Archive for October 2012

1° Copa de Escritores - Aliança Aventuras

Caros companheiros, admiradores da série Pokémon, leitoras e leitores, escritores... Em comemoração ao 1° aniversário do Aventuras em Hoenn estaremos realizando a abertura de um nova competição, a Copa de Escritores! Dessa vez a sede será em Hoenn, e o concurso foi uma iniciativa de seu administrador, o Shadow Zangoose.

Tomando percurso para essa região vocês poderão ter mais acesso às informações do concurso. Ele funciona basicamente como uma competição entre todos os escritores que optarem por entrar, e dessa vez suas histórias serão disponibilizadas na própria Hoenn para divulgação, desse modo, os leitores poderão avaliar o desempenho das fanfictions que mais apreciarem para que no fim do ano seja escolhido o vencedor da disputa, o escritor do momento! São permitidas One Shots, Shortfics, e até mesmo longas histórias de Aventura Pokémon no período de votação, quer uma melhor maneira de ganhar divulgação? Não serão os membros da equipe que avaliarão, e sim, vocês próprios. É uma forma de divulgar seu trabalho, conhecer novos leitores, aprender muito e se dedicar ao prazer único que todos nós compartilhamos: A paixão pela escrita.

Acessando Hoenn vocês terão mais conhecimento das regras e de como será o progresso do Concurso. Nesse meio tempo em Sinnoh você podem conferir o banner da copa no Menu ao lado, basta dar um clique na imagem para ser redirecionado ao concurso. Esperamos a participação dos escritores e que o Shadow Zangoose possa dar um verdadeiro show com sua ideia. ACESSE!

Eu fui o responsável pela capa de exibição e  decidi compartilhar algumas das experiências que tenho feito com modelagem 3D e computação gráfica, pressinto que tempos vindouros estão por vir na equipe, espero que daqui há um tempo possamos conferir um Porygon em 3D, e quem sabe não cumprirei meu desafio de modelar a Wiki, certo? Pois bem, já dá para imaginar que o resultado será no nível desses troféus, e a premiação conterá a excelência de grandes obras! Esperamos que cada um possa brilhar à sua maneira ainda sem ofuscar as estrelas ao redor, e que no fim da noite tenhamos um lindo céu estrelado de celebridades e astros que compartilham do mesmo objetivo.
      

Doraikem, o Gatuno

Doraikem é um ladrão de especiarias que costuma habitar as rotas e pântanos asquerosos onde instala seus esconderijos e passa a assaltar viajantes desatentos. Ele sequestrou o filhote de Glaceon e Leafeon durante um noite na Rota 212, e então desapareceu. Tal sumiço resultou na procura exaustiva da equipe em busca do ovo perdido, que por sorte foi encontrado por Bastiodon e por General. Doraikem tentou fugir, mas não encontrando escapatória teve de lutar, terminando derrotado pela força do Pokémon fóssil e do militar. É um Pokémon autônomo que não oferece seus serviços à nenhuma guilda, sua força em batalha é tão limitada que dificilmente ele encontrará uma equipe que aceite guerreiros com fama de traidor.

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Doraikem é uma criatura muito duvidosa e traiçoeira, não tem honra e é tachado como covarde por grandes guerreiros. É dono de uma risada macabra e debochada, o que torna sua presença irritante. Rouba artefatos raros e foge de qualquer batalha para manter-se vivo. Conhece golpes como o Bite e o Dig para escapar de enrascadas, mas dificilmente é visto lutando a sério. Provavelmente ainda deve habitar as profundezas das montanhas e os pântanos da região sem um esconderijo fixo, causando problemas e roubando Pokémons indefesos para o próprio custo. Foi um dos primeiros inimigos consideráveis dos Fire Tales, mas apesar da forma evoluída e de estatura considerável é uma criatura muito fraca e de baixa experiência. Estreou no Capítulo 44.

FanArt - Tsuki-chan

Nome: Anne (Tsuki Lieurance Eriun)
Idade: 16 anos
Estado: Rio de Janeiro
Técnica: Lapiseira, Lápis de Cor

"Well, como todo desenho que decido fazer por livre e espontânea vontade, esse tem uma história por trás dele xD Ontem/hoje [madruguei no PC, então não sei que horas eram rs], enquanto revirava o blog, achei a parte dos fanarts. Logo me animei, já que tenho alguns dotes artísticos, então fui pensar em um desenho para fazer. Aí, me lembrei de uma conversa que tive há tempos com amigos meus, fazendo um crossover entre Past and Future [ainda se lembra da minha fic, Canas-kun? xD] e Pokémon. So, decidi fazer um desenho da Juno com o poké que escolhemos para ela, Espeon.

Porém.... Conforme fui desenhando, me dei conta de que a treinadora não estava parecendo a Juno [acho que foi quando eu soltei o cabelo, imagem mental da Juno pra mim é com rabo-de-cavalo rsrs]. Pensei então na Brendah, e modifiquei um ou outro detalhe.... Mas ainda não era ela que estava saindo. Aí me deu na telha fazer tipo uma mistura delas :D Pois bem, acabamos com uma treinadora de cabelos vermelhos [como a Brendah] e olhos azuis [como a Juno], além de ter dois outros detalhes que lembram ambas [casaco preto - sobretudo da Brendah; fita azul na bolsa - fita que Juno usava no cabelo]. E, claro, qual melhor poké para ela do que um Eevee? Afinal, tanto pode evoluir para um Flareon ou Jolteon, quanto para o Espeon da ideia original =D Por que será que meus coments sempre ficam tão longos? >.>"

P.S. Poderia aceitar esse desenho com um atrasado presente de niver? Sei que não está muito bom, mas foi de coração =]

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Hey, Tsuki! Poxa, é claro que vale, acho que agora você vai encerrar a minha seção de respostas para a galera, nunca afiquei tanto tempo na frente do PC conversando com  pessoal pelo Facebook, mas foi muito bacana, percebi que tive uma melhora incrível na minha forma de interagir com as pessoas, graças a esse curso de Design Gráfico, que ainda assim não deixa de ser um curso de comunicação. É bacana que você tenha encontrado a área de fanarts, explorando os confins de Sinnoh você ainda pode encontrar um bocado de especiais e extras diferenciados, posso até ser se guia, pois conheço essas bandas mo ninguém! kk

É claro que me lembro de Past & Future, bons tempos lendo a sua fanfiction. Eu ainda pretendo continuar seguindo com a segunda parte, mas antes quero conhecer Kingdom Hearts para ver tudo com outros olhos, olhos de um fã mesmo, e tenho certeza que vou apreciar muito a série. Quando eu jogar garanto que acabarei me encontrando lendo tudo de novo, mas dessa vez para seguir roteiro no estilo dos jogos com a pitada de sua imaginação. Você vai ficar me devendo um desenho da Juno, do Nick, da Brendah e do Lukas, hein! E veja só, se juntássemos as suas características nós também teríamos uma incrível história de Pokémon, uma das coisas que mais gosto é ver um autor que aprecio fazendo vários desenhos de séries e áreas diferentes, pois a pessoa parece que tem um traço especial, é como a chance de compartilhar do mesmo pensamento, sabe? Eevees são o xodó da galera né, acho que todo mundo já quis ter um, e a escolha da evolução deve ser uma das dúvidas mais cruéis de nossa infância, só perdendo para a escolha do primeiro inicial kk Beijos Tsuki, você criou uma treinadora linda! — Canas Ominous.

Notas do Autor (Capítulo 56)

Jurei que eu não conseguiria terminar esse capítulo há tempo de ser postado esse fim de semana, mas aqui estamos em um dia muito especial do mês de outubro acompanhando uma das lutas mais impressionantes desse Arco. É aqui onde daremos início ao segundo turno de batalhas, e dessa vez é para dar um fim aos Rockets de uma vez por todas! 

Neste episódio temos a chegada dos tão aguardados reforços, e eles chegaram para mostrar do que toda a equipe dos Fire Tales é capaz. Como eu disse no comecinho desse Arco tive que pensar em algum método maluco de colocar mais de seis Pokémons para cada equipe. Mas por que isso? É pelo simples fato de que pretendo mostrar que não criei um personagem para ele virar um pesinho morto ou para ser sinal de status na equipe, e principalmente, para provar que não tenho preferências e sei trabalhar com todos os personagens que crio. Todos eles terão alguma participação nessa luta. Eu não fugi de nenhuma regra do jogo ou da franquia, vejo isso mais como uma saída para aproveitar o enredo de forma ampla. É um capítulo bem longo, separado em duas partes se vocês perceberem, a primeira é a chegada dos reforços e a segunda é a luta da equipe da Dawn contra dois adversários.

E por sinal, estes vilões já apareceram antes, será que alguém vai se lembrar?

