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Akagi


Akagi

"Eu não sou apenas um rostinho bonito. Há muito mais que torna uma mulher poderosa, e o corpo é a arma apenas das mais tediosas.— Akagi, Fire Tales 33.

Akagi foi uma das componentes da lendária guilda Legacy no passado, lutando ao lado de Ereon, Renée Whitecloud, Bartolomeu, Don Corleone e iDie. É considerada uma peça rara, um presente do universo, pois sua raça difere dos demais ao possuir uma coloração especial, o que a torna um belíssimo exemplar que mescla força e beleza.

Foi o primeiro Pokémon de Erick, capturada quando ainda era uma pequena Horsea que era utilizada por um Coordenador e tratada como uma escrava da beleza, sendo obrigada a brilhar diante das câmeras, sempre vestir-se bem e dedicar todo o seu tempo para manter a pose exemplar e o corpo de uma modelo. O jovem conquistou Akagi e passou a tê-la como sua maior companheira, e por vir de família simples ele sempre surpreendia as pessoas por ter ao seu lado algo tão raro.

Lutou por muitos anos defendendo o título conquistado com muito esforço na Liga Pokémon, mas com a derrota de Ereon e seu treinador, seu império começou a ruir. Quando a Legacy foi desmanchada, Akagi continuou a batalhar na Elite ao lado de Erick até o dia em que não puderam mais aguentar, e por fim voltaram à sua vida simples afastada de movimento, longe das câmeras, do brilho e da fama. Erick não percebera que acabara por levar Akagi exatamente para o mesmo caminho que aquele coordenador queria levar, percebendo que sua vida não deveria ter como prioridade a fama, e então prometeu que nunca mais se usaria como um símbolo ou uma imagem. Akagi ama seu treinador incondicionalmente.

BIOGRAFIA

Sendo uma mulher forte e de aparência respeitosa, Akagi chama a atenção de todos por onde quer que passe. Apesar de parecer ser apenas um rosto bonito, como tantos Pokémons aquáticos de sua espécie são considerados, Akagi é capaz de conjurar poderes e agir como feiticeira habilidosa para sua equipe, sendo capaz de proteger a si mesma e seus amados de exércitos inteiros. Com uma mistura de beleza, inteligência, simpatia e força; Akagi chama a atenção de muitos homens despertando os desejos e vontades mais profundas. É a responsável por treinar todos os Fire Tales e especialmente Mikau nos Seis Meses de Treino de Luke Wallers. É considerada uma divindade por muitos, e Aerus visa protegê-la como um ícone de toda uma geração. Em algumas terras do leste, é conhecida como Imperatriz.

TRIVIA
  • Akagi foi desenhada ao mesmo tempo que Mikau em sua forma de Kingdra;
  • É possível notar que os estilos de roupa e acessórios presentes em ambos os personagens são similares, tornando este um padrão para os Kingdras;
  • É o primeiro e único Pokémon Shiny da fanfiction;
  • Akagi foi baseada em uma Kingdra, também Shiny, dos jogos de Litos;
  • O nome Akagi é baseado em um navio porta-aviões, uma importante peça na segunda guerra mundial e tendo tido participação no ataque ao porto de Pearl Harbor. A perda do Akagi e de três outras embarcações foi uma derrota estratégica crucial para o Japão, e contribuiu significativamente para a vitória final dos Aliados no Pacífico.

Living Again


Ex Elite 4: O Fim de um Legado

Parte 4

Agora que ele estava ali, tomar decisão alguma parecia mais difícil do que imaginava. Com a adrenalina diminuindo, a tensão desaparecendo, e a ansiedade aumentando cada vez mais, Erick pensou se realmente deveria aparecer naquela cidade após tanto tempo.
Dez anos.
Quase dez anos sem dar sinais de vida. Dez anos sem olhar no rosto de alguém, e ignorando qualquer possibilidade de encontro, desligando os telefones, trancando a porta de casa e passando para o outro lado da rua ao ver um conhecido, negando aqueles que o procuravam. Erick vinha guardando cada sentimento em uma caixinha tão remota quanto qualquer tesouro secreto; mas um tesouro egoísta, provavelmente orgulhoso demais ou receoso de sua descoberta. Acima de tudo, um tesouro que tem medo de ser encontrado.
O que será que havia mudado em todo aquele tempo? Será que, de fato, reconheceriam ele?
Twinleaf era um vilarejo com poucos habitantes, todos os vizinhos se conheciam e emprestavam uma colher de açúcar para o amigo que morava ao lado. Erick sentia um imenso desconforto em voltar para aquela cidade, afinal, fora ali onde começara sua aventura, onde vivera tanto tempo com sua família verdadeira que agora sequer demonstrava interesse em acolhê-lo quando mais precisou. Ao menos, a nova família que ele conquistou poderia ser diferente.
A Ex-Elite por muito tempo foi um dos poucos lugares onde Erick sentiu-se seguro. Lá, ele dormia debaixo do berço de Melyssa ouvindo a voz suave de Selena num cântico lento e contínuo ao seu lado. Sabia que todos os dias Walter estaria ali para protegê-lo, enquanto Glenn e Marshall sempre seriam seus irmãos mais velhos insuportáveis que nunca o deixariam em paz. Ah, sim. Aquela era a sua família, era por ela que esperava lutar e redimir-se de todos os erros somente para tê-la de volta.
— Maldição, mas por que isso tudo parece tão difícil?
Erick estava ali, de frente ao chalé onde Walter e Melyssa viviam.
A porta parecia nem estar trancada, pois os habitantes de Twinleaf viviam em tamanha paz e harmonia a ponto de que se sentiam seguros em dormir com a janela aberta.
Sua mão foi em direção da maçaneta, e então parou.
Largou-a, coçou a cabeça, e tentou mais uma vez, em vão. Afinal de contas, por que estava ali? Será que Erick esperava abrir a porta e deparar-se com seus amigos mais queridos, todos esperando-o de braços abertos como um filho pródigo que retorna após ter aprendido a lição?
Largou a maçaneta novamente. Respirou fundo e olhou em volta, vendo se alguém o observava. Não queria ser notado por ninguém. Quando voltou a segurar na maçaneta, sentiu uma coceira subir-lhe o braço e imediatamente a largou. Bateu os pés com força mas em silêncio, deu algumas voltas no mesmo lugar e murmurou palavras que nem mesmo ele saberia reconhecer.
Queria tocar a campainha, mas percebeu que eles nem possuíam uma. Teria que bater na porta como um namorado carente tenta acertar as contas com sua garota. Por fim ergueu a mão, sentiu que todo o universo o observava, esperando apenas que ele desse uma batida e entrasse, mas Erick nada fez.
Pegou sua mochila, e foi-se embora.

Por que será que o encontro com os Irmãos Wallers mexera tanto com seus sentimentos? Eram dez anos longe de qualquer contato, dez anos sem ver uma pessoa lhe dava as dúvidas se ainda poderia considerá-lo, de fato, um amigo.
Agora Erick estava sentado em um banco da praça, cercado por árvores e Starlys famintos que se aproximavam dele na esperança de receberem uma pipoca.
Ficou tanto tempo ali sentado que os passarinhos se acostumaram com ele. Nem percebeu as horas se passarem, e logo o sol estava a seu pico. Ainda nem tinha almoçado, mas decidiu que só iria embora depois de bater naquela porta, entrar naquela sala, e liberar tudo que estava guardado até então. Tinha medo da reação, tinha medo de não ser aceito.
Lembrava-se como as crianças de seu tempo tinham medo de “Walter, o Eterno”. Diziam ser um velho maldoso, gordo e barbudo, cara de mafioso. Andava sempre com seguranças e detestava crianças birrentas que iam desafiá-lo. Erick foi o primeiro a ignorar todos aqueles boatos e tentar tal feito, e derrubando sua Muralha de Ferro, percebeu que na verdade no fim dela vivia apenas um pai carinhoso e risonho, que na vitória ou na derrota lhe esticava a mão e dizia:
— Vamos tentar mais uma vez?
Tinha aprendido a amá-lo, respeitá-lo. Se até hoje Erick sentia que não tivera um pai, então ele havia encontrado naquele senhor a figura do homem que desejava ser quando crescesse. Olhava para ele com orgulho, e lembrava-se bem daquela voz mansa, dos olhos cansados sempre dispostos a dar-lhe atenção. E o jovem Erick adorava jogos de tabuleiro, quando desafiava o velho Walter ganhava de lavada e se auto intitulava o “Campeão dos Jogos”. Como é que aquele velhote nunca aprendia? Oitenta e nove partidas, oitenta e sete vitórias. Ah, bem, duas delas ele havia deixado que Walter ganhasse, até para que sua humilhação não fosse tão grande.
Por um instante teve medo de não encontrá-lo mais lá, sentado em sua velha poltrona assistindo as notícias da tarde.
Erick respirou fundo e voltou a caminhar em direção da pequena casa dos Wallers, e mais uma vez, deparou-se com sua maior inimiga logo adiante.
Nos encontramos de novo — sussurrou ele, em direção da porta.
Você não vai me abrir — caçoava ela. — Você tem medo. Se sua presença não foi necessária nesses últimos 10 anos, que diferença faria se você surgisse assim de repente?
Não espero ser aceito, não espero pedir uma nova chance, e não espero ter minha vida antiga de volta. Quero apenas aliviar tudo que estava preso aqui dentro, todas as palavras, dor e sentimentos que venho guardando. É muito peso para um ser humano normal como eu. — O rapaz assentiu, encarando friamente aquela porta que teimava em não permitir que ele entrasse. — Tudo que eu vivi continuará guardada aqui dentro, para sempre. Não mereço a chance de viver tudo aquilo novamente...
Erick segurou a maçaneta, mas sempre que fazia aquilo parecia sentir um choque passar por seu corpo fazendo-o largá-la imediatamente como se uma barreira o proibisse de entrar.
Está vendo? Vê? Vê? Ninguém quer você por aqui — disse a porta.
Mas Erick ficou frustrado o bastante para apontar em direção dela, erguer o indicador e engrossar a voz em seus próprios pensamentos.
Vá embora, pensamentos abomináveis. Vocês têm me atordoado demais nessa última década, não permitirei que levem a palavra final!
Uma guerra estava sendo travada ali, uma batalha contra seu interior que vinha assombrando sua vida. Tirava seu sono, puxava seu pé ao anoitecer. Olhava-o pelo reflexo do espelho com olhos vermelhos e sussurrava bem baixinho: Ninguém quer você. Ninguém quer você. Vai pagar por todos seus pecados, há certas coisas nessa vida que jamais possuem perdão. E você errou, vai ter que pagar.
O garoto encolheu-se em seu canto, levou a mão até os ouvidos desejando que as vozes sumissem dali, deixassem-no em paz. Tudo ficou escuro e pesaroso, até que uma mulher de branco apareceu, tocou em seu ombro e perguntou:
— Erick?
O rapaz virou-se surpreso no instante que ouviu aquela voz tão doce e familiar, e por um instante todo o universo ao seu redor voltou ao normal.
Melyssa estava ali, no quintal, com um balde de roupas sujas em mãos e um avental com as marcas do almoço da última manhã. Seus cabelos ondulados brilhavam no vento, e ela parecia não ter envelhecido nada naqueles últimos anos. Estava ali uma mulher que derrotara o tempo, quanto mais os anos se passavam, mais conservada ela ficava como uma velha mobília que carece de cuidados, mas nunca sai da moda.
Os dois trocaram olhares longos e pesarosos. Era agora que Erick tinha de tomar uma atitude, dizer alguma coisa! A princípio Melyssa deu uma risadinha, mas ela apenas acenou em direção dele com a cabeça e confirmou:
— Entre. Está aberta.
Todos os pensamentos horríveis haviam desaparecido. Toda a dúvida em seu coração tinha sido amenizada. Depois de dez anos longe, seu primeiro contato com sua velha mãe de criação seria daquele jeito? A verdade é que parecia que ele nunca tinha saído, pois Melyssa agira exatamente como se recebesse seu filho depois da aula. Ela caminhou para a porta de entrada, beijou Erick na testa, e entrou.
O rapaz foi entrando no chalé, muito menor e mais humilde do que as mansões que ele costumava visitar quando a Ex-Elite estava em seu auge, mas ainda assim, trazia toda aquela velha sensação aconchegante e receptiva que ele só podia sentir quando estava com eles. Era como se o próprio ar o abraçasse e sussurrasse: Bem vindo de volta.
Lançou um rápido olhar por todo o ambiente, mas seus olhos pararam exatamente em uma poltrona clássica, do outro lado da sala.
Era ele.
A televisão estava ligada nas notícias, e um homem velho e barbudo assistia tudo com o controle em mãos. Sua esposa foi em sua direção e sussurrou-lhe algo no ouvido, de maneira que o homem se virasse lentamente com a poltrona em direção do ilustre visitante.

