhoso de rosas de
todas as cores que sua avó plantara no quintal para que a neta sempre se
lembrasse de seus feitos.
Então por que sentia um vazio tão grande agora que
regressara? Estaria sentindo falta de alguma coisa? De Stanley, talvez? Dos
amigos que se aventuravam pelo mundo? Da excitação em descobrir coisas novas?
— Talvez seja só a TPM... — murmurou
Vivian na banheira, sua cabeça quase mergulhada por inteiro na água quente.
Decidira que já era hora de sair. Secou-se
depressa e enrolou uma toalha na cabeça, enquanto perambulava pelo seu quarto
com preguiça até de colocar suas roupas.
Anoitecera tão rápido, e ainda não
havia sinal de Stanley. Ele mandara uma mensagem dizendo que se atrasaria uma
ou duas horas por conta de um imprevisto no aeroporto, o que significava para
Vivian mais tempo de abstinência com os próprios pensamentos. De banho tomado e
toda cheirosa, assim que Stanley chegasse queria jogá-lo na cama e arrancar sua
blusa, roubando-lhe um beijo tão intenso que valeria por todos os últimos meses
distante um do outro. Queria sentir seu abraço apertado como só ele conseguia, senti-lo
encostar a cabeça em seu peito e escutar seu coração bater enquanto ela
acariciava seus cabelos loiros.
Vivian abraçava seu Spinarak de
pelúcia quando a avó entrou no quarto trazendo uma xícara de chá de açúcar à
vontade, do jeito que ela gostava; conhecia bem a neta que era apaixonada por
doces feito um Pokémon inseto.
— Valeu, vovó. Estou tão cansada, hoje
foi um dia e tanto...
— Mande mensagem para o seu namorado e peça
para ele tomar cuidado, está ventando bastante lá fora. Não se esqueça de
preparar a janta para ele, e deixe separado o colchão, quero vocês dormindo bem
longe um do outro.
— Vó! O Stan já é meu namorado faz um
tempão, ele sabe se virar.
— Ele é visita, e somos bons
anfitriões. Você já é uma moça e deve cuidar bem dos costumes de nossa família.
Dona Katherine percebeu na hora como
sua neta pareceu triste diante de tamanha responsabilidade. Vivian nunca fora
boa em esconder seus sentimentos.
— O que foi, querida?
— Ah, vovó, sei lá... acho que preciso
viajar.
— Por que você não vai para Kalos?
Encontrei com sua tia semana passada e ela disse que a Katheryn está se saindo
muito bem lá — disse a velha senhora. — Aquela danadinha, parece tanto com
você! Lembro até hoje quando minha irmã falou que queria dar o meu nome para a
filha, aí acabou colocando errado, vê se pode, agora temos Katherine e Katheryn
na família. Caipira é assim, tem mania de enfiar letra onde nem existe, tem que
sempre ter um H e Y só pra parecer chique.
As duas soltaram uma risada calorosa, Vivian
abraçou a avó e sentiu-se acolhida.
— Eu amo Azalea e amo vocês, sabia
disso?
— Claro, somos incríveis. Por sinal, você não vai acreditar
quem te mandou uma cartinha.
— Quem?! — Vivian perguntou ansiosa.
Seu primeiro pensamento foi Júlia, mas tinha uma esperança remota de que
Falkner tivesse mandado um agradinho.
— O Bugsy — respondeu Dona Katherine,
que acabou-se de rir com a expressão da neta. — Estou brincando. Eu não sei
quem mandou, mas um rapaz vestido de azul pediu para te entregar.
Dona Katherine estendeu-lhe um envelope
com um embrulho ao lado antes de se retirar para dormir. Não havia mesmo remetente.
Júlia. Onde será que estaria? Vivian
levantou-se e vasculhou a gaveta mais próxima de sua escrivaninha, onde um
punhado de cartas das mais diferentes caligrafias saltou para fora assim que
aberto. Começou a reler cartas antigas que sua prima enviara das Ilhas Laranja.
Elas ainda a faziam sorrir.
Vivian ainda torcia para que Júlia
estivesse bem. Gostava de imaginar que ela se casara com a loirinha de chapéu
de palha que conquistara seu afeto, pois suas descrições sobre ela eram sempre
tão cheias de carinho e admiração. Esperava que ela estivesse tão ocupada com a
vida nova que já não tinha mais tempo para as coisas antigas que ficaram para
trás.
Pois um dia as cartas pararam de
chegar.
