A Grande Criação (Teaser)
Quem se lembra do Arco da Ilha de Ferro, onde nossos personagens travaram intensas batalhas e lutaram contra os mais perigosos Pokémons clonados desta região? Há um longo tempo minha equipe de produção se ofereceu a criar um Teaser para essa grande Saga, porém, o vídeo acabou por não ficar pronto e o projeto terminou sendo cancelado. Outro dia a Leeca havia dito que conseguiu finalizar, e ofereceu-se para mostrar algumas coisas novas que ela estava investindo para montagem de vídeos com o Sony Vegas. Pois bem, mesmo que já tenha se passado tanto tempo desde aquele Arco sei que ele ainda está fresco na memória daqueles que realmente o apreciaram, e para mim, ele continua sendo o melhor de todos. Espero que este seja o indício de que muitos vídeos estão por vir aqui em Sinnoh! Bom divertimento!
Wallers Brother's Theme
Em um lar feliz, eu era um rei que tinha um trono de ouro
Aqueles dias se foram, agora as memórias estão na parede
Eu ouço os sons dos lugares onde eu nasci
Em cima da colina sobre o lago azul,
É aí que eu tive pela primeira vez meu coração partido
Eu ainda me lembro como tudo mudou
Meu pai disse:
Não se preocupe, não se preocupe criança
Veja, os céus tem um plano pra você
Não se preocupe, não se preocupe agora."
Save the World
Lukas' Theme
"Nas ruas estamos descendo
Nós nunca dormimos
Nunca nos cansamos
Por esses campos urbanos. Vida suburbana
Anime a multidão agora
Nós nunca vamos recuar
Atire na clarabóia
E assista-o no horário nobre
Mostre o amor agora
Ouça agora, mostre o amor
Lukas' Theme
Nós nunca dormimos
Nunca nos cansamos
Por esses campos urbanos. Vida suburbana
Anime a multidão agora
Nós nunca vamos recuar
Atire na clarabóia
E assista-o no horário nobre
Mostre o amor agora
Ouça agora, mostre o amor
Quem vai salvar o mundo esta noite?
Quem vai me trazer de volta à vida?
Nós vamos fazer isso, você e eu
Nós vamos salvar o mundo esta noite."
Law & Order
Support Conversation (Conde x Glory)
Gênero e Disclaimers: Romance, Violência;
Tema: Namoro e Discussão. Toda história precisa de um mocinho,
mas também precisa de bons vilões;
Sugestão do leitor: Master Titan.
No vasto salão o silêncio percorria um único rumo, dava voltas diante dos altos pilares e talhava um ruído pertinente sobre a respiração ofegante de um guerreiro aprisionado. Um mero inseto aos olhos de quem o observava, sendo obrigado a ajoelhar-se diante de sua majestade. Num patamar mais elevado estava o líder de sua equipe, o mandante dos exércitos e rei absoluto dominando um vasto império de tirania com mãos de ferro. Ele era Conde, o Empoleon. O favorito de seu treinador, conhecido também como o Tirano.
Ajoelhado estava um Sudowoodo, um dos velhos representantes de sua equipe e companheiro de guerra nos tempos em que a guilda ainda caminhava rumo ao seu início imprevisto. Dois outros Pokémons estavam ao seu lado, e as lanças formavam o “x” impedindo que ele sequer se aproximasse do Conde. O rei se autoproclamara uma divindade, e devia ser tratado com respeito.
— Não dou misericórdia a traidores, meu caro Suderios. Você deveria ter pensado nisso antes de sequer pensar em abandonar a guilda. — disse o Conde, sentado em seu trono de prata com as pernas e braços esticados de maneira elegante e centrada.
O apavorado Sudowoodo tentou defender-se.
— Meu senhor, servi o reino por muito tempo, defendi nossa guilda e treinei novatos que vieram a tornar-se importantes guerreiros na atualidade. Tudo que peço é minha retirada. Não sou mais tão respeitado, os soldados não me olham com os mesmos olhos, me veem apenas como um fardo indigno do cargo, mesmo depois de tudo que fiz. Peço apenas para que me liberte, ou nunca mais irei prostrar-me em sua frente, se me considerares um fardo. — respondeu Suderios.
— Um fardo?— respondeu o Conde, levantando-se de seu trono.
O homem levantou-se e evidenciou-se. Ele era belo, tão belo que parecia ter sido construído e nascido de um deus. Seu rosto era guarnecido por uma máscara que estendia-se até formar uma coroa, e sobre seus pés a longa capa de algodão e seda exalava sua glória como um adorável rei, digno de seus atos, respeitado por toda uma nação. O Empoleon caminhou vagamente e desceu de sua plataforma, colocando-se no mesmo nível dos demais. Os soldados ao lado de Suderios recuaram um pouco ao verem que seu rei retirara uma fina espada de prata da bainha.
O Conde observou a lâmina atentamente e falou:
— O senhor nunca foi um fardo, foi um saco de lixo. Com suas técnicas e conceitos tentou iludir meus exércitos com suas doutrinas, envenenando suas mentes com conceitos sobre justiça e lealdade. Um armamento é liderado pelo medo, e eles me respeitam. Eu sou a lei e a ordem nessa guilda, — disse Conde, tratando o velho companheiro de batalha pior do que um verme — ajo sozinho e sem obedecer a ninguém. E muito menos a um velho que vem diante de sua majestade com intenções de pedir o “favor” de liberá-lo. Um traidor sempre será um traidor.
Suderios arregalou os olhos com o discurso e não teve nem tempo de ver quando a espada mergulhou em sua direção e tudo escureceu. Os dois soldados ao lado empalideceram, mas ficaram calados diante do corpo. O Conde limpou sua espada nas vestes daquele miserável e sorriu de forma cínica, apontando para as duas partes pendidas no meio do salão.
— Limpem isto mais tarde, e isto. Irei receber visitas e não quero assustá-las.
Os soldados bateram continência e imediatamente partiram levando o corpo do falecido guerreiro consigo. O Conde sentou-se em seu trono e esperou, esboçando uma feição de tranquilidade em seu belo rosto divinal. Logo duas escravas vieram à sala e começaram a limpar o sangue, mas em momento algum ergueram o rosto, não podiam olhar para sua majestade, pois aquilo era uma desonra.
Ao terminarem deram entrada para uma ilustre visitante que foi recebida nos portões de ferro por um membro da corte. Os escravos de Conde colocaram uma mesa no centro do salão e serviram diversos pratos exóticos de Sinnoh, dos mais sofisticados até os mais suaves frutos já encontrados. Em cada ponta da mesa estava uma cadeira, e ao terminarem o Conde levantou-se e foi recebido por um serviçal que puxou-lhe a cadeira para que se sentasse. Do outro lado estava uma mulher vestida de enfermeira com olhos sedutores e lábios carnudos. A moça não esperou que todos saíssem da sala da sala, mas ouviu as boas vindas dadas por seu senhor.
— Bem vinda, Glory. — disse o Conde com sua voz angelical.
— As cortesias em seu palácio são péssimas. — ela respondeu de maneira direta ao puxar a cadeira, sentar-se e esticar os pés sobre a mesa. O rei permaneceu sério como se condenasse aquele ato, mas não respondeu nada quanto à atitude e má educação. Esboçou um sorriso falso e forçado.
— Que digno de uma dama.
— Não sou uma dama, sou uma anarquista. Você sabendo o que isso significa, ou não.
O Conde riu de maneira irônica, mas, certamente, não sabia o que era. Ele não era reconhecido por sua inteligência e conquistava o público diante da força e crueldade de seus atos. Não interessou-se nem um pouco naquela mulher, mas ainda tinha um dever a cumprir. Precisava daquela parceria. O homem puxou uma faca de ouro da mesa como se estivesse pronto a atirá-la, desenhando círculos sobre o prato e ocasionalmente lançando olhares para sua convidada..
— Eu soube que a sua guilda é uma das mais poderosas do reino na atualidade, e por isso estamos aqui, nessa magnífica situação em busca de uma aliança para nossos exércitos.
— Quanta gentileza. — respondeu Glory pouco interessada, abocanhando um pedaço de frango com a boca cheia enquanto cruzava as pernas e mal lidava em conta com o fato de que usava uma saia curtíssima. — Pode me passar um pouco desse prato na sua frente?
— Mas é claro, minha nobre donzela. — respondeu o Conde com os dentes trincados, já irritado pelo simples fato de ser ordenado a pegar um prato para aquela invasora compulsiva. Pretendia firmar a parceria e dispensá-la o quanto antes.
O rei afastou o prato já perdendo o apetite pelo simples fato de ver Glory comer todo aquele banquete e continuar magra como uma modelo. Ele apenas continuou segurando a faca enquanto examinava seu corte de maneira ameaçadora.
