Capítulo 47

Olhou ao redor do quarto, no cinza opaco de antes do amanhecer que chegara sorrateiramente do outro lado dos postigos da janela. Logo pela manhã os jovens optaram por seguir até Canalave. Uma fina neblina ainda cobria a rota aquática que ligava seu destino em direção da cidade portuário, e com o frio aconchegante que fazia era muito provável que nenhum dos viajantes desejassem se levantar. Lukas havia acordado às oito da manhã por costume, mas ainda assim sua avó era a primeira a estar de pé, e ainda por cima tinha ido para a feira e preparado a mesa do café da manhã para os netos; Luke implorava para não sair naquele frio, enquanto Dawn e Roark já se levantavam e faziam suas necessidades diárias.
Naquela manhã Canalave os aguardava. Os Irmãos Wallers tinham seus motivos para querer visitá-la tão depressa, era cidade com a maior biblioteca da região, sem contar que inúmeros cruzeiros e navios luxuosos faziam suas paradas por lá levando estrangeiros das mais distantes regiões do mundo Pokémon. Roark não gostava da cidade por conta de um conflito com seu pai, mas ele não podia deixar de concordar que a biblioteca possuía livros não encontrados em nenhum outro lugar. A única que ainda estava receosa da visita era Dawn, que escondia diversas mágoas e má lembranças daquele caminho, embora naquela manhã ela já estivesse mais recuperada e centrada a enfrentar seus medos.
Após o café da manhã reforçado e de malas prontas, a equipe seguiu para fora de Jubilife. Eles procuraram uma balsa ainda nas proximidades da cidade, e com isso foram passando pelas águas azuis observando o céu límpido e os desafios que os aguardavam na cidade portuária. Lanchas podiam ser vistas, e diversas criaturas aquáticas os acompanhava. Wingulls e Pelippers faziam suas tocas em cima da cabine do capitão, enquanto Tentacools se jogavam aos montes nas bordas da balsa que os arrastava para o abismo. O céu brilhava, e aos poucos a estrada de ferro que levava até a cidade começava a se evidenciar nas terras distantes:
— Canalave... Pergunto-me o que nos aguarda nessa cidade. — comentou Luke apoiado sobre as bordas da embarcação.
Lukas logo se prontificou:
— O primeiro local que quero visitar é a biblioteca. Os pesquisadores juntaram livros sobre mitologia de todas as regiões desde os tempos mais antigos, e agora todos eles foram reunidos em apenas nesse lugar, a Canalave Library.
— Lembro-me que o Professor Rowan fazia frequentes visitas à essa cidade, mas eu nunca o acompanhava. Eu preferia ficar no laboratório cuidando dos aparelhos. — comentou Dawn.
— E por falar em pesquisas, como anda o seu progresso nessa área, Dawn? — perguntou Roark.
— Olha, pra falar a verdade, eu o deixei um pouco de lado. Eu sempre auxiliei o Professor com isso, mas acho que não era bem a minha área. Sou mais voltada para outras coisas. Embora eu não saiba exatamente o quê.
— Encontrar a sua área específica é complicado, principalmente quando sofremos tanta influência das pessoas ao nosso redor. — disse Roark — Tipo, eu também nunca quis ser bem um treinador. Minha preferência era ser paleontólogo, ou entrar na área de pesquisas também, mas o meu velho me obrigava a seguir a área de treinador.
— Sério? Você não teve outra escolha? — continuou a menina.
— Na verdade eu até tive, mas dai ele virou líder de ginásio e eu prometi para mim que também seria. Então, ele me obrigou a ser melhor do que ele, entendeu? Hoh, hoh, hoh... — brincou Roark.
Luke e Lukas deram uma ligeira risada com o comentário do amigo. Lentamente Luke encostou a cabeça na parede de madeira do convés e refletiu sobre como estariam seus pais àquela altura.
— Acho que a gente devia ter visitado o pai mesmo... — disse Luke — Eu sei que eu disse que só queria vê-lo quando for o melhor, mas... Sei lá, bate uma saudade. Você não tem saudade do seu pai, Roark?
O rapaz refletiu enquanto apoiava-se nas barras da embarcação da mesma forma.
— Olha, pra falar a verdade, ele nunca se fez presente em minha vida. E também porque minha mãe me deixou bem cedo, imagino que ele deve ter tido dificuldades para cuidar de um filho sozinho. Ele preferiu os seus fósseis a mim, então eu passei a criar esse descontentamento. 
Luke virou-se ao lembrar dos acontecimentos com os pais de Dawn, e mesmo que ela não estivesse prestando atenção na conversa, optou por encerrar o assunto. Ele ainda sentia falta de seu pai, devia ter visitando-o quando teve a chance, pois tinha uma sensação de não poderia fazê-lo tão cedo, como se algo ruim fosse se evidenciar naquela cidade em algum momento da aventura.
O grupo seguiu em silêncio o resto do caminho, e logo a balsa atracou do outro lado. Os jovens desceram e seguiram pela estrada de ferro ornamentada perfeitamente com desenhos de Pokémons antigos e tijolos manufaturados.
— Coisa do meu pai... Ele que gosta de acrescentar esses detalhes. — disse Roark — Fala sério, tudo mundo pisa nessa estrada, qual a utilidade de fazer tantos detalhes?
— Foi ele quem fez esse caminho? — perguntou Lukas.
— Ele é o arquiteto de praticamente toda a área civil da cidade. Pontes, casas, estradas... É uma figura bem importante por aqui, mas dentro de alguns anos Oreburgh será muito melhor. — gabava-se o líder.
A estrada estendeu-se, e os jovens foram seguindo o fluxo. Ao chegarem à Canalave depararam-se com um magnífico cruzeiro logo na entrada. O ar de luxuosidade e moderno esbanjava de suas janelas ornamentadas em ouro e prata. Casas e prédios no solo, barcos e iates nas águas. O oceano cortava a cidade em duas áreas interligadas por uma ponte levadiça,que no momento rasgava os céus permitindo a passagem do navio. Aquela era a cidade portuária de Canalave, um dos pontos turísticos mais renomados de Sinnoh.
— Ela cresceu bastante desde a última vez que vim aqui. Talvez eu precise de mais alguns anos até que Oreburgh possa ultrapassá-la nesse crescimento contínuo... — disse Roark pensativo.
— Cara, que show! A cidade do líder metálico! Foi mal, Roark, mas eles são os meus Pokémons preferidos. — riu Luke.
— Eu devia ter te dado um Cranidos, como fui bobo em alimentar meu amigo com criaturas do oponente... Ah, mas eu também curto metálicos, só que os do tipo Pedra sempre são melhores. Combinados com minhas defesas rochosas eles se tornam ainda melhores.
Roark deu um salto à frente e esticou o braço em direção da cidade com enorme ânimo.
— Então, para onde desejam ir? Temos a biblioteca, lindas pousadas, o ginásio do meu velho, e ainda as belas ilhas nas redondezas para visitar e aproveitar. Onde desejam ir primeiro?
— Bora pra Ilha de Ferro! Lá devem ter uns Pokémons muito loucos. Ainda faltam dois membros para mim completar a minha equipe, quero mais criaturas metálicas!
— Tente equilibrá-la um pouco, Luke... Desse jeito você fica muito em desvantagem. — comentou Lukas — Bom, mas vocês realmente querem ir para a Iron Island?
Roark esboçou uma feição de decepção.
— Puxa, justo para lá? A ilha está abandonada há alguns anos como devem saber, mas depois que o Sir Riley a vendeu para um membro da Elite passaram a proibir a entrada de treinadores por tratar-se de uma área particular. O Riley era um velho amigo e ele permitia que a utilizassem, mas acho que agora não temos mais acesso sem permissão. — explicou Roark.
Os jovens pareceram pensativos.
— Agora que você comentou, lembro-me que ele disse que havia a vendido para alguém da Liga mesmo. — acrescentou Lukas — É uma pena que agora ela esteja fechada para a visita.
— Mas não desanimem, temos muitas outras coisas para fazer! Posso ter uma rivalidade com meu pai, mas devo admitir que a estrutura da cidade é perfeita para os visitantes. Vamos nos alojar em uma pousada, e depois, podemos fazer uma visita à biblioteca.
Roark guiou a equipe como seu guia turístico, sendo que algumas vezes treinadores mais jovens até o paravam para pedir um autógrafo e ver seus Pokémons do tipo rocha. Enquanto o líder andava uma pequena garotinha de aparentemente dez anos o parou, parecia ter acabado de começar sua jornada Pokémon e esbanjava toda sua ingenuidade e carinho ao conversar com pessoas.
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— Olha só, é o líder do ginásio de Oreburgh! — disse a garotinha — Você tem cabelos tão bonitos... Ah, tentei marcar uma batalha de ginásio há dois dias, mas eu não quis batalhar contra aquele outro homem. Disseram que você estava nessa cidade, eu quero que minha primeira batalha de ginásio seja contra você!
— Oh, mas você é uma garotinha linda, minha pedrinha polida! — sorriu Roark, passando suavemente sua mão sobre os longos cabelos dela — Olha, agora eu estou meio ocupado, mas voltando para Oreburgh faço questão de que seja minha primeira adversária.
— Eu acho você muito poderoso. — continuou a garotinha.
Roark riu estando cheio de si pelo respeito que agora jovem menina tinha por suas habilidades. Os líderes de ginásio eram como heróis para as crianças, e fazer parte do crescimento dos novatos dando-lhes suas primeiras insígnias era de enorme importância.
— Olha que não vou pegar leve, hein! Você vai ter que derrotar a força de meu Cranidos! — dizia Roark, fazendo a menina esboçar um doce sorriso enquanto se divertia com as loucuras do líder.
Porém, logo chegou um outro menino e puxou-a para longe, ele parecia ser o parceiro de viagem dela.
— Que nada, Nami. Esse é só o primeiro ginásio. Todo mundo já ganhou dele, vamos procurar o Byron para pegar o autógrafo de um líder de verdade!
O jovem puxou a menina para longe, mas ela ainda tentava acenar para Roark que permanecia petrificado do outro lado. Lukas andou até o amigo e colocou a mão em seu ombro.
— Não fique triste. Pokémons de pedra são legais... — disse Lukas amigavelmente — Eles só têm algumas bilhões de fraquezas e perdem para praticamente todos os iniciais visto que os do tipo fogo sempre têm algum truque, mas pense bem, você vira uma celebridade entre as crianças.
— Ser o ídolo de crianças de dez anos é decepcionante... — disse Roark com uma aura negra em volta — Eu... Ah cara, pode parecer estranho, mas é algo que nós aprendemos a lidar. É meio triste, mas perder faz parte, e eu aprendi muito com isso.
Luke riu ao ver a reação de seu amigo. Ele imaginava como seria se aquela situação fosse com ele. Ser um eterno perdedor, aquele que é obrigado a ser derrotado por todos os novatos na temporada, este era o perfil de seu amigo Roark. Porém, agora o líder sorria, ele não ligava de perder, e de forma geral, crianças como a jovem Nami acabavam por prestigiá-lo e dar todo o seu valor por mais que ele não fosse o líder mais temido da região. Ele se destacava à sua própria maneira.
Por fim, a equipe fez seu caminho até a biblioteca da cidade. Marcada com portões de madeira num tom exótico, toda a área de fora não evidenciava nem metade da beleza e da sabedoria que ela trazia por dentro. Pilares sustentavam a base dos longos três andares de puro aprendizado e conteúdo, o clima rústico e antigo dava a impressão perfeita para o ambiente. Lukas adoraria conhecer cada ponto daquele local, enquanto até mesmo Luke procurava entreter-se com alguma coisa.
— Este lugar é fantástico, nunca vi uma coletânea tão grande de obras e conteúdo quanto esta! — disse Lukas.
— Não dá pra ler esses livros, eles não têm imagens... — disse Luke revirando alguns livros e colocando-os na estante novamente — Vê se encontra qualquer revista de fofoca aí, daquelas com seções de foto das líderes de ginásio. Já pensou encontrar alguma da Winona, da Sabrina, da Elesa...
— Ou da Fantina... — brincou Dawn, fazendo seu amigo quase engasgar.
Lukas andou até o terceiro andar do prédio onde ficavam os livros mais antigos, e também os mais prestigiosos da coleção. Havia uma sessão separada para os livros de mitologia de Sinnoh, e com ele, assuntos desconhecidos por muitos sobre as lendas do Spear Pillar e o Mt. Coronet. O jovem apanhou dois livros e jogou-se numa área repleta de almofadas e poltronas num dos corredores, própria para a leitura. Roark logo o encontrou, o rapaz tratava de alguns assuntos a respeito de seu pai com os recepcionistas, mas quando viu Lukas estudar os assuntos de mitologia não escondeu certo interesse.
— Conhece as lendas de nossa região? — perguntou Roark.
— Conheço algumas, como a relação das três criaturas do lago, e também dos lendários Palkia e Dialga, que mantém o tempo e o espaço em equilíbrio. São assuntos bem interessantes, me pergunto quem teria descoberto tudo isso.
— Muitos dos livros daqui foram escritos por nossa atual campeã, a Senhorita Cynthia. Ela é uma pesquisadora muito conhecida, já a viu?
— Pra falar a verdade, não. Só a conheço por nome.
— Se você procurar no final talvez encontre algumas notas sobre a autora, e quem sabe uma foto também. Ela é uma mulher muito bela.
Lukas virou o livro e encontrou o nome da campeã assinado, e logo ao lado uma foto dela como Roark havia dito. Ele pareceu reconhecê-la na hora, só não tinha certeza tratar-se da mesma mulher que encontrara no Mt. Coronet há tantos meses atrás.
Lukas refletiu por longos minutos sonhando na possibilidade de realmente ter sido ela, mas era muito improvável, ele lembrava-se muito bem de suas silhuetas embora nenhuma lembrança de seu rosto voltasse á tona, era impossível ter certeza. No momento aquilo não importava, havia maior interesse apenas em recobrar sua leitura.
— Certamente, ela deve ser uma mulher magnifica. — disse Lukas.
Dawn estava com dois livros em suas mãos quando chegou e sentou-se ao lado de Lukas. Ela virou-se para o jovem e sorriu:
— Está falando daquela moça loira de novo?
— Sim, sim. Cogitei agora a possibilidade dela ser a campeã de Sinnoh, a Senhorita Cynthia. Já imaginou?
— Eu gostaria de conhecê-la também se fosse assim. Essa campeã compartilhou do mesmo sonho que eu. Ela sempre quis ser pesquisadora, mas a obrigaram a tornar-se outra coisa. E com isso, ela tornou-se os dois, e a melhor por sinal. Tenho que encontrar aquilo que amo também, um dia serei como essa mulher. — disse Dawn com um sorriso entre seus lábios enquanto observava a foto daquela mulher.
De repente, os dois foram interrompidos por uma gritaria vinda dos andares de baixo. Eles desceram com pressa e se depararam com Roark a encarar um homem de aparência robusta e feição cansada. Ele tinha uma barba mal feita em volta do rosto, traços fortes, os olhos caídos e profundos tão negros quando um buraco sem fundo. Seus cabelos estavam bagunçados e tinham a mesma coloração dos de Roark. O líder  do ginásio apenas ajeitou os óculos e o encarou.
— Diga, velho.
— Diga, filho.