Walter Wallers, ex-campeão de Sinnoh. O homem que Erick mais respeitara e apreciara durante toda sua vida. Estava um pouco fora de forma, e tinha envelhecido muito. Os cabelos brancos cobriam sua cabeça, e era ainda mais difícil escondê-los no cavanhaque. Estava mais barrigudo, de fato, as sobrancelhas caídas ainda transmitiam a mesma sensação cansada que ele sempre tivera quando voltava de um dia duro de trabalho, embora suas marcas de expressão estivessem bem traçadas, para o jovem aquilo tudo era um sinal de que ali estava um homem que sorria muito; e o interessante é que agora ele tinha uma expressão que Erick vira uma única vez. Walter parecia calmo. Sereno. Como se não estivesse preocupado com absolutamente nada naquele mundo.
— Chegou para o almoço, hm? — sorriu Walter, coçando a barba.
Erick mal vira o tempo passar, e notou de imediato que enquanto lavava as roupas Melyssa havia deixado a mesa pronta com quatro lugares dispostos, e comida quentinha já saindo do forno. A mãe imediatamente entrou na cozinha e colocou um novo prato na mesa.
— O Glenn e o Marshall estão vindo hoje mesmo para almoçar, parece que você escolheu um bom fim de semana para fazer uma visita, Erick! — disse Melyssa com aquele costumeiro sorriso encantador em seu rosto.
— Glenn? Marshall? — Erick indagou trêmulo, como se não acreditasse naquela coincidência.
Sentiu alguém se movimentando logo atrás dele, na porta de entrada onde passara horas pensando se deveria bater nela ou não.
Glenn Combs estava ali, com um velho boné torto em sua cabeça e seus óculos escuros na pose sempre animada que costumava manter. Estava mais barbudo, mas era outro que deveria ter parado no tempo, quarenta e poucos anos com jeito de moleque. Já Marshall mantinha o porte sério, a cara fechada, as sobrancelhas franzidas e o terno preto sempre limpo combinando com o chapéu de porte elegante que carregava. Era raro vê-lo realmente surpreendido, e naquele instante sua reação fora impagável.
Erick virou-se bruscamente ao vê-los logo atrás.
— Cara. Mano. Maluco, eu não acredito... É o Erick — disse Glenn, não acreditando no que via.
— Parece que ele voltou — Marshall respondeu com um raro sorriso em sua figura negra e sempre fechada.
Glenn deu um pulo em direção do rapaz, bagunçando seu cabelo e dando soquinhos em seu braços.
— Ahh, moleque!! Como tu cresceu, olha só o seu tamanho! E engraçado, acho que a gente envelheceu também, mas ainda sinto que você é tipo o moleque da família!! Como é bom de te ver, guri. Que visita inesperada!
— Ultimamente criamos o hábito de voltar a almoçar na casa do senhor Walter aos sábados, eu só não sabia que você também tinha aceitado o convite — respondeu Marshall, retirando o blazer e guardando-os no mesmo cabide de anos atrás.
Erick estava sem falas. Vivera tanto tempo sozinho que apenas seus pensamentos ou empresários costumavam respondê-lo, mas por um instante ele foi capaz de reviver os melhores anos de sua vida. Ele observava tudo trêmulo, toda aquela nostalgia o envolvendo e a sensação de se aquilo era realmente real.
Foi então que sentiu um toque pesado, e aquilo de fato era bem real. Walter estava ao seu lado, agora olhando-o frente a frente, e não de cima a baixo como costumava fazer com a criança que vivia sob seus cuidados. Ambos estavam quase na mesma altura, e se encaravam de igual para igual. Walter não deu broncas, não fez perguntas, não fez nada. Agiu como se os últimos dez anos não passassem de um pesadelo ruim que um dia viria a terminar, e esse dia havia chegado.
Ele simplesmente revelou aquele seu velho sorriso, tão antigo quanto as rugas ou os fios brancos que vinham crescendo, e falou:
— Bem vindo de volta, filho.
Com o fim dos tempos ruins, uma nova aurora estaria começando. O que começou como um sonho, passou por seus piores dias até terminar no despertar da vida, naquilo que realmente acontecia à sua volta. Erick sentiu mais uma vez que todas as suas emoções se misturavam e seus olhos incharam. Começou a chorar mais do que nunca. Levou as mãos até o rosto por ter vergonha de mostrar aquilo.
Foi então que recebeu um abraço de Walter, enquanto Glenn e Marshall também iam em sua direção para consolá-lo, seguido de Melyssa que com seu coração de mãe sempre fazia caber mais um. Não podia acreditar que regressando ao lar seu pai iria abraçá-lo, e sem perguntar o por quê. As lágrimas corriam e salgavam seu rosto, a voz trêmula e arrependida mal encontrava a maneira certa de se organizar, e numa tentativa ou outra, acabou dizendo a frase que estava presa em sua garganta até hoje:
— Me desculpem, me desculpem por tudo. Por favor, me desculpem por não ter compreendido, por não ter acreditado, por ter sido ingênuo e infantil, pois naquela época eu não compreendi que aquilo que me mantinha respirando eram vocês. Me desculpem...
— Ihh, rapaz. Pega mal um homem desse tamanho chorando! Vamos lá, parceiro, se você fizer a gente chorar também vão colocar a culpa em você, e se a Melyssinha chorar de emoção, eu acabo contigo — disse Glenn com uma risada.
— Deixe disso, Glenn. Todas as lágrimas de dez anos estão sendo despejadas em um dia, era muita coisa guardada — respondeu Marshall com uma mão no bolso e a outra no ombro do jovem. — Deixe-as dizer o que procuram.
Quando a tristeza passou, Erick percebeu que as lágrimas não exalavam mais tristeza. Tudo que era ruim já havia sido mandado embora, e agora a felicidade derramava de seus olhos como uma fonte que jamais secaria.
Melyssa serviu a comida na mesa de almoço, e teve a impressão de que Erick iria chorar o tempo inteiro, mas agora ele sorriu, conversava e ria, poupando todo o tempo que lhe fora tirado desde que quando a Ex-Elite terminara. Estavam todos ali, sua família. Podia não ser de sangue, mas era de uma aproximação muito maior do que isso.
Melyssa beijou-lhe no rosto suavemente e foi caminhando até o criado mudo ao lado da televisão na sala. Ali havia uma foto de todos eles. Dez anos atrás. De sua equipe completa nos tempos áureos da Ex-Elite e seu eterno legado. A mulher observou diretamente a imagem de Selena, uma linda loira de olhar alegre mas carente, e ao passar os dedos por sobre a foto percebeu que ela tinha algo em comum: Aquele fora o começo, e agora era hora de começar mais uma vez, afinal, o sorriso no rosto de cada um ali presente continuava o mesmo.
— É bom ver nossa família reunida de novo, não é, Selena?
E correu em direção da cozinha para que Glenn parasse de jogar almôndegas na cabeça de Erick.

Machado, o Grande Sábio





A Destruição do Conselho das Guildas

Machado é o Alakazam do ex-campeão Walter Wallers. Conhecido por sua sabedoria extrema e por não manter-se quieto quando deveria, era um grande crítico e ganhou fama conseguindo comunicar-se com seu treinador para que ele soubesse exatamente do que precisava. Desde que era um jovem Abra Machado passou a interessar-se pela cultura dos humanos, e estudando-a minuciosamente começou a escrever livros para Pokémons ensinando seus companheiros de equipe a técnica para o conhecimento supremo: A ligação onde Treinadores e Pokémons tornavam-se um espírito único em batalha. Por ser um inovador inigualável, alcançou um enorme descontentamento por parte do Conselho das Guildas, que desejavam acima de tudo silenciá-lo. Machado continuou a ir além até descobrir e revelar todos os defeitos e corrupção contidos no conselho  que resultaram no início de sua destruição.

Dizem que os mandantes do conselho contrataram Luna para que ela eliminasse Machado, após cumprida a meta eles  a absolveriam à pena de morte e dariam poder e influência para a moça, que se tornaria uma das principais encarregadas pelo continente. Luna eliminou Machado quando teve a chance, mas a moça era reconhecida por ser uma figura ambiciosa e traiçoeira, e no fim acabou por juntar-se à Ereon onde eles se uniram para a demanda rumo ao Distortion World, com o objetivo de resgatar seu companheiro do mundo dos mortos. Ao trazê-lo de volta, juntos, Luna e a guilda Legacy foram os responsáveis por derrubar o governo corrupto de seu tempo, trazendo uma nova Era de responsabilidade e compromisso para as guildas do Mundo Pokémon. Machado já dizia que "O único conselho de Pokémons que deve existir é o das criaturas lendárias. Apenas eles, e exclusivamente eles, devem ter o direito de criar e estabelecer as regras para a natureza dos Pokémons. Nenhuma equipe que se intitula poderosa e influente tem o direito de criar e impor tais direitos".

Machado assumiu a cadeira principal e por um curto período de tempo se manteve na liderança, conforme o tempo passou ele optou por desmanchar o conselho e todos seus ideais. Por esse motivo não há nenhuma equipe que se coloque acima de outras guildas, impondo regras e vontades como desejarem. As guildas simplesmente existem como corporações do mesmo ofício, sem que sejam obrigadas a obedecerem ninguém. Sua maior essência é serem livres.

