Archive for June 2012

Notas do Autor (Capítulo 42)

Bom, senhores, acho que já estava na hora de dar um fim à essa frenesi por parte do Luke em busca de tanto poder e glória. Tivemos alguns momentos excelentes, e pra falar a verdade, até eu me surpreendi com essa mudança súbita de personalidade por parte de nosso jovem protagonista, mas ele já sofreu demais. É hora de dar um fim à isso, por enquanto. Em suma, este Capítulo marcou um final à loucura dele, e agora acredito que possamos voltar ao nosso velho de esquema de aventura, risadas e amizade. Mas não se enganem, o Luke superou esse problema por enquanto, mas a megalomania ainda está presente nele, e uma hora ou outra ela pode voltar. 

Amizade de Irmão
Com este episódio eu quero mostrar que vocês não devem ter raiva dele, e de forma geral, colocar em destaque a importância da amizade entre irmãos, algo que desde o começo da temporada andava enfraquecendo, mas agora evidenciou toda a sua força. 

O que vem daqui para frente?
Bom, o Arco de Pastoria encerrou-se. Daqui para frente teremos um bom número de episódios até Canalave, que não é muito próxima. Os próximos capítulos não serão fillers, todos eles carregarão algum ponto importante, alguma evolução, ou algum encontro de personagens antigos até que cheguemos ao ginásio metálico. Então, quem acha que o Luke vai se recuperar até seu próximo desafio? Podem contar com nosso velho esquema no enredo, já chega dessa loucura demasiada. Agora, só a boa e velha aventura.

E para completar, um rápido comentário à respeito da enquete atual. Se você leu o capítulo com atenção terá notado algumas informações à respeito da infância do Walter, logo, se essa sugestão vencer a enquete atual então vocês poderão ler um curto capítulo sobre a infância do ex-campeão da região, e descobrir como ele fez para enfrentar o mesmo problema pelo qual o Luke está passando.

Leitura dos Fire Tales

Na verdade, eu fiz duas enquetes. A primeira perguntava se vocês gostariam de Pokémons além dos protagonistas entre as guildas, e essa opção ganhou, por isso conhecemos o Torterra e a Scizor. Mas agora, o motivo dessa enquete é pela falta de comentários. Cara, foi uma queda de, tipo, 12 para 2. Então, me perguntei se o pessoal ainda curtia. Vou continuar trabalhando com os Fire Tales de uma maneira ou de outra, por que acho que são a parte que mais gosto dentro do blog, mas é sempre bom saber se o pessoal ainda acompanha. Tenho 43 pessoas que leem, os comentários sempre ajudam na hora da inspiração, mas se vocês disseram que acompanham, então pra mim basta.

O motivo da enquete é como eu já havia dito antes. A partir de agora os Pokémons começam a virar peças mais importantes no enredo, e se você não acompanha, não entenderá muito de seus romances, ou então não entenderá o motivo da aproximação ou rivalidade entre determinados Pokémons. É uma questão de aproveitar mais o roteiro e divertir-se com muitos pontos que só se interligam para quem acompanha as postagens sem pular especiais ou capítulos. De forma geral, agradeço à todos que votaram.

EDIT: A página de Theo foi adicionada em Personagens Recorrentes.

