Archive for April 2012

Notas do Autor (Capítulo 35.5)


Acredito que aqui nas notas não terei muito o que falar, somente fatos que vocês já puderam notar. No início da saga eu disse que a Diamante seria voltada para o Lukas, e não era mentira. Notei algumas pessoas bem descontentes com o sumiço do garoto, e que eu foco demais a trama em volta do Luke pelo fato dele ser o meu favorito. Mas agora já consegui me estabilizar com o Luke, e agora que ele está doido da cabeça, é a hora perfeita para o Lukas começar a se sobressair. Esse problema com o Luke persistirá por um bom tempo, estarei trazendo algumas batalhas épicas e o caminho até Pastoria para que tomemos início em um novo Arco. Até lá acredito que ainda tenham uns três capítulos pelas rotas seguintes, e o Capítulo 36, cara... Nossa, desse aí para frente só vem coisa boa.

O início deste capítulo foi baseado num dos ocorridos da obra de Marcus Zusak, A Menina que Roubava Livros. Fiz algumas referências na descrição e no jeito com que a luta se levou, pois o nome do episódio também era O Lutador. Eu recomendo a leitura, é um livro magistral. Bom, e por fim, seguimos com um dos meus primeiros especiais em que o Lukas foi predominantemente o principal. O garoto sempre teve esses problemas, marco também como o capítulo do retorno de um antagonista adorado na última saga, e podem ter certeza, que o reencontro com Lúcio será ainda mais surpreendente. Pois é, agora, vou tentar adiantar alguns capítulos e corrigir outros, tenho muito trabalho pela frente, garanto que o 36 promete.

