Archive for November 2012

Notas do Autor (Capítulo 60)

É aqui, às margens do oceano, que damos um fim ao longo Arco na Iron Island, uma série de capítulos repletos de ação, da influência de clonagens, criminosos, sequestros, batalhas, muita adrenalina e uma escrita no melhor nível possível. A minha sensação de concluir essa etapa é inexplicável, parece que foi ontem que comecei a elaborar toda essa loucura. É aqui onde teremos o clímax de tudo, mas não o fim.

É um capítulo que requer total de atenção de vocês, dessa vez não adianta pular os parágrafos e ir direto para as falas, ou vocês não entenderão nada do que se passa. São muitas informações, muitos personagens, é a primeira vez que apareceram mais de 30 personagens ao mesmo tempo, então não dispersem sua concentração! Nesses 30 minutos de desativação da ilha tive de reunir tudo que aconteceu, juntar cada ponta e não deixar nada faltando. Se alguém ficou pra trás é aqui onde tudo deverá interligar-se, e dessa vez posso garantir que a ação das descrições está no melhor nível possível! Juro que eu havia esquecido como se trabalhava com o Luke e o Lukas. Teve um dia que fui obrigado a fechar a página e voltar a escrever só no outro dia porque eu não sabia mais criar conversas para eles. Foi uma longa jornada de esforço, mas sei que esse Arco poderá fornecer um final digno, e não digo que agora é a hora de sentarmos e relaxarmos, pois com a chegada das férias terei tempo para trabalhar em novos projetos, e concluir a Saga Diamante com enorme êxito.

Forgotten
Uma nota sobre o título do capítulo! Forgotten. Eu tive de alterá-lo e separá-lo em duas partes, na verdade é apenas uma cena especial que apresenta uma rápida conversa, mas que fugia totalmente do enredo apresentado no Capítulo 60, então, separei esse pedaço da história como o Capítulo 60.5. Neste ponto digamos que concluímos oficialmente o Arco de Iron Island, e ao mesmo tempo damos início ao próximo. Quando todos nós pensamos que tudo estava terminado, esquecemos de uma única coisinha. Fiquem tranquilos, pois eu o postarei no decorrer da semana.

O Arco dos Lendários
Uma coisa eu posso garantir: Os personagens demorarão muito para se recuperaram de tudo isso que aconteceu. O próprio Luke já está alternado, e muito. Pudemos perceber isso pelas poucas falas dele no capítulo, ele está constantemente desconfiado, cabisbaixo, quase que um corpo sem alma... Certa vez o Léo Me_Aipom comentou comigo: Tenho medo de que os próximos Arcos não sejam tão bons quanto esse. E eu também compartilho esse medo com os leitores cara. Eu nunca sei qual será a reação de vocês, nunca sei se gostarão ou não das ideias e esse próprio Arco foi um exemplo disso, afinal, aqui foi a primeira vez onde usei tanto os Pokémons da história central, foram quase 2 meses só de Fire Tales! Agora resta apenas um Arco para concluirmos isso tudo. O Arco dos Lendários, capítulos que podem parecer previsíveis para todo mundo, mas eu juro, é aqui onde iremos nos surpreender ainda mais. Eu, particularmente, acho lendários apelativos em fanfictions, mas meu foco aqui não serão apenas eles e teremos muito mais a contemplar. O Fim do Mundo está chegando em Sinnoh, e será que salvando o Mundo Pokémon nossos personagens podem nos resgatar do 21 de Dezembro de 2012 também? *risos* Podem ter certeza que nossos protagonistas compartilharão da mesma ansiedade que nós.

Não se esqueçam disso! Os próximos capítulos são uma mistura daquilo que vocês já conhecem com o imaginável. Se pensam que vou cair no clichê e seguir à risca o acontecimento dos jogos estão muito enganados. Tive uma conversa muito agradável com a Leeca e posso garantir que tem muita coisa boa a caminho. Está na hora de concluir essa saga no mesmo nível de excelência da Ex-Elite 4: O Fim de um Legado. Acho que agora deu pra ter ideia e como será, não?

Capítulo 60


Lukas já caminhava há cerca de uma hora pelos corredores estreitos do Setor Zero. O jovem temia pelo bem estar de seu Murkrow e de Monferno que haviam sido deixados para trás lutando contra Beliel, o Houndoom, Carcereiro dos Portões do Inferno. Ele não tinha mais condições de regressar, e tão pouco desistir era uma opção; a partir daquele ponto o garoto deveria depositar sua confiança no desempenho de seus Pokémons, mas se ele falhasse, o esforço de seus amigos teria sido em vão. Sentiu um enorme aperto em seu coração, mas continuou seguindo em frente, ainda havia um longo caminho a percorrer.
Por sorte o setor revelou-se vazio e pouco movimentado. Hora ou outra Lukas deparava-se com Pokémons Clonados fazendo sua ronda pelos corredores escuros, mas com um pouco de perícia ele era capaz de esquivar-se sem ser notado. Era uma tarefa difícil e perigosa para um humano, ele não tinha nenhum Pokémon consigo e ser atacado por aquelas criaturas o colocaria em perigo iminente.
Ao prosseguir com sua patrulha secreta pôde notar de longe um salão vasto, e muito provavelmente o mais bem arquitetado do setor. Três Pokémons faziam um caminho contínuo, notou também que as criaturas tinham horários específicos e nunca mudavam sua trilha, a menos que algo lhes parecesse suspeito. Calculou que de dois em dos minutos uma brecha era aberta na vigilância, e dessa forma ele teria a oportunidade perfeita para atravessar o vasto salão. Lukas aguardou o momento certo e correu, escondeu-se atrás de um pilar conforme o esquema e continuou correndo sem que fosse notado. Ao atravessar o vasto salão soltou um suspiro e voltou a caminhar em segurança, apenas desejando que toda aquela apreensão terminasse e ele logo pudesse voltar para casa ao lado do irmão. 
Quando o garoto abriu um dos portões, pôde notar uma pequena criaturinha observando-o do outro lado. Ele prendeu sua respiração pensando que havia sido descoberto, mas aquele projeto de roedor não demonstrou sinais de euforia, ele apenas o observava, atentamente, quase que hipnotizado.
— Nidoran? — balbuciou Lukas.
Era uma Nidoran fêmea, e curiosamente, tinha os mesmos traços e feições da pequena versão que fora cremada na luta contra Beliel. Lukas ficou surpreso ao ver que havia uma réplica idêntica à ela, sua memória estava conturbada demais para dizer que as manchas eram as mesmas, mas certamente tinham muita semelhança. Talvez fossem gêmeas. Mas, de repente, duas outras Nidorans surgiram de trás dele. Lukas virou-se atônito e passou a observá-las da mesma maneira que era observado. Todas eram idênticas, todas tinham correntes nos braços e perninhas e os olhos eram estranhamente cobertos por uma luz branca, sem alma e sem expressão.
O menino agachou na altura do Pokémon e sorriu ao acariciá-la na cabeça.
— Eu vou tirá-las daqui. — disse Lukas de forma mansa, mas sendo surpreendido ao ver o Pokémon balançar a cabeça negativamente. 
          Ele franziu o cenho e estranhou o fato daquela criatura ter compreendido o que um humano dizia. A Nidoran ficou parada naquela posição, e logo havia cerca de dez outros Nidorans ao seu redor, e continuavam chegando mais deles. Lukas juntou os braços de forma acanhada e olhou ao redor o círculo que era feito em volta de si.
          — Vocês são muito estranhos... O que querem comigo?
          As Nidorans foram para próximo do garoto e começaram a empurrar seus pés, mas como eram poucas e mal tinham força elas não eram capazes de fazê-lo movimentar-se. Lukas deu um passo e todas as criaturinhas o acompanharam caindo no chão, logo se levantaram e continuaram tentando levá-lo para algum lugar. De repente uma voz fina e meiga pôde ser ouvida:

