Gyorg (Papercraft)

Gyorg, the Gargantuan Masked Fish. O terceiro chefão do jogo Majora's Mask, reside nas profundezas do Great Bay Temple. Era ele quem aprisionava o terceiro dos quatro gigantes, e por suas magias incumbidas as águas da costa se tornaram poluídas e muito perigosas, provocando uma mudança crítica no clima na área.

É, senhores, alguns dos dias que passei mais raiva e tomei os meus maiores sustos com a fase de um jogo foi ao lado deste meu companheiro. Imagine uma criaturinha nesse estilo em uma sala minúscula, e para melhorar, dentro da água! Ou seja, do nada aparecia uma monstruosidades dessas te levando para o fundo, sendo que você não tinha visão de absolutamente... nada. Teríamos uma descrição fascinante se tratássemos da agonia de um personagem que caísse na água com uma figura dessas correndo logo atrás, mas, vamos deixar meus traumas de infância de lado e retornar para a realidade.

O Gyorg é um modelo que vale a pena investir para tê-lo em sua prateleira, depois que você terminar o rosto, o corpo facilita muito. Por tratar-se de monstros que ainda eram encontrados lá no velho 64 ele ainda tinha linhas bem retas ("linha reta" foi foda... Mas vocês entenderam) e esse formato quadradão, mas ainda assim, quem jogou o game não iria esquecê-lo tão cedo. Chefões na água, sempre tão inesquecíveis.


Créditos ao Nintendo Papercraft

Rhyperior (Papercraft)

A pedido de nosso companheiro Shadow Bellator, estarei disponibilizando um download da PaperPokés, e dessa vez temos aqui um grandioso Rhyperior! Oh, por Arceus, mas esta foi uma grande escolha de Pokémon. Particularmente escondo uma grande apreciação por criaturas com Status enormes e que se especializam praticamente em um único atributo, apesar da velocidade medíocre, e do Sp. Attack e da Sp. Defense horríveis; este criatura possui um ataque titânico, combinado com uma defesa colossal e uma vitalidade que o torne um tanque de guerra. Ainda me lembro de volta à velha primeira geração em que os Rhydons eram uma das criaturas mais poderosas ao lado do Golem, mas com a presença de tantos aquáticos e com desvantagens tão comuns, podemos dizer que este grandioso Pokémon perdeu seu espaço na maioria das equipes, mas sem um bom ataque do tipo Water ou Grass, você terá sérios problemas em derrubá-lo.

Aqui em Sinnoh eu prometo ainda utilizá-lo em nosso roteiro, tenho grandes planos para este grandão, até porque é um Pokémon que eu gosto muito e que se faz presente na equipe do Glenn Combs. Quando esse velho Elite for batalhar vocês terão a chance de vê-lo, ou quem sabe ainda com outros treinadores que aparecerem no caminho dos Irmãos Wallers. De qualquer forma, este grandão aqui é garantido, e eu agradeço ao Bellator pela sugestão. Vendo o modelo de longe ele me parece simples, sendo que muitas peças tem formatos quadriculados, mas não se engane, a parte de colá-las ao corpo acaba com qualquer um.  Rhyperior... Ver um Pokémon tão Old School ganhar uma nova evolução foi uma imensa surpresa.

Créditos à PaperPoké
Designer: Brandon
Foto: Skeleman

Photoshop (Composição e Textura)

Acredito que o Photoshop seja um recurso essencial para qualquer pessoa dessa área que trabalhe com edição de imagens; não apenas ele, mas também a série de softwares da Adobe que como um conjunto funcionam perfeitamente. Eu tinha vergonha de falar que sabia mexer apenas no PhotoScape e Photofiltre, esses dois programinhas me ajudaram muito no empurrão inicial, mas uma hora seria preciso avançar para um nível mais especializado e conceituado. Comecei com um rápido curso online para ter uma noção básica das ferramentas, e com isso uma janela de oportunidades começou a ser aberta, tudo isso começando de uma simples imagem em branco!












Composição e Textura foi o primeiro módulo que peguei completo na Saga, pelo fato de que eu havia entrado com alguns meses de atraso tive que correr para alcançar a galera. Até o momento foi o que eu mais apreciei, talvez pelo fato de que eu já conhecia um pouco do Photoshop e não tive que começar do zero, mas de forma geral, neste módulo aprendemos a dar textura para imagem, dar aquela sensação palpável para um objeto, mesmo que ela continue sendo apenas uma imagem plana. 

Banner da 1º Copa de Escritores da Aliança Aventuras

Recriação da capa de algum jogo. O professor passou as proporções exatas e a partir disso a galera usava a criatividade para criar as mais variadas capas do game que desejar. O meu foi este projeto para a capa de The Legend of Zelda: Skyward Sword.

Esta é uma de minhas preferida. Era preciso dar textura para uma armadura padronizada, e com o uso do Photoshop os alunos deviam dar a aparência de guerra que bem desejassem. Tive como referência as armaduras de Gondor, datadas da Segunda Era da Terra Média.

Este projeto visava construir uma cena utilizando-se apenas de texturas na internet, recriando uma imagem que possa se assemelhar a uma cena. A imagem foi composta de 11 texturas diferentes para atingir este resultado final. Chama-se "A Casa Velha".

