Capítulo 53


Wiki corria com pressa pelos corredores da base secreta dos Rockets, a batida de seu salto alto ecoava com insistência enquanto Vista a acompanhava com velocidade equivalente escondendo seu rosto por trás de um manto negro. A moça foi parando aos poucos até que chegasse a uma área altura do corredor com uma série de escadarias que levavam para o andar de cima acompanhado do corredor pela frente que continuava a seguir seu caminho. A moça refletia sobre qual dos dois utilizar, mas não conseguia localizar nenhum tipo de informação à respeito daquela misteriosa construção.
— Não consigo baixar e nem receber arquivos sobre nenhuma informação desde mapa, ele não encontra-se no banco de dados da internet. — afirmou ela pensativa, checando uma tela holográfica criada com o centro de energia em seu peito. A moça encerrou o aparelho virando-se para o espectro metálico — Vista, por onde pretende seguir?
— Subir as escadarias. — afirmou ele com precisão à respeito do que fazia. Wiki consentiu.
— Tudo bem, então vamos subir juntos.
Porém, antes que a moça fizesse seu caminho até o andar superior o Beldum socou uma das paredes com tanta força que um tremor foi sentido no andar inteiro. A moça esquivou-se por puro reflexo, lançou um rápido olhar para a parede arruinada e imaginou-se em seu lugar, Wiki tinha certeza de que aquilo não fora um acidente, e a ambição do misterioso soldado era ter acertado-a sem misericórdia.
— O que pensa que está fazendo?! — indagou ela frustrada.
— Não te intrometas entre um espectro e sua presa. Ou ele te matará na tua hora. — bradou Vista com ferocidade — Vá, ou levarei-te para as casas de lamentação, além de toda escuridão. Siga o corredor. Não quero alguém como você para atrapalhar-me em minhas batalhas. Stay away from me.
Wiki segurou num dos braços do espectro e o encarou com rigor.
— Saímos em dupla para que um protegesse o outro!
— Nem o militar e nem o dragão estão aqui presentes para supervisionar-me. Sou um soldado, mas busco minha própria causa, não recebo ordens de ninguém. Você apenas irá atrapalhar minha missão de resgatar esse humano cretino, almejo que ele me guie até a Liga no fim do ano, de nada mais ele me tem uso.
— Não chame o Mestre Luke de cretino, ele é especial para mim. Muitos humanos são seres repugnantes e de baixo calibre, mas ele sempre preocupou-se conosco. Você não cresceu ao lado dele, não seria capaz de compreender.
Wiki segurou o braço de Vista com enorme força, amassando o aço do guerreiro com a raiva hedionda que sentia. O espectro ficou a fitá-la como um fantasma, nada podia ser visto entre o véu que o separava da realidade, mas havia um único brilho vermelho que encarava os olhos da moça, cedendo de última instância e admitindo a derrota para sua ira. Vista abaixou a cabeça parecendo recompôr-se, Wiki soltou um suspiro largando o braço do soldado, na sequência apoiou-se em uma das paredes tentando confortar-se em meio à brisa gélida que percorria aqueles corredores, e disse:
— Tudo bem, vamos nos separar. — afirmou pensativa — Porém, antes tenho uma proposta a lhe fazer. Seria mais uma aposta, conheço esse seu tipinho que gosta de levar vantagem em tudo que faz. Você aprecia missões, gosta de cumprir deveres e expor seus méritos. O que me diz?
O Beldum ficou calado por um minuto, ele realmente apreciava competições, mas e permaneceu esperando que a moça continuasse suas ideias. Wiki balançava o indicador enquanto apontava para o fim do corredor de ferro.
— Presumo que você também tenha acesso à um software que mantenha contato rápido com a internet. Então, certamente já percebeu que é possível detectar níveis que ultrapassem os 550 de força por essas bandas.
— Tive conhecimento disso desde que toquei o solo amaldiçoado dessa ilha. Sinto a presença de criaturas que ultrapassam os níveis normais de qualquer guerreiro... Será uma guerra terrível escrita em sangue e assinada pela cólera. É esplêndido, esplêndido! — dizia Vista, exalando sua raiva a delirar pelo que estava por vir, Wiki apenas assentia.
— Correto. Então, o que você irá fazer caso encontre qualquer um destes adversários?
— I will break him.
— Quem derrotar qualquer um desses caras deverá comunicar o outro. Compreendido?
— E por que eu haveria de comunicá-la de minhas vitórias? — brandiu o Pokémon metálico. Wiki apenas deu uma risada rasteira, entrelaçando uma de suas pernas em volta do corpo do espectro de modo a encará-lo de frente.
— Ora, ora, Mecha-Boy, a não ser que o senhor prefira que eu derrote todos esses oponentes sozinha e leve todo o prêmio pela vitória. Vamos lá, entre em meu jogo de apostas, sei que você adora apostas; ou tem medo de perder para uma mulher? ♥ — sorriu ela, não deixando de mandar um certo ar de sedução para o espectro, rodeando-o e tocando suavemente nos panos rasgados. Vista empurrou Wiki para longe e subiu as escadas sem olhar para trás.
— Comunicarei-a de cada batalha em que eu, o Mensageiro da Morte, humilhar seus adversários. Enviarei as cabeças dos derrotados como prêmio de minha conquista. No fim desta guerra lamentará por não ter um número de vitórias superior à minhas glórias!
— Okay, okay... Quero vê-lo derrotando o maior número de guerreiros possível! ♥ — respondeu ela com animação.
Assim que Vista subiu as primeira leva de escadas Wiki voltou a correr pelo corredor, mas não pôde conter-se em soltar um comentário de frustração.
— Por Arceus, que homem complicado... Tive que usar desta ideia ridícula para fazê-lo esforçar-se e derrotar esses oponentes ocultos o mais rápido possível, antes que algum outro integrante dos Fire Tales os encontrem. Temo que não tenhamos um nível de experiência superior à esses guerreiros... Nunca vi algo tão poderoso assim, o que será que eles são?
Wiki agora seguia um caminho oposto, e embora Lukas tivesse pedido para que todos os Pokémons permanecessem unidos eles vieram a se separar. Aquilo poderia acarretar no enfraquecimento do Setor 4, mas Wiki sabia bem o que fazia e tinha certeza de que o espectro mecânico era capaz de derrotar qualquer um que se erguesse em seu caminho.