— Bem, então, o que me diz? Posso confiar seus exércitos ao meu comando? Uma mulher não deveria colocar-se na frente de batalha, então peço para que deixe os esforços comigo. Estarei disponível caso a senhorita precise, mas ao meu lado garanto que nunca mais sofrerá uma derrota, e da próxima vez que nos encontrarmos com os indignos guerreiros dos Fire Tales, nós os eliminaremos de uma vez por todas. Pendurarei seus corpos no portão de entrada para que toda a nação veja!
— Que crueldade. — ela respondeu, limpando a boca com o pano de mesa. — Você é muito falso. Pode até ter devoção para fazer isso, mas sem a minha ajuda jamais conseguirá.
— Falso? — indagou o Conde, enfiando a faca na mesa com força. Glory manteve-se quieta, limpou a boca novamente, mas não demonstrou muita surpresa. Parecia ter previsto aquela reação.
A mulher levantou-se de sua cadeira e foi caminhando em direção do rei que por um momento sentiu-se intimidado, quando era ela quem deveria sentir tal emoção. O homem ergueu o queixo denotando respeito, mas seus olhos ainda se desviavam para as curvas sinuosas de Glory que rebolava em sua direção como se exalasse um ar de tentação proposital com seu perfume inglês. A moça foi até a outra ponta e esticou a perna de tal maneira que ela pôde apoiar-se sobre a mesa com suas partes íntimas ligeiramente à mostra, e assim foi aproximando-se do rosto do homem esfregando seus peitos na armadura de prata do Conde.
— Nós dois compartilhamos um ódio intenso pelos Fire Tales, mas não se engane a respeito, você não manda em mim. — disse ela ao puxar o homem para mais perto de si, fazendo-o largar a faca involuntariamente. Nunca antes alguém tivera a audácia de aproximar-se tanto do rei.
— Como ousa?
— Simples. Sejamos francos. Você quer me usar, e eu quero usá-lo. Não vamos ficar de segredinhos enquanto um tenta derrubar o outro para tomar o posto como líder, pois eu não tenho interesse nisso. Não sou uma mulher burra como parece, vivo uma anarquia à minha maneira e não obedecerei ordens de um homem, e muito menos de você. — respondeu Glory ainda muito próxima, mordendo seus lábios e lentamente retirando o pé da mesa.
Dessa vez a mulher aproximou-se mais um pouco e esticou a perna direta entrelaçando a cadeira prateada do rei. Deu um rápido salto até cair no seu colo o que fez o homem admirar-se com sua audácia, pois nunca antes vira nada igual, uma mulher com tanta atitude e ousadia. Glory era uma mandante selvagem e parecia ter uma rivalidade com os Fire Tales maior do que qualquer outra.
— Eu não confiava em você. — assumiu o Conde. — Mas, estranhamente, agora confio.
— Todos nós temos segundas intenções, meu senhor, — disse ela de forma bajuladora, escorregando as mãos até a camisa do rei — da mesma forma que todos nós temos segundas intenções quando pedimos por algo.
— Fama. Poder. E vingança. — assumiu o Conde imaginativo.
— Amor. Sexo. E, principalmente, vingança. — assentiu ela — Creio que tenhamos mais coisas em comum do que imaginamos. Tudo isso são apenas formas diferentes de se alcançar o mesmo objetivo, um é consequência do outro. Eu posso te dar a fama, posso te dar o poder. Mas é óbvio, eu também vou querer a minha parte. E juntos, alcançaremos nossa vingança.
O Conde sorriu de forma maliciosa ao segurar as pernas de Glory para mais perto de si pressionando-a contra a mesa e as longas vestes de sua majestade. A mulher entrelaçou seus braços sobre as costas definidas dele. Foi até o ouvido de Glory e sussurrou de forma tentadora:
— Acho que estou começando a gostar de você.
— E, mais uma vez, entramos num consenso.
O que vem pela frente?
Bem, vocês devem ter se perguntado... O que vem daqui para frente? Há um ano posto capítulos semanalmente, há um ano planejo isso todos os dias. Então o que faço agora que acabou? Com o fim da Saga Diamante fiquei desnorteado, e sinto que demorarei a voltar me adaptar. Não sei o que será de minhas sextas e não faço ideia de como abrir um documento intitulado "Saga Platina". Bem, meus companheiros, hoje trago uma notícia que eu já venho planejando há muito tempo e é como costumamos fazer na Aliança Aventuras quando terminamos uma temporada importante: Nós tiramos férias.
Porém, não terá a duração de algumas semanas ou um mês... É por um tempo indeterminado, e não pretendo voltar tão cedo.
Porém, não terá a duração de algumas semanas ou um mês... É por um tempo indeterminado, e não pretendo voltar tão cedo.
Muitos ficarão chateados com essa notícia, e provavelmente vou perder leitores nesse meio tempo, mas eu preciso, para o bem do próprio roteiro. Dediquei 2012 inteiro para Sinnoh, deixei de fazer muitas coisas todos os dias e fins de semana para escrever, preciso de um tempo para mim. Quero voltar a colocar minha vida ordem, pegar firme na academia, me dedicar aos estudos e também aos cursos que faço. Acima de tudo vocês me conhecem, quando eu volto é pra valer. Não quero seguir feito louco para iniciar a Saga mais importante da fanfiction como uma obrigação, vou planejar TUDO, escrever até onde eu puder, e quando eu anunciar meu retorno vocês poderão ter certeza que é para acabar com essa história e fechar o livro no ramo da eternidade. Sem falhas, sem dúvidas. Esperem, e quando perceberem já estarei de volta.
Como eu havia dito, ainda temos 10 Novos Pokémons a serem apresentados, 11 Support Conversations, mais de 20 músicas, a premiação do Omascar, 4 páginas para reformar no Menu, sem contar qualquer outra postagem que aparecer no meio do caminho, e ainda levando em conta que esses números podem continuar aumentando. Eu preciso desse tempo para pensar na Saga Platina, quero planejar algumas coisas que não podem ser feitas do dia para a noite, principalmente desenhos que costumam ser o brilho daqui e também os mais demorados. São ideias que devem ser planejadas por meses uma vez que tenho planos de reformar todos os personagens que estão com Lápis de cor dos Fire Tales e criar uma aparência minha para os protagonistas e secundários. Ao lado vocês têm um vislumbre de nossa Dawn, um pouco mais moça e encorpada, desenhada pela Nyx. Há muito trabalho pela frente galera, e entretenimento por alguns meses não vai faltar.
Esse fim de semana não vou estar aqui para responder comentários. Vou viajar pela primeira vez nas férias, e preciso de um tempo longe de tecnologia. Nunca pensei que diria isso, mas preciso. Sinto que minha mente esteve funcionando 24h por dia todo esse tempo. Então, meus caros, é isso que tenho a dizer.
Adianto que a Saga Platina pode demorar muito tempo para sair, muito mesmo. A vida de um ficwriter é assim, leitores vêm e vão a todo momento, alguns abandonam e muitos novos surgem; e mais uma vez peço a compreensão de vocês quanto a isso.
Não gosto de interrupções em meus projetos, portanto, quando eu voltar com essa última temporada será para trazer capítulos todas as sextas, para ilustrar desenhos e mostrar a Liga como vocês nunca imaginaram. Peço apenas paciência, e aqueles que tiverem perseverança serão recompensados. Afinal, estamos falando da última temporada dessa longa história que já se estende além do planejado, muito além... Quem sabe dizer o que vem daqui em diante? Eu imaginei que a Saga Pérola fosse insuperável, e hoje vejo como melhorei imaginavelmente. Desejo apenas que eu melhore ainda mais para que possa olhar para meu começo e pensar como evolui nesses anos.
Continuem acompanhando, ideias nunca acabam.
Adianto que a Saga Platina pode demorar muito tempo para sair, muito mesmo. A vida de um ficwriter é assim, leitores vêm e vão a todo momento, alguns abandonam e muitos novos surgem; e mais uma vez peço a compreensão de vocês quanto a isso.
Não gosto de interrupções em meus projetos, portanto, quando eu voltar com essa última temporada será para trazer capítulos todas as sextas, para ilustrar desenhos e mostrar a Liga como vocês nunca imaginaram. Peço apenas paciência, e aqueles que tiverem perseverança serão recompensados. Afinal, estamos falando da última temporada dessa longa história que já se estende além do planejado, muito além... Quem sabe dizer o que vem daqui em diante? Eu imaginei que a Saga Pérola fosse insuperável, e hoje vejo como melhorei imaginavelmente. Desejo apenas que eu melhore ainda mais para que possa olhar para meu começo e pensar como evolui nesses anos.
Continuem acompanhando, ideias nunca acabam.