Poe Collector (Papercraft)


O Poe Collector é uma misteriosa figura encapuzada que habita o Castelo de Hyrule e paga algumas boas ruppes por qualquer Poe que levem até ele. Ele está presente em Ocarina of Time e Majora's Mask, sendo que no segundo jogo ele tem uma função mais importante sendo um dos guardiões do reino amaldiçoado de Ikana. Você só ganha acesso à essa fase depois de ter o Hookshot e a Garo's Mask, esta segunda é uma de minhas preferidas.

Devo dizer que criaturas com um capa sempre me encantam, talvez seja por esse ar de mistério envolto nele, e isso acaba por me trazer velhas lembranças lá de 1998 quando eu jogava Zelda pela primeira vez. Velhos tempos de infância, eu até pensava que essa parada vermelha no rosto dele era um nariz naquela época. Embora nenhum desses modelos tratam de ser algo sobre Pokémon, eles acabam por acertar em cheio na infância de alguns que se aventuraram por um universo mais vasto dentro do grande Nintendo 64. São lembranças que não morrem, e por isso, eu não perderia a oportunidade de ter um desses em minha prateleira. 

Esse Papercraft foi feito pela Leeca, e agora tenho esse cara me observando todas as noites do alto da estante junto com aquele Dragão 3D, meu quarto já está virando uma fortaleza de batalha.

Créditos à Hyrule Papercraft

Acro - Papercraft

Opa, quem é que se lembra do Acro, do Kirby's Crystal Shards? *ninguém levanta a mão* Vish, acho que só eu sou velho aqui. Tipo, quem foi da época do velho Nintendo 64 vai se lembrar desse jogo, Acro é o chefão da terceira fase, uma estrela em formato de gota d'água onde grande parte de sua área é inteiramente coberta pelo mar. A Aqua Star. A quantidade de água e pluviosidade nessa região é tão grande que se encontram cavernas submarinas e todas as criaturas que lá habitam são em sua maioria aquáticas. Pra derrotar esse maluco era só criar as estrelinhas ninjas explosivas e detonar tudo. Era épico demais. #FeelLikeANinja

Bom, depois dessa rápida aula do jogo vamos agora falar do Papecraft. Bichinhos redondos costumam ser bem fáceis de se montar, acho que esse aqui demorou pouco mais de uma hora e meia para ser montado, enquanto eu recortava e a minha irmã colava. Ah, ele ficou bonitinho, isso me trouxe velhas lembranças do jogo, que por sinal, tenho ainda no meu Virtual Console do Wii, ou seja, posso jogar sem ter de instalar o velho Nintendo 64. Verdade, verdade, é bem legal. Mas só algumas dicas, quando for montar o seu Acro dê uma olhada na imagem original, porque colocamos as nadadeiras, a barbatana e a sobrancelha no local errado. Pelo menos ele ficou com mais cara de inofensivo e amigável.

Ah, e Acro de trás para frente vira Orca, algo do tipo: Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos. Essa é clássica. Palíndromos são legais.

Créditos à seus respectivos autores

Dragão 3D - Papercraft

Diga, companheiros. Bom, algumas vezes eu costumo trazer novos modelos de Papercrafts sempre que monto algo novo para minha coleção, e há algumas semanas o pessoal aqui em casa estava com bastante tempo livre, então nos juntamos para montar algumas coisas diferentes, logo, vocês podem esperar uns cinco modelos durante essa semana. Vamos fazê-la da Semana do Papercraft para dar uma variada enquanto eu adianto os especiais e derivados da fanfiction. Pra falar a verdade, nenhum deles está diretamente relacionado ao tema de Pokémon, mas acho que um pouco sobre essas curiosidades nunca é demais para quem se interessa no assunto. — CanasOminous.

Essa figura é sinistra. Senhores, permitam-me apresentar um papecraft realmente macabro, este aqui é o Dragão 3D. Como entender essa criatura? A princípio eu a conheci em uma aula de Física em minha escola, o professor passava alguns vídeos sobre lentes, e depois que a aula terminou, ele entrou no Youtube para mostrar um vídeo sobre uma criaturinha bizarra que ele tinha visto, um assunto ainda próximo das questões de lentes que ele ensinava.

O efeito é criado por uma ilusão de ótica que confunde o côncavo com o convexo. O dragãozinho é considerado uma das melhores ilusões de ótica circulando pela internet, e foi criado para um encontro de matemáticos e ilusionistas nos EUA que se reúnem para homenagear o matemático Martin Gardner. 

Eu tive de montar um para testar, e no fim posso comprovar os fatos. O efeito da ilusão não é perceptível de perto, e fica bem mais claro quando visto em vídeos ou fotos. Tive que posicionar o meu em cima de um armário a uma distância razoável, e então a ilusão se torna perfeita. Agora tenho um Dragão me observando todos os dias para onde quer que eu vá. *risos* O formato do arquivo é em PDF. Podem ser encontrados dragões nas cores VermelhoVerde ou Azul.
DOWNLOAD LINK (Azul)
DOWNLOAD IMAGE (Vermelho)
DOWNLOAD IMAGE (Verde)


Notas do Autor (Capítulo 41)

Simplesmente, épico.

Eu pretendia postar esse capítulo somente na semana que vem como um marco de "Boas Vindas" ao início das férias, mas acabei por não aguentar esperar, vamos seguir essa série de semanas com capítulos estrondosos, um melhor do que o outro vindo sem parar, pena que a partir do próximo as coisas já começam a se amenizar, esses dois últimos eram o meu trunfo até o momento. Mas chegando na próxima cidade as coisas só melhoram novamente, eu prometo, afinal, Canalave será a última cidade da Saga Diamante. O Ginásio Aquático trouxe uma luta épica. Enceramos no próximo capítulo o Arco desta cidade de forma controvérsia e ainda muito triste. Nossos personagens passam por maus bocados.

