Resultado - 1° Primeiro Concurso de Fanfictions da Aliança Aventuras

Um pequeno discurso à equipe da Aliança Aventuras, aos vencedores, participantes, leitores, e todos os demais colaboradores deste imenso e prazeroso projeto de nossa equipe,
Acredito que agora estejamos no último passo de finalizar este concurso com grande êxito. Pude finalmente ver cada palavra com olhos de um dever cumprido, e apesar do limitado tempo que tivemos fomos capazes de cumprir nossos deveres e ainda finalizar este exaustivo Concurso, que convenhamos, não foi nada fácil. Agora vêm o resultado dos frutos que plantamos das árvores descobertas, muitas delas escondidas entre os galhos secos de vários outros projetos que embora não tenham vencido me fizeram rir e divertir-se com acontecimentos fabulosos e ainda com coisas bizarras dos textos que aqui enviaram.
Quando lancei o projeto até tive algumas implicâncias com meus companheiros de equipe, nem todos tinham certeza de que tínhamos condições de realizar algo desse porte em uma época meio apertada para alguns por conta das viagens, mas por sorte todos nós nos acertamos para que no fim cada um ajudasse o máximo que pudesse tirando tempo de suas férias preciosas criando projetos em suas formas particulares de ajudar no que fosse possível colaborando para que tudo ficasse perfeito e não sobrecarregasse apenas um.
E agora, vamos aos tão aguardados resultados do Concurso. Dando uma rápida olhada de relance pela postagem vocês provavelmente já saberão os vencedores finais e as novas regiões a entrarem na equipe, mas ainda assim tenho algumas explicações a dar aos vencedores e participantes. No fim desta batalha foram 15 Projetos, 5 Regiões, e 2 vencedores. Ou melhor, duas vencedoras.
É com grande entusiasmo que faremos a abertura da nova região de Oblivia e a reabertura de Johto assim que possível. As duas vencedoras desta batalha foram...
Zyky Flareon com Oblivia,
e Marina com Johto!
Estaremos enviando uma mensagem à todos que participaram desta batalha, e por mais que muitos não tenham conquistado a vitória, saibam que todos ainda são guerreiros e estiveram presentes ao representarem seus respectivos objetivos e anseios. Cada escritor foi como uma árvore plantada capaz de alcançar as alturas, a diferença é que algumas em especial conseguiram crescer mais do que as outras, mas ainda assim são árvores fortes e estrondosas que não podem ser derrubadas facilmente.
Com um rápido vislumbre logo abaixo vocês podem ver o Certificado que será enviado para todos os competidores, assinado por todos os membros da Aliança Aventuras e entregue diretamente por mim. Seguindo o Anexo do Certificado os participantes também receberão uma mensagem com uma breve análise dos pontos falhos de seu projeto e um rápido discurso à respeito da partipação em geral. As duas vencedoras receberão um certificado e uma mensagem da mesma maneira, e ao terminarmos de organizar os blogs as novas integrantes já poderão considerar-se parte integrante da Aliança Aventuras. Faremos uma postagem assim que as novas regiões entrarem na ativa, iniciando assim suas respectivas estórias e postagens.
As regiões remanescentes que não foram anunciadas permanecerão fechadas e podem vir a ser reaberta em um concurso futuro, por isso, não percam suas esperanças nesta batalha e continuem a melhorar suas habilidades na escrita. Leia muito, comente, faça amizades, tenha opinião. Construa, e eles virão.

Agradeço pela equipe fabulosa que tenho; pelas pessoas honestas que hoje formaram a Aliança mais divertida que se pode ter nos ensinando a encarar desafios; a nos preparar para o mundo lá fora mesmo que com um Concurso simples; e principalmente, a confiar em pessoas que nunca vimos, mas confiamos da mesma forma, e com tamanha força que essas pessoas recebem o nome de amigos para que os guardemos em nossos corações de forma que o tempo e a idade não possa apagar. Quando computadores ficarem velhos, quando os blogs já virarem um universo 3D em primeira pessoa, quando o tempo nos aprisionar em uma ampulheta de vidro sem volta, ainda vou me lembrar da Aliança Aventuras e poderei dizer: Só paramos porque não tinha mais como subir.
Atenciosamente, Canas Ominous.