Biografia

Seus livros ainda são lidos por toda uma geração de Pokémons que tentam compreender a língua humana, levando seus ideais para a criação de um mundo melhor para todas as espécies. Machado carrega duas espadas e tem o poder de controlar objetos com sua mente. É um dos guerreiros mais respeitados de sua guilda, e pioneiro no ensinamento da leitura para guerreiros. Deixou muitos manuscritos e pergaminhos, sendo considerado uma figura lendária pela academia de letras de Sinnoh. Ainda é um integrante da Legacy, mas costuma desaparecer por longos períodos antes de voltar com novas histórias para contar.

Trivia
  • Machado é baseado em nosso supremo e adorado escritor, Joaquim Maria Machado de Assis. Vocês adorariam ter aulas de literatura com um professor desses kk;
  • O Alakazam de Walter foi visto pela primeira vez em uma imagem da postagem "Effort Values", do Guia do Treinador. Ele não teve nenhuma aparição na História Central;
  • Dizem que Luna era apaixonada por Machado quando ambos eram mais novos, porém, tendo a imortalidade a moça permaneceu sempre jovem, enquanto ele envelheceu;
  • Talvez pelo fato de Luna amá-lo tanto ela acabou matando-o. Ela sempre foi uma moça problemática e de sentimentos confusos, nunca foi uma boa ideia apaixonar-se por ela. Bem, mas são apenas boatos;
  • A ideia do "Conselho de Guildas" tratava-se de uma seleção de integrantes Pokémon que se uniram, colocando-se no direito de dizer como as espécies deveriam agir. Tais regras podem ser citadas, como por exemplo o aprendizado de mais de 4 movimentos, ou a capacidade de 6 integrantes por equipe. O ideal desses Pokémons corruptos era mudar esses direitos, e por isso eles foram desmascarados e derrotados. Atualmente nenhum conselho rege o Mundo dos Pokémons.

Bartolomeu, o Sonhador





A História

Bartolomeu é o Hippowdon de Glenn Combs. Também conhecido por ser o braço direito de Ereon, e imediato da Legacy em seus dias de ascensão, é o mais velho amigo de que o Salamence tem conhecimento. Era reconhecido por não levar a sério seus ideais e preferir divertir-se a comandar seus exércitos. Ganhou  apelido de "O Sonhador" por ter realizado o sonho de três de seus amigos, e desde então passou a ser considerado quase que uma divindade lendária pelas pessoas a sua volta, mas tudo não passou de mera coincidência. É conhecido por nomes diferentes em cada região, uma vez que costuma trilhar diferentes rotas do mundo, sem rumo, buscando apenas divertir-se e aproveitar a vida. Já foi chamado de "O Alto" no leste, por sua altura considerável; e também como "Sem Coração" no oeste, por nunca ter sido visto sendo derrotado em batalhas diretas. Isso foi a base para a teoria de que Bartolomeu arrancou o próprio coração para tornar-se invencível (o que não passa de velhas histórias. 

Ao sair da Legacy fundou a própria guilda chamada Sand Dream ao lado de alguns poucos velhos companheiros, e, desde então, viaja com sua trupe de motociclistas com o necessário para seguir om a vida, explorando o mundo  conhecendo pessoas e novos lugares. Porém, jurou que no dia em que Ereon precisar de sua ajuda, ele lá estará.

Biografia

Bartolomeu é apenas um homem velho, rabugento e apreciador de músicas. Sempre vestido com seus óculos escuros, além de ter o charuto em mãos capaz de criar um oceano de areia se bem desejar,  que lhe dá total domínio sobre os movimentos Ground-type. É um guerreiro poderoso dos tempos antigos, e mesmo não levando as batalhas muito a sério é reconhecido por ser misericordioso e leal. Provou ser um grande publicitário, o que puxou de seu treinador, Glenn. Era o responsável por fazer a imagem de sua guilda com anúncios e propagandas na mídia, sempre teve muita influência levando jeito para lidar com pessoas e Pokémons. Mesmo sendo paquerador e galanteador, é um dos poucos velhos de sua equipe que continuaram solteiros até então. Bartolomeu é o melhor amigo de Ereon, e sempre que possível faz visitas para seus velhos companheiros.

Trivia
  • A aparência de Bartolomeu teria sido desenhada baseada em vestes árabes, com turbantes e calças largas. Mais tarde foi substituído pelo estilo motociclista de velhinhos com motos Harley Davidson.

Don 'Godfather' Corleone


Guilda, Família e Influência

Sendo considerada uma das guildas mais respeitadas da atualidade, a Sicília Italy ganhou renome por ter feito parte de uma importante aliança de guildas da década passada, que juntas formavam a imbatível Legacy. Com o fim do império do campeão, as guildas que a constituíam se separaram, mas Godfather se manteve no ramo.

Don 'Godfather' Corleone é seu líder absoluto, e mesmo com a idade avançada continuou atuando e defendendo os ideais de sua família. Discreto e sagaz, mesmo aposentado foi eleito como o mais velho e influente guerreiro da região, e mesmo que não participe diretamente de batalhas é conhecido por ser um exímio estrategista, praticamente inalcançável pela mídia, competente e persuasivo, uma vez que seus espiões e familiares estão infiltrados por todos os lados.


Godfather é reconhecido também por ser um dos guerreiros que há mais tempo vêm atuando no ramo. Sua guilda é composta praticamente por sua família, onde cada integrante é tratado com carinho e respeito, contanto que jurem fidelidade às causas do poderoso chefão da máfia. Traidores são recompensados com a expulsão, e até mesmo a morte. Possui associados importantes, sendo que seus dois assistentes mais confiáveis são Francesco D'alviano, o Weaville; e Salvatore Rossi, o Tyranitar. Al Capone é um dos cinco filhos de Godfather, e o mais novo da família. É competente, confiante e leal à causa de seu pai, tanto que foi o escolhido para sair em missão ao lado de Lukas Wallers. O problema é que Al têm se envolvido de tal maneira com a Fire Tales que passou a não ter tempo para se dedicar à Sicília Italy, a menos que abrisse mão de Lukas e de seus companheiros.
Com a idade avançando, o posto de chefe da família é uma das decisões que Godfather tem de deixar para seu sucessor. Ainda assim, seu intuito não é forçar seus filhos a decidirem algo, uma vez que Don pretende viver mais mil anos antes que alguém o derrube e que ele se encontre obrigado a deixar que sua família passe adiante seu legado.

Biografia

Godfather é um homem respeitado, retórico e direto. Ama, acima de tudo, sua família, e por esse motivo não queria que nenhum de seus filhos assumisse o controle da máfia. Elimina seus adversários com um estalar de dedos e uma simples ordem, tem mais contatos pelo mundo do que o próprio governo. Até mesmo os membros da Elite preferem não envolver-se em seus planos e deixá-lo a sós com sua família para que faça o que bem entender. Don possui muitos contatos entre policiais, juízes e advogados. Envolver-se com Godfather é como acender uma fogueira na escuridão, todos ficarão sabendo e procurarão saber quem foi o responsável. Dentro da Sicília Italy seus integrantes são tratados como uma família, onde o respeito e a lealdade prevalecem em todos os sentidos. Possui quatro filhos e uma filha. Do mais velho para o mais novo segue abaixo: Virgil Sollozo, Clemenza, Bonasera, Carmine Cuneo e Al Capone.

Trivia
  • A aparência e personalidade de Godfather são baseadas no próprio personagem de mesmo nome, Don Vito Corleone, de uma das trilogias de gangsteres mais famosas da história, "O Poderoso Chefão";
  • Não havia intenções em deixar o personagem parecido com um Honchkrow;
  • Enquanto Vito Corleone é uma figura fictícia, Al Capone foi um gangster que realmente existiu, atuando nas décadas de 20 e 30 com contrabando de bebidas durante a lei seca nos Estados Unidos;
  • O nome de seus cinco filhos são citações à personagens do primeiro filme de "O Poderoso Chefão";
  • "Eu vou fazer-lhe uma oferta que você não pode recusar" é uma das frases mais célebres do personagem;
  • Godfather é o integrante que mais têm aparições especiais na fanfiction dentre os demais membros da antiga Legacy.

Njord, o Viking



A História

Njord, o Viking, é o poderoso Mamoswine de Melyssa. Considerado por muitos um dos guerreiros mais fortes e famosos da Legacy, também tornou-se um dos ícones para os Contests em seu tempo, tendo sido agraciado com o título de Top por suas habilidades tão peculiares  sua persistência em apresentações. Inicialmente foi um dos maiores rivais de Ereon nas batalhas, mas sob recomendação de Renée passou para o ramo das apresentações onde brilhou como ninguém teria imaginado.

Era considerado um bárbaro desengonçado e grotesco, porém, em sua busca por fama Njord provou exatamente o contrário. Nas batalhas era conhecido como o "Senhor das Tempestades", mas em competições tornou-se um dançarino nato, além de ter uma incomparável habilidade com as mãos. Foi um dos criadores de apresentações como o "Cavalo de Gelo" onde ele esculpia a estátua de uma Rapidash dentro de poucos minutos, e foi condecorado com o prêmio de pés mais bem cuidados da década. Inclusive, sua esposa o escolheu em uma competição onde se podia apenas ver os pés dos competidores. Foi um dos membros mais ativos da Legacy, e lutou muitas batalhas a favor da guilda.

Após sua aposentadoria das competições passou a criar um desgosto semelhante a Renée, invocados pela imensa quantidade de regras e exageros aplicados nas mesmas.
Foi o responsável por recrutar Watt para a Fire Tales no Valley Windworks. Njord viu nele não apenas o potencial para ser um grande competidor, e sim, para ser alguém que ainda viria a mudar o mundo e resgatar a verdadeira essência das competições das décadas passadas.

Biografia

É carinhoso e bondoso, muitas vezes até brincalhão. Adora comer, rir alto e beber com os amigos; mas ao contrário de muitos homens ele costuma arrumar toda a bagunça causada após o término de suas festas, pois detesta que suas coisas fiquem desorganizadas. Sua esposa é uma linda Rapidash, e Njord costuma regressar à suas terras no norte, fazendo viagens ocasionais para a guilda que frequentava somente para vê-la, mas mesmo assim continua sendo considerado um membro ativo da Legacy. É um famoso artesão, e manufatura muitos objetos com as próprias mãos. Costuma passar sua arte adiante provando que Pokémons fortes e brutos também podem participar de Contests, mesmo que a maioria não lhe dê muita atenção em Sinnoh. Ainda assim, Njord sempre está disposto a ajudar o próximo com muita devoção.

