Shipping - Al Capone x Sophie
Você tem ideia do que o seu personagem tem a dizer sobre o par que você escolheu para ele? Nosso parceiro nem sempre é alguém que nos identificamos, é preciso tentar e arriscar-se para encontrar a pessoa certa; e muitas vezes alguns pensamentos e desejos permanecem ocultos no coração de cada um. Aposto que vocês irão se divertir com o que cada personagem tem a dizer sobre seu companheiro ideal escolhido pelos leitores!
6. Al Capone x Sophie
Al Capone: Quando entrei na Fire Tales não era comum encontrar pessoas da minha idade. Tudo bem, eu posso parecer um sujeito jovem, e sou o caçula de minha família, mas não sou mais um garotinho livre, e ainda assim haviam crianças para todos os lados quando ingressei nessa guilda. Isso tendeu a mudar com o tempo, mas em meio às minhas noites de insônia eu tinha o costume de visitar o bar na tentativa de esquecer os meus problemas. Eu e a Sophie criamos uma amizade muito forte desde então, sem contar que ela é apenas alguns anos mais velha do que eu. A qualquer horário no meio da madrugada eu podia ter certeza que ela estaria lá para me receber. Uma vez eu cheguei a perguntar se ela sofria de insônia também, mas ela afirmou que com algumas poucas horas de sono já se sentia com energia para fazer tudo que sua rotina intensa propunha. É por isso que respeito essa mulher, a Sophie é de uma força capaz de deixar qualquer homem para trás.
Sophie: Uma das primeiras coisas que me surpreenderam no Al é que ele tinha uma afilhada como a Lyndis, e ainda conseguia tomar conta dela como um verdadeiro pai. Não são muitos homens que conseguem este feito, e grande parte deles sequer saberia como conviver com uma garota. Eu tenho de viver correndo atrás do Karl, esse garoto só me traz problemas, mas quando o Al apareceu eu pude começar a compartilhar esses problemas com ele também, visto que a Lyndis fazia a mesma coisa. Oh, nós dois somos adultos o suficiente para saber dos interesses um do outro, e eu aprecio imensamente a companhia do Al no bar, todas as noites frias em que ele sofre de insônia. Ele é muito gentil e educado, mas não está acostumado a receber beijos no rosto ou abraços como um gesto de carinho. Acho isso fofo nele.
Shipping - Al Capone x Lyndis
Você tem ideia do que o seu personagem tem a dizer sobre o par que você escolheu para ele? Nosso parceiro nem sempre é alguém que nos identificamos, é preciso tentar e arriscar-se para encontrar a pessoa certa; e muitas vezes alguns pensamentos e desejos permanecem ocultos no coração de cada um. Aposto que vocês irão se divertir com o que cada personagem tem a dizer sobre seu companheiro ideal escolhido pelos leitores!
5. Al Capone x Lyndis
Al Capone: Ah, tratar de assuntos familiares com a Lyndis sempre é complicado... É possível notar claramente que ela nunca se deixa para baixo, mas creio que esse jeito dela seja como uma forma de esconder tantas dúvidas que restaram no passado. Eu mesmo não sei muito sobre a família da Lyndis. Meu pai, Don Corleone, é quem chegou a conhecer o pai dela, por isso eu não poderia entrar em detalhes. Quando fui escalado para essa missão de acompanhá-la em sua jornada até a Fire Tales posso dizer que me apeguei muito ao seu jeito tão carinhoso, de forma que essa jovem de espírito forte tenha se tornado alguém muito especial para mim. Pois é, minha menininha está crescendo...
Lyndis: Eu não conheci os meus pais. O Al me contou que minha mãe era uma poderosa Infernape de Sinnoh, mas ela veio a falecer, e hoje não resta nenhuma lembrança ou relato do meu pai. Dizem que ele veio de uma região distante onde já foi considerado um verdadeiro ícone, tanto que herdei dele a minha força e também o Blaze Kick. Acho que o Al foi a primeira pessoa que lembro estar ao meu lado, tento forçar minha memória ao máximo mas tudo que lembro é de um Corvo Negro que me acompanhava como uma sombra, me protegia dos perigos e me guiava quando eu precisava. Não preciso dizer que ele é o meu super protetor, é a pessoa em quem me espelho e considero o super herói da minha infância. Posso não ter conhecido meus pais biológicos, e mesmo que eu tenha vontade de descobrir quem são hoje já sou menina o suficiente para não precisar mais disso. O Al é o meu pai, e a Fire Tales é a minha família. Amo todos vocês!
Shipping - Sophie x Karl
Você tem ideia do que o seu personagem tem a dizer sobre o par que você escolheu para ele? Nosso parceiro nem sempre é alguém que nos identificamos, é preciso tentar e arriscar-se para encontrar a pessoa certa; e muitas vezes alguns pensamentos e desejos permanecem ocultos no coração de cada um. Aposto que vocês irão se divertir com o que cada personagem tem a dizer sobre seu companheiro ideal escolhido pelos leitores!
4. Sophie x Karl
Karl: Ela faz tudo que eu quero cara, do que mais eu preciso?
Sophie: Precisa de umas boas palmadas para aprender a ser mais agradecido, isso sim. Ai, esses jovens são tão problemáticos.... Isso que dá gostar de crianças! Meu irmão vivia dizendo: Sophie, procure alguém da sua idade, ou o tempo vai passar e quando você for bem velhinha seu companheiro ainda vai estar na flor da idade! Acho que tenho tomado conta do Karl porque gosto disso, dessa rotina diária de cozinhar, arrumar as coisas, de proteger as pessoas... Mas isso têm me deixado exausta, ser mãe é muito difícil.
Karl: Quer dizer que você não vai mais lavar as minhas roupas? E nem arrumar a cama? Falando nisso, você viu a minha correte de prata que estava em cima da estante outro dia?
Sophie: Você já é mocinho o suficiente para saber arrumar suas próprias coisas, não acha? Ah, e eu coloquei dentro da gaveta. O café tá na mesa!
The Forgotten Wind
Support Conversation (Al Capone x Connie)
Gênero: Drama, Romance;
Tema: "Seria possível criar uma rival romântica para Lyndis
que possa competir pelo coração sombrio do Al Capone?"
Passado, infância, neblina, mulher desmaiada, surpreendente e charmosa;
Sugestão da leitora: Laísa Cristina.
Assim que a porta foi aberta Al teve de agir com destreza para esquivar-se de um enorme e fofo travesseiro que era arremessado para o outro lado da sala em sua direção. O homem continuou ali parado com as sobrancelhas franzidas encarando os dois jovens que se divertiam com uma interminável guerra de travesseiros, no meio da madrugada.
O corvo da noite virou-se, encarou o estado do quarto e soltou um longo suspiro ao ver que Lyndis e Karl vestiam apenas seus pijamas ignorando a o horário e as obrigações monótonas da rotina que a próxima semana traria. Al fez apenas um sinal com o indicador e proferiu as seguintes palavras:
— Vocês dois. Cama. Agora.
Lyndis saiu correndo pelo quarto para enfiar-se no cobertor, empurrando Karl que corria para todos os lados em direção de seu colchão ao lado também. Al sorriu com a obediência de seus pequenos protegidos, porém, a essência de criança daqueles dois jamais o deixaria descansar tão cedo.
— Desculpa aí, tio Al. Não era pra ter te acordado, cara... — desculpou-se Karl.
— Fique tranquilo, meu jovem, sepre tive sérios problemas para dormir, então quando saí da casa para tomar um pouco de ar fresco acabei me deparado com essa batalha de gladiadores que vocês estavam travando — respondeu o homem com um sorriso sereno e acolhedor.
— Ele nunca dorme, Karl. Eu pelo menos nunca vejo, tenho a impressão de que quando ele senta e fica encarando o vazio de olhos abertos ele dá um ligeiro cochilo discreto — respondeu Lyndis com uma risada.
— Sim, minha querida, eu durmo, sim. Só tenho dificuldades, mas espero que a insônia não seja algo pelo qual vocês passem algum dia. — Al foi em direção da cama de sua afilhada, sentou-se na beirada e cobriu-a de maneira paternal. — E isso me faz pensar por qual motivo continuam acordados. Não se esqueceram da missão amanhã, certo?
— Dormir é para os fracos — brincou Karl, cruzando os braços e encarando o homem de maneira séria, o que o fez sorrir.
— Além do mais, o que a Sophie dirá quando souber que eu não cuidei bem do filho dela?
— Qual é, tio. Ela nunca deixa eu dormir tarde, é só dessa vez...
Al levantou-se novamente, indo em direção de uma cabeceira e acendendo uma luz de canto.
— Vamos lá, durmam. É só ficar em silêncio que o sono vem.
— Mas eu não consigo, quero fazer algo, estou agitada!! — dizia Lyndis numa enorme empolgação. — Ei, Al, conta uma história para a gente.
O homem parou ao olhar para trás, mas depois riu e desligou a luz, preparando-se para sair.
— Ahh, seu malvado, é só uma história! Você é da máfia, deve ter muita coisa para contar, missões inesperadas, intrigas e conflitos, gangues inimigas, paixões!
— Não tenho histórias para contar. Pelo menos, não para crianças — brincou ele.
— Não somos crianças — respondeu Karl frustrado, sentando-se no colchão como se esperasse pelo início das maravilhosas aventuras do Corvo da Noite.
Al passou a mão em seus cabelos negros, afinal de contas, ele já não conseguiria dormir mesmo, lembrar algumas histórias poderia ajudá-lo a esquecer de seus problemas. Ele voltou, sentando-se ao lado de Lyndis que lhe abria um espaço na cama. O homem olhava atentamente para a luz de uma vela no canto do quarto, pensando ao certo no que dizer.
— Escolham um tema — pediu ele.
— Mulheres — afirmou Karl de imediato.
— Máfia, lembranças, traição e emoção! — apressava-se Lyndis, com mil ideias na cabeça.
Al Capone deu uma risada com uma expressão surpresa em seu rosto cansado.
— Tudo isso? Vou ver se dou conta... E se consigo lembrar de algo que... — ele fez uma longa pausa — ...tenha ficado marcado em minha infância de alguma maneira.
— Não consigo imaginar você mais moço. Pra mim, você sempre será um tiozão — respondeu Lyndis com um sorriso, dando um forte abraço no homem.
Al acariciava os cabelos ruivos da garota ao lembrar de cada instante pelo qual passara há muito, muito tempo atrás.
— Todos nós já fomos jovens uma vez, minha querida... Todos nós já fomos apaixonados, ingênuos, e erramos muito... Hoje restam as lições que levamos para toda uma vida como um aprendizado eterno. Resta a experiência, que passamos de geração em geração para nossa família.
• • •
Era noite, e lembro bem que o céu da cidade estava levemente coberto por uma fina camada de nuvens que deixavam o ambiente hostil, inóspito, repleto de seus segredos a cada viela sendo que as passarelas continuavam em um silêncio permanente.