Esta imagem foi feita pela Litos, no fim de 2011. Ela nunca foi usada para nenhuma cena, e acabou sendo descartada por todo esse tempo. Foi um dos primeiros desenhos ilustrados para nosso roteiro. Quase um ano depois, no Capítulo 65, percebi que ela era o retrato idêntico do abraço entre esses dois.
Todos nós melhoramos com o tempo, basta ter força de vontade. No começo do ano passado eu pintava meus personagens com lápis de cor, e dei um pulo da água para o vinho em todos os sentidos. E foi por um blog como esse que encontrei uma profissão para a vida inteira. Confie que os pontos vão se ligar de alguma maneira no futuro, não importa o que você faça. Basta você querer, e ter força de vontade para lutar por isso.
Notas do Autor (Capítulo 65)
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Eu estive pensando por onde começar essas longas notas... Estive pensando sequer se alguém chegaria a lê-las, mas não importa, há alguns sentimentos que às vezes precisamos liberar de qualquer forma. O último capítulo foi finalizado há cerca de uma semana, mas tive que lê-lo com os olhos de um leitor para escrever isso. Sem interrupções, com a esperança e a tensão de pegar um livro e chegar às últimas páginas pela primeira vez. Raramente sinto dificuldade em encontrar palavras para me expressar aqui, mas dessa vez está sendo mais difícil do que esperado. Esse capítulo é importante demais para mim.
Decisões. Porque elas podem mudar a nossa História...
Optei por não utilizar nenhuma ilustração. É como voltar para o bom e velho livro, às raízes de uma fanfiction. Eu poderia ter mostrado como são os dois Pokémons do Walter, mas eu quis que fosse uma leitura seca, sem nada para chamar sua atenção no meio do caminho, como um filme que se passa em preto e branco diante de nossos olhos. Pude ouvir uma trilha sonora de confronto final, de uma batalha que já sabemos qual vai ser o resultado, mas ainda teimamos em acompanhá-la até o fim.
Há cerca de um ano surgiu a estranha ideia de tornar o Luke um personagem louco.
Simples assim, ele se torna tão obcecado pelo poder que começa a pensar que é invencível, atraindo sua própria sina. Certa vez eu inclusive cheguei a imaginar... O fim da Saga Diamante poderia ter sido diferente. Eu poderia optar por dois finais: Ou ele ganhava, ou ele perdia. Isso mudaria o enredo 100% em qualquer uma das situações. Em um dos casos teríamos um confronto de irmãos gêmeos no topo da Elite onde um teria que acabar com o outro pelo próprio bem; ou então, a loucura teria de ser derrotada para que tudo voltasse a ser como era antes.
Mas... Por que escolhi a derrota? Creio que com isso colocamos um ponto final para tudo que foi criado na Saga Diamante. Não há mais nada planejado, não há nada mesmo. Chega de vilões, de facções criminosas ou Pokémons Lendários que todos sabem como vai terminar. Daqui para frente voltaremos ao Mundo Pokémon, às batalhas da Liga, à um mundo onde dois jovens irmãos lutam para conquistar seus sonhos. Nada muito diferente da realidade, não? Foi assim que começamos, e é assim que quero terminar, com a inocência de uma criança que escrevia por divertir-se, mas encontrou na escrita um refúgio insuperável.
As Batalhas da Liga
Digo que o Luke jamais teria força para derrotar seu pai, e por isso ele teve que ver um por um seus guerreiros perderem, cada amigo sucumbir diante de seus olhos, e por sua causa. Para mim as descrições foram impecáveis, isso foi muito além de uma lutinha de bichinhos, foi uma verdadeira batalha, e cada derrotado era punido com a morte. Essa foi a primeira vez, mas saibam que vou repetir a dose. Ainda chegaremos a um estágio da fanfiction onde eu direi: O Pokémon que for derrotado hoje será considerado como morto, pois essa foi sua última aparição no enredo, então preparem-se para serem fortes e lidar com despedidas na Liga e na Elite dos 4.
Eu quero que vocês voltem a sentir isso em Sinnoh, quero a tensão de nunca saber quando um personagem pode voltar para casa. Dispenso aquela sensação de ser nocauteado e ir pro Centro Pokémon pra voltar novinho em folha. Os Fire Tales se safaram dessa e em breve lanço o que houve após a batalha no Fire Tales 25. Mas tenham isso em mente, estamos subindo para um patamar diferente, pois este é o meu estilo de escrever. Preparem os corações. Está na hora de ler batalhas de verdade.
Para finalizar... O que vem pela frente?
Agradeço todos aqueles que me acompanharam até aqui. E acreditem, é muito tempo. Caminho rumo ao meu terceiro ano na criação dessa fanfiction, que eu jamais imaginei passar do ginásio de Hearthome. Eu tinha uma frase diferente para essas notas, mas em meio a uma conversa com um amigo ele me disse uma que lhe deu forças para continuar seguindo em frente em um período complicado de sua vida. Quanto vale seu sonho?
Acho que cada um sabe seus limites e está disposto a lutar pelo que for capaz. Em 2012 dediquei praticamente todas as minhas horas livres para a criação do enredo e de especiais para Sinnoh, mas esse ano não poderá ser assim, infelizmente. Eu sei que tudo isso valeu a pena até agora, pois é o meu sonho, e estou disposto a cumpri-lo. Ainda trarei uma mensagem falando sobre meus planos e o destino de Sinnoh daqui para frente, então estejam ligados. Completamos uma nova etapa que eu acreditei ser inalcançável e em breve caminharemos para a última saga onde teremos o fim derradeiro de tudo que venho planejando. Então, quanto vale seu sonho? Acho que a resposta é simples... Depende do quanto você está disposto a oferecer, e se realmente vai dedicar-ser a alcançá-lo. Que venha a Saga Platina.
PS: Eu nunca costumo levar isso em conta, e há algumas pessoas que não curtem música durante a leitura, mas indico uma para quem quiser uma verdadeira sinfonia para o Duelo Final desse episódio. Garanto que essa trilha sonora pode fazer toda a diferença com o timing certo, afinal, estamos falando de Zelda.
Capítulo 65

“Tudo vai ficar bem, não há mal algum em visitar o Distortion World para aqueles de coração bom. É um lugar onde os conflitos de sua mente se evidenciam, ou seja, uma mente pacífica gerará apenas pensamentos pacíficos. Por conta disso os fortes não têm o que temer. O que é bom torna-se melhor, e o que é ruim torna-se ainda pior.”
Lukas mantinha em mente as palavras que Palkia dissera, portanto, aguardava pacientemente o retorno de seu irmão daquele universo paralelo, mas já fazia horas desde que eles estavam naquela situação e seu retorno parecia nunca chegar. Os Galactics já tinham se dispersado, e o que restara do suntuoso Spear Pillar eram colunas e monumentos destruídos retratando o fim de uma terrível batalha que quase custara a existência da humanidade.
Marshall permanecia apoiada em um dos imensos pilares caídos, Glenn ainda revirava os destroços à procura de sobreviventes enquanto todos os outros permaneciam em silêncio. Dawn estava mais apreensiva do que o normal, Cynthia estava ao seu lado pois não poderia perder a chance de conversar com alguém que visitou o Mundo Inverso e retornou, com ou sem vida. De fato ela ainda não acreditava que aquilo era possível, mas as últimas horas haviam provado tantas coisas que sua mente trabalhava num turbilhão de ideias sobre assuntos que ela jamais imaginou poder levar em seus próximos livros. Quando retornasse para a Liga, Cynthia teria muitas histórias para escrever e contar.
— Querido, acha mesmo que nosso filho está bem? — perguntou Melyssa do outro lado.
Walter passava a mão em seus olhos, aquele sinal demonstrava claramente que ele estava preocupado ou apreensivo com algo. Lukas continuava de pé sobre o triângulo equilátero onde fora feita a oferenda, e agora apenas aguardava a abertura daquele portal negro para receber seu irmão de volta. Ele tinha de acreditar que Luke estava bem, Paula dissera aquilo, então ele tinha de acreditar.
— Por favor, por favor. — rogava enquanto segurava o colar perolado em seu pescoço.
De repente, um turbilhão barulhento soou e o vento soprou com mais intensidade. Dawn levantou-se imediatamente correndo para onde Lukas estava, e juntos eles aguardaram o retorno do último componente de sua trindade. Luke em breve estaria de volta, quanto tempo fazia que eles não tinham um momento juntos? A garota desejava abraçá-lo, beijá-lo, e simplesmente amá-lo mais do que nunca. Não suportaria a sensação de perder um de seus amigos mais uma vez, tudo que acontecera nos últimos dias já a fizera sofrer demais e ela tinha esperanças de que a tormenta havia passado. Não havia mais o que temer.
