Posted by : CanasOminous Mar 20, 2013

Support Conversation (Tyrion e Newry)
Gênero e Disclaimers: Amizade, Drama;
Tema: Como era a White Fluff com a antiga guildmaster;
Sugestão do leitor: Abyssal Heart.

Na longínqua região de Kanto vivia um pequeno passarinho da raça dos Pidgeys que almejava mais do que tudo iniciar sua aventura. Seu nome era Newry. Sonhadora e esperançosa, desejava mais do que tudo que algum dia alguém a capturasse e a levasse numa jornada imaginável mundo afora. Newry vivera a vida toda na Rota 1, repleta de diversos primos e irmãos Pidgeys que compartilhavam o mesmo desejo de sair em uma aventura.
Newry era uma Pidgey como qualquer outra. Seu sonho, acima de tudo, era voar para longe de sua casa e conhecer um mundo onde pudesse chamar de casa. Porém, ela era pequena demais, seu corpo era delicado e frágil. Tinha pernas finas, longos fios loiros e olhos esbugalhados demonstrando toda a agitação de uma criança.
Mas seu desejo foi adiado por mais tempo do que imaginava.
Sempre via humanos saírem da cidade de Pallet ao lado de guerreiros poderosos, de Pokémons  iniciais propícios a crescerem e um dia serem os mais poderosos de suas equipes. Mas Newry era apenas um Pidgey comum, e para piorar, com uma estrutura muito inferior aos seus companheiros. A jovem viu muitos de seus amigos serem capturados e saírem em jornada, viu cada irmão distanciar-se com o anseio de ter uma vida melhor, e ela continuava para trás sem muitas opções.
Certa noite, a pequena Pidgey olhou para o céu e fechou seus olhos.
— Se existem sonhos nesse mundo, então peço para que não me esqueçam. Eu ainda estou aqui — rogou a jovem Newry para as estrelas.
Em mais uma de suas rotinas a jovem Pidgey partiu para a estrada principal da Rota 1 com a esperança de encontrar algum humano que a quisesse. Não viu ninguém a tarde toda. Quando preparava-se para ir embora percebeu que havia uma roupa no chão que provavelmente fora esquecida ali. Parecia pequena para o tamanho de um humano, mas era fofa e aconchegante para esquentar-se em noites frias. Newry levou o blusão para seu ninho e ali se escondeu, mas de repente ouviu o chamado de uma moça na floresta, seguido de um estranho latido.
Essa não, um cão! Eles são perigosos! — pensou a jovem Newry.
Não demorou para que a animal farejasse seu ninho, e ali encontrasse um pequeno pássaro escondido por entre as vestes. Havia uma garota humana muito jovem vestida de preto que vinha logo atrás, seu nome era Marley.
— Encontrei sua roupinha, Growlithe! — disse Marley. — ...Mas veja, parece que alguém a encontrou antes. Shh... Faça silêncio, não queremos assustá-la!
O cãozinho foi até o ninho que ficava no tronco oco de uma árvore e o farejou novamente. Parou de latir ao ver aquele pequeno pássaro de olhos brilhantes. Estava muito frio, e a rota 1 poderia ser perigosa ao anoitecer. Marley foi levada pelos sentimentos e sentiu-se na obrigação de capturá-la, afinal, não poderia deixar uma Pidgey perdida no meio da floresta em uma noite fria como aquela. E no fim das contas, era a Pidgey quem havia encontrado o blusão antes.
— Você vem comigo, eu irei protegê-la — disse Marley de maneira acolhedora.