É a primeira vez que vemos alguns guerreiros batalhando, na realidade é a primeira vez que a equipe da Dawn mostra que têm potência para enfrentar vilões poderosos, o Leafeon e a Glaceon provaram seus laços familiares agindo com união; o Machoke continua se metendo em enrascadas, mas provou ser forte caso pegue firme nos treinos; e por fim, como o brilho desse capítulo teremos o Lairon e o Piplup. Há tempos venho tentando mostrar a força desses dois, e esse capítulo foi voltado exclusivamente para os Pokémons que menos apareceram até hoje. Para vocês terem noção o Piplup lutou seriamente pela última vez no Capítulo 4. E de certa forma é engraçado ler aquela batalha e perceber que mesmo depois de tanto tempo ele não mudou em absolutamente NADA. Isso foi legal notar. Eles podem ter aparecido pouco, mas tiveram a luta mais longa de todas e algumas das cenas que chegam a dar arrepios.

E quem realmente são esses vilões? Conseguiram entender? São dois Pokémons da terceira geração que olhando de relance achamos que são completamente inúteis, mas eu não quero que vocês os vejam como criaturas, e sim, guerreiros. Por serem os dois primeiros clones dA Grande Criação são os que tiveram maiores defeitos, como a falta de personalidade, e por isso eles devem ser comandados por uma força maior; mas nem por isso essa luta deixou de ser impressionante, aqui não é a reputação do Pokémon que conta, e sim, o que eu os tornei.

Quem leu o especial Sadness Orchestra verá este episódio com outros olhos, mas posso dar uma breve explicação para quem anda ocupado. A Dawn perdeu seus pais em um acidente de barco há 5 anos. Ela morou nas ruas de Sinnoh por um tempo, mas logo encontrou um abrigo e passou a morar em Sandgem com o Professor Rowan. Neste meio tempo o velho disse havia conseguido recuperar três pokébolas dos pais da moça, o Lairon, o Leafeon e a Glaceon; mas as outras haviam desaparecido. Com isso, cinco anos depois do ocorrido a Dawn reencontrou um amigo chamado Dean, um ladrão de Jubilife. E no Capítulo 46.5 notamos claramente o seguinte trecho:

"— Na realidade alguém os encontrou antes, mas acho melhor poupar os detalhes, o que você precisa saber é que agora eles estão bem e a salvos. Encontrei essas duas pokébolas, e nelas descobri um Nosepass e uma Mawile. Acredito que eram deles."

Quando o Dean fala "alguém os encontrou antes" ele se referiu aos Rockets, que encontraram os dois Pokémons e fizeram experiências de clonagem com eles. Porém, de maneira inesperada, Dean roubou os próprios ladrões e recuperou as pokébolas, oferecendo-as para Dawn. A garota recusou dizendo ainda não ser digna de tê-los consigo, e prometeu que em seu próximo reencontro com Dean ela os levaria. Mas é aí que está, os Pokémons da Dawn não sabiam disso, e ao se deparar com os clones ficaram muito surpresos pelo simples fato de saberem que seus velhos amigos estavam vivos. E é aí que essa batalha toma um rumo imaginável. É aqui onde tudo acontece, e nesse capítulo em especial vocês poderão acompanhar mais uma de minhas grandes obras como um presente para leitores! Em Novembro encerramos este Arco, e o fim do ano nos reserva um fantástico encerramento para a Saga Diamante. Eu até brinquei com o Sui outro dia, Novembro tornou-se o Mês de Sobrevivência para os blogs e fim do ano sempre é a mesma coisa para muitos vestibulando. Mas vamos lá galera, no final sempre há uma recompensa, dê uma chance à esperança.


News Sprites from Haos Cyndaquil!