Vista subiu as escadarias e surpreendeu-se ao encontrar uma singela sala com equipamentos de treino e uma bela visão para o mar. Encontrar um local bonito era o que ele menos queria naquele instante, o que desejava era guerrear e acabar com Pokémons fracos humilhando-os para refrescar sua mente, e agora havia acabado por cair naquele quarto sem saídas.
— Aquela andrógena maldita me mandou para este lugar porque sabia que não haveria nada. Assim que eu a encontrar arrancarei seus cabos cibernéticos e cortarei seus circuitos para que deixe de trapacear somente para vencer esta missão. — grunhia o Beldum de raiva.
Assim que o guerreiro preparou-se para sair do cômodo notou uma estranha presença saindo de uma das janelas com piruetas no ar e passos ágeis. O Pokémon metálico imediatamente agarrou um armário e lançou-o contra a sombra, seguido de três tiros que o explodiram em milhões de pedaços. Vista ficou ali a observar se sua vítima já estava morta, não tivera nem tempo de apresentar-se, mas surpreendeu-se ao notar que debaixo da cortina de poeira as três balas estavam rebatidas, caídas no chão, e sobre elas a figura de um lutador resoluto.
— Tem muita força em seus músculos. — disse Vista para a sombra.
— Digo o mesmo, para alguém que conseguiu lançar um armário contra mim como se fosse uma bolinha de papel.
Vista encarou o Pokémon com certa dúvida e relutância. Havia encontrado um adversário antes de Wiki, na realidade não sabia sequer se era um oponente, mas faria questão de bater um pouco nele para saciar sua raiva. Encarou atentamente a figura, o lutador tinha músculos muito bem definidos e uma estampa com um olhar medonho prensado em sua frente. Seus braços eram grandes, mas suas pernas eram enormes e as coxas pareciam dar o comprimento de seu abdômen. Agora os objetos ao redor da sala pareciam fazer sentido, aquela era uma sala de treinos físicos. O homem caminhou até um par de halteres e os apanhou, começando a exercitar-se enquanto apresentava-se formalmente.
— Meu nome é Delfort, sou um Hitmonlee. Apresento-me à você como o Número 3 da suprema criação dos Rockets, os humanos que são capazes de dar vida.

O soldado negro continuou parado encarando Delfort.
— Número 03 — comentou Vista em voz alta — Ou você é apenas um dos primeiros e provavelmente o mais fraco de seus exércitos, ou posso estar enganado ao enfrentar uma figura poderosa em batalha. Mas que diferença faz? You will die soon, anyway.
— Eu não teria tanta certeza, caro guerreiro de armadura metálica. — Delfort parou de exercitar-se e jogando os imensos halteres no chão, que fizeram todo o cômodo tremer com o impacto — Não percebe a vantagem que tenho sobre você? Fui criado com o único propósito de ser o lutador perfeito, e nada mais sei além do que faço de melhor. Esteja pronto para me enfrentar!
— Eu não batalho, — respondeu Vista com uma longa risada debochada — eu apenas permito que você perca.
Delfort, o Hitmonlee, não estava nem um pouco disposto a ouvir desaforos. Partiu para cima de Beldum como um foguete dando-lhe uma joelhada que fez Vista debruçar-se no chão. Enquanto o guerreiro metálico envergava-se pela dor, outro chute foi seguido do alto para baixo que fez com que o guerreiro metálico fosse arremessado de cara contra o chão.
— Mega Kick. — disse Delfort — A técnica suprema dos Pokémons de chute é apenas uma demonstração do que sou capaz, mas ainda tenho muito mais a demonstrar.
O Hitmonlee segurou nos panos e agarrou Vista pelas vestes sujas. Ele avançou com um torpedo, aplicou uma sequência de golpes tão próximos que o soldado nada pôde fazer além de recebê-los. O Close Combat abrira a guarda do lutador, mas nem por isso ele parou. A perna de Delfort tornou-se incandescente, chutou o espectro para muito longe. As roupas de Vista começaram a arder em fogo enquanto a criatura continuava presa a elas em seu delírio. Era o Blaze Kick. Delfort realmente sabia como lutar, todos eram golpes super efetivos contra Pokémons metálicos, golpes meticulosamente planejados e calculados.
— Onde está toda a sua ousadia? Onde está aquela risada imoral que me desafiou para um duelo? Isto é tudo que o mundo é capaz de oferecer? Isto é o que os Pokémons lá de fora têm a oferecer? Então estejam preparados para a destruição da velha geração que dará espaço à nova, os Pokémons Clonados! — disse Delfort, chutando a cara de Vista que nada respondeu.
O manto negro ardia em chamas que começavam a propagar-se com mais intensidade. O lutador agachou e observou as vestes caídas do androide, Vista parecia estar completamente inconsciente como se já tivesse perdido a batalha, ou então, tivesse desligado. Delfort ainda não polpou outro chute que arremessou-o para longe, rindo enquanto voltava a caminhar para prosseguir com seus treinos.
— Criatura desprezível. — balbuciou Delfort.
Ele caminhou fazendo alguns estalos com os dedos e balançando os quadris como se fizesse uma dança. Há poucos instantes lutara com muita seriedade na batalha, mas quando arquivou a vitória começou a agir e fazer algo que gostava, e era até estranho saber que Pokémons como ele poderiam ter uma “personalidade” assim dizendo, principalmente pelo termo que Delfort evidenciara tanto quando referiu-se a si mesmo como uma criatura clonada.
Delfort apanhou dois halteres ainda maiores para continuar o treinamento costumeiro. Enquanto exercitava-se pôde ouvir o estranho som de metal compressado, manivelas se locomovendo e engrenagens girando. Virou-se para o Beldum caído que ainda não dava sinais de vida, mas o interior de seu corpo parecia estar trabalhando a todo vapor. O Hitmonlee virou-se e encarou o oponente com atenção, até que uma voz mecânica pôde ser ouvida.
— Download completo. Sistema reiniciado com sucesso, pronto para atualização.
O Hitmonlee hesitou ao ouvir a voz de Vista vinda de dentro dos mantos. O guerreiro levantou-se como um demônio que é liberto do inferno, o corpo ardia em chamas, e ainda assim um olhar vermelho drenava toda a atenção que lhe era direcionada.
— Já terminou? — indagou Vista — Então agora eu posso começar.