Tenho essa estranha mania de reparar no mundo ao meu redor, pois foi assim que fui criado. Caminho cada metro olhando para trás certificando-me de que não sou seguido, tenho olhos desconfiados para as pessoas que sequer sabem que existo. Aprendi a não confiar, e muito menos a acreditar; mas nem sempre foi assim... Acredito que muito disso venha da experiência, ideias que colocam em nossa mente, que vão sendo moldadas através de erros que procuramos evitar repeti-los. De certo posso dizer que os erros são essenciais para nosso aprendizado, e indispensáveis para alcançar a perfeição. Mas ainda são erros, e por isso devem ser evitados.
A fina garoa que caía não dispersava a camada nublada que dominava a cidade. Tenho um certo apreço por subir aos lugares mais altos e examinar o mundo como se eu fosse um ser livre, um ser capaz de esticar as asas e ir para onde quiser. Mas a verdade é que ninguém é livre. Quando pensamos que temos controle para fazer tudo que desejarmos, percebemos que ela nos engana de muitas maneiras...
No meu caso, ela chegou como uma paixão. Um suave e terno sentimento de algo mais forte do que simples palavras poderiam definir, que no fim acaba por tornar-se aquela reclusão sobre tudo que sofremos.
Ainda penso se eu deveria ter ignorado aquilo que vi.
Uma mulher, uma mulher deitada em um beco escuro e asqueroso da cidade horripilante dos homens. Ela estava lá, com um dos braços enfaixados e as roupas negras cobertas por um pouco de sangue no abdômen. Meu pai sempre me ensinou que não devemos confiar nas mulheres, os deveres de nossa família são mais importantes, e elas nos persuadem para fazer parte dela. É preciso escolher a dedo quem deve e irá fazer parte de nossa família, afinal, somos uma máfia.
Mas naquele dia ignorei qualquer concepção.
Saltei do alto daquele prédio, planando com asas negras de corvo que desapareciam na escuridão do céu. Ao aterrissar, fui caminhando ligeiramente em direção da moça que parecia inconsciente e desacordada.
Sua presença passava quase despercebida ali. Sou perito em enxergar na escuridão, mas mesmo assim eu apenas a notei pelo sangue que lhe escorria. Agachei sutilmente para encará-la e verificar sua pulsação, e lentamente ela abriu seus olhos de maneira cansada e febril.
— Me ajude... — foi tudo que ouvi antes dela fechar os olhos e parar de falar.
Eu não soube dizer se ela ainda respirava após ter dito aquilo, ou se por um momento sua alma foi agarrada por Giratina e traga de volta por um jovem cavalheiro que jamais poderia ter deixado uma mulher em apuros.
Tive receio de tocá-la, ela tinha estranhamente o perfil de uma mulher que cativava a minha atenção. Eu costumava ser muito almejado pelas moças em meu território por conta da influência que meu pai exercia na máfia, mas sempre fui cauteloso com quem eu escolhia. Acredito que um jovem precise amar, não?
Notei que a misteriosa moça tremia, então, retirei meu sobretudo e a cobri. Agarrei-a no colo de maneira mansa, e olhando para os lados discretamente perguntei-me se alguém nos observava. Não era uma ideia aceitável levar uma estranha para dentro de sua casa, afinal, nunca se sabe suas interligações... Mas olhando no rosto dela naquele instante eu senti tanta serenidade... Tive compaixão e curiosidade, meu instinto mais profundo desejava saber mais sobre ela.
Então, parti dali imediatamente, levando-a para um local seguro onde pudesse ser tratada. Meu quarto localizava-se no interior de uma grande mansão, mas tive dificuldades para fazer meu caminho até lá sem ser notado. Sou o filho mais novo de outros quatro irmãos, e meu pai é o tipico homem que sabe de tudo. Está sempre de olhos abertos, dando conselhos, ele sabe dizer o que é o certo e o errado.
Ao passar pela porta de frente eu imaginei que todos estariam dormindo, e torci para que ninguém aparecesse. Pude deixar a mulher misteriosa em minha cama, mas sua febre aumentava e corri para a cozinha em busca de um pouco de água quente e remédios. No caminho, meu velho senhor estava sentado em sua poltrona vermelha com a feição desgastada e os olhos entreabertos.
— Você chegou tão tarde, filho... — disse meu pai com uma voz rouca.
— Papá... — fiz um cumprimento gentil, mas ainda alvoroçado por esperar não ser descoberto. — Eu não devia ter deixado o senhor esperando...
— Não se preocupe, não se preocupe... — respondeu. — Eu apenas não consigo dormir quando sei que um de meus filhos está aí fora, nesse mundo que tanto temo.
O velho Corleone ajeitou-se em sua cadeira e fez um sinal com a mão para que eu o deixasse.
— Agora vá, vá. Leve logo esses remédios para a garota... Buonanotte, filho...
Não sei dizer ao certo qual foi minha expressão nesse instante, mas subi correndo logo em seguida. Realmente, era impossível enganar aquele velho Honchkrow observador, mesmo com a idade avançada pesando em suas costas nada escapava de seus olhos.
Entrei no quarto e ajoelhei-me ao lado da mulher enferma. Coloquei a água quente em sua cabeça e fiz o possível para aquecê-la. Ao entrar em contato com aquele calor tão aconchegante ela abriu os olhos e olhou para mim. Tinha um olhar tão sereno e calmo... Eu poderia dizer que eu observava uma estátua de mármore, pois era impossível enxergar seus pensamentos, mas por algum motivo ela ainda me encantava.
— Você está cuidando de mim — afirmou com sua voz singela.
— Na medida do possível — respondi apreensivo.
— Obrigada, moço. Obrigada...
Não demorou para que ela caísse no sono, mas fiquei ali observando cada detalhe de seu corpo. Ela parecia machucada no busto, mas não muito seriamente. Fiquei imaginando que tipo de pessoa poderia fazer mal a algo tão belo. Conclui que ela era da raça dos Staraptors, uma guerreira como eu, muito próxima de minha espécie. Porém, seu braço direito estava aparentemente machucado, o que poderia ter sido ocasionado de uma queda brusca.
Ah, foram tantas perguntas naquela noite, e acredito que meus problemas com insônia começaram a surgir nesse ponto. Eu nunca mais consegui dormir bem. Ficava observando-a cada minuto, cada dia. Sua recuperação contínua e sua aproximação em minha vida tornava-se cada vez mais intenso.
Mal pude notar o sol clareando naquele dia, e quando ela abriu seus olhos novamente, mais recuperada, seu sorriso fez tudo valer a pena.
— Oi... Você de novo.
— Eu — foi a confirmação mais tola que já fizera até então, mas sorri de uma maneira acanhada o que a fez rir.
Seu nome era Connie. Ao menos deveria ser um apelido, pois eu nunca soube sua identidade verdadeira. Connie não foi de falar muito nos primeiros dias, ela costumava ficar quieta, agradecendo toda a ajuda que eu lhe dera.
Foi aos poucos assim que ela me conquistou, de maneira singela, perguntando como ela poderia retribuir... E quando notei, eu já me apaixonava por ela.
Connie era forte, e apesar da recuperação lenta ela não tardou em começar a empenhar-se para fazer sua parte. Apresentei-a aos meus irmãos de família, e como todo parente mais velho a maior graça em suas vidas era fazer graça dos mais novos. Eles adoravam dizer que Connie era minha cara metade, e que a noite em que ela apareceu em meus braços era como um sinal da pessoa ideal.
Mas meu velho pai apenas a observava. Para ele, Connie era uma intrusa na família.
Não o culpo. Uma máfia como a nossa está repleta de inimigos por toda a região, e todos eles procuram uma forma de nos derrubar onde somos mais frágeis. Eu sou o caçula, sempre serei o mais novo e, portanto, o foco. Connie era uma companheira e tanto para mim, mas em meio à tantas conversas ela começava a fazer perguntas demais.
— Diga-me, Al. Como anda seu velho pai? Ele está bem de saúde?
— Ele não vai cair tão cedo, acredite em mim. Acho que ele consegue levar essa família adiante por mais umas duas gerações — respondi com um sorriso.
Ficamos deitados em uma rede do lado de casa, observando o céu noturno. Connie ajeitou-se em meu braço, aninhando a cabeça em meu peito.
— Ainda penso em como retribuir tudo aquilo que você fez por mim... — ela disse com a voz gentil.
— Ei, eu já lhe disse que você não me deve nada — a repreendi. — Você faz parte desse lugar agora, dessa família.
— Verdade?
No momento em que Connie perguntou aquilo com tanto entusiasmo ponderei se eu deveria ter pensado mais antes de falar algo tão importante. Meus irmãos tinham o direito de encontrar suas parcerias e trazê-las para casa, então, por que eu também não deveria pensar no futuro?
— Claro que sim — assenti, mesmo depois de muito pensar.
— Isso é tão bom... e você confia plenamente em mim?
— Com certeza.
— Eu também confio em você, sou capaz de fazer qualquer coisa por você. Qualquer coisa.
As perguntas de Connie tornavam-se mais frequentes, e eu achava inclusive estranho tanto interesse dela por nossa máfia. Nós não temos o costume de nos abrirmos à estranhos, mas Connie não era uma estranha. Ela era minha.
O tempo passou, e nós estávamos cada vez mais próximos. A família já aceitara em partes, mas meu pai ainda não. O velho Don Corleone sentava-se à ponta da mesa com todos seus filhos em um horário sagrado do jantar, e ter uma "impostora" para ele não era comum. Costumavam ser apenas eu, meus irmãos, nossa mãe e o velho senhor na ponta. Meu pai ainda lançava olhares rápidos para os arredores, mas não dizia muito. Quando Connie teimava em interrogá-lo de algo particular, ele não respondia. Eu era obrigado a sussurrar em seu ouvido para que ela compreendesse:
— Não discutimos trabalho à mesa.
O jantar era um momento sagrado para todos nós, e jamais falávamos desse tipo de problemas no único instante em que todos estávamos juntos para usufruir da culinária de nossa mãe. Por um instante senti raiva de meu pai por ser tão rude com minha companheira. Era claro que ele agia como se ela não existisse.
Foi então que tudo começou a se reverter.
— Alphonsus Capone — disse Corleone, de uma maneira que me faz tremer até hoje quando ele me chama pelo nome inteiro. — Venha até minha sala.
Entrei em seu aposento e soltei um suspiro ao notar que eu era o único. Nenhum de meus irmãos estavam ali, então, o caso era comigo. Meu pai foi até sua mesa e sentou-se coçando a cabeça lentamente conforme pensava nas palavras certas a se dizer. Logo ao seu lado estavam outros dois velhos.
Um deles era um senhor imenso, de cabelos emaranhados, corpo troncudo e barba grisalha. Ele devia ter quase a idade do meu pai, mas mesmo assim parecia um lutador de boxe que nunca perde a forma, este era Salvatore Rossi, o Tyranitar, um dos mais fiéis amigos de meu velho. O outro era mais baixo, franzino, tinha cabelos longos e o rosto aparado. Mas mesmo assim, seu rosto demonstrava tanta sabedoria que eu tinha medo de um dia desafiá-lo para um duelo de xadrez. Seu nome era Franceso D'alviano, o Weaville, outro senhor de idade, inseparável amigo de meu pai.
— Per favore, poderiam deixar eu e meu filho a sós?