Capítulo 56

Entardecia em um tom cinza e nublado, e o mormaço litorâneo pairava sobre a cidade oprimindo um calor úmido típico da região. Dawn não fazia ideia de como trilharia seu caminho até a cidade Sandgem, os planos de Lukas dependiam agora da moça que encontrava-se perdida correndo pelos portos de Canalave tomada por sua euforia, e justamente no momento em que ela mais precisava tudo parecia atrasar. A moça corria com determinação até o porto que trilhava seu caminho até Jubilife e de lá pretendia alugar uma bicicleta para chegar mais rapidamente à cidade natal. Foi passando pela multidão, mas um cruzeiro havia acabado de atracar e os estrangeiros mal davam passagem.
 Com licença, senhor. Com licença, estou com pressa!
A menina só parou ao notar um homem alto caminhando com uma simples mala preparando-se para adentrar em uma luxuosa embarcação particular, era Ike. Dawn correu, mas nem assim fora capaz de alcançar o barco há tempo. Tentou acenar e gritar o nome do homem com muita intensidade, por sorte Ike era atento e veio a virar-se para trás notando a silhueta da menina que gritava euforicamente do outro lado. Pediu para que o barco voltasse imediatamente, e assim ele abriu um espaço para que a menina entrasse. Dawn ainda tentava recuperar o fôlego, e assim veio a dizer:
— Senhor Ike, senhor Ike...! Preciso muito de sua ajuda.
— O que houve, pequena?
— O Luke... — ela repetia — O Luke foi sequestrado.
Os olhos de Ike tornaram-se ainda mais sérios e ameaçadores. A notícia fora tão oportuna e inesperada que até mesmo um poderoso membro da Elite não deixaria de sentir certo aperto no coração, principalmente vindo de alguém por quem tinha um apreço muito especial. Dawn foi aos poucos explicando o que havia acontecido de forma que o semblante do homem fosse alterando-se cada vez mais. Ela explicou inclusive os planos de Lukas que àquela altura encontrava-se na ilha de ferro batalhando pelo resgate do irmão. Ike começou a soar frio, aqueles dois jovens tão especiais para ele corriam perigo.
— A Ilha de Ferro é de minha posse atualmente. Eu sabia que algo  andava muito suspeito com aquela ilha, eu deveria ter ido investigar antes. — disse Ike com certo ódio de si mesmo.
— Senhor, nem a polícia internacional tinha conhecimento disso, eles enganaram até mesmo o governo! Tive sorte de encontrá-lo, mas eles precisam de minha ajuda! Tenho que ir até a cidade de Sandgem conversar com o Professor Rowan, embora eu ainda não saiba como realizar tal feito em tão pouco tempo.
Ike aproximou-se da menina e estendeu-lhe uma pokébola. Dawn hesitou ao encarar a feição intrigada do homem que ergueu o braço da garota e colocou a cápsula em suas mãos com determinação.
— Vejo que não sou eu quem conseguiria convencê-la a ficar longe disso. O Lukas pode ser apenas uma criança, mas estamos falando dos filhos do lendário Walter Wallers, corre neles o sangue do campeão.
Dawn revelou um sorriso, agradecida por saber que mesmo tendo consciência do perigo Ike ainda a incentivava a correr atrás de seus amigos, afinal, ele faria o mesmo. Dawn olhou atentamente para a pokébola em suas mãos enquanto Ike procurava por panfletos para que iniciasse imediatamente a sua parte do plano.
— Meu Skarmory conhece todas as regiões de Sinnoh, cada rota, área, cada zona periférica; se você for pelos ares conseguirá chegar muito mais depressa. Ele irá levá-la até a cidade de Sandgem, e quando chegar ao litoral procure por um barco em meu nome na marinha local, farei todas as precauções para que você não perca tempo com isso. E ao estar pronta, parta diretamente para a Ilha de Ferro, está na hora de terminar essa batalha!
— Obrigada, Senhor Ike!
— Aguarde o meu regresso ao amanhecer do dia, irei até a Ilha de Ferro o mais depressa possível, mas vocês precisam aguentar até a minha chegada. Não sejam derrotados até que eu chegue, faça isso pelos garotos.
Dawn concordou num aceno e imediatamente sacou a pokébola do homem. Um suntuoso pássaro metálico surgiu, mas a euforia de Dawn era tanta que a contemplação que a criatura merecia teria de ser deixada para uma confraternização tardia. Os Pokémons de Ike eram conhecidos por sua fidelidade, e após levar a menina para Sandgem seu Skarmory seria capaz de reencontrar o treinador sem muitos esforços. Dawn subiu nas costas da ave que alçou voo e partiu para a costa com enorme velocidade. Ike ordenou que seu barco avançasse para Jubilife o mais depressa possível, pois tinha um único encontro a ser cumprido antes de poder partir para a Ilha de Ferro e colocar um fim àquela perigosa batalha. O homem olhou atentamente o seu reflexo em um dispositivo avermelhado, sibilando algumas palavras.
— Está na hora, Titânia.
A trilha até Sandgem fora cumprida em uma velocidade impressionante. O Skarmory deixara Dawn em frente ao laboratório do Professor Rowan, com a missão cumprida a ave voltou a seguir seu caminho assim que a menina adentrou o local. O velho professor surpreendeu-se ao ver a aprendiz depois de longos meses, mas o encontro de Dawn fora tão breve que ela mal tivera tempo para contar as novidades. Abriu as portas de vidro do centro de pesquisas com um empurrão dos dois braços, não drenou toda a atenção dos  cientistas do local pois não havia nenhum, mas suas palavras seguintes foram mais do que suficientes para encerrar sua entrada triunfal dirigida com um único objetivo:
— Professor, preciso que libere os Pokémons dos Irmãos Wallers!
A primeira reação do velho Rowan seria de risos e indignação, afinal, liberar Pokémons sem explicações era contra as regras impostas no mundo Pokémon, principalmente quando não eram seus; porém, a garota veio a explicar cada passo do plano de Lukas enquanto Rowan ouvia tudo com atenção. O laboratório estava completamente vazio, e aquele acontecido não sairia da boca daqueles ali presentes. Rowan coçava a barba em um sinal de preocupação.
— Isso está tomando medidas perigosas. O plano do jovem Lukas é ousado, muito ousado. Não temos direito de liberar Pokémons com esses propósitos, eles podem fugir, podem ser capturados, é impossível tomar controle de todos eles desta maneira. — explicou o velho, mas Dawn implorava para que ele fosse compreensível, pois era a única esperança que lhe restava.
— Por favor, professor! O senhor têm seus contatos, os gêmeos precisam do apoio desses Pokémons, ou eles não poderão resgatar o Luke a salvo!
— Eu gostaria de poder sentar-me e conversar sobre todas suas aventuras até o presente momento, mas isso está fora de cogitação agora, precisamos ser breves. Eu farei o possível para ajudar.
Rowan pegou um velho telefone de discagem no canto da sala, daqueles antigos somente utilizados por colecionadores, ligou para a mulher responsável pela área de depósitos e programação de todos os computadores no Centro Pokémon do continente de Sinnoh; seu nome era Bebe, uma expert da área de computação. O velho tentou negociar da forma mais breve possível, mas a moça exigia explicações. Em pouco tempo uma maior parte do continente saberia do sequestro, mas àquela altura não havia mais como impedir a mídia. A ambição de Marshall era manter o projeto no sigilo, mas fofocas andam rápido e facilmente saem do controle. A falha do plano de Lukas era chamar muita atenção, mas ser o centro dos holofotes sempre fora uma marca de sua família. Ele estava disposto a assumir o risco. 
Assim que o Professor Rowan desligou o telefone foi caminhando em direção de Dawn com passos lentos e cansados, mas uma expressão de gratificação estampada no rosto marcado:
— Ela permitiu a execução do plano. — disse o velho ofegante.