Esse é o meu capítulo preferido até o momento. Acho que por tudo, pela evolução do Mikau, pela loucura do Luke, por ver nossos personagens entrando nesse estado de frenesi a beira de se separarem e começarem a seguir caminhos distintos. Pois é, meus caros leitores, acredito que tenham ficado chocados com essa batalha, as duas por sinal. A primeira contra a líder, e a segunda... Infelizmente ainda vou ter que jogar uma batalha verdadeira entre irmãos lá para frente, mas já dei o gostinho do que poderá vir a acontecer se esses dois titãs se enfrentarem.

Marine, Unnoficial Gym Leader

A quinta batalha de ginásio está entregue. Estou conseguindo manter aquele meu esquema de não repetir o esquema das Gym Battles, pelo visto a cada nova disputa vocês se surpreendem ainda mais com acontecimentos de inusitados vindos de minha pessoa. Marine, a terceira líder que troquei em meu enredo. Alguns pensaram que a líder fosse a Paula, e eu até cheguei a rir com o comentário, uma vez que a Paula também é fascinada por Pokémons aquáticos e eu sequer havia dito isso, mas digo que vocês chegaram bem perto... Agora, oor quê criei a Marine? Simplesmente porque eu precisava de uma líder mais sensível nessa etapa para acontecer o que aconteceu no capítulo. Este é o motivo. E também porque eu não curto o Wake nem um pouco, é sério, de todos os líderes de todas as regiões para mim ele é o mais sem nexo. Eu achei a Marine muito bela, mas não pretendo mais usá-la, vamos deixar por isso. Meu objetivo com essa batalha de ginásio não foi nem o líder em si.

Fire Tales Battle

Daqui para frente muita coisa que acontece nos Fire Tales passará a entrelaçar-se com o assunto da História Central. Se você não lê as aventuras dos Pokémons nesses especiais (que na verdade já fazem parte de nosso enredo principal há muito tempo), não será capaz de ler as batalhas com os mesmos olhos, uma vez que os meus Pokémons não são só bichinhos para completar a equipe. Eles são personagens, e se você não sabe a história e o jeito de cada um deles vocês passam a continuar vendo-os somente como instrumentos de batalha. Quem acompanha será capaz de ler esse último duelo de uma maneira completamente diferente.

Capítulo 41

— Luke, eu te desafio para uma batalha.
Aquela frase ecoou de forma tão profunda e clara quanto os pingos insistentes de uma goteira no mármore branco do ginásio aquático. A figura de um garoto de boina púrpura parou no mesmo instante que ouviu o desafio, quando se virou pôde ver claramente seu reflexo que não vinha da água e muito menos de um espelho. Luke encarou sua cópia, seu irmão gêmeo que permanecia parado em silêncio. Não havia necessidade de repetir a proposta, ele já havia entendido muito bem.
Soltou uma longa gargalhada debochada e ameaçadora, ajeitou o blusão que lhe caia o ombro e implorou por mais alguns segundos até recuperar o fôlego. Aquela havia sido a proposta mais ousada e ridícula que sequer ouvira, mas seu oponente continuava a encará-lo com a certeza de quem tinha consciência do que fazia. Luke passou a mão no queixo e em seguida deslizou levemente até sua Dusk Ball como se o intimasse a vir e atacar. Seu olhar evidenciava ódio e loucura, ele não tinha noção do que fazia.
— Essa foi a pior escolha da sua vida, irmãozinho.