Dawn correu até próximo dos líderes que em momento algum desviaram seus olhares. Luke examinava o acontecimento com as mãos no bolso e com certa curiosidade para saber como aquele encontro iria terminar.
— Oh, então ele é o seu pai, Roark? — perguntou Dawn.
— Esse aqui é o meu velho. E meu velho, se vira pra conhecer todo mundo. Estou de saída.
— Opa, opa. Espera um pouco aí, filhote. — disse o homem segurando o jovem pela gola, e fazendo-o dar meia volta. Apesar de muito velho ele tinha músculos bem definidos e uma postura de se invejar para sua idade aparente — Trouxe os amigos pra casa e vai deixá-los sem as devidas cortesias? Vamos lá, apresente todos devidamente.
— Minha função era guia-los até a cidade, agora você já está aqui pode fazer o resto. Afinal, você sempre consegue fazer tudo melhor do que eu, não é? — bufou Roark não escondendo certo rancor em suas palavras finais. Byron soltou uma longa risada debochada e voltou a encarar o filho.
— Qual é, filhote, vai começar a ficar depressivo só porque não consegue admitir que os Pokémons metálicos são mais poderosos do que os de rocha?
— Isso não é verdade! Nós temos uma defesa fantástica e criaturas que marcaram presença no passado desde as primeiras gerações! — respondeu Roark.
— Os metálicos fazem tudo que vocês fazem, e melhor! Temos uma defesa duas vezes mais alta, ainda combinada com a Sp. Defense de se invejar, e quer mais? Inúmeras resistências.
— Não temos fraqueza contra fogo. — assentiu Roark protegendo seus amados tipos rocha.
— Somos imunes à veneno. — respondia Byron em proteção dos metálicos.
— Temos um exército de Geodudes em todas as cavernas.
— Um metálico pode derrubar sua equipe inteira.
— Temos a Professora Roxanne para representar!
— Nós temos a Jasmine, eleita a mulher mais linda de Johto.
— Temos o Stone Edge.
— Temos o Metal Burst para devolver seu ataque no dobro. E admita um coisa, filho. Até mesmo o seu adorado Probopass tem um lado metálico. É a triste realidade, você nunca passa dessa.
Roark encarou o velho homem de forma estressada, levantou a mão pronto para dar uma nova resposta, mas abaixou a fronte e saiu esboçando uma feição de raiva e determinação em não assumir a derrota.
— Argh.... Seu, seu... Pai desnaturado! Acho que você conhece mais esses Pokémons metálicos do que eu! Então quer saber? Fique com eles por mais um tempão, vim aqui para ver como você estava, mas pelo visto continua a mesma coisa. Certas coisas nunca mudam.
— Ahh, moleque dos infernos. Teimoso que nem a mãe... — resmungou o homem — Desculpem a forma como ele os tratou, mas é o jeito dele. É como uma pedra grande, não sai do lugar se desejar ficar ali. Podem me chamar de Byron, sou o líder de ginásio da cidade de Canalave.
— Então você é o pai do Mestre dos Fósseis... — presumiu Luke.
— Chama o pequeno de Mestre? Se ele é o Mestre, e eu sou o pai dele, isso me torna quase um deus! Bah, hah, hah...
Dawn pensava na forma como pai e filho compartilhavam o mesmo jeito tão convencido de suas habilidades. Byron se colocou à disposição dos jovens, mas eles precisavam ver como seu amigo estava depois do tenso conflito. Ele nunca poderia ser um treinador mais poderoso e capacitado, sempre haveria alguém para diminuí-lo, e aparentemente Roark era uma figura que quase desaparecia atrás das inúmeras habilidades do pai. Aquilo o decepcionava profundamente.

