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Random Access Memories

Há muito tempo, um especial que envolvesse o Volkner e a Elesa era um dos planos mais antigos que eu e o Sui tínhamos para interligar Sinnoh e Unova,  essa ideia esteve perambulando nossa mente desde os primeiros dias da Aliança Aventuras, mas infelizmente ela nunca aconteceu. Provavelmente porque trabalhar em parcerias assim e com personagens da franquia seja difícil, já que às vezes os pontos de vista não batem, e tratando de dois personagens tão amados nós sabíamos que tinha que sair algo realmente bom.

Depois que o Sui saiu, o especial caiu no poço do esquecimento... Foi então que surgiu uma leitora, apaixonada por nosso líder elétrico e que esperava uma história que ele não tivesse sempre de fazer par com a Jasmine, afinal, é impossível agradar gregos e troianos, não é mesmo? Aí entramos na parte cômica dessa história: E o que fazer com a promessa que eu tinha feito para a Marina? *risos* Eu posso demorar bastante para cumprir minhas promessas, mas não importa o tempo que demore, eu farei.

Tive que encontrar a resposta para a seguinte questão: Como fazer o Volkner terminar com duas personagens completamente diferentes ao mesmo tempo? Não foi nada fácil, mas acho que eu consegui.

Agradeçam à Luana Crispim, que fez esse especial acontecer, e que, por sinal, está sendo postado justamente hoje por um motivo: 31 de Janeiro é um aniversário dela. Feliz aniversário, querida! Esperamos que curta o presente, e que eu tenha conseguido acertar no roteiro certo para agradá-la. Com estes dois shippings inusitados, Volkner x Jasmine e Volkner x Elesa, eu espero que vocês não misturem as histórias e imaginem ele como um cara que ficaria com várias ao mesmo tempo. Escolham a opção que mais curtirem, e pelo menos dessa maneira todos nós saímos ganhando, não é? Algumas vezes nessa vida não podemos simplesmente escolher um lado preferido, então fazemos o possível para que todo mundo saia feliz! Boa leitura, galera. — Canas Ominous.


Random Access Memories
A Gym Leader's Life

Falar sobre amor é complicado. Alguns não sabem dizer onde erraram, e nem se a oportunidade apareceu em suas vidas. Preferem lamentar o que não tiveram ou esperarem a chegada da pessoa perfeita, aquela cara metade que completa a laranja e a alma. Coisa do destino. Bem, mas nem todos acreditam em destino. Ele vive pregando peças em certas pessoas como o sujeito desta história. Talvez seja ele que tenha levado a vida como uma brincadeira quando era criança, e continuou com essa mania até os dias atuais.
Mas alguns só percebem o que perderam depois de quebrar a cara.
Quando as pessoas dizem que conheceram a mulher perfeita bem ao lado de casa, é difícil acreditar. É comum perdermos essas oportunidades, mas quando voltamos dispostos a correr atrás, certas coisas já passaram.
Quando falo em perfeição não me refiro somente a beleza. Algumas vezes é até mais importante encontrar uma moça do tipo que o faz sentir-se bem, apenas isso. Ela era cheia de seus defeitos. Tinha seus próprios sonhos, suas próprias manias. Falava dos assuntos que ela gostava, e evitava aquilo que não era de seu agrado.
Perfeita por simplesmente ser dessa maneira.

A Tourist in a Dream

Por algum motivo, conversar com a Marina me fazia bem... Houve uma vez que tivemos a oportunidade de planejarmos uma parceria entre Sinnoh e Johto utilizando o Volkner e a Jasmine como dois dos líderes mais adorados de nossas regiões, e como tantas outras ideias que temos de interligações na aliança, elas dificilmente acontecem... Todos sabemos que não é nada fácil duas pessoas juntarem suas escritas tão diferentes para trabalharem um especial que requer um carinho em especia de ambas as partes, para sair algo deve realmente existir certa química nessas parcerias, em cada palavra. Uma espécie de carinho pelo outro, uma comunhão. 