• • •

Era um dia muito belo, os Irmãos Wallers partiam para uma disputa de ginásio na companhia de seus amigos que não pareciam muito ansiosos por mais uma batalha de Luke. Dawn estava encabulada, segurava a manga do blusão de seu amigo implorando para que deixasse a batalha para outra hora, ou até outra semana. Luke já estava agindo bem melhor desde a última batalha em Veilstone, mas todos temiam que aquela loucura voltasse a qualquer momento. O garoto tocou no gorro da moça e desceu sua mão até o rosto delicado da amiga, tentando forçar um sorriso de quem temia pelo que fazia.
— Eu vou tentar não fazer nada de errado dessa vez.
Dawn acenou com a cabeça e foi obrigada a concordar. Stanley comentava com o rival à respeito das técnicas utilizadas pelo líder Crasher Wake, um lutador muito experiente de luta greco-romana que derrubava seus adversários com golpes aquáticos que os acertavam como uma tsunami. Gerard fora o primeiro líder com uma prévia carreira de lutas a enfrentar Luke, ainda que o velho Wake fosse diferente e mais simpático. Cantava e criava músicas inusitadas para divertir seus adversários, mas naquela manhã o adversário era outro.
— O Crasher Wake havia dito que não poderia comparecer hoje. Sua filha estará tomando o lugar no ginásio até quarta feira, não vê problemas mesmo em batalhar contra ela? — perguntou Dawn.
— Devemos concordar que o Wake é uma figura assombrosa. Imagino se a filha dele seria nesse mesmo estilo seguindo uma possível carreira de... lutadora de sumo. — brincou Stanley.
Luke ajeitou o cachecol branco no pescoço e aproximou-se das portas de vidro do ginásio que convidava os treinadores como um altar de beleza e delicadeza.
— Quanto mais cedo nós terminarmos essa batalha, melhor. Preciso tirar alguns dias sem batalhas, isso está me deixando paranoico. — disse Luke com um sorriso amigável, olhando para Dawn que retribuiu com um aceno inspirador.
As portas automáticas se abriram assim que os jovens pisaram nos tapetes de cor azul claro da entrada. Uma grande quantidade de fumaça e vapor saiu, revelando assim uma área imensa do tamanho de uma piscina olímpica. O ginásio aquático dava espaço para uma linda cachoeira artificial logo na entrada, o som da água caindo não incomodava, soava mais como o toque de calmaria constante dos oceanos próximos.
O azul das paredes tinha um brilho tão forte que mais lembrava pérolas esculpidas nas paredes, a harmonia entre as cores e esculturas demonstrava todo o estilo e sutileza que aparentemente não era presente na figura cômica de Crasher Wake. De forte robusto só tinha aparência, pois ainda mantinha a força e a elegância de uma maré de retorno.
— Sejam bem vindos ao ginásio de Pastoria! — disse uma atendente vestida com roupas de mergulho — Nosso campeão Crasher Wake não está presente no momento, mas vocês podem agendar uma batalha da mesma forma. Gostariam de marcar uma disputa?
— Soubemos que a filha do líder está no comando. Poderia nos levar até a senhorita Marine? — pediu Lukas.
A atendente fez um rápido aceno para uma garota que estava logo na beirada da piscina. Vestia roupas brancas e parecia ser a professora de natação da academia, quando ela se aproximou todos puderam notar a beleza deslumbrante daquela deusa. Ela tinha olhos tão azuis que mais pareciam brancos, seus lábios esboçavam um singelo sorriso coberto por graciosidade e simpatia. O que seu pai tinha de músculos bem definidos, ela tinha de escultural e belo com curvas sinuosas de correntes marítimas.
Stanley estampou um olhar de surpresa, o que incomodou Vivian de certa forma. Até mesmo Lukas que não era de surpreender com mulheres havia notado que aquela em especial tinha uma aura de pureza e serenidade. Por mais surpreso que estivesse, o jovem Luke era quem menos havia se surpreendido. Precisava estar bem concentrado na batalha, esboçou uma feição de preocupação e já pôde começar a sentir o sangue lhe subir pela veia. Não perca o controle, não perca.
— Meu nome é Marine, meu pai avisou que dois irmãos gêmeos estariam passando no ginásio para uma batalha. Seria impossível não reconhecê-los, estão falando de vocês dois por toda parte!
Os dois deram um sorriso sem graça, logo agradecendo na sequência. Marine fez um rápido aceno para que a seguissem, entrando em uma pequena sala que mais parecia ser o escritório onde seu pai agendava as batalhas. A moça segurou o caderno e olhou para os garotos:
— Vocês querem marcar uma batalha contra meu pai, ou preferem realizar uma hoje mesmo?
— Então você seria minha adversária? — perguntou Luke.
— Sim, caso esteja de acordo. Marine, the tidal wave. Não espero que você pegue leve comigo só porque sou mulher, tudo bem?
Luke deu uma risada, e prometeu não duvidar da força de sua adversária. Por um momento Dawn até sentiu-se mais aliviada, ela sabia que seu amigo costumava agir com mais compaixão para com mulheres. Ele sempre agia de forma cômica com outras garotas, e naquele momento era exatamente aquilo que precisava: Distração. Não sentiu ciúmes algum, muito provavelmente Marine já era comprometida e sua função era ser simpática com os desafiantes. Uma cena bem diferente de uma certa líder fantasmagórica que atentava um garoto cinquenta anos mais novo do que ela.
Marine era uma figura angelical, seu caminhar esboçava elegância. Ela guiou os amigos de Luke para algumas cadeiras de pedra próximas da piscina onde eles não poderiam ser molhados caso os Pokémons aquáticos entrassem na piscina. A arena era formada por pequenas ilhotas flutuantes para os Pokémons terrestres, mas de uma maneira ou de outra, aquáticos levariam vantagem.