O Beldum levantou-se e arrancou todas as suas vestimentas que davam visão para o que havia em seu interior, mas o processo fora tão rápido que Delfort mal pôde notar. Engrenagens e ferramentas tomavam a forma de algo grandioso que se emendava como uma enorme máquina de destruição, os braços de metal tornaram-se enormes canhões de aço rodeados por garras de platina tão afiadas quanto um buquê de navalhas. O manto que ardia em fogo fora substituído por uma capa negra estrondosa, o rosto do guerreiro permanecia oculto, mas agora todo seu corpo tomara mais forma consideravelmente maior assumindo o tamanho de um colosso com a potência de um tanque. Dois minutos. Dois minutos eram o suficiente para que Vista completasse sua atualização de evolução para um Metang. Ele avançou em direção do Hitmonlee com a velocidade de um míssil, e deu um soco no lutador que recebeu o impacto total no peito
— Bullet Punch. — afirmou Vista — Esta é a minha forma verdadeira, é o upgrade para um Metang. Venho programando uma evolução há muito tempo, mas eu almejava por inaugurá-la com algum oponente de forma que eu pudesse manchar essas garras de sangue e estreá-las no mesmo instante. Você foi o sorteado.
Delfort caiu de joelhos no chão sem conseguir recuperar o fôlego para responder. Sobre ele estava um Metang a encará-lo com seu único olho vermelho e uma expressão de desprezo total. Agora era Vista que o humilhava.
— Do you not know death when you see it? Disse que levava vantagem sobre mim, e estava certo, mas acho que esqueceu de meu segundo elemento, o Psychic. — disse Vista aproximando-se de seu oponente — Uma simples desvantagem não é sinônimo de vitória. Você deveria ter nascido onde vivi toda minha vida.
Vista segurou no ombro de Delfort e ergueu-o mesmo que ele não pudesse se levantar. Com sua cabeça de ferro ele avançou contra o Hitmonlee dando-lhe uma cabeçada tão dura que praticamente teria deixado um lutador normal inconsciente. Era o Zen Headbutt, habilidades que só eram conhecidas pelos mais poderosos guerreiros daquela raça, e Vista lidava com todos eles com enorme naturalidade e domínio. Ele lançou o Hitmonlee para fora do cômodo para que o corpo caísse no mar, mas o Pokémon fora mais esperto e em um último relance agarrou-se às grades para não cair. Vista aproximou-se dele e agachou para que pudesse encarar a posição humilhante de seu oponente, apreciando a cena com malícia e maldade.
— Você até tinha um nível de força considerável, mas infelizmente deparou-se com aquele que nasceu para tornar-se o Metálico mais poderoso deste mundo. Agora, diga-me o que há de tão especial nessa conversa sobre “Pokémons Clonados”? — indagou o Metang.
Delfort não respondeu, mas Vista apontou o punho em sua direção que transformou-se em uma bazuca pronta a disparar um Flash Cannon contra o oponente.
— Faça que sua morte torne-se mais lenta e menos dolorosa. A escolha é sua.
Após muito refletir, Delfort anunciou:
— Dez. Criados foram os dez Pokémons das regiões distantes de além-mar. Dez para serem os mais poderosos de todo o mundo Pokémon, para exercer controle sobre todos os outros. — disse Delfort com relutância — Meus criadores foram os primeiros humanos a tentarem clonar Pokémons, falharam muitas vezes, porém, depois de anos completaram as pesquisas, e aqui estou. Dez são os guerreiros, e dez são os níveis da Grande Criação. Nem mesmo vocês poderão nos derrotar.
— Interesting. — balbuciou Vista, levantando-se e preparando-se para ir embora, mas o guerreiro parou e foi aos poucos voltando a agachar e observar seu adversário novamente — E a propósito, acredito que devo-lhe algumas palavrinhas. Sabe qual a única diferença entre nós dois?
Delfort não respondeu, ele apenas tentava segurar-se na grade para não cair de uma altura como aquela nas águas furiosas do oceano. Vista ficou de pé sobre a sacada onde seu oponente estava apoiado, e mesmo que seu rosto estivesse coberto foi como se claramente uma risada sem piedade ecoasse aos ouvintes.
— A diferença é que eu não gosto de deixar meus adversários vivos.
E explodiu a sacada.
E explodiu a sacada.
Vencedor: Vista.


Mothim caminhava com pressa por entre os corredores daquele setor, logo atrás Togetic parecia desanimado sem dar muita importância em procurar o Mestre de seus companheiros. A mariposa deu um chute em uma das portas e adentrou uma sala como se fosse um agente secreto, mas ela estava vazia. Aparentava ser apenas um laboratório desativado utilizado para experimentos antigos. Ele parou até que seu parceiro viesse logo atrás.
— Mano, o que a gente tá procurando mesmo? — indagou o Togetic.
— Estamos em uma busca muito importante atrás do Mestre Luke, mas se nós não o encontrarmos então nossa missão também é dispersar os inimigos e confundi-los. — explicou Mothim.
— Eu não estava afim de vir para cá cara, e nem sei porque estou te ajudando nessa missão louca de resgatar o maluco. Aposto que os "tão comentados" membros da elite dele seriam capazes de fazer tudo sozinho, por que precisam de nossa ajuda?
— Ei, Karl, não seja egoísta! O Mestre Luke é irmão de nosso Mestre, temos a obrigação de ajudá-lo, até porque eles são nossos amigos! — retrucou Mothim zangado — E tem mais, se nós não o encontrarmos não poderemos voltar a ver alguns de nossos companheiros... Como a Jade, o Yoshiki, o Chaud, a Sophie...
Ao ouvir o nome de Gardevoir o rapaz imediatamente refletiu sobre o que dissera. O que seu companheiro Marco falava fazia sentido, ele sentia que deveria dar tudo de si para aquela missão, uma vez que Sophie também poderia estar em perigo. Karl abaixou a fronte encarando o chão um pouco disperso.
— É sempre ela que me protege... Dessa vez vou trazer o Mestre dela de volta e provar que também sou capaz de fazer as coisas sozinho. — comentou Togetic em voz baixa, tocando nos próprios punhos e criando um poder mágico que exalava uma força diante delas.
— O que você está pensando em fazer? — indagou Marco.
— Nossa missão não é chamar atenção também? Vamos fazer um show e detonar essa parada, daí deixamos no esquema pro resto do pessoal da guilda encontrar o tal de Luke e acabar essas treta de uma vez.
Os olhos de Karl brilharam de modo que o rapaz utilizasse de algumas máquinas quebradas no local que despejavam um líquido viscoso. O poder Metronome lançara um Sludge Bomb em todo o laboratório derretendo as máquinas e desgastando ainda mais os equipamentos. Um alarme soou dando o alerta de que invadiam o setor cinco, Mothim entrou em desespero, mas Karl o agarrou pelo cachecol e saiu de lá rindo e se divertindo com o ocorrido.