Dawn abriu um sorriso de uma ponta a outra. Em cerca de quinze minutos sete pokébolas distintas chegaram ao laboratório, quatro de Luke e três de Lukas. Liberar um Pokémon costumava ser um processo demorado, mas Dawn estava tão eufórica que fizera tudo em questão de segundos, ela mal conseguia explicar todo aquele plano confuso para as criaturas que encontravam-se ainda mais dispersas. Dawn estava perdida, teve de lançar seus Pokémons para tentar controlar a situação, o imponente Lairon chamou a  todos enquanto Leafeon tentava acalmá-los e explicar o ocorrido desde o sequestro de Luke até o plano que eles passariam a trilhar. Os Pokémons ouviram com atenção e prometeram colaborar.
O professor ainda chamava pela moça com certa preocupação:
— Dawn, você têm certeza de que é capaz de controlar essa quantidade enorme de Pokémons? Nunca antes um treinador teve doze criaturas andando ao seu lado!
— Eu não estou controlando-os, professor. Cada um deles entende muito bem a situação pela qual passamos, e esses em especial deixaram de ser instrumentos de batalha há muito tempo. Eles já fazem parte de uma família, e vão lutar para proteger aqueles que fizerem parte dela.
Rowan cedeu pela determinação de sua pequena garota agora tão crescida, deu um forte abraço na menina desejando as maiores bençãos no caminho que ela viesse a seguir. Dawn correu para o pequeno porto de Sandgem à procura da marinha que Ike alojava um de seus iates. Os marinheiros que tomavam conta do local já tinham sido avisados pelo próprio membro da Liga e preparado o motor e todas as necessidades que viriam a ser utilizadas nas próximas horas. Dawn precisava apenas embarcar. 
Três homens eram necessários para manusear o barco, eles até estranhavam a presença de tantos Pokémons fora da pokébola, mas apenas cumpriram seu dever zarpando em direção da Ilha de Ferro com enorme velocidade. A moça encontrava-se perdida em seus pensamentos enquanto olhava para o a imensidão azul do mar, sentia um aperto no coração e temia não chegar a tempo de seu auxílio ser útil, mas àquela altura deveria depositar suas esperanças na eficácia dos Pokémons. Piplup estava em seu colo, os Pokémons jaziam em silêncio amontoados em grupos como se elaborassem suas estratégias antes mesmo de começarem a trabalhar, ou apenas dando o último suspiro antes do mergulhar em uma intensa batalha sem garantia de volta. 
Demorou cerca de três horas para que a embarcação chegasse até seu destino. Os homens evitaram aproximar o navio, pegaram um bote e foram até a praia onde os barcos da polícia estavam atracados. Dawn notara que Marshall já havia chegado e desejou apenas não encontrá-lo, afinal, o homem ficaria muito preocupado caso soubesse que Lukas fora contra todos os propósitos que ele determinara. Dawn retornou seus Pokémons, os marinheiros ainda tiveram muita dificuldade em fazer duas viagens para todos as criaturas que eram pesadas e não poderiam entrar nas pokébolas. Assim que Dawn chegou à ilha ela lançou o restante dea sua equipe, totalizando os doze Pokémons que completavam os reforços dos Fire Tales.
— Senhorita Manson, devemos aguardar o seu retorno na embarcação? — perguntou um dos marinheiros.
— Sim, por favor, mas preciso que mantenham-se em sigilo e evitem chamar muita atenção. Se a polícia encontrá-los digam que estão aqui sob ordem de Ike Smithsonian, mas não digam nada à meu respeito ou sobre os Irmãos Wallers. Não relatem esse ocorrido.
Enquanto Dawn conversava com os marinheiros de Sandgem os outros Pokémons imediatamente começaram a colocar-se em posição de ataque. Quando tiveram conhecimento haviam sido cercados pelas forças da própria polícia internacional de Sinnoh, e de trás de uma pedra Marshall surgia com certa feição de seriedade.
— “Não relatem esse ocorrido? — indagou Marshall um pouco decepcionado, repetindo as palavras de uma garotinha que tentara passar a perna no maior detetive do continente.
Dawn estava estática, sem ter o que responder. Marshall lançou um rápido olhar para os estranhos Pokémons soltos e chegou inclusive a reconhecer a alguns, mas ainda tinha suas dúvidas a respeito daquela garota tão pretensiosa e audaciosa.
— O que está acontecendo aqui? Esta deveria ser uma missão sem a interferência de ninguém de fora. — ele alertou— E quem seria você, mocinha? 
— M-Meu nome é Dawn Manson! Eu conversei com o senhor pelo telefone na manhã em que meu amigo foi sequestrado, sou amiga do Lukas!
Marshall imediatamente teve sua atenção voltada para a menina. Pediu para que os policiais se afastassem, abaixassem a mira e voltassem a executar o plano. O homem ajeitou o o chapéu e o paletó começando a interrogar a menina de forma calma e paciente.
— É um prazer conhecê-la, Dawn. Mas diga-me, o que está fazendo sozinha nessa ilha com tantos Pokémons? Você tem noção do perigo que pode estar se envolvendo?
Dawn hesitou, não sabendo se deveria contar para o homem que seu afilhado estava infiltrado na facção correndo sérios perigos enquanto eles conversavam. Dawn abaixou a cabeça um pouco sem graça, mas não tinha como fugir aos olhos rápidos de Marshall.
— Senhor, não fique zangado com eles, mas o Lukas decidiu vir para a Ilha de Ferro mesmo sem a sua permissão. Ele pediu para que eu trouxesse os outros Pokémons dele, e assim eles tivessem chances maiores de enganar os Rockets e resgatar irmão dele.
Marshall passou a mão no rosto demonstrando a indignação, as coisas começavam a sair do controle. O que Proton dissera ainda estava em sua mente, ele não sabia dizer se realmente haviam bombas na ilha, mas àquela altura novas medidas de precaução deveriam ser tomadas.
— Então tenho uma nova missão para você, Dawn Manson. Peça para que seus Pokémons resgatem seu treinador e saiam da ilha o mais depressa possível.
— S-Senhor Marshall! Mas você conhece seu afilhado, ele não vai deixar a ilha enquanto não tiver o Luke do lado. Ele compartilha laços muito fortes com o irmão, ele não poderia ficar sentado enquanto assisti a queda daqueles que ama...
Marshall ficou em silêncio, o homem voltou-se para os lados e lançou um olhar pelas areias da praia percebendo que deveria admitir que seu sobrinho fora mais rápido do que ele. Voltou-se para a menina e sorriu:
— A essa altura tudo que podemos fazer é prestar nosso apoio, não? — disse o policial com um suspiro. Dawn concordou acenando positivamente, seus olhos começavam a ficar úmidos e cada palavra dita ela demonstrava mais preocupação. Contava muito com o apoio de Marshall, esperava que ele não a mandasse embora depois de todo o esforço e contava exclusivamente com a decisão que somente ele poderia tomar.
— Então iremos salvá-los juntos.
Dawn abriu um enorme sorriso concordando prontamente. Marshall chamou suas tropas e eles logo começaram a vasculhar a ilha à procura de mais informações. A Gardevoir de Luke podia conectar-se brevemente com o passado, suas visões lhe davam conhecimento sobre o caminho que fora trilhado pelo jovem até que eles chegassem à base secreta dos Rockets, uma habilidade extremamente útil. E no caminho, depararam-se com ninguém menos que os dois líderes de ginásio.
— Quantas pessoas vieram para esse resgate? — indagou Marshall com frustração — O que os líderes Byron e Roark fazem na ilha? Pensei que a exploração de minério tivesse sido suspensa há quatro anos.
— O senhor não vai acreditar, mas os Rockets pretendem explodi-la. — explicou Roark.
Curto e grosso. A teoria de Proton estava certa. Os Rockets queriam que toda a mídia e a polícia internacional se concentrasse na ilha, para somente então explodi la. As táticas começavam a mudar. Marshall pediu para que seus oficiais se dispersassem e ajudassem no auxílio da localização de todas as bombas, enquanto os líderes de ginásio deveriam concentrar-se em desarmá-las. Assim que a Gardevoir fez seu caminho pelo mesmo estreito que Lukas utilizara dentre as pedras, Dawn perguntou para seu superior:
—O senhor irá adentrar este lugar sozinho, sem o auxílio de nenhuma tropa policial? — perguntou a garota.
— Estou com meus Pokémons, nunca estou sozinho. — respondeu Marshall de forma ligeira.