— Ele está aqui, ele voltou! — anunciou a menina.
Chegava a ser uma situação cômica, parecia que todos estavam ansiosos pela volta de um ente querido num aeroporto, quando na verdade Luke praticamente retornava com vida de um inferno inacessível até então. O jovem teria muitas histórias para contar, toda sua família desejava revê-lo da mesma maneira que Cynthia adoraria ouvir mais sobre tudo que ele vira. Melyssa chamou a atenção de seu marido, e somente então Walter levantou-se para aproximar-se do portal. Seu filho estava para retornar triunfalmente.
Houve um passo, seguindo de um caminhar lento e pesado. Assim que Luke colocou os dois pés para fora o portal desapareceu não dando chances para que ninguém sequer pensasse em se aproximar. Tudo acontecera tão rápido que foi como se o garoto sempre estivesse ali. Lukas esboçou um sorriso e descansou os ombros, finalmente poderia relaxar. Desejou abraçar seu irmão e vê-lo sorrir daquela maneira que ele tanto adorava, dizendo sua frase mais marcante:
Acabei com ele.
Mas não foi isso que aconteceu.
Luke estava sério, sério até demais. Tinha algumas marcas singelas de rugas em sua testa, e suas sobrancelhas demonstravam claramente que ele estava irritado com algo. O rosto estava baixo, a boca arqueada de forma indignada e os olhos exalavam um constrangimento anormal. Dawn hesitou ao correr em sua direção, mas não se conteve. Ao abraçá-lo Luke não respondeu, apenas ergueu o rosto e encarou todos de cima para baixo como se tivesse direito sobre qualquer um ali presente.
Algo estava muito errado, mas poucos foram os que perceberam.
— Luke, Luke, Luke! — repetia Dawn incansavelmente. — Você voltou, mal posso acreditar!!
— Eu nunca fui embora. — respondeu ele de forma seca, o que teria feito a garota rir se sua voz não soasse tão ameaçadora. O garoto virou-se para os lados à procura de algo, ou alguém. — Vocês já terminaram as coisas por aqui? Que pena, eu perdi a parte mais emocionante.
— Aee, pivete! Merece um troféu por esse feito hein, foi para o fim do mundo e voltou com vida! Esse é o meu garoto. — brincou Glenn.
Luke olhou atentamente para cada um ali presente. Ele não sabia que sua família estaria lá, e surpreendeu-se ao notar que até mesmo a atual campeã estava presente. Pelo visto, ele realmente tinha perdido muita coisa. Desviou seu olhar para Walter e por um momento os dois se encararam, mas nenhum deles sorriu. Lukas imediatamente notou aquilo, imaginou que a primeira reação do irmão fosse correr e abraçar o homem que fora seu herói durante toda a infância, mas no interior do garoto uma sensação diferente predominava. Ele havia prometido que só voltaria a ver seu pai quando fosse o maior treinador do mundo, e por um instante quis imaginar se havia chegado àquele nível.
Foi interrompido quando Dawn deu-lhe um beijo na bochecha.
— Nós sentimos saudade.
E ele se manteve quieto. Lukas observou cada ato de seu irmão com desconfiança.
— Luke, você está bem?
— Eu não poderia estar melhor. — respondeu de forma arrogante.
A maneira súbita como a resposta fora dada lembrou Lukas daquele jovem impiedoso que conhecera em Hearthome, chamado Lúcio. Lembrou-se de quando seu irmão o protegera da desonra, quando o derrotou com apenas dois Pokémons somente para acabar com a arrogância e estupidez daquele rapaz. Naquele instante, Luke pareceu ainda pior do que ele. Imediatamente Lukas afastou o pensamento de sua mente e correu para tentar conciliar-se com o moreno.
Nem parecia que ambos haviam se encontrado pela última vez num ritual de oferenda que quase custara suas vidas.
— O que pensou que ia fazer quando entrou no Distortion World? Eu pensei que eu iria te perder, nunca mais faça uma coisa dessas comigo... — disse Lukas de maneira gentil.
— Fui me vingar daquele Cyrus. — assentiu Luke.
— Vingança não é um sentimento que cultivamos em nossa família, meu jovem. — afirmou Marshall com os braços cruzados, um pouco cauteloso quanto aos atos do jovem nos últimos minutos. — O que fez com Cyrus?
— Ele caiu. — respondeu Luke, deixando aquele assunto morrer naquele instante. — Sabe, eu preciso de um descanso, não quero ficar para conversar. Agora, se vocês me derem licença...
O moreno afastou seu irmão e Dawn de sua frente, mas quando tentou ir mais além deparou-se com o paletó preto de seu pai, adornado com a gravata vermelha e um pouco sujo pelo pó da batalha há pouco travada. Apesar dos estranhos atos, Walter sorriu e demonstrou compaixão para seu filho abrindo os braços de forma paternal. As rugas demonstravam que ele era um homem que sorria muito, e o cavanhaque o deixava com uma aparência charmosa e simpática. Ao vê-lo, Luke imediatamente parou.
— Não vai me cumprimentar? — perguntou o velho homem.
Os olhos de Luke rodaram como daqueles jovens aborrecentes que são obrigados a passarem vergonha na frente dos pais. Luke nunca agira daquela maneira na infância, mas estranhamente o tempo parecia tê-lo mudado. Melyssa abraçou-o, mas Luke não demonstrou muito afeto. Sua mãe incomodou-se um pouco com aquilo ao repetir a pergunta de seu marido.
— Luke, tem certeza de que está passando bem?
— Eu já disse que sim, mãe. Vocês querem parar de tentar cuidar da minha vida? — respondeu de maneira rude e controversa.
Melyssa espantou-se de tal maneira que não conseguiu sentir raiva. Sentiu apenas... decepção. Educara seus filhos como verdadeiros reis, nenhum deles lhes levantara a voz uma única vez. A mulher afastou-se de forma encabulada e Walter tomou frente.
— O que disse? — perguntou o homem com certa tranquilidade e uma paciência divinal. Ele havia dado uma segunda chance para o garoto que desperdiçou-a da mesma maneira.
— Você ouviu bem. — ameaçou Luke.
A mão de Marshall involuntariamente foi até seu rosto, ele não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Glenn tirou seus óculos num ato raro demonstrando surpresa, e até mesmo seu irmão pareceu perplexo. Fazia muito tempo desde que Luke vira seu pai pela última vez, e agora, quando se reencontravam, era para discutir. Lukas correu em direção do irmão e o puxou num ato apreensivo.
— O que pensa que está fazendo, Luke? Ele é o nosso pai!
— Eu sei que é, mas eu também exijo respeito. Ele pode ter sido o campeão no passado, mas perdeu. Hoje eu estou bem próximo de me tornar um, e quero que me tratem da mesma forma.
Cynthia sentiu-se incomodada com aquilo, e não gostou muito da primeira impressão que aquele futuro desafiante lhe causara. Os olhos de Dawn se arregalaram, e as palavras de sua boca saíram de forma involuntária.
— Essa não, ela voltou.
A Megalomania, penso a garota. Há muito tempo aquela doença dava indícios de que tinha desaparecido, mas dessa vez retornava mais forte do que nunca. Luke já começara uma discussão com Lukas e seu pai esfregava uma das mãos em seus olhos demonstrando que sua paciência chegava aos limites. Dawn ajoelhou-se no chão. Como poderia ter deixado aquilo acontecer?
— Pare de ser egocêntrico, está ouvindo o que você mesmo está dizendo? O que aconteceu com você, meu irmão? Estávamos tão bem há poucas horas atrás!
— Esses dias ficaram no passado, eu acordei para a realidade. Vi e aprendi coisas que demorei muito tempo em despertar, mas agora sei qual caminho devo trilhar. Vou conseguir a droga dessas oito insígnias, entrar na Liga e virar o novo campeão, não preciso ficar perdendo tempo com vocês.
Lukas soltou o braço de seu irmão e finalmente percebeu o que havia acontecido. A doença, só podia ser ela. Paula dissera que o Distortion World não era nada para uma mente forte, porém, o que era ruim tornava-se ainda pior. Agora o estado de loucura de Luke chegava em seu nível mais poderoso. Melyssa também notou aquilo, de fato, todos notaram. Sua família conhecia a doença hereditária, mas davam graças à Arceus que nada havia acontecido com Lukas. Mas ainda assim, Luke não fora tão afortunado. Melyssa tapou sua boca em sinal de desapontamento enquanto Glenn assistia a cena revoltado.
— Meu filho, — disse Walter de forma severa, mas acolhedora — você não encontrou a paz interior. A megalomania se manifesta de modos terríveis. Você é arrogante excessivamente confiante. Carece de autocontrole e prudência.