— As regras do ginásio baseiam-se em três contra três, tudo bem? O uso de itens e movimentos de autodestruição são vetados. Apenas isso. — explicou  Marine.
Luke concordou e começou a selecionar seus três Pokémons. Tinha uma boa tática para aquela ocasião, e sentia que o ginásio de água não seria dentre os mais difíceis, mesmo que seu time tivesse grande desvantagem. A verdadeira preocupação de Luke era outra, precisava concentrar-se e não perder o controle.
— Vamos lá, vamos lá... Foco. Foco. — repetia o garoto, concentrando-se na batalha para que nada saísse errado.
O juiz entrou em cena e logo Marine lançou um Pokémon para o primeiro desafio. Este era um Gyarados grandioso que caiu na piscina liberando água o suficiente para que uma área mais baixa do ginásio fosse completamente alagada. O leviatã era intimidador, mas tinha uma fraqueza que o condenava, assim como os demais Pokémons do ginásio do tipo água.
— Meu Gyarados é uma criatura assustadora, seus níveis de ataque são capazes de derrubar um navio quando está em fúria, porém, simplesmente são arrasados por eletricidade. Tive grande vantagem no ginásio por já estar preparado, tanto é que meu Luxray foi a figura mais importante na disputa. — explicou Stanley.
— O Luke tem um Porygon-Z com Thunderbolt. Se ele souber manuseá-lo bem será capaz de derrubar o Gyarados antes que ele revide e derrube-o na água, o que seria fatal. — acompanhou Dawn.
Como eles haviam presumido, Luke assumiu o cenário com Wiki, a figura cibernética que estava com suas baterias completas para aquela batalha. Marine logo fez sua primeira investida.
— Gyarados, avence com o Brine!
— Porygon-Z, procure esquivar-se e deixe-o atacar antes!
Luke sabia mutio bem como lidar com aquilo, tinha um bom conhecimento de criaturas aquáticas por sua convivência com Erick, da antiga Elite dos 4; e ainda recebeu diversos conselhos do amigo Stanley. O golpe Brine dobrava a força de ataque se o atacante fosse golpeado antes, assim que Gyarados lançou a explosão de água Porygon-Z flutuou com velocidade e partiu para cima do oponente como um foguete.
— Thunderbolt!
O choque elétrico foi de encontro do Gyarados que fora arrasado com aquela investida tão poderosa. Os Porygon-Zs eram criaturas surpreendentes, e era impossível presumir suas estratégias com antecedência antes de vê-las em prática.
— Droga, um golpe elétrico! — afirmou Marine.
Luke manteve-se quieto com o comentário. Dawn levou sua mão ao peito notando que agora algo de estranho acontecia com o garoto. Sendo que as próximas palavras mal puderam sair de sua boca:
— Ele não... Ele não está bem. Precisamos interromper essa batalha.
— O quê? O que estão dizendo, Dawn? — perguntou Stanley.
— O Luke não pode concentrar-se muito numa batalha, ele começa a agir de forma frenética! Pensa que é o treinador mais poderoso do mundo, ver o adversário sem uma reação excita ele, a batalha não pode continuar. — respondeu a garota.
Dawn apoiou-se na grade de vidro e chamou pelo nome da líder de ginásio:
— Por favor, Marine, vocês não podem continuar essa batalha!!
Antes mesmo de lançar seu segundo Pokémon Marine se surpreendeu. Era possível ver claramente uma incógnita em sua mente enquanto do outro lado Luke tinha um olhar enfurecido.
— Cuida da sua vida, Dawn.
Dawn recuou lentamente, Lukas levantou-se após ouvir o quão rude seu irmão havia sido. Nem mesmo Vivian acreditou na forma como ele havia agido. Nunca o vira assim. Dawn sentou-se em sua cadeira e manteve-se quieta, mordeu os lábios num sinal de tristeza tentando segurar o choro, mas não se conteve quando Lukas a abraçou.
— Dawn, isso vai passar dos limites. E quando se exceder, ninguém vai ser capaz de segurá-lo.
O próximo Pokémon de Marine parecia não ter sido a melhor das escolhas. Era um Mantine, uma raia que com o balançar de suas asas parecia flutuar em meio à água límpida da arena de batalha. Luke desamarrou o cachecol que o sufocava, segurou a boina com força e preparou-se para o segundo turno. Interromper a batalha? Para que interromper se sua vitória era praticamente garantida?