Eu estava muito inspirado para trabalhar neste especial, e pela primeira vez senti que poderia sair alguma coisa [e isso foi há uns 8 meses...] Mesmo que hoje a Marina esteja afastada por seus próprios motivos, senti que eu deveria fazer isso para ela. Há tempos eu não a vejo, mas espero que esteja tudo bem. Conversamos apenas uma vez sobre o enredo que este especial deveria tomar, tratamos de conhecer o que cada um preparava com seu personagem uma única vez, e a Marina deixou o restante em minhas mãos. Todavia, ela pediu para que eu colocasse essa frase em especial: Johto não tem belas paisagens como esta.

Bem, o tempo passou. Não sei se ela virá a ler isso ou sequer terá conhecimento desta pequena homenagem, mas que um dia chegue aos seus ouvidos. Com carinho,  — Canas Ominous.


A Tourist in a Dream
A Gym Leader's Life

Homenagem à: Marina Bacchini.

A atenção de alguns moradores de Sunyshore foi atraída quando, inesperadamente, o farol da cidade voltou a funcionar. Pessoas espiavam pela janela, observando a luz com atenção e não escondendo um sorriso rasteiro ou um comentário que saía sem querer: Nossa, o farol está funcionando. Fazia tanto tempo que isso não acontecia...
Volkner tinha acabado de fazer os últimos reparos na central elétrica da construção, fazia uso da energia de seu Electivire para gerar toda a eletricidade necessária, enquanto sua Rotom e os demais Pokémons organizavam os móveis tirando aquela velha aparência de um farol assustador e esquecido pelo tempo. Estava abandonado há alguns anos, mas para o líder parecia que não ficara nem uma semana em sua ausência. Quando percebeu o estado daquilo que ele havia ajudado a construir, sentiu até mesmo arrependimento em deixar que a situação chegasse àquele ponto.
O homem levou as mãos até o bolso e encarou a janela principal suja de poeira. Mal dava pra enxergar o mar, teve de subir até o pico somente para sentir a brisa soprar para que a verdadeira beleza daquela cena fosse contemplada.
— Já faz quanto tempo que não subo aqui em cima? — sussurrou Volkner.
Sua Rotom apareceu repentinamente em sua frente, rodeando-o sem parar. O homem sorriu e tocou levemente nela com uma das mãos.
— Você também estava com saudade daqui, não? Muitas histórias, muitas lembranças... — disse Volkner ao apoiar os braços nas grades de ferro. — Por que será que durante um tempo eu deixei de amar essa visão?
Volkner ficou ali encarando o mar, mas sentiu que queria chegar mais perto dele, sentir as ondas, um pedacinho da cidade que já fazia parte dele.

Endless Dream

Endless Dream
A Gym Leader's Life

Escrito por Leeca.

O vapor que subia da água quente da banheira quase completava o cômodo por inteiro, a pequena e única janela já estava completamente embaçada. O corpo que jazia deitado, relaxado dentro da banheira, era de uma mulher com corpo de sereia, os cabelos loiros estavam completam molhados, portanto, mostravam uma coloração mais escura que o habitual. A mulher lentamente abriu os olhos, havia adormecido, olhou para os lados tentando lembrar onde estava, e o que estava fazendo ali, a memória voltou como um raio.
Cynthia, a nova campeã de Sinnoh.
Desde que o antigo campeão perdera seu posto, Sinnoh sofrera uma época densa de liderança, ninguém permanecia no cargo de campeão  por mais que dois meses, mas ela estava disposta a mudar isso. A batalha fora dificil, pois continuava sendo uma Elite, e mesmo assim não era comparada à dificuldade que era na época da “Muralha de Ferro”, então, o posto foi tomado.
Toda a algazarra, a festa, a gritaria, flashs, entrevistas; desgastaram a mulher muito mais que ela mesma esperava, o que mais queria naquela situação era voltar para casa, tomar um banho e dormir, e foi exatamente isso que fez.
A água já escorria diminuindo seu volume pouco a pouco até sumir por completo, de pouco a pouco o vapor se dissipava dando espaço ao frio intenso de Sinnoh,  a mulher usava um robe branco cobrindo seu corpo escultural, mesmo depois do banho relaxante a tensão ainda estava presente em seu ombro, era uma pressão, uma responsabilidade, andava de um lado ao outro da casa, apenas escutando sua própria respiração e passos silenciosos, estava disposta a acabar com essa Era de instabilidade nos campeões de Sinnoh, mas para isso era necessário muito compromisso.