— O que quer dizer com isso, velho? Está insinuando que sou doente?
Glenn teria morrido de rir na primeira vez que Luke chamasse seu pai de “velho”, mas naquele instante o apelido não soou tão amigável. Walter soltou um suspiro e ajeitou o paletó.
— Então você acha que é o todo poderoso?
— Eu tenho o direito. Nunca perdi, nunca fui derrotado. Quem vai me impedir?
— Então eu te desafio para uma batalha.
Luke olhou atentamente para os olhos de seu pai e sabia que ele não estava brincando. Há quanto tempo o ex-campeão não desafiava alguém por conta própria? Talvez fosse a primeira vez. Os treinadores iam até ele, mas nunca antes aquele homem se encontrara na posição de desafiar alguém com tamanha convicção. Melyssa segurou no braço de seu marido, mas Walter respondeu num gesto de carinho e compreensão. Ele tinha a situação sobre controle. Luke esticou as mãos para os alto e riu de maneira debochada:
— Qual é, acha mesmo que pode me derrotar em meu auge? Você está velho, pai, está enferrujado. Já não é capaz de batalhar como antigamente.
— Serei obrigado a dar-te uma lição, filho.
Lukas não acreditou que aquilo estava acontecendo. Até mesmo Glenn e Marshall saíram de suas posições para ir até onde Walter estava. O rapper tocou no ombro do amigo e ponderou sobre aquela situação.
— Waltão, ele está confuso, é a doença, não sabe o que diz. Não precisa se esforçar cara, deixe que eu dou um jeito nele.
— Não, Glenn. — respondeu o homem com um aceno gentil de sua cabeça. — Esta é uma lição que, como pai, apenas eu posso dar.
Glenn confirmou com a cabeça, e logo os dois se afastaram deixando Walter a sós com seu filho. Os monumentos destruídos formavam um belíssimo campo de batalha, digno de um confronto final. Pela primeira vez Luke retirava o blusão, suava pela testa e ofegava de excitação ao saber que pela primeira vez poderia testar seu pai e tirar a prova sua força. Do outro lado, Walter mantinha-se sério e paciente. Arrumava a gravata e transmitia a pose experiente, como se provocasse seu adversário por tamanha concentração.
— Saiba que tudo que você deixa são suas memórias e escolhas. No fim do jogo o rei e o peão vão para a mesma caixa. — disse Walter.
— Ao menos espero ter meus momentos de glória enquanto o jogo durar.
Walter esticou o braço e apontou em direção de Luke. O garoto ergueu a fronte e estranhou o gesto familiar ao ver que seu pai indicava o número “dois” com os dedos. Sentiu que já havia visto aquilo em algum lugar, mas sua mente estava conturbada demais para lembrar quando.
— Dois. Com dois Pokémons eu vou te dar uma lição.
Luke cerrou os punhos e gritou de raiva. Sua voz soou enraivecida e descontrolada, era como se outra pessoa assumisse sua posição. Sacou uma das pokébolas do bolso e não esperou para comandar seu primeiro integrante. Derrotá-lo com apenas dois Pokémons? Derrubar Aerus, o Garchomp que enfrentara o lendário Seth na Ilha de Ferro? Mikau, que foi até o inferno e voltou com vida? Vista, o espectro mecânico das sombras? Não, era impossível. Seu ego não deixou-lhe acreditar naquilo. Ele era invencível.
Seu grito ainda ecoava no topo da montanha quando Coffey foi lançado em combate. Ali estava o gigantesco Rhyhorn, uma figura grotesca e imensa diante de um simples humano tomado pela idade. Luke esboçou um sorriso, mas Walter manteve a calma. Ao lançar sua primeira pokébola o homem revelou um Gengar, uma das principais integrantes de sua equipe. A criatura entrava no campo de batalha com um sorriso malicioso e infame.
— Esta é Luna, ela esteve ao meu lado por muito tempo, e desde então têm se mostrado minha amiga. Ela já foi como você, sedenta por vitória, rancorosa e gananciosa; mas aprendeu a abaixar a cabeça e ouvir os conselhos mais experientes.
Lukas observava aquela batalha, desejando que ela nunca tivesse existido.
Ao piscar notou que algo acontecia. De frente a Luke estava um homem negro com correntes em suas mãos e calcanhares. Tinha braços muito definidos e seus músculos pareciam saltar para fora. Do outro, estava uma moça com um olhar macabro e uma risada cínica em seu rosto. Vestia roupas apertadas e um blusão preto, tinha chifres saindo de seus cabelos roxos e tatuagens de rituais em volta de todo o corpo.
Era assim que Lukas começara a ver Pokémons nos últimos tempos. Desde que conhecera Paula ele sentia que podia comunicar-se com eles, sentia que podia ouvi-los e entendê-los como algo além de instrumentos de batalha. Luke queria usá-los como armas, mas ele sabia que Walter não os via da mesma coisa. Para seu velho pai eram tratados como verdadeiros Guerreiros.
— Vai assumir o primeiro golpe, velhote?
— Eu lhe dou as honras, iniciante.
Luke pôde sentir uma veia saltar em sua testa e imediatamente ordenou que Coffey mergulhasse contra a Gengar indefesa. O gigante correu, correu e correu. O chão tremia. As montanhas teriam abrido espaço para o titã de pedra domado pelo sentimento de luta. Cada vez ganhava mais velocidade, quando levantou seu braço na direção de Luna seus olhos ainda exalavam uma certa tristeza em fazer aquilo. Lukas via isso claramente.
— Me desculpa, moça. São ordens do chefe. — disse Coffey.
Coffey mergulhou um soco como um martelo em direção da bigorna de aço,acertando-a com seu golpe mais destrutivo, o Mega Horn. Porém, era possível ver que a Gengar defendia-se com um único dedo. Um único dedo fora o suficiente para impedir o colosso de enterrá-la na tela. Walter daria a sua primeira lição.
— Você obriga seus Pokémons a cumprirem o que você deseja contra suas vontades. Eles pagam seus pecados por sua culpa, eles sofrem por sua casa.
Luna esticou a mão direita que tinha uma estrela tatuada, e ao encostar no abdômen de Coffey uma explosão foi inserida em seu interior. O imenso Rhyhorn levitou no ar como se fosse uma pena, lançado como um foguete para longe até cair exatamente de frente a Luke que encarou a derrota de sua montanha com um único polegar. Terra e pedras foram espalhadas para todos os lados, e uma cratera ficou estampada no chão onde o gigante caíra. Coffey estava completamente inconsciente, seus olhos estavam brancos e no peitoral ele tinha uma grave ferida que sangrava muito. Um de seus enormes braços pareciam ter sido massacrados pelos poderes de Luna. A primeira casa havia falhado.
— Então você quer um jogo de poderes? — indagou o garoto, sério. — Dessa vez está na hora de jogar pra valer.
Luke lançou a pokébola seguinte e dessa vez seu Porygon-Z entrou em campo. Lukas viu uma figura inspiradora, era uma linda moça de cabelos curtos e olhos hipnotizantes. Vestia roupas coladas e sua mão carregava um disco de três pontas. Ela era Wiki, a única mulher presente na equipe de Luke e, sem sombra de dúvidas, sua guerreira preferida. Ela era leal aos dizeres de seu mestre, e encarava sua oponente Gengar com determinação.
— Então você é o último desafio que se estende diante de meu querido rumo ao topo? Desculpe-me, mas eu sou a única mulher que pode se vestir dessa maneira na frente dele. — disse Wiki para Luna.
Walter agora colocou as mãos no bolso e preparou-se para a segunda lição.
— Você não sabe lidar com tipos, não sabe lidar com a confiança. Você envia sua arma mais forte quando perde o controle, e ignora completamente o que seus Pokémons também sentem. Você só se preocupa consigo próprio.
Luke balançou a cabeça como se lutasse para não ouvir aquelas palavras.
— Chega, chega, chega!! Utilize o Hyper Beam, acabe com ela!!
Sua falha foi dada no instante que Luke pensou que seu golpe mais poderoso não poderia ser impedido. Wiki concentrou suas forças e do fluxo de energia em seu peito um raio luminoso partiu em direção de Luna, mas nada a acertou. Ela era uma fantasma, golpes como aquele não surtiriam efeito, e Walter não precisou ordenar um contra ataque para finalizar aquela partida.
A Gengar esticou a mão para frente e atirou. Um risco foi feito no céu em direção de Wiki, e os olhos da moça trincaram ao sentir algo em seu peito. Um único poder foi desferido contra o busto da garota, acertando exatamente em seu peito onde o fluxo de energia se localizava. Wiki cambaleou e caiu para trás sem pulsações, os olhos amarelados apagaram e a boca semiaberta permaneceu estática. O corpo da guerreira que mais prestigiava estava caído em sua frente, o fluxo rompeu-se e causou um curto circuito na região do coração da guerreira lançando faíscas e um raios para todos os lados. Subitamente, ela parou.