Imagens feitas por Litos
Notas do Autor (Capítulo 46)

Certamente, um capítulo marcado de muita nostalgia para quem já está aqui acompanhando o blog há um ano, e até mesmo para quem acompanhou a fanfiction há dois pelo Nyah.Ver os Irmãos Wallers passarem por Oreburgh novamente trará uma sensação de volta para vocês, e com isso, podemos marcar este capítulo como a abertura de Canalave, uma vez que agora temos um novo companheiro de viagem para a aventura que será importante nesse Arco. Desejo um bom retorno às aulas para quem já está de volta a rotina, vou continuar com meus projetos e tentar continuar seguindo com o Curso da PlayGame. Obrigado pela grande recepção no último capítulo, é bom ver o pessoal participando e se divertindo novamente! Que venha Canalave, Roark, Byron, e milhões de outras coisas que vocês não perdem por esperar. (Na verdade, acho que ainda teremos o Capítulo 46.5 antes da cidade, mas deixa para lá.)
Earthquake Moveset?
Tenho uma explicação rápida para os veteranos de plantão da mecânica dos games em geral. Como vocês já devem saber, os Gabites e suas evoluções não aprendem o movimento Earthquake naturalmente. O único método seria por TM ou nascendo com essa habilidade. Agora, o que pretendo fazer na estória? Mostrar o Aerus aprendendo um movimento tão épico por meio de um TM seria simplesmente ridículo, sem nenhum clímax, sem nenhuma adrenalina, é apenas chegar usar o item e pronto. Pior ainda seria fazer aquele "Poof!" que tem nos jogos. Não quero isso para Sinnoh, por isso, estou bolando uma mecânica nova para o aprendizado de movimentos de alguns Pokémons.
Por exemplo, conforme o Lukas citou, se o Aerus insistir em seus treinos com o Rock Slide ele pode vir a aprender o Stone Edge, como um aperfeiçoamento de sua técnica. O mesmo se deve à um Sand Tomb que pode virar um Earthquake, ou um Dragon Rage que pode virar Dragon Claw e depois Outrage. Entendam que sou muito estrito quanto às regras de movimentos dos Pokémons nos jogos, não vou chegar e colocar um Gabite com Magnitude porque sei que de nenhum modo ele pode aprender esse movimento, mas Earthquake ele pode. Então, basicamente, essa explicação é para que vocês tenham em mente que esse método é para o melhor andamento do próprio roteiro como fanfiction para que um determinado Pokémon não aprenda um movimento de forma completamente normal e sem graça.
A Infância de Dawn
Semana que vem estarei trazendo a última parte do especial Sadness Orchestra que fala sobre a infância da Dawn. Este especial não é obrigatório, pode ser uma leitura um pouco forte para os mais novos, mas quem chegou a ler provavelmente entenderá muito melhor as cenas finais deste Capítulo e ainda algumas que virão no Capítulo 46.5. Juro que não calculei o tempo de postagem desse especial, mas acabou calhando que ele vai terminar perfeitamente quando eu mais precisava, interligando o especial e a História Central. Aguardem!
EDIT: A página Recurring Characters foi atualizado com os avós dos protagonistas.
Capítulo 46

O céu se mostrava incomumente mais acinzentado nos últimos dias. Parecia que uma forte frente fria se aproximava, e com ela, a chegada do inverno. Na atual estação o clima ameno já castigara o sul da região de Sinnoh, tanto que os jovens irmãos Wallers chegaram até mesmo a se deparar com neve na cidade de Twinleaf quando iniciaram sua jornada. Os treinadores deveriam começar a se preparar, pois era dito que seria uma das épocas mais frias da última década.
Luke estava com as mãos no bolso, sentado sobre uma pedra a observar uma batalha. Lukas preparava um almoço reforçado para seus companheiros, e Dawn estava com um caderno de anotações na mão. Em sua frente estava Titânia com seu ar de superiodade a encarar o dragão de óculos escuros que treinava sob custódia da veterana.
— Vamos lá, Gabite. Você consegue. — encorajou Dawn.
O dragão pegou impulso e partiu em direção de Titânia que acertou-o com sua cauda. Gabite foi lançado para o chão como uma bala, mas num piscar de olhos logo levantou-se e partiu novamente para cima da serpente de pedra que continuava a acertá-lo.
— Mexa os pés. — comentou Luke a distância com os braços cruzados e acompanhando o treinamento de forma séria.
— Gabite, concentre-se em seus movimentos. Vou te dar mais uma chance. — Titânia encarou o dragão que de certa forma agia com impaciência e euforia. A criatura deu um salto para o alto e em seguida se jogou contra o chão o mais forte que podia. Um tremor pôde ser sentido, embora nada muito significativo. Aquela havia sido uma tentativa falha de um Earthquake. Gabite caiu de joelhos no chão com suas garras machucadas e decepcionado consigo mesmo por ter falhado mais uma vez.