Um toque agudo assustou a mulher que virou-se com pressa, mas relaxou ao ver que era apenas seu pokégear que anunciava uma ligação. Suspirou desanimada, estava cansada de dar entrevistas e sorrir para uma câmera, mas a partir de agora seria sua obrigação, portanto, sem vontade alguma, atendeu a ligação.
— Sinto muito informar. — disse antes que a figura do outro lado da linha tivesse a chance de se pronunciar. — Mas não pretendo falar mais nada hoje, se puder ligar amanhã.
— E se for falar com um antigo amigo? Você cederia um pouco do seu tempo?  — a voz soou misteriosa e risonha.
Cynthia parou por um momento pasma, processou as palavras uma por uma lentamente, reconhecendo a voz,  parecia até que ela havia desligado o telefone.
— Cynthia? Você ainda está na linha? Alô?
— Por Arceus!  — A mulher deu um riso largo  —  Steven Stone?
— Você acertou rápido. — o homem riu — Pensei que havia me esquecido.
— E como poderia te esquecer?  — Ela sentou-se no sofá mais próximo enrolando as pontas dos fios de cabelos loiros. — Faz um tempo, só isso.
A mulher parecia realmente feliz, a primeira noticia aconchegante do dia. Ela e Steven haviam se conhecido há um tempo em uma expedição sobre pedras raras e a partir daí uma amizade forte os uniu. Steven sempre fora um homem educado e cortez, isso encantava Cynthia.
— Como está Hoenn? Preciso ir passar uns dias por essa região. — Antes de se sentir empolgada se lembrou de que agora seria difícil de sair de Sinnoh, pois tinha responsabilidades agora, obrigações.
— Se você vier me avise antes. Farei questão em hospedá-la em minha casa.
— Pois é. — disse em um desânimo — Mas acho que essa viagem vai demorar mais do que gostaria.
— Aconteceu algo? Parece deprimida?
— Você e seus instintos aguçados. — ela riu do próprio comentário — Não é nada, acho que apenas o cansaço. Estou bem melhor agora que você ligou.
E permaceram assim, conversando, como se o tempo não importasse ou deixasse de passar, ela se sentia bem apenas por ouvir a voz do homem, conversando sobre coisas triviais, bem a maioria dessas coisas envolviam pedras, mas ela não ligava. Seria um daqueles tipicos casos no qual de tanto se pensar em uma pessoa querida ela acaba se tornando mais que um simples amigo, alguém especial e Steven havia se tornado mais que especial.
— Meu Arceus! Olha a hora! — Cynthia disse em um impulso ao deparar o relógio que estava pendurado na sala, o objeto marcava 1:45 da manhã. — Steven, amanhã você não trabalha? Nossa, me perdoe ter te prendido aqui até esse horário! — disse em um pesar, pois não queria desligar o telefone.
— Que isso, Cynthia.  — ele sorriu — Não me importo com o horário, apenas... apenas fale mais um pouco comigo.
Cynthia sorriu, interpretando aquelas palavras dentro de seu coração.
— Sinto sua falta. — sussurrou, de olhos fechados.
— Cynthia?
— Ah! — Abriu os olhos. — Erm... Acho melhor eu realmente ir! — estava sem graça. — Amanhã eu e você temos coisas a fazer, não é mesmo? — andava de um lado ao outro da casa.
— O clima de Sinnoh continua frio, não é? Prefiro o clima de chuva e sol de Hoenn.
— Hã? Steven? Você está falando comigo?
— Estou. — ele riu — Apenas fiz um comentário. Sinnoh realmente é muito frio, não consigo me acostumar com esse clima.
— Do que você está falando? — ela riu não sabendo muito bem o que se tratava a conversa — Eu até que gosto do clima de Sinnoh.
— O frio foi feito para se passar com pessoas queridas, elas podem ficar mais próximas uma das outras.
Cynthia riu.
— Da próxima vez que nevar vou te convidar para passar uns dias em Sinnoh então.
— Mas está nevando.
Cynthia parou para refletir as palavras ditas por Steven, logo em seguida correu até a janela mais próxima abrindo a cortina com força. Pequenos flocos brancos caiam a partir do céu negro, pareciam que estavam dançando, caiam lentamente e depois sumiam quando encontravam seu destino, ela ficou fitando a negritude por poucos minutos, os olhos dela pareciam brilhar mais que a neve.
— Steven! Como você...
— Abra a porta, Cynthia. Está frio aqui fora.
A mulher prendeu a respiração com o comentário, o tempo pareceu ter parado. Saiu correndo, tropeçando em uma coisa ou outra no caminho, chegou a porta e abriu-a o mais rápido que conseguiu, o que viu foi um homem vestindo um pesado casaco e um cachecol, o celular ainda ligado perto da orelha e nas mãos um lindo buquê que flores silvestres.
— Ah, Cynthia. — ela conseguia ouvir a voz do homem a sua frente ainda pelo celular, a mulher estava ofegante pela subita corrida, as bochecas vermelhas e respiração de ambos formava uma fumaça que se dissipava pelo céu devido ao frio. — Esqueci de te dizer uma coisa, antes que desligue o telefone. — Steven esticou o buqué em direção a mulher. – Parabéns por ser a nova campeã de Sinnoh!
Ela estava sem reação, encarava o homem sem saber o que falar, segurou o buqué, mas ainda estava estática, ele sorriu para ela passando a mão gelada no rosto de mulher, colocando o cabelo loiro atrás da orelha.
— Junto com esse buquê virá milhares de responsabilidades, você é a nova campeã, você merece esse cargo, tenho certeza que encontrará uma Elite que fará jus ao seu nome, mesmo tendo mais obrigações nunca esqueça o que você tanto gosta, que é a sua pesquisa de pokémons, e mais importante que isso, nunca se esqueça que se você pensar em desisitir dessa vida eu vou estar aqui por você, para você.
Junto com a emoção forte veio as lágrimas de felicidade que foram limpadas pelas mãos frias de Steven, ela fechou os olhos sentindo o carinho, abriu-os para encarar os olhos esmeraldas cheios de amor. Esticou as mãos até alcançar o pescoço do homem envolvendo-os e puxando-o até que os lábios ficassem colados esquentando o corpo naquele clima frio.