Quando meu pai pedia para que aqueles dois deixassem a sala era porque a situação estava crítica. Sentei-me suando, pensando em qual era a burrada que eu fizera naquela semana. Don passou a mão nos olhos demonstrando cansaço, e após respirar fundo anunciou:
— Onde está sua namorada, a Connie?
— Passando o fim de semana com os parentes, meu bom pai.
— Tem certeza? Sicuro? — ele me questionou de maneira fria.
— Absoluta — respondi com firmeza.
Ele ajeitou-se na poltrona e continuou a questionar.
— E onde ela costuma ficar nas tardes, quando está longe de você?
— Depende do dia, ela costuma fazer compras, vai ao salão, acerta contas no banco... Creio que... Creio que é o que qualquer mulher madura faz.
— Você tem certeza?
Dessa vez me senti assustado, mas acenei de maneira breve.
— Absoluta.
— Figlio, è il su amore? Você a ama? — meu pai fez essa pergunta, e no mesmo instante um sorriso involuntário formou-se em meu rosto. Eu quis afirmar: Sim, sim, eu a amo de todo meu coração, eu jamais a deixarei para trás! Afinal, nós, da máfia, não suportamos traições. Meu velho suspirou, abrindo sua gaveta particular onde ele demonstrou um adesivo rasgado tão discreto que nem os melhores espiões teriam notado. Ele estava rompido, o que demonstrava que alguém, fora ele, abrira a gaveta.
— Nenhum de meus homens faria isso. Sei disso porque eu confio neles de tal maneira que eles são considerados meus irmãos, e quando se trai sua própria família na máfia, você é castigado.
— Está insinuando que a Connie roubou os arquivos confidenciais? — eu o pressionei, de tal maneira que pensei que eu fosse perder o controle. Não pude acreditar que meu pai a julgasse sem ter nenhuma prova.
— Não estou insinuando nada, — ele respondeu de maneira séria — mas quero que você vá tirar à prova por si só.
— E irei.
Senti um ódio tremendo, como ele poderia dizer algo tão terrível sobre alguém como a Connie? Mas, no fim, meu velho sempre estava certo, sempre. Ainda lembro de algumas palavras que meu pai me disse naquela noite: Todos nós precisamos aprender a evitar os erros do passado, filho. Eu sempre confiei em você, mas não nela. Eu acreditei em você, mas não nela. Da mesma forma que você a amou, mas não ela.
— Vou mandar o Francesco e o Salvatore atrás da garota com urgência. Tenho uma reunião marcada com nossos companheiros de guilda... Pretendo reunir-me com o Bartolomeu e o Ereon, pois o conteúdo contido naquele documento era de vital importância.
Connie dissera que estaria na casa dos parentes aquela noite, e por um momento perguntei-me se ela realmente estaria lá.
— Pai, eu.... Não posso acreditar nisso.
— Você é meu filho, vocês são minha vida, e alguém está tentando estragar ela. A traição é paga com a punição, Alphonsus.
— Então peço para que não envie o Francesco ou o Salvatore atrás da Connie. Eu mesmo irei.
Corri para a estação onde meu pai indicou, e de maneira discreta tentei observar tudo dentro. Lá estava Connie, com documentos sigilosos de meu pai, copiados com tal perícia e habilidade que eu jamais teria notado. Senti meu coração ferver, meu punho fechou-se e comecei a imaginar: Por quê?! Depois de tudo que fiz, tudo que passamos, por que aquilo tinha que acontecer? Por que ela tinha de ser assim?
Ela provavelmente espera para entregar aqueles documentos nas mãos de um comparsa. Por sorte, meu pai era um homem sábio e precavido. Em pleno período em que a guilda Legacy dominava a região pode-se dizer que tínhamos inimigos aos montes que tentavam nos derrubar. Eu só nunca imaginei que eles estivessem tão perto esse tempo todo.
Não esperei sequer que Connie saísse da delegacia. Subitamente ela virou-se, como se sentisse minha presença. Seus olhos serenos brilharam, e ela esboçou um sorriso suave e tentador, um sorriso pelo qual me apaixonei durante todos esses meses que se passaram.
— Está frio, não? — ela perguntou com uma tranquilidade assustadora.
— Como quando nos encontramos. Como quando eu a resgatei desse lugar imundo, e a acomodei em meu refúgio de segurança. O refúgio que você tenta destruir.
Connie desviou o olhar, não demonstrou ressentimento, tristeza, pesar, nada; o que teria me aliviado muito. Ela apenas permaneceu séria e falou:
— É apenas trabalho, Al.
— T-Trabalho? — eu sentia meu coração palpitar mais depressa sempre que ela falava comigo. — Você me enganou, traiu minha confiança, e teve intenções de destruir minha família! Mas eu não irei permitir. Como pôde fazer que eu me apaixonasse por você dessa maneira, para no fim você dizer que tudo isso era apenas... apenas...
— Trabalho — ela repetiu.
Ela disse assim, sem nenhuma explicação, sem nenhum arrependimento. Ela sabia que fora desmascarada, e eu conhecia muito bem sua maneira de lidar com as coisas. Era de uma tranquilidade e segurança que chegava a me impressionar. Connie era decidida e misteriosa como uma pintura impossível de se decifrar. Nós éramos como pássaros que esperavam viver uma vida toda atrás de seus sonhos. Porém, naquele instante senti como se ela atirasse uma pedra em mim.
— Você era o mais frágil de todos, a fraqueza de meu inimigo. Eu sou de uma guilda rival, Al. Estamos em lados opostos. Aquele dia que você me encontrou nesse mesmo lugar foi tudo planejado, todos os nossos encontros, tudo que você me contou. Eu o agradeço de coração pela companhia e pelas informações, você foi uma peça essencial para tudo isso, mas agora acabou.
— Sim, acabou — confirmei.
Ela sabia que iria morrer.
Um crime na máfia é pago com a vida, e eu tinha concertado o erro que eu cometi. O eco foi ensurdecedor, mas nenhuma luz foi acesa. Eu fiquei sozinho ali naquele lugar, como se os últimos meses jamais tivessem existido. Connie estava caída no chão, e agora eu sabia que ela jamais poderia voar. A traição resulta na punição em nossa família, e Connie jamais deveria ter feito parte dela.
Demorei muito tempo para aprender isso, e hoje vejo como eu era ingênuo, apaixonado, tolo e infantil... Realizamos muitas escolhas erradas, e espero não repeti-las como naquela vez.
• • •
Ao terminar de contar sua história, Al já tinha retirado os sapatos e estava com as pernas cobertas ao lado de Lyndis que derramava algumas lágrimas incontidas. Karl permanecia sério, não sabendo se confortava a menina, se ficava na sua ou simplesmente esperava para saber se havia algo mais além daquele desfecho.
Lyndis soluçou antes de falar:
— A-Al... Isso não devia ter acontecido com você, ela traiu sua confiança, ela te traiu... Ninguém deveria passar por isso, muito menos você, muito menos você... — dizia Lyndis com a voz chorosa, abraçando o homem com força. — Eu nunca vou trair você, Al!! Eu jamais faria algo assim para você. Juro.
— Eu sei, minha querida.
Houve uma longa pausa, e por um instante Al imaginou se não teria ido longe demais com suas histórias. Se sua tentativa era aquietar os dois jovens, então ele havia finalmente conseguido, mas agora um clima denso de pesar dominava todo o quarto. Já passava das quatro horas da manhã, e suas crianças precisavam de algo melhor a pensar além de todo aquele drama melancólico de sua vida na máfia.
— Venha aqui, minha pequena — disse Al Capone, confortando a menina em seus braços. — Isso faz tanto tempo... Eu era um garoto cheio de dúvidas, e aprendi muito desde então. Essas escolhas podem mudar nosso destino, é preferível cair cedo para não tombar mais tarde.
— Cara, eu não sei se abraço a Lyn ou se fico aqui deprimido, mas se eu abraçasse ela eu estaria fazendo isso na frente do pai dela, ai pega mal, ai vai parecer que rola um clima, mas tudo isso é tenso cara, é tenso demais... Tenso no sentido de que te faz pensar e te deixa triste... Triste pra caramba... Mano. Tô triste. — dizia Karl inconformado.
— Ora essa, meu intuito era apenas deixá-los cansados para que fossem dormir. O que houve com o sono de vocês? — sorriu o homem.
— Agora mesmo que não vou dormir. Dormir é apara os fracos — respondeu Karl.
— Não, meu caro. Dormir é apenas para os fortes, que conseguem aguentar o peso das memórias.
Lyndis o apertou mais forte com os olhos avermelhados. Al sorriu ao acariciá-la, e agora tinha percebido que deveria contar muitas outras histórias para fazer aqueles dois jovens adormecerem, a menos que eles decidissem passar a noite em claro com ele.
Mas, de fato, aquilo era bom. As histórias faziam que Al esquecesse de seus maiores problemas. Soltá-las era como livrar uma prisão que o atormentava, e de hora em hora o que antes o condenava parecia transformar-se em uma lembrança. Um erro. Um aprendizado.
Era apenas mais um vento que soprava, e mesmo que ele não o sentisse jamais deixaria de se lembrar de seu toque.
Artbook - Repent or Punishment
Autor(a): CanasOminous
Finalizado: 13 de Março, 2013
Técnica: Photoshop CS4
Resolução: 1920 x 1200
Tamanho: 1,58 mb
Descrição: Sexy Pokémon, Police Costume. Wiki and Eleanor (Porygon-Z and Pinsir Gijinka).
Uma imagem ilustrativa em comemoração por mais uma parceia realizada entre Sinnoh e as Ilhas Laranjas!
E você? Já sabe o que rolou de novo no Capítulo 44 deste belo arquipélago? Está na hora de vocês descobrirem a história por trás de uma poderosa integrante e como ela veio a cair nas mãos dos Rockets e sua Grande Criação de clones.
Shipping - Vista x Wiki
Você tem ideia do que o seu personagem tem a dizer sobre o par que você escolheu para ele? Nosso parceiro nem sempre é alguém que nos identificamos, é preciso tentar e arriscar-se para encontrar a pessoa certa; e muitas vezes alguns pensamentos e desejos permanecem ocultos no coração de cada um. Aposto que vocês irão se divertir com o que cada personagem tem a dizer sobre seu companheiro ideal escolhido pelos leitores!
3. Vista x Wiki
Vista: NO. NO. NO. NO. Quantas vezes terei de repetir?? She. Is. Not. My. COUPLE. Are you hearing me? Vocês criam essas teorias ridículas de que alguém é o seu par somente porque andam juntos. Em minha terra chamam isso de lei da sobrevivência, você se une àqueles que precisa para sobreviver, como nos velhos tempos das cavernas, that's quite simple. Mulheres representam uma fraqueza na relação dos homens, e eu fui treinado para ser um soldado sem medos, sem fraquezas. Meu respeito pela Wiki vem da força dela, e tem mais, she's the one who never gets away from me, got it?