Capítulo 42

  Os últimos dias eram marcados por grande agitação na casa da Liga Pokémon, rumores sobre treinadores capacitados começavam a rondar dentre os membros da elite que se encontravam numa grande discussão do caminho que o governo deveria tomar para Sinnoh. A campeã Cynthia estava em seu escritório, cada um de seus Pokémons guardados dentro de suas pokébolas, e todas as suas vontades presas com eles. A moça havia se tornado campeã para viver o resto de seus dias atrás de uma mesa analisando papeladas e assinando contratos. A vida de campeão era mais dura do que aparentava.
A loira já estava impaciente com todas aquelas anotações, perdia a paciência de ficar presa naquele lugar, rodeada de pessoas interesseiras que não se davam nem na oportunidade de proporcionar um ombro amigo se necessário. Sentia falta dos tempos de sua aventura, de estar ao lado daqueles que amava, e no fim das contas, sua grande ambição de tornar-se o campeã de Sinnoh resumiu-se a uma mesa de escritório. A caneta falhou, a loira mexeu três vezes sem que a tinta voltasse. Forçou a ponta dourada com tanta força no papel que um rombo foi aberto de uma ponta a outra pela raiva e impaciência. Cynthia soltou um grito de desgosto e deixou a sala sendo capaz de acordar a Liga inteira.
Logo na porta do escritório da moça estavam dois dos membros da elite, Mark e Allen. O homem de óculos estava com mais uma papelada em mãos, mas só de ver o olhar da moça já era possível ver o seu estresse, logo, de forma sutil ele afastou as tarefas de perto da campeã. Cynthia jogou o cabelo para trás e soltou um suspiro, até que Mark ousou pronunciar-se:
— Senhorita Cynthia, precisa de ajuda?
— Não. — respondeu ela, tentando manter a calma — Só preciso ir embora daqui. Desaparecer dessa fortaleza.
A moça não havia nascido para ficar presa, precisava de liberdade. Quando se alcança seus maiores sonhos começam a chegar as demais tarefas, e você perde seu rumo, então, a vida parece perder todo o sentido. 
Allen era o equilíbrio da equipe, e de fato, seria quem melhor desempenharia o papel de campeão se aquele cargo fosse deixado por Cynthia. Ele ajeitou os óculos e direcionou-se à moça:
— Gostaria de adiantar o período de férias, Senhorita Cynthia?
— Eu não posso, já enrolei demais. O governo está um caos, não consigo manter o controle de nada. São contas, números, afazeres importantes, reuniões. É como se eles quisessem me prender em uma gaiola. — disse Cynthia.
— Eu sei como se sente. — comentou Allen — Saudades do brilho de uma aventura? Do frescor do vento, da adrenalina de uma batalha... Saudades de voltar a ser uma criança sendo que nosso único objetivo era se divertir e seguir nossos sonhos... Eu compreendo.
Cynthia esboçou uma feição de tristeza, parecia estar com um pouco de febre. A moça cambaleou até o sofá e desabou sobre ele de forma cansada.
— Chega de trabalho. — disse ela — Eu preciso esfriar a cabeça. E acho que me distrair um pouco...
— Então você tem sorte de ter a Elite contendo os membros mais casuais e desatentos no mundo. Para não dizer outra coisa. — disse Allen com um sorriso — Por exemplo, digamos que a terceira casa defendida por Kyle e Lins encontra-se num momento de festa com show e bebidas à disposição do público. 
— Estou indo para lá. — respondeu a moça.
Cynthia saiu de seu escritório a caminho da área onde se situava as arenas da Liga Pokémon. Aparentemente estava muito lotada, haviam outros treinadores e figuras famosas no pedaço, como uma festa de ricos que esbanjam dinheiro e não encontram mais nenhum método de gastá-lo. A loira não precisou de muito para chamar atenção e calar todos os visitantes logo na entrada. No momento Kyle e Lins estavam em um sofá com algumas garotas em volta, mas até mesmo a música parou quando Cynthia se aproximou. Todos pensaram que a festa tivesse terminado.
— Por favor, continuem. Eu só vim aqui para me divertir. — respondeu ela.
Lins riu e pediu para que o garçom trouxesse mais uma rodada da melhor bebida. Eles juntaram uma mesa para que toda a Elite se sentasse na companhia da campeã, com exceção de Ike, que odiava locais muito movimentados. Logo as bebidas foram servidas, Lins era um sujeito que sabia como dar uma festa, enquanto Kyle escolhia os melhores convidados e as melhores músicas. O loiro chamou por um rapaz que estava no palco com uma guitarra, ele também era um treinador, e por sinal um dos melhores na temporada do ano passado. Seu nome era Theo, e com o passar dos dias acabou por desenvolver uma amizade com a terceira da elite.
— Theo, manda ver uma boa música para nossa chefia! — disse Lins.
— Pode deixar, vou tocar uma que ela sinta em seu coração. — respondeu o rapaz.
Lins riu, e voltou sua atenção para a mesa. Apontou para o palco com a cabeça, dizendo na sequência:
— Conheci esse cara há alguns meses. É um treinador e tanto, do tipo venenoso, além de ser uma boa pessoa. Se não estivesse tão ocupado em uma turnê eu iria pedir para que assumisse o cargo de líder de ginásio. — disse Lins.
— Ele parece tão novo. — comentou Mark.
— Você também parece novo, e está na Elite. — brincou Kyle — A questão é que apesar dos inúmeros treinadores novatos que começam suas jornadas, sempre existe alguém para marcar presença todo ano. Treinadores novos sempre surgem para representar. 
— Pena que esse ano não trouxe ninguém forte o bastante para nos derrubar. Fala aí. — disse Lins.
— Temos sim, vocês que são desatentos e não prestam atenção às reuniões. Devo dizer que na última segunda feira realizamos...
— Allen, por favor, vamos falar sobre algo que não seja relacionado à reuniões compromissos ou trabalhos. — pediu Cynthia.
— Perdão, minha senhora, é a força do hábito.
— Eu sei que você desempenha perfeitamente o papel como o mensageiro da equipe, e por sinal, você até mesmo me ajuda em muitos momentos com os contratos e compromissos. Mas hoje não, por favor. — comentou a campeã.
Allen tomou um pouco de seu drink e se calou, enquanto Lins ergueu a taça e comemorou:
— Demoro, demoro! Nossa campeã! Sempre tão bela e cheia de vida, ela é gente como qualquer outra, tem que curtir um pouco. Um brinde, um brinde à Senhorita Cynthia!
— Oh, por favor, sem cortesias, estamos juntos nessa. Eu estava apenas precisando de um pouco de descontração e conversar com alguém que não fale de compromissos e reuniões. — respondeu ela.
— Veio para o lugar certo, princesa. Trabalho não é com a gente não. Heh, heh... — riu Kyle.
— Acho fascinante a forma como vocês se dirigem à sua chefe. — continuou Allen de forma descontraída.
— Hoje estamos aqui para aproveitara assim como todos os outros dias.  acrescentou o sujeito de cabelos vermelhos — Se chegamos ao topo quem é que vai nos tirar? Essa nova geração? Me poupe, nunca vi treinadores tão fracos, nenhum deles se compara aos tempos de ouro. Se depender da nossa companhia e da boa vontade do Ike, defenderemos essa Liga para sempre.
— Então devo dizer que me deparei com algumas boas novas vindas de Pastoria. Estão lembrados de nossa última reunião? Aquela que vocês não compareceram. Tratamos de assuntos junto de todos os líderes a respeito do que acontece de novo em Sinnoh. E agora, os filhos de Walter Wallers, o lendário, parecem estar causando muita repercussão...
Por um momento tanto Kyle quanto Lins decidiram se calar. Mark ficou pensativo, afinal, todos eles haviam se encontrado com aqueles irmãos em sua trajetória. Allen lançou um olhar para Cynthia que o observava de forma séria.
— Me desculpe novamente, Senhorita. É a força do hábito...
— Não, não. Acho que é um fato interessante, não escondo que os filhos de alguém que respeitei durante toda a minha infância estejam atuando no mesmo ramo. Diga-me quais são as boas nova sobre esses rapazes? — perguntou Cynthia.
— Um deles é um coordenador, o outro, treinador. São irmãos gêmeos, e ambos brilham com a mesma intensidade. Recebi um relatório de que Lukas Wallers vem causando grandes revelações nos Contests por que passa, ele tem ideias e luta pela igualdade, e onde quer que esteja ganha ainda mais admiração. Agora quanto ao Luke, devo dizer que apenas uma comparação seria o suficiente para fazer com que vocês tremam até a base. Estão dizendo que é um treinador tão capacitado quanto o Volkner.
A risada de Lins foi interrompida. A música continuou a rolar, mas por um momento a mesa da Elite manteve-se em silêncio. Volkner foi simplesmente o treinador mais memorável de sua temporada. Nunca enfrentou a Elite por ser convidado a virar líder de ginásio antes, mas caso decidisse enfrentar a Liga por um algum motivo, ele certamente faria um enorme estrago de modo que nenhum deles ali presentes fossem capazes de segurar.
— É... Ouvi dizer que o Volkner pretende enfrentar a gente no fim do ano caso o vencedor da Liga seja um fiasco. Precisamos estar preparados, derrubar esse cara vai ser jogo duro. — disse Kyle.
— Treinem, meus companheiros. Treinem muito. Vocês estão a duvidar da capacidade da nova geração?  Digo que temos algumas figuras que representam os tempos de ouro. — disse Allen.
— Eu mesmo tive a oportunidade de me encontrar com os Irmãos Wallers, e sinceramente, se eles seguirem o mesmo nível de crescimento que tinham até a disputa da Liga teremos algumas grandes revelações. — continuou Mark.
— Me parece muito interessante. — disse Cynthia, apoiando um dos cotovelos sobre a mesa e revelando um sorriso de curiosidade.
          Seus pensamentos eram cobertos de dúvidas, afinal, onde estariam aqueles garotos promissores? Cynthia sentia uma verdadeira necessidade de enfrentá-los um dia, mas naquele momento tudo que ela precisava era calma. Haveria a Liga no fim do ano, e se tivesse sorte o vencedor seria aquele jovem treinador. A única coisa que não era certeza era sua vontade para continuar no cargo, ser o campeão era uma tarefa maçante.
Enquanto a conversa fluía, logo eles puderam ver a figura de um homem se aproximando. Ele vestia um par de óculos de sol que o tornava reconhecível onde quer que fosse, e naquele instante, parecia ter surgido exatamente quando se precisava dele. Era Glenn Combs, outrora um grande membro da Elite 4 da Liga Pokémon.
— Cynthia, a campeã de Sinnoh! É um prazer conhecê-la, Senhorita, e devo dizer que sua beleza é ainda mais admirável pessoalmente. — elogiou o homem  Se me permite dizer, sua voz é espetacular, eu adoraria gravar uma música ao seu lado algum dia, sou o dono de uma gravadora muito famosa. Meu nome é Glenn Combs.
— Um dos integrantes da Elite em seus tempos de ouro. Você trabalhava ao lado de Senhor Walter, estou certa disso?
— Sim, nós  ainda somos muito próximos, desde os tempos de moleque. — respondeu Glenn com um sorriso que esboçava vagas lembranças de sua época. Cynthia fez um aceno cortês e convidou a sentar-se na mesa.
— É uma honra tê-lo aqui. Agora a pouco falávamos sobre os filhos do ex-campeão.
— De fato, esses dois pestinhas se destacam por onde quer que passem. — Glenn gabava-se como se fossem seus próprios filhos.
— É uma pena que um deles tenha agido de forma incoerente nos últimos ginásios. Dizem que ele zomba dos líderes e causa enormes equívocos.
          A risada e o prestígio de Glenn logo desapareceram quando a moça lhe dirigiu palavra. O homem colocou sua taça na mesa e esboçou uma feição de dúvida.
— Foi mal, eu não entendi direito. Está querendo dizer que um dos filhos do Walter tem ilusões de superioridade?
— Certamente. — respondeu Allen, que estava ao lado.
— Ele também?
— O que quer dizer com isso? — perguntou Cynthia.
— Senhores, minha senhora, peço-lhes licença, preciso fazer uma ligação.
Glenn correu para fora do salão de festa, sacou o Pokégear e imediatamente tentou fazer uma ligação. O celular apitava, apitava, e apitava. Tocou três vezes antes de anunciar a caixa postal. Glenn desligou-o aos murmúrios.
— Vamos lá, velho. Atende logo.
Não houve resposta. Glenn se encontrou obrigado a mandar uma mensagem para aquela pessoa e esperar que recebesse uma resposta o quanto antes. Marcou cada letra com cuidado e atenção, apenas torcendo para que ela chegasse às mãos do remetente o quanto antes.