Venha, temos de ser rápidos.

— Quem disse isso? — indagou Lukas surpreso.

O garoto abaixou o rosto e notou que as Nidorans haviam se multiplicado. Agora havia cerca de trinta bichinhos, e eles já começavam a empurrar Lukas com mais força. O jovem encontrou-se obrigado a sair do caminho deles para que não fosse arrastado, mas das sombras daquele quarto surgiam novos Nidorans a cada segundo, e de repente havia uma centena deles ao redor. Lukas chegou a tropeçar em uma e quase foi ao chão, mas as Nidorans o seguraram e o impediram de machucar-se. Os roedores fizeram uma cama ao redor de seu corpo e, servindo de apoio, começaram a levá-lo para longe.

— O-Onde estão me levando? Quem são vocês?



Venha, temos pressa, ou eles vão te encontrar e farão mal a você e seus amigos! Assim como fizeram mal a mim e aos meus...



Lukas se deixou levar para o desconhecido pelo fluxo demasiado de Nidorans. O amontoado de criaturinhas era tamanho que quando eles passavam por um corredor as próprias Nidorans acabavam empurrando suas companheiras que caíam no andar debaixo e nunca mais eram vistas, tal como os Leminguês e suas histórias suicidas,  mas aquela manada de Pokémons tinha algo em comum... Era como se fossem conectadas por um único cérebro, por uma única mente.
Quando algum outro Pokémon clonado se aproximava do exército, as Nidorans pulavam em cima de Lukas e o escondiam com enorme habilidade. O cheiro do humano se misturava ao odor dos pequenos, e os clones continuavam sua patrulha sem notar absolutamente nada. Lukas ria ao pensar o quão brilhante era aquela ideia, mas ainda estava apreensivo para descobrir aonde aquelas criaturinhas queriam levá-lo. A caminhada estendeu-se por longos minutos, e na medida que algumas das Nidorans iam ficando para trás pelo cansaço restaram poucas quando eles pararam de caminhar e desabaram em frente a um portão de ferro marcado com a letra “R” dos Rocket. Lukas olhou atentamente para aquela porta e viu um cadeado destruído, quando preparava-se para entrar olhou para trás e viu as Nidorans irem embora.
— Esperem! Como posso agradecê-las?
Ao chamar, uma única Nidoran parou e olhou para trás. Era idêntica à pequena criaturinha morta em sua frente por Beliel, tinha inclusive os mesmos olhos e Lukas sabia que não iria esquecê-la tão cedo. A imagem do Pokémon parecia formar-se como uma criança em sua mente, e o garoto chegou inclusive a esfregar seu rosto para certificar-se de que não estava sonhando. A menina tinha olhos expressivos e uma feição de cansaço passível, seus cabelos eram curtos e lisos, presos em um broche delicado na altura das sobrancelhas  As algemas a cobriam das mãos até o pescoço. A criança sorriu e acenou a cabeça num gesto simples e sereno.
"Você já nos agradeceu se importando conosco, mesmo que sejamos apenas cópias. Nós o agradecemos por se importar com a gente. Obrigada, de coração, se é que ainda existe um dentro de mim..."
A criança virou-se, e quando Lukas libertou-se de seus devaneios viu apenas a pequena Nidoran partir de volta para as sombras, e lá permanecer para nunca mais ser encontrada.