Wiki: Ai, Vista, para de ser chato!! Eu sei que com você funciona o inverso de tudo que você fala. O senhor é quem vive ao meu lado porque sente-se sozinho, aposto que você sente falta do meu calor e das massagens que eu faço em você ao anoitecer. E aproveito para mencionar uma falha nessa sua teoria, as mulheres são muito mais importantes na vida dos homens, vocês não viveriam sem a gente, e lembre-se: Sem nós, vocês nem existiriam! Posso apostar que daqui há um tempo nem vamos precisar de vocês machos para nos reproduzir. *risos* Enfim... Não há homem que resista aos meus encantos, então por que você se faz de difícil? A menos que você não seja um homem... Ora essa, eu nunca havia pensado por esse lado... Não tenho preconceito, okay? Se você falar que não é um homem eu vou levar numa boa! Juro. ♥
Vista: Get away from me, woman.
Wiki: Oooown, adoro esse jeito revoltado!! Quanto mais você faz isso, mais tenho vontade de te perseguir. E eu ainda quero ver seu rosto, me mostra logo, seu fofinho!! ♥
Shipping - Karl x Lyndis
Você tem ideia do que o seu personagem tem a dizer sobre o par que você escolheu para ele? Nosso parceiro nem sempre é alguém que nos identificamos, é preciso tentar e arriscar-se para encontrar a pessoa certa; e muitas vezes alguns pensamentos e desejos permanecem ocultos no coração de cada um. Aposto que vocês irão se divertir com o que cada personagem tem a dizer sobre seu companheiro ideal escolhido pelos leitores!
2. Karl x Lyndis
Karl: Eu ainda lembro do dia que vi essa mina entrar na guilda, uma pirralhinha que nunca parava quieta. Eu pensei: Essa aí só pode ter fogo na bunda! *risos* Tipo, o foda da Lyndis é que ela é daquele estilo de garota que vai pegar no seu braço e te mandar para a pista de dança, e cabe a ti aprender a dançar para acompanhar o ritmo dela, tá ligado? Não existe tempo ruim pra Lyn, quando o mundo te deixa para baixo ela é a primeira a te confortar. Acho que naquela época eu era um dos poucos moleques da guilda, e nós acabamos crescendo juntos, compartilhando gostos, tretando por motivos toscos e curtindo o estilo do outro que te completa. Mas isso não quer dizer seja impossível qualquer relação ou coisa do tipo... Acho que rola uma aproximação mútua. Eu curto muito essa mina, tá legal? E ela é a minha melhor amiga, demoro? Pronto, falei.
Lyndis: Ah, nossa, o Karl é muito gente boa. Uma das coisas que mais adorei na Fire Tales são as pessoas diferentes que encontrei por lá, por exemplo, essa foi a primeira vez que vi um garoto loiro, playboy, riquinho e de olhos claros querer agir como o "mano vida loka" da parada! Owwwn, só sei que acho ele foda!! (Às vezes estamos fazendo ginástica e o Karl vai escorregando a mão até minha coxa, mas ele pensa que eu não noto.) *risos* Né, ele deve pensar que eu estou dando mole para ele, na realidade acho que rola um clima, sim. Oh, puxa, ele é meu amiguinho de infância, eu prezo muito essa relação. Quando um cara conhece sua verdadeira forma em casa, suas manias, gostos e talz, e ainda continua gostando de você, saiba que ele é a pessoa certa! Estamos sempre abertos para novas relações!!! Quem não aposta não tem como ganhar, né? Acho o Karl válido como um bom investimento.
Notas do Autor (Capítulo 73)

Diga, meus caros! Está na hora de fecharmos o Arco de Snowpoint com algumas revelações interessantes e retornar à boa e velha jornada. Adoro neve, adoro o clima gelado, as descrições deste tipo de ambiente, e principalmente, das profundezas do mundo. Quando juntei tudo isso em um único arco eu sabia que eu deveria dar tudo de mim para criar algo incrível. Foram 9 longos capítulos, e finalmente fechamos essa fase. Mas chega. Chega. Nem eu aguento mais!! *risos* Vamos continuar nossa jornada deixando Snowpoint para trás.
Foi um começo bem tranquilo para a Saga Platina, mas muito em breve estarei colocando em ação novos episódios e acontecimentos que formarão nossas últimas lembranças antes de Sunyshore City. Sim, meus caros leitores, quando nós chegarmos à Sunyshore vocês já podem começar a preocupar-se... Preparem os corações quando essa hora chegar, mas por enquanto ficaremos na tranquilidade e diversão de Hearthome. Quero trazer alguns capítulos nostálgicos baseados na época da Saga Pérola, então esperem velhos encontros, rivais das antigas, Fantinas taradas e uma inocência pura que tanto nos encantava.
Foi um começo bem tranquilo para a Saga Platina, mas muito em breve estarei colocando em ação novos episódios e acontecimentos que formarão nossas últimas lembranças antes de Sunyshore City. Sim, meus caros leitores, quando nós chegarmos à Sunyshore vocês já podem começar a preocupar-se... Preparem os corações quando essa hora chegar, mas por enquanto ficaremos na tranquilidade e diversão de Hearthome. Quero trazer alguns capítulos nostálgicos baseados na época da Saga Pérola, então esperem velhos encontros, rivais das antigas, Fantinas taradas e uma inocência pura que tanto nos encantava.
Comentários sobre o Arco de Snowpoint
- A maior dificuldade que encontrei neste arco foi trabalhar com tantos personagens. Candice, Roark, Riley, Ike... Sem contar todos os Pokémons que também são considerados personagens no enredo. Todos eles foram convidados especiais e que no fim das contas trouxeram alguns momentos muito bons juntando um pedaço de cada parte da história. Provavelmente agora só voltaremos a vê-los lá na Liga Pokémon, mas fica esse desejo de querer mais.
- Nada de batalhas. Nada de holocaustos e guerras entre mundos, tudo isso já passou. Desculpe decepcionar quem estava querendo um fim do mundo envolvendo o Regigigas, mas essa guerra toda já foi feita na Saga Diamante, e quem quiser mais volte para ler os capítulos de lá. A Saga Platina não tem como foco Pokémons Lendários e essa coisa toda, posso inclusive dizer que esse envolvimento dos regis e do Regigigas foi por puro acaso. Nosso foco é a Liga, estou preparando tudo que tenho para ela.
- Tentei criar o Regigigas como um velho tão antigo quanto a própria terra. Sua forma de falar, locomover-se e ver as coisas lembram os Ents da Terra-Média, ou então o sábio Bárbarvore do mestre Tolkien. Regigigas não tem pressa, e nem precisa preocupar-se com o tempo a sua volta. A relação dele com a Paula já é muito antiga, e vejo os Pokémons Lendários como uma família em seu meio. E por falar em Paula, é aqui que venho anunciar uma ideia...
Novo Especial?
Vocês sabem que toda temporada eu trago um Especial em forma de fanfiction, e todos eles são lembrados por serem completamente diferentes, empolgantes, marcados por um tema dramático e profundamente detalhados. O primeiro foi o Ex-Elite 4: O Fim de um Legado. A segunda foi o Sadness Orchestra, contando a infância da Dawn. E a terceira virá agora. Uma coisa que esses especiais têm em comum é que nós já sabemos como eles irão terminar, mas ainda assim, nós os acompanhamos. A minha ideia para a última e terceira temporada será contar a história do primeiro descendente do Lukas, o Herói Dourado, Lukaian (nome provisório, estou pensando em algum melhor kk). Este especial contaria a guerra dos Pokémons contra os humanos e como a Paula veio a apaixonar-se por um humano mortal. No Capítulo 73 eu contei brevemente como era essa história, seu começo, meio e fim. Mas e então? Acham que vale a pena investir nesse terceiro e último grande especial do Aventuras em Sinnoh?
Por fim... Para o próximo arco peço para que se preparem para relembrar dos primeiros dias de Sinnoh, de nosso sorriso espontâneo e inocente enquanto liamos os primeiros episódios dessa fanfiction. O próximo Arco virá para que eu dê atenção à tudo que ficou faltando. Vou acertar minhas contas com Pokémons que merecem uma grande atenção, e saibam que este é o último descanso antes da reta final. Sunyshore... Por que não consigo tirar essa cidade de minha cabeça?
Capítulo 73
1.000 Anos


No salão celestial a mulher de cabelos rosados caminhava pensativa e agoniada. Em sua frente estava uma belíssima fonte, e dela jorrava uma água tão cristalina que se podia enxergar o fundo, mas o reflexo de quem a observava ainda predominava na mente daqueles que a completavam. Era como se todas as galáxias tivessem um ponto de convergência, e ali, em um cantinho único do espaço, os Pokémons Lendários haviam feito sua moradia.
Paula encarava o espelho frustrada, sem respostas do reflexo de seu rosto que continuava imóvel. Ao contrário da maneira que ela costumava encontrar-se com Lukas no mundo dos humanos, a Guardiã do Espaço agora vestia sua verdadeira armadura celestial. As pérolas em seu corpo brilhavam, e seus cabelos rosados estavam tão longos que pareciam não ter fim entre as estrelas e os anéis dos planetas.
A mulher só ergueu a visão quando um homem sorrateiro entrou em seu quarto, vestindo um manto negro acompanhado de um par de asas e o olhar sombrio que ali permanecia. Sua voz era grave e melodiosa, qualquer um que a ouvisse poderia ter sido facilmente enfeitiçado por aquela melodia, pois em seu silêncio aquela criatura das sombras dizia apenas o que era realmente necessário.
— Ahh, o seu humano está em perigo de novo, não? Que trágico... A vida deles sempre fica por um fio que há qualquer momento poderia ser cortado se eu bem desejasse! A intensidade de ter na palma da mão o poder da vida e a morte dos outros é uma dádiva, não?
— Você não tem mais poder algum sobre os humanos. Os Pokémons Lendários têm um trato, Giratina, você sabe disso — respondeu a mulher.
— Oh, sim, nós com certeza temos um trato, tanto que você quebrou o principal deles, o de se apaixonar por um humano mortal. Mas essa é uma velha história há muito esquecida... Todas as guerras que deveriam ter sido travadas por conta disso já passou... E hoje, tudo isso não passam de meras memórias...
A língua bifurcada da serpente tremulou enquanto o homem ria em direção da mulher.
— Mas isso não muda o fato de que por sua casa muitas guerras foram travadas, e... que até mesmo pessoas inocentes tiveram suas vidas tiradas... Ainda imagino que você daria uma excelente deusa da morte, Palkia. Sempre tão egoísta, pensando apenas no benefício próprio...
— Esta é a sua função, Giratina. Garanto que o Dialga não pensaria duas vezes em acabar com sua raça.
Paula virou-se com velocidade e segurou no pescoço do homem encapuzado que teve seu rosto exposto à luz por um instante. Seus olhos vermelhos brilhavam, e era impossível dizer se aquele rosto era o de um velho carrancudo ou de um jovem em seus dias áureos. Ele sorriu, mas não por maldade. Giratina era uma criatura traiçoeira e que se alimentava da incerteza e do terror das pessoas. Ver uma divindade em desespero tratava-se de um prato cheio.
— Somos próximos, Palkia... Quase irmãos. Eu não faria nada contra você.
— Não gosto da maneira como me testa — respondeu a mulher de cabelos perolados com a voz duvidosa.