Em algum lugar distante de Pastoria um grupo de aventureiros mal podia imaginar que eram capazes de atrair a atenção até mesmo das figuras da alta Elite. Para o governo dirigir sua atenção à apenas duas crianças era porque elas realmente se destacavam e tinham a capacidade de chegar longe.
Porém, naquele momento os Irmãos Wallers não passavam por bons momentos. Dawn estava sentada em sua cama do Centro Pokémon de cabeça baixa e com as mãos no rosto. Parecia pensativa e abalada desde os ocorridos na batalha de ginásio da manhã passada, a menina ainda refletia e lembrava-se das palavras ditas por Luke em seu momento de raiva. Nesse momento, foi Lukas quem entrou no quarto da menina. O garoto parecia ainda mais frustrado e deprimido. Dawn ergueu-se num pulo dirigindo sua palavra ao amigo.
— Encontraram o Luke? — perguntou ela.
— Não, e acho melhor ele continuar escondido. Por causa dele a Vivian e o Stanley foram embora. — disse Lukas, não escondendo um pouco da raiva.
— Como assim?
— O Stanley ficou realmente irritado com aquele acontecido, e depois de tudo, alegou quase não conhecer o amigo que tinha antes. Parece que os dois estão em pé de guerra novamente, então, eles decidiram continuar a viagem até Veilstone, como eles tinham planejado.
— A Vivian foi com ele?
— Sim, de uma maneira ou de outra ela ainda é a acompanhante de viagem dele, e não poderia deixá-lo sozinho. Os dois estão seguindo para Veilstone agora. — continuou o garoto.
Dawn esboçou uma triste feição e sentou-se na cama novamente.
— Eu gostaria poder ter me despedido adequadamente. Nessa situação parece que o Luke e o Stanley se tornaram verdadeiros rivais, mas é uma sensação pior do que quando ele lutou contra o Lúcio. Eu nunca queria que isso tivesse acontecido, jamais, jamais...
— Ei, ei! — disse Lukas, segurando nos ombros de Dawn — Não foi culpa sua, okay? O Luke é quem escolheu esse caminho para ele, então as consequências virão de uma maneira ou de outra.
— Mas o que podemos fazer para lidar com essa situação? Continuamos viagem ao lado dele? Eu não sei se eu seria capaz de continuar amando ele, sendo que no fundo eu... Sempre acreditei que ele não gostasse de mim. — disse Dawn caindo no choro. Lukas tentou consolá-la, e ficou assim por mais um tempo. Sua estadia em Pastoria havia terminado, e agora os jovens continuariam sua viagem até a próxima cidade por uma longa semana.
Dawn continuou deitada na cama lamentado em silêncio. Quando ela disse já estar melhor Lukas desceu as escadarias do Centro para continuar sua busca pelo irmão. Depois de um tempo finalmente encontrou o garoto em um penhasco com vista para o mar. 
Lukas aproximou-se sem dizer nada, seu irmão se virou, fitando-o por um momento. Logo tornou a virar e encarar o oceano mais uma vez.
— Eu acho que estou perdendo a cabeça. — presumiu Luke.
Lukas não respondeu, por um momento sentiu vontade de gritar com seu irmão e colocar tudo para fora, mas não o fez. De uma maneira ou de outra, ele era seu irmão, e gritar num momento como aquele só pioraria a situação. Preferiu ficar em silêncio e apenas ouvir. Sentou-se ao seu lado ainda sem encará-lo.
— Eu não sei o que deu em mim. — comentou Luke — Eu só sei que... É inevitável.
— A Dawn ficou mal por sua causa. A Vivian e o Stanley foram embora por causa disso. Todos nós ficamos muito chateados por conta de seus atos...
— E mais, meus Pokémons me odeiam agora. Fiz eles lutarem contra quem mais amam no mundo, levei um esporro da Titânia, xinguei a garota que eu mais adoro, eu levantei a voz pra você, cara! Você, que tentava me proteger! — dizia Luke.
— Não consegue se controlar? — perguntou Lukas chateado, notando uma imensa tristeza no coração do irmão.
Luke escondeu seu rosto entre seus braços, ficou encarando o chão como se não tivesse coragem de olhar para o irmão numa situação como aquela.
— É como se uma voz ficasse falando dentro de mim, ficasse gritando que eu sou invencível e eu ficasse apenas ali parado, vendo tudo acontecer... Consegue entender o que estou dizendo?
— É complicado dizer... — prontificou-se Lukas.
Luke ainda estava de cabeça baixa, por um momento encolheu-se em seu canto como uma criança que teme por levar uma surra, e apesar de toda a raiva que cobria seu coração, as palavras seguintes foram proferidas com tanta sinceridade que era possível ver que ele também sofria.
— Eu não quero perder vocês.  — fez-se uma pausa — E eu sei que se eu continuar assim vou perder.
Luke ainda estava sentado, sério. Àquela altura poderia dizer que ele queria chorar, mas nenhuma lágrima escorreu de seu rosto. Luke era um garoto forte, e parecia decidido por cada decisão que tomava. Suas próximas palavras soaram quase que como uma lástima:
— Lukas, eu quero que vocês sigam viajem sem mim.