Dawn fez seu caminho até a base secreta acompanhada somente das criaturas de seus amigos e da companhia do próprio Marshall, ex-integrante da Elite 4. Eles precisavam agir com cautela, e quanto menos atenção chamassem, melhor seria. A equipe chegou até o salão central onde Lukas havia se separado de seus Pokémons, o vento sussurrava em seus ouvidos percorrendo os corredores como se tivessem vida própria, e na área mais elevada do saguão os cinco setores eram separados magistralmente. Dentro de cada um era possível ouvir o eco e ruídos de árduas batalhas, o único portão que permanecia em pleno silêncio levava ao Setor Zero.
— Senhor Marshall, eu desejo ir com o você. Sinto que meus Pokémons sabem muito bem o que fazer, é da natureza, é o instinto deles.
— É perigoso sair sozinha sem auxílio de uma barreira em nossa situação. Eu, sinceramente, espero que o Lukas possa estar a salvo, mas confio na equipe deste jovem pois eu mesmo fiz questão de deixar um de meus melhores Murkrows sobre seus cuidados. Vamos, senhorita Manson. É a nossa vez de resgatar os dois garotos.
A menina concordou, Dawn iria levar apenas seu Lairon para protegê-la enquanto os outros Pokémons logo começavam a separar-se e bolar suas estratégias a serem seguidas nos portões do saguão central. Marshall lançou um autêntico Honchkrow, um dos mais refinados e pomposos que Dawn já vira. fez uma apresentação cordial. O corvo negro tinha pouco espaço para voar mas foi seguindo o corredor contínuo até fundir-se à escuridão, e assim, desapareceu. Dawn podia ter certeza de que estava segura, pois a sombra a acompanhava, mas naquele mesmo corredor impiedoso Lukas travara uma tensa batalha contra o carcereiro dos portões do inferno, e àquela altura, estaria ele a salvo?

Pokémons P.O.V. (Pokémon Point of View)