Capítulo 35.5

Por um momento, a cidade de Veilstone. E no outro, apenas imaginação. Erguendo-se sobre o garoto, uma batalha. Lukas tinha apenas treze anos, e sempre fora capaz de fantasiar. Via-se num ringue de batalha com os olhos fechados, podia notar a figura que se estendia em sua frente, a multidão murmurando todas ao mesmo tempo, e a quietude de um garoto que se preparava para enfrentar a derrota.
Na diagonal, uma figura maldosa postou-se num canto com seus auxiliares. Vestia um roupão vermelho agressivo, e tinha uma expressão negra de deboche gravada no rosto. Ele saltitou de um pé para o outro e sorriu. Sorriu ainda mais quando o locutor do ringue listou seu nome e realizações, todas aplaudidas pela multidão.
— No canto azul, temos o campeão do mundo, a obra-prima das batalhas Pokémon, Lúcio. — dizia o locutor com enorme ênfase e prestígio. Virou-se para o lado oposto e tornou a dizer com desdém — E, no canto vermelho, temos o coordenadorzinho desafiante, Lukas Wallers.
Na multidão, humilhação. Tumulto e gritos desafiadores. 
— O desafiante! — disse o mestre-de-cerimônias — Como pretende enfrentar o maior lutador do mundo, — fazia uma pausa para dar mais efeito — se nem mesmo soube se defender sozinho?
Lukas cerrou os punhos, o resto não se fez ouvir. O jovem viu seu adversário retirar o roupão e se encaminhar para o centro do ringue, ouvindo as regras que em breve seriam ignoradas para em seguida trocar um aperto de mão.
— Boa sorte, Lúcio. — disse Lukas, com um aceno da cabeça, mas o oponente apenas lhe mostrou os dentes numa risada de deboche, tornando a cobri-los com os lábios.
— Sorte é para aqueles que precisam do irmão para cuidar dos seus negócios.
Lukas queria acabar com aquilo no mesmo instante, mas foi impedido pelo árbitro de atacar seu oponente antes que a batalha sequer tivesse tido um início. Seguiu-se um breve silêncio, e então, o gongo.
          O primeiro a avançar foi Lúcio, de pernas firmes e sustentadas correu em direção de Lukas e deu-lhe um jab firme no rosto. A multidão vibrou, com os gritos e risadas soando-lhes nos ouvidos e sorrisos satisfeitos do outro lado. As mãos de Lúcio esmurravam o rosto do garoto, atingindo-o na boca, no nariz, no queixo; e Lukas sequer havia saído de seu canto. Tentou proteger-se da onda de ataques, mas Lúcio desviava o foco e lhe acertava as costelas. Os olhos de Lúcio transmitiam a mesma malícia da última vez que se encontraram.
Houve apenas um assalto, e o garoto caiu. Os joelhos de Lukas dobraram-se e ele foi ao chão como se o louvasse. Gemeu em silêncio, desabou no chão. O árbitro contou, mas Luka pôs-se de pé e encarou o oponente.
— Venha, Lúcio. — convidou. O adversário partiu, e Lukas se esquivou fazendo-o mergulhar num canto. Esmurrou-o várias vezes pelo ódio que sentia, sempre visando arrancar-lhe aquilo que lhe fora roubado: A honra.
Lukas acertou-lhe o queixo, e assim Lúcio debruçou-se sobre as cordas e vergou o corpo, caindo de joelhos. Não houve contagem, a plateia desanimou. Ainda de joelhos, Lúcio verificou se estava sangrando, endireitou o cabelo e mexeu a cabeça da direita para a esquerda num estalo. 
O malvado oponente ficou de pé e olhou para a plateia. Havia o silêncio, murmúrios, mas tal quietude fora quebrada por um impulso com os pés diretamente na direção de Lukas. Ele fora pego de surpresa, chutes não eram permitidos, mas quem se importava? Era Lúcio quem deveria ganhar. Sempre fora o combinado. Lukas cambaleou até cair no chão, gemia o nome do irmão, de pessoas que pudessem ajudá-lo. Lúcio tornou a rir.
— Meus amigos, vocês estão vendo aqui essa noite, não é? — chamou — Um oponente, que nem sabe cuidar de si mesmo, mostra o quão fraco ele é.
Lukas não tinha forças para responder.
— Tenta agir como um herói, quando na verdade tudo o que faz é ficar escondido atrás da sombra daqueles que o superam. Pessoas assim, simplesmente, me enjoam.
O ridicularizado foi seguido de um chute. Lukas continuou deitado gemendo e delirando. Lúcio parou antes de descer do ringue, e a multidão se calou perante a atitude. Fez um olhar de relance e pronunciou palavras que causaram um tremendo espanto no indefeso adversário: Acabem com ele.
Um por um, as pessoas subiram no ringue. Milhões delas. Lukas tentou juntar força para se levantar, mas não conseguia, até que viu uma pessoa atravessar as cordas. Era uma garota, e quando ela cruzou devagar a lona pôde ver um prato com um pedaço de pão e um pouco de suco.
— Seu café da manhã — disse ela, delicadamente — Eu não sou boa em cozinhar, você sabe, mas fiz com carinho.
Agora, nada além de Veilstone. E uma garota com um sorriso meigo aguardando um agradecimento do amigo.
Lúcio havia desaparecido, as dores nunca haviam existido, mas algo estava preso em sua memória e não parecia estar disposta a sair tão cedo. Quando se deu conta o garoto continuava sentado sobre as cadeiras de madeira na varanda da casa de Riley. Lukas simplesmente odiava ficar sozinho, quando ficava na companhia da solidão tinha tempo o suficiente para lembrar-se de tudo que gostaria de esquecer. Lúcio era uma deles.
Lukas levou sua mão até sua cabeça e fechou os olhos. Só lhe saíram algumas palavras de agradecimento, mas não era possível dizer se era pela comida ou pelo simples fato de Marley tê-lo despertado de sua ilusão mental. Ela sentou-se ao seu lado e Lukas então abocanhou o sanduíche. A garota juntou suas pernas e abraçou-as de forma serena, ajeitando os fios de cabelo negro que lhe caíam pelo rosto.
— Está bom?
— Sim. — respondeu Lukas de forma pensativa, parecendo estar com a mente ainda distante num certo ringue de boxe.
— Você está bem? Parece cansado, a comida não está boa? — perguntou Marley, mas Lukas apenas mordeu os lábios e engoliu a verdade.
— Eu estou bem, e sua comida está ótima. Só não tive uma boa noite de sono, e agora, fico pensando em certas coisas.
Assim que terminou a refeição ele se levantou. Ainda era bem cedo, mas seus amigos pareciam já ter saído para começar uma manhã de treinos. Nenhum deles havia visto Luke desde sua batalha no ginásio, além de voltar tarde ele ainda havia sido um dos primeiros a despertar, parecia estar evitando contato com os amigos, e aquilo certamente os chateava. Riley estaria ocupado com alguns negócios, enquanto Dawn disse estar indo para o supermercado comprar os mantimentos para que pudessem seguir viagem. Lukas e Marley estavam sozinhos na casa.
O garoto se levantou e foi em direção do banheiro. Olhou-se no espelho e viu seu reflexo costumeiro como de costume, não via nenhuma marca de pancadas ou socos, mas ainda sentia como se tivessem sido reais. Assim que terminou seus afazeres foi em direção da sala e sentou-se no sofá, soltando um longo suspiro.
— Tem certeza que não está cansado? Deve estar ficando doente, talvez pelo frio da manhã passada... Quer que eu vá para a farmácia comprar algo?
— Não, Marley. Eu estou bem. — mentiu, tomando coragem em seguida para dizer o mínimo da verdade — Eu só não gosto de ficar sozinho, tenho o costume de pensar em coisas ruins.
— Então me conte, estou aqui para ficar com você. Eu... Acho que sou sua amiga, não é?
Era tudo que Lukas precisava, alguém que desse apoio e pudesse ouvi-lo. Adorava o jeito divertido de Vivian, mas às vezes a seriedade de Marley e a responsabilidade da idade lhe pareciam mais aconchegantes nos braços de uma moça mais madura.
Lukas contou sobre seu primeiro encontro com Lúcio. Dizia como havia sido covarde e da glória de Luke ao socar a face do adversário de modo que ele fosse ao chão e só pudesse se levantar no próximo minuto. Marley ouvia tudo atentamente. Desde o desencontro, Lukas fizera de tudo para manter os ânimos, mas algumas vezes a sombra de um rapaz metido lhe empurrava, e com palavras rudes dizia: Você não é nada, se não, uma criança escondida na sombra do irmão.
— Você acha que sou um covarde? — perguntou Lukas.
— Por quê? Por evitar uma batalha que não podia vencer? — perguntou ela.
— Por não poder defender meus amigos. Por não poder defender a minha honra. E não poder sequer dar uma resposta à altura do oponente. Tudo que fiz foi ficar calado, e... Ouvir os desaforos.
— O medo às vezes salva as pessoas... — comentou Marley sem saber exatamente o que dizer.
— Eu preferia desaparecer a ter que lidar com isso todos os dias. Eu sempre tento ser o mais positivo possível, mas há momentos em que isso me atordoa, consegue entender? — disse Lukas, mordendo os lábios e cerrando o punho direito com uma feição de choro — Eu queria poder socá-lo, tirar toda a minha raiva só para ele sentir o mesmo que fez comigo...