— Não foi dessa vez, Aerus. Se quer aprender um golpe de tamanha magnitude como o Earthquake precisará focar-se mais nos treinos e se dedicar. — explicou Titânia.
O dragão esperneava de raiva enquanto ouvia o conselho de sua tutora. De repente ele começou a cavar um buraco no chão e ali se escondeu como se não procurasse mais papo. O treino havia se encerrado. Titânia aproximou-se de Luke e soltou um suspiro.
— Ele é muito cabeça dura.
— Já faz um bom tempo que o Gabite está tentando aprender o Earthquake, por que ele não consegue? — perguntou Luke.
Lukas, que ouvira o comentário de seu irmão, prontificiou-se a responder:
— Se formos analisar a capacidade dos Gabites em aprenderem a causar terremotos, então eles são incapazes de realizar tal movimento naturalmente. O único método seria pelo uso de TMs ou pelo treino contínuo com algum outro Pokémon que também possui o ataque.
— E isso é possível? — questionou Dawn.
— Tecnicamente, se o Pokémon se empenhar muito ele é capaz de aperfeiçoar seus movimentos. Um simples lançamento de rochas pode vir a se tornar um Stone Edge caso o usuário se esforce. — continuou Lukas.
— O Gabite começou a treinar dessa forma depois de saber que o Torterra do Stanley já havia aprendido o movimento mais poderoso entre os Pokémons terrestres. Acho que isso o fez até mesmo vencer seu orgulho e pedir para a Titânia tentar ensiná-lo a usar o Earthquake, mas até agora não tivemos muito progresso. — disse Luke com uma risada.
— Sim, e acrescento que não está sendo uma tarefa nada fácil. — disse Titânia de forma pensativa — Ele é muito teimoso... Não consegue aceitar que os outros estão superando-o enquanto ele ri e se diverte. Acredito que o Gabite esteja percebendo que precisa treinar mais para defender seus amigos daqui para frente, uma vez que os oponentes estão aumentando de nível.
A serpente aproximou-se do local onde Gabite havia se enterrado procurando por palavras para que o guerreiro saísse e encarasse os desafios. Ela aproximou-se do buraco e sussurrou:
— Vamos lá, Gabite. Tente mais uma vez...
A resposta foi um montinho de terra lançado no rosto de Titânia. Luke riu de imediato, mas foi calado no momento em que a serpente de pedra parecia extremamente irritada com o ato infantil do dragão.
— Minha paciência já limitada torna-se escassa quando você age dessa forma. Não consegue aprender a causar um simples terremoto? Então digo que se você não aprender isso nunca será capaz de me derrotar em uma batalha!
Titânia ergueu-se e causou um forte terremoto na área batendo sua cauda com força contra o chão. O impacto causou um tremor intenso na área local, embora nos arredores fosse amenizado. Gabite fora afetado uma vez que estava embaixo da terra, obrigando o dragão a sair de lá aos berros e xingos. A serpente estava furiosa, iniciando assim uma discussão com a criatura de modo que seus treinadores não pudessem entendê-los.
— É esquisito vê-los discutindo, é como se a Titânia fosse a treinadora da equipe. Então, o que você é deles, Luke? Só um amigo humano? — brincou Dawn.
— Ah, deixe-os discutir, eles devem se entender. Mas de certa forma, a Tih está certa, se o Gabite continuar de brincadeira e não se esforçar mais ele começará a ficar para trás da equipe e pode vir a perder o respeito. — comentou Luke pensativo.
Os jovens deixaram os Pokémons a discutirem. O garoto abocanhou um sanduíche que tinha em mãos perdendo-se em seus pensamentos enquanto encarava a área a sua volta e pensava no que fazer assim que eles chegassem à Canalave. Em breve a cidade de Oreburgh estaria a sua frente, depois bastava passarem por Jubilife para que fizessem seu caminho até a cidade portuário de Sinnoh.
Mas, de repente, a figura de um Cranidos surgiu dentre alguns arbustos com um olhar perdido e assustado. Era um dinossaurinho fóssil extinto há milhares de anos que inexplicavelmente andava nas regiões montanhosas daquele planalto.

Luke deu um salto de onde estava, apontou para o Pokémon e gritou:
— Caraca, um Cranidos! Como é que iria aparecer um por aqui?!
— Aparentemente o terremoto da Titânia deve ter despertado o pequeno. Veja só como ele está assustado... — comentou Lukas.
— Será que o tremor abriu uma cratera para o passado de modo que Pokémons fósseis ganhassem livre transição entre o centro da terra e o nosso mundo? Mano, que muito louco!!
— Não viaja, só você pra ter esse tipo de pensamento. — riu Dawn.