Vivian não gostava de demonstrar o
quanto sentia falta de como as coisas eram quando criança — sua única
preocupação na época era tirar boas notas na escola e ter certeza de que teria
tempo à tarde para explorar a Floresta Ilex — brincava até adormecer no sofá
pela tarde e acordar na cama de forma milagrosa que jamais entendera.
Uma insígnia, uma fita, uma medalha de
prata, de que adiantava? Desde sempre gostara de colecionar tudo que lhe
trouxesse memórias de suas viagens, apesar de seu coração continuar em Azalea,
sentia que precisava de algo novo para sua vida.
Ligou o celular e começou a rever
fotos que recebera de suas primas. Lembrava-se com carinho dos segredos que
compartilhara com a prima Kate Berry que estava arrasando em Kalos, do quanto
apreciava o conhecimento da prima Melody e como admirava a beleza da prima
Júlia.
— É, espero que estejam muito felizes longe
daqui, suas mal agradecidas — respondeu Vivian, enfiando todas as cartas de
volta à gaveta e fechando-a com o pé.
Ela deitou-se de bruços na cama e
abraçou seu travesseiro, contendo um grito súbito de raiva misturado com
cansaço e saudade.
“Cada uma foi para um lado... e eu continuo
aqui”, pensou.
Assim que sua avó deixou o quarto, as
luzes da casa foram desligadas e Vivian se viu sozinha no quarto sob a luz
baixa de sua luminária,
Ela rasgou o lacre e leu o pequeno
papel sem desgrudar os olhos:
“Desculpe por não conseguir dar a você a devida atenção nos últimos dias, mas você sempre fez parte da minha vida — da
nossa história. Morro de saudades de nosso tempo juntos.
Espero que se divirta, e não se
esqueça de colecionar algumas memórias!
Com carinho, C.
P.S. Talvez você encontre respostas
que há muito tempo vem buscando.”
Vivian imaginou que aquela carta devia
pertencer a algum casal bobo apaixonado — e reconheceu que os serviços de
entrega em Johto eram deploráveis para errarem o destinatário —, mas também não
descartou que fosse alguma brincadeira de Stanley, só não entendia o
significado da assinatura, não se lembrava de nenhum amigo que começasse com a
letra C.
— E se for C de Clarisse? Aquela vagabunda,
megera, labisgoia, nariguda...
Ela deixou a carta de lado e abriu o
embrulho, deparando-se com uma moldura envelhecida que continha a foto de uma
ilha remota. Vivian fotografou a imagem com a câmera do celular e jogou no
campo de pesquisa do Woogle, que reconheceu a locação como um lugar inabitável
conhecido apenas como Ilha Pokémon.
Um sentimento de urgência tomou conta
de seu coração. Um turbilhão de perguntas surgiu em sua mente — e se aquele
fosse um chamado do destino para que ela arrumasse as malas e viajasse mais uma
vez? E se tivesse um tesouro escondido ali? E se naquela ilha remota existisse
a resposta para a vida, o universo e tudo o mais?
Afinal, quem era o misterioso Sr. C?
Seu celular apitou o tema de captura
clássica das pokébolas.
Enviado
por Mozão Loirinho às 23:17.
“Cheguei, meu chuchu. Não toquei a
campainha para não incomodar sua família. Tô morrendo, seh loko kkkkkkk Pode abrir
a porta?”
Enviado
por Vivian Chevalier às 23:19.
“Não. Fica aí.”
Enviado
por Mozão Loirinho às 23:19.
“kkkkkkkk. Beleza.”
Vivian nem se deu conta de que ainda
estava com a toalha na cabeça, mas assim que abriu a porta, Stanley trazia
consigo um girassol, seu violão e uma bagagem de mão. Seu coração derreteu.
— Por um instante achei mesmo que você
fosse me deixar dormir aqui fora —
disse o rapaz.
— Oxi, que isso? É pra mim? — perguntou
Vivian ao ver o girassol.
— Sempre ouço sua avó dizendo que
quando vamos à casa dos outros temos que levar um presente, mas estava tudo
fechado, então tive que pegar a primeira flor que encontrei. Tá meio murcha
porque é noite, mas... acho que o que vale é a intenção, né?
— Caralho, Stan, que coisa fofa da porra, você exagera nessa fofura quando quer, pode não! Vem cá pra gente dar uns xamego!