• • •

Numa área mais afastada da cidade o líder do ginásio de rocha caminhava sem rumo. Não conhecia Canalave tão bem quanto desejava, e poderia facilmente se passar como um estrangeiro comum entre tantas pessoas nos arredores. Roark assentou-se sobre um muro e colocou as pernas de frente para o mar, apenas observando as ondas e vendo os navios zarparem do cais. Soltou um suspiro enquanto olhava o céu claro e brilhante, ainda que com alguns traços do frio que vinha se evidenciando nos últimos dias.
— Roark! — gritou a fina voz vinda de uma menininha.
O líder virou-se para trás e notou Nami, a mesma garota que eles haviam encontrado pela manhã.
— Ah, oi, menininha... Gostaria de ter uma batalha contra o líder mais fracassado da região?
— Sério que você vai batalhar comigo? Não vou ter que esperar para vê-lo em ação?! Finalmente, eu não poderia me segurar! — afirmou ela com imenso entusiasmo.
Roark riu, deu um salto do muro e sacou uma de suas pokébolas. Era um novo Cranidos que ele havia ressuscitado há poucos dias, mas nem na descoberta de fósseis ele era melhor do que seu pai. A garotinha prontificou-se e lançou seu Finneon, um Pokémon aquático. Roark já estava muito acostumado com eles, mas sempre bolava uma estratégia básica antes de enfrentar um novato. Precisava agir à maneira deles, e nunca dar tudo de si.
— Vamos lá, Finneon, utilize o Water Pulse!
— Cranidos, intercepte o movimento com o Take Down. — pediu.
O dinossaurinho avançou contra o impulso d’água com tanta força que pareceu atravessá-lo e partir com tudo para cima do oponente. Finneon ficou atordoado, mas ainda estava apenas começando sua batalha.
Não havia um grande publico, apenas outras crianças passavam por perto e se impressionavam ao ver um líder de ginásio batalhar daquela maneira no meio da rua como um treinador comum. Aos poucos foram se juntando várias crianças, não eram nem jovens como os Irmãos Wallers, mas crianças que sequer tinham completado idade para seguir na tão almejada viagem mundo à fora. Todas estavam muito impressionadas com a batalha.
— Vai lá, você consegue! — disse um menininho, torcendo para a pequena Nami.
Roark gostava daquela recepção, por mais que não fosse para ele. Crianças sempre o inspiravam por seus sonhos e ambição em batalhar e continuar seguindo seus sonhos. O Finneon ainda o atacava com diversos golpes aquáticos, mas nem por isso o Cranidos se dava por vencido.
— Cranidos, avance com o Assurance!
— Venha, Finneon, ataque ele com seu Water Pulse novamente!
O recém capturado Cranidos foi lançado para longe com o impacto repetitivo, e após receber uma rajada que pulsava contra seu corpo acabou caindo derrotado perto do muro de onde estavam. Roark retornou seu Pokémon enquanto viu Nami comemorar e as crianças que assistiam a disputa a parabenizarem. Roark andou até sua direção e agachou para olhá-la de frente.
— Você já é muito poderosa. — elogiou o líder, esfregando a palma da mão nos cabelos negros da garota. As bochechas da jovem estavam coradas quando agradeceu o elogio.
— Obrigada... — respondeu acanhada — Quando eu for te enfrentar de verdade vou dar de tudo pra ganhar minha insígnia!
— Não será preciso, quero que fique com ela. Você me desafiou e venceu, e por isso merece ter a Coal Badge como prestígio!
Os olhos da garota brilharam ao ver a insígnia, a primeira de sua viagem. Roark ria enquanto as outras crianças a rodeavam como se fosse o maior tesouro que haviam visto. Em Canalave ela era mais rara do que a Mine Badge, e imaginava-se como seria nas cidades ainda mais distantes. Um dos meninos apontou para Roark e gritou:
— Você é demais! Quero ser igualzinho a você quando crescer!
Aquelas palavras lembravam o líder da mesma forma como ele falava para com seu pai: Quero ser igualzinho a você quando crescer. Porém, a resposta sempre vinha vaga e sem sentimentos. Você vai ter que treinar muito se quiser ser um líder de ginásio. Muito. Bah, hah, hah!
Roark detestaria ser rancoroso como seu pai, e por mais que nunca tivesse visto nenhuma daquelas crianças sabia que seu dever como líder era agir como simpatia e, principalmente, ser um exemplo de perseverança e honestidade. Muitos líderes ficam famosos e perdem seu brilho ao lidar com o público, mas as derrotas de Roark o ensinaram a jamais agir daquela maneira. Agachou na frente daquele garoto e colocou seu capacete sobre ele.
— Tenho certeza de que irá, saiba que eu darei todo o apoio.
As crianças sorriam parecendo tramar algo para com o líder, eles se jogaram em cima dele fazendo um montinho e esmagando-o aos montes como uma avalanche de pedras. Luke, Lukas e Dawn haviam acabado de chegar, observavam a cena e chegaram a ver uma pequena parte da batalha. Luke correu em direção do líder e retirou-o de baixo do exército de crianças.
— Okay, okay. O massacre acabou, agora vamos deixá-lo vivo para que outros também possam desafiar o cara no futuro. — riu Luke.
Os pequenos riram e o agradeceram pela grande batalha que haviam visto. Nami deu-lhe um beijo na bochecha e saiu para comemorar sua primeira insígnia conquistada. Dawn aproximou-se e comentou:
— Roark, o que você fez foi lindo.
— O que? Está falando daquela batalha que o meu Cranidos foi trucidado? Ah, eu já consegui fazer piores... Uma vez eu enfrentei um garoto que tinha um Gyarados, usei um Cranidos também. Acho que em todas as batalhas uso um Cranidos novo. (Garoto com Gyarados = Stanley)
— Não é a derrota que importa, e sim a mensagem e o incentivo que você deu para essas crianças. — disse Lukas — O que elas teriam para contar se fossem humilhadas em seu primeiro desafio? Acho que você é um dos responsáveis por incentivar cada vez mais as novas gerações, e por isso o respeito tanto.
— Só não deixe que eles saibam que você se deixa ser derrotado. Você acabou com minha infância quando disse aquilo! — brincou Luke, de repente sendo intrometido por uma voz vinda do outro lado do porto.
— Ele usou o Probopass dele?
Os jovens viraram e se depararam com Byron que estava sentado praticamente da mesma forma que seu filho se sentava. Roark imediatamente fechou a cara a vê-lo.
— Ele usou? Se usou o Probopass, então não batalhou na brincadeira.
Byron não chegara a tempo de acompanhar a batalha, mas provavelmente vira que seu filho entregou a insígnia para uma criança. O líder caminhou até onde eles estavam e perguntou:
— Então, ele usou ou não?
— Hm, acho que usou.  — disse Luke, relembrando-se da batalha.
— Quando meu filho usa o Pokémon favorito dele ele nunca joga na brincadeira. Então quer dizer que em sua primeira batalha você conseguiu derrotá-lo sendo que ele utilizava seu Pokémon mais forte? Que fracassado! Bah, hah, hah, hah, hah, hah...
Roark abaixou a cabeça novamente e apertou seu punho com tamanha força como se almejasse que fosse seu pai que estivesse ali, sentiu tamanho ódio que preferiu nem ficar para saber no que resultaria, saiu correndo o mais depressa possível sem olhar para trás. Dawn esboçou uma feição de fúria que calou o velho, mas dessa vez ela não se conteve.
— Como pôde ser tão grosso com seu filho?
— E-Eu não fui grosso, eu só fiz uma brincadeira. — disse Byron um pouco surpreso.
— Então aprenda a hora de brincar!! Você é a pessoa mais importante para ele, ou pelo menos já foi. Todo pai é uma peça fundamental na infância, mas sorte do Roark não ter se tornado um homem como você!
— Wow, calminha! Seus pais não lhe deram educação, garota? — rugiu ele.
Dawn saiu de lá correndo atrás de Roark, sendo seguida por Luke. Byron ficou sem entender muito bem a situação, mas pelo menos a educação de Lukas não lhe permitia sair sem as devidas despedidas. Byron soltou um longo suspiro enquanto coçava a cabeça em sinal de desentendimento.
— Ah... Essa nova geração sempre tão enérgica... Qual o problema dela?
— Os pais da Dawn morreram há seis anos, Senhor Byron. Creio que ela entenda como ninguém o peso de não ter um pai por perto, e ver o senhor negligenciar o Roark dessa maneira a deixa frustrada profundamente. Peço-lhe licença agora.
Lukas continuou seu caminho atrás dos amigos enquanto Byron ficava para trás, perdido em alguns pensamentos. Aquela situação havia mostrado para ele como estava agindo para com seu filho, e por mais que em seu íntimo ele soubesse que estava errado não podia aceitá-lo daquela forma. Não um perdedor como ele.
— Bah... Ninguém mandou ele gostar de Pokémons pedra. — comentou Byron.
Mas você está deixando de falar com seu filho por questão de gosto? — perguntou outro lado de seu pensamento.
— Mas ele é tão cabeça dura...
Exatamente como você.
— Não entende nada que eu digo e leva tudo na brincadeira!
Exatamente como você. — continuaram os pensamentos.
— E eu não consigo aceitá-lo sendo um líder tão fraco e reprimido!
Ele é o seu filho.
Byron virou-se, já não podendo mais notar a presença de nenhum daqueles jovens encontrados naquela tarde. A rua estava completamente vazia, aos poucos ia entardecendo e o céu ficava com uma beleza deslumbrante no porto de Canalave, mas nem mesmo aquele espetáculo seria capaz de suprir o vazio que cobriu o coração do líder naquele instante. Por um momento chegou a sentir o arrependimento, mas colocou as mãos no bolso e voltou para mais um dia de descanso após o trabalho. Byron nunca havia ligado muito para os encontros de família, e não seria agora que ele resolveria todos os seus problemas.