Paula parou e voltou a observar seu reflexo nas águas do espelho. Ali se formava a imagem de um templo há muito cultuado pelos humanos. Era o Snowpoint Temple, e em algum canto remoto daquele submundo ela sabia que Lukas e seus companheiros estavam perdidos. Giratina notou a preocupação de sua companheira, e aproveitou-se do momento.
— Palkia... Você tem medo de entrar naquelas ruínas, pois você sabe que lá dentro você terá lembranças de algo que não quer lembrar. Sabe do que estou falando, não sabe?
— Cale-se, Gilbert. Eu tenho conhecimento do que irei encontrar, e por isso vou ao meu objetivo — disse a mulher em resposta.
O homem encapuzado rastejou-se como uma serpente em sua direção, massageando os ombros com um gesto traiçoeiro e subliminar.
— Mas há tanto tempo você vêm tentando esquecer esse garoto... Você deveria tentar esquecê-lo de uma vez. E não estou dizendo isso por maldade, mas pelo incrível que pareça, pelo seu próprio bem. Esse humano a faz sofrer. Ele faz você sentir emoções que a tornam... humana. Um ser como qualquer outro...
Ele sussurrou em seu ouvido:
— ...Mas você é uma divindade!
— Sei disso. — Paula tocou na mão do homem encapuzado para afastá-la, mas ainda sem olhá-lo diretamente nos olhos. — E ainda assim, sinto-me a responsável por ele. Eu tenho esperado tanto por este dia... tanto... Acredito que isso têm me dado forças para continuar seguindo em frente.
— A eternidade é tão malévola quanto a vida! E como você pretende entrar no templo se o colar dele foi rompido? Este era o único meio de comunicação entre vocês — disse Giratina, fazendo uma longa pausa. — Eu faria o máximo para evitar aquele lugar, tanto que ele trará lembranças amargas para você... E o colosso que lá habita... Ele certamente vai se lembrar. Oh, sim. Ele vai...
A sombra de Giratina distanciou-se até desaparecer dos aposentos da mulher. Mesmo que a serpente fosse traiçoeira e maléfica, ainda havia razão naquelas palavras. As velhas batalhas travadas para que um dominasse o posto do outro já não existiam, e naquele momento Paula sabia que os conselhos de Gilbert nada mais eram do que palavras sinceras de um bom amigo. O Snowpoint Temple não lhe traria boas lembranças, e agora ela procurava uma forma de entrar lá novamente, após quase mil anos de espera.

• • •
— Luke.
— O que foi, Roark?
— Estou com fome.
— Eu também, cara.
Houve uma longa pausa antes que a conversa continuasse.
— Luke.
— Diga.
— Quer brincar de charada? Aqui está muito silencioso, estou começando a ficar com medo.
— Eu sou horrível em charadas.
Nem o vento podia ser ouvido naquela região, e apenas o sussurro de goteiras e de criaturas a se rastejarem nas paredes dominava completamente a mente dos aventureiros que já perdiam noção de há quantos dias eles estavam presos lá embaixo.
— Já estamos andando por esses corredores há horas, e nossa comida está acabando... — repetiu Roark, entristecido. — Tenho medo que daqui há pouco tenhamos que começar a virar canibais como esses Golbat mutantes, e então seremos devorados vivos por criaturas mais antigas do que a nossa própria existência!
— Vocês dois querem fazer o favor de fazer silêncio? O senhor Ike está tentando encontrar uma saída! — respondeu Candice furiosa.
Os treinadores continuavam perdidos no subsolo do templo de Snowpoint, e cada segundo presos naquele ambiente frio e hostil começava a preocupá-los ainda mais. Ike Smithsonian guiara a equipe até então, mas o homem acabou deparando-se com um imenso imprevisto quando três portas ficaram em seu caminho rumo à saída. Eles estavam em um salão vasto com uma elevação redonda no centro. Oito pilares formavam um octógono, e três portas levavam para três caminhos completamente diferentes. Uma delas seria a saída correta.
E não era a intenção de ninguém errar o percurso naquela situação.
Riley caminhou firme em direção das portas, examinando as runas antigas.
— Acredito que sejam três portas para três golens. Uma delas possui a imagem de Registeel esculpida, a outra, de Regirock, e por fim, a de Regice.
Roark atentou-se ao material que elas eram feitas antes de falar:
— Uma é feita de barro; a outra, de gelo; e esta é tão brilhante e resistente quanto as obsidianas. Pela idade aparente eu diria que esses portais são tão antigos quanto a Era Mesozoica, sendo associadas às três grandes eras: A Idade da Pedra, a Idade do Gelo, e a Idade do Ferro. Provavelmente não foram construídas por nenhum humano.
— Seria loucura decidir uma delas como a correta, mas suponho que tenhamos de tentar — afirmou Riley, o veterano.
A equipe decidiu seguir primeiro pelo caminho de Registeel, mas encontraram nada menos do que abismos escuros, Pokémons selvagens furiosos e passagens sem saída. O percurso não resultara em nada, e mesmo estando muito cansados, eles acabaram voltando para o mesmo lugar, a mesma sala com os três portões.
— Nós já passamos por aqui, é um labirinto! — afirmou Lukas.
— Todos os labirintos possuem uma saída, meu jovem. E nós iremos encontrá-la — assentiu Ike.
A passagem de Regice, sugerida por Candice, trazia labirintos ainda piores. Era necessário a habilidade de todos os membros com patinação no gelo para que utilizando-se de peças móveis eles pudessem abrir portas secretas. Estalagmites perfuravam o chão como dentes, e estalactites caíam com a força de uma navalha como se tivessem vida própria e desejassem a todo custo eliminar aqueles aventureiros pretenciosos. No fim do caminho eles puderam achar tesouros antigos, pedras preciosas e até mesmo uma Icicle Plate perdida no tempo; mas nada da saída.
O caminho que se sucedia acabava levando-os para o mesmo salão com os três portais dos golens.
— Viram só? Falta apenas a porta do Regirock! E lá é a saída, mas por que vocês não ouvem sequer uma vez na vida as minhas sugestões?! — indagou Roark frustrado.
— Olha, cara... Para ser sincero eu acho que nem o Regirock vai nos dar a saída — comentou Luke. — Acho melhor ficarmos por aqui, a Dawn não está passando muito bem, ela está cansada e suando frio...
A líder Candice tinha um pouco de conhecimento em primeiros socorros. A mulher agachou ao lado da garota que realmente não passava muito bem, e há horas já demonstrava seu cansaço. Após examiná-la, Candice comentou:
— Acho melhor encontrarmos uma saída logo, mas podemos montar um acampamento aqui enquanto alguém procura a saída. A Dawn não está nada bem, aquela mordida do Golbat parece tê-la envenenado.
— Eu tenho antídotos — aprontou-se Luke.
— Esses Golbats possuem um veneno completamente diferente do que conhecemos, seria um risco imenso utilizar qualquer antídoto na Dawn. O melhor que podemos fazer é sair daqui e levá-la ao hospital. Acho que a pressão da terra está fazendo-a sentir-se ainda pior... — completou Candice.
— C-Cuidado!!
Luke deu um grito e puxou no braço de Candice que estava na beira de um abismo que poderia facilmente passar-se despercebido naquela escuridão. O labirinto parecia ter vida própria, onde antes não haviam buracos começavam a surgir crateras e paredes locomoviam-se com a mesma intensidade para confundi-los e prendê-los ali para sempre.
Fosse lá quem o tivesse construído, era um verdadeiro gênio.
— Obrigada, Luke. Essa foi por pouco — agradeceu Candice.
— Precisamos dar um jeito de sumir daqui o quanto antes! Parece que as paredes estão nos prendendo... — assentiu o jovem.
— E pra falar a verdade, até estou começando a ficar meio claustrofóbico também — acrescentou Lukas. — Como eu queria que a Paula estivesse aqui, ela poderia encontrar uma saída! Ela me trazia esperanças...
Roark ficara encarregado de examinar o portão de Regirock na companhia de Riley, e enquanto isso, Ike e os demais membros da equipe ficaram no salão dos três portais cuidando de Dawn e refletindo sobre a possível chance de escapar dali o quanto antes. Ike sentou-se sobre uma pedra e cruzou as pedras, pensando em todos os livros, manuscritos e experiência que tivera para tentar descobrir uma resposta. O mistério de Regigigas continuava, e se o colosso dos tempos antigos gostava de charadas, dessa vez ele havia mandado uma boa até demais.
Em sua mente, o homem conseguia ouvir a voz de sua esposa.
“Vamos lá, querido. Você precisa ajudar esses garotos. Eles são especiais para nós.”
— Eu sei que são, Selena... As pessoas pensam que ser campeão traz a resposta para tudo em nossa vida, mas a cada dia que passa percebo que não tenho a resposta para nada... Eu queria ter você aqui comigo. Você saberia o que fazer...
“Eu confio em você, querido. Eu acredito em seu potencial, você pode tudo, então continue tentando. Se você não encontrar uma resposta, ninguém encontrará.”
Ike tinha as mãos entrelaçadas, observando atentamente as duas alianças que carregava em um de seus dedos. Uma realmente era sua, e a outra vinha de sua falecida esposa Selena, da Ex-Elite dos 4. Ike continuou em silêncio por várias horas, e sabia que a última opção seria desistir. Ele era o campeão, ele iria encontrar uma saída...
Enquanto isso, Roark e Riley examinavam os corredores escuros do portal de Regirock quando uma ideia passou na mente do líder de ginásio de Oreburgh:
— Riley, saca só essa. O que é o que é, que passa pelo sol sem fazer sombra?
O veterano parou, voltando-se para o líder de ginásio com um ar sério.
— Por que está fazendo essa charada?
— Sei lá, para nos divertirmos um pouco. O ar têm estado pesado, e acho que um pouco de risada seria bom para que pudéssemos nos distrair — respondeu Roark com uma risada espontânea. — E então? Sabe a resposta?
— O vento. Foi fácil porque gosto dessas coisas — respondeu Riley, ajeitando seu chapéu. — Você tem outras de onde essa veio?
— Opa, pode ter certeza que tenho tempo de sobra para pensar nessas coisas enquanto batalho contra crianças de dez anos em meu ginásio! O que é o que é, na água não molha e no fogo não queima?
— Hm... A sombra.
— Muito bom! Vou mandar mais uma.
— Roark, já chega... — pediu Riley, mas oigo não lhe deu ouvidos.
— O que é o que é, quanto mais se perde, mais se tem?
— A resposta é o sono. Minha vez agora, o que é o que é, quanto mais se enche, menor fica?
Roark pensou por alguns minutos, mas não obteve resposta.
— A paciência, meu caro amigo — disse Riley com uma risada. — Agora vamos nos concentrar no que realmente precisamos fazer e descobrir se há algo por trás dos portões de Regirock.
Subitamente a única lanterna que Roark tinha em mãos começou a falhar. O rapaz tentou retirar as pilhas e trocá-las de lado, mas de nada adiantou. Quando abriu sua mochila à procura de pilhas, percebeu que as últimas tinham acabado.