Vivian agradeceu com um selinho e o
convidou a entrar depressa. Antes mesmo que Stanley se acomodasse no sofá, ela
começou a tagarelar sua mais recente descoberta.
— Quem você acha que mandaria uma
carta misteriosa para um desconhecido? Ou melhor, quem ainda manda cartas hoje
em dia?
— Achei suspeita essa foto da ilha... —
comentou Stanley. — Esse quadro deve ter uns vinte anos. Mas talvez seja só
alguém tentando te atrair para um local desconhecido para roubar os seus órgãos
e vender no mercado negro. Isso me cheira à Equipe Rocket.
— Ninguém tem sinal da Equipe Rocket há
anos, bobinho. Agora tô doida para sair em uma viagem para encontrar algo, eu
só não sei o que é! Isso não é excitante? — disse Vivian, cheia de entusiasmo. —
Vou escrever uma carta para vovó, direi que vamos passar um tempo em uma ilha
longe de toda civilização vivendo apenas do que a natureza nos servir, que nem
aquele programa que tem gente pelada tentando sobreviver, sabe? Posso contar
com seu apoio?
Stanley piscou, olhando para o sofá na
sala que parecia tão confortável.
— Será que não poderíamos fazer
isso... amanhã?
— Amanhã podemos estar MORTOS, Stan!
— Mas eu acabei de voltar de uma
viagem longa, fiquei preso por horas no aeroporto. Eu só queria um banho e um
abraço...
— Quer que seja nessa ordem? — ela
respondeu, puxando-o para perto. — A Vivian de antigamente teria saído no meio
da madrugada gritando feito louca, mas a Vivian atual é muito mais madura e vai
cuidar do seu fofinho cansado.
— Posso tirar o tênis? Sempre me sinto
à vontade quando venho aqui.
— Demorou, mozão — disse Vivian ao se
levantar. — Enquanto isso, vou enchendo a água da banheira até ficar bem
quentinha, vamos aproveitar já que estão todos dormindo, o que me diz?
— Aí eu vi vantagem — respondeu
Stanley.
Vivian desapareceu pelo corredor, mas
voltou de fininho e ficou observando-o de relance pelo batente da porta com o
olhar apaixonado.
— Obrigada por viajar até aqui só pra
me ver.
— Como se eu tivesse vindo aqui pra
ficar com você. Eu quero é provar daqueles doces fabulosos que a sua avó
prepara — respondeu Stanley com uma risada.
— Ah, desgraça, vou te colocar pra
dormir com os Slowpoke no poço aqui perto!
Antes que ela surtasse, Stanley puxou sua
namorada que caiu sentada em seu colo.
— Você continua a mesma Vivian de
sempre. Eu te adoro.
— Só vou te perdoar hoje porque estou
sozinha e carente, ouviu?
A garota o abraçou com tanta vontade
que desejou nunca mais largá-lo, naquele instante não pensou em Falkner, em remetentes
desconhecidos, ilha perdida ou qualquer coisa parecida; só queria estar ali, ao
lado dele. Ela lhe lascou um beijo longo e demorado, seus dedos deslizavam pelo
pescoço dele, sentindo-o o estremecer. Quando se desvencilhou, gostava de
sempre deixar aquele gostinho de “quero mais”. Os dois se colaram perto o
bastante um do outro para se tornarem um e, pelo menos por algumas horas,
apenas amor e saudade preencheu seus corações.
I Don't Wanna Go
Calma, gente, isso não é um post de despedida! Não estou saindo da Aliança Aventuras nem nada. Vim só matar mais uns personagens (Hah, hah, sério.) É só um daqueles posts genéricos que me pego escrevendo depois de seis meses ausente, ainda gosto de publicar essas bobeiras. Se você não assistiu os filmes, é provável que não entenda nada disso aqui. Keep going.
Agora que o frenesi pós Guerra Infinita acabou, creio que os spoilers já estejam liberados. Em Maio eu cheguei a fazer uma paródia com os personagens dos Fire Tales como personagens dos Vingadores, e isso bem que me deu uma ideia bacana semana passada, porque dia ia 7 de Dezembro a Marvel liberou o trailer do quarto filme, intitulado Ultimato. Talvez o choque na época em que fui ao cinema assistir o terceiro foi tão grande que eu nem gostava de tocar no assunto, mas 2019 nos trará a conclusão dessa longa jornada.
Pensando no contexto do filme, 50% da população do universo está extinta. Foi então que pensei: e o restante? E os outros mundos? Imagina se isso tivesse afetado até as nossas fanfics? Quem seria digno de viver e quem viraria poeira?