          — As Mantines são famosas por sua elevadíssima quantidade de Sp. Defense, e isso trará dificuldades para seu Porygon-Z mesmo que você tenha vantagem sobre meu Pokémon. Infelizmente eu não vim preparada para isso, eu deveria ter trago meu Quagsire ou meu Gastrodon.
 — Você deveria estar preparada para todos os tipos de imprevistos. É o mínimo que uma líder decente poderia fazer.
Marine não respondeu, e Luke permaneceu quieto. A investida deveria continuar.
— Mantine, comece com o Aqua Ring!
A raia foi inteiramente envolvida por uma corrente de água que a protegia absorvendo o líquido natural sempre que necessário. Era um Pokémon criado para defender-se de grandes investidas, e apesar de não ser reconhecido por sua força de ataque, poderia dar muito trabalho para treinadores que só buscam atacar.
— Porygon-Z, congele a água com o Ice Beam. — ordenou Luke.
A piscina foi congelada em partes, mas a força física da raia era o suficiente para destruir o gelo e reconquistar seu território. O Mantine pulou tão alto que mesmo com sua velocidade o Pokémon virtual não foi capaz de se esquivar-se. Com seu ferrão afiado, a raia atravessou o peito do Porygon-Z envenenando-o por completo.
— Toxic! — afirmou Vivian da plateia.
Com sua força maior intoxicada, uma nova tática deveria ser formada. De nada adiantaria congelar a água contra uma criatura que quebrava o gelo como se fosse isopor. Seu movimento chave era apelar para a eletricidade.
— Porygon-Z, Thunderbolt!
— Mantine, Protect! — Marine havia sido mais rápida ao ordenar o movimento. Um escudo de água foi envolvido pelas asas da criatura cartilaginosa. Os raios se dispersaram e acertaram vários pontos aleatórios da piscina. Mantine continuava a absorver energia com o Aqua Ring e a habilidade Water Absorb, podendo se defender sempre que precisava com o Protect e somente aguardar o oponente cair por conta do envenenamento. Suas defesas eram descomunais, por maior que fosse a desvantagem, Luke temia que a raia não caísse na primeira onda.
— Porygon-Z, persista com o Thunderbolt! Não pare!!
O Pokémon continuou a descarregar sua eletricidade, enquanto Marine se encontrava encurralada sendo obrigada a persistir na defesa. A proteção foi destruída pelo uso contínuo, abrindo uma brecha para que a corrente elétrica envolvesse o Mantine por completo e desse uma descarga duas vezes mais forte. O barulho fora tão alto que Vivian deu um salto de seu banco cobrindo os ouvidos, Dawn continuava de cabeça baixada sendo consolada por Lukas.
O Mantine caiu derrotado. Os olhos puros de Marine agora esboçavam uma preocupação imensa. Ela sequer retornou seu Mantine, mandou que alguns nadadores retirassem o Pokémon da água e o levassem imediatamente ao Centro Pokémon. Ela era uma líder, e não poderia argumentar. Era uma batalha.
Os dois se mantiveram quietos, e assim, no campo assumiu o último e mais renomado Pokémon do ginásio de Pastoria. Eram os Floatzels, figuras rápidas e astutas que derrotavam seus inimigos antes mesmo que eles tivessem chances de revidar. A última onda de ataques fora iniciada.
— Porygon-Z, Thunderbolt!
— Não dessa vez, intercepte o ataque com o Aqua Jet!
A raposa partiu com tanta velocidade que mais se assemelhava à um torpedo lançadoa numa alta velocidade. Porygon-Z foi derrubado na água, era o que Luke temia. Seu envenamento piorava, mas ele não pretendia desistir.
— Lance o Ice Beam, Porygon-Z! Não se deixe ser agarrado.
Um raio de gelo saiu da água, e Floatzel se encontrou obrigado a soltar o oponente que foi arremessado para o alto com força. Porygon-Z hesitava, cambaleava e sofria um curto-circuito pelo contato com a água. Foi necessário somente um último golpe para finalizá-lo.
— Floatzel, Crunch!
A mordida rompeu Porygon-Z que caiu no centro de uma das arenas móveis. Estava completamente inconsciente precisando de uma série de reparos depois da batalha. Luke retornou Wiki e lançou o próximo com tanta velocidade que o juiz mal tivera tempo para anunciar o vencedor do turno.
—Vamos lá, Mikau, mostre do que você é capaz.
O pequeno Horsea adentrou na água e sentiu-se em seu território. Os olhos azulados de Marine brilharam quando viram o pequeno, nunca havia visto aquele Pokémon de Kanto no continente de Sinnoh.
— Um Horsea, ele é lindo! — disse Marine .
— Concentre-se na batalha, líder.
Marine se intimidou, não sabendo como responder ao certo. Algumas pessoas da plateia estavam insatisfeitas com os atos daquele treinador tão ousado. Stanley debruçou-se sobre a grade e chamou por Luke que não dava a mínima atenção.
— Você viu como você falou com ela? Ela não é só uma líder, é uma pessoa! No que você está pensando cara? Pare de agir como um idiota! — gritou o loiro.
Luke não deu ouvidos. Dawn continuava com as mãos em sua cabeça condenando-se pela forma como havia deixado a pessoa mais especial de sua vida perder o controle.
— Eu devia ter impedido a batalha, eu devia! Ele não pode batalhar, não pode! Isso está acabando com ele, está acabando com o garoto que eu amo... — disse a garota com os olhos repletos de lágrimas.
Lukas pediu licença e levou Dawn para fora da batalha. Ela não podia continuar a ver Luke agir daquela forma, aquilo pesava muito em seu coração. Ela não tinha culpa, pois eram as escolhas do próprio garoto. Ou ao menos o que parecia, pois no coração de Luke era onde a verdadeira guerra era travada. Ele sequer tinha consciência daquilo que fazia.
— Mikau, crie um Twister!
— Floatzel, ataque com o Brine! — ordenou Marine.
A raposa era rápida, mas as escamas do pequeno Horsea apesar de pequenas eram muito resistentes. O pequeno sabia o que fazia, e queria dar o seu melhor em sua primeira batalha de ginásio oficial. Estava tão concentrado na criação de seu furacão que o céu do lado de fora pareceu escurecer. Um verdadeiro tornado foi criado na arena, era como uma tromba da água que foi diretamente ao encontro do Floatzel que foi muito afetado. Marine revidou com um rápido Aqua Jet para fugir daquela prisão, os dois caíram na água e recomeçaram sua batalhas nas profundezas.