Marley aproximou-se do garoto e tocou em seu rosto direcionando a atençaõ de Lukas aos olhos dela. Tinha olhos azuis escuros, transmitiam segurança e confiança. Aos olhos dos outros a garota parecia apenas uma criança, mas certamente sabia agir como uma mulher quando era necessário. Marley depositou a cabeça de Lukas em seu peito e o abraçou.
— Não deseje aos outros o que não quer para você. Você protegeu sua amiga, sim. Se tivesse revidado, aquele sujeito poderia ter ficado ainda mais zangado. Você é um garoto tão inteligente, não precisa da força dos punhos para provar sua força a alguém...
Lukas ouviu atentamente cada palavra. Levantou seu olhar e encarou Marley, que retribuiu o sorriso. A cabeça da moça inclinou-se levemente, e ela soltou uma risada ao ver o rosto corado do amigo.
— Você nunca vai estar satisfeito se não derrotá-lo, não é?
Lukas acenou com a cabeça.
— Quero ser tão poderoso quanto o Luke. Quero ser forte o bastante para proteger meus amigos, para impedir que esse Lúcio enfrente-os quando meu irmão não estiver por perto, e que eles sintam a mesma segurança que eu sinto quando meu irmão está do meu lado.
— Seus Pokémons acreditam em você, e eu também acredito. Mas o problema não está neles, e sim com você. — disse Marley, apontando para o coração do amigo — Quando nos conhecemos, você ainda era um garotinho tímido e confuso. E veja como melhorou... A questão é nunca parar de melhorar, você deve aprender a confiar mais em si mesmo. Essa é a peça que está faltando.
— Autoestima? — perguntou Lukas.
— Isso, confiança. Você confia tanto em seus amigos que se esquece de você mesmo. Eu tenho uma ideia, você talvez estranhe, mas acredito que vai adorar.
Marley segurou na mão de Lukas, e os dois saíram da casa. Ao descerem a colina foram ao encontro do ginásio, que naquele horário parecia ainda estar bem vazio. Gerard fazia uma vistoria em algumas máquinas, os dois jovens caminharam em direção do homem que permaneceu em silêncio.
— Senhor Gerard...? — perguntou Marley.
O gigante ergueu-se e limpou as mãos cheias de graxa, ajeitando os óculos em seu rosto quadrado. Lançou um olhar intimidador para Lukas, mas ficou em silêncio, aguardando que Marley dissesse o que estava fazendo na academia logo pela manhã.
— Este é Lukas Wallers, irmão gêmeo do garoto que o enfrentou ontem.
— Irmão gêmeo? Hm, é verdade. Pensei que ele estivesse aqui para pedir desculpas depois do ocorrido. Nosso Lucario ainda está internado no Centro Pokémon. — disse Gerard com certo desdém.
— Ele é um rapaz generoso, mas nós realmente não sabemos por que começou a agir daquela maneira tão de repente. Peço minhas sinceras desculpas pelo ato de meu irmão.
Gerard coçou a cabeça num sinal pensativo, mas não disse nada. Ele não era muito bom em diálogos, principalmente quando lhe pediam desculpas.
— Vocês vieram à procura de algo?
Marley logo tomou frente.
— Ah, sim... Ouvi dizer que o senhor já foi lutador de boxe profissional. Acredito que nós estaremos em Veilstone por mais uma semana, então, gostaríamos que nos ensinasse um pouco de sua arte.
Lukas virou para Marley com uma feição de espanto. Não acreditava na ideia da amiga, ter aulas com um gigante não parecia uma boa ideia, e se ele aprendesse a lutar tinha certeza que não se conteria na próxima vez que se deparasse com Lúcio. A batalha Pokémon viraria um verdadeiro ringue de boxe.
— Você quer que eu mate aquele sujeito? — indagou Lukas.
— Quero que você confie mais em você.
O gigante coçou a cabeça novamente, pareciam ser muitas surpresas para um único dia. Gerard acenou para um dos treinadores no local e pediu para que ele continuasse o serviço na máquina, em seguida chamou Lukas e Marley para uma sala menor no andar de baixo.
Havia um enorme espelho logo em sua frente. Dois sacos de pancada em cada canto, e instrumentos de treino voltados para todos os lados. Cordas, colchonetes, halteres, Lukas sentia como fosse treinar para virar um lutador profissional. Marley sentou-se sobre um aglomerado de colchões e acenou para o amigo, o garoto encarava tudo com enorme espanto até sentir a mão rígida de Gerard em seu ombro.
O gigante agachou na altura de Lukas para poder encarar os olhos inocentes e assustados da criança. Gerard tinha uma tatuagem facial, e diversos machucados em seu rosto. Não parecia ser alguém que tivera bons momentos no ringue, e apesar de já ter sido o campeão, era notável o desgaste físico.
— Quem busca a luta, busca por um motivo. — disse Gerard com sua voz assustadora. — Qual é o seu motivo?
Lukas pensou um pouco, não sabia o que responder. Ele costumava ter vergonha em frente de mulheres, mas encarar alguém como Gerard parecia ser muito pior.
— Um garoto me humilhou. — disse ele sem pensar.
— E você quer aprender a lutar para bater nele?
— Acho que sim.
— Quero que entenda algo, jovem garoto, eu te ensino tudo que sei sobre lutas, mas eu espero nunca vê-lo arrumando encrenca na rua. — disse Gerard, em seguida apontando para a cabeça do jovem e batendo com a ponta de seu indicador três veszes — A força do sábio está naquele que evita as lutas, e não em quem as causa sem motivos.
— Sem motivo? Mas ele caçou de mim, falou que eu não era um coordenador competente, empurrou minha amiga...
— E você espera resolver isso batendo nele.
Lukas ficou quieto. Parecia ser aquele o seu plano. Bater em um garoto duas vezes o seu tamanho, e depois de frequentar uma academia de lutas por uma única semana. Gerard limpou o nariz e agachou novamente, agora posicionando Lukas na posição que deve ser feita em uma luta.
— Se esse sujeito caçoou de você, devolva o ataque com aquilo que você domina. No que você é bom?
— Em nada, não sou bom em nada.
Marley fez uma expressão de tristeza. Lukas parou para pensar novamente, revendo sua questão.
— Bom, e-eu acho que sou bom nas palavras. — disse ele.
— Todo mundo tem um plano até tomar o primeiro soco na cara. Depois disso, eles perdem noção do que vem depois. Se você manter a calma e aprender a lidar com isso, ganhará na confusão de seu oponente. Você não precisa usar sua força.
Gerard deu dois pulos rápidos e em seguida socou o ar numa velocidade que foi possível até mesmo ouvir o vácuo. Lukas recuou pela velocidade do golpe, o gigante agachou com um dos joelhos e encarou o menino novamente.
— Palavras são como socos, se você souber usá-las você derrota o inimigo sem sequer dar uma chance de um segundo round.
Era aquela mensagem que ele precisava ouvir. Era necessário acreditar nele mesmo, na capacidade de ser o melhor com seus próprios recursos. Não precisava ter a mesma força física que seu irmão, nem o temperamento de agir sempre buscando ser o herói. A estratégia por trás da batalha é que definiria sua vitória.
Marley levantou e caminhou em direção de Gerard. O homem agora estava de braços cruzados. Alegre, por saber que a criança em sua frente parecia ter aprendido uma lição. Marley segurou na mão de Lukas e sorriu.
— Confie em você, mais do que qualquer pessoa.
Lukas sorriu e acenou, agradecendo a ajuda dos dois por mostrarem como ele deveria agir antes que causasse problemas ainda maiores.
— Senhor Gerard, devo agradecê-lo imensamente.
— A Senhorita Maylene adoraria receber a visita de vocês, espero que continuem frequentando e treinando seus Pokémons na academia. — disse o gigante — E já que estão aqui, acredito que possam começar um pouco de treino também, é necessário que um treinador esteja tão preparado quanto seus Pokémons.
Lukas olhou para Marley e riu, ele já havia aprendido a lição, sentia que não precisava mais aprender a lutar nem nada. Seus Pokémons estariam ao seu lado, e ele próprio saberia como se defender.
— Acho que não será necessário, senhor Gerard. Mas obrigado pela oferta.
— Excelente, então vamos começar fazendo cinco minutos de corda. Vocês só param quando a música terminar.
Lukas olhou para Marley de forma assustada, a garota riu e segurou uma das cordas que estavam na parede na tentativa de pular. Uma música muito alta começou, e logo mais pessoas chegaram na sala para começar a treinar a arte da luta. O treino estaria só começando.
— Espere aí, e como é que eu pulo isso? Eu pensava que corda era uma habilidade coletiva! — disse Lukas.
— Se vocês vacilarem eu acrescento mais um minuto. Depois uma sombra com halteres e vocês revezam os outros equipamentos a cada três minutos. Vamos! Ainda falta muito para acabarem as duas horas de treino. A manhã será muito longa, mexam-se, suas garotinhas! Até minha avó aguenta mais do que vocês!
Lukas quase despencava da corda, mas havia sido uma experiência muito interessante. Um pouco de esporte sempre é necessário para exercitar a mente.