Lukas perguntou-se do motivo daquilo, da estranha conversa com uma criatura sendo que nos últimos dias ele se mostrara muito mais próximo de Pokémons do que imaginara. Ao libertar-se de seus pensamentos olhou para trás e encarou o portão de ferro, segurou-o com os dois braços e o empurrou ouvindo o ranger pesado e tortuoso a cada centímetro entreaberto do portal. Encarou o cenário a sua frente com certo espanto, era um corredor de celas que pareciam já estar abandonadas há muito tempo, todas em condições precárias e instrumentos de pesquisas espalhados no chão, armários eram despojados e papéis sujos cobriam o chão como um manto de folhas de uma árvore descabelada. Uma estátua de ferro erguia-se no meio da prisão, e nela a figura honorária de um humano mantinha a fronte erguida e a mão esticada num sinal de progresso.
As celas eram dispostas em forma circular, e no centro do salão erguia-se majestosamente a imagem do que já foi o maior líder da corporação dos Rockets. Lukas caminhava com desconfiança, tentou ler os manuscritos no pedestal, mas já estavam apagados e corroídos pelo tempo. Subitamente pôde ouvir um barulho. Virou-se para encarar de onde vinha o som com mais atenção, e pôde finalmente ver uma pequena figura agachada em um canto escuro da prisão.  
Seu coração por um instante parou de bater, ele sentia como se seus olhos lhe pregassem uma peça, deixou de lado a desconfiança, a tristeza, o cansaço, correu com todas as forças que podia para o encontro daquela figura que podia não ser seu irmão, mas a euforia era tanta que este pensamento nem lhe passou pela cabeça. O garoto mal se atentou ao detalhe de que aquela cela estava aberta e com seu cadeado quebrado e escancarado no chão frio de mármore, entrou e não se deu conta de mais nada ao ouvir as palavras saírem de sua boca num sussurro de dúvida e reconciliação.
— L-Luke?
O garoto, quase desacordado, ergueu os olhos e por um instante foi como se encarasse a si mesmo. Parecia que estava vendo seu reflexo em um espelho, o jovem esticou uma das mãos com dificuldade e sentiu-as tocar levemente o rosto do irmão que já correra para socorrê-lo. Luke acariciou-lhe a face, contornando os detalhes, querendo segurar-se à certeza de que aquele que estava a sua frente não era uma mera ilusão de sua mente desgastada, e sim, seu verdadeiro irmão.
— L-Lukas? Lukas... Lukas... — chamou ele com a voz cansada.
O garoto tinha lágrimas nos cantos do olhos, segurou a mão de Luke com força e aproximou-a mais de si.
— Luke, sou eu. — respondeu em um sussurro, sua voz quase não saindo.
 Os dois não esconderam um sorriso semelhante e imediatamente se abraçaram para o consolo um do outro. Luke desabou quando encostou-se no ombro de seu irmão e amigo, o jovem prisioneiro tinha os pés machucados e o rosto ferido, seus olhos pareciam quase estar fora de si e o sangue já ressecado demonstrava longas 12 horas de agonia naquele lugar. 
— Luke! Luke!! Sou eu, é o Lukas!!
— Eu sabia que você ia me encontrar. — respondeu com a voz trêmula.
O moreno sentia o corpo frio de Luke, retirou o blusão que vestia de seu irmão, e assim o colocou de volta em seu verdadeiro dono. No fim a troca de vestes não servira para enganar ninguém, afinal, os Pokémons possuem um faro muito mais aguçado do que qualquer humano. Ao menos seu plano infantil e até mesmo insensato servira para aquecer o irmão que quase congelava no chão frio de concreto. Em meio ao sangue que escorria da nuca do garoto Lukas pôde sentir a dor que seu irmão sofrera, era uma dor que fora compartilhada com todos ali presentes, desde humanos até Pokémons; não poucos haviam perecido, renomados ou desconhecidos, pois foi uma grande batalha e nenhuma história contou um relato completo dela.
Eles tentaram prosseguir em conjunto enquanto Lukas apoiava o irmão em seus braços, mas Luke tremia de frio e mal dava sinais de consciência. Luke tropeçou e foi ao chão novamente, mas sequer reclamou. Os dois apenas desejavam que aquele pesadelo terminasse, o tempo parecia parar como se nada mais importasse. Lukas encostou-se numa parede ofegando, apoiou o irmão dando-lhe suporte para sentar-se da mesma maneira, e assim Luke virou-se para ele sorrindo num agradecimento carregado de sentimentos.
— Pensei que nunca mais te veria.
— Não fale assim, Luke. Eu nunca, nunca te deixaria.
           — Parece que eu estou sonhando.
           — Eu estou aqui, Luke. Eu estou aqui com você.
Parecia que os machucados de Luke doíam em Lukas, a ligação  deles era tão forte que parecia que ambos dividiam um mesmo sentimento, das mesmas dores. As lágrimas que antes estavam contidas começaram a trilhar seus caminhos pelas bochechas cheias de cicatrizes, talvez pelo alívio de terem finalmente encontrado um ao outro, um alívio de que aquele pesadelo podia ser apenas um sonho e que logo eles estariam acordados, Lukas fechou os olhos e acolheu o irmão em seus braços.

Os dois pareceram ficar daquela maneira por um longo tempo, mas poucos segundos depois Luke desabou nos braços do irmão e quase desmaiou. Lukas segurou-o num susto e deu apoio para que ele não caísse uma terceira vez. Luke olhou para o irmão e riu de forma mansa:
— Poxa, eu gostava dessa roupa cara... Vou ter que comprar outra agora...
— Não se esforce, temos coisas mais importantes no momento, você já reclama todos os outros dias do ano. — respondeu Lukas com uma risada, limpando as lágrimas do rosto de Luke — Nós podemos comprar outras roupas, mas não há nada nesse mundo que substitua você.
 Luke estava feliz por ter o velho blusão de volta, mas ele já estava rasgado e desgastado de todas as longas viagens que foram feitas até então. De fato, Lukas havia perdido sua boina quando tentou fugir de Beliel, e eles claramente precisariam de um estoque novo. Luke riu, encostando a cabeça na parede fria e vendo sua respiração tornar-se mais pesada. O moreno olhou ao redor de forma breve e pareceu preocupar-se com algo, mas não se manifestou. Lukas agachou para apoiá-lo em seu ombro, perguntando na sequência:
— Você está bem?
— Onde ele está...? Você o derrotou? — perguntou Luke.
— Do que está falando?
Lukas pensou que seu irmão estivesse agoniando pelos ferimentos, mas a preocupação com que Luke dissera aquelas palavras demonstrava clara inquietação. Trazê-lo de volta a salvo para fora da ilha seria um verdadeiro desafio, mas eles estavam dispostos a seguirem juntos aquele caminho sinuoso. Mas, de repente, as luzes do setor começaram a piscar, faíscas dançaram em meio as luzes queimando duas ou três lâmpadas o que obrigou os Irmãos Wallers a se afastarem do centro do salão onde um fraco tremor pôde ser sentido. Uma sirene começou a soar, mas nenhum dos dois tinha noção do que era aquilo. Lukas olhou ao redor espantado e perguntou:
— O que está acontecendo com esse lugar?
— Ele chegou. Ele está aqui... Ele sempre esteve aqui, e por isso eu não pude escapar... — respondeu Luke com a voz amedrontada — Nós temos de sair daqui, depressa!
Lukas virou-se ao notar que toda a sala começava a ser coberta por sombras na medida que as luzes se apagavam e apenas uma restou, iluminando uma cela em especial, afastada de todas as outras. Era a solitária, o local onde os piores prisioneiros eram jogados. Lukas virou-se não podendo deixar que seu irmão caísse, mas levou um susto no momento em que a porta abriu-se sozinha e lá de dentro pareceram surgir inúmeros espíritos que se aglomeravam em um corpo sem forma. Luke tremia de forma agoniante, como se o pior de seus pesadelos voltasse a perturbá-lo.
Lukas foi arremessado para trás por uma força invisível deixando seu irmão para trás, mas algo sustentou o corpo do garoto desacordado e começou a arrastá-lo para dentro daquela cela permanente. Lukas chamou pelo nome do irmão e levantou-se correndo para agarrá-lo, mas as sombras na sala o ameaçavam e o empurravam de forma agressiva e violenta.
— LUKE!!! — ele gritou com todas as suas forças. 
Havia acabado de encontrar seu irmão, e agora, aquele espírito maligno o aprisionava novamente. Tudo parecia fazer sentido, pois mesmo que a cela de Luke estivesse aberta ele nunca conseguiu fugir devido ao carcereiro que voltava a aprisioná-lo transformando sua vida em um verdadeiro pesadelo. Lukas começou a apavorar-se, imaginou o desespero do irmão em ter aquela coisa ali, sentiu seu próprio coração agoniar em dor. Quando ouviu a sirene soar mais alto, livrando-o de seus pensamentos, dois outros Pokémons surgiram na sala. Um deles era um Croagunk que com mãos ágeis como uma navalha cortou o espírito ao meio fazendo com que a criatura soltasse o jovem Luke e fazendo aquele monstro recuar em um grito estridente. Uma Yanma passou zunindo arrastando os dois para longe, a libélula permitiu uma fuga com sucesso, mas o fantasma da solitária não estava disposto a perder seu único detento. O Croagunk fechou a porta, e de longe um Porygon-Z disparou um raio de gelo que a congelou em uma blindagem azulada. Lukas virou-se para trás ao notar que eram os Pokémons de seu irmão.
— Como vocês nos encontraram? — indagou Lukas surpreso.
O barulho e os gritos de dentro da cela ainda podiam ser ouvidos, aquela batalha ainda não estava finalizada. A porta da solitária havia sido congelada, mas os espíritos saíam dela lentamente como um assassino agonia sua vítima antes do golpe final. Lukas notou claramente um sorriso macabro formar-se em meio às sombras, e lembrou-se da única vez que ouvira alguém citar o nome daquela criatura amaldiçoada.
— S-Spiritomb. — ele proferiu.