Fez-se um silêncio por alguns segundos até que ambos tivessem compreendido o sentido daquela frase. Lukas não recuou, pelo contrário, levantou a voz em direção de seu irmão.
— Você está de brincadeira? Nós somos gêmeos, desde que nascemos nós dois estivemos juntos, e você acha que é agora que nós vamos nos separar?
— Mas se eu continuar assim eu vou acabar te machucando de novo! — Luke gritou — Eu não aguento mais fazer você e a Dawn chorarem por minha causa. — sua voz foi diminuindo de tom até se tornar apenas um sussurro — Dói demais...
Lukas conseguia apenas escutar o desabafo do irmão, Luke enterrou o rosto nas mãos, o barulho das ondas tornava-se mais forte com a batida na encosta e o silêncio pairava.
— Luke... — Lukas colocava as mãos nas costas do irmão afagando-as em uma demonstração de carinho — Todo mundo pode errar um dia, ainda dá tempo de você mudar.
— Não sei se consigo.
— Mas é claro que consegue! Você é meu irmão gêmeo, eu sou a pessoa que mais conhece sua força interior e sua vontade! Levanta.
Lukas esticou a mão para Luke que ergueu-se num salto, ainda cabisbaixo sem saber muito bem como encarar o irmão que agora lhe dava uma lição de moral bem merecida.
— Você pode contar com a gente para tudo que vier. A Dawn é sensível, e todos nós nos encontramos em um momento delicado agora, mas eu não vou deixar que isso aconteça mais.
— Não vou aguentar te machucar novamente.
— Iremos dar um jeito nisso!
— E se eu perder o controle de novo, e...
— Eu não vou deixar.
Luke ergueu o cenho e encarou o irmão esboçando um sorriso. Lukas abriu os braços para lhe dar um abraço, prometendo que estaria ao lado dele nos piores momentos até o dia em que Luke realmente se tornasse o treinador mais poderoso de Sinnoh, mas junto de todos os seus amigos.
— Eu prometo que dessa vez eu vou protegê-lo.  Lukas sorria.
Luke suspirou, se aconchegou mais ao abraço do irmão, sua cabeça que antes possuia um turbilhão de pensamentos começava a clarear, as memórias ruins agora só pareciam pesadelos distantes. No fundo Luke sentiu que queria mudar, não por si mesmo, mas por Lukas, por Dawn, pelas pessoas que lhe eram importantes. O treinador apertou mais o irmão e sorriu.
— Esse não era o papel do irmão mais velho? Proteger o irmão mais novo?
— Nós somos gêmeos. — riu Lukas.
— Continuo três minutos mais velho.
Os dois se encararam e riram juntos, apesar de tudo, Lukas também amava seu irmão e estava disposto a lutar por isso, Luke sentia  o mesmo, no fundo do seu coração queria mudar, mas sabia que seria uma tarefa árdua.
— Pronto para seguir viagem? — perguntou Lukas.
— Acho que sim.
— Comece se desculpando com a Dawn, vamos seguir lentamente e retomar nosso estilo antigo com o tempo. Seus Pokémons acreditam em você, nós acreditamos em você, e eu torço por sua recuperação. Todos nós torcemos.
O garoto sorriu, agradeceu, e logo começaram a caminhar. Luke voltou-se para o oceano que tinha sua ondas batendo no penhasco com voracidade, mas também recuavam com uma calma tremenda.
— Obrigado por não desistir de mim, irmãozinho.
— Hum? Disse alguma coisa?
— Ah, nada não, vamos indo, ainda tenho que me desculpar com a Dawn e com todos os meus pokémons.
Lukas sorriu, seria uma batalha enfrentar todos esses problemas, mas juntos, o garoto sentia que tudo daria certo, pois juntos eles poderiam enfrentar qualquer coisa.

      

Concurso Novos Membros



PERÍODO DE INSCRIÇÕES FECHADO!
EM BREVE OS RESULTADOS SERÃO ANUNCIADOS.
AGUARDEM!

E NÃO DEIXEM DE NOS VISITAR 
PARA CONFERIR OS VENCEDORES.


  1. CLIQUE AQUI PARA CONFERIR A ATUALIZAÇÃO DE JOHTO!
  2. ENCERRAMENTO DAS INSCRIÇÕES + INFORMAÇÕES
  3. RESULTADO DO CONCURSO


É tempo de mudanças e novas oportunidades. Como líder da Aliança estarei realizando a abertura para vagas de algumas das outras regiões do vasto Universo Pokémon e começar a expandir nossos horizontes. Dentre as regiões disponíveis, vocês poderão optar por Almia, Fiore, Oblivia (Ranger Series); Orre (Colosseum e Gale of Darkness); Ransei (Conquest). E agora, seguindo uma atualização no concurso, você pode tentar também com a almejada região de Johto!

  • Como posso participar?
Se você é um escritor de fanfictions sobre Pokémon e estiver interessado poderá trabalhar em um capítulo (ou até dois, conforme as atualizações) para uma dessas regiões citadas acima e nos enviar um anexo de seu projeto. Deixo bem claro que não será analisada somente a escrita e o enredo de suas histórias. Viso pessoas interessadas que realmente se empenham neste processo, fãs da Aliança Aventuras, gente com simpatia, tempo livre, disponibilização para ter novas ideias e empenho.