— NÃO!!! — gritou Luke desesperado.
Vista saiu de sua pokébola sem sequer receber ordens. Ele sentia que Wiki fora derrotada, ele sentia que aquele golpe havia sido fatal até mesmo para ela. Lukas viu um espectro muito maior do que um Metang normal, tinha braços enormes e na cabeça carregava uma coroa de ferro radiante por entre um véu negro que lhe ocultava a visão. Um único olho vermelho brilhava em uma fúria indomável. Vista partiu como um torpedo para cima de Luna, e finalmente alguém havia sido capaz de golpeá-la. O soldado mecânico lhe deu um soco tão forte que o rosto de sua oponente foi enterrado na terra e por um momento ela foi obrigada a parar de sorrir. Walter o olhou admirado, aquela havia sido a primeira investida de seu filho. As esperanças de Luke voltavam a correr.
— Acabe com ela!! Destrua-o!! — gritou Luke.
Luna trocava golpes com o imenso ciborgue e defendia-se das garras de aço de Vista. Seus braços eram imensos, e com muita dificuldade a Gengar conseguia manter o controle da disputa. A fantasma utilizou de seus truques para ferir o corpo mecânico de seu oponente com magia negra. Vista nunca tinha recebido golpes obscuros há muito esquecidos pelo tempo e que apenas os mais sábios podiam dominar.
— O aprendizado é conhecimento, e conhecimento é liberdade e poder. — continuou Walter.
Um dos braços de Vista mergulhou como um foguete e Luna desviou, teve um milésimo de segundo para desenhar o estranho símbolo no peito do guerreiro, e de repente, o Cavaleiro Negro parou. Ficou estático na mesma posição que fora deixado, seus braços se soltaram e o corpo caiu para frente, inativo. Luna aproveitou a falha em seus circuitos e golpeou-o de tal maneira que um buraco ficou aberto de um lado ao outro em seu peito. Fios saltaram e uma explosão saiu do corpo do imenso guerreiro conforme sua capa era manchada pelo óleo que escorria anunciando sua inutilização e derrota. Nem mesmo o mais experiente dos combatentes poderiam ter feito melhor. A coroa de ferro rolou até parar de frente a Luke que caiu de joelhos vendo que três de seus Pokémons mais poderosos haviam sido derrotados. Walter continuava a encará-lo de maneira séria.
— Filho, já aprendeu sua lição? Você não precisa ir até o fim, liberte-se daquilo que o incomoda, retorne para nós.
Nunca. — dizia a voz na cabeça de Luke, travando uma batalha interna em meio aos seus pensamentos. — Eles querem tirar a sua glória, eles querem vê-lo cair e jamais seguir os seus sonhos. Eles não passam de um tormento, nenhum deles confia em você. Não desista. Você é invencível.
Luke voltou a levantar-se, mas dessa vez estava mais acabado e confuso. Suor escorria de seu rosto e sua camisa já estava encharcada, parecia que era ele quem lutava no lugar de seus Pokémons. Dessa vez apressou-se em pegar uma pokébola tão aguardada, uma Dusk Ball, e agora era possível dizer que ele lutaria para valer com tudo que lhe restara.
Walter observou seus atos, e percebeu que estava na hora de mudar suas estratégias.
— Luna, retorne por hora.
— Só porque sabe que vou procurar um Pokémon que tenha vantagem contra o seu agora você vai recuar? — provocou Luke.
— Ela não foi derrotada, estou apenas cumprindo o que eu disse e utilizando meus dois Pokémons. Não pense que recuar é fugir, pois o sábio é aquele que evita as perdas, e não quem leva seus soldados rumo à queda iminente.
O próximo guerreiro de Luke teria adorado ouvir aquelas palavras, e assim, um Dusclops entrou em campo. Lukas o reconheceu como um dos grandes, seu nome era General Castelo Branco, e acima de tantas intrigas sua honra superava qualquer barreira.
— Meu senhor, — disse o General com a voz entristecida, voltando-se para seu treinador — como pudemos deixar que você chegasse a esse estado?
Walter sentiu aquilo, sentiu o lamento no coração de seu oponente. O próximo guerreiro escolhido assumira o posto para finalizar a batalha, Marshall e Glenn até chegaram a surpreender-se com a atitude do velho campeão. No campo do conflito surgiu um dragão azulado e de asas tingidas pelo vinho mais puro. Aquele era Ereon, o Salamence, líder reconhecido da maior e mais proeminente guilda da história.
Lukas sentiu que ele compartilhava traços muito semelhantes com seu pai, pareciam ser uma única pessoa. O General Dusclops sentiria-se honrado por tombar diante da espada de um guerreiro tão respeitado. Sim, ele sabia que não havia vitória, sabia desde o começo, e de certo, torcia pela derrota de seu mestre. Aquela doença havia chegado longe demais.
— Ereon, das terras do leste. Senhor dos Dragões. É uma honra encontrá-lo em batalha, embora lamento por estarmos em lados opostos. — disse o General.
— Lados tratam-se de uma mera ilusão dos humanos. Não é preciso estar de um mesmo lado para lutar por mesmos ideais. — respondeu o Salamence.
— Enfrentar-nos-emos em batalha, meu senhor. Foi uma enorme honra conhecê-lo.
O fantasma renegado imediatamente partiu para cima do dragão, e diante dos olhos de Lukas era como se Ereon brandisse uma larga espada e combatesse o General que utilizava de suas próprias mãos. Os dois eram guerreiros fenomenais, porém, Luke tinha a desvantagem de não ter sequer a confiança de seus membros. A voz de seu treinador escapava aos ouvidos do General, e Walter continuava as lições para seu filho negligente .
— Percebe seu erro, Luke? Percebe que você não é invencível? Nunca devemos temer a verdade, mesmo quando ela nos magoa.
Luke gritou novamente, balançando a cabeça enquanto suas mãos tentavam arrancar fosse o que houvesse preso lá dentro. A luta entre Ereon e o General estendia-se, o militar tinha um soco de direita que chegava a fazer uma lâmina tremer sem machucá-lo. Porém, de súbito o dragão enfiou sua espada no peito do militar que arregalou os olhos e cuspiu sangue. Ele já estava debilitado, sofria terrivelmente do veneno aplicado por Atomico e já esperava sua derrota.
— Por favor, faça-o voltar ao normal. É tudo que lhe peço. — rogou o General.
O guerreiro dracônico retirou sua espada e o corpo do homem cambaleou, porém, inesperadamente, Ereon deu apoio para Castelo e lentamente depositou-o no chão de forma digna e notória. Aquela era a quarta lição que Walter passara: Respeito e Honra.
Luke manteve-se em silêncio, vendo que sua situação já era preocupante.
— Pensa que acabou? — disse o garoto com uma risada. — Pensa que vou me dar por vencido? Pensa que vou pedir desculpas?
— É o que espero. — respondeu Walter.
— Bem, então isso não vai acontecer.
Luke preparou seu penúltimo guerreiro, e ali estava Mikau, o atirador. Os dois compartilhavam os mesmos pensamentos, tinham as mesmas atitudes, um não desapontaria o outro. Luke riu de forma eufórica e sinistra quando Mikau entrou em campo, e o atirador imediatamente colocou-se em posição de ataque. Se ele derrotasse Ereon com seus projéteis gélidos seria reconhecido como o guerreiro mais poderoso de todos. Ele provaria que seu oponente não passava de uma lenda sem fundamento.
— Seus atos são tão imprudentes que eles influenciam até mesmo as pessoas ao seu redor. Você carece de autocontrole, filho. Seria preciso perder tudo que já teve para um dia aprender a respeitá-lo. Você precisa cair.
— Eu nunca vou cair!! Mikau, atire, atire nele! AGORA!!
Mikau ergueu o punho e mirou, não no Salamence, mas voluntariamente foi em direção do homem que o comandava. Walter não protestou e percebeu o ato no mesmo instante. Se o atirador havia matado um homem uma vez não seria problema matar de novo. Atirou com tamanha precisão que jamais errava, porém, Ereon atirou-se na frente de seu treinador e o protegeu fielmente. Walter sequer se moveu, não mudou a feição séria em seu rosto. Ali, treinador e Pokémon compartilhavam uma sincronia onde um protegia o outro. Um daria a vida pelo outro.
— Há três regras no Mundo dos Pokémons que não devem ser quebradas, e todos os guerreiros recrutados por um humano devem conhecê-las — disse Ereon. — A primeira é fugir de seu treinador sem que ele o liberte; a segunda é especializar-se em mais de quatro movimentos; e a terceira é ferir um humano voluntariamente. Isso irá lhe custar caro, meu garoto.