Os espíritos avançavam contra a equipe na medida que as luzes piscavam e a sirene soava como uma sinfonia final. Jade utilizava de sua habilidade para dispersar os braços fantasmagóricos do monstro enquanto Yoshiki decepava os membros inexistentes do fantasma com uma velocidade impressionante, mas logo surgiam outros espíritos e a criatura não podia ser contida por nada. Lukas segurou na cabeça de seu irmão e notou que ele aos poucos abria seus olhos.
— O que está acontecendo? — indagou Luke atordoado.
— Precisamos fugir daqui o mais depressa possível!
— Mas ele é o guardião eterno dessas prisões... É impossível fugir de sua vigilância. Eu... Eu não consigo fugir... Eu....
— Luke!! — Lukas agarrou o rosto do irmão com as duas mãos fazendo seus olhos se encontrarem — Nós estamos aqui agora! Eu estou aqui!! Não perca a confiança no que os seus Pokémons são capazes. Vamos lá, Croagunk, utilize o Sludge Bomb! Yanma, Wing Attack! Porygon-Z, Hidden Power!
Yoshiki disparou uma rajada de veneno que ao entrar em contato com o fogo criado pelas esferas da guerreira cibernética criou uma explosão altamente inflamável. A libélula fez com que seu vento arremessasse aquilo em direção da porta da solitária, que ao entrar em contato com o portão já enferrujado correu-o por completo e explodiu tudo ao redor. Lukas escondeu-se para não ser afetado pelo golpe combinativo, mas por sorte aquilo dispersaria o Spiritomb por um tempo, ainda que ele não tivesse sido completamente derrotado. A voz do fantasma ainda ecoava de furma fúnebre e melancólica:
"Vocês não vão levá-lo de miiiiiiiiiiiiiim...."
Era como Lukas ouviu, mas o jovem teve medo de olhar para trás e nunca mais dormir por aquela imagem amedrontadora. Continuou correndo sem delongas, e quando o portão de ferro foi fechado a voz desapareceu.
Para seu corpo pouco definido parecia impossível carregar alguém como Luke por um caminho tão longo. Lukas esforçava-se ao máximo, mas também estava cansado. Quando parou para tentar recuperar o fôlego pôde sentir que um enorme peso lhe fora tirado das costas, e ao virar viu a imagem de uma linda mulher com olhos amarelados e corpo estrutural segurando Luke em seu colo como uma mãe acolhe a sua criança em dias de infortúnio.
"Mestre, eu vou cuidar de você." — sibilou Wiki de forma suave, demonstrando todo o seu afeto pelo humano mais importante em sua vida.
Wiki fez um aceno para que Lukas a seguisse para longe dali. O garoto foi guiado para fora do salão e aos poucos tudo ao seu redor começava a desmoronar. A Porygon-Z contornava a sala com pressa procurando por uma saída. A sirene soava. Lukas voltou-se para os Pokémons ali presentes e perguntou:
— Como sairemos daqui?! — indagou Lukas.
Wiki fixou sua atenção em uma parede específica, e deu sinal para que todos se afastassem o mais depressa possível. A muralha de concreto explodiu em milhões de partículas quando um enorme Metang surgiu como um tanque de guerra para o resgate de seu armamento. Luke não tinha consciência para ver seu Pokémon evoluído, mas certamente teria ficado orgulhoso. Não havia tempo para confraternizações e Wiki imediatamente indicou para que seus amigos segurassem firme no espectro metálico. Yoshiki e Jade apoiaram-se no corpo do Metang, Lukas estendeu o braço para que Luke estivesse seguro em cima de seu Pokémon, e assim que Wiki confirmou a segurança de todos, Vista partiu como um foguete pelo caminho que havia traçado até aquele local.
Seu corpo de metal era um trator desgovernado e destruidor. O Metang utilizava de seus braços como mísseis e o turbo de sua energia era convertido numa velocidade impressionante que permitiu a transição do Setor Zero em questão de poucos minutos.
"I drive, you shoot." — disse Vista.
Pokémons encontravam-se caídos por todos os lados, as paredes desabavam, a sirene soava e cada segundo que passava no relógio parecia a apreensão de todos aumentava. A cada metro que a equipe percorria uma nova figura aparecia em seu caminho, mas não havia tempo para lidar com meros clones e Vista atropelava todos abrindo um caminho em meio à última destruição. O destino deles era o saguão central, o local onde eles se encontraram pela primeira vez, e agora, seria seu ponto de reencontro para que eles finalmente dessem adeus àquele inferno criado pela raça humana.
Quando eles finalmente chegaram a velocidade de Vista foi diminuindo e a máquina parou permitindo a saída de seus mestres. Os primeiros vistos no salão foram os Pokémons de Dawn, tal como a companhia de Mothim. Luke ainda estava desacordado, e por isso era carregado nas costas do grande Lairon. Lukas olhou ao redor e mal pôde reconhecer o ambiente, era lá onde eles haviam começado aquela terrível batalha, e seria ali onde a despedida da ilha de ferro seria concluída. Um a um seus companheiros chegavam dos portões dos demais setores. O primeiro a aparecer foi Bastiodon, carregando o debilitado General Dusclops em suas costas enquanto Froslass e Eevee davam apoio. O moreno abriu os braços para abraçar sua pequena raposa, mas arregalou os olhos ao notar que uma inundação cobria todo o Setor 2 e seus Pokémons fugiam da água que consumia tudo ao seu redor.
— Tudo isso estará debaixo d'água em poucos minutos, devemos sair daqui!! — alertou Lukas.