Do lado dos Pokémon é onde começa a parte trágica. Eu vivo brincando que todo mundo sobreviveu depois da Liga, foi só levar pro Centro Pokémon e tchuru-ruuuum~, tá todo mundo curado! Mas num contexto semelhante ao que aconteceu no filme, qual seria a reação dos personagens ao ver seus entes queridos desaparecer em seus braços? Bom, aqui vai os meus 50% condenados:
- Tem forma mais cruel de começar uma história do que sumindo com os protagonistas? Bom, acho que tanto o Aerus quanto a Titânia não sobreviveriam, restando ao Watt reunir o PODER DA AMIZADE para trazê-los de volta (tenta imaginar a cara do Aerus ao perder a Tih DE NOVO. Só tenta);
- O General iria rodar, mas talvez a Glaciallis ficasse viva. Ou os dois morrem, eles têm esse laço eterno que os une. Parte da graça está em tirar o General da jogada, o restante dos membros sempre se desesperam sem ele para liderá-los;
- Mikau sobrevive, Milena morre. O Mikau já é meio pirado, acho que se isso acontecesse, bem... ia dar merda, são muitas possibilidades, ele com certeza seria um dos integrantes mais fortes e perigosos a ficarem vivos;
- Milady e Duke sobrevivem (DUKE, É A SUA HORA DE BRILHAR!). Eu acho que daria para criar um arco muito pessoal e bonito envolvendo o trauma da Milady em perder o Isaac, o Sr. Atros, Sly, Malbora e Magnum todos de uma vez. Ela estará completamente sozinha e terá que aprender não apenas a ser uma mãe melhor, mas uma pessoa melhor;
- Chaud e Tom sobrevivem. A Eva morre. E isso já é o suficiente para os dois perderem completamente a cabeça;
- Al Capone e Karl sobrevivem, Sophie e Lyndis somem, ou quem sabe o oposto. Separar famílias é de cortar o coração;
- Yoshiki morre, Jade sobrevive. É sempre cruel separar esses dois;
- Marco e Wiki sobrevivem, Mozilla morre. Vista é destruído, parte do arco seria trazê-lo de volta porque nosso grande Metagross é sempre um poderoso aliado dotado de grande inteligência;
- Beliel sobrevive, Seth morre. Para o fucking Dragonite do Lance desaparecer, é porque a coisa é séria. Ele é tipo o Doutor Estranho dos Fire Tales;
- Panetto e Akebia morrem. Ninguém nunca lembra dos dois mesmo;
- Coffey estaria de volta. O grandão sempre foi conhecido por seu amor ao próximo, seria ótimo vê-lo atuando em seu lado mais místico;
- E finalmente *pasmem* Paula morre! Parte da graça desse arco estaria nisso, você tem os Pokémon Lendários mais poderosos, alguns conhecidos por distorcerem o tempo e o espaço, e mesmo eles não são capazes de fazer nada frente ao estalar de dedos. Imagino que o Dialga também rodaria, assim como Celebi, pra não dar chances de viagens no tempo.
E vamos ao plot:
"Após o estalar de dedos, Lukas desaparece diante dos olhos de Luke. No Arco dos Clones, Lukas foi o responsável por resgatar o irmão das garras dos Rockets, mas eu sempre tive a impressão de que o Luke não conseguiria fazer o mesmo. Ele tem dificuldades em lidar com coisas mais forte do que ele. Não há um plano de resgate. Essa é uma batalha que todos começam derrotados.
Sem saber o que aconteceu ou a quem recorrer, o que Luke faria? Simples, ele reúne o que restou de sua equipe de Pokémon e as de seu irmão e parte para o Distortion World, imaginando que se trata de um plano de Giratina. Mas qual é sua surpresa ao descobrir que os Pokémon Lendário também foram afetados? Então, Giratina se alia ao garoto humano para enfrentar forças muito maiores que eles próprios, para reconquistar seu reino — mas estaria ele cumprindo vingança, se divertindo, ou a serpente também está atrás de descobrir o segredo da morte?"
Isso daria um baita plot, hein? Agora deixa eu voltar a escrever meu especial com a Vivian, porque não tenho mais condições de produzir nada a nível da Liga pelos próximos anos kkk Kokoro não aguenta...













