Trivia
  • O nome Njord vem da miologia nórdica, onde Njord é tido como o deus vanir dos Mares, do vento e da fertilidade;
  • A aparência de Njord é baseada no estilo e características de vikings, nórdicos e escoceses, e também de personagens dos filmes Como Treinar seu Dragão e Valente;
  • A citação que diz que a esposa de Njord o escolheu vendo apenas seus pés é como dito na mitologia nórdica, onde Skadi, a deusa do Inverno e da Caça, escolheu o pé mais belo dentre todos e selecionou os de Njord, sem olhar-lhe o rosto. O resultado dessa união foram as estações do ano.

Luna


A História

Luna, a Gengar, foi uma das maiores inimigas da guilda Legacy. Líder de uma equipe obscura com propósitos maléficos e incoerentes, ela lutou para derrubar o título do campeão na tentativa de humilhá-lo em frente a toda uma nação. Porém, em sua busca por poder, Luna foi derrotada por Don 'Godfather' Corleone no torneio mais importante da temporada, e eliminada da competição em seu auge, antes mesmo de poder confrontar o grandioso Dragão detentor do título. Mais tarde ela planejou um assassinato ao líder Ereon, mas fracassou pela astúcia de seus oponentes. Matou dois importantes guerreiros da Legacy, e um deles inclusive era um dos melhores amigos de Ereon. Com isso, Luna foi condenada à pena de morte pelo Conselho do Mundo Pokémon.

Mais tarde, apesar de todas as controvérsias entre ambos, o próprio Ereon sugeriu que enviassem Luna ao purgatório para trazer seu amigo de volta e receber uma segunda chance. Mesmo que contra sua vontade, Luna juntou-se aos guerreiros da Legacy em uma demanda rumo ao Distortion World onde eles foram capazes de trazer seu velho companheiro de volta e enfrentaram Giratina num jogo de charadas e respostas. Mesmo tendo ido ao inferno e voltado com vida, Luna continuava sendo procurada pelo Conselho das Guildas por tantos outros crimes cometidos, então Ereon convidou-a a participar da Legacy onde prometeu que ela teria a chance de agir como uma de suas integrantes oficiais e mais poderosas, se prometesse comportar-se.

Luna era uma mulher gananciosa, obsessiva e traiçoeira. Líder da ex-guilda My Beautiful Dark Twisted Fantasy, foi reconhecida como uma das guerreiras mais eficazes e poderosas daquele tempo. Estava sempre buscando uma forma de fazer seus adversários sofrerem, e deixava sua marca de crueldade em combate. Quando foi condenada a pena de morte sua guilda foi banida e todos os integrantes caçados e exterminados, mas Luna teve a chance de tentar mais uma vez se aderisse aos propósitos da Legacy. Ficou ao lado de Ereon até o fim de seu império.

Biografia

Dona de um lindo sorriso, Luna sempre era cantada pelos membros de equipe, tendo desenvolvido uma rivalidade mortal com Godfather, mas seu verdadeiro interesse era em guerreiros como Ereon. Tanto que ela tentou assassinar Ereon cinco vezes. Foi agraciada com o poder da vida eterna, onde sempre seria jovem enquanto seus amigos envelheceriam ao seu redor. Mesmo após tanto tempo, e com todo o Conselho de Guildas desmembrado, Luna teve a chance de fugir e voltar a recrutar uma equipe para destruir o império de Ereon. Porém, o tempo passou e ela percebeu que não havia mais motivos par destruir algo que já estava acabado. Na atualidade ela tornou-se uma das integrantes mais poderosas e reconhecidas da Legacy, onde continua planejando seus ataques ao velho Ereon, mas ama sua equipe desde quando ainda era obrigada a fazer parte dela. Quando tudo terminar Luna pretende entregar-se nas mãos de Giratina e passar o resto de seus dias cumprindo pena pelos crimes que cometeu, mas, enquanto tiver a chance, será uma das foragidas mais procuradas da história. 

Trivia
  • Luna é uma das personagens mais baixas entre as personagens femininas. Sua altura seria de 1,55m (a altura de Litos, se quer saber);
  • My Beautiful Dark Twisted Fantasy é o nome do quinto álbum de estúdio de Kanye West;
  • O nome Luna foi escolhido por conta de uma magia negra de mesmo nome presente nos jogos da série Fire Emblem, e também da personagem de Harry Potter;
  • Em sua primeira aparição no Capítulo 65 Luna fez presença em sua forma gijinka, e não como um Pokémon. Derrubou Coffey, Wiki e Vista em combate;
  • Apesar de ter entrado em batalha, o nome de nenhum ataque seu foi revelado;
  • Por algum motivo, tenho a impressão de que ela e a Wiki poderiam ser grandes amigas. Hah, hah, hah... Tá, parei.

Renée Whitecloud




Renée Whitecloud é a esposa de Ereon, e foi em seu tempo um dos maiores ícones de sensualidade e carisma do Mundo Pokémon. Foi também uma exímia competidora de torneios, onde por muito tempo lutou contra as diferenças sociais e o preconceito ao lado de sua treinadora. Mesmo não sendo voltada estritamente para o rumo de batalhas, Renée fazia parte da guilda Legacy, onde acabou por apaixonar-se por seu líder e conquistar seu coração. Foi alvo de críticas pesadas pela decisão, e por muito tempo eles tiveram de manter seu amor oculto, principalmente pela grande influência de Ereon na mídia com seu posto defensor do título de campeão.

Sempre foi uma mulher carinhosa e conceituada. Inteligente, amante dos livros e do aprendizado, inclusive foi a professora de Ereon na demanda de um pequeno Bagon que desejava aprender a ler. Mesmo sendo um pouco mais velha do que o homem (como de costume por essas bandas) acabou conquistando o coração de seu pequeno estudante a partir daí, que com muito treino e esforços tornou-se um renomado guerreiro dos Dragões. Mesmo com sua beleza esvaecida, Renée ainda aparenta muito mais nova do que realmente é, apesar de sua idade verdadeira ser um mistério. Recebeu diversas premiações e honrarias sendo considerada por muitos a mais bela competidora de sua década, tornando-se um ícone das competições. Foi agraciada com o título de Top ao lado de sua Coordenadora até o fim de suas atuações para o públco, porém, afastou-se severamente dos Contests por odiar as mudanças feitas com o passar do tempo. Atualmente guarda uma imensa frustração quanto ao caminho que tais competições tomaram, não concordando com muitas das propostas e regras impostas sem sentido, como a proibição da mistura de classes sociais. E por conta disso, passou a desejar profundamente que um dia surgisse uma guilda capaz de reverter tal situação, voltando a tornar as competições o que elas já foram no passado.

Renée passou a viver em uma pequena cabana ao lado do marido Ereon, o estudante pelo qual se apaixonou. Renée sabe como colocá-lo na linha e foi a responsável por não deixá-lo sucumbir à depressão em seu período de decadência, quando ele e seu treinador perderam o título de campeão. Graças à sua esposa Ereon tornou-se um guerreiro melhor, e juntos passaram a viver seus dias em uma montanha afastada de todo o mundo, na beira de uma represa onde os pinheiros fornecem sombra e o vento nunca para de soprar.

Trivia
  • As vestimentas da personagem trazem um estilo típico do jogo Zelda: The Wind Waker;
  • O Pokémon Altaria não tinha sido cotado para a equipe de Melyssa até o último instante. Antes da escolha, o Pokémon principal da coordenadora seria um Milotic, que foi eliminado pela presença de Milena na equipe de um dos protagonistas. (Além de que todo santo coordenador tem um Milotic...);
  • Eu fico imaginando como ela seria quando era mais jovem... Será que ainda rola trazer algum desenho dessa nobre donzela em sua época áurea? ♥ *risos*

Ereon



A História da Guilda

Legacy é considerada por muitos a guilda mais poderosa e proeminente a trilhar os caminhos de Sinnoh na Era atual. Detentor de títulos notórios, é comandada pelo lendário campeão Ereon, recebendo troféus, sendo eleita a mais habilidosa e versátil guilda da última década, além de também receber a medalha "Pokémon Friendship" onde o dragão e seu treinador foram eleitos a equipe mais próxima quando atuam juntos.

Ereon caminhou ao lado de Walter desde que era um pequeno Bagon, um imigrante ilegal do continente de Hoenn. Passou a criar fortes laços com seu treinador, lutando muito para alcançar a supremacia. Em seus tempos áureos foi o fundador da maior aliança de guildas de seu tempo, uma parceria formada pelos melhores guerreiros do continente que juntos lutavam para defender o título. Eram os realizadores do conhecido "Torneio das Guildas", onde os humanos se inscrevem e seus Pokémons batalham por uma chance de chegar ao campeão detentor do império. Ereon e sua equipe foram os maiores defensores do título. Foi eleito o "Pokémon da Década" em seus anos de ouro, e por muito tempo considerado um símbolo para todo o continente.

Porém, com o passar do tempo a idade chegou para Ereon e sua guilda. Com a derrota de Walter e a perda do título de campeão ele veio a aposentar-se, almejando viver uma vida tranquila longe de batalhas. A Legacy foi desfeita, mas seus membros continuaram leais à sua causa. Ainda possuem contato com a Sicília Italy e a Sand Dream, mas perderam contato com as guildas Mithirl, após a morte de Selena, e The Rip Tide, após a reclusão de Erick. Os anos passaram para todos os seus integrantes, alguns abandonaram seus ideais e tantos outros foram levados pela idade se aposentando no ramo das batalhas. O tempo pode ter passado para Ereon, mas se um dia uma grande batalha for travada todos seus membros dispersos que juraram lealdade virão a reunir-se para atender a um chamado. A lealdade e a honra são suas maiores características. Hoje a guilda ainda é considerada uma lenda.

Biografia

Ereon, o Salamence, é um homem calmo, paciente e centrado; exatamente como seu treinador. Foi um ávido guerreiro em seus tempos áureos, e mesmo que a idade lhe tenha alcançado ainda sabe manusear uma espada como nenhum outro guerreiro desta geração. Encontrou-se isolado do mundo das guildas para tentar viver ao lado de sua esposa longe da mídia. Casou-se com Renée Whitecloud por meio de um romance proibido, e mesmo depois da queda do posto de campeão ainda é alvo de críticas sobre muitos de seus atos no passado.

Tem o respeito dos mais poderosos guerreiros da atualidade, e ainda exerce grande influência no conselho de guildas se bem desejasse um posto. Foi o pioneiro em diversos aspectos de batalha Pokémon, um dos primeirso no uso da técnica Hydro Pump que mais tarde foi aperfeiçoada por outros guerreiros da espécie dos Bagons. Também lutou por muito tempo com os preconceitos raciais. Mesmo que Ereon e sua esposa sejam de espécies diferentes ele ainda desejou amá-la e viver ao seu lado da mesma maneira. Atualmente, com seu império acabado, é símbolo de sabedoria para guerreiros da raça dos Dragões, um ícone de autoridade, perseverança e força. Foi o responsável por recrutar Aerus para a Fire Tales, e deposita todas as suas esperanças no jovem dragãozinho sonhador, sendo considerado pelo mesmo como um pai.