"Perdão, mon cher. Mas derrubamos dragões e demônios, e não será um pouquinho de água que nos impedirá de continuar seguindo."
Lukas virou-se ao notar que sua Roserade de o Gastrodon obeso criavam uma barreira para que toda aquela água fosse contida. O garoto sorriu admirado pela força de seus próprios Pokémons ao ver a rosa mandar-lhe uma piscadela, mas Akebia imediatamente alertou que o telhado desmoronava e enormes pedras iam a encontro de seu mestre.
Foi nesse momento que Togetic e Gardevoir entraram em ação. Com seus movimentos psíquicos Sophie controlou a fúria da natureza criando um escudo cristalino em volta de toda a sua equipe. Karl manuseou seu Ancientpower, e por meio dele arremessou as pedras para longe impedindo que o perigo os afligisse.
"Oh, meu bebê está crescendo! Não precisa mais ficar escondido na barra da saia da mamãe!" — disse a Gardevoir.
"Qual é, Sophie. Vai acabar com a minha reputação na frente do meu Mestre?" — respondeu Karl com uma risada.
Lukas agradeceu toda sua equipe com um aceno, e a cada instante sentia que estava mais conectado aos Pokémons ao seu redor. Eles eram muito mais do que instrumentos de batalhas, eles eram parte de sua família, e a segurança dos demais era apenas uma de suas muitas obrigações como treinador. Ele olhou rapidamente para os lados e notou que os portões dos cinco setores eram cobertos por pedras e completamente estavam destruídos. Em meio a sua preocupação, gritou:
— Onde estão os outros?! O que aconteceu com os demais?
"Fique tranquilo, pois eles virão." — assentiu Chaud.
O teto onde eles estavam começou a ruir, o que obrigou-os a deixar aquele local o mais depressa possível. Saíram do salão onde Malbora e Magnum foram derrotados e deixaram para trás as vagas lembranças de uma terrível guerra contra a Grande Criação dos Rockets. Ao saírem da base viram que todo o mar estava bravio, o céu era pintado por um manto plúmbeo de cores sem vida, o chão tremia na medida que tudo ao seu redor parecia ser coberto pela ira da natureza em ser confrontada pela ação dos humanos.
Mesmo longe, a sirene ainda podia ser ouvida. As ondas batiam com força nas pedras da costa e as árvores encurvavam-se em direção do vento como se tivessem medo de serem castigadas. Lukas ainda virou-se para trás tendo a esperança de ver seus Pokémons remanescentes saírem dali com vida, mas não viu nada. Sua pequena Eevee apontou para o céu ao notar uma sombra que sobrevoava a todos com aptidão. Lukas esboçou um sorriso ao ver um Honchkrow pousar triunfalmente, e ao abrir suas asas o corvo negro tinha uma jovem Monferno sob sua proteção, no conforto dos braços de seu protetor absoluto.
 Lukas soltou um suspiro de alívio ao vê-los bem.
— Scarface! Quando foi que você evoluiu? — perguntou ele surpreso, tendo imediatamente a resposta em sua mente — Foi por causa do tio Marshall?! Ele ainda está lá dentro, precisamos salvá-lo!!
Lukas foi surpreendido ao ouvir uma explosão de um dos setores, e por conseguinte a única entrada para a base estrava destruída por completo. O garoto não escondeu a feição pasma, por um momento toda a equipe juntou-se num círculo na medida que uma sombra avançava sobre eles, e do alto era possível notar que a montanha desmoronava sobre eles.
"Não podemos contê-la!! Corram o máximo que puder!!" — gritou General com enorme exatidão.
Uma parede imensa de rochas de pedregulhos despencava de pouco em pouco, e nem mesmo Pokémons seriam capazes de fazer frente a fúria da natureza. Mesmo ferido, o Dusclops indicou que todos corressem para longe o mais rápido possível, mas a terra desabava e a ilha de ferro era consumida pela fúria do oceano com ventos e uma reviravolta nunca antes vista no oceano. Subitamente, em meio aos gritos e a euforia, Luke despertou.
 Cuidado!! — gritou para o irmão.
 Ao virar-se eles tiveram a impressão de seria impossível escapar daquela sina. A montanha já avançava sobre eles, e então, um gigantesco Rhyhorn surgiu e impediu que aquela parede ruísse e despencasse por cima de seus companheiros. Lukas virou-se e notou que Mikau e Milena estavam acompanhados daquele imenso Pokémon, e reunindo o poder de todos os demais os Irmãos Wallers indicaram em conjunto um golpe para a destruir a montanha. Os ataques de cada um se fundiram e impediram que a natureza avançasse, contendo sua raiva por alguns instantes. O  gigante Rhyhorn segurava tudo com suas próprias mãos e com um punho do tamanho de um cometa destroçou-a dando mais uma oportunidade dos humanos de saírem dali com vida.
"Estou cansado, patrão. Muito cansado. Mas ainda não está na hora de desistir." — disse Coffey.
A sirene soou mais uma vez, seu barulho estridente já atormentava até mesmo audição dos mais pacientes, mas logo pareceu ser interrompida por algo. Subitamente ela parou, e ao olhar para o alto onde a sirene situava-se Lukas pôde ver um Garchomp com um pequeno Pachirisu em seu ombro. O dragão jogou a grande caixa de som destruída na frente de seus companheiros enquanto apoiava-se na pilastra ao lado.
Fala sério, esse barulho já encheu o saco.” — riu Aerus, transmitindo claramente aquela impressão por sua risada.
"Entramos aqui unidos e de mãos dadas, sem a certeza de vitória. E agora, sairemos desta mesma linha com a união e a esperança entrelaçadas. — respondeu Watt.