— Cara, acho que vamos ficar no escuro — disse o líder de ginásio um pouco sem graça.
— Roark? Onde você está?
— Estou aqui cara, siga a minha voz, Riley! A vooooooooozzzzz!! A vooooooooozz!! Uhhhhhhh!! Siga a beleza e a sonoridade dessa belíssima melodia aos seus ouviiiidos!!
— Chega. Já o encontrei. — respondeu Riley, ainda no escuro.
Roark permaneceu em silêncio.
— Não encontrou, não.
— Encontrei, sim. Estou segurando aquele seu capacete velho...
— Oh, minha nossa senhora, como fui burro o bastante para esquecer o meu capacete especial M89 geração Relics restaurado pelas melhores fábricas, lanterna Explorer Deluxe X5! Deixe-me acender a lâmpada...
Quando Roark acendeu a lanterna, ele percebeu que Riley na verdade encontrava-se um pouco distante, e apalpava algo um pouco mais estranho do que um capacete.
— E-Ei, parceiro... Quero ver você responder essa... O que é o que é, tem garras afiadas e um olhar macabro, tem a casca dura e um rabo. Vem dos fósseis e quer nos matar, é melhor correr se não quiser se esganar...!

As profundezas do templo de Snowpoint era tão misterioso que ali eles haviam acabado de deparar-se com um Armaldo furioso, despertado de seu sono profundo na escuridão. O Pokémon realmente tinha garras afiadíssimas, e sua coloração era tão escura que ele parecia nunca antes ter visto a luz do sol. Não era nada como os Armaldos que o líder ressuscitava em seu museu, e ver um que poderia estar vivo desde os primórdios do mundo era no mínimo... assustador. Aquele monstro era aterrorizante, assim como tudo que habitava no templo, Roark e Riley correram o máximo que puderam em direção da porta que vieram, mas o Pokémon continuava a segui-los, e aquele movimento chamava cada vez mais atenção das criaturas ao redor.
Quando os Irmãos Wallers notaram o barulho e o grito frenético do líder de Oreburgh, eles perceberam que algo havia acontecido.
— O que esse nerd cabeçudo aprontou agora? — praguejou Candice.
Roark e Riley apareceram correndo minutos depois, e até mesmo o veterano que sempre tentava manter a classe não pensou duas vezes em desaparecer dali a enfrentar aquele Armaldo furioso que o perseguia. A questão é que as charadas toscas e risadas de Roark pareciam ter despertado centenas de fósseis que lá habitavam, e agora os Pokémons ancestrais se colocavam em volta da equipe aos montes para atacá-los.
Luke segurou Dawn no colo para protegê-la. A garota estava cansada demais para caminhar. Em meio àquele turbilhão de Pokémons que os atacavam, não restavam muitas alternativas, a não ser lutar.
— Eu queria testar uma hipótese, então só me resta torcer que isso dê certo — disse Ike para seus companheiros.
O campeão lançou a pokébola de seu Registeel, sendo acompanhado por Regirock e Regice. Os três golens formaram um triângulo bem no centro do salão na plataforma elevada, e cada vez mais as criaturas selvagens se aproximavam. Os olhos dos Pokémons fósseis brilhavam de raiva. Dando início à um ritual, os três golens combinaram suas forças e um tremor foi sentido.
— Se nenhuma das portas levava a lugar algum, precisávamos descobrir outra passagem — afirmou Ike.
De repente, o chão sobre onde eles estavam ruiu e começou a descer como se fosse um elevador. Os Pokémons Fósseis afastaram-se com o barulho, e cada vez mais a equipe descia para uma área ainda mais profunda.
— O que está acontecendo? Para onde estamos indo?! — indagou Lukas.
— Acho que finalmente chegamos à verdadeira tumba de Regigigas — assentiu Riley com um sorriso.
A escuridão prevaleceu, e mesmo naquele lugar a lanterna do capacete de Roark tornava-se fraca e cada vez mais escassa, até que se apagou. Os relógios atrasaram os minutos, as bússolas apontaram para o sul e toda a noção de tempo e espaço desapareceu. Não havia nada que os iluminasse ali, mas uma luz natural pôde ser vista vindo de diamantes nas paredes e pedras preciosas que cobriam todo o chão. Uma luminescência azul dava uma sensação mágica para aquele lugar, mas nenhum deles ainda sentiam-se seguros.
O elevador continuou descendo, sendo controlado pelos três regis. Assim que eles alcançaram o chão, a pressão aumentou, e Roark teve a impressão de que eles alcançavam o centro da terra.
— E-Este lugar... é lindo... — sussurrou Dawn com a voz fraca, ainda apoiada no ombro de Luke.
Era uma visão belíssima, os diamantes esculpiam as paredes aos montes, fontes de ouro e prata formavam um rio ignorando toda a lei da física que existisse no mundo lá fora, uma estrada de tijolos adornados em rubi e safira guiavam para um ponto em comum; mas estava claro que nada daquilo havia sido feito por mãos humanas. Nenhum humano sequer havia chegado ali, aquele era um núcleo secreto construído pelo próprio Regigigas, e agora, o golem colossal os aguardava.
Os regis começaram a caminhar por conta própria em direção do fim do corredor. Eles pareciam ser chamados por algo, e suas luzes brilhavam com um amarelo fraco, mas insistente. Seus treinadores os acompanharam até onde eles alcançaram uma estátua imóvel de grandiosidade insuperável. Os Irmãos Wallers olharam para cima até onde sua visão chegasse, mas nem mesmo assim era possível ter uma noção da altura daquele monumento.
— É ele... Nós finalmente encontramos o lendário perdido, Regigigas! — afirmou Roark.
Assim que os três golens fizeram um ritual eles ficaram de frente ao Regigigas e pareceram enviar-lhe forças como se fizessem alguma espécie de reparo, ou recarregassem uma bateria. Primeiro, brilhou uma luz acinzentada bem fraca; depois, um azul cobalto sereno; e por fim, um vermelho agressivo. Quando a recuperação pareceu terminar, o imenso colosso levantou-se e esticou seus braços com tanta força que as paredes ao seu redor quase vieram a baixo.
— Recuem!! — gritou Riley.
O Regigigas levantou-se, esticou as pernas e cerrou os punhos com uma fúria imensa. Despertando de um sono que parecia ter durado mil anos, uma voz rouca e cansada começou a balbuciar uma língua estranhamente irreconhecível.
— WOAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH... URRRRRRRRRG... BRUAAAAAAAAAAARHH... BRUUUUM... GIIIIIIIGAS!

Quando aquele berro insistente cessou, o Pokémon Lendário falou:
— ...NOSSA!! Que sono bom. Acho que dormi demais, hm....!
— E-Ele falou... O Pokémon falou... — gaguejou Roark.
— Pokémon? Eu não sou um Pokémon, eu sou um titã! — respondeu Regigigas, fazendo longas pausas e emitindo sons estranhos.
O gigantesco golem apoiou-se para chegar bem perto dos jovens e encará-los de frente. As luzes no peito da criatura brilhavam, e seu tamanho poderia facilmente intimidar qualquer oponente. Se o golem tivesse intenção de atacá-los não haveria escapatória. Após examiná-los com atenção, a criatura falou:
— Humanos? Sete humanos? Huaam...... O que traz sete humanos ao meu santuário? Vocês decifraram todos os meus enigmas e charadas e fizeram seu caminho até aqui? Bruuuuuuuarrm.... Que surpreendente, surpreendente! Fazia alguns séculos que ninguém conseguia este feito! Eu estou, hm.................... impressionado.
Todos ali presente estavam surpresos demais para falar qualquer coisa, o que fez o imenso Regigigas sentir-se incomodado.
— O que houve? Será que eu dormi tanto que os humanos voltaram a regredir? Será que eles não falam mais? Buurarum... Hmmmmm.... Eu deveria ter concertado meus circuitos antes... Em qual milênio estamos?
Lukas era o único que já tinha uma maior experiência com Pokémons Lendários, e até mesmo seu irmão Luke parecia impressionado com aquela ocasião. Regigigas era uma de suas lendas preferidas, e descobrir que aquele imenso colosso realmente existia havia sido uma surpresa e tanto.
— Estamos no século XXI, senhor Regigigas. E viemos aqui descobrir qual era o motivo de seu aparente sumiço. Pensávamos que você havia deixado de existir — afirmou Lukas.
— N-Não converse com ele! — afirmou Candice.
— Não se preocupe, já estou bem acostumado a falar com Pokémons Lendários — respondeu o garoto com um sorriso.
O Regigigas apoiou novamente suas enormes mãos em volta do jovem, deixando sua voz ecoar como um troar grave e sem pressa alguma. Seu caminhar era lento, e cada uma de suas palavras demoravam a serem compreendidas. Tempo nunca fora um problema para aquele titã, e por isso ele levava a vida à sua própria maneira.
— E quem seria você, garotinho? Sinto que já o vi em, hm......... algum lugar...
O Regigigas permaneceu em silêncio até soltar uma risada exagerada como se lembrasse de uma piada que fora feita para ele minutos atrás.
— BRUAH! Deixado de existir? Sou mais antigo do que a própria existência deste planeta! Mas como todo ser vivo que se preze, algumas vezes preciso de alguns, hm... Como vocês dizem? Reparooooooooosss....
O golem pareceu cair no sono, fazendo com que o Regice, Registeel e Regirock voltassem a ajudá-lo. De alguma maneira aqueles três representavam sua fonte de energia. Assim que o Regigigas despertou, ele voltou um olhar cansado para os aventureiros, principalmente para Lukas.
— Ainda estão aí? Em que século estamos? Sinto que já o vi em, hmm.... algum lugar. Entregue-me esta pedra que você tem no bolso.
Lukas imediatamente estranhou aquele pedido.
— Como sabe que tenho algo no bolso? — perguntou o garoto.
— Não pergunte. Eu sinto que você tem algo quebrado, jovem, minha especialidade é quebrar coisas. Bruaaarh...Venha cá, dê-me isso.
Lukas retirou do bolso dos os fragmentos do colar que Paula havia o entregado, o Lustruous Necklace. Quando as mãos gigantes de Regigigas tocaram todos aqueles estilhaços eles pareceram juntar-se e se reconstruírem como se fosse mágica.
Logo o colar estava completamente restaurado.
— Quem diria que com essas mãos imensas o lendário Regigigas também pode concertar coisas além de destruir! — disse Riley admirado, não perdendo uma chance de fazer muitas anotações.
— Este é o meu poder, hmmm.... Homem de chapéu. Eu dou forma e tiro de tudo ao meu redor, posso criar e destruir com a mesma intensidade. A última vez que eu e o velho Arceus tentamos algo parecido foi quando... Bruuuurhh... Não lembro. Os continentes de vocês continuam separados ou ainda estão todos juntinhos?
— Pangeia? — perguntou Roark com uma risada.
A conversa com Regigigas era produtiva e curiosa, certamente haviam muitas perguntas sobre o que aquele colosso representava. Mas naquele instante, tendo seu colar completamente restaurado, Lukas não pensou duas vezes em utilizá-lo.
— Paula? Paula? Paula? Você pode me ouvir?