Trivia
  • A aparência de Ereon é baseada no pai de Canas;
  • Tanto Ereon quanto Walter possuem a aparência e personalidade semelhantes. É como o mesmo personagem em versões opostas no universo da fanfiction, onde um é um Pokémon e o outro um humano. Ambos desempenham um papel paternal para o protagonista do enredo;
  • Ereon teve sua aparência criada em Junho de 2012, mais tarde sofreu uma reforma completa para fitar as novas técnicas e habilidades do autor;
  • Salamence e Altaria fazem parte do mesmo grupo de espécie para cruzamento, o Dragon Group;
  • Ereon apareceu no especial da Ex-Elite Parte 0 e 1 antes de ter seu nome revelado.

Learning


Walter estava a limpar uma das bancadas de sua residência em Twinleaf. Uma estranha cena para quem outrora já fora o maior campeão da região, a figura mais bem vista pela sociedade, símbolo de poder e força, agora, limpando uma das bancadas. Quando se recebia uma tarefa da ditatorial esposa não havia como negar, e por mais que Walter fosse a mais alta figura do passado, certos costumes nunca se perdiam.
       O homem vestia uma regata cinzenta que lhe cobria o corpo bem definido, mas agora marcado pela idade. Coçava a barba de hora em hora enquanto passava o espanador por cima das estantes já limpas, mas quarta feira era dia de limpar a casa, e estando suja ou não, Melyssa o mandaria limpá-la. Por outro lado, o homem não se sentia constrangido por estar em uma situação como aquela, ele até apreciava, pois sempre fora muito centralizado com questões de limpeza e organização.
          De repente, seu celular começou a tocar, uma mensagem havia acabado de chegar. Walter deixou o espanador de lado e pegou o aparelho notando que se tratava de uma mensagem de Glenn Combs, seu velho amigo dos tempos de criança. Walter arqueou uma das sobrancelhas tentando imaginar o motivo pelo qual havia recebido uma mensagem em um dia peculiar como aquele, vendo as seguintes palavras digitadas com cautela pelo companheiro: 


Walter coçou sua barba novamente num sinal pensativo, pensando se alguém havia roubado o celular de Glenn, ou então se por algum motivo algo grave realmente havia acontecido. Pouco depois outra mensagem chegou.


Agora ele tinha certeza de que a mensagem seguia o verdadeiro Glenn. Faltava algumas horas para às cinco, e Walter não perderia a chance de sair para esfriar a cabeça e divertir-se com seus velhos amigos. Aquilo era mais interessante do que as reuniões monótonas do passado, e parecia já fazer meses desde que ele vira seus amigos da última vez. Porém, sua esposa logo desceu de seu quarto com outro celular em mãos.
— Recebeu a mensagem do Glenn? — indagou Melyssa, vendo o marido acenar positivamente com a cabeça — E por quê ainda não foi se trocar?
— Estou ocupado. — respondeu o homem com uma risada cansada — E que poder sobrenatural você tem que permite que você saiba tudo que eu faço?
— Sou sua esposa, ao lado de todo campeão existe uma grande mulher. Vamos lá, você fica aqui enfurnado o dia inteiro, vá divertir-se um pouco!
Melyssa caminhou em direção de Walter, retirou o espanador, e mandou-o sair de lá para se trocar. O homem riu vendo que sua tática havia dado certo, pelo menos ela o dispensara dos serviços, mas logo sua esposa também subiu para o quarto com uma bela notícia:
— Ah, pensando bem, o Glenn também falou que eu deveria ir. Não pense que fugiu de seu dever, a estante é sua quando voltar.
Walter riu, acenando positivamente, afinal, nem sempre o campeão levava a vitória. Sua esposa demorou algumas horas a mais para se trocar, por isso, o casal acabou por chegar depois das seis por mais que Salamance fosse o dragão mais rápido de toda a região. Walter voou discretamente para Hearthome, mas os paparazzi o encontravam onde quer que fosse. Não chegou a conversar com a mídia que se tumultuava em frente ao hotel, ele imediatamente adentrou o imóvel e seguiu até o balcão, perguntando para a recepcionista:
— O senhor Glenn Combs marcou uma reunião comigo. — disse Walter com um ar cortês e decidido.
— Seja bem vindo, Doutor Wallers! O senhor Glenn vos aguarda na adega do salão central, primeira curva a direita. — explicou a mulher.
Walter acenou positivamente e estendeu o braço para que Melyssa o acompanhasse e ambos adentrassem como verdadeiros reis. Alguns nobres da cidade faziam sua estadia no hotel, e se banqueteavam pelas especiarias do cozinheiro local, mas Walter não ficaria no restaurante ao lado de todos os outros convidados, ambos foram levados até a mais bela adega do Hotel Deluxe Heart onde Glenn os aguardava de braços abertos.
— Waltão, meu irmão dos velhos tempos! — disse o rapper, dando um abraço seguindo de leves tapas nas costas do companheiro — Como vai tua vida, manolo?
— Continua seguindo. — sorriu o homem.
Glenn virou-se para Melyssa e fez um cumprimento.
— E a primeira dama, continua tão bela quanto antes!
— Obrigada, Glenn. Certamente, é bom revê-lo. — respondeu Melyssa de forma simpática — Mas diga-me, qual o motivo de tanta urgência? Você me tratou com tanto respeito na mensagem que até cheguei a pensar que fossemos desconhecidos!
— Foi uma brincadeira, Melyssinha. Eu queria mesmo é que vocês viessem porque preparei algo especial. — disse Glenn animado, buscando no bolso as chaves de sua adega particular — Tcharans! Estou dando um tempo do hotel essa noite para receber os grandes campeões, como nos velhos tempos! Fechei só pra nóis!
Melyssa levou sua mão até o rosto envergonhada, mas agradeceu o ato do velho amigo dizendo que não havia necessidade de recebê-los de tal maneira. O lugar era lindo, iluminado por lamparinas de ouro em cor amarelada deixando tudo num tom rústico e exótico. Era como as tavernas de ofício, em cada espaço na parede um vinho diferente fora depositado somando naquele pequeno espaço um valor maior do muitos demorariam uma vida inteira para adquirir. Os estofados eram feitos de espuma, e adaptavam-se conforme o corpo de quem se deitava sobre ele. As taças de cristal haviam sido encomendadas de Hoenn, e Glenn escolheu a dedo uma garrafa de vinho de Liechi Berry, uma das mais caras do mundo. O músico colocou o líquido em quatro taças, e assim entregou-as para seus companheiros.
— Falta uma pessoa para que possamos brindar. — explicou Glenn.
Pouco depois um homem trajado de terno e um chapéu fedora compareceu na entrada com uma expressão de surpresa. Era Marshall, o guardião da quarta casa e líder da ex-elite nos tempos antigos. Marshall olhou para Walter por um tempo, mas em seguida soltou uma risada descontraída.
— Eu sabia que era brincadeira do Glenn... Tanto que atrasei uma hora para vir, mas eu precisava certificar-me se tinham explodido metade do hotel mesmo, não se pode duvidar de nada atualmente. — explicou Marshall.
— Qual é, encontrar-se com os amigos nunca é demais!! — disse Glenn com uma risada, fazendo seus companheiros rirem da mesma forma enquanto ele distribuía as taças de maneira elegante — Vamos brindar à todos nós, à nossas vidas, ao nosso sucesso e à nossa família! Saúde!
Walter tomou um ligeiro gole de forma refinada, apenas degustando do sabor daquele vinho como costumava fazer nos tempos de sua ascensão. Faltava apenas um charuto para que tudo ficasse perfeitamente igual aos dias de sua glória. Glenn afastou-se-se e mostrou uma pedra ornamentada para exatas seis pessoas com poltronas de seda e talheres de ouro.
— Vamos lá, sentem-se, sentem-se! Até parece que não são de casa.
Walter sorriu e pegou um dos lugares ao lado de sua esposa. Marshall ajeito o chapéu e o blazer ao e também sentou-se na companhia da Elite. Glenn fez um sinal para seus amigos e apontou para seu celular no bolso demonstrando desapontamento.
— Eu tentei chamar o Erick, liguei no número que eu tinha dele, mas ele não atendeu. Cai direto na caixa postal, acho que ele mudou de novo. Pedi para que meus assistentes procurassem nas listas telefônicas de toda a região, mas o número dele está fora de ar.
— O Erick ainda mora naquela mesma casa de Sunyshore. — comentou Marshall — É uma pena que ele não possa comparecer, seria bom tê-lo conosco... Quantos anos fazem que não o vemos? 
— Eu não o vejo desde... Presumo que há pelo menos cinco anos. Outro o dia o encontrei em Jubilife, mas ele não deve ter me reconhecido, praticamente passou reto. — continuou Glenn.
 — Sinto falta do pequeno Erick, eu gostaria mesmo é poder revê-lo como fazíamos todos os domingos no café da tarde em casa. — disse Melyssa, olhando para a mesa e notando os seis lugares dispostos. Glenn praticamente tinha feito aquilo de propósito, dois para os campeões e quatro para a Elite, por mais que Erick e Selena não estivessem mais presentes. Era quase que involuntário, por um momento o clima entre os velhos amigos tornou-se sombrio e desanimado.
— Minha surpresa mesmo seria trazer o Erick para que pudéssemos relembrar os velhos tempos, mas acho que seremos só nos quatro. — disse Glenn meio desanimado — Mas nem por isso todo mundo vai ficar aqui parado com essa expressão de Magikarp morto, não é?
— Certamente, nós não deveríamos simplesmente ficar relembrando do passado. Já deixamos isso para trás há muito tempo. — disse Walter — Então, devemos nos servir?
— Sim, sim. É só se levantar e ir lá pegar a comida. Não quer que eu sirva na boquinha, né? — riu Glenn, vendo uma feição espantada no rosto de seus convidados — Qual é, já perderam o carisma de antigamente? É só se levantar e ir pegar a comida, que mal tem nisso?
— Você não muda, Glenn. Nem mesmo a idade exerce poder sobre você, ainda aparenta estar nos seus vinte anos. — disse Marshall.
— Nem me diga, estou beirando os quarentão e sentado numa mesa de gente velha. Com exceção da senhorita Melyssa, é claro. Seus velhotes do caramba!! E se a senhora puder tampar os ouvidos, está faltando umas gatinhas nessa festa, não acha? — disse o rapper.
— Isso me faz lembrar de quando saímos em jornada pela primeira vez... — disse Walter com um sorriso.
— De quando morávamos em Twinleaf e nos apaixonávamos pelas aventuras e apresentações... — continuou Melyssa.
— De quando não havia crimes e nosso único objetivo era se divertir... — respondeu Marshall — Certamente, isso me traz lembranças muito, muito antigas. Mas não deixam de ser, simplesmente, as melhores.
Glenn sorriu, estava feliz por ver que seus velhos amigos não tinham se perdido neste mundo com a ganância de estar sempre no topo. Infelizmente a Era deles veio a terminar, mas nem por isso Walter e sua companhia perderam a simplicidade e a humildade de quando eram jovens. Todos ali presentes não sofriam influência da sociedade e seus regimes, por mais que tivessem alcançado o mais alto posto de sucesso, a alma dos aventureiros jamais desapareça de seus corações.