— Hah, hah, hah! Que otários, vão ficar comendo poeira!! — disse Karl.
— Você é louco? Acha que estamos em vantagem? Se eles nos encontrarem estaremos fritos!! — alertou Marco.
Enquanto Togetic cobria um dos corredores eles puderam notar uma enorme quantidade de Grimers, Grumpigs e Gligars que marchavam com prontidão para a área que o alarme soara. Os soldados pegajosos o avistaram e começaram a correr atrás deles como se fossem zumbis. Karl rapidamente contornou o local e adentrou na primeira porta aberta que avistou, jogou Marco de lado e posicionou-se em frente aos seus oponentes.
— Q-Que criaturas são essas que estamos enfrentando? Eles são Pokémons, mas parecem enfeitiçados e agem como zumbis!!
— Baixa a onda aí, parceiro, porque a treta aqui tá chegando perto!
Togetic fez um rápido movimento com seus punhos e lançou pedras mágicas com o movimento Ancientpower em direção da porta de entrada onde os soldados inimigos se concentravam. As pedras desabaram destruindo a porta, mas ainda assim alguns conseguiram passar. Marco levantou-se e utilizou o Psybeam nos Grimers que foram sendo repelidos aos poucos, Karl utilizou um Metronome, mas desta vez o movimento aleatório lançou um estranho ovo que caiu no chão, e ali permaneceu.
— Que tipo de golpe é esse? Vai começar a jogar ovo nos adversários? — indagou Marco.
— Porra, dá um tempo! Eu ainda não sei controlar essa parada direito! — retrucou Karl de forma estressada.
De repente, o ovo explodiu. Era um Egg Bomb que lançou para longe todos os soldados do inimigo que aos poucos foram recuando da mesma forma hipnotizada de antes. Marco estava extremamente assustado com a cena, era como se aquelas criaturas não tivessem alma e apenas agissem por impulso. Aos poucos a iluminação foi se dispersando, e assim eles permanecerem no breu total. Marco tentava apalpar paredes para localizar-se, e então encontrou-se com Karl que permanecia do seu lado com as mãos no bolso da jaqueta.
— Essa fortaleza é bizarra, viu que olhos estranhos eles tinham? — indagou Karl.
— Todos os adversários que enfrentamos até o momento eram assim... Parecia que eles estavam sendo controlados, ou que haviam sido criados somente para batalhar... — disse Marco.
Quando a mariposa terminou de falar a sala tornou-se ainda mais escura e todas as luzes se apagaram de vez. Uma única chama acendeu no alto de um palco, o que encantou Mothim que adorava apreciar o fogo. Karl segurou-o de forma bruta pelo cachecol e o impediu de prosseguir, e só então Marco notou o que acontecia. O rapaz apontou para trás do fogo com um sinal, e logo atrás das chamas era possível notar a figura alta de um homem de cartola, com as mãos estendidas para trás ele parecia dominar o fogo que foi apagado com um estalar de dedos. A sala ficou no silêncio por alguns segundos, mas logo uma pequena quantidade de velas se acenderam ao redor da área.
— Quem está aí? — indagou Togetic.
— Eu. Você. Nós. — respondeu a voz, caindo na risada.
Karl atentou-se àquela figura vendo as silhuetas de seu corpo. Ele era alto, muito alto, tinha longas pernas desajeitadas como se fossem o tronco de uma árvore, e sua bizarra aparência lembrava um coqueiro. Na cabeça uma cartola era decorada por folhas de bananeiras, e no rosto, três máscaras com feições distintas concentravam toda a atenção em um único corpo que parecia carregar três mentes. O homem esticou as mãos para os lados e deixou sua voz ser ouvida a desejar boas vindas.
— Mas que terrível destino vocês se depararam, não?
Eles se viraram, mas não havia nada.
— Sejam bem vindos ao meu show de mágicas — e desapareceu.

Karl deu um pulo para trás ao notar uma presença sinistra atrás de si, jogou Mothim para cima do oponente, mas não havia nada. A mariposa ainda se recuperava do arremesso inesperado, e quando olhou para cima do palco lá estava ele novamente, a estranha figura. O mago riu, e assim apresentou-se:
— Oh, onde estão meus modos ao tratar os clientes? Podem me chamar de Barão Maximiliano, sou um Exeggutor e Número 6 na contagem daqueles que são denominados pela “Grande Criação”!
Karl encarou aquela figura excêntrica com uma feição de desinteresse, enquanto Mothim ainda olhava tudo extremamente apavorado.
— Que porra é essa?
— A Grande Criação? O que é isso? — indagou Marco confuso.
O Exeggutor encarou a mariposa com sua máscara central, porém, sua voz mudara dando espaço para uma máscara sorridente que ria e parecia debochar a cada fala pronunciada.
— Ora, e vocês não sabem? Lastimável! A Grande Criação é o nome da equipe de Pokémons mais poderosa criada pelos humanos capazes de dar a vida! — explicou o Barão.
— Os humanos estão tentando interferir na natureza? M-Mas é impossível criar vida artificial, a menos que... — Marco fez uma longa pausa — A menos que todos aqueles guerreiros que enfrentamos até agora... não são de verdade?
O Exeggutor encarou seus oponentes e trocou de máscara num grito único, agora assumindo uma feição triste e melancólica que parecia sempre estar sofrendo e chorando, ele encenava sobre o palco como se fizesse um verdadeiro show.
— Não são de verdade? Oh... Sim, sim, eles eram de verdade, sim... Mas todos sofreram, sofreram muito nas mãos dos humanos que usaram de sua ciência para alcançar o poder! Oh... E como sofreram!! Como puderam fazer todas aquelas coisas terríveis com eles, comigo, conosco?
— Olha, djow, não tô entendendo nada do que você quer dizer com isso, mas não fui com tua cara e estou louco pra meter um soco no meio dessa tua chapeleira doida. Vamos encerrar o assunto e tretar como gente grande, demoro?
Karl parecia ameaçar aquele estranho homem que até agora não havia feito nada de ruim, porém, o Barão voltou a assumir sua máscara central que esboçava a feição séria e determinada de um lorde. Posicionou suas mãos para trás enquanto fazia alguns passos estranhos com suas longas pernas, caminhando para trás até penetrar as sombras. Karl mal pôde sentir o momento em que duas mãos lhe massageavam as costas, ouvindo os sussurros do mago em seu ouvido.