Os reforços dos Fire Tales preparavam-se para entrar na batalha com a mesma disposição que seus superiores. Eles sentiam que os amigos passavam por perigo, e naquele instante precisariam mais da ajuda deles do que nunca. Chaud caminhava com pressa, ajeitou o escudo nas costas e olhou atentamente para as seis portas dos setores presentes na base secreta, começando a caminhar em direção de um deles sem dirigir mais nenhuma palavra. Isaac imediatamente chamou o companheiro:
 Aonde está indo, Chaud?
— Encerrar essa batalha. — respondeu o guerreiro parando por um instante e lançando um breve olhar de relance — Mas peço que fique, eles precisam da sua ajuda, Sir Isaac. Da mesma forma que neste lugar também há aqueles que precisam da minha.
 Eu não recomendaria que nos separássemos, mas podemos agilizar nossa busca visto que iniciamos uma batalha contra o tempo. Eu confio no que o senhor Atros disse, e ele sugeriu que formássemos equipes para combater um propósito em comum. — explicou o belo Leafeon sendo interrompido por um grito agudo de Glaceon na sequência:
 Separar-nos? Mas seremos um alvo fácil, devemos nos manter unidos e esperar, eles são os integrantes mais poderosos da equipe, é impossível que sejam derrotados! — disse Milady em meio à sua euforia.
 Senhorita, com todo o respeito, quando se luta em território inimigo não sabemos das artimanhas que eles podem utilizar, e trapaceando até mesmo os tolos podem adquirir a vitória. — replicou Chaud.
O guerreiro fóssil era provavelmente o mais sábio e experiente presente naquele instante. O homem ajeitou o escudo nas costas mais uma vez e fixou a máscara em seu rosto com mais força, mas subitamente sentiu alguém começar a acompanhá-lo o que o fez parar. Voltou-se para trás e notou uma pequena Eevee seguindo seus passos, Chaud alertou-a apenas uma vez.
 É perigoso.
 Pensei que você fosse me impedir de segui-lo, fico feliz que não o tenha feito. — respondeu a menina.
Milady ficara estática ao ver a filha do outro lado oferecendo-se em meio à batalha, não podia acreditar que sua preciosa cria desejava acompanhar um guerreiro. Na mente de Glaceon ela caminhava rumo a própria queda, mas o ato da pequena Eevee fora extremamente corajoso, e estando ao lado de Chaud ela estaria mais segura do que ao lado de qualquer outro.
 Eva!! Aonde pensa que vai seguindo este homem?!
 Mãe, sou crescida o suficiente para traçar meus objetivos, e eu quero entrar nessa batalha! Não serei apenas a princesa indefesa escondida atrás da fortaleza, dessa vez eu quero lutar, serei uma Guerreira dos Fire Tales!
Milady correu em direção da pequena, mas foi impedida por Isaac no meio do caminho. A mãe estava frustrado e injuriada, temia que pudesse perder sua preciosa cria naquele instante, mas suas palavras foram aos poucos desaparecendo em meio de reclamações e lágrimas úmidas de receio de perder aquilo que era mais importante para ela. Leafeon virou-se para Chaud e afirmou de forma breve, mas absoluta como um verdadeiro lorde.
 Tome conta dela. — disse Isaac.
 O farei com minha vida. — respondeu Chaud.
Os dois guerreiros adentraram o Setor 2 sem saber o que lhes aguardava. Os reforços optaram por seguirem o mesmo esquema e se separarem em duplas, mesmo que nenhum deles tivessem conhecimento das estratégias de Lukas era como se suas mentes estivessem conectadas a ponto de compartilharem os mesmos ideais. Roserade e Gastrodon adentraram o Setor 1, enquanto Yanma e Croagunk fizeram seu caminho pelo Setor 4. Os Pokémons preparavam-se para separar mais duas equipes quando ouviram gritos desesperados vindo de algum dos corredores. Assim que voltaram-se para trás puderam notar Marco correr em sua direção com os olhos arregalados e uma expressão amedrontada.
A pobre mariposa estava muito debilitada, tinha ferimentos por todo corpo, o rosto machucado com cicatrizes e o hematomas na região do estômago. Marco utilizara suas últimas forças para correr, ainda havia enfrentado diversos adversários enquanto fugia e por conta disso mal conseguia manter-se de pé. Não escondeu uma expressão de agrado ao ver os amigos chegarem, mas por um momento perdeu a consciência e veio ao chão. Sophie e os outros correram para seu auxílio, a enfermeira segurava no braço do jovem enquanto implorava para que ele não perdesse a razão.
 Marco, Marco! — repetia Sophie.
 Nossa, amigão, o que aconteceu contigo? Você está arrasado!! — disse o Machoke surpreendido.
Marco mal conseguia falar, sua boca estava machucada, os lábios cortados e os olhos quase se fechavam. Com suas habilidades de cura Sophie fora capaz de dar um pouco de conforto para o jovem que aos poucos foi recobrando a consciência, Mothim ainda estava deitado sobre o colo da moça quando olhou para o alto e viu a feição preocupada de seus amigos aguardando sinais de sua recuperação. Sibilou um sorriso e tornou a dizer:
 P-Pessoal, finalmente vocês chegaram... Finalmente... Pensei que tudo estava perdido... — ele sussurrava.
 Ei, Marco! Diga-nos o que aconteceu! Não se dê por vencido! — repetia Sophie.
 São eles, os clones... Eles não podem ser derrotados, são fortes demais... — balbuciava o jovem guerreiro, virando-se para a Gardevoir e encarando os olhos avermelhados da moça com imensa dor e tristeza — Sophie, Sophie... Por favor, o Karl... Ajude o Karl....
A atenção da mulher imediatamente voltou-se para as palavras que proferiram um nome premiado em seu vocabulário. Seu semblante mudou no mesmo instante. Ela veio a depositar a cabeça cansada de seu companheiro sobre o leito do chão e levantou-se num único salto, cerrou o punho de maneira tão breve que os outros mal puderam notar e foi aos poucos caminhando em direção do Setor 5. Seus amigos ofereceram apoio, mas a mulher afirmava com certeza. Preferia ir sozinha, e sem ajuda. 
 Fiquem tranquilos, essa é a minha batalha.
Seus companheiros ficaram a observar mais uma integrante partir rumo ao desconhecido. Restavam agora poucos deles, Sly e Duke estavam indecisos quanto à segurança de Marco e qual Setor deveria seguir, e apenas Isaac e Milady haviam ficado para prestar os devidos apoios ao enfermo. A felina de gelo ainda negava sair ao resgate, temia pelo que podia acontecer consigo mesmo e preferia esperar até o resultado da batalha a participar de uma terrível guerra. Egocêntrica e gananciosa, Glaceon nunca se importava com os outros além de si mesma. Como um bom marido Leafeon lhe oferecia o devido apoio, mas não obtinha sucesso.
 Nós devíamos ajudá-los, querida. É o mínimo que podemos fazer por nossa guilda. — disse Isaac ao contemplar o oceano escuro perante uma linda vidraça de cristal daquele saguão. Milady voltou-se para o marido, virou o rosto com amargura e respondeu com desdém:
 Prestamos apoio aos Fire Tales, mas nunca fomos parte integrante da guilda. Deixe que eles lutem sua própria guerra, não devemos nos meter onde não somos chamados.
 Mamãezinha, mas eles são nossos amigos... — disse Duke em uma tonalidade baixa.
Milady odiava ser contrariada, naquele instante não importou-se nem com os laços familiares ou emocionais e condenou o pequeno Piplup com palavras grosseiros e ríspidas:
— Então vá lá e morra da maneira que lhe parecer melhor!
Isaac franziu o cenho demonstrando que não gostara nada da forma como sua mulher havia tratado o pequeno. O musculoso Machoke se mantivera em silêncio ao lado de Marco, preferindo não intervir na discussão do casal. Milady encarou o marido por alguns segundos, os dois trocaram olhares por longos segundos, mas a implicância terminara com a derrota de Glaceon que desviu o olhar ao admitir que o que fizera fora rude. A mulher levou a mão até o rosto limpando o suor frio, seu coração palpitava de raiva, mas no fundo ela apenas escondia o medo de qualquer mãe ao ver sua família de frente à uma perigosa provação, e perder qualquer um deles para ela seria arrasador.
 Isaac, eu... Foi muito difícil deixar a Eva ir ao lado de Chaud. É difícil para mim, ela é apenas uma garotinha, e não temos ideia do que podemos encontrar nesse lugar...
 ...mas ainda assim, isso não é motivo para tratar o Duke da maneira que tratou. — afirmou o Leafeon de maneira ríspida.
Milady voltou sua atenção para o filho, mas negou um cumprimento de perdão. A felina era orgulhosa, jamais pediria desculpas por algo mesmo que não estivesse com a razão, tal era sua natureza. Duke abaixou a fronte tentando segurar o choro, pois queria parecer forte na frente de sua mãe pelo menos uma única vez. Isaac caminhou em direção do filho adotivo e deu-lhe um abraço aconchegante. O Piplup confortou se nos braços do pai e fechou os olhos com imensa força almejando acordar daquele pesadelo, o pai agachou na altura do pequeno e ajeitou seu cabelo tal como suas vestes, sorrindo enquanto encorajava o filho de maneira paternal:
 Você deve confiar em si mesmo, meu filho, mais do que ninguém. 
— Eu queria proteger você e a mãe, pai. Mas a cada dia que passa sinto que sou menos capacitado a isso. Sabe, eu... Não me preocupo se a mãe preferir mais a Eva do que eu, eu só queria ser corajoso para ficar do lado de vocês sempre...
Leafeon sentiu-se profundamente comovido pelas palavras de seu filho. Ele lembrava-se na primeira vez em que Dawn o capturara, ele não passava de um pequeno pinguinzinho e atrapalhado, e mesmo após tanto tempo ele não havia mudado em nada. Aquele era o perfil de Duke, desastrado e medroso, mas sempre estava ao lado de seus amigos nos piores momentos. Leafeon passou a mãos nos cabelos do moreno e sorriu, levantando-se enquanto demonstrava um sorriso inspirador.
 Eu sempre estarei aqui para te proteger, a mamãe sempre vai estar também. Tudo vai ficar bem. — disse Isaac.
Milady agora jazia sentada em um canto com toda sua classe, cruzou as pernas e apenas aguardou sabendo que dali em diante teria muito para refletir enquanto seus amigos enfrentavam o inimigo em uma batalha letal. E ainda assim, sua mente permanecia calma e tranquila. Duke ficou caminhando pela sala o tempo todo, só voltou ao salão quando soube que Marco dava sinais de melhora depois da cura de Sophie, já podendo levantar-se e explicar aos amigos tudo que vira e acontecera.
— É um lugar terrível... Aqui os Pokémons são usados como experiências, e as clonagens criadas são completamente inertes, parecem não sentir nada, não temer ninguém... — dizia Marco a fitar o chão tentando forçar a mente a lembrar-se dos mínimos detalhes.
Sly deu-lhe dois tapinhas no ombro, sorriu ao passar a mão no queixo revelando com dentes brilhantes e músculos definidos. Esticou as mãos para o alto como um jato e disparou sua confiança:
 Mas você está falando da Fire Tales! A guilda de Pokémons mais respeitada de toda a Sinnoh, quem poderia fazer frente aos nossos amigos? Eles são os maiorais, os estupendos, os fodões!
 E nós, apenas os ajudantes...
Sly olhou para Duke ficando um pouco sem graça com o comentário, a montanha de músculos servia apenas para fazer piada ao lado de seus amigos, mas Sly nunca entrara em uma batalha de verdade. Piplup, Mothim e Machoke eram os três menos experientes guerreiros da Fire Tales. Não participavam de lutas, Marco havia melhorado muito, mas não a ponto de sair de sua zona de rebaixamento ainda que se esforçasse muito. Na realidade eles nunca tiveram o seu momento de glória, mas sonhavam com o dia e sabiam que cedo ou tarde ele chegaria. O trio dos ajudantes não era reconhecido por sua força, mas dariam tudo de si quando chegasse a hora de proteger os seus amigos. 
O tempo passava enquanto a equipe permanecia dominada pelo silêncio, cerca de trinta minutos fizeram seu progresso quando Isaac caminhou pelo corredor e foi interrompido ao ouvir um estranho ruído vindo de um dos portais. Sua audição aguçada tentava localizar algo, ele fora capaz de sentir algo vindo do Setor 3. Era um barulho terrível de metal, como uma máquina que trabalha por várias noites sem receber a devida manutenção. Isaac correu em direção de sua esposa e filho, pediu para que se juntassem e ficassem atentos à possível evidência de um inimigo. Sly estava com os olhos arregalados encarando a escuridão do setor, aquele era o único portão que nenhum de seus companheiros haviam entrado. Era lá que eles deveriam ter ido, mas optaram por ficar e assistir; e agora algo se aproximava cada vez com mais intensidade. 
Porém, subitamente, o barulho parou.
 Parece que foi embora. — presumiu Duke.
 Hah! Ele sabia que jamais poderia fazer frente ao poder de meu marido, podem vir quantos quiserem, vocês nunca serão páreos para ele! — respondeu Milady me meio ao seu egocentrismo particular.
Após ouvir a provocação o barulho de motor pareceu tomar força aproximando-se com mais intensidade e fervor. Motores pareciam ter sido ligados, caldeiras colocadas para trabalhar, era como se todos os reatores de uma usina fossem ligados ao mesmo tempo, subsequente ouviu-se uma explosão saindo do portão do terceiro setor que resultou na destruição completa dos belos adornos que o cobriam anteriormente. Um míssil partiu em direção da equipe, mas o projétil fora desviado por Isaac que com um sopro de suas mãos criou uma ventania capaz de responder ao ataque enviando o míssil de volta. A explosão cobriu toda a sala com fumaça e poeira, e de frente ao correr uma sombra esgueirava-se.
Era alto e de corpo estrutural, todos seus membros eram coberto por partes mecânicas e uma armadura tecnológica protegia o guerreiro dos pés á cabeça. Era um membro da Velha Geração, mas equipado com toda a ciência e magnificência da Nova. Movido à vapor e a eletromagnetismo, em seu peito uma bússola apontava sempre para o adversário impedindo que seus oponentes fugissem. Ao atingir sua presa aquela criatura jamais deixava alguém escapar. Era um Nosepass. Isaac colocou-se em posição de ataque no mesmo instante que pôde ver um elmo de ferro cobrir as feições do inimigo, pediu para que seus companheiros recuassem disposto a proteger todos com sua vida. A máquina ativou seus braços que continham trituradores e canhões espalhados estrategicamente. Então, anunciou com sua voz mecânica:
Invasores. Invasores devem ser destruídos. Intrusos no salão central. Dizimação ativada.