— Ele deve ter se perdido de seu treinador. Pokémons como os Cranidos não são mais encontrados livres por aí, então, nem pense em capturá-lo, aposto que o dono virá buscá-lo em breve. — explicou o irmão.
Dito e feito, pouco depois um sujeito chamava incansavelmente pelo nome de seu Pokémon. Era um rapaz jovem de cabelos avermelhados, ele usava um par óculos e esboçava uma feição que os aventureiros já haviam visto há poucos meses atrás. Assim que o rapaz agarrou seu Cranidos ele levantou o olhar e avistou os viajantes que gritaram de longe:
— Roark!!

— Luke Wallers, o aspirante a campeão! Eu não esperava encontrá-los por aqui num momento como esse, como vocês estão?
— Na paz cara, eu é que fiquei surpreso quando vi esse Cranidos, e devia ter imaginado que ele era seu! — disse o garoto com um sorriso seguido de uma risada sem graça — Quase que eu capturo o bichinho hein, tu tem que tomar cuidado com Pokémons fósseis assim. Vai que aparece algum fanático e tenta capturar um deles.
— E não é verdade? Agora a pouco pude sentir um terremoto de alta magnitude causado por uma criatura de tamanho surpreendente, quase nove metros! Aposto que era um Onix, mas então eu pensei que uma cratera tivesse sido aberta no chão de modo que Pokémons ancestrais pudessem ganhar livre transição até a nossa época, já pensou nisso? — dizia Roark fascinado.
Do outro lado, Lukas e Dawn ainda não tinham ganhado tanto atenção.
— Esses dois nunca mudam, parece que se conheceram ontem. — disse Dawn com um sorriso.
A garota fez um rápido aceno para Roark que somente naquele instante se deu conta da falha cometida. O rapaz cumprimentou a menina com um gesto educado e em seguida foi em direção de Lukas. Os três explicaram o motivo de estarem fazendo aquela rota, pois pretendiam chegar à Canalave no máximo até o próximo dia.
— Sério que estão indo para Canalave? Por quê não ficam em Oreburgh por um tempo? Vamos lá, será bem mais interessante, Canalave só tem água e gente chata. — disse Roark, em seguida sendo interrompido por Lukas:
— Mas a biblioteca da cidade é a maior de toda a Sinnoh. Imaginei que gostasse de livros.
— E gosto, mas, sem querer me gabar, minha cidade também tem uma biblioteca. Acreditem, Oreburgh é muito mais agradável, em Canalave não irão encontrar nada de legal, passem alguns dias aqui na minha cidade!
— Puxa, seria muito bom passar mais um tempinho aqui com você, Roark, mas é que nós realmente precisamos ir para lá. — continuou Lukas.
— Não me diga que seu irmão pretende desafiar o ginásio metálico?
Assim que Luke ouviu tal palavra vinda de um líder, abaixou a cabeça e encolheu-se em seu canto. Dawn notou de imediato o incômdo do garoto, uma vez que Luke ainda se preocupava com as batalhas temendo machucar seus amigos caso a situação saísse do controle como da última vez.
— Bom, Roark... Pode vir aqui um minuto? — pediu a garota.
Dawn afastou o líder de perto fingindo fazer perguntas sobre batalhas e sobre sua cidade de modo que Luke não pudesse ouvir a conversa. Assim que estavam a uma distância razoável ela explicou o seguinte:
— Roark, algumas coisas aconteceram desde que nós nos encontramos na última vez, mas se não for pedir muito, evite tratar do assunto de batalhas de ginásio com o Luke. Digamos que ele esteja com alguns problemas psicológicos...
— Nossa, me perdoe. Isso me parece sério, mas eu nem pude perceber. Ele parece agir exatamente como da última vez que nos encontramos.
— Isso porque você está por perto, também me surpreendi ao ver essa rápida melhora nele quando você apareceu. Enfim, me falaram que trata-se de uma doença conhecida como megalomania. O Luke teve alguns problemas nos últimos ginásios, pode até mesmo ter passado na televisão, mas de forma geral, digamos que a reputaçaõ dele não esteja muito boa. Este é o motivo pelo qual ele está com tanto receio de enfrentar o ginásio, e também o motivo de precisarmos seguir para Canalave e não ficar aqui em Oreburgh.
— Vish, justamente o ginásio de lá? — perguntou Roark — Digamos que o líder de lá seja um cara meio... Bom, se fosse por mim o Luke poderia sentar a vara no líder metálico e mostrar quem é que manda mesmo! É capaz do próprio Luke virar o líder de Canalave, o velho de lá já está precisando se aposentar. — brincou Roark, fazendo Dawn soltar uma risada rasteira.