  • Quando saem os resultados?
Demos início para a competição no dia 29 de Junho, e será válido até por volta do 29 de Julho (a data foi alterada por conta da atualização). Os vencedores serão anunciados por volta do fim do mês, e esperamos começar colocá-los em prática o mais rápido possível. A divulgação de seus blogs e fanfictions será feita ainda nas férias para que possam iniciar uma nova Era na Aliança Aventuras.

Os capítulos enviados serão analisados por cada um dos membros da equipe. Caso haja um desentendimento e a equipe fique separada quanto à escolha, o capítulo será disponibilizado no Aventuras em Sinnoh (ou algum outro blog) durante um certo período de tempo para que o público vote numa enquete decisiva. Os capítulos enviados passarão por uma série de supervisões drásticas que examinarão a qualidade num todo. Não há uma média para o tamanho do capítulo, poderão ser feitas uma série de outras perguntas não relacionadas somente ao capítulo, mas à sua personalidade e ao seu conhecimento geral em redação, português, conhecimentos gerais da série Pokémon, jogos diversos, e criatividade. Enviaremos uma mensagem em resposta confirmando o recebimento de seu Capítulo. Mas tenha em mente: Depois de enviado, você não pode mais corrigi-lo.

  • O que preciso ter para me inscrever?
Procuro gente criativa, com tempo livre, que se empenhe. Erros de digitação podem ser corrigidos, ideias podem ser acrescentadas, enredos podem ser melhorados; mas uma alma bondosa nasce com a pessoa. Para mim você pode ser o melhor escritor do mundo, mas se não formos com a sua cara é bom começar a mudar se quiser entrar na equipe. Procuro muito mais do que somente escritores, procuro pessoas com que possamos compartilhar bons tempos e que empenhem neste projeto porque o adoram sem nada como troca. Comentários são de extrema importância, ajude seus amigos de Aliança, opine nas fics deles, aprenda muito, os comentários não vão cair do céu. Construa, e eles virão.

  • Dados a serem levados em conta:
E-mail: nicolas_eroles@hotmail.com;
Assunto do e-mail: Concurso Aventuras;
Traga a Sinopse de sua história;
Faça a Biografia detalhada de um dos protagonistas;
Consulte o número de palavras que é disponibilizado no rodapé do Word, para um bom capítulo inicial você pode rodar em torno de 2.500 até 3.700 (mas não é uma regra, pense que competindo contra outras pessoas sua fic precisa chamar atenção e destacar-se, você não precisa de trinta páginas para isso);
Erros de português e ortografia, falta de acentos, estrutura mal feita, desinteresse, clichê, serão todos recursos descontados.

  • Que região devo escolher?
Eis aqui os seus adorados rivais. Até no mundo das fanfictions eles se estendem contra você em seu caminho rumo à vitória. Não é preciso escolher aquela que você melhor conhece, uma vez que você passa a conhecer a região quando começa a trabalhar ao lado dela.
  • Capítulos recebidos sobre Johto;
  • 3 Capítulos recebidos sobre Almia;
  • 1 Capítulos recebidos sobre Fiore;
  • 1 Capítulos recebidos sobre Oblivia;
  • 0 Capítulos recebidos sobre Orre;
  • 1 Capítulos recebidos sobre Ransei.

  • Sou um membro da Aliança!! O que vem pela frente?
Você enviou seu capítulo, depois de muito tempo de discussão você foi aceito na Aliança Aventuras! Uhuul, vamos comemorar! Agora você é uma celebridade no mundo Pokémon, vai postar um capítulo por semana e ter mil visitas num piscar de olhos. Claro, claro, continue assim que você logo vai alcançar o abismo cavando uma cova para seu blog. Deixe-me deixar um aviso bem claro antes, o caminho não é fácil.

Eu me responsabilizarei por toda a propaganda necessária e divulgação dos novos escritores no início do blog; mas depois o blog será seu, e você se responsabilizará sobre sua manutenção, idealização, e empenho para mantê-lo ativo. Cada um recebe as visitas que merece, luta para conseguir as visitas que recebe. Nossa ideologia é que um ajude o outro, leia muitas histórias, não se concentre na ignorância e se feche somente para o seu próprio mundo. Comente. Tenha opinião própria, aprenda a elaborar seus comentários de forma agradável. Não seja falso, seja sincero. Divulgue a fic do modo que bem entender.


  • Sua relação com seus companheiros
Interligar com outros continentes requer o consenso de ambos autores. Se você pretender criar um especial semelhante, peça a permissão do autor que previamente utilizou isso. Se vai colocar qualquer citação de uma região mais importante, contate o autor. Ahh, agora aquele cara fica pegando no meu pé!! Se surgirem problemas e conflitos entre os próprios companheiros por plágio, ideias parecidas, ou qualquer outra coisa, vocês serão convocados a se entenderem e entrarem num acordo. Ou podem optar por serem gentilmente convidados a deixarem suas regiões. Simples assim.

"Oh, postei meu capítulo e ninguém leu, eu sou um fracasso..." Não é só porque você está na Aliança que você será o mais famoso ficwriter de todos. O caminho de escritores é muito tortuoso, não se deve desistir antes mesmo de entrar. Mas só porque você tentou não quer dizer que também irá acertar... Contamos com a participação de todos.


  • Para Finalizar...
Por fim, vocês estarão livres para mandarem os capítulos até o Dia 20 de Julho. Sem uma data definida para a entrega dos resultados. Se você ficou com preguiça de ler tudo isso e só mandou seu capítulo porque quer ser famoso, então continue aguardando os resultados meu caro, você está a um passo de ser ignorado. É preciso ser diferente para fazer a diferença. As vagas estão abertas.

Big Octo (Papercraft)

Big Octos são muito maiores do que os Octoroks normais, eu tentei convencer a Litos de fazer um monte desses pequeninhos, mas acho que um grandão já deu trabalho o suficiente. Esses caras estiveram presentes em Ocarina of Time como o miniboss de Jabu Jabu's Belly, e depois em Majora's Mask, como criaturas mais simples e fracas do Southern Swamp

Em suma, não terei muito o que falar sobre este meu parceiro aqui, ainda me lembro que na infância eles eram um dos meus monstros favoritos, e de certa forma este é o motivo pelo qual esses papercrafts se tornam tão importantes para mim. Vocês já devem imaginar que minha prateleira está repleta de monstros e inimigos, mas desde que me lembro por gente eu curto mais o Dark Side da força. Bom, o Big Octo em especial é um modelo que fica muito bonito, apesar da Litor ter dito que ele é mais trabalhoso e possivelmente o mais difícil dentre os quatro últimos que postamos. Vale a pena o esforço, além do fato de que a cor rocha tão presente chama uma bela duma atenção.