Assim que o vapor se dissipou de sua frente Isaac fora capaz de olhar aquela figura com mais atenção. Não escondeu a surpresa e um grito de estupefação compartilhado com Glaceon. A moça colocou a mão na boca na tentativa de esconder a expressão ao lado de seu marido parecia comovido:
 M-Magnum!! Você está vivo!
O guerreiro mecânico sequer deu tempo para assimilar o que havia sido dito. Em seu peito um canhão tomou forma e obrigou que todos ali presentes se dispersassem. Isaac teve de deixar as cortesias para mais tarde, empurrou Glaceon com seu próprio corpo e viu uma esfera de energia partir em direção ad mulher e perfurando a parede do outro lado do salão. Milady encarou o rombo impressionada, a esfera de energia já havia desaparecido no horizonte do mar azul, mas o rastro de seu estrago ficara bem evidente.
 Que ultraje! Um Zap Cannon, nunca antes vi um guerreiro que tivesse controle sobre esse movimento! — afirmou a felina.
Apesar do oponente mostrar-se cada vez mais agressivo Leafeon recobrou suaa atenção e encarou-o novamente chamando por seu nome com insistência:
 Magnum, somos nós! Não se lembra de nós?!
 Destruir invasores, destruir invasores. — repetia a máquina incansavelmente.
Marco se prontificou:
Senhor Isaac, ele é um clone! Não sei se você o conhecia antes, mas ele não deve ser a mesma pessoa que conheceu no passado, isso é apenas um clone!!
 Não, não, não!! — gritava o rapaz com imensa amargura — Magnum, pensei que você estivesse morto! O que fizeram com você todos esses anos?! O que os humanos fizeram com você?
De onde Isaac conhecia aquele guerreiro, não se podia dizer, mas uma segunda voz pôde ser ouvida vinda do mesmo corredor em que o Nosepass estava. Uma voz maldosa e de imensa malícia, tão imponente que faria os fracos e oprimidos serem corrompidos por sua lábia insuperável;
 Eles deram uma segunda chance. — respondeu uma voz oculta.
Isaac voltou sua atenção para a escuridão do setor e dessa vez ouviu sons de correntes subindo os andares. Das escadarias surgiu uma moça muito linda, mas a voz ouvida era maldosa e desprezível. Em seu cabelo a mulher tinha uma enorme criatura acorrentada e de dentes tão afiados quanto um colar de canivetes. Era um único corpo, tinha uma enorme boca cercada em dentes serrilhados como agulhas entrepostas, e ao seu lado uma jovem moça apenas fitava todos com uma clara expressão de sofrimento e amargor. Isaac e Milady mais uma vez ficaram impressionados com a cena, aquela boca acertou a garota e derrubou-a no chão o que fez com que a mulher chorasse em seu silêncio enquanto a criatura os intimidava com suas mandíbulas devoradoras.
Os humanos são os seres capazes de dar vida ao que já perdeu sua essência! Vocês vêem aqui a obra de sua ciência, os primeiros experimentos de sua manutenção. Tremam a base ao ouvir tal numeração, o Número 1 e 2 de sua suprema criação!
Isaac encarava aqueles dois oponentes surpreendido. Parecia fora de si, estava comovido com algo que não se podia entender, e tal sentimento era compartilhado somente com sua esposa.
 Quem é ela? — indagou o pequeno Piplup.
 Eles são... Eles eram... Nossos amigos. — disseram as poucas palavras de Leafeon em sua expressão estática.
A enorme boca que se sobressaia ao corpo da mulher tomou forma e obrigou que a moça caminhasse até onde o guerreiro robótico se encontrava. Os dois pararam imediatamente enquanto aguardavam as ordens daquela figura fusiforme e de indulgências imperdoáveis.
— Meu mestre, Archer, o grande, oferece-lhes suas boas vindas. Eu sou “A Boca”.
Isaac cerrou seus punhos contendo sua ira para não avançar em direção daquele monstro. Era uma criatura horrenda, e seu nome não fora revelado em nenhum conto, pois ele mesmo o tinha esquecido.
— O que você fez com eles, criatura asquerosa?!
 O soldado de armadura nada mais é do que um corpo sem alma, construído unicamente para receber os meus comandos. A mulher nada mais é do que uma escrava, um corpo hospedeiro detento de poder a que os humanos fundiram minha sabedoria ao físico. Sou eu quem tomo conta de suas mentes, sou eu o mensageiro e embaixador dos exércitos do inimigo. 
A criatura sorriu mostrando todos seus dentes cobertos em saliva e amargura. Milady não escondera uma cara de nojo ainda mais nojenta do que a própria feição de seu inimigo. Isaac continuava sério, estava disposto a saber como o Nosepass e a Mawile que conheciam haviam acabado naquela situação. Seus amigos não entendiam absolutamente nada do que se passava.
 Há alguém aqui com autoridade o suficiente para debater comigo? Ou mesmo com sagacidade para me entender? — indagou a Boca.
 Nós não viemos para debater com os escravos sujos e desprezíveis dos humanos, então diga isto para seu mestre: Viemos para pôr um fim à isso tudo, para que partam e nunca mais retornem a essas terras. — bradou Milady com imensa autoridade, mas a Boca riu novamente revelando seus dentes pontiagudos.
 Ohh, Milady. A rainha do orgulho e do rancor. Eu tenho um presente que me foi confinado a oferecê-la.
A Boca riu em sua agonia e puxou a mulher que lhe prendia o corpo enquanto a mesma derramava lágrimas de seu rosto sofrido. A criatura fez com que a moça se levantasse como se a puxasse pelos cabelos, com suas mandíbulas cerrilhadas fez um único corte em seu pescoço, mas a moça agoniou sem reclamar. Então, a Boca voltou-se para frente e sorriu:
 Vocês a conhecem, não é? Qual o seu nome, lindinha?
Ela não respondeu, o monstro preparava-se para atacá-la e fazê-la sofrer novamente, mas Isaac o interrompeu de seus atos.
Malbora. O nome dela é Malbora.
A Boca sorriu maleficamente:
Eu sabia, eu precisava apenas certificar-me dessas estranhas memórias. Entregaram sua fraqueza antes mesmo de iniciar a batalha! Isto é um clone, não é uma alma viva, não é a amiga de vocês, é um lixo sem utilidades! Eu faço o que eu desejar com este corpo, eu sou sua mente, eu sou sua sabedoria.
Isaac levantou uma fresta de suas vestes revelando uma espada feita de folhas de árvores, longa e cumprida, honrosa e típica da nobreza, tinha o mesmo corte que o aço. Fez um movimento contra o vento e de sua espada diversas folhas menores voaram como lâminas em direção de seus inimigos. O Nosepass usou de seus canhões para evitar o ataque, enquanto a Boca colocou a moça em sua frente servindo como escudo para proteger-se.
 Potência, magnificência e omnipotência! Os humanos subiram muito, talvez até mais do que deviam, e como resultado são capazes de conseguir tudo que quiserem. Eu sou seu oponente, mas se quiser derrotar-me terá de matar a moça primeiro. Façam suas escolhas. — disse a Boca com uma longa risada debochada. — Magnum, elimine-os.
 Invasores serão exterminados.
O Nosepass imediatamente iniciou sua onda de ataques, descarregou outra onda de eletricidade, mas dessa vez Isaac e seus amigos não foram capazes de se esquivar do movimento Discharge. Leafeon retirou a espada de folhas, acompanhado de uma adaga de gelo retirado por Glaceon. O casal de Eevees colocaram-se lado a lado e avançaram contra o guerreiro.
 Ice Shard! — disse a mulher.
 Magical Leaf! — acompanhou o marido.
Com a investida de gelo as pernas do Nosepass foram congeladas impedindo seu movimento, uma saraivada de folhas o cortaram e causaram um imenso dano em seus sistemas, mas ainda não era o suficiente. Magnum ergueu seus braços e lançou Glaceon para longe, ele mal pôde perceber quando Piplup, Machoke e Mothim também participavam da batalha, e logo todos os guerreiros da Fire Tales compartilhavam sua força para derrotar o inimigo.
 Mamãe, eu vou protegê-la! Bubblebeam!
O pequeno pinguim lançou uma rajada de bolhas que mal atordoou seu adversário, Magnum apenas chutou-o para longe como se não fosse nada. Assim que Magnum ergueu seu rosto pôde ver um musculoso Machoke correr em sua direção, Sly chegou perto o suficiente para encará-lo e então ergueu seu punho para o alto com imensa força dando um uppercut acidental no Nosepass, bem no meio do nariz. O soco fora dado com tanta força que a máquina parou no mesmo instante, chegou até a curvar seu corpo para trás e desligar todos os seus sistemas. Machoke o encarou surpreso, nem ele acreditava na força de seus punhos. Voltou-se para seus amigos, esticou as mãos para o alto e fez um sinal positivo em meio a sua animação.
 Uhuul! Detonei ele!
Porém, logo os motores foram recobrando sua intensidade, e agora estavam duas vezes mais fortes. O Nosepass ficou em silêncio encarando o Machoke amedrontado em sua frente, mas não escondeu um ruído.
 Ai. — foi o único sinal de dor que ele demonstrou.
O peito do guerreiro se abriu revelando o canhão de plasma contido, Magnum veio a utilizar o Lock-On e certificou-se de que não iria falhar dessa vez. Travou a mira e preparou o Zap Cannon com força total, Sly tentou correr para longe mas era impossível fugir a mira do guardião de ferro. Ele disparou e o movimento explodiu lançando uma onda elétrica por todo o salão. Até mesmo Milady soltou um grito de preocupação mas quando a fumaça se dissipou eles puderam ver Mothim na frente do amigo com uma barreira de proteção impenetrável. Era o Protect.
 Está na hora de nos tornarmos úteis. — disse Marco com uma risada.
Os ataques se sucederam contra o Nosepass, mas do outro lado Isaac e Milady enfrentavam a Malbora e sua terrível Boca. A criatura mordeu o ombro de Leafeon envenenando-o com seus dentes podres, a cada movimento Malbora parecia sofrer mais, mas ela era obrigada a agir conforme os pensamentos daquele terrível parasita que apenas ria da desgraça de seus oponentes.
— É o Poison Fang. Adoro movimentos que nos fazem contemplar o sofrimento do adversário, tal como a tristeza em enfrentar um amigo. Você é capaz de destruir um amigo para proteger o outro?
Isaac irritou-se ainda mais com a ameaça e avançou contra a Boca, mas involuntariamente a Mawile segurou no pescoço do rapaz enquanto a criatura acertava-lhe a cabeça com o Iron Head. Isaac recuou pela tontura e caiu nos braços de Milady que permanecia séria e concentrada. Era impossível derrotar aquele oponente sem machucar a figura de alguém que já fora sua amiga.
 Como você pode ser tão cruel?! — gritou Milady avançando contra o monstro, mas a Boca a envolveu entre seus dentes e cortou suas vestes refinadas impedindo seus movimentos. Isaac correu para auxiliá-la, mas sofreu um disparo nas costas vindo de Magnum.
Duke encarava tudo, a queda de sua família, de seus amigos. Ele não chegara a conhecer Malbora o Magnum no passado, mas sabia que eles eram importantes para seus pais e vê-los naquela situação o fazia sofrer. Ele correu para ajudar Leafeon, começou a socar a armadura do Nosepass que deu-lhe outro chute que mandou-o para longe, mas Duke insistia em ajudar mesmo não tendo condições.
 M-Mamãe!! Papai!
 Filho, corra! Corra o máximo que puder! Salve sua vida, não se deixe ser capturado, salve-se! — gritou Isaac.
Piplup hesitou:
 Mas eu não posso deixá-los, vocês são tudo para mim! Mãe... Mãe...
A Boca imediatamente voltou sua atenção para o pequeno viajante e sorriu, sorriu com tanta malícia que a maldade não coube em seu rosto.
 Uma linda família. Adoro adversários com laços emocionais.
A criatura tinha Glaceon aprisionado entre seus dentes e começou a apertá-la com ainda mais força após a confraternização com Piplup. Ele podia ver o corpo de sua adorada mãe ser cortado pouco a pouco pelas navalhas, o sangue nobre escorria ate a garganta da monstruosidade hedionda que tinha como principal intuito fazer o jovem Duke sofrer. Milady olhou para o pequeno Piplup com imenso sofrimento e sibilou algumas palavras.