— Garoto? — indagou Mikau com certa arrogância e ironia, sua voz soou ameaçadora. — Eu matei o último homem que me disse isso.
— Palavras corajosas, garoto, mas apenas palavras.
— Então deixe-me colocar as palavras em ação.
Abriu fogo e começou a disparar em sua direção, mas o dragão esquivava-se agilmente de cada projétil, e mesmo que diversos atingissem seu corpo e o perfurassem, ele não parava. O atirador desesperou-se e apressou seus tiros, quando o Salamence estava perto o suficiente Mikau sentiu algo que não sentia desde a infância: Medo. Medo por saber que estava errado o tempo todo, medo por saber que sua hora havia chegado e ele teria de pagar.
Ereon ergueu a espada, e tendo sua capa perfurada pelos tiros de gelo mergulhou a lâmina e cortou o peito de Mikau de uma ponta a outra. O corte fora desferido de tal forma que o a tirador foi lançado para trás cuspindo sangue enquanto o líquido vermelho lhe escorria pela boca. Mikau tentou levantar a cabeça, mas caiu sem ter forças sequer para defender-se. Esperava uma punição pior do que tudo de ruim que ele já fizera para os outros, mas Ereon se conteve. Deixou que ele fosse consumido por sua própria loucura, era ela quem havia sido ferida.
Lukas arregalou os olhos ao ver a cena, e involuntariamente sentiu a pokébola de Milena vibrar. Sua Milotic saiu e imediatamente correu em direção do rapaz caído. Milena olhou para o amante e entrou em desespero por sua situação. Mikau ergueu seu punho e viu sangue manchado nele. Sua voz rouca e debilitada saiu como um lamento.
— Sangue? Eu estou sangrando? Mas os deuses não pode sangrar... Isso não pode estar acontecendo...
— Shh... Fique em silêncio, eu estou aqui. Tudo vai ficar bem. — sussurrou Milena em seu ouvido.
Mikau voltou-se para a mulher e uma lágrima escorreu em seu rosto.
— Mesmo sendo derrotado, humilhado, você me amaria pelo que sou?
— Eu te amaria de qualquer maneira. Este sangramento é o que salvou sua vida, pois ele provou que você tem um coração.
Mikau levou sua mão até o Mystic Water que lhe pendia o pescoço. Estava coberto de sangue, e em seu peito ele agora via uma cicatriz que jamais seria completamente curada. Seus olhos aos poucos foram se fechando, até que ele encostasse o rosto debilitado nas pernas de Milena e admitisse a derrota para seu ego.
Luke tinha apenas um guerreiro em mãos.
— Filho, volte para nós. — rogou Walter com a voz cansada.
A resposta foi curta e decisiva: Nunca.
Agora estava na hora do duelo final, e Walter viu no bolso de seu filho uma pokébola que lhe era muito familiar. Era a Dusk Ball que ele lhe dera com um pequeno e brincalhão Gible. Estava velha e surrada, devia ter sido tão usada que aquilo poderia ser levado como sinal de orgulho. Luke lançou-a depositando todas as suas esperanças, fazendo com que todos ali presentes contemplassem a magnificência de seu Garchomp.
Aerus era o líder dos Fire Tales, e viu a cena onde cada um de seus amigos estavam caídos, cada um de seus melhores amigos derrotados. Desviou o olhar para seus companheiros perdidos naquela batalha tola e sem significado algum. Ao olhar para frente viu Ereon estender-se com sua majestade, a capa que ocultava suas asas esvoaçavam ao vento e os cabelos azulados do velho assemelhavam-se muito aos dele agora que havia crescido.
— Faz um bom tempo que não nos vemos, velho. — disse Aerus.
— Você cresceu bastante, filho. — continuou Ereon com um sorriso terno de memórias límpidas e inocentes de um passado que parecia ser tão distante.
Flashback On
Ereon caminhava sozinho pelos corredores sinuosos da Wayward Cave. Ele estava à procura de um jovem que pudesse recrutar segundo as intenções de seu Mestre, ele queria um guerreiro que fosse capaz de representar a equipe do filho do lendário campeão. Enquanto caminhava na semi-escuridão da caverna sentiu que alguém o seguia. Ao virar-se para trás viu uma silhueta esconder-se entre as pedras, e de repente, atirar uma pedra em sua direção que caiu no chão de forma simplória ecoando por toda a parte.
Ereon foi até a pequena figura escondida atrás das pedras e puxou-a pelo blusão. Era um garotinho da raça dos Gibles, parecia muito frustrado. O rapaz tentava socá-lo e imediatamente começou a contorcer-se quando foi agarrado. Ereon riu com a cena.
— E o que temos aqui? — sorriu o velho.
— Qual é mano, eu só tava zuando, não vai acabar comigo, vai?
O homem sorriu.
— Estou à procura de guerreiros novatos, gostaria de sair em uma demanda?
— Epa, não sou um novato, sou experiente! O senhor está diante de Aerus, o incrível defensor dessa caverna, o líder absoluto deste lugar, eu sou simplesmente o ícone de minha geração. Vai encarar?
— Hm, desculpe pela intromissão, filho. — brincou Ereon, largando-o no chão. — Poderia me dizer então onde encontro outros de sua raça? Sei que Dragões são ávidos guerreiros e grandes promessas para o futuro quando se empenham. Sou a prova disso.
— Opa, sou a figura mais descolada da parada, estou sempre repleto de uma galera e amigos, as fêmeas nunca me deixam em paz! Mas não vou deixar tu levar nenhum deles não, coroa, vai ter que passar por mim.
Ereon olhou ao seu redor e notou o silêncio absoluto.
— Não tenho tempo para brincar, criança.
— Qual é, tio! Só uma batalha, vai!
— Desculpe, mas estou muito ocupado. Espero vê-lo algum dia, meu jovem. Cuide-se.
Ereon continuou seu caminho pela Wayward Cave e logo notou que tudo andava tranquilo demais. Onde estavam aqueles amigos daquele jovem Gible? Estaria ele falando a verdade? Se fosse um líder nato, seria uma grande ajuda para o início de jornada dos meninos. Logo, Ereon voltou para onde o encontrara da última vez, mas Aerus não estava mais lá.
De repente, sentiu alguém atirar uma pedrinha em sua cabeça.
A pedra logo formou um galo onde acertara sua cabeça.
Ereon virou-se frustrado e puxou o garoto de seu esconderijo.
— Você está encrencado, moleque.
— Foi mal ae tio, só estou procurando diversão!
— Por que não se diverte com seus “amiguinhos”? — insinuou Ereon ao apontar para a escuridão vazia da caverna.
Ereon parou para pensar naquilo, e percebeu que em quase duas horas de busca não encontrara nenhum outro Gible na caverna, era apenas Aerus. Chegou a conclusão de que ele era um jovem solitário, que criava amigos imaginários e imaginava-se saindo em lutas contra criaturas mitológicas. Sonhador. Ah, sim. Sonhador. Ele seria o companheiro perfeito.
— Ei, garoto. Quer sair em uma aventura? — repetiu Ereon com entonação dessa vez.
Era possível ver os olhos de Aerus brilharem numa intensidade nunca antes vista, porém, ele tentou se cuidar e demonstrar a posição de macho alfa que tinha de manter. Estufou o peito e negou de primeira instância.
— Sou uma ajuda muito poderosa para qualquer time, mas tenho uma fraqueza. A luz do sol, se eu pudesse eu já teria saído dessa caverna há muito tempo, sabe como é, qualquer guilda no mundo gostaria de me ter como guerreiro e até mesmo como líder!
Ereon pareceu pensativo com aquilo. Retirou do bolso um par de Blackglasses que levava consigo e entregou-o nas mãos do pequeno Gible que mordeu-o sem querer.
— Que parada é essa, mano? Que muito louco!
— Coloque nos olhos, e você não será afetado pela luz do sol.
Aerus fez conforme ordenado.
— Mas essa parada deixa tudo ainda mais escuro, djow!
— É porque você tem que usar lá fora, garoto. — respondeu Ereon com uma risada. — Por Arceus, será que eu estaria fazendo a escolha certa em levar esse garoto?
— Pode contar comigo pai, vou fazer o que tu precisar.
— Pai? — perguntou o Salamence um pouco surpreso.
O Gible recuou acanhado.
— Putz, foi mal ae, tio. Foi mal mesmo, saiu sem querer. É que faz muito tempo desde que... desde que eu não vejo alguém.
Ereon olhou para o jovem e riu, acenando com as mãos.
— Venha logo, filho. Está na hora de começar sua aventura.