Nesse instante, Newry sentiu que seu sonho estava próximo de ser concretizado, e quem diria que aquela jovem Pidgey viria a ser uma renomada líder no futuro? Ela tornou-se uma grande amiga daquele Growlithe, que revelou-se como um protetor para a pequena e meiga aprendiz. Quando sua treinadora viajou para Sinnoh, eles tiveram a oportunidade de conhecer as guildas, e assim, começaram a pensar nas possibilidades de fundar uma equipe que mais tarde viria a ser conhecida como a White Fluff.
— White Fluff? Mas isso é nome para uma guilda de mulherzinhas, não causaremos medo com esse nome! — disse o austero Tyrion, seu companheiro Growlithe na época.
Os olhos da jovem Pidgeotto já crescida continuavam expressivos e carinhosos, eles se esbugalharam implorando por uma oportunidade.
— Por favor, Tyrion, faça isso por mim! White Fluff é fofinho, que nem aquele blusão velho que você sempre está usando. Quando eu ver o nome da guilda, posso lembrar de você! — disse ela gentilmente.
        Tyrion levou a mão até sua cabeça um pouco sem graça. Ele poderia ser muito maior e mais poderoso do que ela, mas sentia que ainda era aquela pequena garotinha quem colocava ordem em sua vida.
— Tudo bem, tudo bem... Pelo menos não teremos problemas na hora de registrar o nome, quem mais pensaria em um como esse?
 Eba!! — Newry comemorou em sinal de alegria — Eu não quero que esta seja uma guilda de guerreiros, não preciso disso. Quero que seja algo nosso, um lar para amigos se encontrarem, para que desconhecidos se unam, mesmo que eles sejam indesejados... É uma mansão dos abandonados, uma irmandade para pessoas que procuram o conforto de um lar!
— Ora essa, você fala bem para uma criancinha. — disse Tyrion, bagunçando os cabelos de Newry.
          — Vocês me ajudaram um dia, quero ter a oportunidade de retribuir o favor — respondeu a jovem Pidgeotto.  Posso ser apenas nova, mas digo que serei a líder da equipe! Eu o desafio para uma luta, Tyrion, e o vencedor terá o direito de comandar todos nós!
Eu não — respondeu o Growlithe com uma risada. — Pode ficar com o posto, senhorita fofura. Qual seria a impressão que os outros teriam de mim se me vissem dominando uma equipe dessas? Burah, brah brah, brah...
          — N-Não me chame de senhorita fofura! Isso é embaraçoso...
Tyrion adorava rir naquele tempo, mas não imaginou que os anos poderiam passar e aquela mesma jovem sonhadora viria a tornar-se a líder absoluta de sua equipe. A White Fluff começou a ganhar nome  e respeito como uma das guildas mais bem sucedidas dos últimos anos. Ainda haviam gozações pelo nome, mas seus membros derrotavam qualquer um que duvidassem de sua força.
          O tempo passou e Newry já não era mais uma criança, ela era uma magnífica Pidgeot. A mulher jogava seus longos cabelos para trás, mas continuava pequenina. Ou talvez seu companheiro Tyrion havia crescido demais... Newry vestia um sobretudo que formava um vestido que rolava no chão de carpetes brancos da guilda. Quando ela olhava para sua equipe percebia a família que havia construído. Lembrava-se de como ela desejou uma oportunidade, e quando ela apareceu, teve de agarrá-la para nunca mais largar.
Seu maior sonho era um encontrar um lar, e agora, ela finalmente havia conseguido um.
— Ei, Tyrion, você tem um minuto para conversar?