      

Fire Tales 21


Uma fina gota de suor desceu pelo rosto de Mothim que entrelaçava suas próprias mãos enquanto segurava um pacote vermelho com enorme carinho e cautela. O rapaz estava logo atrás de uma parede a observar o movimento de seus companheiros de equipe no pátio da guilda. Próximo à fogueira central Croagunk estava sentado ao lado de Yanma segurando um galho com fogo na ponta e ameaçando tocá-la. Yanma ria e se divertia com as esquisitices de seu companheiro e nem se deu conta do momento em que Marco foi aproximando-se timidamente com o olhar baixo e as mãos para trás. Ele coçou a cabeça e cumprimentou os dois com um aceno.
— Olá... Como vocês estão?
— Quentes. — disse Croagunk com uma risada, olhando atentamente para Mothim enquanto queimava sua própria pele. Yanma deu um empurrão no amigo para que ele soltasse o galho, e após apagá-lo retribuiu o aceno de Mothim com um sorriso.
— Nós estamos bem sim, Marco. Só é melhor ficar longe do Yoshiki, chega esse horário e ele começa a ter essas ideas loucas envolvendo fogo e tudo o mais. — disse Jade — Né, precisa de alguma coisa?
— Só mantenha esse fogo longe de mim, acredite. Eu também tenho sérios problemas com ele. — assentiu Mothim — Bom... Eu queria conversar com você...
Jade riu e jogou o graveto dentro da fogueira que foi inteiramente coberto pelas brasas até desaparecer. Ela abriu um pouco de espaço para que Mothim se sentasse ao lado dela, mas o jovem ficou a fitá-la como se insinuasse algo a mais. Marco coçou a cabeça um pouco encabulado e falou de forma envergonhada:
— Não tem como a gente conversar... em outro lugar...?
— Ah. — indagou Jade um pouco surpresa.
A libélula olhou para seu amigo Croagunk que permanecia rindo como se não ligasse para aquilo, era apenas uma conversa. Yanma concordou com a proposta e ergueu-se num pulo, e a cada momento que ela se aproximava do pobre Mothim ele afastava-se mais.
 — Pode deixar, vamos conversar, sim. E Yoshiki! Não continue os jogos sem mim, tudo bem?
— Keh, heh, heh... Vou me segurar para não colocar fogo no acampamento. — respondeu o Croagunk, mas assim que Yanma e Mothim iam se afastando ele chamou a atenção dos dois novamente — Ei, Marco. Estou de olho em você. Keh, heh, heh...
Mothim sentiu um calafrio subir-lhe pela espinha e prometeu que não faria nada de errado. Jade foi seguindo a mariposa que caminhava com precisão e não olhava para os lados, ele a levou até uma área afastada do acampamento que dava vista para uma praia de areias brancas na rota mais próxima. Assim que os dois ficaram a sós e distantes da equipe o jovem enfiou as mãos no bolso e olhou para os lados pensando em suas falas ensaiadas agora que o momento havia chegado. O sorriso de Yanma mantinha-se de orelha a orelha.
— Bom, Jade... Eu te chamei aqui porque eu queria te falar uma coisa.
— Então, diga, diga! Gosto de saber dos segredos dos outros. Só não garanto que vou guardar, tenho um sério problema em revelar esse tipo de coisa. — apressou-se ela.
Mothim retirou um pacote avermelhado de seu bolso e entregou-o nas mãos da moça. Jade ficou estática, seus olhos se arregalaram com enorme curiosidade ao ver aquele presente de cores tão vibrantes. Em um cartão estava escrito o nome “Jade” com enorme detalhismo. 
O fato era que Yanma também não sabia ler, mas o que contava era a intenção de entregá-lo.  Ele estava tão vermelho quanto o vestido da moça, Jade ficou a olhar o pacote em suas mãos sem nem acreditar no lindo presente que recebera. E então Marco continuou:
— Eu... Tipo, fiz este presente para você! Pedi ajuda para o Leafeon para ler e escrever o básico, e dentro também terá uma carta, mas só leia mais tarde.
Mothim fez uma pausa e procurou um papelzinho na bolsa. Provavelmente eram as falas que ele havia deixado anotado. Jade riu ao notar o papel, mas nada disse.
— Bem, não precisa me responder se não quiser, só de poder desabafar com você já é ótimo... Eu sou um pouco envrgonhado, mas o Machoke e o Piplup me incentivaram a vencer meus medos e vir aqui dizer o que eu realmente sinto por você.
Jade atentava-se para as palavras de Marco que parecia ter ensaiado dias aquele discurso apaixonado. Em apenas alguns minutos ele falava mais do que jamais falara desde que entrou na equipe.
— ...E desde que a vi na equipe eu notei algo de especial em você! Eu gosto muito de você, sério! E... Acho que é isso! Obrigado por me ouvir!!
Marco suava ao terminar seu pequeno discurso para a moça. Yanma ficou a encará-lo com os olhos já tranquilos e dispersos como alguém que mal prestara atenção, mas em seguida a menina esboçou um sorriso amigável e guardou o pacote para abri-lo mais tarde. Ela caminhou em direção de Mothim e segurou na mão do jovem.
— Poxa, Marco. Que adorável o que você fez para mim. Eu te adoro de verdade, e também te acho uma graça, pois você é simpático, inteligente, sensível, criativo... Enfim, você é um fofo, mas...
Mothim ficou estático ao ouvir o “Mas”, e em um sinal de reprovação Jade confirmou o que ele suspeitava:
— Mas você é muito certinho para mim! Esse é o meu jeito, Marco. Eu gosto de uma aventura, algo mais perigoso, sabe? Não me entenda mal, você é um fofinho mesmo. — dizia ela com carinho ao segurar uma das bochechas do amigo — Você não vai ficar chateado com isso, não é?
— Não, não. De maneira alguma. — respondeu Marco com um sorriso.
— Ufa, que alívio! — disse ela apoiando as mãos na cintura — Eu adoraria ser sua amiga, acho um charme a forma encabulada como fala com as moças, mas é que tenho uma certa química pelo perigo e gosto muito do Yoshiki. Podemos ser amigos, então?
— Claro, amigos! — sorriu Marco, esticando a mão para Jade.
A Yanma deu um forte abraço na mariposa e assim ficou por alguns segundos até afastar-se. Ela levantou o envelope vermelho e prometeu lê-lo mais tarde com enorme carinho e disposição. Mothim concordou e esboçou uma feição de felicidade como de um dever cumprido. Assim que voltou para onde seus amigos estavam deparou-se com Machoke e Piplup a aguardá-lo.
— Marco!! Diga aí, companheiro. Como foi o encontro? Entregou o presente? Falou tudo certinho? Qual foi a reação dela? O que ela disse? — perguntava Duke animado.
— BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!
Mothim colocou as mãos no rosto e imediatamente começou a chorar e lamentar pela negação. Piplup ficou extremamente sem graça ao ver a situação do amigo, e aos poucos os companheiros ao redor foram se aproximando para também ver o que acontecia. Lágrimas rolavam pelo rosto do pobre coitado que havia acabado de levar um fora, provavelmente o primeiro de sua vida, e por isso ele agia de forma tão dramática e melancólica. Sentia como se seu mundo tivesse desabado por completo.
— Poxa, Marco. Tem que saber lidar com esse tipo de coisa, não se pode deixar magoar tanto... Bola para frente. — disse Piplup.
— Meu jovem, as pessoas tem o livre arbítrio de escolher o que é melhor para cada um, então você também tem de respeitar as escolhas da Jade. — continuou o sábio Gastrodon.
— É, cara! Você pode não ter meus músculos lindos e gostosos, mas você é um cara super style e tem um montão de qualidades. — continuou Machoke animado.
Mothim levantou-se com uma feição arrasada e perguntou:
— Qualidades?! Me fala pelo menos uma que eu tenho!!
Machoke ficou quieto na mesma posição encurvada, parecendo buscar qualquer informação útil no íntimo de suas memórias.
— Hm, essa me pegou... Eu disse que você tinha qualidades mesmo? — perguntou Sly não escondendo uma risada.
— O que exatamente a Jade chegou a falar para você? — interrompeu o Gastrodon.
— Ela me elogiou, agradeceu imensamente pela carta e disse que eu era um fofo e tudo mais, mas...