      

Come and Dream with Me

Antes de mais nada, quero compartilhar algo com vocês. É só uma pequena história, na verdade, sobre tantas outras: Dois amigos. Um escritor. Uma fanfiction. E um Sonho.
Semana passada eu estava muito concentrado assistindo meus seriados, quando estou no meio de uma tarefa é difícil conseguir minha atenção. Acessei meu e-mail como de costume, havia um comentário e mais duas mensagens de um leitor que conheci no ano passado. É bem comum que muita gente venha me pedir ajuda em fanfictions e dicas para construção de Blogs, ou até um simples desabafo, então, acessei a mensagem como qualquer outra.
Li um pedaço daquela forma automática, sabe? Mas foi estranho, me deparei com algumas coisas que por um momento me fizeram retomar consciência e voltar só para conferir. Fechei o seriado sem nem olhar onde tinha parado, eu precisava entender aonde aquela mensagem iria chegar. Bom, o emissor havia citado a possibilidade de eu fazer uma homenagem para um amigo dele. Poxa... Colocar personagens novos na história? Vocês sabem que nem sempre consigo, para mim é complicado mexer no enredo central. Mas continuei seguindo a mensagem. Li a seguinte questão:

"Sexta feira, dia 27, é o aniversário do meu amigo muito, muito, especial! O Nicolas, ele é seu chará, e gosta muito da fic. Ele foi adotado pelos meu avós e é muito deferente, sabe, ele não gosta muito de falar e me odiava, mas um dia eu estava lendo um episódio de Aventuras em Sinnoh e ele entrou no quarto e viu a tela, começando a dizer:
— Aaaaahhhh! Eu não acredito que você gosta de Aventuras em Sinnoh! Eu adoro essa fic e as outras do Canas, eu lia lá no orfanato. E gosto muito dessa nova."

Esses dois jovens passaram a se tornar amigos. Um de dezessete, o outro de doze. Acho que o que me cativou foi o motivo dessa amizade ser formada.
O que Sinnoh é para mim? O que Sinnoh é para as pessoas? Eu não o vejo como um blog, vejo como um quarto. Talvez um refúgio, talvez uma área de trabalho, ou simplesmente um lugar onde você pode se sentir bem. Eu sabia que minha fanfiction era importante para o jovem Nicolas? Digo que nem sempre são precisos comentários para um escritor saber que o acompanham, é pelo simples fato de você saber que a história é importante para alguém que ela se torna importante para você mesmo. Não é por dó, não é pelo fato dele ter o mesmo nome que eu, é por um motivo mais alto... Retomo minha pergunta do início do parágrafo, então, o que Sinnoh é para mim?
Simplesmente, um Sonho. O Sonho de fazer as pessoas Sonharem.

Hoje deixo com vocês esse pequeno capítulo em homenagem à esse garoto, é o aniversário dele. Agradeço ao Gabriel Simpson por enviar a mensagem, compartilhar esse acontecido comigo e permitisse que eu compartilhasse com todos vocês. Por quê continuo escrevendo essa fic? Todos nós temos objetivos, se você acha que é uma obrigação nunca vai chegar em nada. Nossos objetivos são vários como escritores, seja alcançar sucesso ou simplesmente se divertir. Meu intuito é alegrar as pessoas com o que posso, formar amizades de maneiras inesperadas, dando um significado diferente para cada um conforme suas necessidades. É a magia dos sonhos.
Sabem que dia é hoje? 27 de Abril. Então...

Feliz aniversário, Nicolas!

And now, my friends, I address you all tonight, as you truly are; Trainers, Coordinators, Rangers, Adventurers, writers... Come and Dream with Me.

O sol brilhava com fracos feixes da janela do quarto dos Irmãos Wallers. Luke e Lukas se levantaram para sair do Centro Pokémon na companhia de Dawn, aquele seria um dia excelente para treinar os Pokémons nas redondezas da cidade e ainda se preparar para os desafios futuros. O jovem Lukas estava num bom humor capaz de cumprimentar qualquer pessoa que passasse ao seu lado na rua, já seu irmão não parecia na mesma situação. Caminhava de mãos no bolso com pisos firmes no chão, bocejando praticamente de minuto em minuto, mas ainda não escondia o ânimo em ter uma boa manhã de treinos ao lado dos amigos.
— E então? O que pretendem fazer de bom hoje na cidade? — perguntou Dawn.
— Vamos para próximo do lago ao sul da cidade. Eu soube que existem muitos Pokémons aquáticos por lá, seria excelente para treinarmos e ainda aproveitarmos esse dia lindo de sol! — respondeu Lukas.
— E você, Luke? O que pretende fazer? — continuou a garota, não recebendo uma resposta do garoto que mais parecia um sonâmbulo caminhando — Você está acordado?
— Ah, acho que sim, eu só fui dormir muito tarde. De noite ficou passando um seriado épico de cavaleiros em tempos medievais, acho que tão antigos quanto a Titânia. É aquele tempo em que as pessoas ainda carregavam uma espada, já pensou? — disse Luke, notando que os amigos não entendiam muito bem do que ele falava.
         — Para quê uma pessoa precisaria carregar uma espada hoje em dia? — perguntou Dawn.
          — Ora essa, quer símbolo maior de honra e poder? — respondeu Luke com uma risada — E também, para poder se defender! Contra um ataque de cócegas!
Luke avançou em direção de Dawn fazendo um bocado de cócegas na garota, de modo que ela implorasse para que o jovem parasse enquanto os dois caíam na risada.
— Hah, hah, hah! Pare com isso, Senhor Cavaleiro! Por hoje já basta! — respondeu a menina ofegante.
Lukas retirou sua mochila e depositou embaixo de uma árvore, seu irmão correu para longe sendo seguido por Dawn logo na sequência. Os jovens se aproximaram de um laguinho raso o bastante para que a garota tivesse a possibilidade de entrar, já que ela não sabia nadar. Luke retirou a camiseta, lançou a bolsa para longe e pulou na água, os respingos haviam molhado a roupa de Dawn quase inteira.
— Ahh, meu cabelo! M-Minha chapinha, seu moleque de Darkrai!! Se eu tivesse uma espada eu furava você inteirinho agora! — gritou ela.
— Entre aqui e me enfrente, seja minha adversária. — respondeu Luke.
— Eu vou ser sua adversária quando eu mandar o Lairon acabar com sua raça!
Luke caiu na risada, e continuou a jogar água com os pés para longe. Logo Dawn se encontrou obrigada a cair na diversão também, Lukas aproveitou para liberar seus Pokémons e assim todos passaram a se divertir. Pachirisu deliciava-se com pequenas frutinhas, a doce Roselia recolhia flores ao lado de Shellos, e a grandiosa Milotic demonstrava toda a sua beleza ao lado de seu defensor, Mikau. Leafeon e Glaceon descansavam próximos de seu ovo, e o protetor Lairon não hesitava em sair de seu posto protetor em momento algum.
A tarde foi passando, e os três se deitaram sobre a grama baixa para olhar o formato das nuvens.  Elas mais pareciam Mareeps gigantes com novelos de lã, ou então Altarias com suas nuvens de algodão doce. Dawn rolou até parar do lado de Luke demonstrando um largo sorriso para o jovem, ela recolheu seus braços e apoiou sua cabeça sobre suas mãos encarando o garoto com um sorriso apaixonado por um longo tempo.
— Me diga, com que Pokémon eu me pareço?
— Gyarados. Pelo tamanho desse sorriso eu até diria um Quagsire. — respondeu Luke quase que de imediato, recebendo uma cotovelada da garota que voltou rir.
— Idiota. Eu estou falando sério.
Luke fez uma feição pensativa por um momento, e assim voltou a dizer:
— Ok, talvez uma Loppuny?
Dawn deu um leve beijo no rosto do garoto e o abraçou com muita força. Agora era a vez de Luke perguntar:
— E você? Acha que pareço com qual Pokémon? Aposto que deve ser um gato de um Luxray, ou musculoso como um Machamp.
— Magikarp. — respondeu a garota.
— O quê?
— Você parece um Magikarp. Se eu sou um Gyarados, você é tão esquisito quanto uma Magikarp. Ou prefere um Feebas? Heh, heh, heh... — respondeu Dawn.
Luke levantou na mesma hora, parecia estar estressado novamente. Dawn sentou-se e ficou a observá-lo por um tempo, ele arrumou sua camiseta e deixou os amigos para trás bufando de raiva. Pelo menos havia deixado a bolsa com alguns Pokémons, logo, em breve seria obrigado a voltar.
— Ai, Lukas. Seu irmão é muito complicado. Ele faz brincadeiras com todo mundo, mas não aguenta quando fazem com ele. — disse Dawn.
— Deixe ele, por enquanto. Daqui a pouco ele se toca e volta para pedir desculpas, mas só para certificar, chame-o de Luxray na próxima, Senhorita Loppuny. — brincou Lukas.