— Imagino que você tenha uma rivalidade com esse sujeito. — emendou ela fazendo uma longa pausa — Hm. Perdoe a minha pergunta, maseu posso estar errada... O líder não é o seu pai?
Roark virou-se um pouco acanhado, em seguida retirando o capacete e mostrando uma foto bem antiga do velho líder de ginásio da cidade de Canalave ao lado de uma criança sorridente em seu colo. Roark soltou um suspiro como se trouxesse a tona velhas memórias da infância, e depois de mostrar a foto para Dawn voltou a guardá-la.
— Pois é, o meu velho é o líder do ginásio metálico. Estou brigado com ele há alguns anos, e por isso eu queria que vocês não seguissem para Canalave, mas se o Luke precisa das insígnias, então espero que vocês possam vencê-lo.
Dawn riu, mas não prometeu nada. A equipe de Luke era muito poderosa, mas se fossem levar em conta a possível evidência de sua loucura então seria necessário que o jovem ficasse longe das batalhas por mais algumas semanas. Ou até meses. A própria Dawn estava perdida quanto ao que poderia fazer para evitar o pior, esperava ter alguma ideia assim que chegasse na cidade.
Antes dos dois voltarem para o acampamento, Dawn chamou por Roark mais uma vez.
— Notei uma estranha melhora no Luke assim que ele o viu. É como se ele esquecesse os problemas, sabe? Devo agradecê-lo por isso.
— Pode ficar tranquila, senhorita Manson. Se depender de mim eu posso manter a cabeça dele ocupada falando sobre Fósseis o dia inteiro! — respondeu Roark com um sorriso — E a propósito, você já marcou o *casamento com o Luke? (*Lembram-se do Capítulo 11?)
— Você não esquece disso, não?
Assim que retornaram, Luke foi logo procurar assunto com seu amigo novamente. Desde o primeiro encontro em Oreburgh os dois passaram a formar uma grande amizade, e agora, apesar de tanto tempo depois e do curto período juntos, Roark era um dos poucos que Luke poderia realmente chamar de amigo. Com tantos assuntos diversos e pendências a lidar, a conversa entre a equipe logo se estendeu.
— Meu...! Eu não acredito, meu...!! O Shieldozinho evoluiu e se tornou um Bastiodonzão fortão e bonitão! — brincou Roark, fazendo um aceno para Luke que respondeu da mesma forma — Você é um gênio Luke, nunca vi um fóssil tão saudável. Isso que pedras não tem saúde. Entendeu? Hah, hah, hah...
— Hah, hah!! Curti, curti. Mano Roark, tu é o cara, rapaz. E a propósito, o que você e a minha garota estavam cochichando ali atrás agora a pouco, hein?
— Sobre o seu casamento, espero que não tenha se esquecido.
— Gaah.... Não me lembra disso... Nem precisa dizer.
Lukas ria do outro lado, o garoto sentou-se próximo de onde sua mochila estava e Dawn logo o acompanhou. A menina afirmou ter explicado os motivos de Luke ter de evitar as batalhas, dizendo que o líder topara ajudá-lo distraindo sua atenção e mantendo-o desatento para evitar possíveis conflitos. E Lukas devia concordar que ao lado de Roark seu irmão voltava a agir como uma criança. E então, uma suposição surgiu na mente do jovem:
— Seria bom se o Roark nos acompanhasse até Canalave, não acha?
— Ele é um líder, querido. Não tem como deixar seu cargo por tanto tempo. — disse Dawn um pouco desanimada — Mas seria realmente interessante se ele seguisse viagem conosco, imagine só, um líder de ginásio ao nosso lado?
E por que não? Foi a palavra que não saiu da boca de nenhum dos dois, mas que ambos haviam pensado da mesma forma. Logo alguns gritos estabanados de felicidade podiam ser ouvidos novamente.
— Sua Onix!! Cara, cara, cara. Ela é a Pokémon mais linda que eu já vi em toda minha vida! E olha que eu já conheci muitas criaturas do tipo pedra. Admito que quando a enfrentei em meu ginásio tive que lidar com os fatos e derrotá-la, mas ela está ainda mais bela e revigorante agora... — disse Roark, aproximando-se da serpente — Se ela não fosse um Pokémon,eu já tinha encontrado meu par perfeito. Eu... Posso tocar nela?
— Sei lá, cara, eu evitaria aproximar-se muit...
Roark não lhe deu ouvidos e lentamente começou a apalpar a camada rochosa do corpo da serpente.