Flashback Off
Ereon riu daquelas lembranças, e certamente estava orgulhoso por encontrar o pequeno guerreiro solitário que recrutara como um renomado líder. Ele estava cercado de amigos, com uma força insuperável, e agora o confrontava no campo de batalha.
— Que ironia do destino, não? — comentou Ereon.
— Pai e filho, cada qual lutando por um ideal. Quem iria imaginar. — assentiu Aerus. — A verdade é que não desejo combatê-lo, essa nunca foi a minha intenção. Respeito-o como ninguém, e o admiro como meu mestre. Que chance eu teria contra aquele que me incentivou a continuar seguindo em frente?
— Admiro que você não tenha sido dominado pela loucura, Aerus, o admiro de verdade. Isso provou que naquele dia em que o recrutei eu fiz a escolha certa.
— Pai... Bem, não sei se ainda posso te chamar assim, mas, poderia me fazer um favor? — indagou Aerus em direção do velho Salamence que assentiu com a cabeça. — Lute comigo, lute como nunca, teste minha força, e me derrote.
Ereon ficou quieto, mas deu apenas um sinal compreensivo. Aerus voltou-se para Luke e o encarou, e diante do estado de frenesi e loucura do menino, seu mais antigo companheiro teve de lhe dar uma lição como todas as outras.
— Vou entrar nessa batalha por você, Luke. Porém, se você não melhorar, eu irei embora para nunca mais voltar.
Luke engoliu seco ao ouvir aquilo vindo de seu Pokémon mais importante, de seu amigo mais antigo. Aerus preparou suas lâminas e partiu para cima de Ereon que golpeou-o com um chute direito. O dragão alado teve tempo de banhar sua espada, e assim deu início à uma intensa luta onde a força e vitalidade de cada um poderia desencadear aquele duelo.
Luke permaneceu em silêncio dessa vez, apenas trocando olhares com seu pai. No campo de batalha Garchomp e Salamence se enfrentavam, e ambos também pareciam ser pai e filho. Seus cabelos eram parecidos, e até as técnicas de batalha eram semelhantes. Era como se eles tivessem treinado juntos a vida inteira.
Um corte foi feito no braço de Aerus com a espada de duas mãos de Ereon, o homem a ergueu, mas Aerus foi mais rápido a ponto de cortar sua capa e revelar as magníficas asas que ficavam ocultadas pelos panos desgastados. Os dois continuaram os golpes, não desferiam ataques especiais e provavam apenas suas habilidades frente a frente, como soldados da linha de ataque.
— Você está ficando velho, tio. — brincou Aerus.
— Que falta de respeito, moleque. Vou lhe ensinar a sentar e aprender com os mais experientes. Enfrente-me, se puder. — respondeu o Salamence num ar paternal.
Ereon derrubou-o no chão com uma rasteira, e assim que Aerus caiu a espada mergulhou em sua direção e foi bloqueada por pouco com as lâminas que carregava em seus braços. O Garchomp rolou e recuperou sua postura, dessa vez avançou com tudo para cima de seu oponente de modo que suas lâminas se encontrassem no campo de batalha. Um empurrava o outro, revelando um teste de resistência.
— Esse moleque é tudo para mim. — disse Aerus a respeito de Luke, encarando os olhos de Ereon num ar confiante e esperançoso. — Eu queria o meu velho amigo de volta.
— E o você o terá. É uma pena que todos tenham de ter pago pelo erro de apenas um, mas foi necessário que tudo isso acontecesse para que seu Mestre aprenda uma lição que jamais irá esquecer. Ninguém é invencível. — afirmou Ereon, enquanto brandia sua espada em direção do rapaz e ganhava impacto com a força de seus músculos — Adeus, Aerus. Viva a nova Era!
O dragão alado desarmou seu jovem aprendiz e Aerus se viu tendo duas lâminas lançadas para longe. O rapaz riu, já estava muito machucado e mal podia continuar. Para que aquilo terminasse seria necessário o golpe final, mas mesmo assim, depois de tudo aquilo ele sabia que estaria em paz, pois despertaria numa nova Era naquela região onde todos os acontecimentos ruins seriam deixados no passado.
Ereon enfiou a lâmina no peito de Aerus que cambaleou e soltou um murmúrio ao sentir a lâmina de prata do oponente. O guerreiro de óculos escuros ajoelhou e olhou em direção do velho, ambos sorriam, definindo aquele como o fim de uma intensa batalha. Aerus sorriu mais uma vez, demonstrando claramente e felicidade por aquela derrota. Quando fechou os olhos escorregou para o lado e debruçou-se sobre o chão com a lâmina em seu peito. Seus olhos encaravam o vazio e foram aos poucos sendo apagados, mas ninguém poderia tirar o sorriso que não lhe cabia no rosto. Ele havia sido derrotado, Luke havia sido derrotado.
— Está terminado, filho. — disse Walter. — Você perdeu.
O garoto ficou estático em seu lado da arena. Todos seus Pokémons jaziam derrotados diante de seus olhos, cada um deles, os melhores. Ele havia fracassado, havia perdido tudo que sonhara, jamais poderia ser o melhor. A voz da loucura ainda o chamava em sua mente, mas ele estava exausto demais para responder. Caiu de joelhos com os olhos fixos na escuridão, mal ouviu quando seu pai parou exatamente ao seu lado e o olhou de baixo para cima. Agora era ele quem estava naquela situação humilhante, era ele quem havia sido derrotado mesmo dando tudo que tinha a oferecer.
Esperou que seu pai o repreendesse, mas surpreendeu-se ao vê-lo ajoelhar-se da mesma maneira até que os dois ficassem na mesma altura, de igual para igual. Eles trocaram olhares e finalmente Walter o abraçou como há muito desejara. Os olhos de Luke se encheram de lágrimas.
— Eu estou orgulhoso de você.
— Pai... — murmurou a criança, de volta à sua consciência.
— Acabou, meu filho. Tudo vai ficar bem agora.
Luke fechou os olhos e dessa vez chorou mais alto. Chorou tão alto que a montanha inteira ficaria sabendo, mas não se importou. Que se dane a reputação, que se foda seu egocentrismo. Ele agora chorava pela felicidade em ser aceito, pedia desculpas entre sussurros e soluços, por ter se livrado de um peso que o incomodara por tanto tempo.
Lukas imediatamente correu para onde os dois estavam e os abraçaram, Melyssa fez o mesmo. A pequena família de campeões estava ali reunida, todos aliviados por terem conquistado de volta a criança que tanto amavam. Glenn insinuou abraçar Marshall ao comover-se pela cena, mas o policial adiou o ato. Dawn também os observava, e não escondeu a felicidade ao ver Luke esticar a mão em sua direção. Com os olhos vermelhos e as maças do rosto coradas o jovem implorou por perdão.
— Obrigado por sempre estar ao meu lado, Dawn. Obrigado por nunca desistir de mim.
A garota o abraçou e chorou enquanto Cynthia observava a cena de longe. A moça comoveu-se pela situação e logo decidiu partir. Não queria mais pedir para que Luke contasse tudo que vira no Distortion World, afinal, ele era apenas uma criança... A pesquisadora preferiu acreditar que ninguém jamais visitaria aquela região tão obscura outra vez, e simplesmente partiu. Ansiava pelo dia que o encontrasse e ambos travassem uma luta tão intensa quanto aquela, se é que um dia ela acontecesse. Ao olhar para trás desejou a melhor da sorte para os Irmãos Wallers, acreditando que eles teriam um futuro brilhante pela frente.
— Pai? Mãe? — chamou o menino. — Me desculpem, me desculpem por tudo. E principalmente você, pivete. Você é quem mais sofreu com tudo isso. Me perdoe por ser um panaca.
— Qual é, não se deve pedir perdão por ser você mesmo! — respondeu Lukas com um sorriso, não perdendo o espírito brincalhão de seu irmão.
Luke enxugou algumas lágrimas e falou:
— Não foi minha intenção causar tudo isso, eu estava fora de mim. Eu só queria ser lembrado, queria deixar a minha marca na história...
— Todas as boas histórias merecem ser imortalizadas. — respondeu Walter.
Luke abraçou seu pai com mais força ao redimir-se de tudo de ruim que já fizera. Sentiu um estranho vazio em sua mente, mas era um vazio que lhe trazia uma tranquilidade que há muito não sentia. No final, Luke não fora capaz de mudar o mundo, mas, pelo menos, mudara a si mesmo. Nem sempre fora um bom homem, mas tentou ser um homem melhor.
— Vocês estão no caminho certo. — disse o velho Walter. — Continuem seguindo em frente.
FIM DA SAGA DIAMANTE










