Lukas sorriu de maneira incontida ao ver que Marshall e Dawn estavam logo ao lado dos principais guerreiros dos Irmãos Wallers, com o trabalho em equipe todos eles foram capazes de saírem daquele tortuoso labirinto com vida, e apesar das dificuldades parecerem já ter passado, o verdadeiro desafio estava apenas para começar. Os olhos de Dawn já se enchiam de lágrimas ao ver que Luke estava a salvo. A garota correu para abraçá-los enquanto gritava emocionada, nunca esteve tão feliz por vê-los juntos, principalmente ao fim de uma batalha que nenhum deles sabia como poderia terminar. Em meio ao caos que se expandiu ao seu redor a menina abraçou gentilmente os dois meninos enquanto agradecia a esperança por nunca tê-la abandonado.
— Mal posso acreditar que estamos juntos novamente. Nós três! Nós três!! — ela repetia com entusiasmo.
— Um pouco acabados, mas deu pra tudo terminar bem, já é um começo. — respondeu Luke com uma risada, logo sendo interrompido por Marshall.
— Mas este é apenas o começo do fim, jovem Luke. O Executivo Archer é um homem precavido e ativou a auto-destruição da ilha quando eu o enfrentei. E, segundo meus cálculos, ela pode vir a ser implodida dentro de  treze minutos.
— Interessante, treze é o número da sorte do papai. — comentou Lukas com uma risada.
Em meio a toda a correria os Irmãos Wallers não tinham pensado na possibilidade de explosão, mas tudo agora fazia sentido. Eles mal tiveram tempo de retornarem os seus Pokémons para as pokébolas,  e de fato não era permitido que eles caminhassem com mais de seis criaturas nos dispositivos, e por isso pediram o auxílio de todos mais uma vez, pois agora o trabalho deveria ser feito com grande velocidade a traça um objetivo específico: Evacuar a ilha. Eles correram para a costa onde os barcos estavam atracados, balançando conforme as ondas batiam de forma violenta em seus cascos. Um dos membros da equipe de Marshall já aguardava seu chefe com enorme ansiedade.
— Senhor Marshall, fomos capazes de desativar todas as bombas! Falta apenas uma!! — afirmou o policial.
Marshall olhou para o redor e não acreditou naquilo. Ele confiava em sua equipe, mas não se tratava da implosão de um simples grupo de criminosos, e sim, dos terroristas mais procurados de toda a Sinnoh.
— Onde está o jovem Roark e o senhor Byron?
— Eles estão desativando a última, confiamos o nosso trabalho aos dois maiores especialistas em solo da região. Eles sabem o que fazem.
E certamente, Roark estava muito concentrado em seus afazeres. Seu rosto já estava sujo de poeira e até mesmo um pouco machucado por choques que levara das faíscas de bombas anteriores. O rapaz chegou inclusive a tirar o capacete, o que era um ato raro para ele. Ajeitou os óculos enquanto concentrava-se minuciosamente na desativação de um explosivo. Seu pai o observava apreensivo, e num rápido corte o garoto cortou e desativou a última bomba da ilha.
— Consegui!! — afirmou Roark animado.
Mas a sirene continuava soando com insistência. A bomba continuava desativada em sua mão, ele tinha a absoluta certeza de que não havia nenhuma outra escondida superficialmente na ilha, a menos que...
— Não pode ser... — balbuciou Byron indignado.
— A ilha é uma bomba, — respondeu Roark com certeza do que dizia — e é impossível desativá-la.
Os dois líderes juntaram seus pertences e imediatamente deram a notícia para Marshall. O Ex-Elite ficou apreensivo, pois sabia que mesmo partindo imediatamente eles não poderiam impedir um desastre, e para piorar a situação, o impacto da explosão poderia atingir de Canalave até Eterna, duas das cidades mais populosas de Sinnoh, e seus resquícios poderiam ameaçar até mesmo Jubilife, a maior metrópole da região.
Marshall não deu tréguas e imediatamente ordenou que sua equipe se preparasse para partir. Os Pokémons dos Irmãos Wallers ajudavam no que podiam, seus aquáticos utilizavam de seus poderes para preparar as embarcações e confrontar o oceano. Até mesmo os jovens se ofereciam para prestar auxílio naquela situação de tanta euforia. Luke esticou a mão para Dawn, e a menina apoiou-se nele para subir no barco, quando o jovem preparava-se para partir novamente ela o puxou e encarou seus olhos cansados e mal dormidos com enorme paixão.
— Tome cuidado, eu não quero perder você de novo. — disse Dawn.
Luke assentiu com um aceno, mas não lhe deu resposta. Realmente desejou retribuir aquele gesto com carinho e devoção, mas nenhuma palavra saiu de sua boca. Soltou um longo suspiro temendo que aquela batalha chegasse mais longe do que eles pudessem imaginar. Teve medo de que pudesse perder a garota com seus atos estúpidos e infantis, que ela o abandonaria na primeira oportunidade, mas agora ela estava lá, todos estavam. Seus amigos haviam enfrentado os próprios medos para o resgate do jovem, e aquele era o sentimento mais importante a ser lembrado. 
Marshall também foi em direção de Lukas e segurou no ombro do pequeno ao dizer com sua voz grossa:
— Teremos uma conversa muito séria quando tudo isso terminar. — disse o tio com certa seriedade. 
Lukas engoliu seco, mas em seguida Marshall estendeu uma corda em direção do jovem e esboçou um sorriso confortante.
— Eu teria de promovê-lo se você trabalhasse na polícia. Por sorte tenho um sobrinho tão bom quanto qualquer outro policial da região.
Todos os preparativos foram feitos com imensa velocidade, os peritos da polícia de Sinnoh também tinham seus próprios Pokémons, e com o auxílio de Mikau e Milena liderando as demais criaturas eles logo se preparavam para zarpar da ilha. Luke voltou-se para trás ao notar que aquele gigantesco Rhyhorn não caberia no barco por conta de seu peso. Mikau o observou com atenção e em seguida chamou seu treinador.
— Onde você encontrou esse grandão, Mikau? — indagou Luke.
É o meu presente para o senhor, um prisioneiro de batalha, e um desejo de boas vindas ao retorno do rei.” — assentiu o Seadra num gesto honroso.
Luke sorriu e encarou o imenso Rhyhorn com convicção, mais tarde ele faria as devidas apresentações, mas aceitou o presente com enorme ânimo. Recebeu uma Great Ball de seu irmão, e assim o capturou, para em seguida ouvir a voz de Dawn aflita de dentro do barco:
— Depressa!! Não temos tempo!
— Já estou indo! Qual é, vocês vão me deixar para trás depois de tudo?
Luke deu um pulo no barco tropeçando em uma banqueta de madeira, mas no mesmo instante sentiu que alguém o segurava, e assim que ergueu seus olhos pôde ver seu irmão encará-lo com grande entusiasmo.
— Temos que sair daqui com você inteiro, qual teria sido nosso objetivo se você fosse deixado para trás? Entenda que eu jamais partiria sem você.
— Eu faria o mesmo, irmão. Eu faria o mesmo.
Na medida que o sol tomava espaço no horizonte alaranjado do amanhecer a sirene soava com maior insistência e em um tom muito mais aterrorizante. Roark se condenava por não ter conseguido desativar todas as bombas há tempo e temia que tudo tivesse sido em vão, mas, de repente, eles puderam ver um barco chegando ao longe, e nele o símbolo do Governo de Sinnoh estampado na proa. Marshall tomou frente no barco e foi verificar de quem se tratava. Ele imediatamente teria ordenado que recuassem, mas ao ver o homem que guiava o barco surpreendeu-se ao citar apenas seu nome.
— Ike Smithsonian. — disse Marshall.
Ike encostou sua lancha o mais próximo possível da costa, e ao ver Marshall e sua equipe junto dos Irmãos Wallers não precisou de nenhuma explicação para entender o que estava acontecendo naquele ambiente hostil e selvagem da Ilha de Ferro. Ike fez um gesto calmo e paciente, sendo cortês e educado demonstrando ter claro controle da situação;
— Afastem-se da ilha o quanto for possível. Deixem que o resto eu resolvo.
Marshall sabia como dar ordens, mas todos os seus anos ao lado de Walter também lhe deram o bom senso de saber quando cumpri-las. Luke e Lukas viram o homem metálico da Elite, porém, mal tiveram tempo de cumprimentá-lo ou impedi-lo de qualquer ato quando o barco zarpou deixando todo aquele pesadelo para trás. Dawn gritou em meio a sua euforia:
— Mas nós vamos deixar o Senhor Ike sozinho naquele lugar?!
— Ele sabe o que faz, senhorita Manson.
Marshall viu ali não apenas um dos homens mais influentes da região na atualidade, e sim, o aprendiz de Selena, o marido da Mulher de Ferro, sua melhor amiga. Nada era capaz de derrubar aquela moça quando ela teimava a persistir em algo, e não seria uma simples explosão capaz de destruir a fortaleza que ela própria construíra. Ike cantarolava uma singela melodia na medida que saía de sua embarcação para aquele cenário desesperador. Sua voz era o único conforto naquele ambiente e soava desaparecendo ao vento por nunca ter sido ouvida por ninguém.