Luke continuou caminhando enquanto chutava uma pequena pedrinha para longe. Estava concentrado naquilo há pouco mais de três minutos. Tinha apenas duas pokébolas consigo, Duskull e Gabite. Às vezes era necessário um tempo sozinho para que tudo comece a fazer sentido em nossa mente. Estava andando sem rumo somente para esquecer o acontecido.
— Magikarp... Só pode estar de brincadeira. — bufou.
Enquanto o jovem se concentrava na pedrinha, um garoto acabou por passar em sua frente. Luke se desconcentrou e tentou recuperar o percurso com a pedra, mas acabou se trombando com o garoto que veio ao chão. A pedra caiu num riachinho próximo e assim terminou com sua diversão. Ele já não estava em um dia agradável, e imprevistos sempre aconteciam para piorar ainda mais a situação.
— Poxa, olha por onde anda, cara! — gritou ele, com seu típico modo de tratar os desconhecidos. O menino continuou no chão, demorou para se levantar. Nem sequer encarou Luke nos olhos, parecia muito assustado.
— Me desculpe, não foi de propósito...
Palavras daquele porte sempre conscientizam a fúria de alguém. Luke acalmou-se e esticou a mão para o menino que se levantou. Seus olhos pareciam dispersos e cheio de dúvidas. Carregava apenas uma mochila, mas não tinha Pokébolas, Luke sequer dera conta disso, para ele qualquer criança era um treinador.
— Vish, foi mal ae cara. Tô num estresse daqueles, tá ligado? Mulheres, sabe como é. — respondeu Luke, agachando e pegando a mochila para o garoto — Acho que isso é seu.
— Sério? Essa bolsa é minha? — perguntou o garoto.
— Claro que é, você acabou de derrubar ela.
— Putz, e não é que é verdade? Hah, hah, hah...
Luke caiu na gargalhada, aquele jovem era muito esquecido e parecia ser também muito divertido. Apesar do encontro conturbado de início, tudo indicava que aqueles dois se dariam bem.
— Cara, cê é comédia! Qual é o teu nome?
— Pode me chamar de Nicolas. E você?
— Luke Wallers, é um prazer te conhecer, companheiro. Diga aí, bora tirar uma batalha! Dois contra dois, o que acha da ideia?
Nicolas ficou quieto por um momento, mexia em suas mãos o tempo todo e desviava seu olhar enquanto hesitava em respondê-lo. Luke estava com suas duas Dusk Balls em mãos, por mais que o oponente fosse um iniciante, ele dizia que não pegaria pesado.
— Vamos lá, cara! Só pra se divertir! — disse Luke.
— Eu não sou treinador...
Luke ficou em silêncio. Ele guardou a pokébola de Duskull e coçou a cabeça.
— Ah, por essa eu não esperava, desculpa aí. Mas diga, você tem cara de já ter mais de dez anos, certo? Por quê não começou uma aventura ainda, cara?
— Eu não posso. Tenho medo de sair de casa, não pude comparecer à entrega de iniciais com o Professor Rowan há dois anos consecutivos, minha cidade é muito longe de Sandgem. Tenho esse receio, sabe? De não conseguir me adaptar, de não encontrar bons Pokémons, de não poder fazer bons amigos. — disse Nicolas.
Luke não sabia como lidar com aquela situação. Ele não era a melhor pessoa para dar conselhos, e muito menos para falar a língua de uma pessoa que não era treinadora.
— Bom, eu... Você. Sei lá, quer ver meus Pokémons, então? — sugeriu Luke.
— Sério? Putz, eu adoraria!
Luke pegou as duas Dusk Balls e jogou-as para o alto. Gabite espreguiçou-se e logo sacou oBlackglasses para que evitasse a forte luz do sol. O General Duskull também não apreciava a luminosidade, mas se seu chefe o chamava ele deveria atender a qualquer momento. Os olhos de Nicolas brilharam assim que ele viu os dois Pokémons. Luke se enchia de orgulho, assim como as criaturas.
— Cara, eles são simplesmente fantásticos! Principalmente esse Duskull, você tem um Duskull!! Um fantasma de verdade, o melhor Pokémon de todos!! — disse Nicolas.
— Ele é o comandante dos meus exércitos, era o líder da Lost Tower quando o capturei. Eu o chamo de General por sua autoridade. — gabou-se Luke, enquanto via o jovem Nicolas rodopiar Duskull que permanecia em sua posição.
— Duskull, Duskull, Duskull! Ele deve ser o melhor Pokémon do mundo, como o encontrou?
— Eu acabei de falar que foi na Lost Tower, cara!
— Ah, é verdade! Hah, hah, hah!
Os dois caíram na risada novamente. Luke aproveitou o momento para mostrar toda a força que seus Pokémons tinham. Por mais que Gabite fizesse excelentes apresentações, Duskull ainda era o centro das atenções. Nem mesmo um dragão de óculos escuros era mais cativante do que aquele fantasma para o jovem Nicolas. De repente, uma rápida ideia surgiu na mente de Luke, parecia um tanto extravagante, principalmente quando se tratava dele como uma pessoa egocêntrica e que nunca pensava no próximo, mas por algum motivo, algo lhe dera aquela ideia.
— Ae, Nicolas, acho que vou precisar ir andando...
— Sério mesmo? Que pena, eu poderia ficar o dia inteiro vendo os seus Pokémons! Eles são brilhantes, mal posso esperar para começar minha aventura no ano que vem. Ou quem sabe no outro... Ou no outro...
Luke deu um sorriso quando ouviu aquilo, agora sim ele teria certeza de que seu plano daria certo. Deu um rápido aperto de mão e perguntou onde poderia encontrar Nicolas na manhã seguinte. O jovem apontou onde era sua casa, morava com os avós nas proximidades do Pokémart. Era tudo que Luke precisava saber.
O garoto correu e encontrou-se com Lukas e Dawn no caminho. Os dois já pareciam preocupados com a demora do amigo, mas Luke tocou no ombro do irmão de forma eufórico lotando ele de perguntas e anseios.
— Cara, eu sou a pessoa mais egocêntrica do mundo, vocês sabem disso. Mas sabe quando a gente sente a necessidade de ajudar alguém? É o que estou sentindo agora! — disse Luke.
— Calma aí, irmão. O que houve? — perguntou Lukas.
— Preciso de um Pokémon, preciso de um Pokémon inicial. E rápido.
— Ei, Luke, você está bem? Você sumiu de repente, nem deu tempo para que eu me desculpasse! — disse Dawn — Eu só queria pedir desculpas pelo acontecido e dizer que para mim você é um verdadeiro Luxray! Rawwr! — disse ela fazendo um sinal provocativo.
— Agora não, eu preciso desse Pokémon, preciso da ajuda de vocês! — respondeu Luke de forma eufórica.
— Nossa, já vi que a situação é séria mesmo. O que aconteceu para você se sentir dessa maneira?
O jovem parou e explicou todo o seu plano com mais calma para os amigos. Dawn fez uma posição pensativa, enquanto Lukas olhava em volta à procura de Pokémons selvagens. O plano era capturar um inicial para que Nicolas pudesse começar sua jornada. Por mais que não fosse um Turtwig, um Chimchar ou um Piplup, eles ainda acreditavam que poderiam capturar algo realmente poderoso.