— Fofo? Putz cara, esse é o pior adjetivo que uma garota pode chamar você. Já foi arremeçado para a Friend Zone assim tão depressa? — perguntou Duke cruzando os braços de forma pensativa.
Mothim voltou a tampar o rosto e tentar esconder o lamento que sentia. Seus amigos não o ajudavam naquela situação, já era vergonhoso demais ter seus companheiro presentes a vê-lo em uma situação tão precária quanto aquela, mas ele não podia impedir de sentir o que seu coração lhe mostrava. Marco levantou-se e limpou o rosto com a manga da blusa, virou-se para os outros e disse bem baixinho:
— Eu preciso ficar um tempo sozinho, pessoal. Mais tarde estou de volta...
— Marco, não vá ficar se remoendo por dentro por não ter a mulher que você sempre sonhou. Deixe o tempo fazer tudo na hora certa. Vá em busca de outra e continue tentando! Você ainda é novo demais para sofrer por essas coisas. — disse Gastrodon.
— Me desculpa, tio Panetto, mas todos vocês tem alguma habilidade especial ou algo que os tornem diferentes. E eu? Eu não sou nada. Estou nessa equipe há mais tempo que qualquer outro e não chego nem aos pés dos novos guerreiros; não tenho nenhuma qualidade e nem mesmo sou uma boa companhia para vocês. Por favor, não opinem como se soubessem pelo que eu passo.
 O jovem correu para longe da guilda no mesmo instante. Não queria que mais ninguém soubesse ou ficasse caçoando dele pelo fora que levara, e no fim das contas, tanto esforço havia resultado em uma simples “amizade”. Marco não conseguia compreender aquilo e não gostaria de ter Jade somente como uma amiga, ver todos os símbolos de poder e força na guilda compromissados era como um insulto. Até mesmo Titânia tinha uma certa afeição por Aerus, e tudo que Mothim desejava era ser reconhecido em sua própria equipe como alguém importante, mesmo que aquilo custasse quem ele realmente era.
O jovem olhou para o céu e viu as estrelas. Como desejava ser uma delas para estar lá no alto e ser observado por milhões de humanos e Pokémons, mas ele não gostaria de ser uma simples estrela, faria de tudo para ser a mais brilhante e chamativa de todas, por mais que para isso tivesse que ofuscar o brilho dos demais.
— Eu só queria ser alguém importante... — comentou ele em voz baixa.
E então, notou alguém se aproximando-se nas redondezas.
— É complicado lutar por aquilo que desejamos, não?
Quando Mothim virou-se pôde notar Wiki que o acompanhara desde que havia deixado os arredores da guilda. Ficou parado enquanto a mulher continuou caminhando até estar exatamente em sua frente. Comparado com a altura de Marco Wiki parecia ser enorme, mas na verdade era o pobre rapaz que era um pouco menor do que os outros. Ele até precisava olhar para cima quando se dirigia à moça que esboçava um sorriso e o fitava com seus olhos intrigantes e hipnotizados.
— Por quê estava chorando? — perguntou Wiki.
— Eu só tive alguns problemas... — comentou ele um pouco sem graça tentando limpar o rosto úmido, mas Wiki o interrompeu segurando-o da mesma forma e com carinho secando as lágrimas que aos poucos foram cessando.
— Você está triste com a Jade, não? Eu estava olhando, foi muito lindo o que você fez. Não é bom guardar nossos sentimentos numa caixa, guardá-los assim pode resultar no corrompimento dos arquivos de modo que nunca mais sejamos capazes de abri-los novamente. Ás vezes temos a necessidade de liberá-los para que o mundo inteiro ouça.
— Mas de que adianta, se ela não deu bola? Acabo fazendo o papel de idiota, não tenho assunto para conversar com as garotas, não sou atraente, inteligente, ou forte; nem eu saberia dizer minha personalidade ao certo. Sou tão normal que acabo sendo apenas um pontinho preto neste vasto universo...
Wiki aproximou-se de Marco e ajoelhou-se, segurou no rosto dele esboçando um sorriso sereno e encarando-o com seus olhos sedutores. Ele corou um pouco por estar sendo tocado por uma moça tão bela e almejada na guilda, e na tentativa de confortá-lo a guerreira cibernética explicou:
— Você está inseguro de si mesmo, sinto um alto nível de negatividade em seu coração puro e honesto. Você não acredita em seu próprio potencial, mas podemos mudar isso, e eu sei como resolver este seu problema.
— Como?
Se Wiki fosse do tipo que se esbanjava por uma conquista, o pátio da guilda serviria como uma passarela; a verdade é que ela realmente gostava de se mostrar para os outros, mas não explicitamente naquela ocasião. Preferia ficar a sós com Mothim, ir aos poucos conhecendo-o melhor para que ele se acostumasse com a sensação de ter uma moça ao seu lado, ela sabia como cuidar de alguém sem que apenas procurasse benefício próprio. Wiki andava agarrada a um dos braços de Marco que quase saía do chão somente para acompanhá-la. A moça tinha as bochechas coradas e um sorriso de satisfação no rosto, enquanto o rapaz não sabia ao certo o que fazer. Gabite ficaria boquiaberto assim que soubesse da notícia e não pouparia as risadas e as parabenizações pelo jovem esquecido da guilda ter conquistado a mulher mais disputada da equipe.
— Mothim? Quem é ele? Esse cara faz parte da equipe mesmo? — brincariam alguns.
Se era atenção que o rapaz procurava, então finalmente conseguiria. Em seu íntimo Marco somente fizera aquilo por estar em uma extrema necessidade de ter alguém ao seu lado, nem sequer importava-se com quem fosse, contanto que lhe trouxesse sucesso
Nunca antes havia notado algo especial em Wiki, não havia parado para reparar em suas curvas sinuosas ou nos seios avantajados da moça. Ouvia muito de seus companheiros que ela era do tipo fácil e poderia ficar com qualquer membro da equipe, mas para Marco não havia problemas, pelo menos agora ele poderia dizer que estava alguém recebendo toda a atenção que sempre sonhou, sendo ela uma pessoa boa ou ruim.
Quando Marco virava-se para conversar com Wiki ele até se assustava.
— Parece que eu estou conversando com seus peitos.
— Quer que eu diminua de tamanho? Posso me adequar à sua altura se preferir. Chega a parecer um pouco estranho um casal no qual o homem é bem menor do que a mulher, mas estou aqui para atender suas necessidades. — sorriu ela.
— N-Não, pode deixar assim mesmo... — respondeu Marco um pouco sem graça.
Wiki segurou no braço do rapaz com mais força enquanto caminhava ao redor da base como se o levasse para uma viagem. Ela deu um leve toque em seu ombro e perguntou:
— Então, o que você acha que devemos fazer em um encontro?
— Eu não sei, nunca sai em um...
— Eu gostaria de levá-lo para ver as estrelas, aceita meu convite?
— Esta é uma das poucas coisas que sei, e que faço bem dentro dessa guilda. Podemos tentar outra coisa? — argumentou ele.
Wiki tocou levemente no nariz do pequeno que afastou-se.
— Você conhece, sim; mas nunca as viu através de meus olhos. Você conhece as estrelas, mas não as entende. Não sabe ouvi-las.
Wiki era uma mulher cheia de mistérios e repleta de insinuações escondidas. Ela posicionou-se exatamente em frente à Mothim e segurou em suas duas mãos. Marco virou-se um pouco sem graça, não sabia se eles haviam chegado a uma etapa do encontro mais avançada.
— Devemos nos beijar?
— Hm. Não exatamente, acredito que eu te assustaria se fizesse isso de cara. — riu ela, admitindo que tinha usado seus sensores para prever a reação de Marco — Podemos conversar sobre os seus e os meus gostos. Então vemos se nós combinamos um para o outro e vamos aos poucos nos conhecendo melhor. O que acha da ideia?
— Mas eu pensei que nós já estivéssemos juntos...
— Sim, mas eu quero ensinar-lhe algo antes de mais nada.