"Outro dia, outro amanhecer
Estou voltando para onde eu pertenço, e eu nunca me senti tão forte
Eu sinto que não há nada que eu não possa tentar
Se você já perdeu uma luz antes, esta é pra você
Os sonhos são para você
Estou voltando para casa"

O barco de Marshall zarpou como um torpedo pelo mar bravio, e guiados pela força de dois dos aquáticos mais poderosos do continente não demoraram em alcançar uma distância razoável. Ike tinha sua humilde embarcação na praia, e assim, retirou os sapatos envernizados de forma calma e retórica para sentir a maciez da areia molhada em seus pés. Ignorou completamente a sirene que soava cada vez mais forte, era claro que restavam poucos minutos para a explosão de tudo, mas ele não ligou. 
Soltou um longo suspiro ao sentir as ondas em seus pés, o vento no rosto, e contemplar uma única vez seu investimento em uma das ilhas que outrora já fora a mais bela de Sinnoh. Há muitos anos ele não tirava férias da Liga, e comandar a Elite atrás apenas do campeão era um enorme fardo para qualquer um, mas ele apreciava. Aproveitou de seu curto tempo no local, mas Ike era um homem de negócios e sabia que seu investimento na Iron Island fora benéfico para que eles finalmente descobrissem e dessem um fim ao reinado de terror dos Rockets. O homem sacou uma pokébola do bolso e jogou-a para o alto.
— Bem, as férias terminaram. Está na hora de voltar ao trabalho.
A pokébola liberou um brilho colossal, e dela surgiu uma enorme serpente de metal. Um Steelix enrolou-se em volta de seu mestre e aguardou as ordens com convicção. Ike tocou levemente no rosto da criatura e deu-lhe uma única ordem:
— Titânia, destrua a ilha.
 Será um prazer.
A serpente rastejou até onde tinha uma distância razoável de seu dono. Naquela situação os olhos diziam que ela era apenas uma serpente de metal, mas ao coração de quem a observava ela tomava a forma de uma linda mulher de armadura prateada. Sua cintura era longa e remexia-se no ritmo de um rebolado sensual. Sua armadura era impenetrável, as roupas eram entrepostas e forjadas pelos maiores ferreiros da região, seu braçal tinha a eficiência de um escudo e as ombreiras eram mais resistentes do que o próprio diamante.  Seus longos cabelos negros esvoaçavam ao vento enquanto ela preparava suas mãos como num ritual de um treino. Titânia fechou os olhos e esqueceu-se do barulho ao redor, do som das ondas, do toque do vento. Assim que abriu-os estufou o peito e jogou os braços para frente causando um impacto que o universo apenas sentiu nos primeiros dias de sua criação.

Earthquake.

E tudo foi consumido pelo mar. O fluxo do tempo pareceu inverter-se, as placas tectônicas foram destroçadas e nunca mais voltaram ao normal, uma enorme tromba d’água surgiu onde repousava aquela ilha alcançando até os céus e cortando as nuvens como uma torre sem fim. Os Irmãos Wallers encaravam tudo da embarcação, e o grande iate quase virou com a força das águas. O ambiente foi inteiramente dominada pelo terremoto, mas a serpente exercia total controle sobre seu poder e um círculo contornou exatamente onde a Ilha de Ferro situava-se sem afetar nada ao redor. Aerus estava pasmo por ver aquela cena, e mesmo de longe sabia que existia um único Pokémon capaz de controlar tal golpe com tamanha eficiência. O poder de Titânia lhe dava a força para criar e destruir continentes, ela havia se tornado o ícone de sua espécie e com toda certeza era uma das criaturas mais poderosas do Mundo Pokémon. Quando a tromba d'água dispersou-se  aquela região já não era a mesma, a ilha havia desaparecido do mapa como se nunca tivesse existido. 
E assim, veio a calmaria. Os policiais comemoraram, Marshall retirou o chapéu num sinal de respeito. Dawn tinha certeza de que ali existia uma ilha há poucos minutos. Luke e Lukas ainda olhavam para o lugar atentamente e desejavam de todo o coração que Ike não tivesse feito aquilo para salvá-los dando sua vida em troca. Um silêncio profundo reinou, e a sirene nunca mais foi ouvida. No  oceano havia apenas um pilar de ferro e, no centro dele, um homem. Envolto no monumento reinava uma serpente, única dentre todos os guerreiros de sua espécie, e com a perspicácia de erguer-se como uma imperatriz. Por aquela cena eles podiam ter certeza do motivo de Ike ser reconhecido como o líder da atual Elite 4, de ser um dos homens mais poderosos daquela Era. 
Um suspiro de gratificação e alívio foi incontido ao encarar tudo aquilo. Lukas olhou para o vazio ao seu redor e percebeu que nunca havia sonhado, que aquele pesadelo chegava ao fim, e como no melhor de seus sonhos ele comandou seus desejos até atingir o sucesso de suas ambições.
— Acabou. Finalmente, acabou.
— É, irmãozinho. Acho que agora, sim.


      
 

5000 Comentários

Pois é, meus companheiros, este incrível marco deve ser lembrado pelos seguidores de Sinnoh como a conquista de um tesouro muito precioso! Nestes longos anos como blogueiro e escritor de fanfictions pude perceber uma coisa: As visitas nos trazem a sensação impressionante de poder, tal como as visualizações, pois o ser humano sempre foi fissurado por números; mas ainda são os comentários que realmente pesam ouro nessa aventura. De que adiantaria existirem 1.000 seguidores diários se eu não conhecesse nenhum deles? É a participação de todos que torna este blog mais animado, que coloca a impressão de cada um em suas páginas e traz uma inspiração muito maior do que apenas um amontoado de números.