— Ahh! Senhor, você tem conhecimento da área que está apalpando? — rugiu Titânia um pouco constrangida, de modo que Roark desse um pulo para trás que fez Luke soltar uma ligeira risada. O treinador caminhou em direção de seu Pokémon e apresentou-a para o especialista.
— Tih, lembra-se do Roark? Nós o enfrentamos no início de nossa jornada e conquistamos a insígnia do carvão. Ele disse que você é a criatura de pedra mais linda que ele já viu.
Titânia virou e encarou Roark de forma severa, mas em seguida a feição irritada transformou-se num rosto meigo e acanhado vindo por parte da serpente gigante.
— Verdade? — perguntou ela um pouco envergonhada — Ora essa, então agradeça-o por mim. É sempre bom conhecer humanos que reconhecem a beleza de nós, Guerreiras antigas. Oh, estou até sem graça agora.
— Gawhr, bite. — grunhiu o dragão, dizendo algo como: Cobra Egocêntrica.
Luke e Roark riram com a cena, enquanto seu irmão e Dawn ainda refletiam sobre a ideia de tentar levar o líder consigo para Canalave. Foi então que o próprio Luke se prontificou em um momento inesperado:
— Ae, Roark. Bora pra Canalave juntos! Tu disse que teu pai é líder de ginásio lá, aproveita pra dar uma visitinha pro velho.
O líder ficou em silêncio parecendo refletir sobre a proposta. Ou Luke havia dito algo que o ofendera, ou Roark não acreditava no convite absurdo que ouvira. Dawn surpreendeu-se ao ver seu amigo praticamente pensar na mesma ideia que eles haviam tido, foi então que Roark respondeu:
— Tá de brincadeira? Vamos logo para a minha cidade que eu preparo as minhas coisas e a gente sai em jornada agora!!
— O quê? — indagou Dawn num pulo — E quanto ao ginásio? Não que eu queira que você não vá conosco, mas não seria ruim abandoná-lo por tempo ideterminado?
— Ah... Na verdade tem problema sim, mas eu deixo avisado que estou indo para uma reunião. — disse Roark sem graça.
— Ah, agora entendo por que metade dos líderes que enfrentamos não estavam presentes...
Dito e feito, o grupo seguiu até a cidade de Oreburgh sem hesitar. A Mina de Carvão já estava reativada, e Roark até mesmo se ofereceu para mostrar como ela estava depois da reforma. O progresso continuaria, o barulho infernal de uma das cidades mais poluídas da região era intenso, mas com Roark ao lado a conversa frenética entre os dois amigos parecia ser mais barulhenta do que o som das máquinas. Cada cidade, cada rota, cada momento. Fazer o caminho de volta era como retornar para sua cidade após a conquista da Liga Pokémon, mas ainda faltava uma longa estrada para que seus sonhos se realizassem, e agora, a viagem continuaria ao lado de um velho amigo que tanto os ajudara no início da jornada.
Roark foi até o seu ginásio e colocou um amigo encarregado da manutenção e de enfrentar os oponentes caso houvesse algum no período de sua ausência. O jovem líder foi até o museu, preparou alguns mapas e artefatos históricos e finalmente saiu de lá vestindo o seu kit de explorador como uma criança que sai em uma jornada pela primeira vez.
— Estou pronto para sair em aventura! Vou te contar, fazia muito tempo desde que eu não deixava os meus afazeres e saía assim para me divertir. Devo agradecer vocês três por isso.
— Nós é quem devemos agradecê-lo por deixar um cargo de tamanha importância para nos ajudar nessa aventura. — disse Dawn.
— Eu não aguentava mais ficar aqui, vocês não tem ideia de como é horrível ser a cidade mais próxima do ponto de início de praticamente todos os treinadores da região! Poxa, ficar lutando contra criancinhas e deixá-las ganhar é maçante...
— Quer dizer que você me deixou ganhar?! — gritou Luke.
— Deixei. Hah, hah. Quer uma revanche mais tarde?
— Esse Roark está brincalhão demais, não? — riu Dawn.
— Olha que a minha Titânia está três vezes mais poderosa do que da última vez, e agora, eu aprendi a usar todo o tipo de estratégia para te derrubar se for preciso. Vamos agendar essa batalha hein, não vai esquecer.