Cinco Moedas

— Prontinho, doutor. Seu sapato está novinho em folha.
Poupa-me os detalhes daquele lorde, mas lembro-me da cartola quando ele abaixou o jornal, lançou um rápido olhar para os sapatos envernizados, e em seguida voltou a observar aquele garotinho de boina em sua frente. Revelou um sorriso terno, lançou cinco moedas em minhas mãos a que agradeci várias vezes. O homem fez um aceno e ajeitou o chapéu, voltando a caminhar com sua bengala em direção da cidade.
Passei a marcar este como o ponto inicial de minhas aventuras porque foi quando marquei exatamente três anos desde que conheci a Melyssa.
Agradeci as cinco moedas e então fui correndo diretamente para uma área onde havia um riozinho com águas correntes. A cidade de Twinleaf, poderíamos chamá-la de Vilarejo de Twinleaf naquela época, a única cidade que não sofreu alterações com o tempo, sendo que aquele lindo lago continua tão puro e inocente quanto as pessoas que aqui habitam, e com elas, a saudade de uma velha infância num mundo praticamente extinto no sistema capitalista dos dias atuais.
Talvez por conta daquela sensação eu procurei voltar para Twinleaf depois de perder o título de campeão, é em Twinleaf onde nasci e onde passei grande parte da infância. Quando ando pelas trilhas do sul ainda sou capaz de lembrar perfeitamente da manhã em que mostrei as cinco moedas para meu velho amigo Glenn, que mais tarde também viria a tornar-se o terceiro integrante de minha Elite. Mostrei as moedas como se fossem uma arca dourada.
— Olha, Glenn. Aquele homem me deu alguns mangos a mais, daqui a pouco vou poder comprar a minha pokébola.
— Supimpa, Waltinho. — essa gíria me persegue até os dias atuais — Falta muito pra você conseguir comprar agora? Já tem ideia também do primeiro Pokémon que vai capturar?
— Não sei, não quero um Bidoof. Eu queria mesmo era um Pokémon inicial, mas o Professor não me daria um, não. — respondi.
— Falta muito então? — persistiu Glenn.
— Umas trinta moedas. Até o fim de semana eu consigo.
— Vamos até a casa da Melyssa, ela pode tentar nos ajudar de novo.
Glenn era o filho do caseiro da casa de Melyssa. Nós dois éramos filhos de pais sem tantas condições financeiras quanto ela, mas ainda assim o velho Glenn nunca andava mal vestido. Havia juntado dinheiro por vários meses somente para comprar um boné de marca. Estimo em pensar que ele ainda o guarda até hoje, isso se não estiver trancafiado sob sete chaves em um altar de ouro... Ele sempre foi um garoto simples que lutava para ser como as figuras famosas de outras regiões, mas acima de tudo, um jovem que nunca perdeu sua identidade. Nem o dinheiro e nem as influências o tornaram uma pessoa ruim. Alegro-me muito em saber que estivemos lado a lado até o fim, e mesmo após nossa queda, ele manteve-se como um grande empresário. Não apenas isso, e sim, como um grande amigo.
E pensar que estas lembranças tiveram início a partir de cinco moedas...

Glenn trouxera alguns petiscos para seus visitantes, queijos cortados em cubículos e salames da carne mais fina eram separados em um prato de prata ornamentado com a figura de Pokémons lendários dava o ar de soberania e poder. As taças de vinho permaneciam cheias, e ao lado uma caneca já começava a ser enchida com uma leva de cerveja depositadas nos melhores barris, apenas aguardando a degustação dos mais refinados paladares.
          Glenn trouxe dois charutos, sabia que Marshall e Melyssa não fumavam, mas quando se encontrava com Walter aquilo era praticamente indispensável. O ex-campeão tragou e soltou uma bufada de fumaça no ar, mas em seguida Melyssa pegou o charuto e o apagou.
— Pronto, já se divertiu o suficiente. Você está muito velho para essas coisas. — disse a esposa.
— Poxa, Melyssinha. Eu encomendei esses especialmente das ilhas paradisíacas no Arquipélago Laranja! Eles custaram os olhos da cara! — argumentou Glenn.
— Fique quieto antes que eu apague o seu também.
— Sim, senhora.
Walter riu ao admitir a derrota para a primeira dama, ela era a única mulher que dominava toda a Elite e derrubava seu campeão com enorme tranquilidade. Glenn ria e fazia algumas palhaçadas ao lado de Marshall, de fato não havia sequer um segundo que o moreno não parava de sorrir, ele parecia estar mais feliz do que nunca. Logo Walter aproximou-se e chamou por seu nome:
— Glenn, deixe-me perguntar. Você ainda tem aquele seu boné guardado?
Walter não precisou nem explicar qual boné era, Glenn abriu a boca em sinal de surpresa completamente fascinado pelo fato do amigo lembrar-se daquilo e deu alguns tapas no ombro do companheiro.
— Maluco, quanto tempo faz isso? Uns vinte e cinco anos? Na época bonés ainda eram baratos, e pensar que demorei tanto só para comprar aquele. Cara, como tu foi lembrar disso?
— Eu estava apenas parando para repensar em alguns fatos da vida. Acho que esta reunião com o pessoal das antigas trouxe à tona algumas boas memórias. — respondeu Walter.
— Boas memórias? Sua mente está parecendo um museu, e que eu saiba era a Melyssinha que tinha a boa memória. Pergunta aí para ela, aposto que ela lembra a roupa que você usava quando se conheceram.
Walter riu, e sabia que era verdade, mas a memória era um ponto que ele também deveria gabar-se, pois nunca faltava aos compromissos e lembrava-se de como foram seus primeiros dias ao lado de Melyssa. Cada instante fazia tudo parecer um filme em que as lembranças dos velhos tempos passavam como um telão em sua frente.

Os Olhos de Melyssa

Era ela, com seus lacinhos vermelhos, vestido esguio e contemplativo... Um tesouro! Assim que nós dois chegamos aos portões da mansão não precisamos de muito trabalho para pular o muro. Naquela época não havia necessidade de cercas elétricas ou lanças, não havia sequer perigo para se preocupar, a não ser que dois garotos apaixonados representassem alguma ameaça. No andar de cima estava a bela moça de cabelos negros e vestidinho de renda, o meu coração de criança começava a palpitar sempre que via Melyssa pentear os cabelos na janela.
E quem diria que aquela linda moça era uma das figuras mais ricas do vilarejo, e por ser filha do homem de maior influência na cidade ela poderia ter o que quiser. Eu a idolatrava, a achava a menina mais linda de toda a Sinnoh.
— Tchu-tchuca! Aparece na janela para nos dar um “oi”! — essas gírias do Glenn me dão a sensação de vergonha até hoje.
— Vá-se embora, Glenn. — replicou Melyssa — Papai pode te ouvir.
— Mas eu trouxe o Waltinho junto.
Melyssa praticamente deu um salto para fora da janela, encontrou-se procurando altivamente pelo nome citado, e ao lado de Glenn estava eu, um garoto de suspensórios e olhos enfeitiçados. Eu tinha apenas quinze anos, mas não deixava de admirar a beleza de Melyssa, que já tinha seus dezessete. Ela era alta e esguia, com um estilo único para aquela época. Talvez magra demais para os olhos de hoje, mas o tempo resolve algumas coisas, se é que você me entende. Desceu as escadas correndo e ainda tentando não chamar a atenção parou de frente à porta e debruçou-se sobre uma das paredes enquanto olhava apaixonadamente para mim.
Ficamos ali trocando sorrisos, a feição dissimulada de Melyssa encantava qualquer garoto apaixonado como eu. Ela era filha do coronel da cidade, com dezessete anos ela estava na idade de vestir-se de forma mais ousada, e com isso, as saias revelavam um pouco de seus joelhos. Quando Melyssa estava mais à vontade até mesmo mostrava os tornozelos tirando suas meias brancas de cano longo. E ainda por cima em breve completaria dezoito anos. Com dezoito poderia fazer algo que nenhuma outra menina de Twinleaf podia... Ela poderia usar brincos e maquiagem. Hoje pode ser motivo de risadas, caro ouvinte, mas não ria de minha juventude. Aos quinze anos tudo se torna magistralmente único.
Nós dois só fomos interrompidos de nosso momento quando Glenn voltou a abanar a mão e sorrir, relembrando-me o motivo pelo qual havíamos ido até lá:
— Melyssa! O Waltinho tava querendo te pedir uma coisa
— Que é? — perguntou ela ainda com seu sorriso apaixonado.
Eu não respondi de imediato, na época fiquei ali parado como se enfeitiçado pela sedução de Melyssa. Ela era uma menina cobiçada, e poderia ter o namorado que quisesse por aquelas bandas, embora não tivesse ninguém a vista naqueles dias. Sua função era apenas cativar os olhos apaixonados do vizinho embaralhado.
— Que é, Waltinho? Não queres me pedir nada? — perguntou Melyssa.
— Não, não, senhorita. Só queria dar uma olhada nos seus cabelos negros. — respondi, fazendo-a dar uma leve risada. Uso essa tática até hoje.
— Ora, se quiseres ver meu cabelo não precisavas pedir que eu descesse até aqui. — disse ela com um tom provocativo, também respondendo da mesma maneira: — Mas não tem problema, não. Eu gosto de descer as escadas, gosto de vir aqui para te ver, mesmo que de longe.
Aqueles eram os namoros de minha infância, tampei o rosto com minha boina e depois fiz um aceno de despedida para Melyssa, talvez fechando os olhos fosse a única forma de livrar-me daquele feitiço. Saí de lá na companhia de Glenn enquanto a garota subia para seu quarto a ver se eu ainda a observava de longe. Meu amigo empurrou meu ombro e perguntou:
— Que foi? Por quê não pediu dinheiro para ela? Sabe que ela dá.
— Não sou homem de pedir dinheiro, não. Só ei de pedir a Melyssa algo quando eu for seu namorado e quando eu for mais rico que ela, mesmo que isso me obrigue a derrotar a Liga e virar campeão!
Nunca leve uma proposta tão a sério. A graça de prometer e ameaçar durante a infância é não cumpri-las. Nunca as levei tão a sério.
Glenn sorriu e colocou a mão em volta de meu ombro novamente:
— Nunca duvidei de ti, mas aí é esperar tempo demais. Pede Melyssa em namoro antes, ou faça ela prometer que sempre vai ficar contigo.