— Mikau, Agility! Iguale sua velocidade ao oponente e não deixe que ele te ataque sempre antes de qualquer investida. — ordenou seu treinador.
Os dois surgiram da água e saíram numa enorme velocidade a ponto de que Floatzel parecesse caminhar sobre as águas. Assim que alcançou uma das áreas com terra pegou impulso e partiu para cima do cavalo marinho com dentes congelados.
— Ice Fang! — disse a líder.
Mikau foi atingido e sofreu muitos danos, mesmo que sua pele fosse resistente ao frio. Ambos os Pokémons caíram na água novamente, a plateia já começava a preocupar-se com a demora, somente impulsos d’água eram vistos.
— Mikau, não me decepcione. Prove para mim que você é um integrante digno de participar da equipe de Pokémons que chamo da Elite. Não me faça acreditar que você é um perdedor, como era antes.
Stanley já estava enfurecido com a batalha, Vivian parecia chocada. A simpatia de Marine havia desaparecido, ela estava completamente desolada pela forma como Luke havia tratado seu Pokémon.
— O que você está dizendo? Ele é parte da sua equipe, acredite no potencial de seus próprios Pokémons!
Luke virou-se para Marine e fez um rápido sinal com seu indicador que calou Marine no mesmo instante, as palavras que foram em seguida proferidas chocaram a todos.
— Cuide daquilo que é seu, e eu cuido do que é meu.
Então,uma explosão pareceu surgir no meio da água. As águas da piscina foram separadas ao meio por um instante. Algum Pokémon havia utilizado um poderoso Brine, e aquele golpe era a grandiosa marca do ginásio. Marine lançou um olhar de vitória.
— Acredite em seus próprios Pokémons.
— Eu acredito, e por isso ganhei.
Floatzel foi arremessado para o alto com uma onda que mais uma vez inundou o cenário. De dentro da água havia um Seadra que estava ofegante após derrotar o oponente aprendendo um novo golpe. Ele havia derrotado o ginásio com seu próprio movimento de assinatura. Derrotada pelas próprias artimanhas, Marine não podia acreditar na situação que passava. Luke permaneceu quieto, e ainda não havia cantado a vitória. A líder hesitou um pouco, mas em seguida teve que admitir.
— Você me derrotou.
Não houveram comemorações, apenas algumas pessoas aplaudiam a força e a capacidade de ambos os Pokémons, mas as palmas não iam para o desafiante em si. Stanley teria uma conversa séria com o amigo, Dawn chorava no banheiro, e por sorte, Lukas havia feito a escolha certa quando levou sua amiga para sair do ginásio. A próxima cena seria chocante demais.
— Marine, você é uma líder desprezível.
A moça ficou atônita, pouco depois do garoto proferir tais palavras ela pôde ver o recém evoluído Seadra cuspir um jato de tinta no rosto do Floatzel derrotado. Aquele era o gesto mais indigno possível, tal ato foi vaiado, e agora Stanley descia da plateia.
— Para onde você vai?! — gritou Vivian.
— Dar um soco na cara do meu amigo. — respondeu o loiro.
Luke ajeitou o blusão e ficou a aguardar que a própria líder desse a insígnia em suas mãos. Os olhos azuis de Marine se encheram de lágrimas. Ela era uma mulher jovem, mas podia sentir quando alguém era rude consigo, e falar dela como uma péssima treinadora de aquáticos havia a chocado. Levou as mãos até o rosto e caiu de joelhos não contendo as lágrimas, Luke soltou um argumento esnobe.
— Além de ser uma péssima treinadora, não sabe perder.
Marine levantou-se e com os olhos encharcados gritou com todas as suas forças:
— É essa insígnia que você quer?! Pegue-a!! Nunca mais volte aqui, pegue ela e vá enfrentar a liga! Se acredita ser o melhor espero que alguém te dê uma lição quando você estiver a um passo de alcançar seu maior sonho!!
Marine jogou a insígnia que caiu no meio da piscina. Mikau imediatamente mergulhou e procurou pelo artefato. Luke voltou a ajeitar o cachecol agindo como se nada tivesse acontecido. Era vaiado por algumas pessoas, e ficou próximo da piscina quando Mikau lhe trouxera a Fen Badge.
Ela brilhava, estava molhada e encoberta de ódio e loucura. Aquela marcava sua quinta conquista, faltava pouco para participar da Liga Pokémon, mas Luke já cantava sua glória.
Porém, um rápido chicote pareceu ricochetear a insígnia da mão do rapaz, o objeto brilhante foi lançado contra o chão e por sorte não caiu despedaçado. Luke virou sentindo um enorme ódio de quem tivera a ousadia de fazer aquilo, e notou quem fizera. Stanley estava do outro lado da arena com seu Torterra. E ambos não pareciam nem um pouco satisfeitos.
— Quero ter o prazer de acabar com você antes que deixe esse ginásio.
— Eu pensei que estivesse do meu lado, Stan. Mas acho que terei mais um no meu caminho. — disse Luke com um ar esnobe — Quer batalhar agora? Acabo com sua equipe num piscar de olhos. E você sabe disso.
— Eu queria guardar esse momento para a Liga Pokémon, mas não vou aguentar. Preciso te dar uma surra antes que você faça algo pior.
Luke chamou Mikau que estava muito disposto a demonstrar seus novos ataques num momento em que sentia-se tão vangloriado, porém, algo chamou sua atenção. O choro abafado de Marine não podia ser ouvido, mas de fora da plateia era possível observar um menino enxugar suas mãos com uma toalhinha e o olhos no chão. Luke ficou em silêncio, o garoto passou ao lado de Stanley que nada disse. Lukas só parou quando ficou cara a cara com seu irmão e pudesse olhar diretamente em seus olhos.
— Minhas mãos estão úmidas. — disse Lukas com uma voz entristecida — Lágrimas da pessoa que você mais ama nesse mundo. Você fez a Dawn chorar.
— Chorar é para os fracos. — respondeu Luke.
Lukas ficou quieto, pensando numa resposta para seu irmão. Até tinha algo na ponta da língua, mas preferiu ficar quieto. Não adiantava humilhá-lo ao seu jeito, em território inimigo era necessário agir a sua maneira. Os dois se encararam, e Lukas proferiu:
— Luke, eu te desafio para uma batalha.
— Essa foi a pior escolha da sua vida, irmãozinho.