Créditos ao Nintendo Papercraft

Fire Tales 18

Desde a última batalha a equipe não era mais a mesma. Afastado de todos os demais jazia um guerreiro solitário escondido nas sombras e com a cabeça apoiada sobre uma parede; diversas dúvidas cobriam sua mente, e ele indagava sobre a decisão que havia tomado atacando aquela que mais amou naquele mundo.
Você já foi melhor do que isso.” A frase ainda lhe corria as entranhas, e a cada minuto na escuridão o coração de Mikau doía, como uma ferida que é impedida de ser curada. Ele apenas permaneceu ali, sozinho, perdido em seus próprios pensamentos sem notar o que realmente observava. De volta à guilda, a situação andava de mal a pior. A equipe estava separada, e ninguém ousava pronunciar-se. Gabite estava deitado em cima de um muro refletindo sobre a tensa batalha feita naquela manhã, e a imagem de ser mestre sendo consumido pela loucura ainda lhe atormentava como uma pintura que não se sabe o significado. Foi então que recebeu notícias da chegada de dois velhos companheiros.
Era a Scizor de Vivian e o Torterra de Stanley, cujos nomes era Primia e Drinian. Ambos integrantes de outra guilda, mas que ainda mantinha laços formando uma aliança com os Fire Tales. Scizor era uma figura sempre risonha e divertida, enquanto Torterra mantinha sua cara fechada em profundo silêncio. Assim que os dois se aproximaram Gabite deu um salto para recebê-los, embora nenhum dos dois estampassem a feição costumeira.
 E então? — perguntou o dragão de forma ríspida, como alguém que já sabia a resposta. A feição de Scizor denunciava o que ocorrera.
 Nossos mestres vão embora. Retornarão para Veilstone, foi o que decidiram. Então, creio eu que esta seja uma despedida por algum tempo, até porque nossos treinadores não andam se entendendo muito bem.
Aerus soltou um rugido de raiva e socou a parede ao lado deixando as marcas de suas garras bem estampadas. Os outros Pokémons que ouviam a conversa estamparam uma triste feição de desapontamento.
 Primia, quer dizer que vocês vão embora? — perguntou Pachirisu em direção da moça que agachou e tocou levemente no rosto do esquilo.
 Por enquanto sim, mas espero voltarmos em breve. Não depende só da gente... — disse Scizor com uma voz entristecida.
 Infelizmente, por conta dos erros de nosso Mestre deveremos arcar com as consequências. — comentou Titânia com um suspiro — E apesar de todas as condolências, este é o momento em que devemos ficar ao lado dele para que ele supere essas dificuldades.
 Você está de brincadeira? — prontificou-se Milotic. Por um momento toda a equipe calou-se, e os visitantes se assustaram com a reação daquela linda moça que há poucos dias os recebia com sorrisos e boas maneiras — Tivemos sorte de nada de pior acontecer, ainda porque meu Mestre foi capaz de lidar com a situação, mas e se ele não estivesse por perto? O que poderia ter acontecido?
Titânia encarou a outra serpente, mas lutou para manter a calma. Ela não entendia a posição de Milena, aquilo não era motivo para que eles iniciassem uma discussão para saber quem era o culpado, principalmente no momento em que  mais precisavam de apoio.
 Poderia ter acontecido que manteríamos o controle da mesma maneira. Não jogue toda a culpa para o jovem Luke como se ele tivesse culpa de algo.
 O quê? Agora vai dizer que ele é inocente? — argumentou Milotic.
A expressão de serenidade outrora vista em seu rosto passava a tornar-se decepção e raiva. Mikau estava afastado, os menores tinham medo da discussão que rondava entre todos os membros da guilda, e para piorar ainda mais, agora Scizor e Torterra estariam indo embora.
Titânia tinha uma resposta na ponta da língua, mas preferia acertar uma briga na base da força. Gabite percebeu imediatamente que a serpente perdia o controle, uma vez que odiava que falassem mal de seu chefe em sua frente, principalmente vindo de alguém da própria equipe. O dragão deu um pulo e afastou as duas.
 Vamos lá, Tih. Não vamos começar uma batalha entre nossos próprios amigos, não é?
 Amigos? — gritou Milotic com desgosto — Veja como vocês estão tratando o Mikau, ele sequer consegue andar ao lado de vocês! E no fim das contas vocês também o excluem, exatamente como todos os outros fizeram.
 Nós não afastamos ninguém, o Mikau deu o fora por conta própria, pois ele sabia que se ficasse aqui só ia trazer mais intrigas. — disse Gabite, fazendo uma longa pausa do silêncio da moça — Mas escute algo, Milena. Nunca mais chame uma amizade minha de falsa. Nunca.
Milotic calou-se, somente então dando conta do grave erro que cometera. Ela também era uma grande amiga de Mikau, e naquele momento, era o dever dela ficar ao lado dele, quando na verdade carregava raiva e decepção e preocupava-se mais em culpar os outros do que tentar resolver os erros. Ela saiu de lá chorando, Pachirisu tentou segurar em sua mão em vão, mas ela já se distanciava. Titânia estava prestes a explodir, enquanto Gabite e os outros permaneciam sem reação.
 Problemas internos na equipe são comuns, Aerus. — disse o Torterra.
 Cara, eu sei, mas... Dessa vez me parece algo muito pior. Eu nunca vi o pessoal agindo dessa maneira, eu nunca me encontrei em um momento como esse, e no fim das contas não sou capaz de ajudar meus próprios amigos... — disse ele em tom baixo.
 Você é o líder, querido. Assuma sua posição. — respondeu Scizor, que sabia a sensação e o peso que Gabite carregava por ser a líder de sua equipe da mesma maneira.
Titânia soltou um longo suspiro, e então, direcionou-se aos seus parceiros.
— Primia, Drinian. Pedimos perdão por todo esssa briga interna em nossa equipe, mas desejo-lhes boa sorte e que possam seguir viagem e proteger o seus Mestres para nosso próximo reencontro. — disse Titânia.
 Sabemos que eles estão brigados, mas faremos de tudo para que possam se reconciliar, ou que pelo menos entendam a posição do Mestre Luke nessa situação crítica. — explicou Torterra.
 Vamos tentar animá-los, como sempre fizemos. — sorriu Scizor com uma feição amigável — Estou mais é preocupada com a relação entre vocês... Espero que na próxima vez que nos reencontrarmos não estejam todos separados.
 E não estaremos. — assentiu Titânia.