— É ousado, pequeno guerreiro. Muito mais ousado do que muitos que aqui tentaram passar, mas não conseguiram. Bem, se está assim tão interessado, vamos iniciar logo nosso show de mágica, e eu tornarei esta apresentação inesquecível para vocês, para mim, para nós!! Trick Room!
Todo o cômodo desapareceu dando espaço para um local de estranhas definições sem forma e com um vazio incomparável. Marco aproximou-se de Karl e colocou-se em posição de combate, ele enxergava muito bem no escuro e sabia que o oponente caminhava no imaginário em algum lugar, pois sua risada ecoava em seus ouvidos como se logo anunciassem uma tragédia lenta e dolorosa.
— K-Karl, estou me sentindo estranho, não posso me mover direito! — disse Marco.
— Que palhaçada, o cara fica se escondendo ao invés de lutar sério? Vamos lá, aparece aí pra gente resolver essa parada seriamente!!
A voz do Barão pôde ser ouvida:
— Como desejar. Hih, hih, hih...
Um chute foi desferido com tanta velocidade pelas longas pernas do Barão que Karl mal teve a chance de impedi-lo, o rapaz arremessado para longe enquanto Mothim ainda era cercado pela ilusão da sala imaginária criada por Exeggutor. Mothim esticou suas mãos para os lados, colocou os óculos que lhe suspendiam na cabeça, e assim começou a criar uma forte ventania.
— Silver Wind. — disse Marco.
Um vento cortante prateado atingiu o Barão que hesitou por um momento ao receber o golpe, mas ele logo voltou a atacar seus oponentes com chutes vindos do vazio enquanto a risada irritava Karl cada vez mais.
— Não sabe lutar no mano a mano? Qual é o seu problema?!
— O problema é que vocês não sabem lidar com estratégias. Sou um estrategista nato e utilizo da falta de inteligência de meus adversários para coloca-los um contra os outros. O Trick Room permite que os lentos se movimentem antes, nada mais faço além de usar seus prestígios contra vocês mesmo. — riu o Barão — E você, e ele, e nós? O que sabemos fazer?
— Sei meter esse meu punho no meio da sua cara.
Togetic avançou contra a sombra projetada por Exeggutor, mas quando se deu conta notou que era Marco que estava ali parado. Não teve nem tempo de esquivar-se, acertou um soco tão forte na cara de seu amigo que quase desmaiou.
— Droga, errei. Tu fica na frente, Marco, toma mais cuidado!
Togetic ficou estático ao sentir um par de mãos flutuantes tocar em seus ombros novamente e sussurrar com insistência.
— Não sou o sexto integrante dA Grande Criação por mérito qualquer, se estou aqui é porque faço parte dos guerreiros mais poderosos criados pelos humanos. — disse o Barão com uma risada — E vocês? Ora, se pensam que vão resgatar o humano de Boina Púrpura, estão muito enganados. Ele é protegido por outros, muito, muito mais fortes do que eu! Posso dar conta de vocês dois, só para que se lembrem de algumas mágicas que tenho para lhes mostrar.
Togetic agarrou o braço que lhe suspendia e assim tentou arremessá-lo para longe, mas não atingira nada, ele não segurara em nada. A Trick Room era o ambiente do próprio Barão Maximiliano, e um mago sabe muito bem como lidar com seus truques.
— Quando se joga no meu tabuleiro, eu nunca perco.
— Você só sabe falar, falar, falar, até agora não vi fazendo nada anormal de verdade!! — retrucou Karl com certo deboche — Tch... Que mago fajuto, pensa que alguns truques de luz na sala podem me surpreender.
O homem de cartola ficou em silêncio, pareceu não ter gostado nada da crítica.
— Ainda não foi o suficiente? — indagou o Barão com indignação e calma — Então lhe mostrarei uma mágica de verdade.
O Exeggutor surgiu inesperadamente na frente de Togetic que já não se surpreendia, agarrou-o com suas imensas folhas de bananeiras e o impossibilitou de mover-se. A máscara central começou a encarar o rapaz que permaneceu imóvel quando avistou os olhos profundos e negros da máscara daquela sinistra figura. Marco observava tudo de longe, ouvia apenas grunhidos e balbúrdias do que acontecia em sua frente, e mesmo que gritasse seu amigo parecia não lhe dar atenção.
— K-Karl!! Não fique aí parado!
— Hypnosis. — disse o Barão.
Assim que ele terminou seu truque, Togetic permaneceu sem reação. Ele parecia adormecido, mas estava de costas e era impossível dizer o que ele realmente fazia. O Barão continuou a fazer estranhos movimentos em torno de Karl, que num piscar de olhos pareceu despertar. Marco ainda observava tudo tentando recuperar-se do soco que levara, o Barão voltou-se para o jovem caído e o encarou com sua máscara fatídica, estendendo as mãos para alto e anunciando em sua glória.
— Tcharans! Minha mágica está pronta!
— O que... O que exatamente você fez? — indagou Marco.
Neste instante Karl virou-se, mas seus olhos estavam sem brilho e sem cor, exatamente como todos os outros Pokémons vistos naquele setor. Marco não acreditou no que vira, e surpreendeu-se ainda mais ao ver seu amigo partir para cima e deferir-lhe um chute que o arremessou contra a parede. O Barão balançava suas mãos e cantarolava algumas canções movendo suas longas pernas em uma dança sem ritmo.
— E você era mais forte do que eu esperava! Fascinante, fascinante, será um servo fiel e devotado!
— O q-que você fez com meu amigo?! — indagou Marco atordoado pela dor — Você o transformou naqueles espectros estranhos? Sugou a alma dele? Então é você que está tornando todos estes Pokémons seus escravos?
— Escravos? — indagou o Barão — Não, meu caro jovem. Não transformei ninguém em um escravo, isso é um poder que nenhuma alma nesse mundo deveria ter. Mas os humanos? Os humanos se julgam no direito de tudo, são os humanos que nos escravizaram, eu mesmo estou sob custódia! O que fiz aqui foi enfeitiçar seu amigo, alguns truques aqui e outros ali, mas eu não teria a audácia de enfrentar a natureza e querer dar vida ao unanimado.
Marco ainda o encarava sem entender muito bem as palavras do mago. Karl avançou novamente contra o amigo, deferiu-lhe mais uma série de golpes até que Marco mal pudesse se mover. O Barão pediu para que Togetic parasse de atacar, que obedeceu fervorosamente. Assim, o mago aproximou-se da mariposa, agachando para encará-lo, mas Mothim mal tinha forças para falar.