Wiki sorriu ao abraçar Marco com muita força e carinho, era um abraço terno como de alguém que protege algo que é muito importante para si. A princípio o pequeno ficou corado sem entender bem o motivo daquilo, mas enquanto ela o abraçava Wiki continuou:
— Não devemos amar alguém somente pela beleza física ou pela atração direta. É óbvio que isso influencia muito, mas você gostava da Jade sem nunca antes ter conversado com ela. Ela é um tipo de mulher que gosta de caras excêntricos, por mais que ela seja sua alma gêmea não tem como você fitar o mesmo espaço para ela, consegue entender?
— Acho que eu tenho azar com essas coisas, sempre acabo gostando da mulher errada. — riu ele um pouco sem graça.
— Entenda que a mente das mulheres sempre será um mistério. Eu também sou do tipo que gosta dos caras que não liga para a gente, mas nem por isso deixo de curtir outros tipo. Se eu fosse um pouquinho mais nova você estaria no meu esquema! ♥ — brincou ela.
Mothim riu e abaixou sua fronte continuando a caminhar. Sentia-se bem por estar de mãos dadas à alguém que não fosse o vento que o acompanhara até então. Logo Wiki perguntou:
— Diga-me, o que exatamenta a Jade falou para você?
— Ela foi gentil comigo, mas acho que por educação. Falou que era muito fofo e ela adoraria me ter como um amigo, mas...
— Certa vez eu ouvi o Aerus falar que tudo que vem antes do “Mas” é mentira. Acredito que poderíamos classificar como verdadeira essa afirmação em meu banco de dados. — refletiu Wiki com uma risada, vendo nitidamente que Marco ficara ainda mais chateado com o comentário. Ela caminhou até uma árvore caída e assentou-se nela, cruzando as pernas e observando seu parceiro com certa convicção.
— Você é jovem e procura alguém que possa cuidar de você, é por isso que a Jade não fitaria esse perfil. Posso sentir que não sou o tipo de mulher para você, mas ainda assim eu queria te dizer essas coisas. Não se sinta no dever de ficar com alguém somente porque todos os demais também ficam, você não é todo mundo. — explicou a moça — Veja seus amigos, o Duke e o Sly. Eles sempre estão aí para te dar a maior força, e nem por isso precisam de uma mulher ao lado deles.
Mothim coçou a cabeça um pouco pensativo.
— É difícil ouvir uma explicação assim vindo de uma moça...
— Então vamos resolver isso como machos. — respondeu ela, assumindo sua forma masculina que fez o pobre Mothim dar um berro. Mozilla riu e deu alguns tapas na costa do jovem, aproximou-se da mariposa e explicava com maior intimidade e descontração.
— Vou te contar um segredo, dizendo isso de homem para homem. Tem vezes que queremos ficar com os amigos e essas mulheres não nos deixam em paz, dá pra acreditar?
Mothim riu com o comentário e concordou, Mozilla continuou:
— E quem disse que você não tem assuntos a se tratar com as mulheres? Estamos tendo uma longa e agradável conversa há um bom tempo. Não seja assim negativo, desse modo você atrai energias negativas do universo. — explicou ele — A Jade é uma boa menina, mas você precisa de alguém que cuide de você. Não imagino se você ficasse fazendo aquela brincadeira do fogo com ela, que tipo de incêndio vocês dois causariam?
— Verdade, seria perigoso tomar conta de uma menina ainda mais problemática do que eu. — disse Mothim abaixando a cabeça e olhando para o chão um pouco pensativo, assim que levantou-se pôde notar que Wiki assumira sua forma feminina novamente e agora o encarava muito mais próxima do que qualquer outra vez.
— Sabe dizer se está aqui hoje comigo porque gosta de mim, ou apenas porque eu o convidei?
Mothim ficou quieto tentando entender onde a moça procurava chegar.
— Nós nunca conversamos antes, somos companheiros de equipe e nosso dever é ajudar os outros, por isso eu vim aqui conversar. Quero ter a oportunidade de entender melhor a sua cabeça e porque você age como se ter uma mulher ao seu lado fosse tão necessário. — explicou Wiki — O que você acha que isso mudaria?
— Se eu tivesse uma namorada os outros notariam mais em mim... O Aerus, o Castelo, o Mikau, o Sir Isaac, o Chaud, o Yoshiki, o Al Capone, o Karl, o tio Panetto... Todos eles são muito poderosos e têm alguém ao lado.
— Mas seus amigos não têm ninguém especial, e ainda assim são ótimos guerreiros. — comentou Wiki.
— Sim, mas, eu não queria ficar nessa ala dos excluídos, porque se eu quiser ser popular como os outros preciso de uma mulher linda ao meu lado.
Wiki o encarou e em seguida soltou uma longa risada. Mothim riu não entendendo ao certo o motivo da moça rir tanto, mas como de costume ela o agarrou entre seus braços e lhe deu mais um forte abraço.
— Eu sou sozinha e não tenho nenhum companheiro, embora eu ainda seja uma das guerreiras da nova geração mais fortes da guilda. Então eu não sou popular porque não tenho um par?
— N-Não é bem assim... Você é uma excessão. — disse Mothim.
— Então você também pode ser. A mulher é importante nesse progresso porque seus companheiros almejam se tornarem mais fortes para protegê-las. Um torna-se melhor para proteger e chegar ao nível do outro.
— E por quem eu me tornaria mais forte?
— Faça isso por seus amigos, faça isso por mim. — sorriu ela.
Wiki ficou quieta enquanto segurava uma das mãos de Mothim até interrompê-lo um pouco assustada.
— Que pensamentos estranhos estão circulando sua mente... Você acha mesmo que sou tudo isso?
— Gaaah! Você consegue saber no que estou pensando quando me toca?! — perguntou ele assustado, vendo Wiki cair na risada e explicar-lhe de seus avançados poderes tecnológicos.
— E eu não estava pensando em beijá-lo, pelo menos não por enquanto! ♥
Mothim soltou um longo suspiro e continuou caminhando, a moça chamou-o novamente e após ajoelhar-se para ficar na sua altura apontou para as estrelas no céu para que pudesse finalizar o assunto inicial que ela havia comentado.
— Marco, Marco, ouça. Até mesmo as estrelas que brilham no vasto universo podem apagar um dia. Você não precisava ser a mais brilhante de todas para chamar atenção, basta ser única.
Ela ajoelhou-se em frente ao rapaz e sorriu para ele. Suas bochechas pareciam estar sempre coradas feito maçãs-do-amor, seus olhos poderiam hipnotizar qualquer um que os olhassem por muito tempo, mas naquele isntante Wiki somente transmitia a sensação de carinho e cuidado. Ela queria cuidar de Mothim como qualquer outro membro, e por isso fizera questão de convidá-lo para sair.
— Sabe o que você tem de especial? Você é fiel. Não se importa com as aparências ou riquezas que seus amigos têm, você sempre fica ao lado deles, e isso os faz que se sintam bem. Você não precisa ser o integrante mais forte ou bonito desta guilda, não precisar ofuscar o brilho das demais estrelas para se sobressair. Basta ser fiel à sua causa, viver à sua maneira.
Mothim a fitou encantado pelas palavras honestas e amigáveis. Sentiu como se Wiki fosse sua irmã mais velha disposta a proteger o mais novo com enorme devoção. Dessa vez foi Marco quem a abraçou sem poder conter-se, repetia diversas vezes seu nome agradecendo por tudo que ela lhe dissera. Wiki aconchegou-se nos braços da mesma forma enquanto acariciava sua cabeça.
— Obrigado, Wiki!! Obrigado de verdade!
— Este foi um encontro que tivemos. Não vá agir como alguém que não é somente para impressionar os outros, tudo bem? Não procure algo somente para querer tornar-se grandioso, saiba viver seus momentos com os encantos da natureza e daquilo que tanto aprecia.
— Sim!! Vou me tornar forte por meus amigos e por você. Não preciso de fama ou sucesso para viver, quero apenas compartilhar de meus momentos ao lado de quem amo. — disse Marco.
— Saiba que sempre poderá contar comigo quando quiser, se cuida. ♥
Wiki remexeu os cabelos negros da mariposa e assim sorriu, para aos poucos ir retornando até o pátio da guilda.