 Me desculpe por não poder ter te amado como deveria.
Piplup recuou, caiu para trás coberto pelo sentimento de medo. Era a primeira vez que via sua mãe pedir desculpas para alguém. Sua agonia foi tanta que ele abandonou todos seus amigos, correu o mais depressa possível para não ter o mesmo triste infortúnio. Cobriu o rosto coberto em lágrimas, tentava não pensar em Mila ou em Isaac, nem mesmo em Sly ou em Marco enfrentando aqueles guerreiros de estatura elevada. Parecia ser impossível derrotá-los, e nenhum de seus amigos poderia fazer frente a tamanha força.
Duke nem vira para onde corria, assim que dobrou um dos corredores pareceu trombar-se com uma imensa parede de ferro. Ao levantar deparou-se com Lairon parado em sua frente, ele tinha o olhar baixo, a máscara tampava suas emoções e o tamanho descomunal erguia-se como a última esperança que restava. 
— E-Eu pensava que você estava protegendo a Mestra Dawn!! Como chegou aqui?
— Ela mesmo me enviou, é um sentimento que os humanos compartilham com seus Pokémons, como um senso que nos permite dizer quando eles correm perigo. Eu vim cumprir meu dever, vim protegê-los.
Duke mal tivera tempo de explicar o que acontecera, a covardia tomara conta de seus sentimentos por um instante mas ele logo foi acolhido pelo homem que agachou até sua altura e colocou a mão em sua cabeça.
 Por quê está fugindo? — indagou o grandioso guerreiro com sua voz estrondosa.
 O pai, a mãe, o Sly, o Marco... Todos eles foram derrotados, ninguém pode vencer esses inimigos!! Me desculpe, tio Atros, eu não devia ter fugido, eu não deveria ter abandonado eles. Eu sou um fracasso, eu sou um fracasso, eu sou um fracasso...!
Lairon levantou-se e parou ao lado do pequeno. Colocou a mão na cabeça de Duke e sacudiu sem olhar para trás. Ajeitou sua enorme arma nas costas e voltou-se brevemente para a criança:
 Nunca é tarde demais para tentar de novo. — disse Atros — Você cumpriu seu dever, agora deixe que eu cumpra o meu.
Atros foi caminhando pelo corredor com calma e determinação. Assim que voltou para o salão central deparou-se com Malbora e Magnum, tal como todos seus amigos praticamente derrotados. Milady estava inconsciente com terríveis machucados em todo o corpo, Marco e Sly mal conseguiam manter-se de pé; e mesmo não tendo mais condições, com últimas forças Isaac ainda protegia sua família.
 Ele não desiste. — alertou Magnum.
 Elimine-o, não precisamos de imprestáveis como ele nem para clonagem.
          — Mas... Não desejo matá-lo. — afirmou a máquina.
          Os dentes da criatura foram revelados em sinal de fúria.
          — Faça o que eu estou mandando, ou será o próximo. — respondeu a Boca.
Magnum estendeu seu braço e preparou um único disparo contra o peito de Isaac. Leafeon estendia seus braços prometendo que não cairia enquanto ele pudesse proteger sua esposa, mas àquela altura da batalha mal tinha noção de seus atos. Magnum estava para atirar, mas viu um Lairon entrar lentamente na frente de Leafeon, segurá-lo em seus braços, e colocá-lo ao lado deitando-o em um canto onde não o envolvesse mais na batalha. A Boca ficou encarando aquela figura, enquanto Magnum continuava apenas quieto. Isaac sibilou um sorriso ao ver Atros, ele quase desmaiava pelo cansaço, mas não deixou de agradecer.
 Sempre protegendo nossa família... — afirmou Isaac.
Atros sorriu a fez um aceno positivo. Leafeon logo apagou. Assim que o Lairon levantou-se ficou de frente à Malbora e Magnum que passaram a encará-lo com certa dúvida e relutância. Eles sabiam que Atros era um adversário muito mais poderoso, mas não poderiam se deixar intimidar. A Boca soltou um grunhido e desprezível e fez o comando:
 Mate-o!!!
O Nosepass já tinha a arma carregada, ergueu o braço e disparou uma série de projéteis contra o gigante. As balas acertaram o peito de Atros que aguentou firme, elas caíam no chão sem deixar rastros como se fossem rebatidas por um vidro blindado. O homem permaneceu sério, e após a primeira onda de ataques terminar sacou o canhão que levava em suas costas e falou:
 Minha vez.
A explosão causada fora duas vezes maior do que a causada pelo raio de energia do Zap Cannon de Magnum, e devolvido com duas vezes mais força pelo lendário movimento dos Pokémons metálicos, o Metal Burst. Piplup estava logo atrás na sala e quase foi levado para longe com o impacto do ataque. Magnum avançou contra Atros, os dois trocaram rápidos socos como se ambos fossem máquinas criadas para guerrear e conhecessem perfeitamente os movimentos um do outro. Atros encarou friamente a capacete de ferro do Nosepass e disse:
 É impossível vocês derrotarem quem os treinou.
Atros deu um soco de cima para baixo, amassando o capacete de Magnum e entortando seus sistemas internos com uma única investida. Atros segurou num dos ombros do guerreiro e socou seu peito com tanta força que o canhão foi estilhaçado e praticamente inutilizado. A Boca o encarava de longe, e por um momento seu olhar encontrou-se com os do homem. O Lairon largou Magnum no chão como uma criança despreza um brinquedo e foi lentamente caminhando em direção de Malbora. A Boca riu encarando-o com certa relutância.
 Malbora... — sussurrou Atros
 Oh, vocês se conhecem? Interessante, nunca sabemos quem será nosso adversário numa guerra, e sendo inimigo ou aliado, quando se deparam no campo de batalha ambos seguem o mesmo propósito! — disse a Boca — Sou fascinado por enfrentar pessoas que compartilham laços íntimos, mas diga-me, você seria capaz de machucar uma pessoa que amou no passado? A decisão é sua.
Atros agarrou a cabeça da moça e puxou aquela criatura para mais próximo de si fechando suas mandíbulas e brandindo palavras com imensa fúria.
 Vou fazê-lo engolir suas palavras.
Um soco foi desferido no rosto da moça que foi arremessada para longe. Atros não ligava dela ter a aparência de uma conhecida ou não, quando trabalhava servia somente uma pessoa, e naquele instante sua maior missão era proteger sua família, nada mais importava. A terrível Boca estava com alguns dentes quebrados, quando tentava morder a armadura de Lairon sentia seus dentes não surtirem efeito e o gigante fazia questão de arrancar os outros com mais uma série de golpes, mas a criatura apenas ria:
 Maléfico, malévolo, nocivo!! Como pode ser capaz de atacar alguém que amou, você não tem sentimentos?
— Eu ia perguntar o mesmo. Não sei quem é você e nem faço questão de conhecer. Eu realmente tive dois amigos exatamente como esses guerreiros, mas eles morreram. Morreram há muito tempo, e o que restou foram as lembranças tênues e suaves desses momentos.
 Se você me matar, ela morre junto!! Você conseguiria viver com este peso em suas costas, saber que foi o responsável pela morte da única pessoa que te amou?!
— A pessoa que eu amei já morreu. E você será o próximo.
Atros avançou novamente contra a boca que dessa vez deu-lhe uma poderosa mordida no braço que o impediu de movimentar-se. O homem continuou trocando uma série de golpes contra a Mawile e era obrigado a encarar aqueles olhos tristes e sofridos da moça a cada segundo da luta, porém, permaneceu sério em sua posição. Atros disparou contra a mulher que teve sua visão ofuscada pelo brilho do canhão, e de repente, pôde ver uma pequena figura saltar por cima de si em direção da Boca.
 Aerial Ace! — gritou Piplup.
Duke cortou aquela criatura exatamente na altura dos longos cabelos negros de Malbora. A Boca agoniou, deixou de rir por um único momento e sofreu com amargor por longos segundos que teve sua mente separada de seu hospedeiro. Começou a entortar-se em seu delírio sentindo a vida pouco a pouco esvair-se de seu corpo, e de última instância pôde ver Leafeon encarando-o com rigor empunhando sua espada.
 Queime no inferno.
Isaac cambaleava pelos machucados e contusões, mas não deixou a classe e as cortesias. Penetrou a espada na criatura que liberou um grito que subiu estremecendo no ar e foi sumindo num gemido chiado amaldiçoado e agoniante, passando com o vento, feito voz fraca e sem corpo, que morreu e foi engolida, e nunca mais foi ouvido naquela era deste mundo.
Atros voltou-se para o pequeno Piplup e colocou a mão em seu ombro:
 Muito bem, meu jovem garoto. Você fez o que eu não teria coragem.
Piplup voltou a chorar, mas dessa vez não por medo ou tristeza, mas por perceber que ele tinha enfrentado seus medos e dado o golpe decisivo naquele mortal oponente. O pequeno pinguim correu em direção de Leafeon e o abraçou, foi em direção de Milady que aos poucos recobrava sua consciência, mas ainda muito enfraquecida sofria pelas contusões.
 Mãe...? Mamãe...? — indagava Duke.
Os olhos de Milady aos poucos fora se abrindo.
E-Eu pensei que você não iria mais voltar... Criança desnaturada, abandonou a mamãe... — ela soltou um suspiro de alívio, não escondendo uma risada ligeira  — Você vai me deixar depois de tudo que eu fiz...?
— Não, não! Nunca! Agora é a minha vez. Eu vou cuidar de você, mãe.
Atros cruzou os braços permanecendo em silêncio no cenário de vitória. O corpo de Malbora continuava estendido no meio da sala, e apesar de ter sido separado daquele terrível parasita ela não podia viver sem ele. Em breve a moça sentiria sua vida deixá-la da mesma maneira, o tempo todo permaneceu em silêncio sem proferir uma única palavra durante toda a luta, mas pôde-se ouvir um sussurro:
— Então, você é o senhor Atros de minhas lembranças? 
Lairon virou-se para a moça e a encarou sem respostas. Os dois trocaram olhares por alguns segundos, e na medida que os olhos de Malbora se fechavam ela sibilou um sorriso pela primeira vez.
 Isso é bom... Ela ficará tão feliz quando souber que vocês estão vivos...
O grande Lairon mal pôde conter sua felicidade.
 A Malbora ainda vive? Onde ela está? Onde posso encontrá-la?
Me desculpe por não saber muito, não posso ajudá-lo, mas, posso dizer o que sinto... — disse ela com palavras suaves, na mesma intonação que sua verdadeira amiga costumava falar — Nesse exato momento nunca estive tão feliz por encontrar alguém que nunca vi. Essa Malbora... A verdadeira... Ela é uma mulher de sorte por ter amigos como vocês. Muita... sorte...
E assim, caiu em um sono profundo para nunca mais despertar.
Lairon ficou estático, as mãos estavam leves e tensas ao mesmo em uma mistura de sentimentos de ansiedade, saudade, tristeza e alívio. Isaac caminhou em direção do guardião, colocou as mãos no bolso e encarou o vazio pensando em palavras que pudessem sustentar o velho amigo.
 Senhor Atros, você não precisa de permissão para chorar.
 Sou um soldado, Sir Isaac. Aprendi a deixar as mágoas e a tristeza há muito tempo. — ele respondeu com rigor.
 Não estou falando das lágrimas do lamento, e sim, da felicidade. Da felicidade por saber que nossos amigos ainda vivem, por saber que podemos encontrá-los em algum lugar desse vasto mundo, só precisamos começar a procurar. São as lágrimas da esperança.
Lairon abaixou a fronte e colocou a mão sobre seu rosto, envergonhado por aquilo. Sentia imensa vergonha das lágrimas, mas naquele momento não pôde contê-las. Chorou baixinho por um longo tempo,   minutos de amargura e sofrimento que se transformaram em uma alegria sem fim que há muito o homem não sentia. Ele sabia que aquela seria a última vez que choraria, pois agora tinha um novo objetivo em vida. Isaac foi distanciando-se para deixar aquela imensa muralha a sós com suas emoções, apenas observando o amanhecer no oceano. O amanhecer. Ainda havia esperança.


      

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