— E-Eu não vou abandonar o Karl... Eu vou lutar até o fim!
— Ora, ora, ora. Não percebeu que ele socou você de forma proposital? Deixe-o aqui, vá embora, salve sua vida! — dizia a voz da máscara alegre, mas de repente, a voz da máscara entristecida insistia em atormentar-lhe — Não consegue perceber que você não pode conquistar a vitória? Se ficar aqui você vai morrer...
Marco estava espantado e cada vez mais perdido naquele universo onírico criado pelo Exeggutor.
— Podemos ser inimigos nesta batalha, mas no fim, saiba que seus verdadeiros oponentes sempre serão os humanos. Sempre. — disse o Barão, agachando na altura de Marco e encarando-o com sua máscara de seriedade. — Fuja, meu pequeno amigo. Fuja para bem longe, abandone seu Mestre e todos aqueles do seu lado. Fuja por sua vida, pois ao término desta batalha não haverá ninguém que poderá fazer frente à fúria da natureza. Ah, a natureza! O quão mágica ela pode ser, e no fim do show da vida é ela quem fará o verdadeiro espetáculo!
Marco foi recuando até alcançar a porta, levantou-se rapidamente e saiu correndo dali ainda olhando algumas vezes para trás ao ouvir a risada do Barão Maximiliano ecoar em seu ouvido. Não sabia o que aconteceria com Karl, nem que fim aquela batalha poderia levar. A profecia do mago o atormentaria por muito tempo, pois ele sabia que Pokémons Lendários não apreciam aqueles que tentam chegar ao nível de Arceus e dar a vida. Um dia os humanos iriam pagar por seus pecados. E apesar de todas as reflexões, Marco tinha certeza de apenas uma coisa: Precisava fugir dali o quanto antes.
— Eu não estou fugindo, vou apenas buscar ajuda! Eu vou voltar, Karl. Vou encontrar alguém que possa resgatá-lo, eu prometo que irei voltar!
Vencedor: Barão Maximiliano.

O som insistente nos corredores dava a ideia de que alguém tinha muita pressa. Wiki corria completamente energizada em busca de seu mestre na base dos Rockets, mas no fundo também não desejava perder para o duelo com Vista sobre quem derrotaria mais adversários. O Pokémon de metal até agora não havia entrado em contato com a moça, o que a deixava cada vez mais aflita pensando na possibilidade de seus amigos terem se encontrado com algum guerreiro muito poderoso e não tivessem sido capazes de derrotá-los. Vista, Aerus, Al Capone, Mikau e o General eram os mais poderosos das equipes, mas ainda assim havia o risco dos outros se encontrarem com algum oponente que não dessem conta. Ela preocupava-se exclusivamente com Marco, mas depositava todas a sua confiança na esperança de que ele iria esforçar-se e terminaria aquela temível batalha a salvo.
A mulher continuou correndo até alcançar uma área do corredor que parecia ficar mais amarronzada. A cor lembrava terra, e aos poucos o som de seus passos foi diminuindo. Wiki adentrou a sala com cautela olhando tudo em sua volta e surpreendeu-se ao notar equipamentos de tortura na sala. Não escondeu um grito de espanto, era uma imagem terrível até mesmo para seu banco de dados, tratava-se de uma área que suas informações não gostavam de alcançar. Wiki examinava tudo com cautela e relutância.
— O que é isso? — indagava assustada.
A moça via estranhos equipamentos em forma de tubo, pareciam ser máquinas que os Rockets utilizavam para seus experimentos de clonagem, e tudo aquilo provava o quão maléfico aqueles criminosos podiam ser. A moça permaneceu perdida em seus pensamentos, mas virou-se imediatamente e colocou-se em posição de ataque ao ouvir uma voz:
— Ora essa, então uma mulher será minha adversária. Que sorte eu tive.
Wiki virou-se bruscamente ao notar a silhueta de uma moça debruçada sobre uma mesa com as pernas esticadas. Ela tampava seus olhos com um par de óculos escuros e tonalidades em ouro, vestia roupas provocativas e botas com a ponta de uma lança. Estava toda vestida com roupas da mesma cor do chão feitas de couro com detalhes brancos, era extremamente definida e tinha um olhar de sedução, chegou inclusive a morder um dos lábios que traçavam as linhas de um batom escarlate, demonstrando sua satisfação em saber que sua adversária era uma mulher. Wiki permaneceu encarando-a com rigor.
— Meu nome é Eleanor, sou uma Pinsir, e o prazer é todo meu em conhecê-la, querida. — disse a mulher, não escondendo certa malícia em suas palavras.

— Você não é uma Guerreira normal. — afirmou Wiki de imediato — Você não tem circuitos de uma criatura construída pelas mãos humanas, e muito menos tem o corpo habitual de uma mulher. Você é um...
— Clone. — disse Eleanor, sacando um chicote que guardava na cinta. Ela parecia estar mais disposta a agir do que conversar — Sim, um clone Pokémon criado pelos Rockets. Mas poupa-me os detalhes mocinha levada, temos algumas coisinhas mais importantes a se tratar.
A Pinsir avançou contra a moça que deu um salto para trás para esquivar-se. As duas trocaram rápidos socos, mas a Porygon-Z era rápida e tinha uma boa velocidade. Eleanor tinha o corpo definido, chegou a mirar um soco diretamente no rosto de Wiki que impediu-o com os braços, evitando o golpe e impedindo que as duas continuassem os movimentos. Eleanor a encarou e não escondeu uma piscadela descarada, o que fez Wiki corar de surpresa. A androide continuou a desviar-se das investidas da mulher até que com seu chicote ela agarrou a perna da moça que foi direto ao chão. Eleanor avançou sobre o corpo derrubando-a no chão, debruçou-se sobre a mulher de cabelos róseos e aos poucos foi contornado suas curvas com a ponta do indicador.
— Sabe, eu gosto de garotinhas como você. Não é sempre que encontro alguém para brincar por aqui. — disse Eleanor.
— Olha, eu adoraria ficar para me divertir, mas é que hoje eu estou realmente ocupada.
Eleanor riu com a forma ousada de sua oponente, mas não estava disposta a soltá-la agora que havia a imobilizado. Porém, notou ter sido empurrada com as pernas, e quando voltou a ficar de pé aquela linda garota foi coberta por um raio luminoso assumindo um corpo masculino. A Pinsir assustou-se com o que viu, chegou a cair para trás apontando com os dedos tremendo para a suposta garota que estava em sua frente.