Dawn sorriu ao ver Luke brincar daquela forma, e ainda por cima, agir tão naturalmente. Pelo visto o amado garoto por quem ela se apaixonou há muito tempo estava de volta, e com ele, as lembranças de Oreburgh também lhe traziam os momentos mágicos que passara ao lado de seus amigos. Das primeiras brigas, dos lírios que recebera como presente de desculpas, e por fim, da inocência e ingenuidade em sair numa imensa aventura sem fim. A nostalgia em rever a cidade a fazia esquecer-se de todos os problemas, e aparentemente suas lembranças ainda estavam bem longe de terminarem, fossem boas ou ruins
A viagem se sucedeu pelo atalho da montanha onde Luke capturou seu primeiro Pokémon. Titânia olhava a área que lhe traziam lembranças de quando iniciara sua aventura ao lado do garoto, e agora, vendo Luke já crescido em sua frente lhe transmitia pensamentos ternos de um objetivo cumprido:
“Você já está tão crescido...” — era o que Titânia pensava — “Ainda me lembro quando você era só um garotinho sonhador que buscava se tornar o melhor treinador do mundo."
Era como ver seu filho tornar-se um homem.
Os próprios jovens eram cercados de lembranças enquanto faziam aquele caminho de volta. Jubilife fora a cidade de sua infância e era lá onde estudaram e viveram grande parte dos anos passados na casa dos avós. Dawn até sugeriu que pagassem uma visita a seus pais, mas Luke só gostaria de encarar Walter no dia em que estivesse no mesmo nível do mesmo. Porém, uma visita à casa dos avós era obrigatória, afinal, o café da tarde aos domingos era indispensável para viajantes exaustos.
Os Irmãos Wallers logo foram recebidos por uma senhora graciosa de cabelos amarrados como uma gueixa e a postura um pouco encurvada. Era como uma mulher que outrora já fora uma bonequinha de porcelana, e que apesar da idade avançada ainda carregava os traços de uma jovem linda e atraente. A avó de enchia Lukas de perguntas sobre as competições enquanto cozinhava, limpava, e preparava o café para os visitantes ao mesmo tempo. Roark encontrava-se surpreendido pelos modos e por aquela cultura.
— Quanta elegância, quanta sutileza! Devo dizer que a cultura de seus avós é realmente fascinante, e veja só a quantidade de coisas admiráveis que encontramos aqui. É como viver em um museu! — disse Roark — Como é que você chama a sua avó mesmo?
— Batian. Significa avó. — disse Lukas.
— Dona Batian, adorei sua comida. Creio que seja uma grande habilidade por parte das avós em saber cozinhar maravilhosamente bem e reunir a família aos fins de semana. Eu daria tudo para ter uma família assim.
Enquanto Roark ria na mesa, um velho homem aproximou-se dele com os braços voltados para trás e uma feição irritada. Era o avô dos meninos, estava sempre carrancudo e nunca falava com ninguém, a não ser com Luke. O garoto acenou para o velho e sorriu.
— Opa, diga aí, Ditian! Tudo bem com você?
— Não. — respondeu o velho de forma grossa, mas aquele era o jeito dele e Luke até se divertia com o mau humor diário de seu avô.
O senhor foi andando com as mãos para trás examinando cada visita em sua casa, então aproximou-se e perguntou:
— Quem é essa menina? — interrompeu o velho.
— Ah, é a Dawn. Ela está seguindo jornada junto com a gente, não se lembra dela quando ficamos aqui da última vez?
— Não. E essa outra menina? — perguntou o velho apontando para Roark que abaixou a cabeça. Luke não conteve a risada
— Poxa, Ditian! Esse aí é homem! Hah, hah, hah! Olha aí cara, quem mandou você ter os cabelos longos desse jeito?
Por sorte Roark não ficou constrangido com o comentário, ironicamente dizendo. Mas ainda assim o líder de ginásio estava um pouco acostumado com aquele tipo de situação, ele sempre era confundido com uma menina por seus desafiantes.
A equipe tinha planos de terminar o lanche e logo seguir para Canalave, mas escurecia e poderia ser perigoso cruzar uma pequena parcela do mar naquelas condições. A casa dos avós dos Wallers localizava-se bem próxima do portão oeste de Jubilife, se alguém subisse até o sótão poderiam utilizar uma janelinha para ver a fraca iluminação de barcos que chegavam e a passagem estreita da Rota 218. Assim que todos terminaram o café da tarde Luke pediu para que Dawn o acompanhasse até o andar superior e assim mostrasse aquela bela paisagem que por tanto tempo ele apreciara quando era mais novo.

— Esse era meu esconderijo. Eu vivia aqui em cima quando era mais novo. — disse Luke com um sorriso, enquanto sua amiga o seguia logo atrás.
O rapaz esticou a mão para que Dawn subisse uma escada suspensa e assim alcançasse o sótão. Dawn ergueu-se num pulo e abraçou-o para não perder o equilíbrio. Luke retribuiu o abraço de forma terna, e os dois ficaram naquela posição por um tempo sentindo o calor de seus corpos que tornava o frio daquele cômodo quase neutro. Ainda sem olhar diretamente em seus olhos Dawn roubou-lhe um beijo que calou o companheiro. Então, com uma risada Luke perguntou:
— Foi proposital?