Aquela noite fazia muito frio, portanto, Newry vestia um blusão que mal cabia em seu corpo. O tempo também passara para o velho Growlithe que agora era um grandioso Arcanine, imediato no comando de sua jovem companheira desde os tempos antigos. Tyrion  agora orgulhava-se mais do que tudo por ter tomado conta daquela menina que viria a crescer com tanto entusiasmos. Talvez sua altura não tivesse mudado tanto, mas certamente, sua mente amadurecera como nenhuma outra.
Newry colocou as mãos no bolso e pareceu incomodada com alguma coisa. Olhou para o céu de uma janela que era coberto por nuvens cinzentas que anunciavam a chegada de tempos difíceis. Newry voltou-se para Tyrion e apoiou-se sobre a beirada da escada, reflexiva e sonhadora.
— Eu quero ver essa guilda crescer muito mais, Tyrion. Quero que ela alcance os céus, que cheguem muito além de todos os meus sonhos já realizados — disse Newry esperançosa.
— A senhorita batalhou muito para chegar onde chegou, e o fez por merecer. Muitas pessoas demoram uma vida toda para alcançar seus sonhos, e mesmo sendo tão nova você já alcançou todos eles.
— Mas nunca sei o dia de amanhã... O mundo me ensinou que sempre devemos sonhar, portanto, quando alcançamos algo que a gente deseja devemos logo começar a procurar outra coisa. Nossa existência é infinita, enquanto houver essa busca por algo mais.
O grande Tyrion sorriu e tocou a cabeça de sua líder em um cumprimento superior. Newry desviou seu olhar para os campos distantes, e por fim anunciou:
— Eu vou sair em uma missão, Tyrion. Uma missão perigosa... Ninguém pode me ajudar.
— A senhorita já havia me comunicado dessa ideia, mas... Realmente deseja seguir em frente? — perguntou o velho homem com a voz preocupada. — O que quero dizer é, bem... É perigoso, daqui para frente podemos não estar juntos para que um cuide do outro.
— Fique tranquilo, você me treinou bem, eu sei que vou conseguir fazer as coisas certas! — disse Newry com um sorriso inspirador e revelando um sinal de paz e amor. — Eu só quero que você assume a liderança da guilda nesse tempo até que eu volte. Acha que pode tomar conta de uma guilda de “mulherzinhas”?
— Mulherzinhas...? Você contratou bandidos, gatunos e mercenários. — respondeu Tyrion com uma risada. — E o pior de tudo é que essa é gente é de maio confiança do que qualquer outro.
Newry riu ao ter de concordar, afinal, adorava aquela mistura de Pokémons tão diferentes em sua adorável guilda. Tyrion parou, olhou para sua pequena menina por um instante e falou:
 Esse... Esse blusão costumava ser meu... Você lembra?
Newry olhou para sua roupa ao esticar as vestes já muito antigas. Imensas em seu corpo, mas que deveriam fitar perfeitamente o perfil de Tyrion quando ele ainda era um Growlithe.
— Ah... É, acho que eu roubei — disse ela encabulada. — É de quando nos conhecemos, não? Aquele dia lá na Rota 1... Você quer de volta?
— Não. Uh... Enquanto você estiver usando... — ele levantou a mão como se estivesse para dizer algo, mas conteve palavras ao sibilar um sorriso acolhedor. — Bem... Leve-o como símbolo de nossa amizade, para saber que eu estarei te acompanhando onde for. Eu sou a sua sombra, lembra?
— Sim!! E uma sombra nunca é separada de seu guia, não é? — respondeu Newry com entusiasmo.
          A garota deu um forte abraço no homem, sem saber que aquele provavelmente seria o último dia que veria Tyrion e todos os seus amigos da guilda.
O blusão nunca mais voltou.
          Se Tyrion era a sombra da jovem Newry, então um dia a noite chegou e a levou embora. O grandioso Arcanine sofreu muito por tal perda, mas passou a liderar a guilda em memória de sua falecida amiga, sem nunca fraquejar, sem nunca olhar para trás. Ele acreditava que aquela escuridão iria passar e, um dia, quando a noite terminasse, o sol voltaria ao seu pico revelando a sombra que nunca desaparecera.