— Waltão, Waltão... Essas coisas da infância são como uma vergonha na atualidade, nossa inocência ao lidar com os fatos é surpreendente, não? — disse Glenn com uma risada — Lembro quando tu ficava falando para a Melyssa prometer que se casaria com você.
— Hm, e eu nunca prometi. — respondeu Melyssa rapidamente enquanto beliscava alguns aperitivos. Marshall riu ao lembrar-se que aquilo era verdade, mas preferia ficar quieto e ouvir. Ele também era um dos melhores amigos da mulher, e não apreciava muito sua convivência com Walter. 
Melyssa continuou:
— Você me irritava todas as noites tentando fazer prometer que me casaria com você.
— E se casou. Valeu a pena, não é? — respondeu Walter com um ar vitorioso.
— Levando em conta a protuberância que vêm crescendo em sua barriga e as marcas da idade chegando... Não sei se realmente valeu a pena. — brincou ela fazendo o marido olhar feio. Melyssa segurou nas mãos de Walter e beijou-as, afinal, ela jamais poderia esquecer os momentos de sua maior aventura ao lado do futuro esposo.
— Você sabe que eu te amo, não?

Promessas

— Prometes uma coisa?
— Então diga.
— Mas você promete?
— Só prometo depois de ouvir.
— Promete que ficará somente comigo?
— Mas aí é tempo demais, Waltinho. Como saberei que você ainda gosta de mim?
— Eu prometo, você promete?
— Não sei, não sei. É tempo demais.
Tive uma ligeira lembrança do dia em que pedi para Melyssa prometer que jamais namoraria outro homem, se não eu. Ela não prometeu, falou que era esperar tempo demais até que eu fosse mais rico do que ela, no momento rimos, mas não me magoei. Somente muito tempo depois fui perceber que ela mesma ficaria feliz em dar todo seu dinheiro para que eu a pedisse em namoro o mais depressa possível. Minha esposa me ajudou em tantas tarefas, é ela quem me acompanhou e me incentivou a derrotar inúmeros desafios. Tudo isso de volta aos tempos de minha viagem; eu, Glenn, Marshall e Melyssa, a equipe de aventureiros que saía mundo afora, cada qual em busca de seus respectivos sonhos.
Melyssa era muito rica, e por isso seus pais sempre a obrigaram a enfrentar aqueles abomináveis Contests. Todos eles já são tão cheios de regras e normas, isso que em meu tempo costumavam ser ainda mais rigorosos. Melyssa teve os ideais de mudar as competições e permitir que jovens menos favorecidos também participassem, ela sempre quis que eu entrasse em uma competição somente para vê-la, mas nem isso os juízes permitiam, afinal, eu era apenas um garotinho de um bairro mais pobre. Porém, as ambições de Melyssa jamais mudaram, quando esta mulher quer algo, ela consegue. Sou a prova viva disso.
As competições de hoje são rigorosas, e antigamente conseguiam ser piores. Melyssa mudou isso, em tempos atuais ouvi dizer que novas crianças lutam por uma maior igualdade social, e de certo, devo dizer que isso me agrada. Outro dia tive notícia de meu filho Lukas causando alguns estragos na estrutura do governo. Não escondo que adoro isso. Não por rancor, mas acredito que nem todas as Elites tenham uma estrutura capaz de completar o que a região precisa, e atualmente, devo dizer que ela se encontra em um  estado de caos total.
Mas isto seria assunto para outras lembranças... Vamos deixar os jovens seguirem com seu tempo.

— Diga-me, Waltão. E o velho Salamence? Anda numa boa?
— Só um pouco... velho. Mas a idade chega para todo mundo, ainda assim não deve estar tão enferrujado quanto eu, aposto que aguenta uma boa batalha.
— E pensar que esse dragão veio como Bagonzinho mixuruca até cair em suas mãos, hein?

Um Dragão Perdido

Cada lembrança, cada ambiente nessa cidade vem marcada por suas memórias. Meu velho companheiro Salamence deve estar adormecido na sala nesse instante, dormindo em cima do sofá que mal suporta seu peso. Esse pequeno Bagon nunca perdeu a velha mania de dormir naquele lugar... Sou obrigado a trocá-lo de mês em mês. Relembrando estes fatos vejo como este dragãozinho tornou-se meu primeiro Pokémon, e também o integrante mais importante de minha jornada. Hoje estou velho, assim como ele. Sinto isso quando o vejo batalhar, não mais é capaz de dar tudo de si, mas isto devido ao fato de que nenhum outro adversário foi capaz de fazer-lhe frente.
Nestes dias lembrei-me do Gible que dei ao meu filho. Pergunto-me se ele será tão forte a ponto de derrubar meu velho Salamance. Não duvido da força de Luke, meu sangue corre em suas veias, e ainda assim almejo vê-lo batalhar ao meu lado algum dia. Vamos à história do Salamance...
Vindo de regiões distantes um duque do vilarejo encomendara um Bagon de Hoenn, afirmando ser o Pokémon mais poderoso de lá. O filho, impaciente do jeito que era, não podia contentar-se com a fraqueza e a falta de habilidades daquele dragão que supostamente deveria ser o mais poderoso de todos. Ele o maltratava, e isso me irritava profundamente. Morei grande parte de minha infância naquele bairro, e por isso posso dizer que eu conhecia cada segredo em suas trajetórias. Certo dia ouvi aquele garotinho maltratando o Pokémon novamente.
— Papai, esse Bagon que me deste não faz nada! Peço o Fire Blast e ele cospe água! — gritou o garotinho mimado, sem saber que aquele golpe mais arde viria a tornar-se o Hydro Pump — Eu não o quero mais.
— Cuidas do dragãozinho, pequeno. És um presente muito caro.
— Mas eu disse que eu não quero. Se não quero, jogo fora.
Posso narrar perfeitamente o dia em que vi aquele garoto enxerido no quintal de sua mansão. Nós dois já não nos batíamos, eu odiava o jeito mesquinho dele de agir, assim como ele provavelmente abominava a minha presença na vizinhança. Quando vi o pequeno Bagon ser maltratado, não pude conter-me.
— Para! — gritei.
— Quem vai me impedir? — retrucou o garoto.
Eu acertei o filho do duque com um soco tão forte que minha própria mão ficou doendo por uma semana inteira. O corpo do menino envergou-se como uma Magikarp fora d'água, ainda costumo rir de noite quando lembro da cena. O garoto voltou correndo para sua casa e apenas largou o Pokémon ali caído. Não sei que fim levou, nunca mais ouvi falar de seu nome, mas tive notícias de que sua família perdeu muitas ações de alguns anos para cá e veio a falir. Agarrei o Bagon e o levei para a residência de Melyssa. A partir daquele ponto eu comecei a ser tratado como um foragido, pois eu havia metido um soco no filho de um rico, e aquilo era imperdoável.
Pelo menos eu tinha um Bagon ao meu lado. Não sei dizer se isto era bom na mente de uma criança, mas deste então o dragãozinho tornou-se minha arca dourada, um objeto que jamais poderia ser encontrado. A mente das crianças, sempre tão criativa...

— Agora que tu comentou sobre o Salamence, é tão estranho pensar que começou sua jornada como um treinador foragido, não é? Lembra, lembra? Você vivia chorando de noite falando que a polícia ia te pegar! Hah, hah, hah... — disse Glenn.
— Foragido? Naqueles tempos aquilo era uma brincadeira, mas atualmente roubar um Pokémon me levaria para o juizado de menores. Os tempos mudaram... E esse sequestro envolvendo o Luke? Não podemos nem mais deixar os filhos saírem em sua jornada, antigamente esse tipo de coisa não acontecia...
— Certamente, Walter. Esse escândalo foi de chocar qualquer um, percebemos que o mundo já não é tão pacífico quanto antigamente... — comentou Marshall.
— Mas agora tu é a lei cara, pode fazer o que quiser. — assentiu Glenn.
— A justiça é falha, meu amigo. Nunca acreditei nela. São humanos que as escrevem, então por que não hão de fazer por benefício próprio? O Walter não pode mais descansar e deixar seus filhos seguirem seus sonhos em uma aventura, corremos o risco deles serem sequestrados ou qualquer outro ato disseminado que interfira nessa jornada.
— Marshall, pode me fazer um favor? Mantenha o olho fixo nos jovens. Estarei indo vê-los na sexta-feira, estou mais preocupado do que nunca... Como todo pai sei que o certo a se fazer é não pensar que esses riscos não existem, pois eles sempre estão aí presentes.

A Justiça é Falha

— Foge, cara. O filho do duque vai contar tudo para o papai dele, e voltar para descontar a raiva em ti! — alertou Glenn preocupado.
— Não fujo sem a Melyssa! — retruquei.
Melyssa já sabia de tudo que ocorrera até então, fofoca em cidade pequena resulta nisso. Quando nos aproximamos de sua casa com o dragãozinho ferido em mãos pude vê-la com uma mala pronta e algumas pokébolas consigo. Ela entregou aqueles caríssimos dispositivos em minhas mãos e disse:
— Foge, Waltinho. — naquela época a coragem não caminhava com os humildes residentes de Twinleaf, não se podia resolver problemas em batalhas Pokémon. O mais influente sempre ganhava. — Comece uma jornada e explore o mundo ao lado deste Bagon! Torne-se o melhor!
— Não vou sem você, tenho medo de te perder.
— Você tem medo disso?
— Não tenho medo nem de apanhar, só não quero perder você.
— Bobinho, estás tremendo! Faz o seguinte, me espera ao amanhecer. Vou em viagem com vocês dois, já tenho um inicial mesmo. Irei tornar-me coordenadora!
Se naquele tempo eu pudesse dizer o quão simples era chegar em casa e afirmar com orgulho: "Mãe, estou deixando tudo para virar um Mestre Pokémon!" vocês provavelmente ficariam surpresos. São tempos que não voltam mais, hoje temos de nos preocupar com criminosos e pessoas de má índole até mesmo no caminho de crescimento de nossos filhos. Por mais que a polícia hoje seja assumida por um grande amigo meu, creio que nem mesmo ele seja capaz de lidar com tanta violência que anda pelas ruas estreitas da cidade.
E por falar nele, Marshall era amigo direto de Melyssa. Amigos até demais por assim dizer, ele era quase que o segurança mirim de minha esposa na infância. Filho de policiais, não acreditava na justiça. Admito ter certo descontentamento com o Marshall porque sempre achei que ele roubaria a Melyssa de mim, pensamentos bobos de crianças, mas no fim, Melyssa o tratava mais como um protegido do que como um amante. Marshall era apenas quieto e centrado demais, e minha esposa sempre preferiu algo mais agitado nos homens. Parando para analisar, acredito que eu precisaria voltar a animar-me como antigamente, já não tenho a mesma disposição dos tempos antigos... Certo dia eu o encarei de frente e afirmei com prontidão:
— Se eu for campeão, você vai ser o chefe da minha elite! — disse eu.
— Você nunca vai ser campeão. — ria Marshall.
— Quando eu me tornar, então prometes entrar?
— Não participo de batalhas.
Ele era um rapaz complicado, mas quando ganhei sua confiança você adquiri uma sombra que nunca mais se dispersou. Admito que o Marshall nunca foi voltado para o lado de batalhas, mas desde que começou a seguir jornada com aquele Murkrow tornou-se um treinador mais capacitado do que tantos outros que levavam a tarefa a sério. Quando me tornei campeão não sei se ele ainda lembrava-se da promessa, mas acredito que eu tenha o obrigado a unir-se à equipe... Marshall aceitou sem relutar, lembro-me de que Glenn ficou furioso pelo fato de que eu não o escalei como líder da equipe, mas por muitos anos ele provou porque era o melhor. E continua sendo.
Marshall ficou ao meu lado até o fim, defendeu as quatro casas até o último momento, e hoje é simplesmente o cérebro por trás da polícia. Lembro-me que ele mesmo não acreditava na justiça quando criança... Martha é a irmã adotiva de Melyssa, atualmente ela está envolvida com uma facção de cientistas mirabolantes, e ele permanece ajudando-a para que os Galactics não recebam essa culpa por parte do governo que não está nada satisfeito com seus ideais. Essa equipe de lunáticos nunca representaram uma ameaça, acredito que a pequena Martha sempre tenha tido estes sonhos de mudar o mundo, e imagino aonde ela chegaria com esses ideais hoje...
Bem, não culpo o Marshall por isso, ajudar uma facção que quer construir um novo mundo não deixa de ser, de certo, errado. Mas foi a meu pedido, hoje vejo como a justiça é falha. É... Os tempos mudaram.