— Foi sim, fazia tempo que eu não te abraçava. — respondeu ela de forma meiga.
— Verdade. — comentou ele bem baixinho — Desculpa te fazer passar por isso, mas prometo que depois que toda essa história dos ginásios terminar vou ter mais tempo para você, tudo bem?
— Está falando sério? — perguntou a menina levantado seu olhar para encarar os olhos de Luke e saber se ele havia dito aquilo por dizer, ou se dizia de coração.
— É sim, quando isso terminar quero ficar mais tempo ao seu lado. — respondeu o treinador — Mas espera, isso só beeeeem mais para frente, de boa? Se a minha batian descobrir que você é mais do que uma amiga ela puxa meu pé de noite e se transforma em uma Gengar assombrada. Por Arceus, acredita que ela só deixaria eu namorar com vinte e um anos?
Dawn riu, e apesar do garoto já ter cortado o clima sentiu-se feliz em ouvir algumas palavras vindas dele, como o fato dela ser "mais do que uma amiga".
Luke chamou-a para observar a janela e assim mostrou a paisagem que dava vista para Canalave. Dawn sorriu ao ver a cidade, porém, uma última lembrança lhe corroeu aquela noite. Uma lembrança bem antiga vinda da Rota 218, onde uma garotinha estava em um barco mal cuidado na companhia de seus pais, e de repente, uma tempestade. Nunca mais foi capaz de vê-los ao seu lado.
"Papai, Mamãe? Cadê vocês?"
Dawn ficou ofegante e pediu imediatamente para que descesse. Luke assustou-se com o ocorrido e logo ajudou a menina a sair daquele sótão empoeirado, Dawn tampou sua boca como se não quisesse dizer nada e escondesse alguma coisa. Pediu desculpas ao garoto e pediu para que fosse se deitar. A avó dos jovens preparou uma cama para que a menina ficasse confortável e tivesse uma boa noite de descanso, e assim, Luke deixou o quarto mergulhado em pensamentos.
Foi em direção da sala onde Lukas e Roark o aguardavam. O líder de ginásio assistia alguns programas de escavação Pokémon como se fosse um jogo de futebol, a cada descoberta ele vibrava e soltava gritos baixos para não acordar o velho avô carrancudo dos garotos que já havia ido dormir. Luke caminhou em direção deles e sentou-se em uma poltrona velha.
— A Dawn ficou estranha... — comentou ele.
— Estranha? Ou você quer dizer que fez algo ruim para ela de novo? — perguntou Lukas.
— Não, pior que dessa vez não. Eu só mostrei para ela o sótão, mas acho que ela não gostou. É que aquele lugar é especial para mim, mas às vezes o cheiro a fez sentir-se incomodada.
— E você acha que sótão é lugar para se levar a namorada? Cara, tem que levar ela para um museu, ou para as cavernas distantes do deserto de Hoenn. Aí sim ela ficaria feliz com você. — disse Roark.
— Isso explica também porque você ainda está solteiro. — brincou Luke, que acomodou-se na poltrona velha assistindo os programas de geografia e história antiga até tirar um cochilo.
No fim das contas o plano de chegar à Canalave ainda naquela manhã acabou por ter de ser adiado, mas certamente, seria mais seguro fazer a travessia no outro dia. O mar estava traiçoeiro, o vento soprava contra eles e o frio desgastante prejudicaria a viagem, uma vez que afundar naquelas águas turbulentas em um dia cinzento era tão comum que as lembranças ruins da agonia de uma criança perdida jamais desapareceria por completo.
Dawn agarrou seu cobertor e cobriu-se como se tentasse proteger-se de algo que a atormentava. Chorou bem baixinho para que não fosse ouvida, mas uma hora ou outra ela sabia que teria de enfrentar aquele mesmo obstáculo e passar pela rota onde seus pais haviam desaparecido. Era a difícil realidade que precisava lidar, e naquela noite ela ainda sentia que uma mão lhe puxava para o fundo do mar e a afogasse.
"Papai, Mamãe? Cadê vocês?"
Arbook - One Step Too Far
Autor(a): CanasOminous
Finalizado: 14 de Maio, 2012
Técnica: Desenho / Photofiltre
Resolução: 1600x1054
Tamanho: 326 kb
Descrição: Wiki (Porygon-Z) & Aerus (Gabite) Shipping








