— Um Pokémon inicial para um treinador novato... Essa é complicada, nos arredores da ciade só temos Starlys, Bidoofs, Geodudes; Pokémons bem convencionais. Pelo que você me falou, esse jovem precisaria de um amigo para todos os momentos, e pelo gosto dele, talvez uma criatura mais excêntrica. — comentou Lukas.
— Um amigo para todos os momentos? Que tal um Pokémon fantasma? Seria literalmente para todos os momentos, fantasmas vivem a eternidade. — disse Dawn.
— Brilhante!! Ele adorou o meu Duskull, será que não encontramos algum deles por aqui? Acho que o próprio General seria capaz de convocar algum de seus soldados ao anoitecer, e então, eu o capturo! — e assim, os jovens esperaram o anoitecer.
Luke estava muito impaciente, olhava para o horizonte a todo o momento aguardando que as nuvens dispersassem e a lua exibisse toda sua grandeza. Às sete horas tudo começou a escurecer, Luke lançou seu Duskull que ergueu-se com toda sua pompa no aguardo das ordens de seu mestre.
— Vamos lá, General. Sei que você era o líder de todos os demais fantasmas na Lost Tower, então, acredito que você seja capaz de convocá-los com sua habilidade de liderança! Vá, busque um excelente soldado, e volte o mais cedo possível!
O fantasma desapareceu. Agora restava apenas que os jovens aguardassem. Passaram-se algumas horas, e o General Duskull não voltava. Dawn já bocejava de sono, e mesmo que Luke tivesse dormido tão pouco, parecia recém despertado, apto a esperar até que seu Pokémon voltasse. Dawn estava deitada no colo de Luke debaixo de uma árvore, a menina acordou por um momento e tocou em seu ombro.
— Ele já voltou? — perguntou Dawn com um ar sonolento.
— Ainda não. Querem voltar para o Centro Pokémon e descansar? — perguntou Luke.
— Não, estamos juntos nessa, damos todo o apoio para você, mas... Me acorde assim que ele voltar. Boa noite, Luxray.
Dawn voltou a dormir. Luke olhou para o céu e deu um sorriso enquanto olhava as estrelas. Tão brilhantes, tão repletas de anseios e desejos... Muitas crianças esperavam muito tempo para iniciar suas jornadas, mas nem sempre eram capazes, tanto por motivos familiares, problemas com os iniciais, o que quer que fosse. Era o sonho de toda a criança, e pela primeira vez Luke se sentia tão bem por ajudar alguém.
Quando retomou sua atenção notou o General Duskull surgindo das sombras com um novo fantasma ao seu lado. Era um de seus soldados, se não um dos mais habilidosos da torre perdida. Luke não iria capturá-lo sem uma batalha, entou em posição de combate enquanto seus amigos ainda estavam adormecidos. Iria capturá-lo com grande honra.
— Shh... Façam silêncio, se a Dawn acordar garanto que vocês vão descobrir o que é a fúria de um Gyarados! Vamos lá, General, comece com o Shadow Sneak!
Duskull atacou o soldado que se defendeu com grande êxito, o oponente era inferior, mas tinha muitas habilidades promissoras. Luke ordenou um Confuse Ray para atordoá-lo, dando a chance perfeita para que ele lançasse uma pokébola e tentasse a captura. Rápida e direta. O próprio fantasma parecia disposto a seguir viagem. Luke segurou a pokébola e sorriu.
— Obrigado, General. Ele estará em boas mãos.
Luke voltou seu Pokémon e chamou pelo irmão. Lukas despertou, estava mutio feliz por terem finalmente encontrado o fantasma. Porém, Dawn parecia não acordar. Estava muito cansada, Luke até sugeriu que a levasse no colo, mas não a aguentava de maneira alguma, a menina só despertou quando os dois vieram ao chão.
— Idiota!! Por quê não me acordou ao invés de fazer esse alvoroço?
— Eu tentei, mas você dorme que nem um Snorlax!
— E você também não me parece nem um Machamp para não aguentar sequer uma garota indefesa como eu!
Os xingamentos de Pokémons continuaram por um tempo, mas logo cessaram com o interrompimento de Lukas. Luke e seus amigos seguiram para a casa de Nicolas, àquele horário tudo estava apagado e o jovem provavelmente já estava adormecido. Eles haviam demorado demais.
— Ele já está dormindo... — disse Lukas.
— Claro, e nós também deveríamos estar. Puxa, então acho que vamos ter que esperar até amanhã para entregar o Pokémon. — disse Dawn.
Luke hesitou.
— Espera, tenho uma ideia melhor.
O garoto pediu o diário de Dawn, que após muito negar arrancou uma única página para que o plano fosse sucedido. Com uma caligrafia falha e infantil, ele escreveu um pequeno cartão com ajuda do irmão e deixou em frente à porta da casa com a pokébola do Soldado Duskull dentro de uma caixa. O trabalho estava feito.
— Luke, amanhã nós vamos embora da cidade logo que amanhecer, você não vai nem se despedir do Nicolas ou dizer que foi você quem entregou? — perguntou Lukas.
— Ele não precisa saber que fui eu, o que eu quero é que esse cara seja um treinador para que possamos nos enfrentar no futuro, como grandes amigos!
E então, os três partiram. Naquele momento tudo que buscavam era uma bela cama e uma boa noite de sono. A manhã veio junto da aurora, Nicolas levantou-se de sua cama e recebeu os parabéns de seus amigos mais próximos e dos avós. Era o aniversário dele, um dia muito importante. Ou pelo menos, era o que deveria ser se ele pudesse começar sua jornada. 
— Nicolas, venha aqui, por favor... Acho que alguém deixou um presente para você... — disse uma velha senhora.
O garoto andou até a porta e viu uma caixinha de bomboms com um embrulho mal feito e uma cartinha ao lado. Ele estava muito curioso, pensou ser alguma admiradora secreta, mas havia uma pokébola dentro, e ao lado, uma pequena carta escrita manualmente. Aparentemente por alguém muito cansado ou que escrevera tudo no escuro. Nicolas não ligou para os erros, e sim, pelo motivo pelo qual havia sido escrita.
Nicolas abraçou a pokébola e mal pôde conter a felicidade. Contou para seus avós como havia recebido um presente dos céus e poderia finalmente começar sua jornada. Qual fora sua surpresa quando descobriu que era um magnífico Duskull? Seu maior sonho havia sido realizado. Se ele sabia que era Luke quem havia enviado o presente, então preferiu acreditar em algo maior. Talvez o próprio Luke fosse um Pokémon realizador de desejos, e não é que no final de Magikarp o jovem havia se transformado em um miraculoso Jirachi?