Não houve resposta por um longo tempo, e o jovem perdeu as esperanças.
— Acho que o colar pode ter sido recuperado, mas seu poder, não... — disse Dawn com um olhar entristecido para seu amigo.
Lukas suspirou em sinal de desapontamento.
— Paula... Eu só queria ouvir a sua voz...
— Eu estou aqui, querido.
Não demorou para que Lukas virasse o seu rosto e pudesse ver que Paula, sua eterna parceira, que o esperava do outro lado do corredor. O menino não tardou em correr em sua direção para abraçá-la com força e carinho. Lukas era um garoto forte, mas ele não podia esconder que sentira medo enquanto estava preso naquele lugar aterrorizante. Paula passou a mão em seus cabelos, sorrindo de maneira graciosa.
— Eu disse que iria encontrá-lo — disse ela. — Mas você me encontrou antes. Obrigada por restaurar o colar, sem isso eu teria demorado muito mais para localizá-lo.
— Ah, então o colar é tipo um GPS que você prende no seu namorado para saber todo lugar que ele vai... — presumiu Roark, levando uma cotovelada de Candice. — Ouch!! Foi só um comentário solto!
Paula agora voltou sua atenção para o velho Regigigas que permanecia sentado, porém, a Guardiã do Espaço não tinha uma expressão muito satisfeita.
— E você, tio Gigas? Por que continua com essas charadas bobas que nem eu consigo acertar? Por causa desses seus poderes mágicos eu tinha a entrada limitada em seu templo!!
— Bruaaaarh... Charadas bobas?! Hauuuum.... Eu passo anos pensando em como torná-las perfeitas, e você não esperava que fossem de fácil resolução, não? Hmmm.... Charadas, minha jovem, charadas. Responda o velho Gigas! O que é o que é, infinitamente intenso, nós sentimos mas não vemos, sendo a sua proporção, hm..... Algo IMENSO...
Paula levou sua mão até sua cabeça, um pouco constrangida por aquele momento.
— A resposta é amor, tio. Agora pode parar com isso? Está me deixando constrangida na frente do Lukas...
O golem colossal apontou seu dedo em direção do menino que até assustou-se com o gesto súbito.
— EU SABIA! Brruuuuuh... Sabia, sabia! Hauuuum... Eu sabia que já tinha visto esse garoto em algum lugar.
— Está falando de mim? — perguntou Luke.
— Ohhhh, tem dois deles agora. Impressionante, hmm....!! — disse o Regigigas impressionado, mas depois apontando seu imenso dedão em direção de Lukas. — Não, espera. É ele. Só ele. Você é o namorado da Paula, não?
— Como o senhor me conhece?
— Como eu o conheço? DUHMMM...! Nós já nos vimos antes, simmmmm, hm...
— Tio Gigas... N-Não é ele... — disse Paula com a voz sem graça.
O Regigigas parou e examinou o garoto com mais atenção.
— Como não...? Mas ele é igualzinho, idêntico ao menino, humuum... Como era o nome dele mesmo? Ahh, minha memória já não é tão boa quanto no milênio passado... Bruuuuuuuuh, isso parece brincadeira de humanos...
— O que ele está falando, Paula? — perguntou o garoto.
— Não é nada, Lukas... Ele é só um velho sem alguns parafusos, e...
— LUKAIAN! Ohh sim, sim, este era o nome.
Lukas e seus companheiros viraram-se para Paula que ficou sem reação. Aquela estranha conversa deixava cada vez mais dúvidas na mente de todos eles, e exatamente por aquele motivo Paula não queria visitar as ruínas.
Sendo Pokémons Lendários era de se esperar que a Guardiã do Espaço e o colosso se conhecessem, mas Regigigas era um daqueles velhos que nunca esqueciam de algo. Nunca. Ele poderia demorar a lembrar-se, mas jamais esquecia, e naquele instante ele tinha certeza de que já vira Lukas em algum momento de sua vida, ou até em alguma reencarnação passada.
— É uma longa história... — sussurrou Paula, sentando-se sobre alguns cristais enquanto narrava aquela história perdida no tempo.
Há incontáveis gerações, um herói renomado estava fadado a governar o planeta e livrá-lo de todos os terríveis males que o atordoavam. Seu nome ficaria marcado na história, pois ele era belo e poderoso, mas acima de tudo, sua honestidade e bondade permitiam que ele governasse seu reino com sabedoria e justiça.
Naquele tempo a Guardiã do Espaço apaixonou-se por sua bravura e coragem. A lendária Palkia admirou-o durante muitos anos em segredo, mas qualquer relação entre humanos e Pokémons Lendários não seria permitida por Arceus. Decidindo quebrar todas as regras do Conselho, Palkia transformou-se em uma humana para conquistar Lukaian e ter a oportunidade de amá-lo ao menos uma vez. Aquilo resultou em uma intensa guerra de humanos contra Pokémon que custou a vida do Herói Dourado e de muitas outras pessoas.
Palkia perdeu seus direitos de dominar o espaço, sendo obrigada a viver o resto de seus dias em uma amargura de ter causado tanta discórdia na terra. O supremo Arceus, sabendo das escolhas de Palkia e vendo claramente sua tristeza, decidiu dar-lhe a oportunidade de amar mais uma vez. Seus poderes seriam devolvidos, mas como punição, ela jamais teria aquele que amou para sempre.
O Herói Dourado da história reencarnou após 1000 anos em um jovem menino, e de tempos em tempos ele voltava à vida para a Guardiã do Espaço amá-lo mais uma vez. E assim as gerações passaram, passaram, e passaram... Paula estava fadada a sentir o gosto amargo da morte daquele que amava enquanto sua vida eterna de guardiã durasse. Esta seria sua punição.
Mas agora, Lukas era um destes decentes, predestinado a encontrar-se com Paula no futuro. E mesmo sabendo o futuro que lhe aguardava, a mulher estava disposta a amá-lo cada segundo e aproveitar o tempo que lhe fora dado, pois esta era sua escolha.
— Lukaian era o nome deste herói que viveu neste mundo, muito antes de qualquer um de vocês... O tempo vai, mas eu já disse uma vez que poderia esperar 1000 anos somente para encontrá-lo, e ainda não mudei de ideia.
Paula então voltou-se para Regigigas, demonstrando uma feição de carinho e ternura.
— Eu não queria vê-lo por causa disso, tio. Você é um dos poucos que estava lá comigo, batalhando contra os humanos naquela guerra. Você e mais alguns entes queridos, apenas vocês sabem deste meu segredo que desde minha existência venho tentando esquecer... Mas este pensamento jamais desaparecerá da minha mente.
A mulher agachou na altura de Lukas, segurando suas mãos macias.
— Lukas, você acha que o destino foi egoísta... por obrigá-lo a me amar? — perguntou Paula.
Lukas sorriu, procurando as palavras certas para sua companheira. Era difícil crer naquilo, e de fato Lukas jamais acreditara em reencarnação ou coisa do tipo, mas os últimos meses haviam apresentado muitas mudanças em sua vida. Talvez até do que ele mesmo imaginara.
— Eu fico muito feliz por amá-la, Paula... E se depender de mim, espero amá-la com a mesma intensidade. Nesta vida quero aproveitar cada momento sem saber ao certo o que o futuro me aguarda, mas em meu íntimo eu sabia que algo por você era mais intenso do que apenas o destino.
Lukas segurou-a de maneira singela, dando um beijo em sua testa.
— E, se neste exato momento você me der a escolha de ser livre ou continuar ao seu lado, então digo que estarei aqui com você pelos próximos mil anos.
Neste exato instante, o Regigigas soltou um barulho muito alto como se realmente tivesse intenções de interromper aquele instante.
— Baaaaaaahhurrr!! Olha só o horário! Vocês humanos não estão cansados de ficarem dentro deste lugar, não? Ninguém gostaria de viver em um lugar como esse! Quem foi o louco que construiu isso tudo? Deixe-me tirá-los daqui agora mesmo, subam então, companheiros! Vamos fazer uma viagem, hmmmmmmm....... pela terra!
O Regigigas agachou uma de suas enormes mãos que conseguiam carregar todos os sete treinadores ali em cima. Paula soltou a mão de Lukas e sorriu para ele, dando-lhe uma piscadela e prometendo que muito em breve eles se reencontrariam.
— Só não vá quebrar o colar de novo, tudo bem? — sorriu ela.
— Terão de me matar se quiserem esse colar da próxima vez — respondeu o menino.
— Segurem-se, pequenos humanos. Nós vamos, burahm... pular.
O Regigigas formou uma proteção em volta dos jovens para que nenhuma pedra pudesse feri-los, e então, esticou suas pernas e pulou com tanta força que a montanha logo acima de seu corpo quase despencou. Ele destruía tudo ao seu redor, como se aquelas intransponíveis paredes de rocha não passassem de montes de areia em seu caminho. Os jovens podiam ouvir o barulho ao seu redor, e realmente parecia que eles avançavam no tempo para uma época muito distante.
— E pensar que tantas histórias foram perdidas e jamais serão estudadas... Perdemos uma grande oportunidade de revolucionar a ciência lá embaixo! — disse Roark entristecido por não ter recolhido sequer um daqueles cristais luminescentes.
Riley colocou a mão no ombro do companheiro e sorriu.
— Mas o que nós vimos será guardado para sempre, caro amigo — falou o veterano de maneira sábia. — Não desperdice seu conhecimento, vimos coisas aqui que nenhum outro humano verá.
O Regigigas avançava com tanta força que Roark começou imaginar a que profundidade eles haviam chegado. O Templo de Snowpoint deixaria boas lembranças, naquele ambiente hostil até mesmo a força dos mais poderosos treinadores fora colocada à prova, mas no fim das contas aquele teste havia finalmente terminado.
Um estrondo foi sentido, e quando o Regigigas abriu as mãos os jovens puderam ver o céu azul brilhando sobre eles. Árvores verdes cobriam todos os lados, e podia-se notar que eles estavam no pico de uma montanha muito alta, apreciando a vista ao lado do Lendário Regigigas.
— Onde estamos? Onde está a neve? — perguntou Candice. — Eu podia lembrar que estávamos em Snowpoint City quando entramos no templo.
Luke deixou que Dawn se sentasse em uma pedra enquanto ela recuperava o fôlego. A moça arfava, mas sua pele já melhorava com aquele ar puro fazendo-a sentir-se bem melhor. O garoto levou a mão até a cintura e comentou:
— Por via das dúvidas nós a levaremos para o hospital de Snowpoint, Dawn, mas também estou confuso... Onde nós estamos agora? — perguntou Luke.
— Estou procurando acessar um mapa em meu Pokégear... Bem, aqui diz que nós estamos na... Rota 210...?
Um silêncio prevaleceu.

— O QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ???? — todos gritaram ao mesmo tempo.
— ROTA 210?!!! Vocês têm ideia do quanto andamos?! Vocês têm noção da distância que percorremos e de quanto tempo levaria para que completássemos esse percurso?! — gritou Roark apavorado. — Oh, meu Arceus, será que ficamos cinquenta anos presos lá dentro??