No silêncio que se seguiu, Marco simplesmente ficou parado, permitindo que a  eternidade do espaço e da luminosidade esparsa o fizesse sentir-se pequeno, deixando suas percepções serem capturadas pela luz das estrelas e pela ideia de que tudo tinha haver com ele. Wiki havia deixado Marco exatamente onde se viram pela primeira vez naquela noite, mas agora as estrelas que estavam mais brilhantes no ápice da noite foram aos poucos desaparecendo com o amanhecer, dessa maneira, dando espaço às estrelas que só podiam ser vistas durante a madrugada. 
Marco entendia de estrelas tão bem quanto ninguém, notou uma pequena mais alaranjada próxima à uma de cor rósea e ficou ali a imaginar a importância que ela tinha ao ser a mais brilhante, especificamente naquele horário da manhã.
Aquela era a sua estrela, ao anoitecer escondia-se entre o brilho das demais, mas quando a manhã chegava era a única a continuar brilhando no céu quando todas as demais haviam ido embora.
— Obrigado por me fazer enxergar as estrelas que só podem ser vistas à esse horário, Wiki... Por me fazer amá-las e ouvi-las. 
Marco colocou as mãos no bolso da blusa e soltou um longo suspiro de gratificação voltando para a guilda, no caminho olhou para trás e refletiu:
— Mas por que será que sempre me apaixono pela mulher errada..?