FanArt - João Pedro III

Nome: João Pedro
Idade:13 anos
Estado: Rio Grande do Sul
Técnica: Paint


Ora, esse aqui vai para toda a Aliança Aventuras! A equipe inteira unida cara, esse sim seria um momento memorável. Infelizmente, nem sempre todos estão presentes, então fica aquela situação, uma região fica interditada, a outra decide parar também, e assim os problemas se sucedem. Somos uma equipe cara, um dia eu espero que todos possamos estar unidos novamente para terminarmos nossas fanfictions à nossa maneira. Eu sempre digo que só descansarei quando chegar ao meu "The End", e espero que meus companheiros pensem o mesmo. Obrigado, João Pedro, e que homenagem! Fico muito feliz que aproveite seus momentos no blog, saiba que continuaremos a fornecer o devido atendimento com histórias inusitadas e divertimento para que aproveitem ao máximo. Até mais, companheiro!

FanArt - Shadow Moltres III


Nome: José Felipe (Shadow Moltres)
Idade: 12 anos
Estado: São Paulo
Técnica: Paint - Lápis de Cor, Canetinha, derivados.

Woaah, eles me mataram! Até o meu coração ficou para contar história em cima do túmulo. (Vish, acho que estou assistindo muito Game of Thrones.) Eu tentei enxergar certinho o que estava escrito, mas algumas coisas eu não consegui desvendar com clareza... Acho que soou algo como: Canas. 198? - Eternidade nos nossos corações. Você não tem noção de como isso me emocionou cara, falo sobre cada frase, todos os desenhos, o carinho que vocês me proporcionam. "A paz de todas as semanasE quem diria que Sinnoh duraria pelo menos 100 anos? Será que eu vou estar lá pros lados de Matusalém escrevendo a mesma fanfiction ainda? *risos* 

E como você pode dizer que os desenhos de baixo não ficaram tão legais? Poxa, foi o que eu mais adorei! È sério cara, adorei de verdade. Acho que tendo a ter uma preferência por desenhos feito à lápis e papel, eles sempre me cativam de forma especial. Digo, você se deu no trabalho de fazer o símbolo de Sinnoh, os Fire Tales, o gorro da Dawn... É, a sua letra você tinha razão, tá difícil entender o que está escrito naquele balãozinho, mas eu ainda descubro! *risos* "Parabéns, e obrigado por tudo, Canas Ominous"... Vocês querem que eu me emocione, não é? Cara, obrigado mesmo pelo desenho, eu achei fantástico.

De Onde Vêm as Boas Ideias? [Livro]

Introdução

Ano passado passado acabei por me deparar com um livro que ganhei de aniversário de um grande amigo meu, De Onde Vêm as Boas Ideias?. Após começar a faculdade de Design Gráfico me encontrei na necessidade de lê-lo, ele poderia ser utilizado como fonte de conhecimento e ainda valeria um tempinho para as 200 horas de atividades complementares que preciso realizar. Demorei duas semanas para ler, indo aos poucos quando me sobrava tempo e disponibilidade, e no fim das contas posso dizer que a obra de Johnson me abriu os olhos para muitos caminhos que eu poderia trilhar aqui no blog. Então, aproveitarei essa postagem para falar um pouco sobre isso. Acho interessante que o público mais jovem acompanhe tais passos, conheço muitos escritores que podem se interessar, e tenho certeza que podem vir a se surpreender com essas histórias fascinantes do autor e das loucuras que passam por minha mente.



Afinal, de onde vêm as boas ideias? 

Essa é uma pergunta que todos gostariam de saber responder. Ah, se eu pudesse ter ideias tão boas quanto ele! Me perdoe, mas, você acha que aquele sujeito mais criativo fez um pacto com Darkrai para ter essa criatividade? Óbvio que não, mas vamos aos poucos. Por muito tempo se dava todo o crédito desses misteriosos presentes para a fé, sorte, fontes mitológicas, mas presumir que a criatividade é um aspecto elevado, concedido apenas à alguns é um tanto cômico. Steven Johnson pode nos dar a resposta. Ele descarta o senso comum de que os grandes criadores já nascem geniais e, isolados em glorioso isolamento em seus estúdios e laboratórios recebem as grandes descobertas. Eu mesmo me via nessa situação, sentado em frente ao computador esperando as ideias brotarem como magia. Steven Johnson defende que as grandes invenções não brotam de mentes solitárias, e sim, do coletivo.

Charles Darwin e Tim Berners-Lee

No livro Johnson descreve sete séculos de progresso científico e tecnológico para mostrar que tipo de ambiente alimenta a genialidade. Ele percebe que grandes vizinhanças criativas, como a World Wide Web de Tim Berners-Lee, são como recifes de coral agrupados, diversas colônias de criadores que interagem entre si e influenciam um ao outro. O próprio livro começa com a longa história de Charles Darwin, e aquilo até nos faz pensar: O que isso tem haver com o assunto de ideias? Johnson dedica a sua pesquisa inicialmente à biologia, e depois revela que a evolução depende de meios em que espécies diferentes entrem em contato. Com as ideias não é muito diferente.
Com as ferramentas presentes nos dias de hoje, qualquer pessoa é capaz de criar algo inovador. É preciso, porém, saber cultivar. O engraçado da leitura do livro é que os assuntos estão em constante mudança, por um momento falamos de algo, e o autor logo cria um paralelo inesperado e revelador. Viajando em alguns sites à respeito do livro encontrei uma pequena lista que falava basicamente o assunto principal dos capítulos. Nela, Johnson nos mostra os sete padrões fundamentais dos processos de inovação desenvolvidos pelo homem e pela natureza. 
  • Descobertas surgem a partir de outras descobertas;
  • Redes de informações se chocam constantemente;
  • Intuições que são lentamente construídas;
  • As intuições acidentais;
  • O aprendizado a partir dos erros;
  • As invenções de uma área que encontram aplicação em outra;
  • Os processos generalizados de sedimentação do saber.