— ROTA 210?!!! Vocês têm ideia do quanto andamos?! Vocês têm noção da distância que percorremos e de quanto tempo levaria para que completássemos esse percurso?! — gritou Roark apavorado.
— Bem, ainda são meio dia e trinta e cinco, do dia vinte e dois de junho. Tecnicamente nós passamos menos de doze horas lá embaixo, isso é surpreendente, o tempo perde total controle naquele subterrâneo! — disse Riley, admirado.
— É, mas vocês sabem como estou longe de minha casa agora? E como fica o meu ginásio abandonado lá? — reclamou Candice.
Todos os outros riram, pois agora tinham motivos para se divertirem e comemorarem uma fuga bem efetuada. O mistério por trás de Regigigas fora resolvido, o motivo dos três regis agirem de maneira estranha também, e de quebra, Lukas teria muitas histórias para ouvir de Paula sobre sua existência em vidas passadas. Tudo aquilo dariam excelentes publicações para Riley e seus livros.
— Isso me lembra que eu fiquei devendo algo para você, Luke — comentou Riley.
O homem foi em direção de Candice, e após contar para a líder de ginásio que aquele menino havia conseguido derrotar o veterano em uma batalha, a mulher trouxe-lhe a sétima insígnia, do ginásio de Snowpoint.
— Você venceu o Riley mesmo? Não preciso que prove para mim o quanto você é bom, Luke. Qualquer treinador novato teria amarelado nos primeiros três andares do Templo de Snowpoint, e derrubar o Riley não é trabalho para qualquer iniciante! Tome, esta é a Icicle Badge. Você a merece mais do que ninguém.
— Qual é, nós nem batalhamos, Candice!
— Mas você enfrentou um exército de Golbats mutantes, lutou contra Pokémons fósseis do passado, passou fome e desespero lá embaixo, provou para mim que é capaz de encarar lendários frente a frente, e ainda por cima me salvou lá embaixo de cair em um abismo! Nenhum de vocês tinha a obrigação de seguir nessa comigo, e ainda assim, todos se uniram para me ajudar. Devo isso à todos vocês...
Candice fez um cumprimento gentil para a sua comitiva que naquele instante começaria a se dispersar para que cada um seguisse seu próprio caminho. Fora uma aventura e tanto, mas agora ela chegava ao fim.
— Poderei partir tranquila, pois sei que o mistério do sumiço de Regigigas foi resolvido — disse a líder de ginásio. — Só acho que vou evitar um pouco entrar no Snowpoint Temple nos próximos meses... Por hora tudo que eu queria é m banho quente! Estou pensando em deixar o gelo por uns dias e ir lá para Lavaridge, em Hoenn, visitar minha amiga Flannery.
O imenso Regigigas continuava parado como se fosse uma montanha. Ele observava atentamente o sol como se estivesse admirado por ele, deviam fazer alguns milhões de anos que o colosso não o via.
Lukas coçou a cabeça um pouco sem graça ao olhar para baixo.
— Droga, mas não será nada fácil explicar para o Governo por que uma montanha mudou de lugar assim de repente...
— Não se preocupe, eu dou um jeito nisso — respondeu Ike com um sorriso. — Eu sempre dou.
A aventura no Templo de Snowpoint fora inclusive uma excelente maneira de aproximar ainda mais os Irmãos Wallers daquele homem tão misterioso que fizera parte de sua infância. Quando Ike avistou os dois ele sentiu que ainda podia ouvir a voz de Selena em sua mente, sorrindo e parabenizando-o pelo grande trabalho.
Eu sabia que você ia conseguir!
— Sim, querida. Obrigado pelo apoio... — respondeu Ike, sentindo o toque frio do vento em seu rosto e observando aquela paisagem que para sempre ficaria marcada em sua vida. — Entramos aqui ao anoitecer, e saímos exatamente com o nascer do sol.

O primeiro desafio ali seria descer do topo daquela montanha. Eles até imaginavam que na manhã seguinte todos os jornais comentariam à respeito do misterioso surgimento de Regigigas na Rota 210, mas graças àquilo, Ike, Candice e Roark ficariam bem ocupados e entusiasmados com a mídia.
Riley já aproveitava cada momento livre para fazer anotações em um caderninho velho, mas era chegada a hora de despedir-se.
— Nunca imaginei que sentiria tanta falta do céu azul em minha vida. Devo agradecer todos vocês, há tempos eu não tinha uma aventura maravilhosa como essa. Terei tempo e assunto de sobra a comentar em meu próximo livro — disse o veterano.
— Eu que diga, aprendi muita coisa nova lá embaixo, posso continuar meus estudos e creio que o mistério por trás dos atos de Regirock finalmente tenham sido resolvidos! Valeu, galera — acrescentou Roark. — Ah, droga, mas como eu gostaria de ter levado ao menos uma pedrinha rara para estudar! Como eu pude ser tão descuidado e não coletar nenhuma informação?!
— Sério mesmo que você não pegou nada? Cara, minhas costas estavam até começando a doer de tão cheia! — disse Luke, abrindo sua mochila e revelando as centenas de pedras raras lá guardadas.
Os olhos de Roark brilharam.
— Por Arceus, é um milagre!! Eu sou muito sortudo, é por isso que te chamam de Lucky, você traz boa sorte!! — agradeceu o líder. — Obrigado, meu amigo, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado! Este é o melhor presente de minha vida!!
— Ei, quem disse que eu ia te dar todas? Hah, hah, zuera cara... Pega algumas. Só algumas, hein? Eu disse algumas.
No fim das contas Luke acabou concordando em deixar todas as suas pedras coletadas com Roark, pelo menos o líder de ginásio daria um bom futuro para elas que seriam expostas no museu de Oreburgh e visitadas por cientistas de todo o Mundo Pokémon. Candice já havia arrumado suas coisas para começar sua longa viagem rumo à longínqua Snowpoint; Riley reunira todas as informações e prometera que voltaria a encontrar-se com seus amigos na Liga Pokémon do fim de ano, enquanto Roark também certamente estaria lá para torcer por eles.
— O que pretendem fazer agora, meninos? — perguntou Dawn.
— Bem, nós estamos perto de Hearthome, acho que podemos passar por lá e fazer um descanso bem merecido... Depois disso até eu quero ficar longe do subterrâneo! — brincou Luke. — Ei, tio Ike, quer ir com a gente?
— Eu tenho de fazer meu caminho até a Liga, tivemos sorte do tempo alterar-se lá embaixo, caso contrário Sinnoh tornaria-se um caos sem o seu campeão por tanto tempo. Não posso ausentar-me por tanto tempo em meus primeiros meses, certo? Agradeço todos vocês pela incrível experiência, mas agora farei meu caminho para casa.
— Quer uma carona? Huuuuuuum...? — perguntou o Regigigas.
— N-Não, obrigado...
O homem voltou-se para trás e encarou Luke que ainda tinha a Icicle Badge em suas mãos. O campeão sorriu e falou de maneira serena:
— Só falta uma agora. Você sabe onde eu estarei te esperando, jovem Luke. Treine muito, e nos encontraremos lá em cima.
Ike jogou sua mochila para trás e foi caminhando até descer a montanha e desaparecer de vista. Regigias deu uma carona para que Luke, Lukas e Dawn fizessem caminho com maior facilidade, e voltando para o buraco de onde veio o colosso despediu-se sem saber quando voltariam a encontrar-se.
— Adeus, meus pequenos humanos de terras distantes...! Onde o céu brilha intensamente, e as árvores ainda se curvam conscientes... Hmm... Voltem a me visitar, pois farei charadas e labirintos ainda mais intransponíveis da próxima vez. Esses humanos audaciosos... Espero que as futuras gerações tenham jovens tão capacitados quanto vocês!
— Obrigado por tudo, senhor Regigigas. Não vá parar de funcionar, hein? Será horrível ter de descer lá embaixo somente para recarregá-lo novamente!
O gigante soltou uma longa risada.
— Bruah, bruha, bahuuarrhammr!! Esteja em paz, garoto, porque isso só acontecerá no próximo, hm......... milênioooooooooommm...!!
E fechou a montanha, voltando para o abismo de onde saíra para nunca mais ser visto por aquela geração.
A Rota 210 estava tão silenciosa e pouco movimentada que Lukas imaginou não ter vindo parar na época errada. Parecia que eles tinham ficado meses presos naquele túnel escuro, e agora separar-se de Roark, Riley, Candice e Ike trazia-lhes uma sensação de vazio incomparável. Eram apenas os três, os três viajantes, os três amigos em busca de seus sonhos, mais uma vez.
— E agora? O que fazemos depois dessa aventura maluca? — perguntou Dawn, exausta de tudo aquilo.
— Banho. Um banho, URGENTE. E de preferência naquele hotel dahora do tio Glenn, e se eu bem me lembro, tinham uma casa de banhos voltada especialmente para casais... Um banho junto dessa vez caía bem, não? — brincou Luke com uma risada.
— Estou pensando em ir para Hearthome, marcar um Contest, aproveitar esse tempinho para descansar, e... Bem, ficar com vocês. — comentou Lukas de maneira acanhada.
Seu irmão riu ao colocar o braço em volta de seu ombro.
— Não esquenta, pivete! A gente deixa você entrar na banheira junto com a gente.
— Eu não quis dizer isso... Espera, e eu nem quero isso!! Fiquem longe de mim, seus assanhados!! — gritou Lukas, correndo para longe.
— Ei, eu só ri, não quer dizer que eu concordava! — respondeu Dawn com uma risada espontânea. — Fala sério! Só vocês dois conseguem me fazer sentir-se assim. Eu já estava começando a ficar com saudade disso tudo de novo!
— Dawn, você foi mordida por um Golbat mutante... Não quer passar pelo hospital antes? — perguntou Luke.
— Ora essa, de repente virou assim todo prestativo! É bom correr, porque se eu chegar em Hearthome antes de você saiba que essa noite sou eu quem dito as regras! ❤ — disse a garota com uma risada, correndo o mais rápido que podia.
Luke ficou ali observando seus amigos se distanciarem. Mesmo que ele adorasse a aventura e o perigo das profundezas da terra, o garoto sabia que não trocaria por nada a liberdade de correr pelas rotas verdejantes de Sinnoh. Aquela era a melhor sensação do mundo, ser livre para fazer o que quiser. Luke esticou seus braços e fechou os olhos, sabendo que agora voltaria a concentrar-se no único objetivo que lhe restava: A insígnia de Sunyshore, sua cidade natal.
— Ah, foda-se a insígnia por enquanto. Eu vou é me divertir!
...E correu para acompanhar os seus amigos o mais rápido que podia.
Paula estava lá em cima, sentada no pico da montanha enquanto observava os três jovens correrem e rirem como nunca. Cada dia aprecia fortalecer ainda mais a relação daquela equipe, e aquilo a deixava mais feliz. Logo ao lado da mulher estava seu irmão Diego, o Guardião do Tempo.
Paula voltou-se para ele, e segurando seu colar de pérolas com carinho, sorriu.
— Acho que esses 1.000 anos serão os mais longos e agradáveis de minha vida.












