Gabite esperava poder passar mais um tempo ao lado da guilda de Scizor. Ela era uma grande líder, e Torterra também era um amigo e rival de tempos antigos, mas agora vê-los se distanciarem novamente os abalava, principalmente daquela forma precoce. As orelhas de Pachirisu estavam baixas, Titânia saiu da área para esfriar a cabeça, e aos poucos os outros membros foram retornando. 
Gardevoir estava abraçada ao pequeno Togepi que segurava em seus braços, e pela primeira vez o jovem dissera uma frase que fazia jus à sua infantilidade, deixando de lado toda sua conversa de querer ser um adulto e agir como um.
 Estou com medo.
 Medo de quê, meu querido? — indagou Gardevoir.
 De que todo mundo se separe.
Os mais velhos fingiam que aquele medo não existia, mas era algo que somente as crianças notariam. Gabite olhou para os lados e observou atentamente cada um de seus velhos companheiros de equipe. Alguns mais recentes, e outros que até mesmo já podia chamar de irmão. Wiki se recuperava da tensa batalha que tivera, fazendo alguns reparos em seu corpo; o General Duskull e Murkrow, apesar da tensa rivalidade entre ambos, pareciam compartilhar a mesma preocupação com seus Mestres. Gabite caminhou até Togepi e abaixou o boné do pequeno.
 Ninguém aqui vai se separar. — disse Gabite com uma risada descontraída. Ele tentava agir como um líder, e nem mesmo precisou dizer duas vezes para confirmar a certeza na mente de Karl. O dragão fez uma aceno para Sophie e continuou seguindo para onde Milena correra. Ele precisava acertar as contas com ela e Mikau.
Em uma área mais afastada estava a bela moça, debruçada sobre uma pedra como uma flor que recusava-se em desabrochar, escondendo toda sua beleza em lágrimas de um passado que não poderia mais voltar. Aerus assentou-se ao lado de Milena, mas permaneceu calada. Ele não ousou nem mesmo encostar nela para chamar sua atenção, preferia que ela desse conta de sua presença quando bem desejasse. E apenas permaneceram ali, em silêncio, calados por vários minutos que mais pareciam horas.

• • •

Gardevoir estava com o pequeno Karl deitado com a cabeça em seu colo. Ele observava atentamente a tristeza ao seu redor, podia senti-la, e praticamente vê-la estampada no rosto de seus amigos que há poucos dias riam e se divertiam em união. Togepi não havia participado da batalha, e nem sabia exatamente o que havia acontecido, mas sofria com tudo aquilo. Quando Pachirisu viu Gabite distanciar-se com seu rosto transtornado pôde perceber claramente a melancolia que seu melhor amigo guardava.
 Eu só queria que todo mundo voltasse a ser como antes. Eu não quero que nós fiquemos brigados como nossos Mestres... — disse Pachirisu bem baixinho — E-Eu não quero que todo mundo se separe...
A atenção dos outros pareceu ser atraída. O General entreolhou-se com Murkrow numa expressão pensativa, como se não tivesse cogitado aquela opção, sendo que da forma como seus mestre vinham agindo, era muito provável que os dois seguissem caminhos distintos.
 N-Nós vamos nos separar? Uma equipe para cada lado? — indagou Togepi, notando a gravidade do assunto.
 É por culpa do Mikau! — disse Roselia, não conseguindo esconder a amargura.
 Não, ele não é culpado, minha querida. — disse Sophie — Entenda que em seu coração ele sofre tanto quanto qualquer um de nós, mas ainda não descobriu a capacidade de aprender a perdoar alguém. Ele cometeu um erro decepcionando quem o amava, mas nem por isso seja tarde para que ele peça desculpas e possa se redimir de seus erros.
 Os fracos não tem a capacidade de pedirem desculpas, esta é uma característica dos fortes. — comentou o General Duskull.
 E você acha que o jovem Mikau seja fraco? — perguntou Murkrow.
O General soltou um longo suspiro, e então falou:
 Nunca foi, mas aprendeu com os tolos a agir como um. O tolo discute, mas o sábio escuta, e ele precisa aprender a escutar do que simplesmente jogar palavras ao vento e montar sua própria ruína. Ele pode até vir a tornar-se fraco, mas não deve permanecer agindo como um tolo.