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  1. Tá... Esse SC prova que pra emocionar não precisa de escrever um livro. Adorei saber a história da White Fluff, uma guilda que me atraiu! Sempre, em todos os jogos que conseguia, tive um Pidgeot! Tá, normalmente ele era só um bixinho pra Fly que morria um tanto quanto rápido, mas não nego que tinha um carinho especial com ele (principalmente pelo episódio que o Pidgeotto do Ash evolui! Ele fica foda! kkk). Tá, sempre tive uma paixão imensa pelo Arcanine, mas devido à burrice de minha pessoa, primeira vez que tive ele foi no Heart Gold (joguei Blue,Silver, Leaf Green, todos os que não tinham o Growlithe), mas o que eu arrumei era um bucado de bom! kkk! Pokemons de velocidade são muito bons, na minha opinião, mas sempre tive um apreço pelos mais fofinhos e lerdos... será que é porque eu me identifico com eles? kkkkkkkkk!
    Agora, ir-me-ei, esperando ansiosamente por SEXTA! When it all begins! Tô muito ansioso já! kkk!

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  2. Diga ae, Grande Moa! Eh, meu bom rapaz, estou tentando me esforçar para não fazer coisas muito longos... Ainda tenho esse defeito, acabo exagerando nas palavras, preciso começar a ir direto ao ponto kk Cara, Pidgeot são épicos por causa da história deles... Quem nunca teve um na época de Kanto? A Litos era fissurada nele, eu tinha o bonequinho, lembro inclusive que o nome de um que ela tinha era Pipa kk Poxa, o Pidgeotto do Ash evoluindo... Não importa o que digam do Ash, ele pode perder todas e ser o rei da friendzone, mas nessa época ele ainda era foda. Nos tempos do Charizard, da Butterfree, do Pidgeotto... Essa época era show de bola, e mesmo que o Pidgeot não seja lá esse símbolo de forças ainda resta o respeito pela espécie.

    Fofinhos e lerdos foi foda cara, eu ri aqui kkk Ahh, se possível estarei contando mais algumas histórias da White Fluff. A Newry é assim mesmo, fofinha e lerda, eu gostei da personalidade dela, num geral mesmo que a guilda deles seja composta por Pokémons ignorados, eles continuam sendo fofinhos e lerdos kk

    A gente se fala logo mais parceiro, sexta feira o capítulo está aí, mas adianto que vamos demorar muito par entrar no rumo da Saga Platina. É tão esquisito terminar uma fase e começar outra tão diferente! Vou precisar de algumas semanas para me adaptar também, mas ao menos, garanto que todos os capítulos mostrarão nossos personagens de uma maneira nova e madura. É, companheiro... Nós crescemos kkkk

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  3. Hey Canas õ/ Cara, para ser sincero estava bem curioso com relação da história da White Fluff, desde que você apresentou a ideia da Pidgeot falecida. São pequenos mistérios que permanecem em nossas mentes, mesmo que sejam simples ou mais elaborados, acabam ficando em nossas mentes kkkk Acho que ficou tudo no tamanho certo, cara, nem muito longo, nem muito curto. Por ser uma estória mais dramática foi legal você não poupar detalhes, assim tivemos um impacto interessante no final. Apesar de não saber qual era a missão, a mensagem ficou guardada.

    Sinceramente eu tinha a curiosidade, mas não imaginava que a Pidgeot fosse assim tão sonhadora, alegre. A personalidade caiu bem, ela deve ter se tornado uma moça linda *-* kkkkk Poxa, White Fluff é um nome legal, realmente só quem entende a origem do nome vai curti-lo. Sempre achei o time da Marley muito fodástico, o Arcanine é um dos meus Pokémons favoritos (embora nossa cara colega gótica a-m-e um Helping Hand). O fato de você estar mostrando mais sobre as outras guildas nos faz ter mais respeito por elas, como foi o caso da Red Fortress. Muito maneiro, Canas, adorei a Newry e ganhei ainda mais apreço pelo Tyrion (:

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  4. A curiosidade, ela é uma droga -qq Pois é, há algum (muito) tempo, eu estava revirando as páginas de guildas de AeS e lembro que li sobre a White Fluff e fiquei curiosa, pensando na antiga guildmaster. Então, quando fui postar minhas sugestões de Support e acabei encontrando esse, não pude resistir a ler!
    ...........adivinha quem está agora abraçada ao travesseiro e com a vista embaçada pelas lágrimas? Mano, como pode que um simples cap possa me detonar tanto em tantos pontos diferentes? ç_ç Falou sobre sonhos, sobre autoconfiança, sobre amizade, sobre perseverança, sobre realizar os sonhos, sobre família....... Porra, Caninhas, como tu consegue? Estou destruída (as ever), mas admirada (as ever) do teu talento.... Como consegue tocar tão profundamente em tantos feels, cara? ;------; Vai se ferrar, sério u-------ú (minha maneira de dizer que adorei flw)
    E, nhá, mais uma personagem para amar! Newry <3 Esse jeitinho dela, tão certa de que vai conseguir um treinador e uma aventura para viver! E sua personalidade decidida e gentil <3 <3 E, poaar, quebrei com o último parágrafo ç_____ç Damnit, sempre que tem esses "claro que volto", "nunca nos separaremos", "até logo", sempre dá merda! Eu vou até parar de me despedir dos meus amigos, SEMPRE tem essas coisas nas centenas de histórias que acompanho ç_____ç
    P.S. Se eu começar a chorar quando entrar numa loja de roupa por ver uma jaqueta, a culpa é sua flw? u-u

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