Em comemoração a essa conquista, nossa querida Litos trouxe uma ilustração do primeiro casal assumido dos Fire Tales. São eles os personagens que começaram como um simples par de Pokémons aquáticos esquisitos, para hoje se tornarem dois dos guerreiros mais surpreendentes da história. O Mikau é para mim uma das maiores criações da fic, e é óbvio, ele tinha que ser o protegido da própria Litos que foi a responsável por alterar quase que 100% a personalidade até que ele se tornasse o que é hoje, caso contrário, digamos que o Mikau seria apenas um homem inteligente e sério. Mas nós precisávamos de um personagem diferente, de uma personalidade que ainda faltava para tornar a convivência de todos dentro da guilda um verdadeiro caos! Uma reviravolta incrível para o personagem que hoje é um dos maiores anti-heróis da jornada, não? E a Milena? Hora, ela pode facilmente ganhar como uma das personagens mais lindas e sexy de Sinnoh, e o faz por merecer, afinal, tinha que ser brasileira! *risos*

Vocês me deram esse presente, me deram 5000 comentários e longas horas em frente ao computador, trabalhando, criando, mas também rindo e se divertindo. Como retribuição, a cada conquista somos nós, da equipe de Sinnoh, que também trazemos um presente até vocês. Esta imagem faz parte de uma coletânea de wallpapers, e pode ser considerada como uma das mais bonitas feitas por nossas bandas. Temos alguns prêmios a serem conquistados, ainda não arquivei as 100.000 visitas e nem as 500.000 visualizações, mas sei que logo teremos um novo troféu na estante. Este é um trabalho em conjunto e sem a ajuda de vocês eu nunca seria capaz de arquivar tantos recordes, e vendo tudo que passou parece que foi ontem que trouxemos aquela imagem singela no lápis de cor comemorando as 5.000 visitas, não? Eu nunca esqueço de retribuir o que me é dado. O céu é o limite!

Quem vocês acham que deve aparecer nas próximas imagens comemorativas? Vamos lá, façam suas escolhas, as férias estão chegando e sei que tem muita coisa boa vindo pela frente. Podemos nos unir e entrar num acordo; afinal, essa é a nossa fanfiction, esse é o nosso mundo.

Artbook - P.S. I Love You


Autor(a): Litos
Finalizado: 12 de Novembro, 2012
Técnica: Photofiltre e Photoshop p/ Montagem
Resolução: 1600 x 1200
Tamanho: 1, 28 mb
Descrição: Mikau e Milena (Seadra e Milotic) Pokémon Gijinka, Wallpaper. Sensual Seduction. Imagem comemorativa de 5000 comentários.

Day Care Center - New Characters

Adivinhem quem voltou?

Sim, meus caros companheiros, o Day Care Center voltou para ficar! (Assim eu espero, porque Giratina sempre manda alguma macumba para esse lugar dar errado, só pode...) 

Bem, esses dias eu estava atualizando meus afazeres no blog e decidi dar uma passadinha no Squiby para saber se eles tinham conseguido arrumar as coisas por lá, e qual foi a minha surpresa ao ver que já era possível criar personagens? Isso foi ótimo, e mesmo tendo preparado alguns há tanto tempo somente agora eu pude disponibilizá-los para vocês! Ovos coloridos e ovos negros... Agora vocês terão a oportunidade de ajudar nossos personagens e conquistarem a sua própria Grande Criação! Mas não se engane, pois dessa vez eles darão um desafio maior para quem tentar chocar os ovos, vocês estão dispostos a encarar esse desafio mais uma vez?

        

  

Top GUILD
17:54h / 28 de Novembro, 2012

Beliel - Level 1.005
 Atomico - Level 917
 Barão - Level 839
 Tyrion - Level 806
 Fenrir - level 804

Ranking
  • 1° Barão Maximiliano - Exeggutor: Chocado por Fernando
  • 2° Fenrir - Lucario: Chocado por Shiny Suicune
  • 3° Beliel - Houndoom: Chocado por Shiny Suicune e Toia
  • 4° Bonecrusher - Rampardos: Chocado por Fernando e Shiny Suicune
  • 5° Eleanor - Pinsir: Chocado por Thiago-senpai
  • 6° Atomico - Muk: Chocado por Thiago-senpai e Fernando
  • 7° Glory - Blissey: Chocado por Shiny Suicune e Fernando
  • 8° Doraikem - Drapion: Chocado por Fernando e Alan Hipolito
  • 9° Tyrion - Arcanine: Chocado por Fernando e Shiny Suicune
  • 10° Alexay - Luxray: Chocado por Fernando e Alan Hipolito
  • 11° Delfort - Hitmonlee: Chocado por Fernando

Clony Guild

CLONY foi o nome da guilda formada pelos Pokémons clonados dos Rockets desde os tempos de sua dominação em Kanto. Ela era composta por um verdadeiro exército de guerreiros clonados criados unicamente para receber e cumprir ordens. Dez deles tinham um destaque em especial, intitulados pelos humanos como "A Grande Criação". Tendo sua base nas sombras da Ilha de Ferro, seu principal intuito era dominar a região de Sinnoh inicialmente para em seguida expandir-se até destruir todo o Mundo Pokémon, reconquistando o império dos Rockets. Seus guerreiros eram nativos de regiões passadas, muitos deles foram criados através do DNA de cavaleiros poderosos e destemidos, e por esse motivo a Clony Guild foi considerada como uma das guildas mais mortais da atualidade espalhando um legado de terror e passando a serem cada vez mais procurados há cada ano. Suas técnicas tendem tanto para o lado da Nova quanto da Velha Geração, sendo uma das primeiras equipes a investir no aperfeiçoamento de Pokémons com a força física dos tempos antigos e o aperfeiçoamento dos atuais. 

Seth é o guildmaster da equipe, e Atomico, o sub-administrador. Porém, nesta guilda a numeração e os títulos são apenas um cargo representacional, visto que cada integrante têm autonomia de tomar decisões por si próprio. Por cerca de quatro anos lutaram e destruíram guildas menores, e seus prisioneiros eram utilizados em experiências que criavam novos guerreiros para seus propósitos de batalha. Foi completamente destruída pelos Fire Tales na Batalha do Foguete Vermelho, seus dez comandantes foram eliminados e muitos sucumbiram em batalha, mas o paradeiro de alguns de seus membros ainda é um mistério.

Raça
Nome
Guilda
Número
Status














Clony Guild

Número 1



Desapareceu

Número 2

Desapareceu


Número 3

Desapareceu


Número 4

Vivian

Número 5

Desapareceu



Número 6

Desapareceu

Número 7

Luke

Número 8

Desapareceu

Número 9

Theo (Elite 4)

Número 10

Lukas


TRIVIA

  • Este conjunto de episódios recebeu diversos nomes diferentes pelos leitores, entre eles: Arco de Canalave - Parte 2, Arco da Iron Island, Arco dos Rockets e Arco dos Clones;
  • Foi inicialmente criado para conter 6 capítulos. Terminou com 10;
  • Foi o Arco mais longo da fanfiction até o presente momento;
  • A aparição de Proton em Sinnoh foi um acidente cometido na época em que Canas e o Little Celeby ainda trabalhavam juntos, mais tarde a simples aparição do Executivo resultou em todo o desenrolar dos Rockets no continente, gerando assim um dos Arcos preferidos do autor;
  • Os Rockets foram introduzidos na fanfiction no Capítulo 7;
  • Magnum e Malbora foram introduzidos nA Grande Criação de última hora;
  • A ideia de clonagem de Pokémons é uma das mais longas e bem desenvolvidas da Aliança Aventuras, tendo conexões com a fic de Kanto, Ilhas Laranja, Hoenn e Sinnoh.

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