— C-Como é que voc... O que é você?! — indagava Eleanor espantada.
— Sou tudo, querida, e saiba que essa transformação pode fazer muito mais. — disse Mozilla, cerrando os punhos, deixando evidente alguns traços da personalidade feminina — Presumo que se eu ficar nessa forma você não vá ficar se distraindo pelo meu corpo. Então poderemos lutar a sério, depois nos divertimos.
— S-Seu desgraçado! Traga aquela linda moça de volta!! Eu não quero você!! Submission!
Com uma enorme força a Pinsir agarrou uma parede de pedra com as duas mãos e lançou-a na direção de Mozilla. As defesas de um Porygon-Z são extremamente limitadas, e por isso ele deveria optar por esquivar-se mais do que defender-se. Quando voltou sua atenção para a Pinsir ela carregava uma enorme maça de ferro cercado de espinhos.
— Isso está começando a tomar proporções agravantes. — falou Mozilla.
— Suma da minha frente!! Não fique aí parado exibindo esses seus músculos sórdidos e seu peitoral definido, eu vou eliminá-lo!
Eleanor começou a atacar Mozilla que nada mais podia fazer além de defender-se, ser acertado pela clava de ferro seria mortal, mas nas atuais circunstâncias, coberta por sua raiva, a oponente parecia adquirir cada vez mais força. Eleanor segurou na clava com as duas mãos e assim partiu para cima de Mozilla, o ciborgue teve de usar os braços para defender-se e por por pouco não fora atingido, mas o suor escorria pelo seu rosto, e aquela Pinsir era mais forte do que aparentava quando lutava seriamente.
— D-De onde você tira tanta força? — indagou ele.
— É o que nós fazemos por algo que gostamos. Agora, devolva-me aquela mocinha de cabelos curtos antes que eu o faça pagar!
— Não deu para perceber que eu sou a mocinha? — indagou Mozilla, não escondendo uma risada rasteira— Tudo bem, essa fala não caiu bem. Mas agora precisamos ir com calma com isso, está ficando perigoso demais. Eu posso esfriar o seu temperamento. Ice Beam.
Mozilla posicionou suas duas mãos para frente em um formato de diamante, lançando um raio que congelou todo o chão em que eles estavam. A Pinsir escorregou tentando manter o equilíbrio, o que fez Mozilla cair na risada enquanto a mulher se estressava cada vez mais.
— Não ria de mim!! Pare com isso!! Eu não permito que nenhum homem imundo e desprezível ria de mim!!
Após ficar de pé, a moça levantou sua maça e bateu-a com tanta força no chão que um buraco se abriu, rompendo todo o gelo que dispersou-se em milhões de fragmentos.
— Q-Que tipo de mulher é você?! Não desiste nunca, não?! — indagou Mozilla.
— Devolva-me a garotaaaaaaaaa!! — continuou.
— Espere, espere. Eu tenho uma proposta para você.
Subitamente Eleanor parou de agir, aguardando a proposta que Mozilla tinha a oferecer. O homem foi caminhando até um pilar no centro da sala e desabotoou o colete que utilizava. Aos poucos foi tirando a camiseta enquanto dava voltas no pilar e encarava a mulher de longe. Eleanor soltou um grito de espanto e cobriu os olhos.
— O que você pensa que está fazendo??? Coloque essas roupas agora, e pare de ficar me exibindo esses seus músculos abatidos!! — retrucou Eleanor.
— Ei, você tem noção de quanto tempo preciso exercitar-me para manter esse porte físico lindo? Considere-se prestigiada por ganhar o espetáculo de graça, a única mulher que ganhou um desses foi a minha forma feminina, se é que você me entende.
Mozilla percebeu que sua oponente estava ainda mais irada com a provocação. A Pinsir partiu para cima do homem que fora surpreendido, mas com um movimento ágil e calculado seu corpo foi coberto por uma intensa luz assumindo a postura de Wiki novamente, o que fez com que Eleanor imediatamente parasse de atacar. Ela ainda segurava a clava, mas aos poucos soltou-a e a deixou no chão enquanto caminhava em direção de Wiki. A moça de cabelos curtos hesitou ao sentir que Eleanor colocava a mão em seu rosto e aproximava-se mais que o normal.
— Você é tão bela. — disse Eleanor com uma voz apaixonada, aos poucos escorregando suas mãos pelo cabelo de Wiki — E este seu perfume seu me encanta... Espere, mas agora você está usando perfume masculino?! Isso é repugnante! Blaaargh, cheio de homem! Como pode usar uma coisa dessas?!
— Se manca mulher, quem você pensa que é para dizer o que eu devo usar? — brandiu Wiki.
A moça afastou suas mãos e criou diversas esferas de fogo, arqueou uma das sobrancelhas ao notar que seu plano dera certo, e ficando distante da clava de ferro ela tinha mais segurança e precisão para atacar.
— Ficando nessa forma eu posso distraí-la, agora você vai ver. Hidden Power!
O movimento do tipo fogo seria muito forte contra a mulher, uma vez que a raça dos Pinsir são do tipo inseto. Eleanor começou a remexer-se para retirar as esferas quentes de seu corpo, e apesar de umas algumas queimaduras voltou-se para Wiki e lambou os beiços.
— Que menina levada. Você está me fazendo ferver.
Wiki ficou estática ao ver a reação de sua oponente. Eleanor continuou
— Garota, você é linda, e faz o meu tipo, mas infelizmente terei que acabar com essa brincadeira para que minha missão seja cumprida. Me desculpe por isso, mas será necessário.
Naquela mesma sala Eleanor retirou uma enorme tesoura que mais lembrava um par de guilhotinas sobrepostas. Wiki congelou ao notar que aquele instrumento tratava-se de uma técnica oculta, parte de um conjunto de golpes que foram proibidos em todos os continentes pelas guildas Pokémons, pois suas vítimas nunca sobreviviam. A Guillotine, Fissure, Horn Drill e o Sheer Cold. Eleanor avançou contra a moça com sua guilhotina, ainda que com muito receio e tristeza sussurrou de forma breve e espontânea.
— Me desculpe por isso, garota.
O barulho de lâminas foi ouvido, o que marcava aquele golpe como um sucesso. Eleanor não virou-se para ver o estrago, lamentava muito ter feito aquilo, ainda mais com alguém que tanto chamara sua atenção. Algo caiu no chão, e ela desejou não saber o que era, mas de repente pôde ouvir uma voz aguda:
— S-Sua idiota! Me separou do meu corpo!!