• • •

— ...thia... ynthia... Cynthia!
Ao abrir os olhos duas orbes esmeraldas podiam ser vistas, uma das mãos do homem acariciava o rosto gelado da mulher.
— Você vai pegar um resfriado, minha querida.
Cynthia levantou-se, estava deitada no sofá de sua casa, Steven estava parado a sua frente com duas xícaras que exalavam um aroma delicioso e fumaça que indicavam que a bebida ainda estava quente.
— Dormiu bem? — perguntou o homem — Parecia estar tendo um ótimo sonho — disse sentando-se perto da moça a olhando com carinho.
— Você e seus instintos aguçados. — ela riu, encarando aqueles olhos tão aconchegantes. — Sonhei com você, no dia em que me deu flores.
— Então foi um sonho maravilhoso. — ambos riram e ficaram assim por deliciosos minutos.
— Porque não vai tomar um banho quente? — disse o homem passando a mão nos cabelos loiros. — Vou deixar seu copo aqui. — Levantou-se posicionando as xícaras em um lugar seguro.
Ela concordou, Steven ajudou-a levantar e antes de sair depositou um beijo na bochecha rosada da mulher.
— Bom banho.
Ela sorriu e seguiu até o banheiro, abriu a porta com delicadeza e assustou-se ao deparar-se com um pequeno buqué, olhou para os lados vendo se achava uma explicação para a aparição do pequeno objeto, não chegou a conclusão nenhuma, chegou mais perto sentindo o perfume e pegou uma pequena carta que estava anexada ao buquê.

Para a Campeã de Sinnoh
Parabéns por ter completado 1 ano de liga! 
Você mereceu todas essas conquistas, vou continuar te apoiando!
Com amor,

Cynthia sorriu, segurou a carta e o buquê contra o peito abraçando-os.
— STEVEN!!
E ela correu para abraçar aquele que foi seu porto seguro, seu amigo, seu amante. Lá fora nevava, caia pequenos flocos brancos em uma imensidão negra, do mesmo jeito que aquela noite, um ano atrás, e os lábios se conectaram novamente selando um compromisso mudo.

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