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto... 

E conversamos toda noite, enquanto 
A Via Láctea, como um pálio aberto, 
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto. 

Direis agora: "Tresloucado amigo! 
Que conversas com elas? Que sentido 
Tem o que dizes, quando não estão contigo?" 

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas". 

Opening - Saga Diamante

Presente do fim de semana, nossa segunda abertura de Sinnoh para a Saga Diamante! Eu sinceramente não esperava mais trazer nenhum vídeo relacionado à fanfiction; com a quantidade de personagens e acontecimentos eu não via mais como criar algo nesse estilo baixando vídeos e mantendo tudo equilibrado e bem pensado desde a canção até as imagens utilizadas; mas é aí que está, este aqui foi um presente mesmo. 

Com muito esforço e determinação a Leeca nos trouxe aqui esta segunda abertura em grande estilo! Praticamente todos os personagens de peso fizeram alguma aparição rápida, e no fim temos um grande vislumbre de tudo que aconteceu e que ainda pode acontecer até o fim de nossa história. Eu perdi minha habilidade em criar vídeos, mas por sorte ainda tenho apoio nesta parte dos projetos. Quem sabe o que podemos aprender até o início da próxima saga? 100% aprovado! Espero que possam aproveitar cada detalhe do vídeo.

Notas do Autor (Capítulo 46.5)

Talvez possamos marcar este capítulo como um Sadness Orchestra Parte 6, pois ele está diretamente ligado à essa parte da estória. Apenas mais alguns fatos sobre a Dawn, mas agora deixemos o passado para trás e voltemos a analisar a viagem no presente. Caso você tenha lido as outras cinco partes do especial da Dawn você acabará por ver este aqui com olhos totalmente diferentes, se não leu também não há problema, mas tudo acabará por ficar mais vago. Mas de certa forma a mensagem que eu quis transmitir ficou presente durante todo esse especial: "Não se deixa influenciar pelos outros." "Acredite que todos os pontos irão interligar-se de alguma maneira no futuro." "Faça o que ama." Eu fico feliz por finalmente ter conseguido terminar o especial desse ano, costumo fazer um grande nesse estilo a casa temporada, sendo que o primeiro foi o Ex-Elite 4: O Fim de um Legado. Ainda terei tempo para pensar no último para a Saga Platina, e espero continuar surpreendendo cada vez mais. 

Senhores, agora o jeito é continuar acompanhando os acontecimentos na história central e aguardar pelas batalhas mais quentes da fic. Que venha Canalave, no próximo capítulo inauguramos a cidade! Do Capítulo 47 em diante os acontecimentos não param, o melhor Arco desta temporada está para começar. Ah, e sábado também tenho uma surpresinha para vocês *risos* Presente da Leeca.

Pokémons dos Pais da Dawn

Muitos começaram a montar teorias sobre as duas sombras presentes no vídeo de aniversário do Aventuras em Sinnoh, e agora tivemos as primeiras evidências de quem era a sombra de um Pokémon que ninguém acertava. Cheguei a comentar com um leitor que a Dawn chegaria bem perto de capturar um novo integrante por volta do Capítulo 46, e certamente, chegou bem perto mesmo. A diferença é que reencontraremos esses dois companheiros mais cedo do que vocês esperam, pois tenho acontecimentos fascinantes escondidos por trás desses dois. Houve um trecho neste capítulo que eu até destaquei em itálico porque seria interessante vocês lembrarem. Essas duas criaturas perdidas ainda serão motivo de muito enredo pela frente... Tudo isso em Canalave. É a cidade dos metálicos né, eu tinha que fazer algo que a tornasse memorável e ninguém nunca tenha pensado.

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