• • •

Gabite ainda estava apoiado sobre uma das pedras, enquanto Milotic tapava o rosto para abafar o choro. Seria uma remenda falta de consideração simplesmente ignorá-lo, e por fim, a serpente marinha virou e ficou de bruços, olhando para seu companheiro dragão que a observava atentamente.
 O que veio fazer aqui?
 Te levar de volta. — respondeu Gabite rapidamente.
 Me deixe sozinha por um tempo, eu preciso pensar, e muito provavelmente a Senhorita Titânia não irá permitir que eu volte...
— A Titânia não manda em mim, e nem em você.
Gabite ficou olhando atentamente para os olhos azuis de Milena, mas logo não conseguiu conter a risada ao perceber o que havia acabado de dizer. Milotic também riu um pouco, tentando enxugar as lágrimas.
 Tudo bem, ela manda em mim, sim, mas isso não quer dizer que você não possa voltar para a guilda e precise se excluir como todos os outros fizeram. O que tu fez de errado?
 Eu duvidei de nossa amizade. Como pude dizer aquelas palavras horríveis na frente de todos os outros... Na frente das crianças... — lamentou Milotic, mas em seguida Gabite ergueu-se num pulo e estendeu a mão para a companheira.
 Temos uma parada para resolver.
 Aonde vamos?
 Recuperar o meu amigo, e também o seu "namorado".
Mikau não estava em seus melhores momento. O solitário Seadra costumava esconder-se em seus momentos particulares quando não tinha opção, mas agora tinha amigos ao seu redor, amigos aqueles que sentiam sua falta. Aerus e Milena fizeram seu caminho até onde o rapaz costumava ficar quando se sentia deprimido. Assim que eles chegaram Mikau escondeu o rosto, como alguém que lamenta pelo que fez.
Milena caminhou até o seu lado e sentou-se ainda que de forma incomodada como dois desconhecidos. Mikau refletia, e parecia ter medo de encará-la, principalmente depois daquilo que fizera.
 Você sabe que o que fez foi muito ruim.
 Fácil é fazer, difícil é perdoar. — resmungou Mikau de forma séria.
 Está querendo dizer que eu não seja capaz de perdoá-lo pelo que fez? Afinal de contas, então acha que vim aqui para que?
 Eu não estava falando de você, eu falava sobre a capacidade de eu mesmo me perdoar por aquilo que fiz. Foi, simplesmente, inadimissível.
Gabite tinha os braços cruzados a distância, apenas ouvindo o andamento da conversa, mas logo se aproximou.
 Cada um de nós teve a oportunidade de escolher o que fosse melhor para cada um. — disse o dragão.
 Mas se eu tentasse justificar o meu erro, eu estaria errando de novo. Não tentem me perdoar, não mereço o perdão de ninguém. — respondeu Mikau.
 Foi um erro, cara. A Milena está aqui para mostrar que não ficou chateada, e agora, todo mundo está torcendo para que você volte e tudo retorne a ser como era antes.
Mikau hesitou.
 Eu não poderia voltar para a equipe. Não me aceitariam depois do que fiz...
Gabite ergueu Mikau pela gola e encarou-o de forma séria. Milena soltou um grito ao ver a cena, imaginou que o dragão também perdera a paciência com seu companheiro, mas os dois apenas se encararam por um longo tempo.
 Cala a boca e volta para a guilda logo, seu idiota.
Mikau caiu no chão com os olhos desnorteados, naquela situação Milotic gostaria de cair em seus braços e abraçá-lo, mas foi impedida pela situação. O rapaz precisava pensar sobre tudo que fizera, aprender a valorizar os únicos que restaram em sua vida. Gabite meteu as mãos no bolso e saiu de lá em sillêncio, sua mensagem havia sido dada. 
Milena continuou a encarar o companheiro que ainda não havia se levantado.
 O seu olhar... Aquele olhar de angústia, tristeza e decepção que prendeu-se em mim no momento em que nos encontramos no campo de batalha... Eu nunca vou esquecê-lo, vou lamentar todas as noites e sofrer em silêncio pelo dia em que tentei ferir a únia pessoa que se importava comigo.
 E eu ainda me importo. — disse Milotic, agachando e tocando no ombro do companheiro e sentando-se ao seu lado — Eu ainda serei forte o suficiente para carregar não apenas um, mas nós dois.
 Naquela época eu tentava de proteger. Ainda lembro de nós dois naquele aquário, fugindo da gangue dos Sharpedos. — disse Mikau com uma risada — Os piores dias de minha vida.
 Você mudou tanto, por um momento julguei ter esquecido aquele pequeno Horsea por quem me apaixonei. Será que ele ainda está vivo? Perdido em algum lugar dentro deste seu coração terno?
 Não sei, tenho medo de descobrir. — disse Mikau, olhando para seus punhos e apertando-os com força — Medo de que aquele “eu” abra um espaço e demonstre minhas fraquezas novamente.
 Eu estarei ao seu lado para impedir que isso aconteça.
 E quando você é a fraqueza? Eu não quero perdê-la, não quero pensar nessa possibilidade novamente.
Milena calou-se por um instante, mas ergueu os olhos em direção de Mikau que tentava evitá-los.
 Você nunca foi fraco.
Mikau virou-se de forma perdida, evitando o contato visual com a bela mulher. Milotic deu uma rápida volta e logo parou em sua frente novamente, segurando em rosto e obrigando-o a olhá-la nos olhos.
 Se eu sou sua fraqueza, então por que não posso tornar-me a sua força? Você sempre disse que lutava por mim, que melhorava para me proteger, então por que eu também não posso protegê-lo? E agora, o que aconteceu com aquele pequeno Horsea por quem me apaixonei?
O nome de Milotic soou quase que como um sussurro da boca de Mikau.
 Eu sempre me senti feliz com minha aparência, mas mudei pelos amigos. Eles não são sua fraqueza, eles representam sua força, e você ainda tem chance de mudar e deixar de agir como alguém que não é.
Ela levantou-se e então começou a distanciar-se, ainda lançando um olhar sincero para trás:
 E você? Vai melhorar por mim?

O Seadra ergueu-se de forma lenta e desajeitada, ainda se perguntando se deveria fazer aquilo. Milena guiou seu amigo até o pátio da guilda, onde alguns de seus companheiros os aguardavam. Gabite abriu apenas um dos olhos, avistou Mikau e em seguida os fechou novamente, afinal, agora era o momento dele enfrentar sua segunda batalha, a do orgulho de pedir desculpas. Por um tempo ficou calado, e desejou não estar naquela situação, mas logo as palavras saíram num disparo contra o vento.
 Me perdoem. — ninguém respondeu — Por ter causado tudo isso.
O General Duskull e Murkrow fizeram um aceno, aceitando suas desculpas, porém, os mais novos ainda o achavam como o vilão da jogada. Até mesmo Pachirisu parecia constrangido, ele temia que por causa de Mikau seus mestres se separassem, e aquilo já estava feito, não tinha como mudar. Logo, Gabite deu um pulo e caminhou em direção dos outros.
 Bom trabalho, cumpriu a sua parte. Tu tá perdoado. — disse o dragão.
 M-Mas, Aerus... E se nossos Mestre se separarem... Ficaremos longe um do outro, toda a equipe será separada e nossa equipe desfeita... — comentou Pachirisu com uma voz trêmula, sendo interrompido por Titânia:
 Ninguém vai se separar. Eu não digo isso com certeza, pois não tenho a capacidade de prever as decisões de nossos mestres, mas uma coisa eu sei, que nossa amizade irá continuar. Por mais que sigamos caminhos distintos.
Milotic aproximou-se da companheira encarando-a diretamente nos olhos, ela sabia o erro que cometera e estava decidida a pedir o perdão. Titânia apreciava a determinação da companheira, retribuindo o gesto com um aceno.
 Eu não deveria ter duvidado de seu Mestre. — desculpou-se Milena.
 Creio que cada uma de nós se sentiria no direito de proteger aqueles que ama, e apesar das brigas causadas pelo Mestre Luke, admito que também cheguei a deixar de acreditar nele. Mas hoje o vejo como meu Mestre, e a função de cada um de nós como uma equipe é dar o apoio à eles. — explicou Titânia.
— Você sempre nos protegeu e fez o que melhor para todos nós. Eu nunca duvidei de você, e não deveria ter perdido a cabeça agora... Me desculpe.
Mikau permanecia calado, Milena havia se desculpado, e por um momento toda a tensão entre os companheiros desapareceu, mas a duvida da separação ainda cobria a mente dos jovens. Caso seus treinadores viessem a se separar, todos eles seguiriam por caminhos distintos. Gabite levantou-se, e deixou uma última mensagem como líder:
 Não importa o que nossos Mestres decidam, nós sempre estaremos juntos, nós sempre seremos Os Fire Tales. 

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