Luke sacou uma pokébola e lançou-a para o alto, emanando um brilho que tomou a forma do dragão das profundezas. Ele não estava para brincadeira, Gabite era o líder de sua equipe e havia sido chamado para colocar ordem naquela baderna. Porém, Lukas não precisou de todo aquele brilho e intimidação para seu adversário. Jogou a pokébola que tomou a forma de um pequeno esquilo. Os líderes de cada irmão estavam na arena.
Gabite ficou estático. Pachirisu parecia acanhado do lado de Lukas, e não estava nem um pouco disposto a atacar. O dragão ergueu-se e deixou a posição de ataque, virou-se para seu treinador e retirou os óculos escuros.
— O que está esperando? Avance com o Rock Slide!
O dragão não respondeu. Virou-se para Pachirisu mais uma vez que agora encarava aquele que mais prestigiava sendo obrigado a atacá-lo. A voz do dragão não era ouvida, mas naquele instante Luke pôde sentir seu Pokémon somente pelo olhar.
— “Você pode perder o seu irmão, mas eu não vou perder o meu.”
Luke praguejou de ódio e deixou Gabite como estava. Sacou uma segunda Dusk Ball que tomou o lugar de uma figura fantasmagórica erguendo-se com toda sua postura. General Duskull, o militar nunca levava as tarefas de seu mestre na brincadeira.
Dessa vez, um pouco mais de intimidação. Lukas apenas levantou o seu braço esquerdo e no mesmo momento uma das janelas de vidro do ginásio foram estilhaçadas em mil pedaços. Uma sombra cobriu seu corpo, o corvo negro envolveu seu treinador como um manto de penas e encarou o adversário com seus olhos vermelhos. Murkrow e Duskull. O fantasma não se mexeu, manteve sua pose. Não tinha medo, mas agora entendia o que estava acontecendo.
— General, não vá me decepcionar.
Duskull permaneceu encarando seu rival. Há um longo tempo ele e Murkrow tinham controvérsias, e encontrar um ao outro no campo de batalha mais parecia uma provocação do destino. Porém, Duskull virou-se para Luke e dessa vez foi sua vez de argumentar:
— “Senhor, eu não entro em uma batalha em que eu e meus homens não possam vencer, mas eu faria qualquer tarefa que designasse a minha pessoa. Um homem entra numa guerra visando apenas dois objetivos: Honra e Poder. Hoje, ambos os lados ganhariam nenhum dos dois. Não peça para que eu fira a minha ou a honra de meus companheiros.”
Luke apertou sua própria mão com tamanha raiva que suas veias pareceram explodir. Arrancou a boina e jogou-a no chão tirando a blusa e encarando Lukas que permanecia imóvel observando seu irmão com uma feição serena.
Luke fez um aceno para seu Pokémon ao lado. Mikau não o desapontaria, não iria desistir. Assim como seu treinador ele também almejava o poder e não ligava para mais ninguém, principalmente naquele instante. Sempre sentira inveja, sentira ódio. Sentimentos há muito guardados em seu coração, e agora, ele tinha força para dominá-los.
— Mikau, ataque!! Destrua-os!!
Lukas movimentou-se para sacar uma pokébola ao seu lado, lançando assim Milotic na arena de batalha. Era o que Lukas menos gostaria de fazer naquele momento, mas foi preciso. Colocar Pokémons que conviviam juntos e amavam uns aos outros. A serpente de água não se moveu, mas Mikau hesitou. Não queria machucar sua amiga, todos, menos ela. Seu treinador gritou de raiva:
— Seu idiota!! Você sempre foi um ninguém, eu te treinei, agora faça o que eu mando! O mundo deu as costas para você, ninguém está do seu lado!!
O Seadra novamente retomou sua consciência, e tentou esquecer a figura de Milotic em sua frente. Avançou com o intuito de realmente machucá-la, e a serpente ainda não havia se mexido. Quando Mikau chegou o mais próximo possível pôde ver claramente os olhos da criatura que mais amava, proferir sem vozes, apenas com emoções.
— "Você já foi melhor do que isso."
O golpe de Mikau cessou, ele foi interrompido tão antes da hora que o cavalo marinho acabou tropeçando e sendo atirado contra a parede como num movimento de confusão. O Mystic Water que outrora havia recebido da própria Milotic tilintou e quase despedaçou-se em mil pedaços quando Mikau foi ao chão. Se ele havia se machucado de tal forma sem que ninguém o acertasse, aquela investida seria poderosa demais para imaginar. Milotic não se virou para ajudá-lo, apenas abaixou a cabeça e lamentou em seu silêncio.
— Traidores! Num momento como esse, vocês me deixam na mão?
A figura assombrosa de uma serpente envolveu Luke cobrindo-o por completo com uma sombra protetora, assim que o garoto se virou pôde ver Titânia encarando-o com a mesma feição de decepção da última vez.
— Você é o nosso treinador, fazemos tudo por você, da mesma forma que acreditamos que você também faria por nós. Mas nos é dado o direito de saber dizer o que é certo para cada um de nós. Você escolheu ser sozinho, e essa será sua sina se você bem desejar, mas não tente impô-la aos outros contra sua vontade.
Lukas permanecia parado apenas observando seu irmão ser consumido pela loucura.
O treinador encarou cada integrante da sua equipe. Não havia como vencer, era uma derrota para seu ego. Duskull o encarava como se aguardasse uma resposta digna de líderes, Gabite estava cabisbaixo ao lado de Pachirisu enquanto Mikau ainda se recuperava do impacto e da falha cometida.
Luke agachou, pegou sua insígnia, olhou para seus Pokémons e direcionou-se para seu irmão uma última vez naquele dia:
— Isso não foi uma derrota. — para finalmente ir embora sem dizer mais nada.

      

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