Eleanor virou-se ao notar o corpo de uma mulher sem cabeça no meio da sala, e ao lado estava a cabeça de Wiki muito frustrada por ter sido “descabeçada”. Eleanor apontou repetidas vezes para a silhueta e para os dois membros separados, gaguejando ao notar que Wiki ainda estava viva.
— E-Espere, que truque é esse? O que é você?! Você é invencível por algum acaso?? Como ainda está viva?!
— Bom, eu não sei se sou invencível, mas dessa vez me safei. — comentou a cabeça de Wiki um pouco aliviada, voltando-se para Eleanor com frustração e as sobrancelhas franzidas — Você deve saber que a Guillotine tem uma precisão muito fraca, então eu apenas me esquivei. A diferença é que foi com uma pequena margem de erro, tanto que perdi a cabeça. Este é um golpe proibido, você deveria tomar mais cuidado.
Eleanor ainda estava sem reação, enquanto Wiki soltava uma ameaça.
— Ei, e trate de ficar longe de meu corpo! Seria uma loucura ver você fazendo qualquer coisa com ele e eu só aqui observando. Okay, até que seria interessante. ♥ Mas vamos lá, agora pra valer. Wiki Body, utilize o Hidden Power!
O corpo descabeçado criou diversas esferas de fogo que foram arremessadas contra a Pinsir. A mulher gemeu pelo golpe super-efetivo até cair para trás sem mais condições de levantar-se. O corpo de Wiki caminhou até a cabeça e agachou para pegá-la, então voltando-a para seu local normal. A moça soltou um suspiro de gratificação levando as mãos até a cintura.
— Ufa! Como é bizarro ordenar as coisas vendo apenas seu corpo agir. Funciona como um jogo de aventura de terceira pessoa em que você dá as ordens e o personagem obedece. Sinistro.
A moça virou-se para Eleanor que agora estava caída sobre uma mesa completamente derrotada e desnorteada. Wiki aproximou-se dela e sorriu, vendo que pelo menos ainda estava consciente. Os óculos escuros estavam caídos ao lado, e pela primeira vez Wiki foi capaz de ver os olhos da mulher. Tinham uma linda cor amarelada, exatamente como os dela, e por um breve momento os dois se encontraram, mas Eleanor desviou-se sem saber como encará-la naquela situação.
— Ei, foi uma ótima batalha. Você é forte, poderíamos fazer isso mais vezes. — disse.
— De que importa? Eu fui derrotada... Nessa facção, quando alguém perde é imediatamente substituído e descartado... Não haverá uma próxima vez. — disse Eleanor bem baixo.
— Isso se você quiser, porque vim aqui para acabar com essa facção, e libertarei todos que foram prisioneiros, todos que sofreram neste lugar amaldiçoado, dando-lhes uma segunda chance. Viver é direito de todos. Sou de um tempo em que não se joga fora algo que não precisamos mais, nós aprendíamos a concertá-lo. — comentou Wiki com um sorriso encantador — Nos encontramos justamente em um dia em que estou com uma missão muito importante, mas não fique triste, pois eu quero ser sua amiga, e saiba que quero encontrá-la no futuro.
Wiki abaixou a fronte, chegando mais próxima do rosto de Eleanor que continuava deitada. As duas coraram, mas dessa vez era Eleanor quem estava envergonhada a encarar a feição determinada e atrativa de Wiki, a moça de cabelos curtos colocou seus fios róseos atrás da orelha, aproximou-se ainda mais da morena e tocou em seus cabelos de forma suave.
— Leve isso como prova de nossa amizade.
— Amizade? — indagou Eleanor.
— A não ser que você queira algo a mais, por mim não haveria problema algum! — respondeu, soltado uma longa risada aconchegante e uma piscadela — E considere isso um presente! ♥
Wiki agachou e deu um suave beijo na bochecha da mulher que ficou sem uma reação ao certo. Em seguida ela voltou a caminhar alegremente pelos corredores em busca de seu mestre, deixando sua adversária derrotada para trás. No fim das contas, aquela batalha tornou-se mais uma terna lembrança do que um sentimento de culpa por ter perdido. A moça levou sua mão até o rosto contornando a área em que recebera seu presente, então fechou os olhos e apenas sonhou com aquele reencontro distante, mas que para sempre permaneceria afetuoso em suas lembranças.
Vencedora: Wiki.

PORTFOLIO

"Um portfólio consiste em uma coleção de diversos trabalhos finalizados ou em andamento, sejam pessoais ou incorporados dentro de uma organização, relacionado com o alcance dos objetivos traçados. O portfólio pode ser considerado um material acumulado pelo desenvolvimento de diversos projetos que individualmente agregam valores ao processo através de experiência desenvolvida dentro de um determinado período de tempo, por uma análise contínua durante a evolução de um projeto."
Eu ouvi pela primeira vez o termo "portfolio" em minha faculdade, eu não entendia ao certo o que era, mas sabia o seu uso e me perguntava como eu poderia criar um. Alguns amigos recomendaram o uso de pastas para imprimir e guardar os trabalhos, outros criavam sites especialmente para isso, e depois de um pouco refletir optei por utilizar a própria Sinnoh para divulgar os meus projetos, porque tenho certeza que temos muitos fãs de jogos escondidos por aí que às vezes almejam seguir a carreira, mas não sabem bem por onde começar ou falta aquele primeiro empurrão para dar iniciativa.
Eu gostaria de inaugurar aqui no blog uma área voltada não somente para os leitores, mas também para minha carreira como forma de divulgação dos trabalhos que venho desempenhando desde o começo de 2012. Para falar a verdade até o começo desse ano meu conhecimento sobre design e softwares era extremamente escasso, mas venho ampliando meu repertório com cursos especializados e já pude notar uma melhora impressionante, mas sei que ainda é pouco. Está é uma página que estará frequentemente em atualização, viso trazer novidades sempre que possível, e no fim disso tudo será como uma forma de acompanharmos essa melhora gradativa de perto. Pretendo postar frequentemente imagens de meus projetos como forma de perceber meu próprio desenvolvimento, e quem sabe também atrair mais jovens para essa área que vêm crescendo tanto no mercado. Sou um designer, meu trabalho é ter ideias.
Projetos desde Agosto, 2012.
Portfolio onLine desde 02 de Outubro, 2012.
















