Walter já tomava os últimos goles de seu vinho, e aos poucos a adega ia trazendo aquela sensação despedida. O clima era estável, aos poucos podia-se ouvir claramente que o hotel diminuía seu movimento e os visitantes já adentravam seus cômodos para uma noite de sonhos, mas não havia horário para os reis, eram eles quem delimitavam o tempo. Os aperitivos já iam se esgotando, o charuto já havia sido inteiramente tragado, e as garrafas de vinho permaneciam sobre a mesa demonstrando toda a sua glória. Glenn já se debruçava sobre o ombro de Marshall rindo ainda mais alto do que antes.
— Diga aí, tio Waltão! Já está ficando bêbado, já está?!!
— É você quem está, Glenn. — respondeu ele com uma risada. Era difícil derrubar o campeão em termos de bebida, seria necessário o dobro daquilo para que ele ficasse realmente animado.
Mas Melyssa já se soltava, e o que começou como um jantar cordial se tornava uma confraternização de velhos amigos que narravam histórias e lembranças de seu passado.
— Poxa, Waltão! E aquele dia que eu estava roncando feito um Tepig e você jogou pimenta na minha boca e eu saí correndo pelado pela casa? Seu desgraçado, miserável, vou acabar com você! Eu te amo, cara...
— Ninguém mandou você tentar me vencer em uma competição de bebida. Enquanto você tomava cinco goladas eu jogava o meu na grama do lado. E para melhorar você foi dormir e roncar feito um Emboar velho. Por Arceus, aquilo passou longe de ser um Tepig! — disse Walter, fazendo os outros caírem na risada.
Glenn coçou a cabeça enquanto ria, e apesar de estar um pouco fora de si não deixou de comentar:
— Ai, ai... Cada coisa bizarra... — comentou o rapper, fazendo um longo silêncio pairar por alguns segundos — Na verdade eu tinha algo importante pra falar contigo... Eu estava quase esquecendo. Seu filho tem aquela doença, sabe? Lembra da mensagem que te mandei?
— Lembro-me, lembro-me muito bem. Já conversei com a Melyssa sobre isso, ela pediu para que interrompêssemos a viagem do Luke, mas ele ficaria constrangido se o fizéssemos.
Melyssa atentou-se à conversa, e logo a interrompeu.
— Mas isso pode piorar, querido... E se ele não tiver alguém para ajudá-lo como eu o ajudei?
— Você pode ter me ajudado naquele tempo, Melyssa, mas o Luke tem ao Lukas, e eles precisam aprender a corrigir seus erros sozinhos.
Melyssa encostou a cabeça no ombro do marido, voltando-se para Marshall e Glenn e fazendo um pedido com a voz suave:
— Peço só para que vocês fiquem de olho neles. Sabe, isso pode piorar se ele tiver mais ilusões de superioridade, e conhecendo o seu tipo de sangue, ele não vai parar enquanto não achar alguém melhor do que ele.

Ilusões de Superioridade

Melyssa, a mulher de minha vida, minha melhor amiga, e também minha salvadora. Reli uma mensagem de Glenn há algumas semanas e acabei por lembrar-me daquele único momento em que ela levantou a mão contra mim, e o fez bem. Recebi um tapa naquele dia que sinto a vermelhidão das marcas mesmo após vinte e cinco anos, ou então isso seja apenas um pouco do batom dos beijos que recebo de minha esposa. Sei que a amo, amo incondicionalmente. Não apenas como mulher, mas como amiga. Melyssa me salvou de uma grave doença antes que ela se agravasse.
— Eu sou o melhor treinador do mundo, ainda não fui derrotado por ninguém. — cheguei a afirmar isso um dia quando eu era mais novo, e Melyssa parecia não ter gostado nada daquilo.
— Isso não explica o fato de você ter a permissão de humilhar quem o derrota. — ela me repreendeu uma única vez, mas eu não quis dar ouvidos e respondi:
— Eu sou invencível!
Ela me deu um tapa, tão forte, mas tão forte, que eu ainda posso sentir sua mão em meu rosto. Vale reforçar. Devo enfatizar que aquele tapa salvou a minha vida.
— Você não é mais forte do que eu, e por isso é bom parar com essa mania ridícula de achar-se o centro do universo. Não quero mais vê-lo agir assim, ouviu bem?
Foi a minha primeira derrota de minha jornada, mas também, aquela estranha doença nunca mais se evidenciou em mim... Muito tempo depois fui descobrir que se tratava de algo conhecido como Megalomania, e por força do destino, meu filho também a herdou de mim. Me pergunto se alguém seria capaz de curá-lo, confio na capacidade dele como um treinador muito poderoso, mas será que ele encontraria uma garota com a mesma força e determinação que sua mãe? Temo também pelo Lukas, não sei se isso se evidenciaria nele, mas creio que o Luke seja mais propício. Se eu não tivesse levado aquela tapa, temo imaginar onde eu poderia ter chegado.

Infelizmente a reunião de amigos já chegava ao fim, mas certametne teria se prolongado se todos eles não tivessem de trabalhar cedo na manhã seguinte. Já passava das horas da manhã, quem diria que o tempo passara voando! Marshall e Melyssa ajudaram Glenn e levar os pratos e talheres para a cozinha do hotel, tudo estava no silêncio total, estavam acordados apenas os atendentes do balcão, alguns empregados que faziam a faxina, e as dezenas de seguranças do lado de fora. Eles se despediram com um abraço terno e caloroso, um por um, Walter foi em direção de Glenn e após apertar-lhe a mão abraçou o velho amigo por tudo que ele fez.
— Vocês sabem que sempre serão bem vindos em minha casa. — disse Glenn.
— E pensar que éramos eu e meu marido que faziam as reuniões aos domingos! Nós deveríamos voltar a fazê-las, mas para isso vou querer alguns sobrinhos de vocês dois, precisamos aumentar a família. — disse Melyssa com uma risada.
— Ihh, isso aí vai ter que depender do tio Marshall. Eu estou de boa! — assentiu Glenn, erguendo os braços enquanto o homem ria do outro lado e demonstrava não ter interesse naquilo da mesma maneira.
Marshall cumprimentou-os cordialmente e disse estar voltando para Canalave para certificar-se de que Luke e Lukas passavam bem no hospital. Walter prometeu comparecer antes do fim de semana para fazer-lhes uma surpresa, e não deixaria de faltar a seu compromisso. O homem saiu do hotel com a mesma pompa de quando entrara, e as pessoas ao seu redor pareciam fazer uma reverência. Subiu em seu Salamance e partiu para sua casa após um dia longo e cansativo.
Ao chegarem em Twinleaf puderam deparar-se com a pureza e a calmaria da cidade, certamente aquilo os confortava, e voltar para sua cidade natal depois de tantos anos era uma enorme dádiva. Walter abriu a porta e Salamence saiu atropelando tudo na sala para deitar-se no sofá como de costume. Walter olhou para os armários ainda empoeirados e lembrou-se de que sua missão matinal das quartas devia ser cumprida, mas Melyssa não o mandou arrumar tudo, pois ambos estavam exaustos e precisavam de descanso.
— Bem, e já que estamos acordados mesmo... Termine suas coisas logo, mas estarei esperando por você lá em cima. — disse ela com uma voz sedutora.
Walter riu e confirmou com um sorriso enquanto sua esposa dava-lhe um beijo suave no rosto barbudo. O homem logo começou a limpar a bancada e levantar as mesas que seu Salamance havia destruído, o dragão agora roncava como se nunca tivesse dormido na vida, e Walter inclusive teve vontade de jogar um pouco de pimenta em sua boca para saber se ele teria a mesma reação de Glenn. O homem tinha um sorriso espontâneo em seu rosto, e enquanto limpava tudo encontrou próximo à uma mesinha um único quadro que jazia caído. E então, um último pensamento lhe passou naquela noite:

Vamos ao Final

Quando passei o pano por cima da mesa notei aquele velho retrato adornado em molduras simples de madeira. A imagem retratava cinco jovens marcados pela juventude, todos coloridos em tonalidades de sépia, mas rejuvenescidos pela eternidade. Toda minha infância presa numa simples imagem, que se resumia aos meus dias de diversão ao lado de amigos ainda próximos e de pessoas que para sempre marcariam minha vida. É uma época que não volta mais.
Bons tempos. — encontrei-me sussurrando essas palavras sibilando um sorriso sereno em meu rosto. Como aquela simples imagem poderia guardar tantas recordações? Com apenas um olhar fui capaz de ser levado há vinte e cinco anos, quando era eu quem iniciava minha própria aventura repleta de intrigas e desafios.
Algo que pude reparar em todos esses anos como campeão: A vida é boa, mas não acaba com o fim aparente. Alguns quando perdem tudo desistem, pensam em se matar, deixam tudo para trás. Pensei como seria agora que eu havia perdido tudo, precisei me mudar de Sunyshore e recomeçar do zero, mas não desisti. Eu tinha meus amigos de infância, tinha uma esposa linda, dois filhos para cuidar. Quando voltei para Twinleaf foi como um novo começo, mas agora eu não precisava fugir de um sujeitinho chato da vizinhança. Eu ainda era respeitado, pois quem é rei nunca perde a majestade.
O que eu percebi que tinha agora era outro sonho, apenas isso: Viver. Viver intensamente. Ver meus filhos crescerem, ver as gerações passarem e cumprirem seus objetivos no ciclo eterno da vida, descobrir novas tecnologias, iniciar novas gerações, tudo. Quero ficar ao lado de minha esposa, viver ao lado dela cada segundo. Ver meus filhos crescerem fortes e saudáveis. É preciso sentir para descrever. E agora, aquele retrato... Ele pode trazer memórias maravilhosas, mas, sinceramente, não preciso dele. Elas vivem comigo, em meu coração, e o legado do pequeno fugitivo de boina ficou para sempre marcado em minha geração. O verdadeiro campeão é aquele que mantém seu legado eterno.

 

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