Geralmente é preciso que alguém de fora faça perguntas bobas para que uma solução pouco convencional seja gerada. O trabalho toma muito tempo, suor e persistência. Como Albert Einstein disse: “A criatividade é o resíduo do tempo desperdiçado”.

Marquei, inclusive, uma coletânea das frases que mais me inspiraram no livro. Aquelas que fizeram um grande efeito em mim e me deixaram nessa vontade de compartilhar esse conhecimento com os outros. Admito que eu ficava atrás do computador esperando a inspiração chegar de forma repentina, e nem sempre a espera era gratificante. O que eu poderia ter feito nesse tempo? Será que eu não poderia ter compartilhado essas ideias com outras pessoas para aprimorá-las e torná-las mais exitosas? Acho que fiquei escondido por muito tempo guardando tudo para mim, ainda tem muita gente que faz isso, pensam que vão roubar suas ideias, quando são esses momentos que tornam as ideias realmente úteis.


"O truque é descobrir maneiras de explorar os limites e possibilidades ao nosso redor."


"O caminho mais curto para a inovação é estabelecer novas conexões."

“O segredo para ter boas ideias não é ficar sentado em glorioso isolamento, tentando ter grandiosos pensamentos. O truque é juntar mais peças sobre a mesa.” 

"A maioria das ideias importantes vêm à tona durante reuniões regulares no laboratório, em que cerca de uma dúzia de pesquisadores se encontrava e, de maneira informal, apresentava e discutia seu trabalho mais recente.”

Cara, essa para mim essas foram fascinantes. Vejo isso como uma explicação que não devemos ficar sentados esperando as ideias para um enredo surgirem na fanfiction, é preciso juntar todo o tipo de informação, como num brainstorm. Nessa etapa é importante a participação de parceiros e amigos para análise, e veja só, esse não foi sempre o intuito da Aliança Aventuras? Nossas reuniões costumam ser desastrosas, mas sempre propagam ideias. É esse conceito que eu levo, junto peças sobre a mesa.


" (...) O costume de manter um livro de citações. 

Parte do segredo de cultivar intuições é simples: Anote tudo."

Essa eu achei bem interessante, já teve aquela sensação de ter uma ideia fantástica, e não ter onde anotá-la? O pior é chegar em casa para colocá-la em prática, e a ideia já ter desaparecido há muito tempo. Na antiga Grécia os filósofos tinham esse costume, de carregar um livro de citações com frases que apreciavam. Eu realmente pretendo colocar isso em prática. Quando ideias surgem repentinamente, por que não anotar em um bloquinho?

"O sonho de Kekulé não revelou de algum modo uma verdade reprimida. O que ele fez foi explorar, tentando encontrar novas verdades para um meio de experimentação com novas combinações de neurônios."

Provavelmente já ouviram falar daquele sujeito que sonhou com uma cobra engolindo o próprio rabo, e assim, criou a hipótese das ligações múltiplas para a fórmula hexagonal da estrutura do benzeno. (Sim, minha gente, esse cara contribuiu muito para a tabela periódica de Química que vocês tanto amam.)  A questão é, será que foi esse sonho que deu a ideia para Kekulé? Foi justamente o sonho que causou uma epifania nele? Ahh, a cobra tem tudo haver com a tabela, né? É claro que não, o acaso favorece a mente conectada! Outra citação do autor à respeito disso é da ave Archaeopteryx, vamos criar uma historinha para vocês entenderem melhor.


Vamos para o mundo Pokémon os Archens foram baseados nessa criatura. No conceito de história, essas aves foram as mais primitivas de todas, e também as primeiras a voar. O que conta aqui é como elas descobriram isso. Não deve ter sido do dia para noite, uma epifania que disse à elas que elas poderiam voar. O acaso favorece a mente conectada, se elas tinham penas, como utilizá-las de forma benéfica? Este é outro dos casos que Johnson utiliza no livro.


" (...) Não quer dizer que o erro seja a meta, afinal, continuam sendo erros, por isso se deve passar por eles depressa. Mas são um passo inevitável no caminho da verdadeira inovação.”


"Estímulo não condiz necessariamente à criatividade. Colisões sim, — as colisões que ocorrem quando diferentes campos de conhecimento convergem num espaço físico ou intelectual compartilhado."

"Um brejo criado por um castor, tal como a florescente plataforma criada pelos fundadores do Twitter, ambos convidam à variação por ser uma plataforma aberta, em que os recursos são compartilhados na mesma medida que são protegidos. A informação não apenas flui nesse sistema; é reciclada e usada para novos fins, transformada por uma rede diversificada de outras espécies no ecossistema, cada qual com sua função distinta."



Estive pensando, por que não gerar um ambiente em que diversos tipos de pensamento possam se colodir e se recombinar de maneira produtiva? O Twitter não foi criado com os propósitos que tem atualmente, duvido muito que os criadores tivessem em mente que ele seria utilizado para fazer propagandas de restaurantes por exemplo como é citado no livro. Vejo que devemos reciclar a informação, usá-la como for útil para nós. Se você está aqui, num site de Pokémon, provavelmente veio para saber de Pokémon. Mas quanto já aprendeu lendo um texto como esse? É muito mais do que somente compartilhar recursos, essa convergência de ideias é o foco intelectual e que deve ser compartilhado.

"O banho ou o passeio nos tiram do foco centrado em tarefas da vida moderna. (...) Faça uma caminhada; cultive intuições; anote tudo, mas mantenha suas pastas em desordem. abrace a serendipidade; cometa erros produtivos. cultive diversos hobbies; frequente cafés e outras redes líquidas. siga os links. permita que outros se baseiem em suas ideias; tome emprestado; recicle, reinvente."

É assim que Steven Johnson termina seu livro. Tive o intuito de criar esse texto pensando em meus companheiros ficwriters, mas acho que tudo isso vai muito além de uma fanfiction. Todos os fatos se interligam neste último momento que você nota o quanto aprendeu. Ideias não brotam na cabeça de pessoas pré-selecionadas, é preciso saber cultivá-las. Quer uma sugestão de livro? Se não tiver interesse no assunto não chegue nem perto, a leitura pode parecer complicada e cansativa, elas formam juntas um conjunto de informações à respeito dos primórdios até a criação das redes mais atuais, mas fornece uma fonte de conhecimento inigualável. É interessante ler livros desse tipo, nunca perderei meu fascínio por contos de aventura e guerreiros, mas De Onde Vêm as Boas Ideias? nos permite ingressar na mente de um dos mais influentes pensadores do ciberespaço.

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